FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

4. Alone Jared Thunder


Fic: Os Elementais - Att. 29-10


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

 


“E haja luz! E houve luz”. Não isto não se refere à criação do mundo e sim ao meu nascimento. Ao menos foi assim que o meu mestre, Yong Lei, me disse.


Eu nasci ou apareci, como queiram interpretar, em Butão, a terra do dragão trovejante, um pequeno reinado budista de apenas 650 mil habitantes, aninhado entre as duas maiores potências asiáticas, a China e a Índia, ao sul da Cordilheira do Himalaia, um lugar cercado de montanhas vertiginosas por todos os lados, várias delas com mais de sete mil metros de altura. É banhado por rios de águas cristalinas e tem três quartos do território coberto por florestas, vizinho ao Nepal, sede da mais alta montanha do mundo, o Everest.


Yong Lei disse que no dia em que me encontrou ele estava fazendo uma caminhada quando começou a relampejar e trovejar muito em um único ponto da montanha. Ele estranhou aquilo e tomado de coragem foi se aproximando do local e lá ele encontrou um bebezinho no meio da neve, que por acaso era eu. Por eu não ter os olhos puxados ele não me deu um nome asiático, por eu estar sozinho e por causa dos fortes trovões ele me batizou de Alone Jared Thunder, que ele diz significar descendente solitário do trovão.


Eu gosto do meu nome.


Então... Minha história começou naquele dia em que o mestre Yong Lei me encontrou, ele me levou para a sua casa e cuidou de mim. Como o povoado é budista, eu cresci seguindo as regras e os estatutos de como ser um jovem budista. O jovem budista caracteriza-se pelo seu idealismo, e é antes de tudo um lutador de espírito aberto e franco, e ávido de novas realizações, é inquiridor, é um ser imbuído de idéias arrojadas, inquieto, vibrante, é talvez o que melhor representa o espírito da filosofia.


O jovem budista não deve nunca deixar que sua força idealística seja tolhida pelas adversidades. Ele deve lutar sempre para impor-se através da sua vitalidade, deve superar suas fraquezas com uma prática realmente ousada e contagiante, deve sorrir com orgulho de ser budista.


O jovem budista precisa ser uma lança voltada para os problemas da nossa sociedade. Tem que ser uma pessoa aberta, atuante, extraordinariamente conhecedora dos problemas que acercam nosso povo, nossa gente.


O jovem budista não pode jamais ser um alienado social, nem tampouco um inconseqüente que vive dia após dia sem um objetivo real na vida.


O jovem budista precisa de um exemplo típico daquele que persegue o sucesso independente das dificuldades que lhe surjam no caminho, é antes de tudo um amante da paz, um lutador de trabalho, de estudo, de dedicação. Vencerá sempre pela persistência e garra com que se dedicar às causas nobres.


O jovem budista não pode acreditar jamais em derrota, terá que lutar até o último momento para conquistar a admiração e o respeito do seu meio ambiente. O jovem budista tem que evitar sempre o acomodamento das outras pessoas. O jovem budista tem que transmitir calor humano para os que já se julgam vencidos pelo tempo, tem que fazê-los sentir sempre que a luta ainda nem começou. O jovem budista tem que ser o verdadeiro símbolo da vitalidade e otimismo, inteligência e sucesso, tem que ser o espelho da vitória, tem que ser audacioso rompedor da rotina.


Para o jovem budista não há nada impossível, não há tempo ruim, não há situações imutáveis, não há conformismo nem sonho com derrotas.


No jovem budista tem que haver força suficiente para mudar o lar, a rua, a cidade, o país, tem que haver energia para transformar a comunidade, o distrito, a organização, o dirigente, o mundo.


O jovem budista lê, estuda, interroga, fustiga o dirigente com novas questões, obriga todos a se preocuparem com ele, a temê-lo pela sua curiosidade, pelas suas interrogações inquietantes. O jovem budista tem que ser sempre uma guilhotina armada contra os que já caíram no comodismo de pensar que já sabem de tudo.


O jovem budista é aquele que lança grandes objetivos e os consegue; é aquele que avança quando todos querem recuar, é aquele que protesta contra a derrota que se critica sempre que expõe de peito aberto a luta, é aquele que  se levanta quando todos estão caídos.


O jovem budista tem que ser tudo isto e muito mais, pois ele é o futuro.


Cresci com isso martelando na minha cabeça como se fosse um mantra.


Mas quando completei dezesseis anos o mestre Yong Lei me levou para a Espanha, visitar um templo budista de lá. Sempre visitamos outros templos ao redor do mundo, mas dessa vez a intenção dele era outra. Ao invés de me levar para meditar ele me levou para um prostíbulo:


– Hoje você se tornará um homem Alone, conforme a cultura ocidental – ele disse.


– Mas mestre, eu não entendo, eu não deveria ser um homem casto, guardar a minha energia vital para outras coisas? – Indaguei.


– Você deveria sim Alone, se fosse um de nós...


– Eu sou um de vocês! – Interrompi-o.


– Você é muito mais, você é especial. – Sentenciou ele finalmente.


A casa estava cheia, muitas mulheres dançando com pouca roupa, eu confesso que estava assustado.


Algumas mulheres diziam coisas obscenas para mim, tinham vários homens bebendo e gritando. Não gostei do lugar. Para mim era realmente um antro de perdição. Até que meus olhos a encontraram, uma linda garota maltrapilha num canto escuro. Mestre Yong Lei notou o meu olhar e o meu repentino interesse.


– Gostou dela? Vou falar com a dona da casa.


Fiquei estático, eu não sabia o que fazer.


Após alguns minutos mestre Yong Lei se aproximou novamente de mim com a dona do bordel.


– Ora, ora, ora, então hoje é um dia especial para o rapazinho aqui? – A mulher falou, ela deveria ter sido bonita na juventude.


– O garoto é tímido, mas já escolheu com quem quer passar a sua primeira noite – o mestre disse a ela apontando cós os olhos em direção da garota.


– Caroline Anabelle?! Você meu jovem rapaz não é nada bobo, mas creio que fez uma escolha difícil, a mocinha ali é indócil, está conosco a menos de um mês e não facilitou para nenhum cliente – disse a mulher.


– E porque ela não vai embora? – Questionei.


A mulher me olhou com indiferença e disse:


– Vai querer tentar?


Com um gesto de cabeça eu confirmei para o meu mestre.


– Sim, ele vai tentar, pagarei por todo o resto da noite. – e se virando para mim ele disse – Amanhã pela manhã virei te buscar.


======


 


 


O jogo de gato e rato é lendário e um dos assuntos favoritos dos romancistas. O que atrai para dentro do jogo que parece tão fascinante quanto antagônico? É uma questão complicada que será eternamente analisada pelo filósofo. Eu também fiz minhas tentativas para solucionar o enigma.


Parece-me que o jogo era bem mais atraente nos tempos antigos. Hoje em dia é decididamente menos prazeroso. De alguma forma, conforme os riscos aumentam, os jogadores se tornam mais ameaçadores e o jogo mais cruel. Na verdade, nem é mais jogado como antes. Uma coisa é certa, o objeto do jogo já quase foi eliminado.


Já faz tempo que ficou estabelecido, por exemplo, que o gato é fisicamente mais forte do que o rato. No entanto, a rata jamais foi um adversário à altura, em virtude de seus instintos e sua determinação impecável. Ao longo dos anos, o gato acumulou muitas vantagens desleais sobre o rato, eliminando do jogo a regra da vantagem. Essa evolução teve um efeito peculiar de tornar o jogo mais sedutor para o rato, e tedioso para o gato. E eu começo minha fábula sob essas circunstâncias entre gato e rato.


Na história que conto, a supremacia pertence ao gato. O rato tem muito menos poder na maioria dos casos: ganha e acumula menos riqueza, tem uma voz menos ativa nos eventos mundiais e, resumindo, menos vantagens do que o gato. Como era de se esperar, sob tais circunstâncias, o rato perdeu muito de sua personalidade e o gato sente a perda sem reconhecêla. Assim, quando ele encontra uma daquelas ratinhas encantadoras e tenazes que se recusam a aceitar esses termos amistosamente, essa nova raça de gato fica temerosa demais para reagir apropriadamente.


Por outro lado, o rato perdeu o respeito pelo gato, julgado preguiçoso e mimado pelos ratos que se submetiam à sua superioridade. Então, o jogo chegou ao estágio final de existência e só em casos raros, como a história aqui descrita, é jogado com o vigor dos tempos antigos.


Ao começar minha fábula, a rata leva uma vida modesta no buraquinho da parede do mundo do gato. Ela se veste com trapinhos fúteis, que é a moda do mundo moderno do gato, mas não cobre quase nada, fazendo-a sentir-se sempre nua e explorada. Mesmo assim, nossa rata se sente relativamente segura quanto ao gato, por conta de seu comportamento rebelde, interpretado por ele como uma malevolência insensível. Isso vem bem a calhar para a rata, pois ela detesta o gato.


-Covardes! -diz a rata rindo, ao ver outro gato passando pelo buraquinho da parede, apressado para se afastar da criaturinha ali de dentro. Como ficam medrosos esses gatos enormes ao se depararem com a ira de uma pobre ratinha indefesa! Provavelmente escaparei do destino de minhas irmãs tendo a mera animosidade como defesa.


De fato, não foi difícil para ela levar adiante os sentimentos de animosidade. Ela detestava ser explorada nesse mundo dominado pelos gatos, sem jamais ser compreendida ou reconhecida por sua inteligência e sensibilidade. Ainda assim, sempre que um gato parava diante da abertura de sua casinha para olhá-la, ela era tomada por estranhas sensações tanto perturbadoras quanto temíveis. Mas ela se recusava a deixar que os gatos vissem o seu medo ou, mais precisamente, sua esperança contida de um dia conhecer um gato de verdade, como aqueles sobre os quais lera em romances. E ela assobiava e os xingava, rindo para si mesma quando eles quase tropeçavam nos próprios pés, na pressa de fugir delá.


 


Ela assumiu uma fisionomia de arrogância altiva ao ouvir outro gato se aproximando. Ele era bem maior que ela, assim como os outros, mas ela lembrava a si mesma que tamanho não era tudo. Ela tinha certeza de que sua vontade era muito superior à dele.


Ela se esforçou para manter a compostura, enquanto o gato se colocou diante da entrada, com os olhos se movendo entretidos sobre seu corpinho. A inquietação habitual a inflamava por dentro. Com que direito os gatos pensavam poder cobiçar ratas de forma tão rude? Como as coisas chegaram a ponto de isso parecer um comportamento aceitável? Caso se comportasse como as outras ratas, agora seria esperado que ela se lisonjeasse com a honra dessa atenção! Ela empinou ainda mais o queixo e encarou o olhar do gato com desdém.


Contrariada, ela percebeu que ele era mais bonito que o comum. Nos dias atuais era realmente raro ver um gato que se importasse com a aparência. Eles geralmente era esculhambados, de modo que chegava a ofender qualquer um que estivesse por perto. Mas as ratas também estavam tão ocupadas com sua própria aparência que raramente lhes ocorria que os gatos não valiam todo esse empenho.


No entanto, esse gato era um dos poucos que se poderia considerar que valia a pena. Mas, na opinião da rata, isso era apenas mais uma razão para evitá-lo, pois os gatos bonitões eram piores que os feios. Eles estavam em alta na praça e sabiam disso, e era bem difícil conquistar sua afeição por um momento, quanto mais obter qualquer tipo de devoção em longo prazo. Ao olhar para a expressão de autoconfiança desse gato, a rata percebeu que provavelmente haveria inúmeras ratas à sua disposição. E ela se forçou a ignorar sua beleza física.


Mas era impossível não notar o pêlo farto que caía em ondas escuras sobre sua face, os traços recortados que emolduravam uma expressão de absoluta confiança e equilíbrio. Seu corpo musculoso se movimentava com uma graça natural. Os instintos aguçados da rata lhe diziam que seria melhor que ela se livrasse dele rapidamente. E ela mostrou a sua arma mais eficaz diante dos gatos: sua língua.


-Olhe o quanto quiser, porco -rosnou ela. Você jamais terá permissão para tocar. -Pois, ao menos nesse estranho mundo em que ela vivia, não era permitido que um gato forçasse uma rata a se submeter contra sua vontade. E, de fato, não havia a menor tentação para que o fizessem, já que as ratas estavam se oferecendo como escravas desses grosseiros desmerecedores!


Para espanto da rata, o gato riu de sua argumentação, depois esticou a pata para dentro de seu pequeno esconderijo. Com muita cautela para não tocar-lhe a pele, ele usou seu dedo ágil para erguer até o ombro o trapinho que cobria o corpinho, deixando-o totalmente à mostra. Com um chiado zangado ela espalmou-lhe a pata. -Você disse que eu poderia olhar o quanto quisesse, não disse? -ele riu.


A ratinha possuía uma fraqueza: era extremamente competitiva -principalmente quanto às questões de perspicácia e desejo. Tinha um gênio facilmente atraído ao jogo de gato e rato. A réplica espirituosa do gato, aliada ao seu temperamento calmo e total desprezo ao seu mau humor, foi estímulo suficiente para que ela ignorasse sua apreensão e mudasse de idéia quanto à resolução anterior de se livrar dele imediatamente. Talvezfosse melhor atormentá-lo um pouquinho antes.


Os olhos dela detinham os dele com um súbito interesse, e o canto de sua boca exibia um sorrisinho malicioso. Ela deu de ombros e tentou assumir uma aparência de indiferença casual.


-Eu estava pensando em você, agora mesmo disse ela, zombando. -Eu detestaria ver seu ego ferido pela recusa de algo que deseja.


-Que meigo de sua parte se preocupar com meu bem-estar -respondeu ele, sorrindo. Os olhos dele queimavam os dela, ao acrescentar: -Mas sobre isso, nós dois sabemos que você não precisa se preocupar. -Ela imaginou se aquela afirmação significava que ele não a achava atraente, ou se estaria excessivamente confiante de que ela cederia, caso ele a quisesse. Ele a percebeu confusa e riu. Mais curiosa do que nunca, ela se aproximou timidamente, dizendo:


-Imagino que você tenha ratinhas demais com que se distrair para se empolgar com apenas uma, em vista do harém de escravas que deve possuir para atender aos seus pedidos. -Ela disse isso como se o estivesseelogiando, mas o recado foi bem claro. Uma das coisas que ela mais detestava sobre esse mundo moderno dos gatos era a forma como as ratas estavam sempre dispostas a se rebaixar vendendo o próprio corpo aos gatos, como suas escravas sexuais. Ainda assim, ela sabia que havia ferido o orgulho dele ao dizer que, embora pudessem comprar tudo


o que desejassem das ratas, eles eram obrigados a pagar por isso. Com sua afirmação ela estava insinuando que ele também teria de pagar por favores, mesmo que desconfiasse que isso não fosse verdade nesse caso.


No entanto, a afirmação não fez com que o gato desistisse, e com uma pose um tanto descontraída, ele respondeu:


-Mesmo assim estou disposto a lhe dar a chance de ser minha escrava, se me pedir educadamente. Ele adorou a forma como os olhos dela faiscaram de raiva diante de sua resposta. Ele estava se divertindo imensamente em provocá-la.


-Certamente não quero ser sua escrava! -bufou ela. Como ele podia inverter tudo dessa forma?


Ela desejou, com todo o coração, ter o poder de arrancar o sorriso do rosto daquele gato abusado!


-Se você não tivesse o desejo oculto de ser minha escrava, não teria tocado no assunto -argumentou ele. Sua arrogância a irritava e seus olhos piscaram, exibindo um sorriso de desdém.


-Você seria tão convencido a ponto de achar que eu quis dizer que queria ser sua escrava?


-Eu posso apostar meu rabo.


-Puxa, mas você é bem confiante, hein? -desafiou ela, em busca de uma chance de fazê-lo ver o quanto estava errado. Ela era inexperiente demais no jogo para perceber que ele a estava provocando.


-Devo provar isso a você? -perguntou ele, devolvendo o desafio.


-Prove...! -Sua audácia era realmente demais. Algum tipo de alerta soou dentro do cérebro dela, advertindo-a para ter cautela, mas ela estava atiçada demais para ter cuidado. Além disso, era extasiante finalmente encontrar um gato com desenvoltura e tanta perspicácia. Sua coragem ancestral revolveu por dentro, diante daquela postura desafiadora. Ela sentiu que precisava colocá-lo em seu lugar, portanto, sem pestanejar, disse: -Se você puder provar qualquer coisa além de meu profundo desprezo por você, serei sua escrava hoje mesmo, por essa noite!


Assim que as palavras saíram, ela sentiu uma onda de terror. Teria realmente dito aquilo? E quando havia saído da proteção do abrigo de seu buraquinho na parede?


Não importava. Ela jamais cederia, e ele acabaria sendo forçado a partir com o rabinho entre as pernas, fracassado e humilhado. Pensar nisso a fez sorrir.


O gato também estava sorrindo, pensando, que exatamente quando parecia que todas as ratas eram tolinhas dóceis prontas para se submeterem a qualquer coisa à sua frente, ele encontrara essa pequena preciosidade. Veja só... era exatamente o que ele vinha procurando a vida inteira. E pensar que ele quasea evitou, segundo o conselho de vários outros gatos a quem ela rejeitara. -Bruxinha -era como todos a chamavam! Que tolos! Por ser tão extraordinária já era de se esperar que ela naturalmente quisesse um gato que estivesse disposto a encará-la. Ele reconheceu isso por também ser do mesmo tipo dela, com preferência por uma bela disputa antes de acasalar. Ele precisava continuar provando seu direito de possuir sua parceira, enquanto ela precisava de um par que valesse a pena e fosse destemido. Por instinto, ele sabia que ambos sentiam essas coisas, embora soubesse que ela ainda não as compreendia inteiramente.


O gato se aproximou da rata e gentilmente moveu uma mecha de cabelos para o lado. Ela sentiu o hálito morno em seu rosto quando ele sussurrou:


-Como podemos testar isso?


Ela inspirou o ar e o prendeu. Uma idéia ou outra passaram por sua mente, mas ela continuou quieta. Ela se sentia totalmente sem ação.


-Talvez um beijo -sugeriu ele, por fim, após deixá-la pensar um pouco.


Ela suspirou aliviada. Tudo que teria de fazer era suportar um beijo sem desfalecer sobre ele. Ela estava certa de que podia fazer isso. Que deleite seria mandá-lo pegar a estrada depois que ele se descabelasse para mostrar seu melhor beijo. Ela quase caiu na gargalhada com a idéia.


Ele olhou em seus olhos e viu seu divertimento. Então ela já estava cantando vitória, não é? Bom. Ele precisava pegá-la desprevenida. Mas alertou a si mesmo para ser cauteloso. Ela era um achado raro no mundo, e ele não a perderia.


Agora confiante, a rata arqueou o pescoço para trás na expectativa do beijo do gato, mantendo o olhar ansioso nos olhos dele. Ele a encarou enquanto seus lábios se puseram logo acima dos dela, por um tempo que pareceu uma eternidade. Uma incerteza preencheu os olhos dela e ela subitamente ficou impaciente. Ele ia fazer aquilo, ou não? Que tipo de tolo diz que irá beijá-la e não o faz?


Os lábios dele continuaram tão perto que estavam quase tocando os dela. -Bem-ele finalmente sussurrou –Aonde você quer?


-O quê? -ela sussurrou de volta.


-O beijo -explicou ele. -Onde você quer que eu dê?


Ela o encarou, chocada. Imagens que a deixaram tonta invadiram seus pensamentos, mas ela instantaneamente se esforçou para eliminá-las de sua mente. Ela estava tremendo. E mais uma vez lembroua si mesma que o mais prudente seria se livrar dele rapidamente.


E como ela deveria responder a sua pergunta sem soar como se quisesse que ele a beijasse? Ele realmente levava jeito para enfurecê-la. O que ela realmente gostaria de fazer era... De repente ela teve uma idéia.


-Acho que o lugar menos ofensivo seria o meu pé -disse ela, finalmente, com um sorriso ávido.


======================================


 


– Então no pé será – respondi sem desapontamento. Não havia esperado nada menos.


Além disso, minha pergunta sugestiva alcançara o efeito pretendido. Notei que ela perdeu a compostura, mesmo que apenas por alguns instantes.


Baixei sobre um dos joelhos diante dela, num gesto extremamente submisso. Ao me preparar para o ataque, Caroline sentiu uma decepção estranha, por eu ter me deixado abater com tanta facilidade, e um arrependimento esquisito, pois logo tudo estaria acabado. Ocorreu-me que ela torcera para que eu tivesse sido mais esperto ou forte, algo assim... Mas ela logo se repreendeu por ter sido tão tola, lembrando que era o seu orgulho e liberdade que estavam em jogo ali. Eu gentilmente peguei-lhe o pé e pousei a boca morna sobre ele, dando um beijo demorado. Assim que o beijo terminou, Caroline recuou o pé para trás, num movimento que deu a entender que ela tinha a intenção de me chutar no rosto, atitude esta que demonstraria de uma vez por todas seu autodomínio e ausência de reação por mim. Porém, ao lançar o pé à frente para dar o chute, segurei seu tornozelo num golpe preciso. Ela respirou ofegante diante dessa reviravolta dos acontecimentos. A força que sentiu no aperto causou-lhe uma vibração pelo corpo. Ela tentou se soltar, mas eu a segurei sem qualquer dificuldade, como se segurasse uma borboleta pelas asas. Ela foi desarmada de uma só vez.


E subitamente perdeu o chão, balançando e se esforçando para manter o equilíbrio num pé só. Com braços e pernas a esmo, ela foi de quadris ao chão. Com a agilidade de uma pantera, me estiquei e a peguei, impedindo o impacto da queda. Primeiro ela ficou aliviada, depois, horrorizada. Minhas mãos abrigavam suas nádegas. Ela se moveu para se levantar, mas eu a impedi.


– Ainda não avaliamos o efeito do beijo – disse sorrindo.


– O que você quer dizer? – perguntou ela, ainda se esforçando para levantar e se afastar de minhas mãos.


– O que quero dizer – expliquei calmamente – é que quero ver se fui capaz de inspirar algo além de seu puro desprezo por mim com meu beijo.


– Ah... Bem, suponho que desprezo resuma bem os meus sentimentos – ela mentiu, tentando aparentar calma e indiferença. Mas era difícil, com minhas mãos fortes a segurando daquele jeito.


– Eu não acredito em você. – respondi – Gosto de verificar as coisas, sempre que possível.


– Bem, mas não é possível – devolveu ela. – Portanto, você terá de aceitar minha palavra.


– Mas é possível!– Argumentei. – Não é apenas possível como também simples e indolor. – E, ao dizer isso, retirei as mãos debaixo dela e afastei-lhe as pernas. Ela finalmente percebeu o que eu pretendia fazer. Um formigamento persistente começou a aumentar entre suas pernas, começando antes do beijo. Agora, o seu desejo latejava em seu corpo inteiro.


– Não – protestou ela. – Não. – Ela balançou a cabeça de um lado para outro, tentando desesperadamente fechar as pernas.


– Se é como diz – eu disse num tom irritantemente ponderado, soltando suas pernas por um instante – depois de uma breve inspeção eu partirei daqui e jamais a perturbarei novamente. Mas, se você estiver mentindo como eu desconfio, será minha escrava legítima por esta noite.


Ela suspirou aterrorizada. Ela deveria estar pensando quando foi que tudo se inverteu e eu me tornei o conquistador?


– Você pode admitir o seu desejo por mim diretamente, se preferir –falei pacientemente.


– Nunca! – disse ela quase gritando.


– Bem, então, você não tem nada a esconder, tem? – perguntei. O meu olhar prendeu o dela, e foi como se ela tivesse sido hipnotizada, deixando que eu lhe afastasse as pernas. Meus dedos tocaram-na provocantes. Ela amaldiçoou seu corpo traiçoeiro mesmo ao se arrepiar de prazer, quando escorreguei o dedo adentrando a umidade reveladora. Soltei um rouco gemido e a puxei para meus braços.


– Ganhei – disse, antes que meus lábios exigissem os dela.


Ela estava com o orgulho em pedaços, mas já não podia negar que eu ganhara a batalha. Ainda assim, ela cedeu queixosa. Ela piscava com raiva e mordeu-me a língua, quando a coloquei em sua boca.


Isso não chegou a decepcionar-me, mais uma vez era o que eu esperava dela. De boa vontade, deixei que ela desabafasse toda a raiva em cima de mim. Afinal eu compreendia o quanto era irritante perder.


Gentilmente a segurei nos braços, até que ela parasse de resistir, sempre a beijando carinhosamente. Ela se esforçava para lutar contra sua atração mas, aos poucos, começou a sucumbir aos sentimentos ternos que despertei nela, e finalmente aceitou a própria derrota, retribuindo meus beijos com a mesma paixão fervorosa. Ela enlaçou-me o pescoço com os braços e me abraçou com as pernas. Festejei a entrega total apenas por um momento. Eu já decidira que a queria por muito mais que apenas uma noite de servidão. Era hora de aumentar as apostas do jogo.


Recuei do abraço e perguntei-lhe:


– Como pode ser isso se eu, que sou seu amo, estou aqui a servi-la, minha escrava?


Ela ficou demasiadamente estarrecida com a interrupção indelicada para responder. Pensara que a total entrega satisfaria seu anseio por dominá-la, mas, aparentemente, se enganara quanto a isso. No entanto, eu não esperava uma reação dela. Com um rápido movimento espalmei as nádegas dela, dizendo:


– De pé escrava.


Com as bochechas em fogo, Caroline subitamente se levantou, procurando endireitar as roupas desalinhadas que vestia, apesar disso ser inútil. Ela me olhou silenciosamente jurando achar um meio de ficar quite comigo. Mas eu prossegui como se não tivesse qualquer preocupação na vida.


– Siga-me escrava – disse guiando o caminho. Mas antes que ela desse o primeiro passo, acrescentei:


– De joelhos. Ela me olhou boquiaberta, horrorizada, quase engasgando com as próprias palavras.


– Não farei isso – conseguiu dizer finalmente.


– Você o quê? – perguntei fingindo choque com o rompante. Porém, mais uma vez era o que eu esperava. Sabia que seriam necessários o céu e a terra para fazê-la ficar de joelhos. Mas, por sorte, eu tinha o poder do céu e da terra sobre ela, naquele determinado instante, por saber que seu orgulho jamais a deixaria voltar atrás numa aposta.


– Você me ouviu – reafirmou ela, firme, diante de mim.


– Então, você está – falei calmamente – se recusando a honrar nossa aposta?


Diante disso, ela parou:


– Eu o servirei como sua escrava por esta noite, mas não de joelhos.


– Você concordou em ser minha escrava, e uma escrava é obrigada a fazer tudo como indicado por seu amo. – Ponderei – Além disso, posso lhe garantir que é bastante comum que essa posição seja pedida a uma escrava... Além de muitas outras.


Diante disso Caroline ficou em silêncio. Ela nunca havia sido uma escrava.


– Diga-me, – continuei – se eu fosse seu escravo, não estaria de joelhos, nesse exato momento?


Caroline permaneceu em silêncio, pois mal podia negar que daria tudo para me ver de joelhos naquele momento. Senti que era o instante perfeito para conduzi-la a um novo jogo.


– Foi você quem propôs a aposta – lembrei a ela. – Agora, a menos que queira uma nova disputa para ganhar sua liberdade de volta, é obrigada a me servir da forma como eu quiser.


Só levou um segundo para que seus olhos faiscassem cheios de vida, e para que ela mordesse a isca que joguei diante dela.


– Uma nova disputa?


– Sim – disse suavemente. Depois, fingindo mudar de idéia, acrescentei:


– Quero dizer, não. Não creio que eu poderia ser induzido a isso. Afinal, já tenho um bom negócio aqui, com você como minha escrava por essa noite.


Quase sorri ao ouvir as palavras que esperava, quando ela disse com toda a avidez:


– Mas nós podemos fazer. O dobro ou nada!


– Por que eu deveria arriscar duas noites prováveis de escravidão, por uma garantida, que já tenho? – perguntei. – Não, esqueça. Você está perdendo tempo. De joelhos, por gentileza.


– Então, o que você quer? – perguntou ela.


– Bem, para pensar em abrir mão da minha noite como seu amo, eu preciso ter a chance de ganhar algo de muito mais valor para mim, digamos... Você, como minha esposa. – Eu estava tão chocado quanto ela ao dizer aquilo, por só ter a intenção de fazê-la ficar comigo por um tempo indefinido. Porém, uma vez ditas as palavras, eu soube que as dissera para valer. Adorou a sensação da natureza desafiadora. Nós tínhamos uma química perfeita, e eu sabia que ficaríamos nos desafiando pelo restante dae nossas vidas.


Mas quando Caroline ouviu aquelas palavras, quase riu.


– Você espera que eu aposte uma noite como escrava contra a escravidão eterna? – perguntou ela, incrédula.


– Como minha esposa você não chegaria a ser uma escrava – expliquei. – Mas é lisonjeiro saber que seu primeiro instinto é achar que você seria a perdedora.


Isso arranhou seu orgulho e ela rosnou, ressentida.


– Foi apenas por usar de truques que você ganhou a última aposta. Foi totalmente injusto, e posso garantir que isso não voltará a acontecer. – Apesar disso, ela não conseguia evitar pensar em minha mão indiscreta e não sabia como faria para fazer valer aquela afirmação impulsiva.


– Devo interpretar isso como o seu desejo de passar novamente pelo teste? – perguntei com um sorriso provocador.


– Não! – Ela pronunciou mortificada. Ela tentou esconder as bochechas coradas, virando a cabeça num gesto arrogante. – O que quero dizer é que desafio a eficácia de um teste tão bárbaro.


– Oh, posso assegurá-la que há um meio mais preciso de descobrir a verdade do que por meio de suas palavras – argumentei. – O que senti ali certamente não foi desprezo.


Ela ficou irritada e constrangida ao lembrar.


– Se você causasse em mim o impacto que supõe, parece que de alguma forma teria tirado a verdade dos meus lábios.


– Isso é outro desafio? – perguntei.


– Eu... Bem – gaguejou ela, dessa vez um pouco mais prudente. Mas de repente ela pareceu tomar uma decisão. – Sim!


Estendi-lhe a mão.


– Então você aceita os termos... Esta noite de escravidão contra se tornar minha esposa?


– Esses termos não são justos e você sabe disso! – protestou ela.


– Se é justo ou não, eu não sei – respondi. – Mas cabe a mim, o vitorioso em vigor, estabelecer os termos e aí estão eles. É pegar ou largar.


Seu queixo tomou uma expressão obstinada, enquanto a raiva faiscava em seus olhos. Ela preferia morrer a concordar com meus termos ultrajantes.


– Vamos acabar logo com essa noite – explodiu ela.


Eu suspirei, ponderando silenciosamente sobre quanto tempo levaria até que conseguisse dobrá-la para aceitar minhas condições. Eu estava em dúvida entre dois ou três minutos. Pousou a mão nas costas dela e empurrei com carinho.


– De quatro então, escrava – lembrei a ela.


Ela respirou fundo, garantindo a si mesma que podia fazer aquilo. Mas sua primeira tentativa falhou. Seus membros pareciam mais rígidos do que o habitual. Era como se possuíssem vontade própria e se recusassem a ceder sob aquelas circunstâncias. Seu rosto ficou vermelho vivo, quando ela finalmente conseguiu forçar o corpo a se sujeitar e logo ficou prostrada diante de mim, sobre as mãos e joelhos.


A posição era nova para ela. Ela estava tomada de vergonha e humilhação. Mas havia outra coisa. Ela se sentia agitada e inexplicavelmente sensível. Lágrimas inconvenientes encheram-lhe os olhos. Ela se esforçava para abafar seus soluços para que eu, seu algoz, não soubesse a extensão de seu transtorno. Enquanto isso, eu me posicionei atrás dela. Apesar de manter as pernas bem juntas, ela sabia que não poderia ocultá-las da minha visão. As estranhas remexidas internas que isso lhe provocava faziam com que as lágrimas fluíssem mais rápido. Ela estava num estado emocional perigosamente excitado.


Minha mão acarinhava suas partes expostas de forma possessiva. Gargalhei ao senti-la novamente molhada de desejo. Ela respirou ofegante, beirando o pânico. Preciso recobrar a compostura. Mas havia um turbilhão por dentro, e ela mal sabia por onde começar.


Espalmava-lhe o bumbum levemente, dizendo:


– Adiante, escrava. – Desajeitada, ela se arrastava à frente, odiando-me mais a cada investida. Eu caminhava atrás dela, deleitando-me com a cena, sem de fato gostar de vê-la tão subjugada. Eu a achava magnífica quando assumia uma postura autoritária.


As lágrimas ameaçavam voltar, mas Caroline piscava para detê-las, fazendo o melhor possível, decidida a ao menos manter a aparência de uma compostura interior. Mas a cada movimento, ela se sentia mais depreciada e logo se entregava ao desespero.


– À esquerda aqui, por gentileza – instruiu alegremente.


Ela parou abruptamente.


– Mas isso vai dar do lado de fora, em público – contestou ela, horrorizada.


– Eu sei aonde vai dar – disse. – Quero pegar um ar fresco e você deve me acompanhar.


– Mas há muitas pessoas lá fora! – Ela não iria... Não poderia... Ir lá fora onde todos a veriam nessa posição e a partir dali a julgariam uma escrava. O que faria?


Vi a expressão de absoluto desespero em seu rosto, mas não recuaria agora, não depois de ter ido tão longe com ela. Estava decidido a fazê-la se submeter a mim inteiramente, e sabia que a única forma de conseguir isso seria uma vitória integral. Estava estarrecido pelo fato de ela ter resistido tanto tempo. Mas sabia que ela já não podia mais agüentar. Ela iria preferir qualquer coisa a servir-me publicamente, de quatro. E eu certamente não tinha a intenção de permitir que outras pessoas e a dona do bordel a vissem numa posição tão humilhante.


Com um ar de impaciência gentilmente a cutuquei à frente, com a perna.


– Adiante, escrava! – ordenei.


Ela não se mexeu. As lágrimas desciam por seu rosto. Tive que lutar contra o ímpeto de parar o jogo e tomá-la em meus braços. Mas haveria muito tempo para isso depois, e me obriguei a dar-lhe outro cutucão.


– Vai escrava. – Mas minha voz começava a perder a autoridade. Eu estava estarrecido pela teimosia dela. Aceite o desafio, eu mentalmente lhe implorava, ainda assim irá perder, mas ao menos irá fazê-lo com um pouquinho mais de dignidade.


– Eu aceito o desafio – ela engasgou entre soluços.


Soltei um suspiro.


– Então levante-se – disse a ela, fingindo indiferença. – A menos que tenha gostado de ficar aí embaixo.


Caroline Anabelle levantou como um foguete. Ela tremia de alívio e foi logo tirando a poeira das mãos e joelhos, tentando recobrar a compostura. Ocorreu-lhe que ela se colocara em toda aquela humilhação sem um bom motivo. E o que importava para ela o fato de a aposta ser muito alta? Ela não iria, não poderia, perder para mim uma segunda vez, pois agora isso exigiria uma confissão de seus lábios, e ela ainda tinha total domínio sobre eles, já que não ocorria o mesmo com outras partes de seu corpo. Para ela, eu jamais conseguiria fazer com que ela desse uma confissão tão contundente como fizera com seu corpo.


Conduzi Caroline até seus aposentos, ela me olhou agitada e incerta.


– Então tudo que tenho de fazer é permanecer aqui com você, sem... – ela fez uma pausa –... Sem...


– Sem confessar seus verdadeiros sentimentos por mim? – sugeri com um sorrisinho.


– Sem confirmar suas ilusões quanto aos meus sentimentos por você – ela me corrigiu, já mais esperançosa e composta. – E por quanto tempo você planeja me manter aqui?


– Você acha que duas horas seriam suficientes? – perguntei carinhosamente. – De forma alguma levarei duas horas para fazê-la confessar seu desejo por mim, mas, mesmo assim, acho que duas horas podem ser o tempo que eu gostaria de ter para esse passatempo preferido. – Caminhei informalmente até a janela para esconder dela minha fisionomia. Eu só poderia derrotá-la se ela mordesse a isca.


– Eu não estou nem aí para suas preferências pessoais – despejou ela, desejando poder fazê-lo perder, ao menos uma vez, sua presunçosa autoconfiança.


– Essa é a sua forma de pedir três horas, em vez duas? – provoquei.


– Duas horas são mais que suficientes para aturar a sua presença – respondeu ela. – E você será o único dando confissões, quaisquer que sejam.


Tive que me parabenizar pela habilidade de engabelá-la mais uma vez. Ela realmente seria uma adversária forte, se não fosse tão cabeça quente. Eliminei o sorriso dos lábios e voltei para ela.


– Outro desafio?


– Bem... – Pensou por um instante. – Acho que poderia tolerar você como meu escravo por uma noite. Sim!


– Então, para que nos entendamos – rapidamente ataquei para matar. – Se você declarar o seu óbvio desejo por mim primeiro, será minha esposa? Caso eu declare meu desejo antes, me tornarei seu escravo?


Ela pensou por um momento.


– Sim, creio que isso resume as coisas.


– Então – disse com um sorriso. – Só para que você saiba, se você tiver uma chance de brigar para ter qualquer tipo de declaração de minha parte, terá de fazê-lo daí. – Apontei o dedo na direção de uma cama no meio do quarto.


Caroline mordeu o lábio, olhando na direção da cama. Ela estava pensando a mesma coisa. E por que não? Ela não se incomodaria de experimentar prazeres de um homem que arrancara o melhor dela até agora.


Quase urrei em voz alta, ao ler seus pensamentos, julgando por sua fisionomia. Talvez eu devesse ter ficado com o que conseguisse dela como escrava.


Mas não, isso jamais me satisfaria. Eu queria Caroline para sempre como minha rival e parceira no jogo do amor.


Cheguei mais perto dela e levantei o seu queixo. Meus olhos prenderam os dela. Decidida a ganhar o jogo, ela foi aos meus lábios com fervor.


Agora poderia finalmente ceder ao desejo que vinha crescendo dentro dela, ao longo daquele joguinho. Ela me enlaçou com os braços e se apertou junto ao meu corpo. Contanto que não falasse, tudo ficaria bem.


Com grande destreza a tirei do chão e a levantei nos braços, carregando-a até a cama. Eu queria tirar as roupas e sentir a maciez dela roçando em minha pele, mas precisava da vantagem de permanecer vestido pelo maior tempo possível. Eu também queria que ela ficasse totalmente à vontade, então cuidadosamente desliguei um abajur, diminuindo a claridade no ambiente. Inclinei-me sobre ela e removi com habilidade os trapos que ela vestia. Depois recomecei a beijá-la, enquanto minhas mãos acariciavam-lhe vorazmente a pele nua.


Embora as mãos e beijos que eu lhe dava estivessem causando arrepios por todo seu corpo, em algum lugar, no fundo de sua consciência, Caroline ouvia um alerta, repetidamente, mas estava longe demais para ser identificado. Ao se empenhar para retomar o autocontrole de sua mente, lentamente lhe ocorreu que ela não deveria permitir, sem reação, que eu a seduzisse dessa forma. Ela é que deveria o estar seduzindo. Afinal, não queria apenas evitar perder a aposta, queria ganhá-la. Ela queria me ver de joelhos, rastejando diante dela, do mesmo jeito que ela fizera diante mim. Ela se ergueu e empurrou o meu peito com as mãos, no intuito de fazer-me deitar de costas na cama. Quando cedi, ela lentamente começou a tirar-me as roupas.


Respirando fundo, ela lentamente baixou os lábios até o meu rosto. Tentei buscar os dela, mas ela recuou, depois repetiu o gesto, até que eu a deixasse em total controle do beijo. Assim que essa pequena batalha foi vencida, ela passou a me beijar abaixo, passando por meu queixo e pescoço, até o peito e descendo, até me ouvir respirar ofegante. Foi quando ela percebeu que tinha uma clara vantagem sobre mim, e que meu desejo era visível. Ela podia facilmente notar o efeito que estava causando sobre mim. Sua confiança cresceu quando ela baixou os lábios por sobre a protuberância que eu exibia. Fiz uma tentativa lamentável de detê-la antes que ela fechasse os lábios envolvendo-me suavemente, chupando a ponta. Um gemido baixinho escapou dos meus lábios. Por um instante ela se perguntou se aquilo contava. Aquele gemido, certamente, se traduzido em linguagem, seria uma expressão de meu óbvio desejo por ela. Mas ela sabia que precisava de mais. Bem, havia mais uma forma de me fazer declarar! Ela o abocanhou mais voraz, sofrendo com o tamanho que chegava ao fundo de sua garganta. Subitamente eu afastei-lhe a cabeça.


– O que houve? – disse ela, de olhos arregalados com uma inocência pretensa. Mas ao achar que o ridículo seria uma arma melhor, ela deixou que seus lábios exibissem um sorriso malicioso. – Temeroso? – provocou ela.


– De jeito nenhum – respondi com ar de civilidade forçado, mas um músculo em meu maxilar pulsava violentamente. – Eu simplesmente quero mais.


Assim, arqueei o corpo dela em minha direção e ela aterrissou ao meu lado, de frente para a ponta oposta da cama. Ela sabia o que estava pensando e começou a reclamar, mas eu levantei uma sobrancelha com o mesmo ar desafiador que lhe lançara. E o que ela poderia fazer?


Dessa vez, ao me tomar em sua boca, ela já não estava tão confiante. Minhas mãos fortes enlaçaram seus quadris, para que eu pudesse manter seu corpo no lugar, enquanto meus lábios e língua desceram até ela. Minha língua com a precisão de um compasso pousou diretamente sobre o seu ponto mágico. Comecei um movimento circular firme e contínuo ao seu redor. Ela se esforçou para se afastar, mas eu a manteve firme no lugar com minhas mãos, enquanto prosseguia a atormentá-la com a língua.


Ela subitamente percebeu que havia contido seu próprio ataque, enquanto tentava se defender do meu. E se empenhava desesperadamente para reunir seus sentidos e se concentrar naquilo que tinha de ser feito. Ela me apertou com os lábios, lambendo e sugando furiosamente, no intuito de retribuir o imenso prazer que eu lhe estava proporcionando. Fui tomado de surpresa por sua investida vigorosa e detive a língua por um instante, tentando recuperar o controle, mas, somente por um instante. Ambos gemiam e tremiam pelo efeito do prazer de nossas mãos.


Mas nenhum dos dois permitia que o outro se satisfizesse, pois isso o enfraqueceria. Em vez disso, nós repetidamente levávamos um ao outro à beira do abismo de prazer, depois parávamos, na esperança de que o outro fosse rogar pelo fim do tormento. Eu estava tão excitado que Caroline podia sentir o gosto de meu prazer, que minava em pequenas gotas salgadas, como o excesso que vinha se acumulando dentro de mim agora estava preste a explodir. Também eu, ao me retrair da pequenina membrana pulsante da garota, faria uma pausa para depois mergulhar a língua em sua umidade, deleitado com o efeito que causava nela. Eu sabia que ela estava muito perto. Se eu pudesse me conter por mais um tempinho, gozaria desse prazer com ela, eternamente. Percebi que teria de fazer algo depressa, se fosse para ganhar. Eu sentia que estava perdendo o controle. Ao parar subitamente para mudar meu curso de ação, me levantei sobre ela e afastei suas pernas. Ao penetrá-la num golpe, ela soltou um grito que quase fez eu me render ali mesmo, e confessar meu desejo por ela. Sabia que era extremamente perigoso tomá-la dessa forma, quando eu mesmo estava tão excitado, mas era minha única chance. Eu era fisicamente mais forte que ela, mesmo com sua equivalência sexual. Com isso em mente, mordi o lábio e assumiu a vantagem da disputa, fazendo com que sua excitação aumentasse. Coloquei a mão no lugar onde antes tivera a língua e esfreguei suavemente, enquanto a penetrava implacavelmente.


Caroline estava muito perto. Seu rosto estava corado e ela se esforçava para respirar. Cada músculo do meu corpo retesava enquanto eu procurava manter o controle, observando atentamente cada um dos gestos dela.


– Vamos benzinho – tentei persuadi-la.


O momento chegara. Eu vi a vulnerabilidade em seu rosto, quando ela atingia seu ponto mais fraco, e se odiou por fazê-lo, mas bruscamente cessei os movimentos que agora ela mais queria e deixei totalmente o corpo dela.


Ela me encarava em estado de choque. Sua mão foi até o lugar que ardia para ser tocado, mas eu a detive, segurando firmemente para que ela não a pudesse usar. Ela se inquietou embaixo de mim por um instante.


– Por favor! – sussurrou ela.


– Por favor, o quê? – perguntei.


Meus lábios estavam tão próximos aos dela que se tocaram quando falei. O prazer era penoso. A raiva estava estampada nos olhos quando ela desviou de meus lábios mornos e novamente se agitou embaixo de mim. Eu deslizei novamente para dentro, indo até o fundo dela, permanecendo totalmente imóvel. O suor escorria em minhas costas e cada terminação nervosa em no corpo dela corpo dela gritava para que eu cedesse a ela, para acabar com aquele tormento, mas eu mantinha o meu território. Havia lágrimas nos olhos dela.


– Diga-me que você quer – disse numa voz enganosamente suave e gentil. – É tudo que você tem a fazer. – Ela se agitou novamente. Eu não queria perdê-la agora. Com movimentos lentos e suaves eu recomecei. Minha mão também retomou o carinho.


– Oh, não – ela choramingou.


Apesar da agonia, ele sorri.


– Oh, sim – respondi.


Como um instrumento musical bem afinado, o corpo dela reagia em sincronia perfeita com cada toque. Ela estava febril em meu empenho e eu estava ficando impaciente. Por que ela tinha de ser tão teimosa? Eu a faria uma esposa muito feliz. Quando minha excitação começou a me dominar e a me levar próximo demais ao limite, eu pensei em perdê-la para sempre, e isso foi suficiente para esfriar meu desejo e deter minhas próprias ânsias.


– É isso – eu instruiu amavelmente ao vê-la novamente quase no auge. – Agora diga que me quer. – Saí quase totalmente dela e parei.


– Não! – Ela gritou. Mas ela se referia à parada, ignorando totalmente o que eu queria. – Por favor, oh, por favor, não pare.


Eu não queria medir palavras numa hora dessas, mas não poderia ter disputas sobre a questão depois.


– Diga-me que você me quer – repeti.


– Eu... – ela se conteve. Saí completamente dela. – Eu... – Repetiu ela.


Gemi ruidosamente, pensando em como ela podia ser tão resistente. Voltei a penetrá-la e me mantive imóvel.


– Diga-me meu bem – supliquei.


– Eu... Eu te quero – sussurrou ela, as lágrimas rolando pelo rosto.


Eu queria confortar Caroline, mas isso teria que ficar para mais tarde. Ambos haviam se segurado por tempo demais. A penetrei com fervor repetidamente, pensando apenas em selar a minha vitória com a satisfação final, mas, subitamente, eu me lembrei do prêmio que ganhara e o que isso havia custado para ela.


Com a última porção do autocontrole que ainda me restava, diminui o ritmo das investidas e voltei a me ocupar em satisfazê-la. Afinal, eu não podia acreditar que quase me esquecera dela, para me satisfazer sem satisfazê-la.


Juntei toda a minha força e me contive, concentrando-me em dar à Caroline aquilo de que ela precisava. E ela logo alcançou o objetivo de tanto empenho. Dessa vez eu a levei até o fim, depois, com um grito sonoro me derramei dentro dela, em alívio absoluto.


Ficamos abraçados depois, ambos trêmulos com a experiência. Depois de um tempo eu me levantei do abraço para observar-lhe o rosto.


Depois de retomar sua compostura, um leve rubor cobriu-lhe o rosto. Mas ela se esforçou para manter uma atitude de indiferença, ao cruzar com o meu olhar e com ousadia dizer casualmente:


– Eu tenho de confessar que você me pegou desprevenida dessa vez... O que me diz sobre uma revanche?

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.