Live - Heaven (tradução)
Você não precisa de amigos
Recupere sua fé novamente
Você tem o poder de acreditar
Outro dessidente
Pegue de volta sua evidencia
Isto não tem força para enganar
Eu acreditarei quando eu ver, por mim mesmo
Eu não preciso de ninguém pra me falar sobre o paraíso
Eu olho para minha filha, e acredito.
Eu não preciso de provas, quando vem de Deus e verdade
Eu posso ver o pôr do sol e eu percebo
Eu sento com eles toda noite
Tudo que eles dizem está certo
Mas de manhã eles estavam errados
Eu estarei certo ao seu lado
Venha inferno ou água
abaixo qualquer estrada você escolhe ao vagar
Eu acreditarei nisso quando o vir por mim mesmo
Eu não preciso de ninguém pra me falar sobre o paraíso
Eu olho pra minha filha, e acredito.
Eu não preciso de provas quando vem de Deus e verdade
Eu posso ver o pôr do sol e eu percebo, sim
Querida, eu acredito,
Sim, Senhor
Mas às vezes é dificil respirar, Senhor
No fundo do oceano, sim, sim
Eu acreditarei nisso quando o vir por mim mesmo
Eu não preciso de ninguém pra me falar sobre o paraiso
Eu olho para minha filha, e acredito.
Eu não preciso de provas quando vem de Deus e verdade
Eu posso ver o pôr do sol e eu percebo
Eu não preciso de ninguém pra me falar sobre o paraíso
Eu olho para minha filha, e acredito.
Eu não preciso de provas quando vem de Deus e verdade
Eu posso ver o pôr do sol
Eu posso ver o pôr do sol
Eu posso ver o pôr do sol
Eu não preciso de ninguém
Ohhhh
Eu não preciso de ninguém
Eu não preciso de ninguém
Eu não preciso de ninguém
Para me falar sobre o paraíso
Eu acredito
Eu acredito, sim
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Epílogo
Amanhecer
Quando Rony acordou, percebeu que estava num quarto. Todas as paredes eram brancas e nuas e ele pensou que fosse um quarto de hospital. Suas suspeitas se confirmaram quando uma enfermeira baixinha de rosto bondoso entrou. Trazia um pequeno frasco com um líquido azul celeste.
Ela sorriu docemente ao vê-lo acordado, como se tentasse confortá-lo:
- Tome, querido. É um calmante.
Apático e meio grogue, Rony tomou o conteúdo de um gole só. O gosto era meio enjoativo, mas ele não se importou. Naquele momento, tudo que ele queria era que aquela poção fosse um poderoso veneno.
Ele voltou a se recostar nos travesseiros e olhou vagamente um ponto qualquer na parede, com as lembranças dolorosas atravessando sua mente.
Quando a mulher virou-lhe as costas para sair, ele perguntou, incapaz de se conter:
- Você sabe o que houve com a Mione, o Harry e a minha irmã?
A mulher virou o rosto para ele, uma ruga de preocupação vincando a testa:
- Não sei, querido. Vou avisar ao curandeiro que você acordou e posso chamar um dos seus amigos aurores, está bem?
Ele não respondeu. A mulher suspirou, pesarosa, e saiu, fechando a porta com cuidado e sem fazer barulho.
Pouco tempo depois, era Tonks que adentrava o quarto. Ela parecia péssima: os cabelos estavam opacos e castanhos e a expressão era de pesar. Rony sabia que não estava melhor que isso.
Ela se sentou na beirada da cama e segurou a mão de Rony. Ele nem se mexeu; apenas a encarou profundamente nos olhos.
Ela pareceu desconfortável e pigarreou:
- Como você está?
- Péssimo. – Ele foi sincero. – Quero me despedir da Hermione e saber como estão Harry e Gina.
- Harry bateu a cabeça e teve traumatismo craniano. Já foi remendado e medicado. Está descansando no quarto ao lado. Tivemos que sedá-lo porque ele queria ver a Gina de qualquer maneira. Ela e o bebê estão bem. Ela apenas quebrou o braço e também já foi tratada. Quanto à Hermione... – Ela tomou fôlego, como se o que tivesse para dizer fosse difícil e doloroso demais. Rony já sabia, mas isso não diminuía o desespero que o consumia. – Ela está viva. – Surpreso, Rony arregalou os olhos e fez menção de se levantar, mas Tonks o segurou pelo ombro, o impedindo. – Calma, rapaz, me deixe terminar. O curandeiro disse que o ferimento dela foi muito grave. Ela teve uma parada cardíaca e foi reanimada, mas está em coma. Não sabemos se ela vai resistir, Rony. E, caso sobreviva, se vai acordar.
- Eu quero vê-la. Eu preciso, Tonks – Ele choramingou, sentindo ao mesmo tempo uma onda de alívio por saber que seu amor estava vivo, mas também se sentindo horrível por saber sobre seu estado grave.
- Eu vou levá-lo até ela, mas vamos escondidos. Você não poderá ficar muito tempo, entendeu?
Ele apenas assentiu com a cabeça, as lágrimas molhando suas bochechas. Com um pulo, ele se levantou, mal se importando com a tontura ou com o fato de estar quase nu, se não fosse por uma camisola hospitalar aberta na parte de trás. Ele prendeu o tecido da camisola, se cobrindo, e, com a ajuda de Tonks, caminhou para fora do quarto. Tonks também cambaleava, por causa do tamanho e peso de Rony. Eles andaram lentamente pelos corredores, passando por curandeiros e enfermeiras apressados, mas que não prestaram atenção neles. Pegaram o elevador e seguiram para o quarto andar: Danos causados por feitiços.
Caminharam mais um pouco. Às vezes, os passos de Rony vacilavam, mas ele se apoiava na parede e prosseguia, com o único intuito de rever a mulher de sua vida. Pararam diante de uma porta asseadamente branca e Tonks o soltou. Ele olhou para amiga, num questionamento mudo, e ela apenas assentiu. Munindo-se de coragem, ele abriu a porta, ouvindo-a ranger levemente. A metamorfomaga olhou para os lados, apreensiva que algum funcionário do St. Mungos aparecesse, porém o corredor continuava vazio.
Rony olhou para dentro do quarto: também era inteiramente branco e havia apenas uma cama no centro. Lá estava sua Hermione. O luar era a única iluminação do lugar, vindo diretamente da janelinha acima da cama e recaindo sobre a face adormecida de Hermione.
Tentando ser o mais cuidadoso possível, algo difícil para alguém de seu tamanho, ele se aproximou e se sentou num cantinho da cama, observando-a durante longos segundos. Seu rosto estava mais pálido que o normal e o longo cabelo cacheado se espalhava pelo travesseiro. Ao contrário dele, ela não usava a camisola hospitalar. Seu tronco estava inteiramente enfaixado e ela parecia respirar com dificuldade. Ele tocou seu rosto levemente, sentindo a pele fria. Seus dedos tremeram e ele temeu chorar novamente.
- Hermione. – Ele chamou, baixinho, mas ela não esboçou reação alguma. Ele entrelaçou suas mãos, acariciando os dedos delicados. Encostou seus lábios nos dela, sentindo-os tão gelados quanto sua pele. Contra os lábios dela, Rony continuou a falar, no mesmo tom contido. – Acorde, meu amor. Não posso te perder de novo. – Ele se afastou, sentindo a garganta fechar e o coração bater mais forte, de desespero por vê-la daquele modo, como um vegetal. Preferia vê-la esbravejando com ele do que daquele modo estranhamente plácido. – Sei que não é a hora nem o local certos, mas... Eu quero muito me casar com você. Preciso de você do meu lado... Ver o seu sorriso, ouvir você brigando comigo. – Ele sorriu tristemente e apertou a mão dela, querendo provocar alguma reação nela, mas foi em vão.
Seu monólogo foi interrompido por Tonks, que abriu a porta, apreensiva:
- Rony, precisamos ir. Prometo que te trago aqui de volta, mas vamos deixá-la descansar e se recuperar.
Ele apenas observou a expressão de Hermione novamente mais uma vez e se despediu com um beijo casto. Ela tinha que acordar. Ele não suportava nem pensar em perdê-la. Naquela noite, só conseguiu dormir com calmantes, e seus sonhos foram povoados de imagens dela.
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Duas semanas haviam se passado. Gina e Harry já haviam recebido alta do hospital e Harry tirara alguns dias de folga do Ministério para se recuperar física e emocionalmente. Apesar das recomendações médicas de manter-se em repouso, Harry dividia seu tempo entre paparicar Gina e visitar Hermione no hospital. Por sinal, a garota ainda não havia acordado, mas seu quadro de saúde continuava estável, mas, para Rony, essa notícia não significava nada. Para ele, o que mais lhe importava era tê-la de volta. Por isso, apesar das reprimendas da mãe e dos curandeiros, o ruivo insistia em passar todo o dia velando o sono pesado e aparentemente interminável dela. Tinha muitas esperanças de que ela acordasse e queria ser a primeira pessoa que ela visse.
Seus planos só foram interrompidos quando Sirius, recuperado dos ferimentos e já de volta ao trabalho, o convocou para uma acareação com Imelda. Ele soubera que Imelda tinha denunciado o irmão e o pai ao Ministério e, por isso, os aurores haviam chegado a tempo e resgatado os reféns, mas isso não significava que Rony pudesse perdoá-la ou quisesse revê-la. No entanto, aquele encontro era inevitável e uma parte dele queria saber por que a ex-noiva se submetera a tudo aquilo, por que ela enganara a todos.
Foi um custo deixar Hermione. Rony só partiu quando teve certeza que ela estaria em boas mãos: a Sra. Weasley havia se oferecido para cuidar da moça. Ele se despediu de Hermione, murmurando palavras de amor, como se ela pudesse escutá-lo, e então foi para o Ministério.
Após ser revistado, ele voltava à Cela. Tonks, Remo e Sirius estavam à sua espera. Remo e Tonks o cumprimentaram com um abraço e Sirius, com o rosto ainda coberto de escoriações, o cumprimentou com um tapinha amigável nas costas. Ele pediu para entrar sozinho na sala de depoimentos e ninguém se opôs.
Quando entrou na pequena sala, mal podia acreditar que aquela era Imelda. Seu aspecto era de pura derrota: parecia uma criança devido à baixa estatura e delicadeza óssea, mas também por causa da expressão desamparada. Ele quase a perdoou naquele momento. Quase, porque imediatamente se lembrou de sua Hermione numa cama de hospital e da irmã e dos amigos feridos.
Ele se sentou de frente para ela e esperou que a ruiva começasse a falar. Como ela se manteve calada, ele tomou a iniciativa:
- Só me explique o motivo, Imelda.
- Isso importa agora? – Sua voz estava fraca e ela olhava para as próprias mãos, apoiadas no colo. Seu cabelo estava desgrenhado e ela usava uma camiseta branca simples, sapatos pretos e uma calça de moletom surrada. – Vou ser julgada e aprisionada em Azkaban mesmo. – Ela sorriu tristemente e deu de ombros, conformada. - Ao menos, terei a companhia de minha querida tia Rose.
Rony preferiu ignorar este último comentário mordaz.
- Sirius me disse que talvez sua pena não seja tão longa. Você colaborou com o Ministério e isso lhe dá alguns pontos positivos.
Ela riu pelo nariz, balançando a cabeça, como se não acreditasse.
- Eu perdi tudo, Rony. Sabe o que me condenou e me salvou ao mesmo tempo? Me apaixonar por você. Eu não deveria ter sido tão burra, mas não podia permitir que te machucassem.
- Mas permitiu que machucassem meus amigos, minha irmã e Hermione? – Rony perguntou, indignado.
- Acredite, Rony, as coisas saíram do controle. Eu nunca quis ferir nenhum inocente. Detesto a Hermione, mas sinto pena dela, naquele estado.
- Sinta pena de si mesma, Imelda. Se me amasse tanto, jamais teria feito parte de um plano tão sórdido e repassado informações para o inimigo! Que tipo de amor é esse? Você se deitava com o Klaus! Tudo para conseguir ajudar aqueles lunáticos! Sabia de todos aqueles assassinatos e mesmo assim não contou a verdade! Você pode não ter sujado as mãos de sangue, mas é tão culpada quanto eles. – Ele gritou em sua cara, quase avançando sobre ela, mas se conteve no último momento.
Imelda não se mexeu e o olhou inexpressivamente.
- Você tem razão e vou pagar pelos meus erros. Espero que um dia você me entenda, que pense no meu amor por você. Agora, se não se importa, vá embora. Melhoras para a Hermione.
Incrédulo, Rony se levantou e a olhou pela última vez:
- Você é doente, Imelda, e lamento por você. Quem sabe na prisão você tenha tempo para refletir e pedir perdão? Espero nunca mais te ver.
Ela não respondeu e virou o rosto. Rony se retirou, sem olhar para trás. Tinha coisas mais importantes com que se preocupar.
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Foi com esse pensamento que ele voltou ao hospital, mas foi interceptado pela mãe, que parecia afoita.
Rony franziu as sobrancelhas e a segurou pelos ombros, preocupado. A mulher simplesmente o abraçou e ele temeu pelo pior:
- A Mione...
A Sra. Weasley ficou nas pontas dos pés e segurou o rosto do filho, encarando-o nos olhos. De repente, um sorriso de puro alívio se espalhou pelo seu semblante:
- Ela acordou, meu filho! O curandeiro está examinando-a agora.
Imediatamente, Rony largou a mãe e correu pelo longo corredor, entrando esbaforido no quarto. A visão que teve foi a mais bela da sua vida. Hermione estava sentada na cama, sendo examinada, mas ao ouvir a porta batendo, olhou diretamente para Rony, abriu um largo sorriso e abriu os braços. Com o coração aos saltos de tanta felicidade, ele se adiantou até ela e retribuiu o abraço. Só afrouxou o aperto quando ela gemeu baixinho de dor. Ele se lembrou do ferimento no peito dela e pensou em pedir desculpas, mas tudo que conseguiu foi chorar como um bebê. O curandeiro se retirou lentamente, deixando o casal matar a saudade. Perdidos naquele momento tão mágico, Rony e Hermione nem deram pela falta dele.
- Pensei que tivesse te perdido. Eu te amo... – Ele murmurou incontáveis vezes, beijando cada pedacinho do rosto de Hermione e arrancando risadinhas da garota.
- E perdeu. Por pouco tempo, mas perdeu. Sabe por que eu voltei? Eu não podia te deixar de novo. Eu te amo demais.
Ele voltou a abraçá-la, dessa vez com mais cuidado. Precisava sentir o perfume e o calor dela, a fim de se convencer que aquilo era real.
- Vem. – Ela o convidou a se deitar na cama, ao lado dela. Rony não se fez de rogado e a aconchegou no peito, como fizera tantas vezes após fazerem amor.
Ele aspirou mais uma vez o perfume dela e acariciou seus cabelos:
- O que o curandeiro disse? Você está bem?
Ela suspirou, se encolhendo contra ele e buscando mais calor daquele ruivo grandalhão que ela amava tanto.
- Ele disse que meus poderes se desenvolveram muito rápido, por isso não pude controlá-los e eles estavam me matando. Ele pediu alguns exames, mas disse que foi um milagre eu sobreviver e, aparentemente, meus poderes terem sido controlados. Eu me sinto bem, apenas com um pouco de dor, mas é normal. – Ela sorriu ao sentir que ele beijava seus cabelos.
Conversaram um pouco. Rony lhe contou sobre o que havia acontecido naquela mansão, sobre o estado de saúde de Gina, Harry, o bebê e Sirius, e a condenação de Imelda e Rose.
- Nunca mais se arrisque, entendeu? Você não devia ter se atirado daquele jeito na minha frente. – O tom na voz de Rony denotava medo, mas também era uma ordem.
Ela se apoiou nos cotovelos para encarar aqueles belos olhos azuis. Ele estava muito sério e ela franziu as sobrancelhas.
- Mas será que nem depois de eu acordar de um coma, você para de brigar comigo? – Ela tentou se fazer de irritada, mas um pequeno sorriso a denunciou.
- Você é que sempre me disse que eu era um legume insensível, que não falava sobre meus sentimentos, blá, blá, blá... Agora eu vou ser bem sincero: quando eu achei que estivesse morta, eu quis morrer também. Eu te amo e vai ter que se acostumar comigo te dizendo isso pelo resto da vida.
Ela riu e Rony não conseguiu resistir àquela boca. Beijou-a, saboreou cada pedaço daquele recanto doce, mas teve que se conter. Afinal, ela estava convalescendo ainda. Afastaram-se ofegantes e Hermione gemeu, frustrada.
- Calma, você tem que se recuperar primeiro. – Com a ponta dos dedos, ele delineou os lábios dela; um pouco ressequidos, mas ainda sim deliciosos.
- Você vai ser meu enfermeiro? – Ela brincou.
- Isso mesmo. E você vai ficar na Toca, sob meus cuidados e todos os mimos da Dona Molly.
Ela voltou a deitar a cabeça no peito dele e ficaram em silêncio durante algum tempo, apenas se acariciando e curtindo a presença um do outro.
- Rony. – Ela foi a primeira a quebrar aquele silêncio. - Quando eu estava em coma, eu podia ouvir tudo o que se passava ao meu redor. Só não conseguia acordar. Mas eu ouvi você chorando, falando que me amava e... Me pedindo para ficar.
- Eu vinha aqui todos os dias, Hermione, e te implorava para voltar para mim. Eu não suportaria ficar sem você. Você também ouviu meu pedido de casamento? – Ele perguntou de supetão, sentindo as orelhas queimarem.
Ela riu baixinho, a felicidade explodindo em seu peito, e balançou a cabeça negativamente.
- Acho que essa parte eu perdi.
- Pois bem. – Rony se desvencilhou do corpo dela, levantou da cama e se ajoelhou no chão. Segurou a mão delicada e a beijou. – A Srta. aceita se casar comigo? Não estou com um anel aqui, mas eu o guardei em casa...
Hermione sentiu a vista turva, mas dessa vez não era de fraqueza, nem tontura. Eram lágrimas. De pura felicidade.
- Aceito.
Rony gargalhou. Rapidamente, se levantou do chão frio e voltou a abraçá-la. Hermione nunca pensou que seria pedida em casamento num quarto de hospital, mas percebeu que sua vida ao lado de Rony sempre seria uma surpresa, e dessa vez, tinha certeza que sempre seria uma grata surpresa. Queria gritar aos quatro ventos o quanto o amava e tentou explicar sua alegria em palavras, mas não conseguiu. Primeiro, porque sua voz não saiu, e também porque Rony lhe impediu ao beijá-la daquele jeito que a deixava sem fôlego e a fazia parar de pensar.
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Seis meses depois...
- Anda logo, Rony! – Hermione gritou pela terceira vez. Apoiou as mãos na curvatura das costas, que lhe doíam terrivelmente, e continuou a caminhar pelos corredores do St. Mungos.
- Espera aí, Mione! – Rony estava todo atrapalhado, segurando várias sacolas de presentes, e tentava acompanhar o passo apressado da esposa.
Hermione revirou os olhos, impaciente, e parou para esperar o marido. Aquela maldita dor nas costas estava lhe tirando do sério!
Rony finalmente alcançou a esposa, que tentou ajudá-lo com as sacolas, mas ele não deixou.
- Nada disso. Você não pode fazer esforço. Deixa que eu carrego. Poxa, Hermione, você tinha que comprar tantos presentes? Assim, os bebês não vão precisar de roupas até ingressarem em Hogwarts!
- Pare de reclamar. E também não precisa me tratar como uma boneca. Estou grávida, não doente. Já cansei de falar isso.
Rony preferiu não discutir. Com a gravidez, Hermione ficara mais sensível. Já havia conversado isso com Carlinhos e Harry e eles haviam lhe contado que era normal. Ok. Todo aquele nervosismo podia até ser normal, mas e aquele fogo todo?, ele pensou com um sorriso safado e sonhador. Hermione pareceu notar sua expressão porque lhe deu um tapa no braço e continuou a caminhar seu passo apressado e engraçado. Para Rony, ela estava caminhando como um dos gansos da Toca. É claro que ele guardou esse comentário para si mesmo.
Haviam descoberto a gravidez logo depois que Hermione saiu do hospital. Aquele bebê, uma menina que se chamaria Megan, era fruto da noite de reconciliação deles e a prova de que tudo finalmente estava dando certo e de toda a felicidade que haviam conquistado a tão duras penas.
Ele correu para alcançar a esposa e abriram a porta do quarto. Lá estavam Harry e Gina, sentados lado a lado na cama, cada um segurando um pequeno embrulho de cobertores.
- Ai, me deixa conhecer meus afilhados. – Hermione disse, a voz estridente e meio infantil. Rony largou as sacolas no chão e caminhou até a irmã. Hermione praticamente arrancou o embrulho dos braços de Harry.
- Olha só o meu pequeno James! – Ela se derreteu para o menino, que abriu lentamente os olhinhos e voltou a dormir a sono solto, não dando a mínima para o escândalo da madrinha.
Com cuidado, Gina entregou o outro bebê para o irmão. Durante todos aqueles meses, Rony tivera a oportunidade de carregar bebês, os filhos de Carlinhos, por isso, já não os segurava com uma goles.
Hermione caminhou até o marido, segurando o embrulho como se fosse o bem mais precioso do mundo, e olhou para o bebezinho que ele segurava.
- E a minha princesinha Lily. Logo você terá uma priminha com quem brincar. – Ela acariciou o rosto da garotinha, que bocejou.
- Cara, eles são lindos. Não têm nada a ver com você. – Rony brincou. Ele tinha um pouco de razão. Os gêmeos eram típicos Weasley: ruivos, de pele muito clara, e com certeza teriam sardas. Apenas os olhos verdes, iguais aos de Harry, os diferenciava da família.
Harry não deu importância ao comentário do amigo. Sorrindo orgulhoso, ele abraçou Gina. Ainda eram noivos. Por causa da gravidez, tiveram que adiar os planos de casamento para o ano seguinte, quando os bebês estivessem maiores.
- Não dou a mínima para os seus comentários. O fato é que eu sei fazer bebês lindos. – Aquele comentário minou qualquer traço de bom humor em Rony. Todos riram da expressão irritada do ruivo.
- É isso aí, maninho. E tenho certeza que sua filha também será linda: vai puxar toda a beleza da Mione, é claro. – Instigou Gina.
- Hermione! Você não vai me defender?- Rony perguntou, indignado com as brincadeiras.
- Meu amor, foi você que procurou. Não liga para eles. Para mim, você é um gato. – Ela piscou para ele e o ruivo estufou o peito, convencido.
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Quando finalmente entregaram os presentes e se despediram, Rony e Hermione foram para casa. De carro, porque Hermione não podia aparatar nem utilizar Pó de Flu. Apesar de Rony já ter tirado a carteira de motorista, ele ainda se sentia meio inseguro para dirigir. Por isso, era Hermione quem dirigia, mas, com a barriga cada vez maior, logo seria inevitável Rony ter que conduzir. Ao chegarem em casa, Hermione foi tomar banho e Rony foi para a sala de estar, assistir “tevilesão”, um aparelho que ele conhecera recentemente e que lhe era muito interessante.
Hermione e Rony haviam vendido seus respectivos apartamentos para comprar uma casa, afinal, apesar de todos os cuidados da Sra. Weasley, não poderiam viver na Toca para sempre e precisavam de espaço para criar a filha. A casa estava passando por pequenas reformas, mas, na opinião de seus moradores, era maravilhosa: um pequeno jardim que Hermione gostava de cuidar nas horas vagas e um grande quintal, onde Rony sonhava em ensinar sua princesinha a voar e os irmãozinhos que viriam num futuro próximo. Haviam concordado que queriam uma família grande e nada poderia deixá-los mais felizes.
- Rony. – O ruivo ergueu a cabeça para as escadas e lá encontrou a esposa, já vestida com uma confortável camisola de algodão e descalça. Era incrível como Hermione ficava cada dia mais bonita. E sedutora com qualquer roupa, ele pensou, sentindo uma pressão no baixo-ventre.
- Algum problema? – Ele perguntou, preocupado.
Ela mordeu o lábio, como se estivesse indecisa sobre o que dizer.
- Estou com desejo. – Rony respirou, aliviado, e a olhou maliciosamente.
- Não esse tipo de desejo. – Ela disse, impaciente, o que fez Rony murchar como um balão. – Estou com vontade de comer carambola.
- Caram... O quê? – Ele exclamou.
- Carambola. É uma fruta. Bem que você podia procurar, né?
- E onde eu vou encontrar essa fruta? Mione, não existem lojas bruxas que vendem isso. Além disso, já anoiteceu e...
Ele se calou ao ver a expressão chorosa da esposa. Caminhou até ela e a abraçou pela cintura.
- Está bem. Eu vou procurar, mas não posso prometer nada. E o que eu ganho em troca? – Ele barganhou, lembrando-se das noites selvagens com a esposa.
- Você me traz a fruta e eu te mostro mais tarde. - Ela prometeu, com um sorriso malicioso.
Como forma de despedida, ele beijou o pescoço e a barriga protuberante da esposa, pegou o casaco e saiu.
Mesmo andando nas ruas frias e desertas de Londres, numa das missões impossíveis que a esposa grávida e voluntariosa lhe dava, Rony sorriu, mais feliz do nunca.
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N/A: Epílogo curtinho, mas até que eu gostei. É óbvio que eu não ia matar a Mione, né, gente? Como se eu quisesse ser atacada por uma saraivada de maldições. Fiz um epílogo bem meloso, do que jeitinho que os leitores gostam. Vão dizer que eu não sou boazinha?
Mudei o nome da filha do Rony e da Mione por motivos óbvios. Rose é o nome da vilã e creio que eles não iriam querer homenageá-la. Será que alguém reparou que o Harry sonhou com os filhos no último capítulo de Save Me?
A Lady me disse que a Mione deveria estar grávida de pelo menos de 7 meses para sentir dor nas costas, e ela tem razão, mas, se eu colocasse, ia gerar um conflito de períodos, já que no capítulo anterior a Gina estava grávida de 3 meses e o epílogo tinha que mostrar o nascimento dos gêmeos.
Essa é a minha despedida. Espero que vocês tenham curtido a história. Apesar de todos os percalços, a fic teve seus bons momentos.
Obrigada a todos os leitores (até os invisíveis). Cansei de pedir para comentarem, parece ser inútil :(
Carol Lee
N/B Tina Weasley Potter: O que eu poderia dizer de um epilogo tão lindo e cheio de amor?!
Apenas que foi a melhor conclusão que essa estória poderia ter, brilhantemente escrito pela minha amiga Carolzita. Nossa demais viu... Muitos bebês, e já que estou esperando o meu me identifico com a felicidade deles, e com todo o “fogo” da Hermione. E graças a Merlin você não a matou lindona, porque o que tu profetizaste realmente iria acontecer.
Meus amados leitores, que se viram viciados nessa estória tanto quanto eu, é com lagrimas nos olhos que digo e repito que foi uma honra betar uma fic tão incrível e perfeitamente escrita e desenvolvida do começo ao fim, uma estória envolvente e cheia de enigmas que nos prende de uma forma inimaginável.
Obrigada Carol por me proporcionar isso, está de parabéns mais uma vez, o teu talento é nato.
Pena que o que é bom não dura para sempre, então aqui vai meu beijo e meu baita quebra costelas a todos...
Para um final magnífico como esse prefiro me abster das minhas brincadeiras.
Comentar não faz os dedos quebrarem, então façam isso a fic e a autora merecem.
Beijos mais uma vez,
Tina!