Capítulo 42
Quando Ron finalmente conseguiu voltar à Torre da Grifinória depois de seu treino, ele estava com calor, cansado e faminto o bastante para comer um hipogrifo. Entretanto, o que mais ele precisava, era de uma chuveirada. Infelizmente sua irmã tinha chegado ao banheiro dos Monitores primeiro, então ele teve que se contentar em usar o do seu dormitório.
Felizmente Hermione não estava no salão comunal quando ele apareceu, pingando suor e fedendo insuportavelmente. Não foi antes dele ter terminado o banho e voltado ao seu dormitório para vestir-se, que ele percebeu que a ausência dela não era realmente uma coisa boa. Especialmente quando ele considerava o fato que seu outro melhor amigo também estava sumido.
É claro que ela foi atrás dele, Ron pensou, enquanto ele colocava apressadamente de volta seu uniforme escolar. Ela com toda certeza ia fazer isso uma hora. É incrível que ela tenha se mantido afastada por tanto tempo. Oh bem, ele suspirou para si mesmo, ao sentar na ponta de sua cama e retirar um novo par de meias da gaveta de cima da pequena mesa de cabeceira ao lado. Ela não pode dizer que você não a advertiu. Entretanto, ela irá tornar as coisas piores.
Ron estava para apanhar seus tênis, quando percebeu que a pequena caixa de madeira que ele tinha guardado no interior da gaveta de meias não estava mais tão escondido.
“Inferno Sangrento,” ele murmurou ao se inclinar e apanhar a caixa de dentro da gaveta. Eu tenho que encontrar um lugar melhor para esconder isso, pensou, dando uma olhada na direção da porta somente para ter certeza que ela estava fechada, antes de concentrar sua atenção novamente no objeto em sua mão. Eu não posso deixar ninguém mais descobrir isso, especialmente Harry, ele pensou, enquanto corria seu dedo indicador por sobre as palavras ‘Toujours Pur’, gravadas na tampa decorativa. Só saber que aquilo pertencera a Sirius poderia tirá-lo do sério e então ele iria querer saber o que eles são e por que eu estou com eles. Que conversa agradável seria.
Eu os encontrei no quarto da mãe de Sirius quando estava procurando um lugar seguro para esconder o danado do livro sobre sexo que Bill me deu, ele explicou em sua cabeça. Eu sabia que mamãe não seria capaz de ‘descontaminar’ aquele lugar enquanto Bicuço estivesse ali, e eu sabia que você nunca ia ali, pois ele faria você lembrar de Sirius, então esse lugar parecia ser razoavelmente seguro. Não foi como se eu estivesse procurando dentro das gavetas ou algo assim. Eu só abri a primeira que vi e ali estavam eles.
Talvez eu devesse ter deixado eles lá, refletiu, ao abrir a tampa da caixa e olhar fixamente para o idêntico par de medalhões de prata, presos com alfinete ao veludo negro, descansando no interior da caixa, mas eu acho que Sirius teria entendido. De fato, ele provavelmente teria jogado isso fora, Ron pensou, enquanto alcançava e tocava um dos intrincados nós Celtas forjados. Ele definitivamente teria amado a ironia; um dos talismãs da família Black sendo usado para proteger uma Nascida-trouxa. Mesmo que não fosse Hermione, ele teria dado tudo por isso, se não por outra razão, porque isso seria um insulto a tudo que sua família acreditava.
A questão é, eu realmente posso fazer isso? Eu terei que dizer alguma coisa a ela. Ela não irá somente sentar e me deixar colocar isso sem explicar alguma coisa antes. Dizer a ela que isso é um feitiço de proteção não seria uma mentira, porque isso irá protegê-la, Ron argumentou. Nenhum desses malditos Comensais da Morte seriam capazes de tocá-la uma vez que eu tenha realizado o Lànain. Eu posso só deixar de lado o que a parte de estarmos ligados realmente significa, mas se eu fizer isso, eu não estarei agindo melhor que eles. re ela vai descobrir eventualmente, ele lembrou a si mesmo, e quando ela o fizer... ele interrompeu o pensamento com um tremor. Pelo menos mamãe vai me matar assim que descobrir. E Harry? Ele irá me desenterrar e me trazer de volta à vida, somente para poder me matar novamente. Eu tenho que contar a ela. Antes de tomarmos a poção. Se eu não fizer, eu tornarei tudo o que Harry disse sobre mim verdadeiro.
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“Ela não está ai dentro também,” Ron murmurou para si mesmo, enquanto deixava a biblioteca depois de uma completa vistoria, fazendo seu caminho para o corredor do quarto andar na direção do espelho que George contara a ele em sua carta.
Ele imaginou que isso seria uma tentativa fadada ao fracasso, já que Hermione estava muito provavelmente com Harry e o último lugar que ela iria levá-lo seria a passagem secreta que usaria para misturar sua poção secreta. Ainda assim, a câmara escondida era no mesmo andar da Biblioteca, então ele imaginou que seria melhor checá-la antes de ir para outros lugares. Embora, verdade seja dita, ele não tinha idéia de onde procurar em seguida.
Se ela não estiver ali, ele raciocinou, olhando por sobre seu ombro para ter certeza que estava sozinho, antes de apontar sua varinha para o espelho, não tem muito mais que eu possa fazer. A não ser esperar por ela no Salão Comunal e falar com ela sobre isso quando nós estivermos em nossa ronda de Monitores.
“Você está ai,” Ron disse, soando mais que um pouco surpreso quando ele empurrou a porta espelhada e descobriu Hermione sentada sozinha no chão da pequena câmara. “Eu pensei que você pudesse estar com Harry ou algo assim,” ele adicionou, deslizando para dentro do cômodo e fechando a porta atrás dele.
“Aqui?” Hermione questionou, olhando para o cobertor no qual ela estava sentada.
“Bem, nenhum dos dois estavam no jantar, então eu pensei em conferir na Biblioteca no meu caminho de volta ao Salão Comunal,” Ron explanou, andando até o lado dela e olhando fixamente para o livro em seu colo. “Só que você não estava lá também e já que esse lugar é logo no final do corredor, eu pensei que podia muito bem verificar se você não estava aqui antes de voltar,” continuou. “Então,” ele disse um tanto sem tato, “você obviamente não estava com Harry."
“E você estava esperando que eu estivesse?” Hermione perguntou, enquanto mexia dentro de sua mochila e começava a colocar para fora os ingredientes que ela ia precisar para começar a misturar a Poção de União.
“Mais ou menos,” Ron admitiu, enquanto se sentava ao lado dela. “Ele não está no dormitório, ou no Salão Comunal, ou no Salão Principal, ou mesmo na Biblioteca,” disse, tentando não soar tão aflito quanto se sentia. “Pelo menos se você estivesse aqui com ele eu saberia que ele não fugiu ou fez alguma coisa estúpida.”
“A última vez que eu chequei, Harry ainda estava na Torre de Astronomia,” Hermione respondeu, puxando o Mapa do Maroto de dentro de sua bolsa e depositando no colo de Ron, antes de voltar sua atenção de novo para seu livro.
“Eu não posso acreditar em você,” Ron falou, soando um pouco mais que impressionado ao apanhar o mapa, abrí-lo e começar a procurar pela etiqueta marcada com o nome 'Harry Potter'. “Você realmente entrou escondida no nosso dormitório e roubou o mapa dele. Por que eu não pensei nisso?” ele perguntou, enquanto observava a representação de seu melhor amigo andando de lá para cá na Torre de Astronomia.
“Eu não...” Hermione começou a objetar e então parou a si mesma. “Ahm, está bem, eu fiz,” ela emendou, mantendo seus olhos de propósito nos ingredientes da poção à sua frente, torcendo para que ele não percebesse seu rosto corando na luz fraca do cômodo. “Mas só porque ele estava se escondendo de nós e eu queria encontrá-lo. Eu devolverei tão logo eu o encontre,” adicionou, como se isso melhorasse a situação. “Eu só perguntei a ele se eu podia pegar emprestado o mapa novamente para que usássemos em nossa ronda hoje a noite.”
“Para que você fique de olho nele, você quer dizer?”
“Isso também,” Hermione admitiu. “E porque eu preciso apanhar algumas coisas do Armário de Suprimentos dos Estudantes e então trazer tudo para cá sem ser vista.”
“Então você foi atrás do Harry?”
“Sim.”
“Enquanto eu estava no treino?”
“Sim.”
“E você não está nem um pouco arrependida?”
“Por que eu estaria?” Hermione perguntou francamente.
“Você escapuliu pelas minhas costas,” Ron respondeu.
“Não, eu não escapuli,” ela argumentou, todos os seus ingredientes esquecidos agora. “Você sabia que eu ia atrás dele,” ela continuou, enquanto derrubava o livro que estava em seu colo no chão. “Eu tive que esperar até terminar todas as minhas aulas e depois disso você simplesmente foi para o treino.”
“Besteira,” ele retorquiu. “Mesmo se você não tivesse Aritmancia hoje, você iria ter continudo esperando até que eu descesse para o treino.”
“Então,” ela devolveu rapidamente. “Você ainda sabia que eu iria fazer isso, então eu não fiz pelas suas costas. Além do mais,” ela adicionou, “você foi quem disse que esperava que eu estivesse com ele, portanto eu sei que você não está chateado pelo que eu fiz.”
Ela te pegou aqui, Ron pensou consigo mesmo. Você só está tentando começar uma discussão, para que ela fique zangada e se enfureça, porque desse modo você não tem que contar a ela sobre o Lànain.
“E?” ele perguntou finalmente.
“E o que?” Hermione replicou.
“O que aconteceu?”
“Eu não fiquei forçando-o e aborrecendo-o se é essa a sua preocupação,” ela começou rapidamente. “Gritar com ele obviamente não iria funcionar e nem tentar explicar, então eu só... fiquei lá sentada junto a ele e ele soube que não estava sozinho.”
“Você só ficou lá?” Ron perguntou sem acreditar. “E você não falou nada? O tempo todo? Sem chance. Isso é impossível,” ele caçoou. “Você não pode ter só ficado lá sem dizer nada. Isso te deixaria doida.”
“Eu fiquei sentada junto a você várias vezes e não disse nada.”
“Sim,” Ron riu, “porque nós estávamos nos agarrando.”
“Tiveram outras vezes.”
“Você diz quando você enfia sua cara num livro?”
“Você quer que eu te dê o tratamento do silêncio?” Hermione perguntou, estreitando os olhos e dando a ele um olhar de desprezo, mesmo sabendo que ele estava só brincando com ela. “É isso?” ela perguntou, fingindo estar mais ofendida do que realmente estava. “Continue com isso e eu ficarei muito feliz em fazê-lo.”
“Não,” Ron implorou. “Se você fizer isso eu não terei mais ninguém para conversar.”
“Isso serviria bem para você.”
“Você não está realmente chateada comigo está, amor?” ele perguntou, enquanto Hermione voltava sua atenção para seu livro. “Não, você não está,” adicionou mais confiante, quando ela não se virou para ele e começou a comparar os ingredientes expostos à frente dela aos itens listados na receita da Poção de União.
Mas você ficará em breve, Ron pensou, enquanto respirava profundamente e tentava se preparar mentalmente para o que estava por vir. Somente faça isso, seu covarde. Se você não fizer, ela irá descobrir por ela mesma e então você estará realmente encrencado. Somente conte a ela agora e acabe logo com isso. Você tem que fazer isso antes que ela comece a preparar a poção, ou então ela saberá que você escondeu isso de propósito. CONTE LOGO!
“Você não começou a preparar ainda, não é?” Ron perguntou, apontando para a cópia dela de Poções Mais Potentes.
“Não,” Hermione respondeu, sem olhar para cima. “Eu esperei para ter certeza que tinha tudo que precisava primeiro. Eu não vou começar antes dessa noite, quando estivermos em nossa ronda.”
“Hum,” Ron murmurou desconfortável, “tem algo que eu... uh... meio que preciso te contar primeiro.” Isso certamente vai prender a atenção dela, ele pensou quando a cabeça de Hermione se ergueu e ela prendeu seus olhos questionadores nos dele.
“Você mudou de idéia?” ela disse, deixando seu livro de lado novamente e passando a estudá-lo.
“Não,” ele respondeu rapidamente. “Eu definitivamente quero fazer isso. Só que... hum... você pode não querer... uma vez que eu conte a você o que eu preciso contar.”
“Bem?” Hermione perguntou, quando Ron não falou mais nada. “Você vai me contar ou não?”
“Não é assim tão fácil,” ele respondeu, se levantando, evitando seus olhos e começando a remexer-se desconfortavelmente.
“Por que não?” Hermione demandou.
“Porque não é.”
“Você sabe que pode dizer qualquer coisa para mim,” ela falou, ficando de pé e cruzando o pequeno espaço até ficar na frente dele. “Eu sei que isso irá ficar... estranho, estar conectado todo tempo. É muito natural que você fique preocupado que eu saiba tudo que estiver sentindo. Tem algumas coisas que naturalmente queremos guardar somente para nós. Eu entendo isso. Eu vou tentar não ficar... com ciúmes ou algo assim quando eu perceber que você está... atraido por outras garotas. Isso é algo natural e não significa realmente que...”
“Inferno Sangrento!” Ron xingou baixo, interrompendo-a antes que ela tivesse a chance de terminar. “Eu nem mesmo pensei sobre isso. Você não está atraída por ninguém mais, está?” ele perguntou com a voz aumentando gradativamente. “Quem é ele?” ele demandou, quando ela não respondeu sua pergunta rápido o bastante. “Seamus? Não espere, tem que ser alguém inteligente. Um daqueles idiotas esnobes da Corvinal. Boot? Ele é um pouco bonito. Ou Goldstein? Ele é um monitor.”
“Assim como você,” Hermione lembrou-o sarcástica.
“Espere,” ele exclamou, ignorando-a completamente. “Eu sei quem é. É aquele cdf puxa-saco do Macmillian. Ele faz totalmente o seu tipo: o monitor-chefe pomposo e metido."
“Ron.”
“Só deixe ele tentar alguma coisa. Eu irei matar o maldito. Se ele pensa que pode...”
“Oh pelo amor de Deus,” Hermione gritou, agarrando a gravata de Ron, guindando-o para baixo e cortando o resto do discurso dele com um beijo forçado. “Por alguma razão que eu não consegui entender até agora,” ela sussurrou, assim que desprendeu seus lábios dos dele, “Eu estou atraida por um ruivo muito alto com ciúmes que chegam a um kilometro. A última vez que eu conferi, Ernie Macmillian não estava nessa categoria,” ela adicionou, relaxando o aperto na sua gravata. “Além do que, seu eu quisesse um monitor-chefe pomposo e metido, eu poderia ter jogado meu charme para um de seus irmãos.”
“HERMIONE!” Ron exclamou horrorizado. “Nem mesmo brinque com algo assim. O pensamento de você e Percy...”
“Eu estava falando sobre o Bill,” ela respondeu, soando ela mesma algo enojada.
“BILL!” Ron guinchou. “Ele é muito velho para você.”
“Sim, ele é,” Hermione concordou, percebendo que tinha cometido um erro e precisava mudar de assunto antes que ele tivesse a chance de distorcer o que ela havia dito e convencer a si mesmo que ela estava era comparando-o ao seu irmão. “E ele não é o Weasley que eu quero,” adicionou como comparação. “Só que ele é o único que faz lembrar mais de você.” E eu estou comparando-o a você, e não ao contrário, ela pensou.
“É você quem eu quero, Ron,” ela adicionou, pressionando-se contra ele novamente e passando seus dedos pelos cabelos vermelhos. “Não seus irmãos,” completou, deixando seus lábios cairem no pecoço dele e beijando-o levemente ali, “ou Terry Boot, ou Ernie Macmillian, ou qualquer outro. Só você,” ela disse, enquanto olhava diretamente nos profundos olhos azuis. “Sempre foi você,” insistiu, antes de puxar a cabeça dele para baixo e reclamar seus lábios.
Naquele exato segundo Ron se perdeu e tudo que ele queria dizer foi esquecido. Tudo que importava para ele agora era aquilo. Ele queria se perder no beijo dela; renunciar a tudo e oferecer-se para ela. Ela o queria e naquele momento ele era dela, completamente, e isso parecia maravilhoso. Parecia certo.
Era aqui que eu tinha que estar, pensou, correndo uma de suas mãos pelas costas dela, agarrando-a pela bunda, e colocando-a ainda mais perto enquanto forçava sua língua entre os lábios abertos dela e mexendo os seus junto aos dela. É isso que eu quero. Enquanto eu a tiver, eu tenho tudo.
Hermione deve ter chegado a uma conclusão muito similar, porque enquanto as palavras se formavam na cabeça de Ron, ela deu voz a elas.
“Eu te amo,” ela suspirou feliz, mas sua declaração acabou gerando resultados inesperados. Sem aviso, Ron abruptamente abandonou sua boca, retirou suas mãos do corpo dela e deu um passo, se afastando dela.
“O que foi?” Hermione disse, alarmada quando sentiu-o se afastando. “O que está errado?”
“Nós... hum... ainda precisamos conversar,” Ron respondeu tristemente.
“Você quer conversar agora?” ela perguntou, não somente chocada pela resposta inesperada, mas também um tanto chateada. “Nós logo teremos ronda, isso não pode esperar até lá?”
“Não.”
Isso não é bom, Hermione pensou, enquanto mordia inconscientemente seu lábio inferior e tentava descobrir o que fazer. Ela podia sentir seu coração batendo frenético contra seu peito e isso não tinha nada a ver com o beijo ardente. Ron precisava falar algo com ela e era óbvio pelo comportamento dele que ele não queria dizer o que quer que fosse, o que atemorizava-a. “Tudo bem,” ela concordou,antes mesmo que ela percebesse que tinha realmente falado. A câmara onde eles estavam pareceu inesperadamente muito fechada e abafada. Ela tinha um esmagador sentimento que aquelas paredes estavam prestes a desabar e tudo que ela queria fazer era sair dali antes que isso pudesse acontecer, mas de alguma forma ela se forçou a permanecer parada. “O que é?” ela perguntou,respirando fundo e tentando não deixar seu aborrecimento evidente.
“Bem...er.... Veja você...”
“Só fale,” Hermione disse, com o ar de alguém que espera pelo pior.
“Eu... eu não sei como.”
“Só fale,” ela repetiu, sua cabeça baixa e seus olhos presos ao chão.
Ron sempre tinha mostrado seus sentimentos abertamente. A maior parte do tempo suas emoções estavam expostas para todos verem. Ela não precisava da Poção da União para saber o que ele estava sentindo; ela podia ver a culpa gravada em seu rosto. Ela só não entendia por que ela estava ali. Por que ele se sentia culpado por dar um amasso nela a menos que ele estivesse prestes a terminar as coisas entre eles. Mas isso não fazia nenhum sentido. Ele ainda queria tomar a poção. Ele tinha dito e há cinco minutos atrás ele tinha estourado por causa de Ernie Macmillian. Talvez ele achasse que deveriam acalmar um pouco as coisas até que Harry estivesse mais confortável com a idéia. Fosse o que fosse, Hermione agora tinha a certeza que não queria estar olhando para ele quando ele falasse.”
“Hum... aqui,” Ron disse, enfiando sua mão no bolso da veste, retirando de lá uma intrincada caixa de madeira, e depositando-a nas mãos dela.
“O que é isso?” Hermione perguntou, olhando fixamente para a pequena caixa antes de levantar sua cabeça e dar a ele um olhar questionador. “Meu aniversário é só na próxima semana.”
“Eu sei disso,” ele falou, abaixando-se e abrindo a tampa para revelar um par de intrincados talismãs forjados em prata.
“Eles são lindos,” Hermione falou baixo, enquanto olhava para o par de nós Celtas, “mas você não tinha... Você não podia...”
“Eu não os comprei,” Ron colocou rapidamente. “Eu os peguei no Largo Grimmauld.”
“Você roubou meu presente de aniversário?” ela perguntou, olhando-o com reprovação.
“Esse não é o seu presente de aniversário,” ele disse um tanto defensivo, “mas eu não os roubei. Não é como se tivesse sobrado algum Black para usá-los,” adicionou, quando ela prensou seus lábios em censura. “Se eu tivesse deixado eles lá, cedo ou tarde minha mãe teria encontrado e quando ela o fizesse, teria jogado-os dentro de uma caixa junto com o restante das coisas.
“Você não pode ficar com eles,” Hermione falou, fechando a caixa e entregando-a de volta para Ron. “Eles não são seus. Você pode entregá-los para Tonks. Ela era parente do Sirius. Eles pertencem a ela.”
“Tonks não tocaria nessas coisas nem com uma varinha de cem metros,” Ron disse, cruzando seus braços em frente ao peito e se recusando a apanhar a caixa.
“Por que não?” Hermione perguntou. “São só medalhas de nós Celtas; um símbolo de proteção.”
“Não Hermione, não são.”
“Está certo," ela concedeu, após abrir a tampa e olhar mais de perto. “Eles estão invertidos, mas exceto isso, são iguais. Feitiços de proteção não funcionam realmente sabia? Não importa o qüão intrincado o nó seja, ou quantas vezes as linhas se cruzam, eles não irão repelir o mal.”
“Esses funcionarão,” ele insistiu. “Uma vez que tenhamos completado o ritual.”
“Qual ritual?” Hermione perguntou, franzindo a testa em confusão. “Eu nunca ouvi sobre um ritual de proteção.”
“Você está vendo os corações?” Ron perguntou, traçando o contorno no centro de um dos nós com seu dedo indicador. “Unidos aqui no meio? Esse é o símbolo do Lànain,” ele disse, afastando sua mão. “Esses são os talismãs do Lànain.”
“O que? Espere um minuto. Você já mencionou isso pra mim uma vez. O que é o Lànain e por que eu nunca tinha ouvido falar nisso?”
“Ele... hum... não é exatamente algo sobre o qual gente decente fala,” Ron admitiu, seu rosto e suas orelhas corando significativamente. “Se minha mãe soubesse que eu conversaria sobre isso com você ela ia me matar. Eu só estou fazendo isso porque... bem... o Lànain é um ritual e é similar ao que você quer fazer com essa poção.”
“Como assim similar?” Hermione perguntou, olhando para os medalhões com suspeita. “Você está me dizendo que essas coisas vão ligar as nossas almas?”
“Não, nossas almas não.”
“Então o que?” ela exigiu, seus olhos focados nos corações cruzados no meio. “Nossos corações?”
“O Lànain não é sobre amor,” Ron respondeu,desviando seus olhos e mexendo em um dos botões de sua camisa para não ter que olhar para o rosto dela quando ele falasse. “Ele é sobre... er.... bem, ele não é exatamente... hum... Oh inferno, é sobre posse.”
“COMO É!” Hermione gritou raivosa. “Posse de que?”
“Não de que,” Ron disse desconfortavelmente. “Quem.”
“Você quer dizer que essas coisas... esse ritual... é usado para criar escravos?” ela guinchou, olhando para a caixa em suas mãos com desgosto antes de deixá-la cair no chão.
“Não, espere,” Ron exclamou, percebendo que tinha cometido um grande erro. “Não é bem assim.”
“Isso é ou não é sobre escravidão?” Hermione sibilou.
“Não da forma que você pensou. Você está me distorcendo. Só pare de berrar comigo por um minuto e me deixe explicar, está bem?”
“Você tem exatamente um minuto,” ela respondeu, cruzando os braços em frente ao peito, encostando na parede de pedra e olhando fixamente para ele.
“Não é como se eu tivesse criado esse ritual, sabia?” Ron exclamou defensivamente. “Você não viu o nome Weasley gravado na tampa dessa caixa, então pare de me olhar desse jeito. Eu não estou tentando tornar você minha maldita escrava, ou coisa assim. Além do que, essa coisa de ligação foi idéia sua. Eu só estou tentando explicar o que isso significa.”
“Como assim, o que isso significa?”
“No Mundo Mágico, quando duas pessoas criam uma ligação mágica permanente, como você está tentando fazer com essa poção,” ele falou, apontando para a cópia dela de Poções Mais Potentes, “você... hum... vê meio que... bem... casa,” ele terminou, forçando a última palavra para fora tão rapidamente que foi quase totalmente impossivel para ela entendê-lo.
“Você o que?”
“Se casa,” Ron repetiu com um suspiro audível.
“Isso é um absurdo,” Hermione exclamou, rolando os olhos para o teto.
“Eu estou falando sério,” ele exclamou ressentido. Ela não só tinha descartado o que ele tinha contado, como ela tinha tido a audácia de rolar os olhos para ele como se ele fosse um idiota. “No que diz respeito ao Mundo Mágico, se nós tomarmos essa poção nós estaremos nos casando.”
“Não seja ridículo,” Hermione zombou. “Nós não temos idade suficiente para nos casar.”
“Temos sim,” Ron insistiu. “O Lànain é um antigo ritual. Ele foi criado por fanáticos sangue-puro centenas de anos atrás, para manter a pureza de sua linhagem. As garotas casavam-se jovens naquele tempo. Se você era velha o bastante para produzir um herdeiro, o ritual era legal.”
“Mas... não é não,” ela falou objetivamente. “Você precisa de testemunhas para um casamento ser legal para começar.”
“No Mundo Trouxa talvez.”
“Você está me dizendo que não precisa de testemunhas num casamento mágico?”
“Eu não estou falando sobre o casamento,” ele soltou. “Eu estou falando sobre a cerimônia de ligação. Não é a mesma coisa, Hermione. Isso é... diferente. Pessoas vão ao seu casamento para celebrar o seu amor. Eles não estão ali para torná-lo legal. São os votos que são importantes; o compromisso que você faz quando promete compartilhar sua vida com outra pessoa. Não importa se mais alguém escuta essa promessa ou não. É a intenção por trás desses votos que importa. Mas não é disso que eu estou falando. O Lànain é diferente. Ele não tem nada a ver com amor. Ele é sobre a manutenção da pureza de sua linhagem. Os bruxos que criaram isso era fanáticos pelo sangue-puro. Eles não estavam procurando por companheiros de uma vida; eles estavam procurando por éguas reprodutoras.”
“COMO É?!” Hermione berrou ressentida.
“Nossa espécie teria morrido se nós não tivéssemos começado a casar com Trouxas. Somente famílias como os Malfoys e os Blacks, com sua mania de sangue-puro, não vêem que esse é o caminho. Eles vêem os Trouxas como uma raça diferente; uma raça inferior, e todos aqueles que não acreditam naquilo que eles acreditam é taxado de ‘traidor-do-sangue’. Mas com mais e mais Bruxos se casando com Trouxas, as linhagens antigas começaram a ficar ‘maculadas.’ Essas são palavras deles, não minhas. E foi ficando cada vez mais difícil para eles encontrarem esposas de sangue-puro adequadas.”
“Muitas das famílias puro-sangue eram obrigadas a realizar casamentos arranjados naquela época, então a maioria das garotas desejáveis eram requeridas tão logo nasciam. E aqueles que não se realizavam, tinham várias famílias com quem negociar. Como garotas aceitáveis estavam difícieis de conseguir, você podia apostar que ali tinham outros caras negociando com os pais daquelas garotas ao mesmo tempo que você, então não havia nenhuma garantia. No final, o cara com mais dinheiro era normalmente aquele que ficava com a garota.”
“Antes que terminasse em toda essa discussão e saisse sem nada, então criaram essa porcaria com o Lànain. Na maioria das vezes ele era usado em 'traidores-do-sangue', que eram tecnicamente desejáveis, mas não se importavam com a ‘manutenção da pureza’. Aquelas garotas eram marcadas primeiro, porque era fácil para eles justificar isso. Eles podiam clamar que estavam salvando-as de um casamento indesejável e que eles estavam salvando a raça Bruxa por manter a linhagem puro-sangue.”
“Deste modo alguém veio com esse pequeno feitiço sórdido e se você visse uma garota com a linhagem certa, que não era considerada como sendo, ou quase, uma pessoa inferior, você podia somente escolhê-la; contra a vontade dela; sem a permissão dos parentes dela, e usar o Lànain para ligá-la a você magicamente. Uma vez que o ritual fosse cumprido, não tinha nada que a família da garota pudesse fazer sobre isso. Eu quero dizer, eles podiam protestar e forçar o filho da mãe a libertá-la, mas o estrago já teria sido feito. Mesmo que a humilhação a libertasse do vínculo, a reputação dela estava arruinada. Ninguém queria uma garota que tinha sido casada e divorciada logo em seguida, mesmo se tivesse sido contra a vontade dela.”
“Isso foi há centenas de anos,” Hermione falou, sua voz encharcada de repugnância. “As mulheres não são vistas mais como propriedades. Nós temos direitos. Eles não podem fazer algo assim agora. Isso não pode ser legal.”
“Por que você acha que a mãe de Sirius tinha um desses?” Ron perguntou, enquanto ele se dobrava e apanhava a caixa descartada do chão. “Eles não são apenas bonitas relíquias. Algumas das famílias mais antigas ainda usam isso. Eu aposto que os Malfoy têm o seu próprio. Os companheiros dele também, não que eles irão encontrar alguém para usar isso. O costume evoluiu um pouco desde que foram criados. Quero dizer, Crabbe e Goyle não podem mais, simplesmente sair e arrancar garotas de suas famílias. É como você disse, as mulheres têm seus direitos agora e os maníacos sangue-puro não estão no controle do Ministério. Eles nunca serão capazes algo assim a menos que...”
“A menos que, o que?” Hermione perguntou, a despeito do fato dela saber exatamente sobre o que ele estava falando. A menos que Voldemort esteja no controle, ela terminou em sua mente. “É por isso que você é tão protetor com Ginny,” ela disse, seus olhos se arregalando à medida que as peças começavam a se encaixar em sua cabeça.
“Você acertou em cheio,” Ron grunhiu. “Se alguém tentar fazer algo assim com minha irmãzinha, eu irei matar o maldito. E eu tenho cinco irmãos FURIOSOS me dando cobertura. Eu não me importo com quem está no poder. Qualquer um estupido o bastante para tentar isso está morto. Embora que, conhecendo Ginny, é capaz dela liquidar o filho da mãe ela mesma antes até que o restante de nós chegue. Ela definitivamente não vai desistir sem lutar, mas esse é o ponto. Nem todas as garotas resistem. De tudo que eu ouvi, algumas das famílias antigas ainda realizam o Lànain, na frente de outras pessoas, como parte da mais tradicional cerimonia de casamento.”
“Nenhuma mulher em seu juízo perfeito, se submeteria de boa vontade a algo tão... bárbaro?”
“Eu nunca disse que elas estavam em seu juizo perfeito,” Ron retorquiu. “Eu estou falando sobre garotas que tinham essa tolice enraizada dentro delas desde o nascimento. Elas tinham sido educadas para aceitar isso; para querer isso. Elas acreditam que é a obrigação para manter a pureza de suas linhagens. O Lànain é o único meio de ter certeza disso acontecer. Uma vez que o ritual seja completado e a mulher esteja ligada ao seu marido, ela... er... uhm... bem, é basicamente impossível para ela traí-lo.”
“Quando você realiza o ritual, você prende uma porção de si mesmo; uma porção de sua própria mágica em sua parceira,” Ron explicou. “Uma vez que tenha sido concretizado, é virtualmente impossível para ela se relacionar com outros. Se ela estiver com outro homem você saberá. Não somente isso, você será capaz de prevenir isso. Eu não sei exatamente como isso funciona. Eu acho que é meio como uma mágica se varinha. Mas que funciona. Se você não quiser que outro cara toque em sua esposa, ele não pode. Simples assim.”
“Você está me dizendo que nenhum homem JAMAIS será capaz de tocá-la novamente?”
“Não. Não, é bem assim. Ela não tem um escudo permanente que repele os homens ou algo do tipo. Outros caras podem tocá-la, a menos que seu marido impeça. Essa é uma decisão consciente da parte dele. Ele tem que usar a sua magia, a qual está embutida no talismã, para repeli-los.”
“Então uma mulher esperta seria capaz de tirar o talismã antes de se encontrar com seu amante.”
“Ela não pode. O talismã é enfeitiçado. Somente a pessoa que o colocou pode tirá-lo. É a mágica no talismã que mantem a ligação entre eles. Se você tirá-lo, esa ligação é rompida e a mulher fica livre. Então eles não mediram esforços para ter certeza que ela não pudesse tirá-lo por si mesma. Só existem duas maneiras de retirar o talismã depois que o ritual tenha sido realizado. O marido dela pode tirar ele mesmo,” Ron disse, levantando um dedo, “ou você pode matar o bastardo filho da mãe, no caso dele desistir de tudo por conta própria,” adicionou, levantando outro dedo. “A opção número dois, na verdade, é o método que os 'traidores do sangue' de antigamente peferiam usar. Veja, essa definitivamente seria a opção mais provável para eu escolher.”
“Isso é pavoroso,” Hermione respondeu imediatamente, horrorizada demais por esta prática tirânica e degradante não só ser tolerada, mas continuar sendo utilizada no mundo moderno. “Mas, por que cargas d'água você pegou essas coisas e por que está me contando tudo isso?” ela perguntou, estreitando seus olhos e olhando fixamente para ele com cautela.
Bem... hum.... não espere,” Ron falou, espalmando suas mãos à frente no instante que viu sua indignação. “Primeiro me escute.”
“VOCÊ ENLOUQUECEU!!!?”
“Nós iremos nos casar de qualquer forma,” Ron disse, inconscientemente se afastando dela. “Pense nisso apenas como um feitiço de proteção.”
Hermione provavelmente poderia contar as vezes que Ron a tinha deixado sem palavras em uma das mãos e ainda teria dedos sobrando, mas essa definitivamente tinha sido uma dessas vezes. Sua mente na verdade ficara em branco por um momento e tudo que ela pode fazer foi ficar parada encarando-o, sua boca aberta em surpreendente descrença. A primeira palavra que na verdade surgiu dentro de sua mente confusa foi 'o que'. Ela somente permaneceu ressoando repetidas vezes num circulo vicioso. Finalmente ela percebeu que não faria nenhum bem ficar se perguntando isso, então ela voltou-a para Ron. “O QUE?”
“Bem, nós iremos,” ele devolveu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, “uma vez que tomemos a poção.”
“Ron,” ela suspirou, “você está começando a me assustar agora. Você acredita seriamente nisso?”
“Eu estou te dizendo Hermione, no que diz respeito ao Mundo Mágico, se nós tomarmos aquela poção nós IREMOS estar casados.”
“Não. Vamos. Não.”
“Sim, nós vamos.”
“Nós não temos idade suficiente.”
“No Mundo Trouxa, mas no Mundo Mágico tecnicamente nós temos. Eu já te falei isso. Nada mais importa. Tudo que importa é que nós estaremos nos unindo magicamente, pelo sangue, e intenção e er... você sabe, a uhm... parte sexual.”
“Então é isso?” ela respondeu, relutante em aceitar o que ele estava lhe contando. “Me mostre onde fala que nós estaremos casando se tomarmos a poção,” ela demandou, apanhando sua cópia de Poções Mais Potentes e passando embaixo do nariz dele.
“Você não irá encontrar isso nesse maldito livro,” Ron devolveu. “Se aí estava somente a poção,” ele falou, apontando para a página aberta, “sem as outras coisas que você vai adicionar, ela não conta. Eu li as suas anotações se lembra, e não estamos falando sobre a Poção da União básica, estamos? Você irá modificar a natureza do feitiço quando adicionar seu sangue e o meu... er... bem, você sabe o que eu estou falando. Eu 'tô te dizendo, isso muda tudo. Essa,” ele falou, apontado para o livro dela novamente, “é uma ligação temporária. O que você está sugerindo é mais permanente. Não só isso, nós a iremos manter sendo... er... você sabe... intimos. Amor... O laço mágico permanente... intimidade. Isso pode não ser legal no Mundo Trouxa, mas eu 'to te dizendo que no nosso, isso é considerado um acordo matrimonial legal.”
“VOCÊ JÁ SABIA SOBRE ISSO HÁ UM MÊS E SÓ ME CONTOU SOBRE ISSO AGORA!”
“Quando eu li suas anotações, a princípio achei que você sabia,” ele tentou explicar. “Quero dizer, você sabe tudo. E quando eu percebi que você não sabia, eu compreendi que eu teria que lhe contar, mas antes que eu pudesse planejar como faria isso, minha mãe começou a aparecer de repente, nós descobrimos sobre os ataques, e então Harry apareceu, e bem, você sabe o resto. O fato é, eu te contei.”
“Assim que eu estava prestes a começar a poção,” ela lembrou-o.
“E daí?” Ron devolveu rapidamente. “Não tem nenhum motivo para você não continuar a prepará-la. Essa é somente a poção básica, depois de tudo. Quero dizer, você não precisa adicionar todas as outras coisas a menos que não queira. Não é como se eu fosse forçá-la ou coisa assim,” adicionou, soando mais que um pouco ofendido. “Eu sei que você precisa pensar sobre isso de milhões de ângulos diferentes antes de você realmente tomar uma decisão. Eu não esperava que você aceitasse isso imediatamente. E se você decidir que não quer, está bem também. Nós só iremos terminar a poção básica e a usaremos quando precisarmos. Ela irá enfraquecer aos poucos, mas é melhor que nada, certo?” ele disse, baixando um pouco a cabeça e encarando seus pés para que ela não pudesse ser capaz de ver o desapontamento que ele estava sentindo.
“Você está falando sério sobre isso, não está?” ela perguntou, ainda espantada por toda a conversa. “Você realmente está de acordo com isso? Você ainda quer fazer isso, mesmo que isso signifique que nós iremos nos... casar.”
“Bem, sim,” ele respondeu, arrastando seus pés desconfortavelmente.
“Como você pode estar de acordo com isso?” Hermione reclamou.
o“O que você quer dizer?" Ron questionou, controlando-se e ainda assim soando irritado e defensivo. “Por que eu não poderia?”
“Oh puxa, eu não sei,” Hermione retorquiu. “Talvez o fato de nós só estarmos juntos há dois meses.”
“Nós estamos juntos há seis anos, Hermione.”
“O QUE?!” ela exclamou, chocada. Ai está aquela palavra novamente. Você não pode pensar em nada melhor para dizer? “Não estamos não.”
“Está bem,” ele concedeu, “Eu suponho que o primeiro ano não conte realmente, mas continuam sendo cinco. Isso é muito mais do que a maioria dos casais.”
“Você está louco.”
“Louco, eu?” Ron perguntou, magoado pela resposta leviana dela. “Foi você que me disse que sempre me pertenceu, ou isso era mentira?”
“É claro que não era,” ela assegurou a ele. “Como você pode me perguntar uma coisa dessa?”
“Então quando foi a primeira vez que você... percebeu isso?”
“Eu não sei,” Hermione respondeu com um suspiro.
“Segundo ano,” Ron devolveu, “quando você foi atacada pelo Basilisco.”
“O que?” ela perguntou, olhando-o surpresa.
“Eu não reconheci isso pelo que era então, mas foi quando eu soube primeiro. Eu só não sabia que sabia. Antes disso eu só soube que estive perto d te perder e isso me machucou. Muito. Mas quando eu olho para trás agora e lembro como eu me sentia... era o mesmo que eu senti no último ano quando eles tiraram aquele feitiço de mim no Departamento de Mistérios, e eu vi você, e pensei que você tinha... partido. É o mesmo sentimento, só que foi pior dessa vez. Muito, muito pior.”
“Foi no primeiro ano,” Hermione disse num sussurro, limpando as lágrimas que haviam se formado em seus olhos. “No jogo de xadrez,” ela continuou, “quando você se sacrificou. Essa foi a primeira vez que eu senti isso,” ela admitiu. “E quando Sirius empurrou você dentro da Casa dos Gritos, só que eu não sabia o que era também. Isso é loucura, Ron. Você sabe que é.”
“E tentar bloquear a Maldição da Morte, não é?”
“Isso é diferente.”
“Isso não precisa se tornar real,” Ron lamentou, propositalmente evitando os olhos dela, mas incapaz de manter a dor fora de sua voz. “Não se você não quiser que seja. Não é como se as coisas fossem mudar repentinamente entre nós, ou algo assim,” ele continuou, tentando racionalizar isso para ele mesmo mais que para ela. “Nós só continuamos como estamos agora e ninguém mais ficará sabendo. Nós podemos somente continuar com isso até a guerra acabar, e quando o perigo tiver passado, nós deixamos a ligação se dissolver, e...”
“E o que?” ela perguntou tristemente. Porque o pensamento de fazer isso e então fingir que não fizemos, machuca tanto? ela inquiriu.
“Nós só tiramos eles, eu acho.”
“Em outras palavras, nós terminamos nosso casamento secreto e apenas continuamos a namorar?”
“Se isso for o que você quiser,” Ron falou, olhando novamente para seus pés. “Não é como se você tivesse que decidir agora ou nada disso. Levará um mês para preparar a poção e se você ainda estiver indecisa depois disso, nós a guardamos na forma básica. Então hum...,” ele disse, remexendo em suas vestes enquanto tentava mudar o assunto. “Está quase na hora da nossa ronda e eu disse que posso fazer sozinho, isso se você continuar planejando começar com isso essa noite. Você não tem que fazer, é claro. Então hum... você sabe o que quer fazer?” perguntou. “Quero dizer, você vem comigo ou vai continuar aqui?”
“Aqui,” Hermione respondeu, retirando o Mapa do Maroto do chão e entregando-o a Ron. “É melhor você pegar isso. Assim você pode ficar de olho e evitar o Filch,” ela explanou quando ele lhe deu um olhar confuso. “Se ele ver que eu não estou com você isso poderia gerar algumas perguntas embaraçosas.”
“E você?” Ron perguntou, apanhando o mapa da mão estendida dela.
“Eu estarei aqui trabalhando na poção,” ela respondeu, como se isso fosse mais que óbvio.
“Não, eu quero dizer, como você vai ficar sabendo quando será seguro sair, se eu ficar com o mapa?”
“Oh,” Hermione disse. “Só volte para cá daqui a mais ou menos uma hora,” respondeu, sentando de volta no cobertor em frente ao seu caldeirão. “Eu devo ter terminado de colocar os ingredientes iniciais até lá.”
“Está bem,” Ron concordou, empurrando a caixa que continha os talismãs do Lànain para dentro de seu bolso, antes de se virar e se mover na direção da porta espelhada por onde ele passara. “Ei,” ele disse surpreso, ao olhar o mapa em sua mão e dar fazer uma rápida inspeção no corredor do quarto andar só para ter certeza de que não tinha ninguém do lado de fora da câmara quando ele saísse. “Têm umas palavras aqui,” adicionou, ao observar a minuscula figura etiquetada ‘Ronald Weasley’ bater no lado de dentro do espelho com sua varinha logo antes de um pequeno balão com palavras aparecer.
“Perlucidulum Specularis,” Ron falou, puxando sua varinha e lendo o feitiço enquanto imitava o desenho. “Excelente,” ele exclamou, quando o lado de dentro do espelho de repente ficou transparente e ele percebeu que podia ver ao longo do corredor deserto. “Isso é conveniente, não é?”
“Se isso continua sendo um espelho do outro lado e você não transformou-o numa janela,” Hermione respondeu, perscrutando a passagem por sobre seu ombro e escaneando o corredor ela mesma.
“Qual seria o propósito disso?” Ron perguntou, encarando o mapa novamente só para ter certeza que ninguém estava andando pelo corredor , e então empurrando a porta espelhada e checando do outro lado. “Sim, ainda continua espelhado desse lado,” ele falou, enquanto deslizava para o corredor. “Você pode me ver, certo?”
“Sim,” Hermione falou alto o suficiente para que ele escutasse.
“Bom,” Ron respondeu, ao enfiar sua cabeça de volta na pequena sala onde ela se escondia. “Dessa forma você será capaz de me ver quando eu estiver de volta e pode destrancar a porta. Você vai impertubalizar a porta assim que eu for embora, não é?”
“Sim.”
“Bom,” Ron repetiu. “Então eu vejo você daqui a mais ou menos uma hora,” ele disse, antes que ela tivesse a chance de responder e fechando a porta espelhada.
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Quem desejar ver como parecem os medalhões do Lanain, podem dar um pulo em: http://roguesugah.homestead.com/files/lanain.gif