JENNIFER KIMMEL
POV Snape
Mcgonagall, a qual esta tomando um gole de seu chá no exato minuto que Dumbledore falou, acabou por cuspir tudo. As palavras do diretor chocaram a todos, simplesmente não poderia ser verdade... Como... Quando... Como ninguém nunca ficou sabendo?
Meu rosto, com certeza, possuía uma expressão de incredibilidade e apreensão, olhei compulsivamente de Dumbledore para a garota, tentando entender, tentando vasculhar em minha mente qualquer indício da existência da menina, qualquer coisa que me fizesse provar que aquilo não passava de uma brincadeira de mal gosto.
Jennifer não poderia ser filha de Dumbledore. Não tinha como. Dumbledore nunca mencionou-a, nunca nem mesmo teve um relacionamento sério com uma mulher; mesmo em tempos mais antigos, não me lembro de uma única vez ter ouvido algo sobre uma mulher, quem dirá uma filha!
A menina estremeceu com as palavras do diretor e, ao que me pareceu ser uma reação automática, fez careta, parecendo-me claro que ela era contra a aquela situação ser exposta ficou visivelmente irritada com o diretor.
-Você não podia manter isso em segredo, não é mesmo? – gemeu ela dando mais um passo para trás, seus olhos se fecharam e seu rosto assumiu uma expressão de quase dor. – Você está louco para me destruir.
Dumbledore também fechou os olhos, engoliu em seco, tentando não transparecer a angustia e talvez até um resquício de culpa. Ele não ficava irritado com os desaforos da garota, muito pelo contrário, parecia achá-los perfeitamente normais. Simplesmente, não fazia sentido.
-Eu jamais faria isso, Jenny. – quase que sufocado pelas emoções o diretor respondeu a menina, sem fita-la, sem se mover.
Os punhos da garota se fecharam fortemente e seu lábio se contraiu em uma final linha. – Jamais é muito tempo; diretor, muito tempo.
Novamente a atmosfera densa se instalou na sala, ninguém conseguia reagir a aquilo, era tudo irreal demais, Dumbledore com uma filha, ela não parecia gostar dele, nunca a existência dessa garota foi de conhecimento de alguém.
Senti uma mistura de confusão, descrédito e porque não admitir até mesmo um pouco de raiva, em todos esses anos, eu confiei em Dumbledore tudo, minha vida inteira, meus maiores segredos, minhas maiores vergonhas, tudo; e ele nunca se quer comentou sobre a existência dessa garota.
-Mas... Mas... – novamente foi Mcgonagall quem quebrou o silêncio. – Dumbledore como...? Quando...? – Ela tentava, assim como eu, procurar alguma informação antiga, algum comentário, qualquer coisa que desse uma dica sobre a existência dessa garota. – Isso... Isso é sério?
Dumbledore a fitou, seus olhos brilhando sobre os óculos meia-lua. – Nunca falei tão sério em toda a minha vida.
Irritado e desapontado eu resolvi me manifestar, levantando-me. – Se esse for outro dos seus joguinhos, velho, é bom parar por aqui! A guerra acabou e nem eu nem ninguém mais será sua marionete! – bati o punho na mesa. – Não importa se está brincando conosco ou com ela, mas qual quer que seja seu plano, pare por aqui! – minha voz era sombria e ameaçadora. Não era provável que a garota fosse mesmo filha dele; simplesmente uma moça nunca antes vista no mundo bruxo aparece, possuindo um dom impossível, e é filha de Dumbledore? Não... Não era possível mesmo.
Além do mais, a garota não tinha nenhum afeto por ele, isso era muito visível. Só poderia ser algum dos planos do diretor. Ele brincou comigo por mais de vinte anos, me faz de sua marionete até hoje, eu não conseguia aceitar a idéia dele fazer isso com outra pessoa.
Nem sei ao certo porque interferi, mas a dor daquela garota, o descontentamento de não poder fazer o que lhe é de escolha mexeu comigo, eu sabia o que era aquilo.
Todos me olharam espantados, chocados com a minha reação explosiva, nem mesmo eu sabia o porquê fiz aquilo, mas não voltaria atrás. Dumbledore adquiriu um brilho misterioso no olhar e sua boca abriu um leve e tímido sorriso, a garota ficou me analisando por um longo tempo, sua expressão era indecifrável.
-Não estou brincando, Severus, Jennifer realmente é minha filha. – foi tudo que Dumbledore disse, desviando minha atenção da garota que me analisava misteriosamente.
-Então onde ela esteve todos esses anos? – rebati com até mesmo raiva. – Desculpe, diretor, mas você já está velho e não sabe mais o que está falando ou o senhor quer mesmo que eu acredite que uma garota que nunca ninguém ouviu falar aparece, possuindo poderes inacreditáveis e por puro acaso da natureza ela é sua filha? Logo sua, Dumbledore? Ahh... Faça-me o favor.
O sorriso estranho de Dumbledore aumentou, seu rosto ganhou um pouco de vida. – Como você mesmo disse Severus, Jennifer tem poderes inacreditáveis, estávamos em tempo de guerra, se ela fosse de conhecimento público, o que você acha que teria acontecido?
Aquilo me fez parar e minha raiva diminuir, pensando por aquele ponto de vista, poderia fazer algum sentido. Mas minhas reflexões foram interrompidas pela voz da garota.
-Ai. Meu. Deus! – isso era uma expressão trouxa, eu tinha certeza, mas ela parecia muito atenta a qualquer conclusão que tivesse chegado. Todos a encararam esperando que ela concluísse seus pensamentos, mas a única coisa que fez foi me fitar intensamente e se virar para Dumbledore. – Vamos conversar.
Dumbledore a fitou com o cenho franzido, assim como nós não conseguiu compreender a reação da garota e continuou a encará-la. – Agora! – rosnou ela, a garota estava muito irritada com algo que só ela sabia o que era. O diretor resolveu não discutir e assentiu.
-Bom, meus caros, acho que isso era tudo que eu gostaria de lhes falar. – a voz do diretor soou calma, mas a pressa para que nós os deixássemos as sós era clara. – A reunião está encerrada.
Ninguém se moveu de inicio, cada professor olhou um para o outro, sem saber ao certo como reagir, assim como eu ninguém queria ir embora sem mais explicações, mas ao contrário de mim, ninguém parecia disposto a contrariá-lo, e um a um, eles foram deixando a sala, não me movi, continuei ali, de pé, encarando firmemente o diretor.
Minha cabeça girava a mil por hora, eu não conseguia aceitar o fato de que Dumbledore estava fazendo com aquela garota o mesmo que fez e ainda faz comigo, se eu me submetia a isso até hoje era justamente para que ele não pegasse crianças inocentes e usasse-as como marionetes.
-Não, Dumbledore! – fui rude, eu o enfrentaria se preciso, sem nem mesmo saber o porque de me importar tanto com a garota, mas eu simplesmente não conseguia parar. – Não vou permitir que use-a como uma marionete. A guerra acabou! Não há mais porque você recrutar peões para seus jogos.
Tanto o diretor quanto a garota me encararam, de uma maneira estranha o rosto do velho parecia cada vez mais feliz com minha revolta, e a garota também parecia possuir um brilho diferente de tudo que já vi, ela se aproximou, mantendo uma distancia segura entre Dumbledore e eu, sorriu abertamente.
-Eu agradeço e fico lisonjeada com sua preocupação, professor Snape, - A garota parecia sincera, e talvez por não me conhecer direito, não possuía nenhum tipo de repulsa para comigo. – Mas, nesse ponto, o professor Dumbledore não está manipulando nada, eu realmente sou filha dele. A minha vida inteira morei com minha mãe no em uma cidade trouxa brasileira, aonde viviam alguns bruxos no meio deles. – com um suspiro ela prosseguiu. – Dumbledore me manteve escondida todo esse tempo para que Voldemort não tivesse acesso a mim. Não precisa se preocupar.
Os olhos do diretor brilharam misteriosamente mais uma vez, e fitaram a garota com quase que comoção, não, era mesmo comoção. Algo nas palavras dela o fez imensamente realizado.
Fitei a garota por um bom tempo, procurando em suas feições e suas reações, qualquer indicio de mentiras ou meias-verdades, mas a mistura de sentimentos que encontrei foi intensa e nebulosa demais para que eu pudesse compreender, aquela garota era um mistério.
E de alguma maneira algo me dizia que aquilo não estava certo, mas se ambos diziam a mesma coisa não havia nada que eu pudesse fazer, com um aceno leve com a cabeça, me retirei tirei da sala.
POV Jenniffer
Ver alguém como Severus Snape me defendendo foi algo majestoso, desde que deixei minha casa, ou melhor, fui obrigada a sair de lá, eu não me senti mais acolhida ou protegida, eu só conseguia me sentir deslocada em um mundo que não era o meu, mas quando aquele homem, o qual eu tanto venerei durante anos fazendo aquilo, pareceu que o buraco que a meses se abrira em meu peito estivesse finalmente criando coragem para se fechar.
Eu admirava Severus Snape, para mim, o maior guerreiro de todo esse caos que quase levou o mundo bruxo a ruína era, sem dúvida, ele. Mas não era apenas por seu honrado trabalho durante a guerra que eu o admirava, eu também o clamava por conseguir ter algo que nunca tive, por conseguir assumir uma posição que eu jamais obtive.
E era por conta desse respeito que eu tinha com ele que eu enfrentaria Alvo Dumbledore, as coisas não podiam continuar assim, ele não podia continuar a utilizar das pessoas como suas marionetes particulares. Já não bastou o que ele me fez? Por que ele não podia se contentar comigo? Por que a necessidade de manipular a outros também continuava a dominá-lo? Isso tinha que parar, e seria agora.
-O que queria falar comigo, querida? – de uma maneira irritantemente calma, o diretor me sorria, acreditando talvez que está seria uma conversa amigavel, mas não era o que eu pretendia.
-Como pode continuar fazendo isso? – perguntei numa voz mortalmente calma, sem nem mesmo fitá-lo, preferi manter-me de costas eu não queria perder o controle e acabar fazendo besteira em meio a raiva.
-Perdão? – O desgraçado ainda se fazia de confuso, ao que parecia se tornou algo tão natural para ele manipular os outros que nem mesmo se dá conta do que faz.
Vire-me encarando-o nos olhos, deixando que visse toda a raiva que queimava em meus olhos, que percebesse meu sangue borbulhando de ódio a cada segundo a mais. - Como pode fazer isso com ele? – minha voz continuava letal porém mais carregada dos sentimentos que me tomavam. – Como pode continuar manteendo-o seu prisioneiro depois de tudo que ele fez?
A confusão continuou presente naquelas duas piscinas azuis, mas não persistiu por mais que alguns segundos e logo a ignorância foi substituida pelo choque e a compreensão, ele havia entendido, eu sabia que sim.
-Como pode mante-lo seu escravo? Depois de todas as provas de lealdade que já lhe deu? – minha voz era repleta de repulsa em relação ao homem a minha frente; uma coisa era ele fazer comigo, mas outra era fazer com os demais e pior, ao seu amigo mais leal. – E mesmo que não tivesse dado! A guerra acabou em nome de Deus! Você não tem o direito de continuar a acorrentar aquela alma!
Ainda em choque o diretor não parecia saber como reagir, apenas me encarava, por alguns vezes abriu a boca, provavelmente tentando dizer alguma coisa mas nenhum som saiu, mas após algumas tentativas um murmurio fraco apareceu. – Jenny... – eu nem mesmo dei tempo para que continuasse.
-Já não basta tudo que você fez a mim? Por que continuar brincando com ele? Por que você sempre precisa estar manipulando alguém? – minha voz já se elevava e meus dons sutilmente já começavam a se agir. – A guerra acabou! ACABOU! Você já feriu pessoas demais com seus joguinhos!
-Jenny eu... – ainda atordoado o diretor não conseguia organizar uma frase coerente, o que agradeci por isso, não estava com mais muito ânimo para uma discução, minha única vontade era ir embora dali e buscar refúgio no silêncio do meu quarto, mas eu não podia partir sem antes ter certeza que ele desfaria toda aquela vergonha.
-Não me interessa! Eu não quero saber! – cortei-o novamente. – Você destruíu minha vida! Não faça isso com ele também! – juntei meus pertences e segui para a porta, parando no batente. – Ele é o único que o tem como pai, não faço com que ele o odeie também. – Dumbledore arfou com minhas palavras, ele compreendeu bem o significado. – Mostre que tem um pouco de descencia e retire esse voto ridículo do professor Snape! – sem nem mesmo olhar para sua reação parti em direção ao meu quarto.
Tentei conter as lágrimas ao menos durante o trajeto, eu não queria chorar, não em um lugar público, agora que a solidão seria minha única companhia eu precisava firmar minha máscara, algo quase impossível. Mas não havia outra maneira, pelo menos, não até que a maioridade me abraçasse.
POV Snape
Depois daquela perturbadora reuião, não voltei a ver o diretor ou a garota, todo o corpo docente da escola ainda estava perturbado, sem saber direito como se portar ou no que acreditar. Mas ao que tudo indicava, a menina era mesmo filha do velho, e todos teriam que se acostumar com a idéia.
Passado do o choque, eu passei a analizar todos os novos fatos, não mais tão surpreso que Dumbledore tivesse uma filha, mas me intrigava o fato dela não parecer ter nenhum vínculo afetivo com o diretor, na verdade, a garota parecia odiá-lo e isso sim me perturbava.
Como ela poderia odiar o próprio pai, ainda mais sendo ele quem era. Raiva por tê-la escondido? Caso fosse isso seria um ato muito infantil afinal, não era difícil deduzir as razões de Dumbledore, se o Lorde das Trevas descobrisse a existência de um herdeiro de Dumbledore, ainda mais possuindo os poderes que tinha, ele com toda a certeza, teria colocado as mãos na garota. Então por que toda aquela repulsa?
Novas peças ainda estavam obscuras naquele quebra-cabeças e, mesmo que levasse tempo, eu iria descobrir! Havia algo naquela garota que me chamava a atneção, algo que me perturbava, me deslumbrava e eu queria entender o que era.
No horário certo, desci para o jantar, esta noite seria anunciado ao alunos que Jennifer Kimmel se juntaria ao corpo estudantil e todos os professores deveriam estar presentes.
Todos já se encontravam presentes à mesa, com excessão de Dumbledore e Jennifer, que também não tardaram a chegar. Dumbledore assumiu seu lugar no cento da mesa enquant a garota resolveu sentar no último lugar da mesa, o mais distante possível do diretor.
Ao que parecia, era uma caracteristica comum da menina se vestir sempre armonicamente, sua aparecia estava sempre impecavel, e para mais um mistério, suas mãos sempre estavam enluvadas. Seu rosto era suave, um pequeno sorriso moldava seus lábios, mas seu olhar nãos transmitia alegria.
Já Dumbledore, pareceu se magoar com a atitude da garota de se sentar distante dele, mas não fez objeção; o salão logo estava cheio, era notável que alguns alunos perceberam a presença de Jennifer, mas nada muito escandaloso, a maioria se preocupa consigo mesmo.
Não tardou a Dumbledore pedir silêncio e o salão inteiro se aquietar. O diretor se levantou e fitou todas as mesas por um breve instante. Observei atentamente a mesa da Sonserina, asegurando-me que todos os alunos estavam ali, obviamente que sim.
-Boa noite, meus queridos. – saudou Dumbledore, ao mesmo tempo percebi Jennifer estremesser, ela não parecia muito favoravel com o que viria a seguir. Sem nem mesmo disfarçar a vi tirar um pequeno cantil prateado, e colocar um pouco de seu conteúdo no copo, não era preciso se indagar o que era, com certeza era algo alcólico.
Jennifer não pareceu se preocupar se aquilo era ou não contra as regras, parecia apenas disposta a tentar aliviar um pouco da tensão, guardou o cantil e sorveu um pouco da bebida em sua taça. Agora não havia nada que eu pudesse fazer, contudo, mais tarde, essa garota estaria ferrada comigo, não sairia ilesa.
Mal me atentei ao pronunciamento do diretor, meus olhos continuavam atentos aos movimentos da filha de Dumbledore, apenas quando o diretor comunicou o fato da jovem ser sua filha e o alvoroço começar que me atentei novamente aos outros alunos. Antes de qualquer coisa, fitei meus sonserinos, certificando-me que estes estavam se portando e é claro que, mesmo com a nova notícia, eles se portavam adequadamente, apenas fitando a garota em questão e murmurando entre si.
Em sequência, meus olhos pousaram na mesa da grifinória, mais precisamente no “trio de ouro”, estava louco para ver a reação de Potter diante de tal fato, já era de se imaginar que estivessem alvoroçados, suas expressões eram de pura incredibilidade e até mesmo um pouco de revolta por parte de Potter, afinal, assim como eu me senti, ele se sentia traído por Dumbledore ter-lhe omitido tal fato todo esse tempo.
As demais mesas estavam alvoroçadas mais sem muito estardalhaço, então voltei a fitar a garota, não era necessário entrar em sua mente para saber que seu desejo naquele momento era sumir dali o mais rápido possível, mesmo que sua expressão estivesse controlada e tranquila.
Logo o diretor acabou de explicar aos alunos as condições especiais de sua filha, omitindo o fato de seus dons majestosos; e anunciou o início do jantar. Todos comeram em meio a conversas e indagações sobre a filha de Alvo Dumbledore, até mesmo na mesa dos professores o assunto girava em torno disso, como se pai e filha não se fizessem presentes ali. Dumbledore não pareceu ligar, estava, pelo canto do olho, esperando por uma reação ou comentário da filha, enquanto a mesma, se mostrava quieta, fixa em sua própria comida, brincado mais de mover o alimento do que come-lo.
Cerca de três quartos de hora mais tarde a jovem, educadamente, pediu permição para se retirar, nitidamente frustrado, o diretor lhe concedeu tal direito e jovem, muito sutilmente, levantou-se e saiu pela porta lateral.
A principio, cogitei a hipotese de seguir-lhe e puní-la pela história da bebida alcólia, mas minhas inteções logo se desfizeram, minha cabeça trabalhava a mil tentando entender como funcionava a cabeça daquela jovem, ela não era ostil e agressiva com ninguém mais além de Dumbledore, e seu semblante, mesmo possuindo uma máscara de tranquilidade, sempre estava carregado de uma profunda tristeza. Como se Hogwarts não fosse seu lugar, como se estar ao lado do pai fosse um erro.
Jennifer Kimmel mal havia chegado, mas já se mostrava um grande e instigante mistério para mim, um mistério, que eu lutaria para desvendar.