A decisão de contar para Dumbledore o que havia acontecido foi idéia de Lily. Quando elas se sentiram seguras o suficiente para se moverem, foram até a casa de campo da família Evans. Não tinha ninguém no pequeno chalé, fazendo com que ficasse mais fácil de Bridget e Lily conversarem em paz, sem ter que arranjar desculpas para os pais de Lily, que iam notar na hora que algo havia acontecido.
As duas ainda estavam apavoradas, pálidas e trêmulas. Não conseguiriam arranjar uma desculpa decente para eles. Então, quando entraram pelos fundos do chalé, olhando para trás o tempo todo com a pura insegurança as dominando, se deram conta que estavam sozinhas.
Bridget desabou na cadeira, na cozinha, mais próxima. Ela estava irreconhecível. Suas mãos tremiam junto com sua mandíbula. Lily, também apavorada mas um pouco mais controlada que Bridget, pegou duas xícaras de chá e esquentou o que havia na chaleira, não importando de quê que era o chá. Só de tomar uma bebida quente já ajudaria as duas a pensar.
Um silêncio se estabeleceu entre as duas enquanto Lily esquentava o chá. Bridget estava acalmando de pouco a pouco, parando de tremer e falando algumas palavras de consolo para si mesma, que Lily não quis dar atenção. Mesmo assim, ela ainda olhava pra trás a cada minuto. Lily olhava preocupada para sua amiga. Nunca viu Bridget tão abalada.
Quando a chaleira começou a fazer barulho, Lily tirou-a do fogão ( era um hábito fazer as coisas sem magia, afinal, ela fora criada como trouxa ) e colocou o conteúdo dentro das xícaras de chá. Colocou uma na frente de Bridget, em cima da mesa e sentou-se no balcão da cozinha com a xícara nas mãos, fumegante.
Bridget soprou o chá e tomava de pouco em pouco, se sentindo melhor. Lily não estava assim tão abalada quanto sua amiga. A ruiva até achou estranho tamanha reação dela, mas fazer o quê? Não é todo dia que acontece uma coisa tão macabra e aleatória quanto essa. Foi totalmente aleatória. E não deveria ser escondida.
Lily sabia que tinha que prolongar aquele assunto com Bridget, mas esperava fazê-lo depois dela beber o chá quente.
É óbvio que eu fiquei com medo do que poderia acontecer conosco, mas não acho que deveríamos ocultar isso, esquecer. Eu também estou apavorada, mas, ainda bem, tenho minha dose de auto-controle bastante o suficiente para ficar quieta, pensativa em meu canto. E bota pensativa nisso. Bridget não estava com a mínima condição de decidir o que elas poderiam fazer. Ela mal conseguia segurar a xícara.
Esperei-a puxar o assunto, o que aconteceu alguns minutos depois.
- O que você achou? – Perguntou insegura. Seus olhos ainda estavam pousados na xícara de chá.
Analisei Bridget por alguns minutos. Seus olhos estavam aguados, parecendo, obviamente, perturbada. Tentei ficar calma para raciocinar melhor. Respirei fundo por algumas vezes antes de formular uma resposta.
Eu pousei minha xícara de chá no balcão que eu estava sentada e me encostei na parede, pensativa.
- Eu não sei – Respondi desorientada – Parece que é bem sério. Lembra quando a professora de Defesa Contra as Artes das Trevas, Sra. Jones, falava sobre profecias?
Bridget assentiu, agora olhando para mim. Ela respirou fundo. Sua ruga de preocupação entre as sobrancelhas estava muito acentuada. Aquilo perturbara Bridget profundamente, era óbvio. Também é óbvio que isso também me perturbou mas não igual aconteceu com Bridget. Para mim, essa luta contra Você-Sabe-Quem estava tão longe da minha existência que não me apavorei muito. Eu sempre ouvia falar da luta contra os Comensais e tudo mais, mas só que eu imaginara que isso não teria nada a ver comigo. Uma coisa longe demais, importante demais, poderosa demais para ter algo a ver comigo.
Eu ainda não estava acreditando que toda essa confusão havia chegado em mim, uma nascida trouxa que nada tinha a ver com os Comensais ou com a resistência, chamada de Ordem da Fênix. Era uma sensação extremamente surreal.
- Eu lembro – Respondeu. Eu esperei que ela falasse mais, mas não veio nada dela. Ela não queria prosseguir nesse assunto, o que é bem compreensível. Mas tínhamos de ver o que poderíamos fazer.
- Pois então, - Assumi a liderança da situação, impaciente com a reação de Bridget – o que faremos agora?
Bridget a olhou estranhamente.
- Porquê temos de fazer alguma coisa? – Perguntou revoltada. O medo de Bridget estava-a impedindo de enxergar a realidade. As profecias são importantíssimas, é um ramo da bruxaria que é bem imprevisível. Tínhamos de fazer alguma coisa.
Eu revirei os olhos impacientemente. Bridget não ia apoiar minha idéia suicida. Sei que é suicida, mas eu não conseguiria ficar com a consciência tranquila se guardasse isso para o túmulo. Quem sabe se essa informação fosse útil?
Nunca se sabe.
- É óbvio que não podemos fingir que isso não aconteceu – Falei, irritada com a reação de Bridget – E não adianta fazer essa cara de emburrada.
Bridget suspirou.
- Ok, digamos que, hipoteticamente, eu aceitaria seu plano – Começou desacreditada – Então, qual seria ele?
- Vamos aparatar em Hogsmeade e logo depois procurar alguém em Hogwarts, como Dumbledore ou Profª. McGonagall. Soube que todos os professores de Hogwarts são da Ordem da Fênix – Respondi, orgulhosa do meu pequeno plano.
Ela ficou boquiaberta.
- Você está fora de si? – Perguntou assustada – E se alguém descobrir que contamos para Dumbledore ou para Profª. McGonagall?
Eu revirei os olhos.
- Ninguém saberá que fomos nós – Respondi calmamente – Não somos da Ordem, não somos revolucionárias e nem da resistência. Somos nascidas trouxa, não temos nada a ver com Você-Sabe-Quem, nem Dumbledore, nem os Potter, nem os Longbottom, nem os Weasley, nem outra família sangue-puro que é da resistência. Somos insignificantes demais para nos descobrirem.
Bridget ficou em silêncio por algum tempo. Eu tinha certeza de que ela estava raciocinando o meu plano. Bridget entendeu meu ponto-de-vista, o que me fez torcer para que ela resistisse a seu medo e desespero. Tomei o resto do meu chá coloquei a xícara na pia.
Ela olhou para mim, pensativa.
- O que falaríamos para seus pais? – Perguntou curiosa – Não podemos ficar tão expostas no mundo trouxa se formos contar para Dumbledore.
Eu dei de ombros. Eu estava pensando nisso enquanto esquentava o chá.
- Se contarmos para Dumbledore, ele terá uma idéia – Respondi preocupada com meus pais – Eu vou escrever um bilhete falando que fui fazer compras em outra cidade e que eles não precisariam esperar acordada pois irei de ônibus.
Bridget ficou um pouco insegura.
- Eles vão acreditar que você vai pegar um ônibus? – Perguntou desconfiada.
Eu assenti.
- Eles ficam com medo de alguém me ver aparatando ou com uma vassoura – Respondi sorrindo pois esse tipo de meio de transporte deixava seus pais apreensivos – Sem contar que eles não acostumaram ainda com a aparatação, pensando que eu também não acostumei.
Ela assentiu, pensativa e sorriu. Ela achou uma boa idéia essa minha em relação meus pais. Ela terminou com o chá e colocou a xícara na pia enquanto eu rabiscava um recado para os meus pais e grudava na porta da geladeira. Subimos para o meu quarto para trocarmos de roupa.
Bridget, que estava sentada na minha cama enquanto eu trocava de roupa, perguntou:
- Será se precisaremos levar algumas roupas? – Perguntou pensativa.
Olhei para ela com uma interrogativa na mente.
- Não sei – Respondi com uma certa dúvida na mente – Acho que não. Se Dumbledore falar que temos que dar uma sumida, poderemos voltar aqui e juntar nossas roupas, afinal, ninguém sabe que fomos nós que escutamos, né?
- É, pode ser – Respondeu Bridget ainda com um pé atrás – Mas vou pegar uma bolsa e colocar algumas coisas.
Ela levantou da cama e pegou uma bolsa de couro marrom-escuro bastante espaçosa. Ela contou o dinheiro que tinha trago para cá e colocou ele todo na bolsa. Pegou dois casacos e seu estojo de poções e os colocou lá. Sua varinha estava guardada no bolso da sua jaqueta preta.
Coloquei uma calça jeans e uma blusa preta básica de manga curta. Peguei um casaco preto e o vesti, guardando minha varinha em seu bolso interno. Peguei uma bolsa e coloquei algumas poções que eu faço de vez em quando, uma mini sombrinha e meu estojo de poções.
Olhei em volta. E pensar que hoje eu havia acordado pensando na tranquilidade do verão nessa casa de campo da minha família e na companhia de Bridget. E foi uma situação tão aleatória, parecia que o universo estava a favor de eu e Bridget escutarmos a conversa deles pois não há como isso ser racional.
Ainda mais pelo Imperio, pois Ele não confiou em seu próprio meio de Comensais e ainda envolvendo uma profecia que fala sobre o poder d'Ele. É de se imaginar que seja uma informação desejosa para a Ordem da Fênix, embora Bridget não pense assim.
- E se nos descobrirem? – Perguntou pela milésima vez enquanto andávamos na estradinha de Hogsmeade-Hogwarts. Estava um dia lindo, limpo e claro. Todas as plantas estavam verdinhas e várias flores apareciam. Hogwarts ficava esplêndida no verão.
Estávamos andando rápido para que não dê tempo para as pessoas ali notarem que duas jovens estavam indo em direção aos jardins de Hogwarts. Era engraçado ver Hogsmeade sem aquela multidão de adolescentes fazendo bagunça. Parecia um vilarejo normal com a magia explícita. Todos os habitantes dali faziam magia ao livre, descaradamente.
Se tinham que consertar algo, dá-lhe varinha. Se quer mover alguma coisa, não importando seu peso, mais outra batucada com a varinha. As coisas ali respiravam magia. Era como se a energia de Hogwarts estivesse se expandindo cada vez mais. Ou seja, nada ali tinha uma relação direta com o mundo trouxa.
A estradinha estava molhada, espalhando lama aonde estávamos pisando. Alguns passarinhos estavam cantando tranquilos, nem imaginando a peso do fardo que estávamos carregando. Será se é uma informação tão importante assim? Pois eu me sinto como se estivesse carregando alguém nas costas. Meus instintos me diziam que seria uma informação que mudaria a sorte das coisas para Dumbledore. Tomara que seja mesmo.
- Lily, você vai contar isso para aquele seu amigo estranho da Sonserinha? – Perguntou Bridget, ainda transmitindo insegurança, mas com uma dose de curiosidade.
Eu a analisei por alguns momentos. Ela estava falando de Severo Snape, um garoto que já foi meu amigo. Nos afastamos no último ano, que ele resolveu andar com filhos de Comensais da Morte em Hogwarts. Severo não se dava bem com o povo da Grifinória, o que fazia com que a nossa amizade não fosse bem-vinda nem para os grifinórios e muito menos para os sonserinos. Eu lembro que antes do ano letivo terminar, o Black e o Potter tiveram uma pequena confusão com ele. Não sei direito o que aconteceu pois eu já estava distante dele, mas foi porque a turma de Severo quis enfrentar a turma da Grifinória. Ainda bem que eu estava bem longe, na biblioteca, quando isso aconteceu.
Até hoje eu não sabia o que tinha acontecido, mas eu não respondi a coruja que Severo me mandou nessas férias, ainda quando eu estava na casa normal de meus pais. É óbvio que Petúnia não estava lá. Ela acabou de se casar com seu namorado Dursley e está em lua-de-mel. Convenientemente, ela não me convidou para a cerimônia. Meus pais ficaram horrorizados, mas vindo de Petúnia não era uma total surpresa. Ela odiava minha magia, meu mundo, tudo. Eu sabia, no fundo, que ela ansiava por ter o que eu tinha. Isso destruiu nossa amizade e nossa família, infelizmente. Gostaria de tê-la do meu lado.
- Definitivamente, não! – Respondi pensativa – Seria perigoso demais para nós duas! Ele tem ligações com aquele povo estranho da Sonserina, sabe?
Bridget assentiu.
- É, aqueles que ficam me chamando de sangue-ruim o tempo todo – Ela pensou por mais alguns momentos enquanto atravessávamos o portão de Hogwarts – Não lembro o nome deles, sabe. Mas sei que seria muito imprudente você contar o que ouvimos para ele.
Eu fiquei boquiaberta.
- Eu não sou tão burra, ok? – Falei, me sentindo ofendida.
Bridget suspirou.
- Não tô te chamando de burra, é só que vocês eram muito amigos no ano passado... – Ela viu minha expressão de revolta e resolveu ficar quieta, colocando um ponto final na conversa e nesse raciocínio.
Ok, eu já tive uma amizade forte com Severo Snape, mas ele tem se mostrado tão estranho quanto as suas companhias da Sonserina. Ele chamava todo mundo nascido trouxa de 'Sangue-Ruim' e quando ia atrás de mim, na biblioteca, fazia questão que o que ele fazia era para se sentir acolhido pelo povo da Sonserina. Isso correu por alguns dias, então eu resolvi dar um basta e falei que se ele os chamava de 'Sangue-Ruim' automaticamente estava me chamando desse nome horrível.
Não preciso dizer que ele ficou pasmo. Todo mundo sabia que ele gostava de mim, que queria meu bem. Mas o que ele estava fazendo era inadmissível, me obrigando a cortar nossa amizade tão duradoura. Bridget não conseguia entender o porquê que eu era amiga de Severo. Sei que ele falava, fazia e transmitia coisas erradas, mas quando estava comigo era uma pessoa doce, leal e divertida... bastante diferente do que ele era longe de mim. Não suportei essa hipocrisia. Severo me mandou presentes durante todo ano letivo de Hogwarts. De doces a flores, bastante delicado. É óbvio que isso chamou atenção da Grifinória. Quem estava mandando tantos presentes românticos para a nerd da Evans?
Não sei o que aconteceu depois disso. Parecia que Lupin, um garoto extremamente modesto e inteligente, que também era do meu ano e da minha casa, tinha descoberto que era Severo que minha enviava. Não sei o motivo, mas deu briga.
Sacudi a cabeça com a esperança de me ver livre dessas lembranças que tanto me importunam e me fazem ficar melancólica quando vou para cama. É óbvio que eu não sou do tipo de mostrar sofrimento para as pessoas me deixarem como espetáculo a ser assistido. Não, eu prefiro chorar em cima do meu travesseiro do que em um ombro de algum amigo. Não aguentaria ver que alguém estava me observando sofrer.
Bridget me observava silenciosamente.
- O que foi? – Perguntei incomodada.
- Sabe Lily, você pode ficar triste se quiser... – Começou com aquele velho discurso de que eu não precisava sofrer sozinha.
- Ok, ok – Interrompi impaciente. Não quero saber disso – Estamos chegando em Hogwarts. Quer que eu bata?
Ela assentiu, um pouco pálida que revelava uma certa ansiedade de parte da mesma. Minhas mãos estavam tremendo de nervosismo quando bati na porta de entrada de Hogwarts. Ouvimos alguns passados rápidos de lá de dentro.
A professora McGonagall abriu a porta, não parecendo surpresa. Parecia que já éramos esperadas ali. Eu e Bridget nos entreolhamos, confusas. Seu coque alto estava muito apertado e suas rugas muito fundas.
- Dumbledore as espera, garotas – Falou enquanto estávamos entrando e logo após nos guiou para a sala do diretor. Bridget fez uma careta de medo para mim, que soltei um riso nervoso. Ambas nervosas.
Ainda na sala de Dumbledore, depois que eu e Bridget contamos o que ouvimos em Little Key, o mesmo pareceu um pouco agitado, acho que alarmado seria bem exato para descrevê-lo. Nunca tinha visto Dumbledore tão perturbado assim. Geralmente ele passava a imagem de serenidade, tranquilidade e segurança. Ainda o passava, mas sua reação os prejudicou.
- Tem certeza de que escutou isso, Srta. Evans? – Perguntou novamente, querendo uma confirmação da situação.
Eu assenti com segurança enquanto Bridget ficava incolhida na cadeira diante de tantas coisas intimidantes ( e novas ) que tinham naquela sala. Só para começar, a presença de um Dumbledore com a atenção virada para nós duas já era intimidante. Ela não falou muito pois sua voz estava trêmula. Eu, que sou a inconsequente, falei tudo que eu havia escutado ali, a região de Little Key e sobre tal profecia estranha.
- Tenho certeza do que ouvi, professor – Respondi com orgulho pois eu estava vendo que toda atenção de Dumbledore estava direcionada a essa situação em especial. Deve ser uma informação preciosíssima. Fiquei com orgulho de mim mesma por ter ajudado.
Dumbledore se recostou na cadeira, olhando para mim e para Bridget. Ele parecia nos avaliar rapidamente e assentiu. Ele pegou a varinha rapidamente e mandou um Patrono no formato de uma fênix, que saiu voando pela janela. Observamos com curiosidade pois era um Patrono belíssimo. O meu era uma corça e o de Bridget era um cavalo. Meio parecidos, né?
O que me fazia sentir pior do que eu já estava, era que eu sabia que o Patrono de Severo era o mesmo do meu uma corça. Isso é absolutamente desconcertante. Não pense nele, Lily, é melhor para você mesma.
- Bem, minhas queridas alunas, devo acolher a informação preciosa que vocês me deram. Muito obrigado. Mas também não posso deixá-las sozinhas para que, quando eles rastrearem que foram vocês duas que estavam em Little Key, eles a capturem. – Começou Dumbledore, bastante sério, sem um pingo da loucura e serenidade que ele transmitia. Era meio desconcertante, constrangedor... – Então, eu já mandei um Patrono para que a Ordem da Fênix seja avisada disso. Mas não se preocupem, apenas o círculo íntimo da Ordem saberá que foram vocês duas que nos proporcionaram essa sorte incalculável!
Ele sorriu com animação. Eu me senti recompensada por saber que estava ajudando alguém ou alguma organização secreta com a informação que tive. Eu não poderia falar o mesmo de Bridget, que ainda permanecia encolhida na outra cadeira. Mesmo assim, eu me senti útil e é uma sensação maravilhosa! Eu retribuí o sorriso com mais animação ainda. Mas eu pisei em algum buraco que me chamou de volta para a realidade e logo me desesperei.
- E meus pais, professor? – Perguntei desesperada, lembrando que os Comensais poderiam rastrear qual família que possui alguma ramificação bruxa que mora ali, naquelas colinas onde não existe outro bruxo. Apenas a família Evans com sua filha bruxa naquela casa de campo.
Minha garganta fez um nó.
- Não se preocupe, Srta. Evans, no Patrono que mandei tem algumas informações sobre onde esconder a sua família de modo que não os afete – Respondeu calmamente – Não se preocupe com isso. Você tem que se preocupar consigo. Se alguma pessoa errada descobri que foram vocês que nos deram essa informação, preparem-se para a caçada.
Eu empalideci, angustiada ainda pela situação que meus pais haviam ficado. Que péssima filha eles foram ter.
- Mas então, o que acontecerá conosco? – Perguntou Bridget, pela primeira vez desde que adentramos Hogwarts que ela conseguiu formular alguma coisa para falar.
E também era uma pergunta que estava martelando em minha mente.
- Temos que pensar nisso, Srta. Hamilton, vocês não poderam ficar à deriva dos Comensais – Respondeu Dumbledore, bastante pensativo – De início vamos mandá-las para a sede da Ordem, na mansão dos Potter. Mas vamos decidir o que acontecerá quando as férias acabarem.
Eu e Bridget nos entreolhamos, assustadas. E foi ela que falou, minha garganta ainda estava presa em um nó bastante apertado ao lembrar do perigo que minha família poderia estar correndo por causa minha.
- Como assim 'quando as férias acabarem'? Nós não voltaremos para Hogwarts? – Perguntou, bastante confusa e um pouco atrapalhada, gaguejando em algumas partes e olhando para mim, buscando apoio na pergunta, que eu assenti.
Dumbledore nos analisou por alguns segundos e suspirou.
- Tão novas e já com tantas confusões – Comentou deprimido, o que nos deixou descncertadas – Depende dos acontecimentos, Srta. Hamilton. Não podemos nos dar o luxo de pensar que em Hogwarts não possui espiões. Sabemos que isso acontece com frequência.
Eu me lembrei de Severo novamente, mas não durou muito tempo.
- Então nosso destino ainda é indefinido – Falei, mas soou como se fosse para mim mesma.
Dumbledore assentiu calmamente. Agora sim ele transmitia aquela tranquilidade e serenidade que sempre transmitiu. Me senti em segurança depois de captar a calma dele no ar. Bridger também ficou mais calma, pois ela estava respirando muito alto e muito rápido e agora diminuíra.
- Agora, minhas jovens, vamos para a mansão Potter? – Convidou calmamente – Eu vou escoltá-las.
Odeio confessar isso, mas me senti importante quando ele falou que ia nos escoltar. Embora eu começava a compreender que minha cabeça iria estar a prêmio, mais do que a de Bridget, afinal, meus pais é que tem uma casa de campo em Little Key. Suspirei com pesar.