Ela me repudiou. Merlin!!! Ela me odeia ainda mais do que antes. Talvez até mais do que quando nos conhecemos.
Eu não conseguia acreditar. Meu pulmão fazia do simples ato de respirar um martírio.
Forçando o ar a entrar, respirei bem fundo e me virei. Arregalei os olhos quando olhei para ela.
Minha mãe me encarava com o semblante mais relaxado do que quando me encontrou na sala do diretor. Ela aprecia fraca, mas não tanto. Seu rosto havia recuperado um pouco da cor.
Por um momento não encontrei minha voz. Será que ela havia visto? Essa era a pergunta que eu me fazia.
_Mãe... – Sussurrei, mas acredito que ela quase não me ouviu, por eu estar um pouco distante do leito dela.
_Venha aqui querido. – Ela me chamou. Sua voz estava um pouco fraca.
Dirigi-me para lá, com passos lentos, porém determinados. Sentei-me na cama e ela segurou minha mão, apertando delicadamente.
_Me desculpe, eu não queria acordá-la... Eu só estava... A senhora está bem?
Ela sacudiu a cabeça negativamente.
_Não precisa se desculpar. Estou um pouco melhor, obrigada.
_A senhora viu, não viu? – As palavras saltaram da minha boca sem que eu pudesse refreá-la. Quando vi já tinha feito a pergunta.
Ela desviou o olhar por breves segundos e sua resposta muda me fez olhar nossas mãos entrelaçadas.
_O que houve entre vocês? – Voltei meus olhos para ela rapidamente. Ela não estava falando sério, estava? – Desculpe, mas eu acordei quando ela entrou aqui. – Ela falou compreendendo minha dúvida.
Fiquei calado. Não estava a fim de falar desse assunto com ela. Porém ela insistiu.
_Pode se abrir comigo filho... Embora, eu já saiba de quase tudo.
_C-como a senhora...? – Indaguei tentando entender.
Ela me deu um breve sorriso antes de responder.
_Ela tem uma mente fascinante.
_Mãe... – falei como se repreendesse uma criança por ter feito uma travessura, enquanto um breve sorriso de entendimento brotava nos meus lábios. Sorriso esse que eu herdei dela.
Narcisa não se alterou enquanto eu tentava voltar à seriedade.
_Um tanto quanto teimosa, mas uma mente fascinante... Você a ama de verdade, não é mesmo?
Fiquei sério de repente. Não esperava uma pergunta tão direta.
_Pode dizer Draco. Está estampado no seu rosto com todas as letras.
_A senhora precisa se alimentar e descansar – falei tentando mudar de assunto. – Eu vou pegar a bandeja...
Mas Narcisa era tão determinada que não soltou minha mão e não deixou-me levantar.
_Olhe para mim Draco Lúcio...
_Detesto quando a senhora me chama assim.
_Desculpe, mas você me obriga. Agora, responda o que eu lhe perguntei.
Olhei em volta e suspirei bem fundo antes de soltar o ar com força.
_Sim – respondi. – Eu amo a Hermione. Mas não se preocupe, pois como à senhora mesmo sabe, ela não quer mais nada comigo. Mas isso a senhora deve ter lido na mente dela, não é mesmo? Hermione me odeia. Tudo isso por causa da Pansy Parkinson. – Falar o nome da Parkinson fazia minha boca amargar e uma vontade de estrangular aquela “oferecida” crescia fortemente dentro de mim. – Portanto não precisa ficar preocupada, pois não vou ‘me virar contra a família por causa da sangue-ruim’ como a senhora mesmo disse... Satisfeita? – Terminei impaciente. Aquela conversa estava me dando nos nervos.
_Não. Não estou satisfeita. – Ela respondeu zangada.
_Como? – Perguntei sem entender. – A senhora disse que...
_Esqueça tudo o que eu disse Draco. Se essa sang... – Ela se interrompeu quando viu a advertência estampada no meu rosto. –... Se a senhorita Granger te faz feliz, lute por ela.
_A senhora me confunde... - Disse cabisbaixo.
_Filho, vou te dizer uma coisa... Eu te amo e nunca vou deixar de amar. – Ela se ajeitou na cama e se aproximou de mim. – Você é a coisa mais rara e valiosa que eu tenho. Sua felicidade é tudo para mim. E se essa menina faz você feliz eu tenho que levantar as mãos para o céu e agradecer de joelhos por isso. Pela sua felicidade sou capaz de enfrentar o Lorde das Trevas...
_Mãe, não diga bobagens...
_Não é bobagem querido. É a verdade. Sou capaz de tudo por você, até de aceitar essa menina como minha nora, mesmo ela sendo quem é.
_Não, mãe. A senhora não precisa aceitar ninguém. Mesmo porque a Hermione não me ama, muito pelo contrario, ela me odeia ainda mais...
Ela balançou a cabeça negando tudo que eu dizia.
_Não Draco. Você está enganado. Ela ainda te ama. Agora mais do que nunca. Você mostrou um lado que ela não conhecia. E quando eu li a mente dela ela estava confusa. No fundo ela sabe que você diz a verdade sobre o beijo que a filha dos Parkinson te deu. O problema é que ela não sabe qual dos sentimentos ela deve cultivar mais, se o ódio ou o amor. Mas nós dois sabemos que ela não conseguiria cultivar o ódio com tanta facilidade. O que ela sente agora é raiva, mas essa raiva vai passar e o que sobrará serão apenas lembranças remotas do que aconteceu na noite do baile. Você só deve ter um pouco de paciência.
_Mais do que eu já estou tendo?! – Perguntei meio exasperado. – Cada minuto que eu passo longe dela me deixa doente. Isso me faz lembrar quando eu tinha oito anos e a senhora teve que viajar, me deixando aos cuidados do Lúcio e de uma governanta. Foram duas semanas terríveis. O medi-bruxo da família morava mais na nossa casa do que na própria casa dele. Eu só melhorei quando vi a senhora entrar pelas portas do hall de entrada da mansão.
Minha mãe sorriu pelo nariz.
_A senhora ainda ri? Não tem graça, mãe.
_Não estou rindo por causa disso meu amor. – Ela passou a mão no meu cabelo, tentando tirar a franja dos meus olhos inutilmente. – Estou rindo porque descobri que você ama essa garota mais do que eu pudesse imaginar. Está mesmo caidinho por ela. – Ela riu de novo. – Quem diria uma “não-sangue-puro” pode fazer um Malfoy se curvar aos seus encantos. – Ela debochou abrindo um sorriso de canto.
_Ela fez mais do que isso mãe. Hermione me mostrou quem eu quero ser de verdade. E eu posso lhe garantir com toda certeza que eu quero ser uma pessoa melhor, e não aquela pessoa sem escrúpulos e cruel que meu... Que Lúcio quer que eu me torne.
Ela pareceu se decepcionar por escutar eu dizer Lúcio e não pai.
Ficamos em silêncio por alguns segundos até ela quebrá-lo.
_Então lute. Lute com todas as suas forças e você terá o que quer.
_Eu sei. Só não sei por onde começar. Ela não quer nem que eu chegue perto dela. A senhora mesmo deve ter visto agora a pouco o que aconteceu entre a gente.
_Sim, eu vi. E posso lhe garantir que você deu o primeiro passo para reconquistá-la.
_Como à senhora pode ter tanta certeza? Ela só faltou me dar outro soco.
Narcisa me olhou como se não tivesse entendido e eu percebi que havia cometido uma besteira das grandes. Afinal nunca havia contado em casa que Hermione me dera um soco no terceiro ano.
_Não sei do que você está falando querido. Mas posso lhe garantir que ela não tinha intenção nenhuma de lhe socar. Ela estava mais para, hã... –Minha mãe estava escolhendo as palavras? Que estranho! ... – arrastá-lo daqui e se trancar com você em alguma sala vazia.
Fiquei um pouco sem graça por entender o que minha mãe estava tentando dizer a respeito do beijo que Hermione e eu trocamos.
Então ela queria mais do que me deixar beijá-la? Sorri internamente com a descoberta.
_Vai por mim. A senhorita Granger ama você querido, mas no momento ela está deixando o orgulho falar mais alto. Então cabe a você derrubar essa barreira.
_Eu sei que cabe a mim. Mas ainda não sei por onde começar.
_Olhe, quem sabe não posso lhe dar umas dicas, Hum? – Minha mãe sorriu travessa, o que não era do feitio dela.
_ Mããããee. – Cruzei os braços na frente do peito em desconfiança. – O que a senhora vai aprontar? – Perguntei cerrando os olhos.
_Não me olhe com essa cara, menino. Só vou lhe dizer o que fazer e como fazer.
_Está bem. Mas vou logo te avisando: se for algo que faça a Hermione se machucar ou ma odiar ainda mais, eu jamais vou perdoar à senhora.
_Calma garoto. – Ela me advertiu com um falso tom de ofendida. – Só vou te dar algumas dicas de como reconquistar sua ‘Moranguinho’.
Olhei para ela embasbacado. Nunca havia chamado Hermione pelo apelido que dei a ela na frente de ninguém até aquele dia. Mas como eu jurava que ela estava dormindo nunca imaginei que ela pudesse ter ouvido.
_O que? Pensou que eu estivesse lendo apenas a mente dela. Desculpe meu amor, mas não sou surda. Posso ser uma pouco desligada às vezes, mas surda... – ela balançou o dedo indicador de um lado para o outro em negação. – Ah, isso eu não sou, não.
Apenas fiz uma careta respirando fundo mais uma vez.
_Mãe. Acho que esse negócio da senhora me dar conselhos amorosos não é uma boa idéia...
Tentei argumentar mais ela foi logo me interrompendo.
_Não é boa por quê? – Ela perguntou erguendo a voz (coisa que ela fazia muito pouco era erguer a voz para alguém). Por acaso sua mãe não pode lhe dar conselhos? Ou você prefere pedir conselhos ao Zabini, que com certeza dirá para você arrastar a garota para alguma sala vazia, “usar e abusar” dela e depois descartá-la como se fosse um pedaço de pergaminho usado? Desculpe lhe informar querido: mas garota nenhuma, mesmo que seja uma desclassificada qualquer gosta de ser usada por nenhum homem na face da Terra e depois ser descartada sem mais nem menos. E como você mesmo me disse durante cinco verões inteiros que Hermione Granger não era flor que se cheirasse, só posso deduzir que ela jamais aceitaria estar em condições semelhantes.
Fiquei calado ouvindo tudo que minha mãe me dizia, analisando cada palavra.
_Portanto meu filho, acho bom você prestar bastante atenção no que vou lhe dizer: mesmo Hermione Granger não sendo a mulher que eu escolheria para casar-se com você... não que eu queira que você se case com ela – acrescentou rapidamente – mas caso isso venha a acontecer ficarei do seu lado, é claro. Quero que saiba que eu não te criei para “usar” as mulheres. E mesmo ela não sendo uma sangue-puro, ela é mulher e vou ficar do lado dela. Você pode até me achar uma feminista, uma pessoa contraditória, ou seja, lá o que for. Não importa. O que realmente vai importar é o fato do meu menino, meu filho achar que deve fazer o que bem entender apenas para satisfazer uma vontade do corpo. Isso... eu não posso aceitar, você entendeu?”
Afirmei. Minha mãe nunca havia falado com tanto vigor, exceto uma vez que ela brigara com meu pai, para me proteger de levar uma surra dele.
_Eu nunca faria isso com Hermione, mãe. Eu a amo, e sim... Um dia pretendo me casar com ela, até já cogitei essa hipótese.
Ela me olhou triste com a notícia mais não disse nada.
Depois do discurso acalorado ela se recostou no travesseiro e ficou me olhando. Perdida em pensamentos. Mas seus olhos sorriam. De uma maneira um pouco torta, mas sorriam. O silêncio voltou a reinar entre nós, mas mais uma vez foi ela quem quebrou o silêncio.
_Então – perguntou com a voz mais baixa. – Vai me contar como pretende recuperar a confiança dela?
_Bom – falei enquanto me levantava e buscava a bandeja que Hermione havia trazido e depositava no colo dela. – Eu ainda não sei. Pensei em fazer alguma coisa romântica, sei que garotas gostam desse tipo de baboseira, mas estou completamente sem idéias.
_Baboseira para vocês garotos, mas nós adoramos esse tipo de coisa. – Ela sorriu.
_Pode até ser, mas não faço a menor idéia por onde começar. Pensei em escrever uma carta porque sei que ela gosta de ler, mas acho que assim que ela lesse e visse que era minha ela rasgaria em mil pedacinhos.
_Escreva a carta, mas de uma maneira de diferente. Faça-a entender que está disposto a ariscar tudo para tê-la de volta.
_Tem que ser algo que não chame muito a atenção, discreto, pois não posso correr o risco que alguém indesejado descubra. Já tem gente demais sabendo da gente... Os irmãos Weasley, Harry Potter, o Diretor... e agora a senhora. Tenho que ser cuidadoso, pois posso por tudo a perder e meter a nós dois em uma encrenca ainda maior do que já estamos com relação ao Lorde. E eu não quero carregar na consciência algo de terrível que possa vir a acontecer com ela e principalmente com a senhora.
Olhei para Narcisa, ela tinha os olhos marejados.
_Oh, querido – ela pegou minha mão novamente entre as suas depois de deixar o copo de suco na bandeja. – Não se preocupe comigo. Já disse: quero que seja feliz. Apenas isso.
_Sim mãe. Só que para minha felicidade ser completa, eu tenho que fazer de tudo para tirar à senhora dessa enrascada que Lúcio nos meteu. Aí sim eu poderei ser feliz com a senhora e com Hermione do meu lado. E talvez um possível herdeiro que pretendo fazer com Hermione.
_Oh, Merlin! Não me diga uma coisa dessas – ela falou escandalizada com a possibilidade se ser avó. – Sou muito nova para ser avó!
Eu não consegui segurar o riso nessa hora. Ela havia ficado hilária.
_Calma mãe. – falei entre os risos. – Não pretendo lhe dar um neto agora. – Ela respirou aliviada. – A não ser que Hermione queira. – Ela arregalou os olhos mais uma vez. Eu ri de novo antes de falar:
_Não precisa me olhar assim, ela já me disse que não pretende ter um filho por enquanto. Ela quer planejá-lo primeiro. Ele terá momento certo para ser feito e para nascer.
_Ufa! Uma coisa eu tenho que admitir: essa garota tem a cabeça no lugar.
Eu ri de novo.
_Me fez passar um susto garoto! –Ela bronqueou. Mas percebia-se que ela não estava zangada, embora tentasse passar que estava irritada com meus planos futuros.
_O que foi heim, dona Narcisa? Com medo de ser avó tão jovem? – perguntei brincalhão.
Ela me fuzilou com o olhar. Ou pelo menos tentou, pois eu me aproximei dela e dei-lhe um beijo bem estalado no rosto.
_Não brinque com isso moleque.
_Por que não? – Perguntei. – Seria a avó mais sexy que eu já vi.
Ela me jogou um travesseiro, mas eu desviei e continuei a rir...
Ela recostou no outro travesseiro com os braços cruzados na frente do peito e ficou com a cara emburrada, mas seus olhos encontraram meu rosto risonho e ela não se agüentou... Começou a rir também.
Retirei a bandeja do colo dela e coloquei na mesinha ao lado, voltei e me deitei de lado na cama e a abracei. Ela me envolveu em seu abraço confortável de mãe e beijou o topo da minha cabeça.
_Eu te amo filho.
_Eu também te amo mãe.
Ficamos os dois ali, perdidos em nossos próprios pensamentos.
Mas eu sabia que aquele momento seria apenas um momento, e que aquela paz que eu estava sentindo estava prestes a ter um fim. O momento crucial estava se aproximando e eu não podia fugir dele. E com o armário sumidouro concertado meu plano estava quase todo concluído. O FIM estava mais próximo do que eu imaginava. Mas antes que esse ‘FIM’ chegasse, eu teria Hermione comigo, nem que pra isso eu tivesse que matar Voldermort pessoalmente e acabar com toda a corja que o rodeava. Antes eu negava isso, mas agora não posso mais negar. Hermione se tornara muito mais que algo a ser conquistado, ela é minha paixão, o amor da minha vida e viver com ela para sempre se tornara minha mais nova obsessão.
Continua...
N/A: Ai, gente eu amei escrever esse cap. Ele pode estar um pouco pequeno mais eu adorei escrever. Afinal eu tinha que colocar a mãe dele pelo menos um pouquinho do lado do filho. Já que ela foi tão hostil no cap anterior. Mesmo ela não gostando da Mione como nora ela não deixaria de apoiar o filho um pouquinho.
Mas deixando de comentar esse cap, vou voltar ao anterior. Vocês se lembram que eu disse que colocaria o nome da música do cap anterior? Pois é, aí esta. A musica se chama: Em suas mãos do Sorriso Maroto. E mais uma coisa pessoal como fiz uma pequena observação no cap anterior vou recordá-la aqui. O caso é: que se houver necessidade de mais cap’s com a Hermione narrando vou colocar, pois estou pensando em uma cena que acho que vai ter que ser ela mesmo, pois ela vai receber uma das declarações do Draco e acho que ele não conseguiria narrar o que ela estaria sentindo...
Mas chega de nota... Essa já ficou enorme. Mas antes de terminar agradecendo o carinho e os comentários e os mais de 600 visitantes nessa fic que começou como uma brincadeira e hoje se tornou algo sério para mim. Bjos a todos e muito obrigada. Continuem deixando seus comentários, eles são muito importantes pra mim...
[N\B] bom, não sei vocês, mas eu amooo ter dado idéias à Landa essa escritora sempre tãão criativa e dedicada... Podem comentar, se eu tiver errada mas você já leram alguma fica dela que não fosse boa, ou marcante? eu nunca... Bom, deixando essa nota enorme...
Vou logo ao que interessa :
COMENTEM!
Beijos!!!