Second Life por Lariope
Capítulo 14
N/A: Agradeço a JKR por me deixar jogar no Potterverse, e obrigada a Shellsnapeluver pela sua fidelidade em betar essa história. Esse capítulo deve muito a Sampdoria, cujo comentário sobre o capítulo anterior, inspirou-me. Agradeço também ao meu marido que eu persuadi a me ouvir pacientemente.
Quando a marca queimou, Snape soube que não estava sendo convocado para um interrogatório. Não houve dor, sim, o lampejo de algo estranho e mau em sua pele, mas isto tinha sido um corte como um formigamento – um formigamento de prazer que prometeu algo diferente. Ele não gostava de responder a esse tipo particular de convocação, mas sentiu que, tendo desagradado o Lorde das Trevas tão recentemente, seria inteligente render-se a isso. Por esta razão, ele apressou-se para os aposentos e escolheu suas vestes cuidadosamente: as melhores roupas, uma rica floresta verde, escondida pelo pesado casaco, e é claro a máscara, que ele transfigurou e colocou no bolso do casaco. Ele rapidamente anotou um recado para Dumbledore explicando seu paradeiro e gelou, considerando se ele deveria ou não contatar a Senhorita Granger.
Houve uma parte dele que desejou testar o novo laço entre eles. Se ele contasse para ela onde estava indo, ele a encontraria esperando-o em seus aposentos quando ele voltasse? Ele seria capaz de exigir conforto e força oferecidos por ela? Ele a forçaria a provar para ele, mais uma vez, que ela se preocupava? Ele hesitou por um momento com a varinha em riste. Ele sabia que não seria torturado, não o último tipo de tortura ao qual estava acostumado. Seria errado preocupá-la, particularmente quando ele não tinha idéia de quando retornaria. Esses tipos de reuniões frequentemente terminavam tarde da noite. Até agora, ele pareceu estar indisponível para ajudar a si mesmo.
Chamado, ele enviou através do anel, e foi para o local da Aparatação.
Ele ficou vagamente desapontado quando não houve resposta, embora soubesse que ela estava provavelmente na mesma sala que um monte de pessoas onde ele a havia deixado horas antes. Ele verificou o anel mais uma vez antes de partir, viu que não havia nenhuma ardência, colocou a máscara, e aparatou.
Ele chegou à sala de escala assustadora (startling scale). Cada polegada do teto pareceu ser o céu, e pesadas paredes de pedras foram escondidas sob o sólido, intricavelmente bordada por atapetados. Uma suave luz de candeeiro pincelava por todas as paredes, e a sala estava saturada por barulho e perfume. Ele podia sentir o cheiro de ave assada, canela, vegetais cozidos, e o rico aroma violento, de vinho. A melodia da música permeou o ar, ele não pôde ver a banda por entre a multidão de bruxas e bruxos que enchiam a sala.
Narcissa Malfoy resplandecente em um vestido de um azul-safira profundo, aproximou-se dele instantaneamente. Ela o olhou melhor do que ele a tinha visto por algum tempo, certamente muito melhor do que ela tinha aparecido durante a reunião deles no Spinner’s End (A RUA DA FIAÇÃO). O cabelo dela estava luzente e brilhando, e a pele dela luminosa, porém, havia alguma coisa no rosto dela que o fez suspeitar que um sério trabalho de feitiço tivesse feito a aparência dela aquele dia. Os olhos dela pareciam pesados e fechados, como se ela tivesse tido notícias preocupantes recentemente.
“Severus, querido. Eu estou tão feliz que você tenha vindo. Por favor, dê-me o seu casaco.”
Então, ele estava nas terras dos Malfoy, como ele havia suspeitado. “Narcissa,” ele falou quando segurou a peça de roupa. “Você está esplêndida, como de costume. Diga-me, por que nos oferece sua graciosa hospitalidade?”
Ela corou lindamente. Ele nunca pararia de ficar pasmo com o modo com que os sangues-puros agarravam-se aos velhos hábitos, velhas maneiras, diante de tudo. O marido dela era prisioneiro em Azkaban, seu filho adolescente preso a uma obrigação muito pesada até mesmo para um grande bruxo e ainda assim Narcissa Malfoy flertava com ele no salão. Ele tinha uma respeitosa inveja da coragem dela.
“Parece que Draco rompeu as linhas inimigas,” ela falou. “Eu tenho certeza que você está ajudando-o, Severus. Eu sempre terei essa dívida com você.”
“Bobagem,” ele replicou. “O crédito de Draco é todo da família dele. Auto-suficiente, despachado... Eu estou agradecido em ouvir que o plano está esboçando a conclusão.”
“Eu tenho certeza que sim. Seus dias como professor estão contados, não estão? Você logo terá a posição de Diretor?”
“Eu farei o que o Lorde das Trevas pedir.”
“É claro, meu querido. Você precisa comer algo,” ela falou quando um elfo doméstico passou, servindo salgadinhos. Ele deu uma olhada no topo da cobertura que tinha um figo caramelizado com mascarpone (creme de queijo italiano) e envolto em prosciutto (presunto italiano temperado e seco). “Fascinante,” ele disse, inspecionando duvidosamente o item antes de comer. “E delicioso. Imaginei não esperar nada menos que isso.”
Ela deu a ele um modesto sorriso, antes de passar o braço por dentro do dele. “Você vai querer dar seus cumprimentos, é claro,” ela declarou e caminhou com ele para o meio da multidão.
O Lorde das Trevas estava sentado em uma enorme cadeira, talvez o termo mais apropriado seria um trono, no final do salão. Interiormente, Snape deu um sorriso malicioso para a pompa e esplendor do bruxo, mas ele tinha que admitir que havia um atmosfera real na sala. Quando ele e Narcissa passaram, os outros Comensais da Morte respeitosamente deram um passo para o lado fazendo reverência para eles. Ele sentiu os pesados fios de seda do brocado da roupa dele varrer as pedras no chão quando ele caminhou, e o vestido de Narcissa flutuando gentilmente com o movimento dela. Ele sabia que eles estavam chamando a atenção, pois ele viu a inveja no rosto de alguns convidados, tanto homens quanto mulheres. Existiu algo de gratificante no respeito que os outros Comensais da Morte tinham por ele. Oh, ele sabia o que era isso, como Bellatrix, que ainda suspeitava dele, mas eles não tinham permissão de fazer nada ali. Ali, ele era Severus Snape, o confiável espião do Lorde das Trevas. Ali, ele tinha sobrepujado o respeito que o dinheiro comprava, ascendendo acima de Lucius Malfoy – até dentro da sua própria casa, com a esposa dele ao lado – o braço direito do Lorde das Trevas. Era tão diferente de reunir-se com os da Luz, com os quais ele era banido para o fundo da sala, ignorado. Quando o jantar era servido ele era sempre o último convidado a comer. Ninguém o saudava nem caminhava ao lado dele. Ele retirava-se furtivamente quando ia às reuniões da Ordem. Não havia outra palavra para isso. Mas, ali—ali, ele caminhava com passos largos.
Snape caiu de joelhos diante do Lorde das Trevas.
“Severus. Eu estou tão satisfeito que você tenha vindo.”
“Assim como eu, meu Lorde. Houve um problema no castelo. O menino Weasley foi envenenado. Todos estão ocupados com ele, então eu pude sair sem ser notado.”
“Envenenado, você disse?”
“Sim, meu Lorde. Eu suspeito que seja um acidente. Mas, não vamos nos debruçar sobre isso, está na hora de celebrar! Narcissa contou-me que nós vamos receber boas notícias.”
“Ah, mas com certeza você já sabe do sucesso de Draco. Agora que ele tem um gabinete no local, nós somente esperamos a ausência de Dumbledore. Sua informação sobre o paradeiro dele e seus hábitos é de grande ajuda. Draco tem assegurado que a garçonete nos alertará quando o Diretor sair do castelo.
“Excelente, meu Senhor,” Snape falou. Gabinete?
“Basta. E agora, Severus, parece que as bruxas estão fazendo fila para dançar com você. E eu acredito que você não as desapontará.”
“Qualquer coisa para agradá-lo, meu Senhor,” Snape disse, virando-se e reverenciando Narcissa que ainda estava de pé do lado direito dele. Ele estendeu a mão, e ela deslocou-se com elegância, deixando-se ser guiada até a pista de dança.
“Bellatrix está envergonhada pelo modo que o tratou neste verão,” Narcissa declarou quando ele a rodopiou.
“Diga para ela não pensar nisso. Eu nunca pensei,” ele replicou.
“Ela ficará muito aliviada ao ouvir isto, Severus. Talvez se você dançasse com ela, isso acalmaria a mente dela?”
“Certamente. Dançar com as duas irmãs Black na mesma noite…”, ele disse, “Você está aproveitando-se de mim, Narcissa. Como está Lucius?”
Ele não tinha certeza se tinha imaginado isso, mas ela pareceu endurecer ao ouvir tais palavras dele. “Ele está tão bem quanto poderia em Azkaban.”
“Minhas desculpas, querida. Eu não quis causar embaraço.”
“Não, Severus, você fez certo em perguntar sobre ele, e eu asseguro que transmitirei suas boas saudações. É só que… Eu não quero pensar em Lucius hoje,” ela declarou, e mais uma vez, ele ficou incerto se estava imaginando coisas, ou se Narcissa Malfoy envolveu-se com mais firmeza nos braços dele.
Enquanto eles dançaram, Snape olhou para as mulheres em volta deles, lembrando-se delas quando jovens, a maioria presente era recém-formada em Hogwarts: jovens, saudáveis, sofisticadas, ambiciosas. Bellatrix Black com os cabelos negros brilhando caindo em suas costas e um arrogante sorriso; Maia Selwynn, que fora estudiosa e calada, mas desenvolveu interiormente um tipo de rigoroso esplendor depois que juntou-se aos Comensais da Morte; Delphine Rosier nascida Prewet, que dançava tão belamente; Marigold Parkinson, de quem pertenciam os longos cílios e os vastos recursos financeiros que incitou os homens em volta dela a fazerem as mais ridículas façanhas.
Então pareceu que o dinheiro podia criar a beleza, para que nunca houvesse um baile que não fosse preenchido por delicadeza, privilégio, mulheres vestidas de seda, cada uma delas aparentemente mais adoráveis que da última vez. Ele estava de frente. Ele poderia ter qualquer uma que ele quisesse; só precisaria falar uma palavra, ele já era muito poderoso quando se juntou a eles. Porém, ele não tinha olhos para mais ninguém além de Lílian. De algum modo, apesar de assustador, os berrantes cabelos vermelhos e as roupas trouxas baratas delas fizeram todas aquelas mulheres parecerem pintadas como prostitutas.
A música acabou, e Snape achou melhor libertar uma relutante Narcissa dos seus braços. Bellatrix caminhou ao avistar tal ato, e ele se aproximou dela, mais uma vez estendendo a mão.
“Bella, ele falou cordialmente.
“Severus.”
“Você se importaria em dançar?”
“Por que? Obrigada. Seria um prazer.” E ela pareceu fazer uma pequena contrição.
“Quando Bellatrix caminhou para os braços dele, ele estava chocado ao perceber o quão magra ela estava. Houve, ainda, no entando, um tipo de energia frenética sobre ela, um encanto que nasceu e estava no sangue dela, mas os alarmantes ossos protuberantes da sua bochecha e o cabelo dela... causaram nele uma verdadeira dor ao olhá-la. Tão claramente, ele lembrou do cabelo dela. Era como tinta de seda. Agora, era uma variação de arame branco e nitidamente enfeitiçado para um sombreado do que fora a forma de um liso bonito. Bellatrix era somente oito anos mais velha, porém os anos tinham cobrado dela. Imaginou se eles admitiriam isso sobre ele também. Azkaban estava escrita sobre toda a face dela.
Voltando alguns dias, ocorreram rumores de que ele tinha um caso com ela ou outra. Bella tinha sido uma das supostas amantes dele, antes de casar com Rodolphus. Isto realmente era ridículo. Snape não tinha tido nem o mais breve traço de interesse em nenhuma delas. O que ele almejou não seria encontrado naquela sala, agora ou nunca. Tudo que sempre desejou, da sua mais recente lembrança, era ser querido. Não ser desejado, nem necessário; embora admitisse que estas coisas seriam agradáveis se elas acontecessem, mas simplesmente ser querido. Simplesmente ter alguém que escolhesse ele, outra vez e outra vez, por nenhuma razão melhor além do fato de ser ele mesmo. As mulheres daquela sala não sabiam como considerá-lo um homem se não fosse através do sangue dele, sua posição social, ou sua conta no Gringotts. Elas eram bruxas bem-educadas de um tipo muito particular. Não foram feitos casamentos por amor aqui, mas alianças.
Ele veio para Voldemort como um ferimento aberto quando Lílian casou com Potter. Até o dia do casamento deles, ele ainda acreditava que poderia levá-la para próximo dele. Eles tinham muita história juntos e para ele parecia tão claro que ela poderia dar o que ele precisava. Por que Lílian Evans se preocuparia se ele era pobre, se ele era feio, se ele era um mestiço? Lílian o conhecia desde que ele era uma criança trouxa mal-vestida, desajeitada e atrapalhada. Se alguém o tivesse visto além das suas falhas, essa pessoa teria sido Lílian, com o seu bravo coração Grifinório e o modo que ela tinha de mostrar o que verdadeiramente tinha de bom em uma pessoa. Mas escolheu o Potter. Comparando-se com o homem, trouxe um gosto amargo à sua boca. Ele nunca tinha entendido o que tinha feito o Potter tão sedutor para ela. Ele não viu nenhuma bravura, ou honestidade, ou cordialidade. Nenhuma das coisas que ele viu em Lílian. Quando ele pensou no Potter, ele viu uma criança rica e mimada, abençoado por ter nascido com boa aparência, áureo e atlético. Potter nunca tinha trabalhado na escola, nunca pegou um serviço; ele não tinha talento para qualquer coisa além de traquinagem e Quadribol. Ele era como as bruxas que Snape dançava essa noite: decorativo e no final das contas insubstancial. Ele viu que Lílian valia mais do que isso. Francamente, ele achou a si mesmo muito melhor do que aquilo.
Então, por último ele veio para Voldemort, preparado para o sucesso além dos sonhos fantásticos de qualquer um, preparado para mostrar exatamente a ela do que ela desistiu. Com o intelecto dele e o poder do Lorde das Trevas, quem poderia derrotá-lo?
“Severus,” Bella falou, surpreendendo-o no seu devaneio. “Você não falou uma palavra comigo.”
“Perdoe-me, Bella,” ele murmurou. “Eu estava apenas lembrando os velhos tempos. Eu confesso que você está muito bonita essa noite.”
“Ela deu uma risada fria, uma risada tilintante. “Ah, mas aqueles dias já se foram, velho amigo. Está na hora de abraçar os novos. Peregrine está observando você durante toda noite. Por que você gasta o seu tempo comigo e com Cissy? Nós já somos velhas matronas agora.” Peregrine Lestrange, era sobrinha de Bellatrix, de fato, estava fitando-o com um olhar apreciativo. Ela tinha dezenove anos e era recém-graduada em Durmstrang.
“Ela é adorável, eu admito, mas nada comparada a você.”
“Você é um velho bajulador, Sevvie,” ela declarou. A música terminou. “Venha e converse com Rodolphus. Ele está com vontade de consultar você sobre uma poção, mas nós dificilmente poderemos aparatar em Hogwarts, agora, podemos?
Snape se permitiu deixar guiar pelo grupo de bruxos que permaneciam ali com ligeira graça, tomando um golinho de Firewhisky (wisky de fogo) nos copos de cristais de Lucius Malfoy. Uma pessoa nunca imaginaria, olhando para eles, que eram membros do lado negro e sinistro da sociedade, sendo dominados pelo medo. Era difícil imaginar qualquer um deles, tão bem vestidos e artificiais, desfigurados sobre o poder da Cruciatus ou expostos implorando, tentando escapar do abominável açoite. “Avery, Gibbon, Lestrange,” ele falou.
“Snape!” Avery exclamou, dando um aperto de boas vindas. “Justamente o homem que esperávamos ver. Você tem estado sumido, amigo.”
“Cavalheiros, é um prazer vê-los. Eu fico receoso de que as minhas atribuições tenham me dado pouco tempo para visitas. Porém, eu penso em vocês frequentemente, eu também tenho sentido falta das nossas pequenas... excursões.”
Rodolphus sorriu furtivamente com maldade. “Eu tenho certeza que sim, encarcerado naquele castelo o ano todo. Como está o velho Dumbie?”
“Pelo que eu ouvi, se ele está bem, ele não ficará por muito tempo.” Snape respondeu.
Os quatro homens gargalharam juntos quando Bellatrix em companhia de Narcissa, Peregrine e Marigold. Peregrine, em sua juventude, destacou-se com sua presença.
Sim, ele tinha vindo tomar uma noiva e a fortuna que ela haveria de ter. Ele olhou avaliando todos os bruxos, ostensivamente os amigos em volta dele. De todos eles, apenas Lestrange tinha dinheiro antes de se juntar ao Lorde das Trevas. Os planos dele não incluíam o fato bizarro de se tornar um Lestrange. E ainda, ele se encontrava indisponível para comprometer-se com alguém. Tinha namoros, mas nada que até mesmo o satisfizesse de modo que ele queria fazer com uma situação permanente. Ele esperaria. Mas, pelo quê?
Para quê? Era possível que ele ainda estivesse esperando, ainda tivesse esperança de ter mais da vida do que o medo? Ninguém naquela sala gostou dele, verdadeiramente o quiseram. Eles apenas admiravam o poder dele e temeram a sua ira. Abaixo da beleza da superfície, isto não era diferente dos encontros da Ordem, e se eles pudessem, eles o teriam evitado. Inesperadamente, pareceu muito claro que ele poderia cruzaria a sala, convidaria Peregrine para dançar, cortejaria ela, se aliaria a mais forte família de sangue-puro do atual mundo bruxo, e até se elevaria no círculo do Lorde das Trevas. Ele poderia continuar o plano com ajuda para o Malfoy, e garantir uma casa como aquela. Ele poderia até mesmo cornear os homens à sua volta, e eles seriam fracos para retaliar. Ele poderia ter isto e muito mais. A chance ainda não tinha passado por ele.
Gibbon gargalhou, e Snape foi forçado, momentaneamente, a fazer parte de uma discussão sobre as preferências sexuais de Dumbledore.
“Ele gosta das menores, não gosta Snape? Conte-nos a verdade, velho garoto. O Diretor marca aulas extras com as meninas do primeiro ano?
“De preferência os garotos do primeiro ano,” ele replicou, comprimindo o olhar de aversão ameaçador que lançaram sobre as suas feições. Uma desgostosa conversa. Os homens em volta dele explodiram em uma gargalhada.
“Os meninos do primeiro ano!” Avery chiou e por pouco não se agarrou ao colega do lado de tanta alegria. “Oh, Snape, você é o mesmo. Lembra quando nós usamos—“
Contudo, Snape não estava interessado nas recordações de Avery, quando Peregrine estava se aproximando em direção a ele.
“Mestre Snape,” ela o cumprimentou.
“Por favor, querida, você deve chamar-me de Severus, ou eu me sentirei muito velho.”
“Severus então,” ela falou graciosamente. “Eu não ficaria lisonjeada se você se lembrasse de mim, mas—“
“Não se lembrar de Peregrine Lestrange? Isso seria como esquecer a luz solar. Como você está essa noite?”
“Bem. E você?”
“Muito melhor, agora que estou conversando com você.”
Ela corou e ele desviou o olhar. “Gostaria de dançar, Senhorita Lestrange?”
“Oh, chame-me de Peregrine, Severus. E isto seria adorável.”
Ele deslizou com ela pelo salão em um redemoinho dos roupões verdes e pálidos dela e inesperadamente isso o fez lembrar-se de uma jovem bruxa muito diferente em verde com a qual ele dançou recentemente.
“Então você é professor em Hogwarts,” ela estava falando.
“Sim. Uma humilde ocupação.”
“Não fale isso! Eu acabei de me formar em Durmstrang. Eu tenho o máximo de respeito pelo professores. Como… poderoso, moldar jovens mentes.”
“Tenho certeza de que você foi excelente em tudo que encarregou-se de fazer, minha querida, eu asseguro que os estudantes em geral não desejam ter o conhecimento moldado, como você diz.”
Ela riu apreciativamente. “Talvez não. Mas, eu sei que você é um talentoso Mestre de Poções.”
“Você está bajulando-me, minha querida. Eu simplesmente aprecio a arte.”
“Ah, um homem bonito e modesto também.”
Interiormente, ele hesitou. Mentiras, acima de tudo. Se ela tivesse dito ‘educado, ’ ou ‘poderoso’, ou até, ‘admirável’, ele estaria disposto a continuar a charada para outra dança. Mas a jovem não tinha um bocado de senso. Que tipo de idiota ela pensou que ele fosse? Ele não tinha nenhum interesse em mulheres insossas. Não, para ser honesto, nenhum interesse pela jovem Peregrine Lestrange, ou na casa dela, ou em servir qualquer senhor para o resto da sua deplorável existência. O que ele faria com tal vida? Snivelling por uma vida… chegar em casa para uma mulher com quem ele teria que ser refinado? Ele não conseguia imaginar por que alguém gostaria de algo assim. Se ele fosse honesto, o que ele realmente queria era voltar para Hogwarts e encontrar a Senhorita Granger esperando por ele em seus aposentos; lavar-se do mau cheiro dos perfumes caros da pele dele e respirar o puro odor do cabelo dela.
“Severus? Eu espero não ter ofendido você.”
“Como eu poderia estar ofendido por receber um elogio de uma amável jovem como você,” ele declarou aliviado quando notou que a música estava acabando.
“Você poderia levar-me de volta para casa do meu pai?” ela perguntou. “Eu tenho medo que o champanhe tenha me dado dor de cabeça, e eu detesto viajar sozinha durante tempos incertos.”
“Tão adorável quanto isso soa, mas eu tenho que voltar para Hogwarts,” ele falou, a conduzindo para o grupo de mulheres com o qual ela tinha vindo. “Talvez o jovem Goyle?”
Soltando-se dela, ele pegou a mão de Narcissa e levou até seus lábios. “Narcissa, minha querida, isto foi um prazer.”
“Mas, Severus, você já está indo tão cedo? Os convidados de honra ainda nem chegaram!”
“Eu deixo para Draco meus melhores votos ao voltar para escola. Como eu falei com nosso senhor, eu os deixo no meio dessa comoção. Uma vez que a confusão tiver acabado, sentirão minha falta. Porém, eu fico muito grato em ter tido a oportunidade de divertir-me em sua bela casa e em sua adorável presença. Saúde Lucius por mim. E cuide-se, minha querida.
“E você, Severus, Eu não esqueci—“
“Silêncio , Narcissa. Isto não é nada.”
Ele saiu da presença do Lorde das Trevas, assegurando-lhe que eles logo estariam reunidos sob as celebrações de muitas circunstâncias, e desaparatou.
Uma vez nos campos de Hogwarts, um vento agradável o saudou, e ele enrolou o casaco em volta do corpo mais firmemente. As roupas, ainda pesadas, não eram próprias para um março escocês, ele andou furtivamente pelo castelo, desejando não ser questionado por causa de suas vestes, mas sentiu que precisava informar imediatamente ao Diretor que Draco parecia estar próximo de completar seu plano, qualquer que ele fosse. Ele entrou na escada em espiral do escritório de Dumbledore, agradecido por não ter encontrado nenhum estudante pelo caminho. Ele estava a ponto de levantar a mão e bater na porta quando os cabelos da parte de trás do seu pescoço ficaram arrepiados.
Alguém estava ali com ele. Ele respirou profundamente, mas seus sentidos estavam entorpecidos pela agressão de tantos perfumes fortes. Calmo, pensou, ele pensou ele sentiu...
“Senhorita Granger?” Ela tinha vindo até ele depois de tudo?
A voz dela estava engasgada pelas lágrimas, mas a fúria dela cortou por completo rispidamente. “Por quê? Por que eu pude ver o anel durante todo o dia?”