Capítulo 45
Ron não sabia que horas eram quando ele começou a acordar, não que isso realmente importasse. Era sábado e ele podia descansar o quanto quisesse. Então, pensando em checar as horas, ele virou-se e procurou por Hermione. Não era a primeira vez que ele procurava por ela ainda grogue de sono, somente para descobrir que ela não estava ao lado dele. A diferença era que ele não tinha simplesmente sonhado com ela. Ela tinha estado ali quando ele acabou dormindo involuntariamente, tinha certeza. Tinham passado boa parte da noite aos amassos, então ele esperava encontrá-la.
Onde ela foi? conjecturou, enquanto abria os seus olhos a contragosto e observava o espaço vazio ao seu lado por um momento, antes de encarar seu relógio. Maldição, ele pensou, quando percebeu que já passava das oito, o que significava que ela não tinha somente dado um pulo no banheiro. Então ela não vai voltar, ele falou para si, rolando de barriga pra cima e cobrindo seus olhos com o braço, isso não quer dizer que eu não possa voltar a dormir.
Infelizmente, após dez minutos se virando e revirando, Ron percebeu que estava travando uma batalha perdida. Mesmo cansado como estava, ele simplesmente não conseguia dormir. Sua mente estava agitada, imaginando onde Hermione teria ido e o porquê. E como se isso não fosse o bastante, seu estômago também estava agindo e rosnava audivelmente, como se dissesse 'Ei! O que você está fazendo aí deitado enquanto a comida está lá embaixo?'
"Tudo bem," ele murmurou em defesa enquanto jogava as cobertas para o lado, arrastava-se para fora da cama e se vestia rapidamente, antes de se dirigir ao andar debaixo. "Eu já estou indo, então você poderia parar com isso?"
"Você desceu cedo," Ginny falou, quando viu seu irmão descendo as escadas para o Salão Comunal. Se ela estava esperando uma resposta, ela não conseguiu nenhuma, pelo menos nenhuma falada. Tudo que Ron fez foi grunhir para ela enquanto se jogava no sofá. "Bom dia para você também," Ginny disse, rolando os olhos para o teto antes de começar a andar de um lado para o outro em frente à janela.
"O que você está fazendo?" Ron perguntou, reprimindo um bocejo enquanto observava os passos da irmã.
"Nada," Ginny devolveu. "O que você está fazendo?"
"Olhando você cavar um buraco no chão, aparentemente," ele respondeu.
"Oh, cale a boca."
"Tem alguém mal-humorada esta manhã," Ron implicou.
"Eu não estou de mal humor," ela insistiu, suas mãos agora em seus quadris. "Eu só estou..."
"Nervosa?" ele terminou por ela. "Eu percebi," ele adicionou, voltando sua atenção para a escada das garotas no instante que captou o movimento de alguém descendo, pelo canto dos olhos. Infelizmente não era a pessoa que ele esperava que fosse.
"Gostei de encontrar você aqui," Lavander falou para Ron, esquadrinhando rapidamente a sala antes de se aproximar dele.
"Onde está Harry?" Parvati perguntou, aproximando-se atrás de sua melhor amiga.
"Sei lá," Ron respondeu honestamente. "Ainda dormindo, eu acho."
"Você acha?" Parvati questionou.
"Bem, não é como se a primeira coisa que eu fizesse ao me levantar pela manhã fosse verificar a cama dele. Você já viu o Harry, Gin?"
"Não," sua irmã respondeu, cravando seus olhos nas duas garotas conversando com seu irmão. "Talvez vocês possam perguntar para Hermione," ela adicionou, mencionando o nome da namorada dele de propósito somente para ver como as duas garotas reagiriam.
"Bem, ai está," Ron disse a Parvati. "Para que você quer saber, de qualquer modo?"
"É um pouco estranho ver você aqui embaixo sozinho," Lavander falou, enquanto se sentava ao lado dele.
Sozinho? Ginny perguntou a si mesma ultrajada. O que diabos eu sou? Eu existo, sua vaca estúpida. Ninguém pediu para você vir aqui e se intrometer onde não foi chamada.
"Vocês dois são inseparáveis, quando não estão brigando," Lavander adicionou. "Vocês não continuam brigados, continuam?"
"Não," Ron respondeu bruscamente. "E eu não vou falar com vocês sobre isso, então não se deem ao trabalho de perguntar."
"É bom que vocês tenham se reconciliado, aliás," Parvati entrou na conversa. "Tenho certeza que Hermione apreciou isso."
"O que você quer dizer com isso?" Ginny reclamou do seu lugar perto da janela.
"Nada," Lavander disse rapidamente. "Só que isso tornará as coisas mais fáceis para ela, porque ela não terá que escolher um dos lados ou nada disso."
"Onde está Hermione, falando nisso?" Ron perguntou a sua irmã.
"Ela desceu para o café bem cedinho," Ginny respondeu. "Ela falou que tinha alguma coisa que ela precisava ler sobre algo que tinha que fazer, antes de encontrar conosco no campo mais tarde."
“Oh,” Ron falou.
"Oh, é mesmo," Parvati falou, olhando para Ginny. "Os testes para o time de quadribol são hoje. Então você vai tentar uma vaga para a posição de artilheira?"
"Eu acredito que isso seja melhor do que ficar de reseva do apanhador, de qualquer modo," Lavander adicionou.
"Na verdade eu prefiro marcar do que caçar," Ginny respondeu honestamente, "então, mesmo que Harry não estivesse de volta ao time, eu ainda tentaria a vaga de artilheira."
"Bem, boa sorte," Parvati falou. "Não que você precise disso, tenho certeza. Você voa muito bem e já esteve no time ano passado."
"Ainda mais que você já tem dois votos ao seu favor," Harry disse, enquanto descia as escadas e entrava na conversa.
"Ei, fale por você mesmo." Ron objetou. "Eu vou votar naquele que for melhor, irmã ou não."
"Muito obrigada," Ginny suspirou.
"Não que isso realmente importe," Ron continuou como se não a tivesse escutado. "Já que é Katie quem dá a palavra final."
"Então, vocês estão esperando por Hermione?" Harry perguntou, quando o estômago de Ron rugiu.
"Não," o ruivo respondeu se levantando. "Ginny disse que ela já desceu sem a gente. Ela provavelmente está na biblioteca, enfurnada atrás de uma pilha de livros agora."
"Então vamos tomar café?" Harry questionou, olhando para Ron e Ginny.
"Perfeito para mim," Ron replicou, indo em direção ao buraco do retrato.
"Se importam se nós descermos junto com vocês?" Parvati perguntou a Harry.
"Como quiser," ele respondeu, dando de ombros e seguindo Ron para fora do salão comunal. "Você vem, Gin?"
Você pode estar certo que eu vou, ela pensou, se adiantando e seguindo Harry para fora do buraco do retrato.
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Ok, isso está começando a ficar ridiculo, Ginny pensou, olhando pasma para Lavander que agarrara o braço de seu irmão e apalpava-o enquanto elogiava-o pelo seu desempenho como goleiro.
“Eu mal posso esperar por essa tarde,” a loira continuou animada, falando tão rápido que Ron não parecia capaz de interferir mesmo que ele quisesse. “Será tão excitante observar todos sendo testados. Fico imaginando se Seamus irá participar. Eu aposto que sim. Ele está sempre falando sobre quadribol. Eu gostaria de saber se ele sabe alguma coisa. Bem, eu tenho certeza de que você é melhor. A sua família inteira joga, certo? Mesmo seus irmãos mais velhos. Eu quero dizer aqueles que não estiveram na escola conosco. Um deles não foi capitão do time de quadribol? Oh, será muito mais divertido ver você arrasando todos os outros essa tarde. Eu mal posso esperar.”
Oh! Meu! Deus! Ginny exclamou em sua mente, o prato de comida em que ela tinha estado beliscando desde que eles haviam sentado, completamente esquecido enquanto ela observava a cena que se desenrolava à sua frente. Espere um minuto. Onde diabos está Hermione? ela perguntou a si mesma, ao olhar fixamente para seu irmão completamente aturdido.
Quinze minutos de um flerte vergonhoso não tinha sido o suficiente para alcançar sua cabeça estúpida, mas aparentemente experimentar aquilo na mesa do café tinha lhe dado uma dica e agora que ele havia percebido o que realmente estava acontecendo, ele estava mais horrorizado que sua irmã. Se o tamanho de seus olhos era alguma indicação, Ron finalmente via o trem descontrolado vindo em sua direção, ele somente não sabia como manter o diabo fora do caminho.
Ao menos ela é um pouco mais discreta sobre isso, Ginny pensou, afastando seu prato e colocando sua atenção em Parvati que estava sentada do outro lado de Harry, passando-lhe uma cantada.
Não tinha mais nenhum jeito dela continuar comendo. Na verdade, em primeiro lugar, ela não estava com fome, mas observar a beldade de cabelos negros elogiar Harry por seus feitiços defensivos e dizer a ele o quão maravilhoso professor ele era, enquanto questionava a ele sobre o tempo ou se ele planejava recomeçar a A.D. era nauseante. Ao menos com Ron ela podia fingir que aquele ultraje que sentia era em nome de Hermione, mas lá no fundo ela sabia a verdade. Não era Lavander e não era Ron, era Parvati que deixava seu estômago embrulhado.
"Eu... uh... Eu tenho que ir," Ron exclamou de repente, levantando de um salto e se afastando da mesa da Grifinória devagar.
"Qual é o problema?" Harry perguntou, enquanto ele e todos ao redor, encaravam Ron surpresos.
"Nada. Eu vejo vocês lá em cima," ele falou sobre os ombros ao se dirigir para a porta.
“O que diabos deu nele?” Harry perguntou a Ginny, que simplesmente deu de ombros. “Por que ele olhou daquele jeito para você?” ele continuou. “Quero dizer, eu sei que ele fica nervoso com quadribol e tudo mais, mas você não acha que ele realmente está passando mal por isso, acha?”
Eu não acredito que tenha sido o quadribol que revirou o estômago dele, Ginny pensou, seu olhar caindo sobre Lavander que olhava levemente desconcertada. “Eu não sei,” ela respondeu, então uma inspiração surgiu e ela agiu por impulso. “Talvez você possa ir lá verificar como ele está.”
“É, está bem,” Harry concordou, se afastando e levantando da mesa. “Creio que nós iremos encontrar você no campo mais tarde,” adicionou, girando e saindo dali.
“Certo,” Ginny falou, sentindo tão satisfeita quanto culpada, enquanto observava-o seguir seu irmão. Ela estava aliviada de vê-lo sair e não ajudava sentir-se um pouco satisfeita consigo mesma ao perceber o desapontamento na expressão do rosto de Parvati. Mas ao mesmo tempo sabia que não tinha o direito de interferir do jeito que fizera. Ela não tinha nenhum direito sobre Harry apesar de tudo.
“O que você fez com ele?” ela ouviu Parvati sussurrar para sua amiga.
“Nada,” a jovem loira reclinou-se e sussurrou de volta.
“Você não apalpou-o debaixo da mesa, apalpou?”
“Claro que não.”
“Bem, você deve ter feito alguma coisa para assustá-lo e agora Harry foi atrás dele.”
“Eu não fiz nada,” Lavander insistiu. “Nada que você não estivesse fazendo, a propósito.”
“Eu não sei, Lav. Talvez você deva repensar isso. Quero dizer, ele parece meio reservado com você.”
“Ele só está se fazendo de difícil.”
“Essa é uma possibilidade, eu suponho,” Parvati replicou em dúvida, “Mas eu acho que seja mais por ele ser um bobão.”
“Ok, então ele é um pouco rude a princípio, mas nós podemos dar um jeito nisso e...”
“Um pouco rude?” Parvati cortou-a. “Ele praticamente arrancou minha cabeça outro dia quando eu perguntei o que estava acontecendo entre ele e Harry.”
“Ele só estava sendo protetor com relação aos seus amigos,” Lavander insistiu, “e eu acho isso legal.”
“É, bem,” Parvati respondeu, claramente não convencida, “Hermione é amiga dele e gritar com ela é o ponto de partida dele todos os dias.”
“Isso não é culpa dele, entretanto,” Lavander retorquiu numa voz calma. “Ela certamente não ajuda em nada. Ela está sempre aborrecendo-o por alguma coisa.”
“Bem, isso é verdade.”
Eu não devia fazer isso, Ginny pensou, ao se levantar e deixar as garotas conversando. Você já tinha desistido dele, lembra? ela se repreendeu, sentindo-se cada vez pior ao se aproximar das portas duplas do Salão Principal. Ele nem mesmo sabe que eu existo. Está certo, ela se corrigiu, ele sabe que eu existo, mas não pensa em mim como nada além da irmãzinha de Ron. Isso é tudo que eu serei, então é melhor eu usar isso, porque nada irá mudar e interferir quando outras garotas flertarem com ele não ajuda em nada. Tudo que acontece é estar torturando a mim mesma, ela pensou, sentindo-se completamente deprimida agora.
“Estou falando sério, Harry,” ela ouviu o eco da voz de seu irmão cortar o corredor no momento que ela entrou ali. “Ela estava...,” Ron começou a explicar e então hesitou, enquanto ele e seu melhor amigo começavam a subir os degraus de mármore da escada. “Ela continuou mexendo em meu braço enquanto estava tagarelando e me elogiando sem nenhuma razão e eu pensei... não, eu sei... ela ESTAVA me atacando.”
“Ela só estava sendo gentil,” Harry argumentou.
“Ela. Estava. Me. Tocando,” Ron falou indignado.
“Então ela estava passando a mão pelo seu braço. Grande coisa.”
“Passando a mão? Aquilo não era passar a mão. Ela também estava me deixando eriçado.”
“Uh-hum,” Harry respondeu, desconfiado. “Nós ainda estamos falando sobre o seu braço, certo?”
“Não, ele tem razão,” Ginny falou, enquanto subia os degraus e seguia-os. “Eu a vi fazendo isso.”
“VIU!” Ron gritou triunfante. “Espere um minuto,” ele adicionou, olhando para sua irmã incerto. “Você viu e... Você não vai contar para Hermione, vai?”
“Contar a ela o que?” Ginny perguntou, “Que vocês dois estavam flertando durante o café da manhã?”
“Mas eu não estava,” Ron murmurou. “Eu só estava comendo e ela... ela estava...”
“Oh relaxe, está bem. Eu não vou contar pra ela,” sua irmã assegurou-o. “Você não fez nada de qualquer modo. Bem, isso não é de todo verdade,” emendou. “Você abandonou Harry e saiu correndo.”
“Harry não estava sendo apalpado.”
“Então já evoluiu para 'apalpado' agora, não é?” Harry brincou.
“Isso não é engraçado,” Ron grunhiu.
“Na verdade é sim,” Harry respondeu. “Você não concorda?” ele perguntou a Ginny.
MALDIÇÃO! ela xingou para si, quando Harry sorriu em sua direção e ela se sentiu compelida a concordar com ele a despeito do fato dela não achar a situação nem remotamente engraçada. É claro que era por causa do modo como isso a afetava. Se não fosse o caso, ela tinha que admitir que teria achado a reação de seu irmão um pouco mais que cômica, então ela decidiu que seria melhor continuar aquele jogo por mais lagum tempo.
“Você devia ter visto o olhar dele quando percebeu o que estava acontecendo,” Ginny replicou. “Agora, aquilo foi engraçado.”
“Oh, calem a boca!” Ron exclamou, sua face ganhando cor enquanto ele girava e continuava a marchar escadas acima sozinho.
“Você vem?” Harry perguntou, começando a seguir atrás de Ron.
“Hum, não,” Ginny respondeu, apesar de continuar subindo as escadas. “Eu... uh... acho que vou até a biblioteca,” ela continuou. “Tenho algumas tarefas que preciso terminar antes dos testes e tudo mais. Você sabe, porque mais tarde eu provavelmente estarei muito nervosa para me concentrar realmente.”
“Er, ok,” Harry falou, devolvendo-lhe um olhar cético. “Só que você não tem nenhum de seus livros.”
“Oh, bem,” Ginny respondeu rapidamente, “isso é porque os livros ainda estão na biblioteca. Eu provavelmente deveria ter retirado eles mais cedo, mas eu gastei a maior parte do meu tempo livre praticando para estar pronta pra hoje. Eu tenho certeza que Hermione estará apta a me ajudar a encontrar o que eu preciso e eu só preciso pegar um pouco de pergaminho emprestado com ela. Bem, eu vejo você mais tarde,” disse apressando o passo e correndo escada acima na frente dele.
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Bem, isso é algo mais para eu me sentir culpada, Ginny pensou ao andar pelo corredor do quarto andar no seu caminho até a biblioteca. Já não era ruim o suficiente que eu tenha enfiado meu nariz nos assuntos de Harry e enganado-o para que ele se afastasse de Parvati, mas então eu tinha que segui-lo para mentir para ele? O que supostamente eu queria afinal? Eu poderia muito bem contar a ele a verdade, ela pensou com um lamento. Eu realmente preciso conversar com Hermione sobre isso. Mesmo se ela não tiver nenhum conselho útil, eu tenho que contar a alguém e eu sei que posso confiar nela para guardar isso pra si.
Infelizmente, Hermione não estava em nenhum lugar para ser encontrada. Ginny procurou em toda a biblioteca, em vão. Se ela estava lendo, não era ali.
Talvez ela já tenha conseguido o que queria e voltado lá para cima, Ginny pensou, enquanto fazia devagar seu caminho de volta à Torre da Grifinória. Mas quando ela entrou no Salão Comunal, sua amiga não estava ali tampouco. Felizmente seu irmão e Harry também não estavam, então ela foi capaz de escapulir pra o dormitório das garotas sem ser vista.
Ela não estava ansiosa com a ideia de ir até o quarto de Hermione, em grande parte porque não queria realmente encontrar-se com Parvati de novo tão cedo, mas como aquele era o único lugar que ela podia pensar em procurar, não teve muita escolha. Ela não precisava ter se preocupado de qualquer forma. Quando ela finalmente alcançou o dormitório das garotas do sexto ano, ele estava vazio.
Sem ideias sobre onde procurar, Ginny voltou ao seu próprio dormitório, sabendo que cedo ou tarde Hermione iria aparecer e até lá ela só tinha que arrumar um jeito de se distrair de tudo aquilo.
“Além do mais, você tem coisas mais importantes para se preocupar,” Ginny relembrou-se, jogando-se em sua cama. “Você precisa se concentrar no quadribol agora," murmurou, alcançando a cópia de Derrotando os Inúteis - um Estudo de Estratégias Defensivas no Quadribol que estava aberto na mesa ao lado de sua cama . “Você pode pensar em rapazes depois.”
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Hermione finalmente apareceu no Salão Principal logo após seus amigos terem terminado de almoçar e estarem prontos para irem ao campo se aquecerem para os testes de quadribol.
“Eu preciso falar com você,” Ron ficou para trás e sussurrou para sua namorada, após ela apanhar um pouco de queijo e uma maçã da mesa da Grifinória e segui-los.
“Bem,” Hermione perguntou enquanto seguiam Harry e Ginny pelo corredor até o Saguão de Entrada e de lá para os jardins. “O que é?”
“Uh... não agora,” Ron respondeu baixinho. “Depois dos testes,” adicionou. “Você pode ficar esperando com Ginny enquanto o time conversa e Katie toma sua decisão, certo?” ele perguntou, seus olhos pulando dela para Harry e sua irmã, que ainda estavam andando um pouco a frente deles. “Certo então,” ele continuou quando Hermione balançou a cabeça em resposta a sua pergunta. “Eu falarei com você depois.”
“Por que não agora?” Hermione perguntou vincando sua testa até que uma sobrancelha se juntasse a outra. “Se alguma coisa está errada é melhor eu saber sobre isso...”
“Não tem nada errado," ele assegurou-a. “Não é nada disso. É só... algo estranho aconteceu durante o café e... Eu vou te contar sobre isso mais tarde,” ele adicionou, quando Harry parou de andar e virou de costas para olhar para eles.
“Então, onde você esteve esse tempo todo?” Harry perguntou a Hermione.
“O que?” ela respondeu, um tanto espantada pela pergunta. “Ginny não falou para vocês? Eu estava lendo sobre algo que tenho que fazer.”
“Mas você não estava na biblioteca,” Ginny disse. “Eu conferi.”
“Lá não tem os livros que eu precisava,” Hermione admitiu, “então eu fui até a Sala Precisa.”
“Você encontrou o que estava procurando?” Ron perguntou, de um modo que ele esperava ser casual.
“Mais do que eu esperava, na verdade,” ela respondeu. “Infelizmente a maioria dos livros que eu olhei continha a mesma informação. Principalmente dados históricos e coisas assim. Eu acredito que terei que voltar lá amanhã.”
“Você é a única pessoa que eu conheço que usa a Sala Precisa como Sala de Estudos,” Ginny falou, balançando sua cabeça tristemente.
“Então, o que vocês três ficaram fazendo?” Hermione perguntou, ignorando o comentário de sua amiga ruiva e rapidamente mudando de assunto.
“Er...” Ron resmungou.
“Deixe-me adivinhar,” Hermione falou. “Xadrez?”
“E Snaps Explosivos,” Harry replicou.
“Vocês fizeram algum trabalho de casa?”
“Na verdade não,” Ron respondeu, ainda que um tanto relutante. “Oh vamos lá,” ele exclamou quando ela franziu os lábios e deu a ele um olhar desaprovador. “Você não esperava realmente que nós trabalhássemos naquele monte de ensaios chatos sem você,” ele declarou. “Nós sempre estudamos História da Magia juntos.”
“Uh hum,” ela respondeu, claramente não comprando as desculpas dele, “porque vocês precisam de minhas anotações.”
“Não só das suas anotações,” Ron devolveu, com um sorriso torto. “Eu preciso...”
“Não,” Harry exclamou, tão logo percebeu o que os seus amigos estavam fazendo.
“...de você também,” Ron finalizou.
“Oh deus,” Harry gemeu, fazendo uma careta de desgosto. “Você precisava mesmo dizer isso na minha frente?”
“O que?” Ron perguntou inocentemente. “Nós precisamos! Eu queria ver você terminar seus trabalhos sem a ajuda dela.”
“Não é disso que eu estou falando,” Harry protestou.
“Bem, não,” o ruivo admitiu, suas orelhas corando levemente. “Não totalmente, mas funciona dos dois jeitos, não é?”
“Eu não posso acreditar... vocês estão... flertando,” ele falou, torcendo seu rosto com repulsa. “Na minha frente.”
“Não, eu não estou,” Ron protestou, sua face ganhando o mesmo tom de seus cabelos e orelhas.
“Isso não foi nada,” Ginny zombou. “Espere até você entrar num lugar e pegar os dois num amasso. Senhor! Fred pegou os dois no chuveiro.”
“GINNY!” Hermione esganiçou, corando tão profundamente que seu rosto vermelho na verdade suplantava os de Ron e Harry.
“Eu vou matar aquele maldito idiota,” Ron murmurou entredentes.
“Então isso é verdade afinal?” Ginny perguntou com um sorriso malicioso, igual aqueles que seus irmãos gêmeos davam quando pregavam alguma peça.
“Não é não,” Hermione exclamou indignada. “Ele nos pegou no banheiro,” ela corrigiu, como se isso fizesse alguma diferença. Embora, tecnicamente falando, eles tivessem estado no chuveiro na ocasião, mas Fred não tinha como ter certeza e Hermione não iria admitir isso a ninguém.
"Bem, ai está, Harry," Ginny falou presunçosamente. "Eu espero que essa agradável imagem mental deva ser suficiente."
"Para que?" ele retorquiu, seus olhos verdes arregalados de horror atrás de seus óculos. "Para me marcar pelo resto da vida?"
"É melhor lidar com isso agora," ela respondeu, dando em seu braço um tapinha amigável. "Possivelmente nada que você esteja sujeito a ver pode ser pior que isso, então você vai ver, o pior já passou e todos nós poderemos seguir em frente."
"Fale por si mesma," os dois rapazes resmungaram ao mesmo tempo enquanto desviavam seus olhos para o chão.
"Ah, qual é," Ginny riu baixinho. "Isso não é tão ruim. Eu sempre posso contar a você como eu descobri."
"NÃO!" Harry insistiu, estendendo sua mão à frente para pará-la. "Eu não quero saber," ele disse, chacoalhando sua cabeça como se pudesse apagar as imagens em sua mente. "Eu vou me trocar e então vou jogar quadribol e fingir que toda essa conversa nunca aconteceu. É isso," ele falou a si mesmo, enquanto se afastava de seus amigos. "Isso nunca aconteceu."
"O que?" Ginny perguntou quando Ron passou a encará-la. "Ele irá pegar vocês dois no ato eventualmente. Todos nós pegamos, até o papai."
"Oh, cale-se," Ron exclamou, corando novamente. "Nós não somos assim."
“Sim, vocês são,” sua irmã corrigiu. “E vocês vão ficar cada vez pior. Vocês passaram ontem o tempo quase todo sorridentes e com olhares melosos um para o outro e francamente isso é um pouco irritante, então parem com isso, está bem?”
“Não,” Ron respondeu calmamente. “Se você não gosta disso, não tem que olhar.”
“Mas Harry vai, e vocês estão deixando-o desconfortável.”
“Mas não fui eu quem o deixou desconfortável,” seu irmão devolveu. “Foi você e suas 'imagens mentais' . Eu não posso acreditar que você contou aquilo pra ele. Eu devia saber que Fred não iria manter aquilo só pra si, mas contar a você... ”
“Ele não contou,” Ginny confessou. "Eu escutei por acaso ele e George conversando sobre isso naquela noite depois que você escapuliu para o nosso quarto.”
“Malditas orelhas extensíveis.”
“Ron,” Hermione falou, colocando sua mão no braço dele num esforço para acalmá-lo antes que ele se exaltasse. “Ela só estava tentando ajudar e ela tem razão. Nós provavelmente podemos pegar mais leve pelo bem de Harry. ”
“Eu não quero pegar mais leve,” Ron declarou irritado. “Eu não quero mais esconder isso,” adicionou. “E eu não quero outras garotas me atacando em pleno café da manhã.”
“O QUE!” Hermione exclamou surpresa. “QUEM?”
“ Isso não importa,” Ron falou. O caso é que uma vez que elas saibam sobre nós, elas irão parar de fazer isso.
“Certamente que isso importa,” Hermione devolveu rapidamente, virando de costas pra ele e olhando diretamente para Ginny. “Foi a Lavander, não foi?” ela perguntou, seus olhos dardejando quando Ginny balançou a cabeça.
“Você sabia?” Ron exclamou chocado? “Mas... como?”
“Ela esteve me perguntando sobre você. Sobre você e Harry na verdade,” Hermione admitiu, sua voz visivelmente mais calma agora.
“Ela está atrás do Harry também?” ele perguntou, sua testa franzida em confusão.
“Não, Parvati está, seu tolo,” Ginny interrompeu. “Honestamente, você dois podiam ser mais tapados?”
“EI!” Ron gritou.
“O que aconteceu?” Hermione falou, as duas garotas ignorando completamente sua explosão.
“Não foi nada,” Ginny assegurou-a. “Só um pouco de flerte inocente. Lavander tocou o braço dele e no instante em que ele percebeu o que estava acontecendo, ele se levantou e saiu.”
“Eu ainda estou aqui, vocês sabiam?” Ron falou alto.
“Não, eu quero dizer com o Harry,” Hermione falou. “Você ficou... uh...quero dizer, ele percebeu o que estava acontecendo?”
“Ela ficou o que?” Ron perguntou a Hermione, seus olhos indo e vindo entre ela e sua irmã.
“Totalmente estúpido,” Ginny respondeu, embora se ela estava falando dele ou de Harry agora, Ron não tivesse certeza.
“De quem vocês estão falando?” ele perguntou impaciente.
“Parvati,” Hermione respondeu.
“Parvati está interessada em Harry?” Ron questionou. “Desde quando?”
“Desde que ela e Lavander decidiram que seria divertido 'melhores amigas namorarem melhores amigos',” sua irmã falou com uma careta.
“Namorar?” ele exclamou com um olhar de repulsa.
“Temo que sim,” Hermione suspirou.
“Elas tiveram a coragem de pedir conselhos a Hermione,” sua irmã adicionou.
“Espere um minuto,” Ron falou incrédulo, seus olhos azuis cravados nos da sua namorada. “Deixe-me entender isso direito. Lavander Brown, pediu a você,” ele disse, apontando seu dedo na direção de Hermione, “conselhos sobre como podia me conquistar?”
“Exato,” Ginny falou calmamente.
“Você e Harry, na verdade,” ela respondeu, enquanto Ron olhava pasmo para ela.
“E?” ele guinchou, quando ela não elaborou nenhuma resposta.
“E o que?” Hermione perguntou.
“O que você disse a ela?” ele reclamou.
“Nada,” Ginny respondeu por ela. “Ela saiu ventando do quarto, zangada.”
“Hermione!”
“O que?” ela exclamou defensivamente. “Eu não sabia o que dizer.”
“Que tal, 'ele já está namorando sua melhor amiga(1), então deixe ele em paz?’ ”
“Isso poderia ter funcionado,” Ginny zombou. “É claro que a escola inteira estaria repleta de rumores sobre você e Harry.”
“Você não está ajudando,” Hermione reclamou com sua amiga.
“Bem isso é verdade,” ela retorquiu, rindo ainda mais quando viu a expressão horrrizada no rosto de seu irmão.
“Eu não acredito que isto está acontecendo,” Ron falou, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa. “Se algum cara me pedir algum conselho sobre você eu vou...”
“Advertí-lo,” Hermione replicou.
“Expulsá-lo aos socos é mais provável,” Ginny murmurou baixinho.
“E que bem isso fará?” Hermione continuou. “Nenhum,” ela falou, em resposta a sua própria questão. “Na melhor das hipóteses irá parecer mais como um amigo superprotetor.”
“Ou um idiota ciumento,” sua irmã adicionou.
“Você não vê? Não importa o que eu diga. Isso não vai dissuadí-la. A única coisa que eu poderia ter feito seria contar a ela que você já tem namorada e eu não podia porque o Harry ainda não sabia sobre a gente.”
“Bem, você pode contar a ela agora,” Ron falou, cruzando seus braços em frente ao peito.
“Não sem que toda a escola fique sabendo,” ela lembrou-o. “Você realmente acha que o Harry já está pronto pra isso?”
“Provavelmente não,” ele admitiu a contragosto. “Mas... você ainda pode dizer a ela que eu não estou interessado.”
“Eu posso,” Hermione respondeu. “Eu adoraria na verdade, mas isso não significa nada vindo de mim. Ela não vai acreditar nisso a menos que ela escute de você.”
“DE MIM!” Ron gritou. “Sem chance. Eu não vou chegar nem perto dela.”
“Você não pode fugir dela pra sempre,” Ginny lembrou-o. “Vocês tem aulas juntos.”
“É, bem, ela pode desistir,” ele devolveu rabugento.
“Bem agora é a sua chance de dizer isso a ela,” sua irmã informou-o, gesticulando na direção das garotas que tinham acabado de deixar o castelo e estavam calmamente caminhando juntas na direção do campo.
Inferno sangrento, Ron grunhiu em sua mente, quando viu Lavander e as irmãs Patil no meio do grupo vindo na direção deles. “Venha,” ele disse, agarrando a mão de Hermione e puxando-a, sabendo que se ele conseguisse alcançar o vestiário antes que elas os vissem, ele estaria seguro. “Vamos lá.”
“Está bem,” ela aquiesceu, seguindo-o por sua própria vontade. Não é o momento de pressioná-lo com isso, de qualquer modo, decidiu. Ele vai lidar com isso eventualmente e se ele não conseguir, eu vou, ela pensou, apesar da reprimenda que acabara de dar a ele. Logicamente ela sabia que as palavras teriam mais força se viessem de Ron, mas ainda tinha uma parte dela que desejava fazer isso ela mesma. Ela iria segurar sua língua por agora, mas tão logo Harry se acostumasse com eles estando juntos, ela iria conversar com Lavander Brown sobre isso.
N/T:
(1) No original é usada a expressão "my best friend" que quer dizer meu melhor amigo OU minha melhor amiga, já que é uma palavra comum aos dois gêneros no inglês. O mesmo não ocorre no português, por isso não fez muito sentido a declaração de Ginny sobre confundirem quem estaria namorando Ron.