— Você está dormindo com ela? Novamente? — perguntou Rony num sussurro.
— Gostariam de fazer seus pedidos? — A garçonete do restaurante, que aparentemente ouvira Rony, sorriu e piscou para ambos.
— Só café para mim — disse Harry.
— Acho que você precisa de forças para manter sua mulher satisfeita. Vou trazer a omelete especial da casa para os dois.
— Para mim está bom — concordou Rony, e Harry assentiu com um suspiro. — Agora, você vai explicar-se? Simas e Rev vão matá-lo. Assim como Hollywood e...
— Vai listar todos os nomes de nossa tropa?
— E Remo? Não apenas um dos nossos, mas também o tio de Gina.
— Sim, eu sei.
— Tudo bem quando você não sabia quem ela era...
— Eu sei. Mas você não estava lá quando Gina apareceu ontem à noite.
Rony o olhou por um minuto.
— Eu sabia.
— Sabia do quê? Que sou o homem mais estúpido do mundo?
— Que você se apaixonou por Gina no Havaí.
—Apaixonei-me? Tudo que ela fez foi gritar comigo, Rony. Passamos oito horas juntos, a maior parte do tempo, nus e sem conversar. Como alguém pode se apaixonar tão rapidamente?
— Isso pode acontecer — seu amigo o assegurou.
— Mas você tem de resolver essa situação logo, antes que Remo descubra e resolva por você.
— Não conte nada aos outros rapazes — pediu Harry e Rony assentiu.
— Não direi uma palavra, amigo. Mas eles não são tolos.
— Não vai acontecer de novo. Rony suspirou.
— Conte a verdade a Remo. Fale agora e talvez ele compreenda.
— Gina e eu concordamos em não fazer isso. Rony riu.
— Quando se tornou você e Gina? Harry, você já é um nós. Não há saída disso.
— Não sou um nós. É modo de falar — insistiu ele. A garçonete chegou com os pratos, e Harry ficou grato pela distração. Começou a comer a omelete enquanto Rony continuava:
— Pense bem, Harry. Pense que sua promoção está em jogo.
— Preciso de sua cooperação nisso, Rony. Se os outros ficarem contra mim, não conseguirei a posição.
Rony mordeu um pedaço da torrada.
— Você necessita de um bom plano. Assim como controlar a libido.
— É fácil falar — murmurou Harry quando o celular de Rony tocou.
— Era Hermione — disse Rony após desligar o celular. — As coisas não saíram como o planejado.
— Nunca saem.
— Bem, eles continuarão disfarçados por mais uma semana, até que consigam prender Tom.
— Uma permanência maior no Havaí não é a pior coisa que podia acontecer — disse Harry e deu um gole no café. Não queria pensar sobre o Havaí naquela manhã, ou sobre Gina e outras possibilidades.
Até pouco tempo atrás, sua vida era tranqüila. Gina levara uma mala repleta de complicações. E agora, ele não sabia como resolver aquilo.
Gina equilibrou o copo descartável de café quando Luna parou o carro alugado perto da sala de reunião dos SEALs. Elas haviam deixado parte do equipamento lá, e Colin e Dennis levariam o resto mais tarde. Gina pôs o copo de café no capo, enquanto pendurava a câmera e o pequeno vídeo nos ombros.
Um raio brilhou no céu, informando-a que seus planos de filmar ao ar livre naquele dia provavelmente seriam cancelados.
O que significava terminar as entrevistas. Lembrando-se que esquecera de perguntar a Harry se ele a deixaria usar a gravação que confiscara, sentiu o estômago se contorcer.
Ele certamente sabia como distrair uma mulher de sua missão.
— Você está nervosa? — perguntou Luna, encostando-se contra o carro com um bocejo.
— Um pouco — admitiu Gina.
Tinha deixado a casa de Harry por volta das duas horas naquela manhã. Relutantemente, porque a oferta dele para passarem a noite juntos era tentadora. Exceto que sabia que não dormiria se ficasse lá, e três horas de sono era melhor do que nada. —Vamos entrar e arrumar as coisas enquanto os homens estão em treinamento.
A sala de reuniões estava vazia, mas Gina notou que Neville já estava em seu escritório.
Ela bateu à porta aberta, e ele acenou-lhe, o telefone no ouvido, enquanto mexia em alguns papéis sobre a mesa.
— Eu disse que encontrarei — murmurou ele, então, olhando-a, guardou todos os papéis que estavam sobre a mesa numa gaveta e trancou-a. Em seguida, desligou o telefone.
— Desculpe-me. Vou deixá-la trabalhar.
— Tudo bem. Na verdade, você é o meu trabalho agora. Posso chamá-lo de Neville?
— Me chame de Rev — replicou ele. — Abreviatura de Reverendo, e não me peça para explicar.
— Combinado.
— Além disso, você não quer me entrevistar. Não há nada de interessante aqui.
— Por que não me deixa julgar isso? Com um suspiro, Rev recostou-se.
— Rony comentou que você é boa em entrevistas. Mas vou avisando que sou mais durão que todos eles.
— Então, por que não me conta uma história sobre um outro membro do time, em vez de falar sobre si mesmo.
— Como quem? — Rev franziu o cenho.
— Você escolhe.
Ele considerou por um momento.
— Contar histórias é uma coisa que não costumo fazer. Mas nesse caso, vou abrir uma exceção.
Na sala de reunião dos SEALs, Harry dava instruções para as tarefas da manhã e da tarde.
É claro, seus homens assumiam que, a essas alturas, ele descobrira uma saída para que Gina os deixasse em paz. Rony sabia que Harry não tinha idéia de como fazer isso, e tremia só de pensar quando os outros descobrissem.
— Você já pensou no que vai fazer? — começou Rev. — Ela continua fazendo perguntas, e é boa nisso.
— Avisei que você não escaparia da entrevista — Simas disse para Rev, então para o resto deles: — Ela o fez falar sobre a infância, pelo amor de Deus.
— Então, ele contou a Gina uma história sobre você — acrescentou Rony, apontando para Harry. — Sobre quando perdeu o caminho de casa e teve de pegar uma carona com aquele fazendeiro russo, e acabou concordando em casar com a filha dele para não levar um tiro do homem.
Rev empurrou Rony, e enquanto os dois começavam a discutir, Harry praguejou baixinho. Seus homens estavam prontos para linchá-lo, pensou. Remo confiava nele, e Gina o estava atraindo cada vez mais, mais do que ele jamais permitira que alguém o atraísse.
Ela estaria usando o sexo para distraí-lo de pensar, enquanto fazia o vídeo? No fundo, Harry sentia que não era isso.
— Muito bem. Tenho um plano — anunciou ele.
— Um outro plano que nos faça confessar tudo para a moça bonita atrás da câmera? — zombou Simas agressivamente.
— Envolve Gina. E não acho que isso vá deixá-la feliz — prometeu Harry. Assim que o sol nascesse, eles iriam começar os exercícios de treinamento. E Gina estaria envolvida em cada um deles.