Harry ajeitou seus óculos e releu a linha escrita no Mapa do Maroto. Parecia desaparecer aos poucos. Então abaixo da primeira linha, como se uma mão invisível escrevesse lia-se:
“O que tanto preocupa o Sr. Potter?”
Harry ficou pasmo, levantou-se e levou o mapa até a janela para que pudesse visualizar mais claramente o que acontecia. Na última vez em que lera palavras escritas desse jeito acabara lutando com um basilisco.
Outra linha se formou:
“Apresento meus cumprimentos ao Sr. Potter e peço que não dê bola às asneiras de Rabicho.”
Dessa vez a escrita era diferente, com vários floreios e mais espichada que a de cima.
No rosto de Harry se contraiu um sorriso nervoso e ele lembrou do dia em que Snape havia confiscado o mapa no terceiro ano. Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas haviam escrito frases rudes ao professor que tentava ver o que estava escondido no pedaço de pergaminho.
Será que era só isso que estava acontecendo novamente? Uma brincadeira dos criadores do mapa? Mas como ele sabia que Harry estava preocupado?
Harry fechou novamente o mapa e dessa vez disse “Malfeito feito”. O pergaminho tornou-se imediatamente vazio. Desceu para a sala comunal da Grifinória que estava vazia, sentou-se na frente da lareira e começou a fazer o dever de Feitiços. Passados alguns minutos achou melhor que terminasse o dever na biblioteca. Quando estava saindo deu de cara com Rony e Mione que ainda discutiam por causa do Nugá confiscado. Pararam quando viram Harry, Rony então perguntou:
- E aí? Melhorô?
- Sim, consegui descansar um pouco. – Harry resolvera não comentar nada sobre o mapa, pelo menos não agora.
Hermione passou pelos dois e entrou pelo retrato ainda aberto. Harry seguiu ela e perguntou:
- Resolveu amarrar a cara pra mim agora?!
Mione largou os livros que carregava na mesa e olhou fixamente para Harry por um tempo. Por fim disse:
- Tudo bem, deixa pra lá, vamos jantar e esquecer essa bobagem.
Felizmente o humor de Hermione melhorou bastante e durante o caminho para o Salão Principal ela se deteve a passar para Harry todos os trabalhos que os professores haviam dado para o fim de semana.
Durante aquela noite tudo ocorreu perfeitamente bem, Gina se juntou ao trio mais tarde e depois todos voltaram para a torre da Grifinória satisfeitos. Harry ia de mãos dadas com Gina e ao chegar na sala comunal ambos se esgueiraram até um dos cantos para que pudessem ficar sozinhos. Rony e Mione ficaram fazendo uma redação que o professor Binns pedira. Mione estava tão concentrada escrevendo e não notou que Rony copiara quase dois terços do seu trabalho. No final ela teve que cortar algumas partes porque a redação ficara demasiada extensa. Depois de um tempo tanto os garotos quanto as garotas se dirigiram aos dormitórios.
“O que há Harry?”
Na manhã seguinte esta era a frase legível no Mapa do Maroto. Harry espiou pelo dossel de sua cama e viu que o sol recém nascia. Percebeu pelos roncos que o seu amigo Rony dormia profundamente e Neville parecia sonhar:
“Não fui eu vovó... Não é minha culpa... Me deixe fora disso...”
Harry levantou silenciosamente e desceu até a sala comunal, agora completamente deserta. Sentou então em um dos bancos perto da janela e deixou os primeiros raios de sol iluminarem o pergaminho velho da sua mão. Não havia mais nada escrito nele.
Harry decidira, depois de pensar muito na situação, que aquele mapa não poderia lhe fazer mal, afinal seu pai era um dos criadores, além de Sirius e Lupin. E Pedro ainda não era um comensal quando eles fizeram o mapa.
Pegou uma pena e molhou-a demoradamente no tinteiro, então cuidadosamente a colocou em cima do pergaminho, logo abaixo do lugar onde estivera a última frase. Decidira escrever:
“Não há nada de mais Rabicho.”
Porém não saiu tinta alguma. Molhou a pena novamente, dessa vez esperou muito mais tempo e tentou reescrever a mesma frase. Para sua frustração a tinta parecia fugir do papel, foi então que percebeu que sua mão estava toda preta, cheia de tinta. Olhou atentamente para a pena e viu uma linhazinha minúscula de tinta que subia e pingava na outra ponta da pena bem em cima do pulso dele.
Começou a pensar então, o diário de Riddle absorvia a tinta, porque o mapa repelia ela? Começou a procurar então um pano em que pudesse limpar a mão. “Accio pano”. Mas ele não iria se dar por vencido, em algum lugar na sua mochila ele tinha um vidro de tinta impermeável, talvez funcionasse.
Ledo engano, porém ele já esperava que isso acontecesse. Começou a pensar que não haveria nenhuma tinta capaz de percorrer aquele pergaminho. Sentou-se novamente próximo da janela e tirou sua varinha do bolso. Começou a pensar no que poderia fazer e enquanto fazia isso decidiu dar uma espiada no mapa. Encostou a varinha e disse “Juro solenemente que não vou fazer nada de bom”. Onde a varinha tocara, ele viu um ponto negro. Provavelmente da tinta que usaram para fazer o mapa e que se escondia no pergaminho. Observou esse ponto se transformar em linhas e letras até que todo o mapa estivesse ali na sua frente.
Draco estava na cama ainda, na verdade não havia ninguém fora de suas salas comunais, a não ser alguns estudantes no banheiro. Dumbledore já não estava mais no castelo. Fechou o mapa e murmurou “Malfeito feito”. Observou meio sonolento as linhas se encurtarem e voltarem a formar um ponto de tinta onde sua varinha tinha tocado. Olhava fixamente para o ponto quando viu outra mensagem:
“Como vai caro amigo?”
Essa letra era ainda diferente das outras que ele havia visto, além da de Rabicho ele desconfiava ter visto a de Lupin. Pelo menos parecia-se com a letra do professor. Mas quem seria este correspondente? Sirius ou seu pai?
Subitamente ele se lembrou do ponto de tinta que sua varinha fazia. Segurou ela com uma das mãos e apoiou o mapa no colo com a outra. Quando ele colocou a varinha sobre o mapa ele viu um ponto no lugar em que ela tocara e ao invés das palavras usuais ele disse: “Vou muito bem e você?”. E como se uma mão invisível escrevesse apareceram no pergaminho as mesmas palavras que ele disse. E o mapa então respondeu:
“Esplêndido!”
“Com qual dos quatro fundadores eu tenho a honra de conversar?”
Harry já esperava ansioso pela resposta.
“É um prazer trocar idéias com você, pois bem eu sou Pontas.”
O estomago de Harry afundou, sua mão começou a tremer um pouco enquanto passava na sua cabeça imagens do que ele lembrava ser a morte de Tiago. Harry pensou se este era realmente seu pai, ou apenas um “eco” da juventude dele. Lembrou-se de Dumbledore dizendo que nenhuma mágica pode trazer os mortos à vida. Demorou um pouco para que ele percebesse que havia outra linha:
“Presumo que esteja em Hogwarts não é mesmo?”
“Sim, mas faz muito tempo que este mapa foi criado.”
Harry respondeu tentando se acalmar, ao mesmo tempo uma euforia começava a se apoderar dele, afinal ele poderia conversar com seu pai.
“É eu sei, fico feliz que nossa invenção ajuda, ainda hoje, gerações de transgressores.”
Harry não pode deixar de sorrir ao imaginar o “eu” de 16 ou 17 anos de seu pai orgulhoso. Mas nesse exato momento ouviu um barulho e escutou passos na escada. Rapidamente tocou a varinha no pergaminho, murmurou um “Tenho que ir agora” e enfiou o mapa no bolso.
Descendo até o salão comunal vinha Rony e Neville. Ambos olharam para Harry e Rony perguntou:
- Ei, vamos descer e tomar o café da mahã?
- Claro vamos. – respondeu Harry cordialmente e se juntou aos dois saindo através do retrato.
|