Draco voltara para o escritório, mas não conseguiu mais trabalhar, seu pensamento estava todo voltado para certa mulher e essa mulher não era sua futura esposa.
Havia deixado Luna e Hermione no apartamento de Luna. Sua irmã estava com tantas saudades da amiga e com tantos assuntos para colocarem em dia que ela havia deixado o ateliê a cargo de Marcy. E Astória também ficara por lá, claro que em sua cobertura e não com Luna e Hermione.
Bem que ele tentou, mas não conseguiu se concentrar, sendo assim, resolveu voltar mais cedo para casa. Infelizmente, por culpa dele, não poderia ter a casa só para si. Tudo bem que ele pedira Astória em casamento, mas por que, ele mesmo ainda não entendera, já havia trazido a mulher para morar com ele? Talvez ele inconscientemente soubesse que se ficasse sozinho, poderia arruinar seus planos de começar uma família. Não que ele tivesse sido fiel a Astória nesse um mês de “namoro”, mas depois que a pedira em casamento, ele achou que devia isso a ela e a ele próprio.
Chegou a casa e já subindo pelo elevador se sentiu tentado a digitar o código de segurança que o levava para o andar de Luna, queria perguntar a Hermione o que fora aquela carícia por baixo da mesa, mas mais que depressa tirou esse pensamento da cabeça, mesmo que quisesse não poderia conversar com ela, pois Luna estaria lá e depois tinha sua noiva em seu apartamento, talvez o esperando...
Eu deveria ficar feliz em ter uma mulher linda me esperando, mas a verdade... é que ela não é a mulher que eu gostaria que estivesse lá... droga!
Entrou no pequeno hall entre o elevador e a maciça porta dupla de madeira que levava ao seu apartamento.
Draco entrou no hall seguinte. O chão era de mármore rosa, com duas estátuas gregas também de mármore em nichos opostos da parede, com uma iluminação indireta, de cor amarela deixava o hall com ar confortador. Desceu os três degraus que dava para uma grande sala de jantar, com uma imensa mesa de madeira polida, com doze cadeiras de espaldar alto e veludo vermelho, do lado esquerdo havia um enorme buffet com algumas baixelas de prata de sua mãe. No centro da mesa um lindo arranjo de rosas vermelhas, que exalava um cheiro agradável por todo o cômodo.
As cortinas estavam abertas e ele podia ver dali à belíssima paisagem de um dos parques mais lindos de toda Dallas, o Turtle Creek. Quando tinha tempo, o que era quase nunca, ele ia ao parque correr ou simplesmente sentar e olhar o imenso lago.
O dia estava quente e os raios de sol invadiam a sala, iluminando o ambiente, era a natureza dando seu show.
Draco virou a esquerda para dirigir-se a cozinha, passou em frente ao pequeno e limpo lavabo à esquerda no corredor e entrou num pequeno cômodo, pintado inteiramente na cor laranja. Havia uma mesa quadrada com tampo de vidro e pés de vime, contendo oito cadeiras confortáveis também de vime e com almofadas com um tecido colorido, essa era a sala de almoço e café informal, onde Draco e Luna, agora Astória, faziam suas refeições. Ali também havia um arranjo de flores na mesa e também se via a beleza dos raios solares, pela imensa janela.
Entrando pela portas vai-e-vem da cozinha moderna, encontrou a Sra. Bishop, sentada numa pequena mesa redonda tomando um chá. No mesmo instante a senhora se levantou, dizendo:
- Desculpe, Sr. Malfoy, não imaginei que o senhor chegaria tão cedo.
- Por favor, Sra. Bishop, meu nome é Draco, já disse isso para a senhora milhares de vezes e não se preocupe comigo, sente-se e continue seu chá.
A mulher sentou-se:
- Obrigada.
Draco tirou seu paletó, jogou-o sobre o encosto de uma cadeira, afrouxou a gravata, abriu a geladeira e pegou uma garrafa de vinho que já estava aberta. Foi até o armário e pegou uma taça para servir-se. Antes de sentar-se mostrou a taça de vinho a Sra. Bishop para oferecer-lhe um pouco, o que ela recusou também sem dizer uma palavra.
Ele sentou-se a mesa e perguntou com voz cansada:
- Onde está Astória?
- A última vez que a vi, ela estava na sala branca, senhor. E a Sra. Granger ligou para o senhor, pediu assim que o senhor chegasse ligasse para ela.
- Obrigada, Sra. Bishop e depois quando terminar seu chá, a senhora já pode se recolher, não vou querer jantar e se Astória quiser alguma coisa, ela mesma providenciará.
- Obrigada.
Draco pegou o celular do bolso de seu paletó, pensando o que à mãe de Hermione gostaria de falar com ele. Discou o número e esperou ansioso alguém atender.
Depois de três toques a própria Sra. Joyce atendeu:
- Draco? – a voz dela estava ansiosa.
- Oi, tia Joyce, tudo bem com a senhora? Algum problema?
- Tudo bem, querido, nenhum problema. Ela hesitou por instantes e continuou – parabéns pelo seu noivado, filho, fico muito feliz por você ter encontrado a mulher certa para você, já estava na hora, não é mesmo?
- Obrigado, tia. – Draco jamais admitiria para ninguém, que Astória talvez não fosse realmente a mulher certa.
Ele percebeu que Joyce tinha algo mais para dizer, esperou alguns segundos, então ela perguntou:
- Hermione está em Dallas, você já a viu?
- Sim, almoçamos juntos. Eu, Luna e minha noiva.
- Ela já conheceu sua noiva? Isso é bom, muito bom...
Draco achou estranho o jeito de falar da Sra. Granger. Será que ela sabia de alguma coisa? Deus! Será que ela sabia... daquele... daquilo?
- Tia, a senhora não me parece bem, o que há?
- Ah, querido, é tão difícil para eu falar sobre isso, afinal Hermione é minha filha e você é como um filho também para mim... Eu sei que não devo me meter na vida de duas pessoas adultas, mas... acho que agora que você está noivo, eu possa ficar mais tranqüila...
- Tia, do que a senhora está falando? Hermione chegou bem, ela está bem, não está?
- Sim, bem até demais... Eu vou ser franca com você, filho, afinal você conhece Hermione desde que ela nasceu. Você sabe que quando ela põe uma coisa na cabeça, ninguém consegue remove-la, pois bem, querido, ah, como isso é difícil, mas... bem, ela acha que ama você e foi até aí para destruir seu noivado com essa moça.
- Tia, isso é um absurdo, Hermione, sempre foi como uma irmã para mim e ela sabe disso – Draco mentia muito bem quando precisava, a única coisa que conseguia pensar era que seus maiores temores eram reais, Mione ainda o amava depois de todo aquele tempo e estava disposta a tudo para conquistá-lo e a confirmação vinha de sua própria mãe. É, realmente ele estava perdido.
- Sim, eu sei que você se sente assim, em relação a ela...
Mal sabe a senhora como me sinto, pensou Draco.
- Mas eu gostaria, mesmo assim, de lhe pedir um favor. Hermione é uma mulher linda, atraente... e você um homem saudável e bem, não muito recatado.
Draco riu com a maneira gentil de sua tia dizer-lhe que o achava um pervertido.
Joyce continuou:
- Por favor, Draco, não dê esperanças a ela, não se deixe seduzir... não transforme minha filha em mais uma de sua lista.
Nossa essa foi pesada.
- Tia Joyce, eu...
- Eu posso até estar sendo injusta com você, mas seu passado o condena, não em relação à Hermione é claro, mas... Você é um homem experiente, não são somente nos quinze anos que os separam, mas também nessa vasta experiência.
Apesar de Draco saber que Joyce estava certa, aquele ar de “você não serve para minha adorada filha” não o agradou em absoluto. E acabou sendo rude:
- Resumindo, tia Joyce: “mantenha suas mãos longe da minha filha, você não é o homem certo para ela”. Pode ficar em paz, tia, Hermione está a salvo.
- Draco, eu não quis ofendê-lo...
- Não, tudo bem, a senhora mesma disse, meu passado me condena, não é mesmo? Qual a mãe que me gostaria como genro? Tenho sorte, pois Astória é órfã, assim não tenho que me preocupar, não é?
- Me desculpe filho, tenha uma boa noite.
A Sra. Granger desligou sem ao menos deixar Draco responder.
Quando ele iria parar de agir como uma criança quando o assunto era Hermione? Ele havia sido mal educado, ele sabia disso, mas toda aquela conversa o deixara nervoso.
Ele sabia que não era o homem certo para Hermione, ninguém precisava ficar esfregando isso em sua cara. Afinal, o que ele sentia por Hermione era puro e simples desejo e eles estavam realmente anos-luz de distância, não somente na idade, como sua tia Joyce dissera, mas em vivência. Hermione precisava conhecer um rapaz de sua idade, que não tivesse um coração calejado e não possuísse uma lista de mulheres em seu currículo.
Deus, ele sabia de tudo isso, mas como aceitar que Hermione não podia ser sua? Como imaginar um outro homem que não fosse ele, tocando-a?
Nesse instante o seu celular vibrou, olhou para o identificador de chamadas era o celular de seu pai, problemas na empresa, era só o que faltava para completar o seu dia:
- Olá, papai, tudo bem?
- Boa-tarde filho. Já em casa?
Apesar de se sentir estressado e cansado como nunca se sentia, ouvir a voz de seu pai sempre era muito bom. Seu pai, um homem vigoroso de 58 anos, sempre fora seu herói, mentor, inspirador. Era um homem forte, forjado no trabalho duro do campo, na terra seca do Texas. Era um homem que acreditava nas tradições, no amor a família, na honestidade nos negócios e na importância dos amigos. Era um homem franco até demais, dando a impressão para as pessoas que não o conheciam, que era um homem rude, severo, quando na verdade era um homem com um grande coração, por isso e por outras qualidades e defeitos, era sempre bom conversar com ele:
- Sim, decidi vir mais cedo. Ainda estou com o fuso horário de Londres na cabeça e não estava me sentindo disposto para continuar no escritório. Tenho certeza que depois que tiver uma boa noite de sono, estarei inteiro novamente.
- Claro filho, não liguei para você poder se justificar. É um assunto um pouco mais delicado do que isso.
Ah, não, não seu pai...
Será que as pessoas não notavam que ele já era um homem feito, que coisa era essa agora dos outros se intrometerem em sua vida daquela maneira?
- Pelo silêncio devo imaginar que você deva saber do que se trata, não é mesmo?
- Creio que sim, recebi uma ligação estranha de tia Joyce.
- Ah, então ela se adiantou. Chegou a pedir para sua mãe para que eu falasse com você. Então, eu vou lhe pedir, mesmo sem achar necessário, afinal você não é mais um moleque. Apesar de eu achar que você estivesse se comportando como um adolescente com os hormônios em ebulição nesses últimos anos, mas agora apesar de achar que você está se precipitando com essa inglesa, parece que você irá se assentar.
- Pai, eu...
- Eu ainda não acabei Draco, já que estamos tendo essa conversa, eu gostaria que você soubesse que não me orgulhei muito do seu comportamento nesses últimos anos, mas eu sou só seu pai e não podia me intrometer em sua vida. Você conquistou um harém de causar inveja a qualquer sultão, nunca era visto duas vezes com a mesma mulher e o povo fala, filho. Para alguns, você foi um herói, mas para outros, você estava se comportando como um devasso. Tive medo que na hora que você decidisse se casar, não conseguisse achar uma moça que o aceitasse como marido, devido sua fama. E agora essa sua fama, lhe arranjou um problema, sua tia e sua mãe têm medo que você sucumba ao charme de Hermione e depois a magoe, pois de acordo com a mãe dela, você é a obsessão dessa menina desde que ela usava fraldas.
Draco ouvia o pai e apertava os olhos com os dedos, ele realmente estava cansado e jamais imaginou que seu pai soubesse de suas “conquistas”, não que achava que tivesse feito algo vergonhoso, afinal as mulheres consentiam em sair com ele, ele nunca obrigara ninguém, mas ouvir o pai pela primeira vez dar a sua opinião sobre o assunto não o estava agradando, fazia-o sentir-se como realmente um adolescente pego com uma revista masculina no banheiro.
- Pai! Eu já entendi, tia Joyce foi bem explícita, para que eu fique longe de Hermione, mas é Mione, lembra...
- Eu sei, eu sei, mas você já a viu, não viu? Ela está... crescida e ela se transformou numa mulher que todo homem vem a desejar para si um dia...
- Eu juro que não estou ouvindo isso, eu não vou ouvir... – Draco não sabia se sentia enojado, ou possesso.
- Está bem, mas filho, fique longe de Hermione. Não quero que a machuque, ela não é como as mulheres daí, ela não é uma mulher que você poderá descartar. E eu não vou perder uma amizade de uma vida inteira, porque você não soube controlar seus hormônios.
- Como você mesmo disse, não sou mais um moleque, eu estou com 35 anos de idade, sou quase um idoso – a voz de Draco tornara-se amarga – agora eu preciso desligar, pai, preciso descansar, amanhã tenho que exercer a minha função de presidente de umas das maiores exploradoras de petróleo dos Estados Unidos e que por acaso cuido desde que tinha 23 anos.
- Já entendi, filho, sei que você está se sentindo ofendido, mas eu precisava falar, apesar de saber que a muito tempo é um homem, para mim, assim como para todos os pais, os filhos nunca crescem. Só mais uma coisa: você tem certeza sobre esse seu casamento, você conhece a moça há tão pouco tempo, não seria mais pru...
- Pai, não, por favor, não hoje. Terei o maior prazer de discutir esse assunto com você outra hora, mas não hoje.
- Tudo bem, boa-noite, Draco...
Draco hesitou por um instante e então falou:
- Pai e se eu... e se o que eu sentisse em relação à Mione...
- Filho, deixe-a em paz, você é mais velho que ela, mais experiente. Hermione precisa de um rapaz da idade dela, vocês foram criados como irmãos, seria até mesmo estranho se vocês ficassem juntos. E eu não quero confusão na nossa família...
- Boa-noite, pai!
Dessa vez foi Draco que desligou sem esperar resposta, precisava livrar seu corpo, sua mente, sua alma e tudo que mais que estava impregnado com Hermione. A família dela não o aprovava, o pai pedira para afastar-se, esquecer, relevar, deixar em paz, esses seriam seus lemas em relação à Hermione de agora em diante.
Draco levantou-se resoluto, levando sua taça de vinho, foi em direção à sala branca, que na verdade era a sala de música, chamada assim por ser toda branca.
Ao canto dessa sala, próximo a portas francesas que levavam a uma varanda, havia um piano de calda branco, ao lado do piano havia dois violões brancos em seus suportes. Num armário, branco, do lado esquerdo havia um violino numa caixa de madeira aberta. Ali também havia uma lareira em mármore branco, com anjos em jade adornando o aparador, ao lado da lareira um espelho do chão ao teto com uma moldura dourada, em frente à lareira havia um conjunto de sofás de dois lugares brancos de couro e várias almofadas em tons de verde. Entre os sofás um tapete alto branco e macio cobria o chão de madeira, também branco.
Sentada em um dos sofás estava Astória, olhando para fora admirando por certo a maravilhosa vista. Estava descalça com as pernas sobre o sofá. Usava uma calça pantalona de tecido quase transparente de cor azul, com um top justo também azul. Draco admirou sua beleza, sem que ela notasse e também constatou sua total falta de interesse por essa beleza.
Tinha que se interessar! Ela era linda!
Aproximou-se devagar para não assustá-la e sentou-se a seu lado:
- Ah, querido, que surpresa. Achei que chegaria mais tarde.
Ela aproximou-se de Draco e tocou de leve seus lábios. Draco abaixou a taça até o chão e aprofundou o beijo. Sentiu Astória render-se a ele. Ela passou os braços por seu pescoço, aproximando mais o contato de seus corpos. Ele levantou a mão e acariciou o seio de Astória sobre o top, continuou beijando-a, provocando-a, chegou a ouvi-la soltar um pequeno gemido, o que era uma novidade, mas infelizmente nada, nada aconteceu com ele. A única coisa que pensava era que Astória, não era Hermione.
Droga, droga, droga!
Ele afastou-se rapidamente de Astória, levantando-se do sofá, apertando os olhos com a mão. Pensando que aquilo não era certo, não era certo enganar a mulher bela e meiga que estava diante dele. Ouviu Astória perguntar:
- Qual o problema, Draco? Eu fiz algo errado?
Ele sentou-se ao lado dela, vendo a tristeza em seus olhos, mentiu:
- Claro que você não fez nada de errado, é que a Sra. Bishop ainda não se recolheu e não quero que ela nos pegue fazendo amor no sofá, não é mesmo?
Astória sentiu que ele mentia, mas não disse nada. Ela notara no restaurante que Draco mal conseguia tirar os olhos de Hermione, ao contrário do que imaginou não viu em nenhum momento a moça flertar com ele abertamente. O maior problema para Astória estava justamente aí, Hermione tinha um charme natural, não precisava se esforçar para seduzir. Mas ela tinha que fazer alguma coisa, não podia perder seu arco-íris com o pote de ouro no final. Nem que tivesse que seduzir Draco, interpretando o papel de sedutora fatal! Não o perderia para uma menina rancheira!
Draco pensava que como ficar diante de Hermione apenas por duas horas, poderia tê-lo afetado tanto? Já havia feito amor com mulheres antes, mesmo quando não sentia toda aquela vontade, mas agora, não conseguia ficar excitado, não conseguia imaginar fazer amor com Astória, pois sabia que quando a tocasse sua mente o levaria até Hermione.
Isso era loucura! Não, não era loucura, era aquela velha obsessão pelo o que não podemos ter. O gosto pelo proibido, não tinha outra explicação.
Deus, eu preciso levar minha vida adiante, não posso viver mais em função de algo que aconteceu há cinco anos, com uma menina que podia ser minha irmã mais nova. Ficar pensando em uma mulher que a própria mãe acha que não sirvo para ela..
Sem Draco estar preparado, Astória agarrou-se a ele, lhe deu um beijo de tirar o fôlego e disse num sussurro rouco:
- Mande a Sra. Bishop se recolher, estarei te esperando no quarto.
E saiu da sala desfilando.
Draco já não entendia mais nada. Quem era aquela mulher que o beijara de forma apaixonada? Astória não era assim. E ele não queria que ela fosse assim, não hoje, não agora, não com todos esses pensamentos confusos em sua cabeça.
Ele foi para a cozinha, não para dispensar a Sra. Bishop que já se recolhera a seus aposentos, mas tomar o resto do vinho que estava na geladeira, quem sabe assim estaria embriagado o suficiente quando fosse para o quarto. Tirou o vinho da geladeira e tomou grandes goles da garrafa, sentiu o liquido queimar sua garganta e seu estômago vazio, pois sua última refeição havia sido o almoço. Sabia que em pouco tempo ele estaria fazendo efeito, pois Draco não era um grande bebedor, a última vez que ficara bêbado fora...
Ah, não! De novo Hermione...
Tomou o resto do vinho. E de um nicho no armário da cozinha, pegou outra garrafa, abriu-a e sem pensar tomou mais meia garrafa do gargalo e sentiu que a bebida começava a fazer o seu milagre, já estava se sentindo mais corajoso, mais leve, com seus pensamentos mais anuviados.
Saiu da cozinha, passou pela grande sala de jantar, levando consigo a garrafa de vinho, bebendo um gole a cada passo, seguiu e passou em frente à sala branca, entrou no corredor decorado com fotos dele com a família em molduras douradas, passou em frente à biblioteca e também seu escritório, a porta de um banheiro e entrou na próxima porta, onde era a suíte principal, o seu quarto.
As cortinas estavam fechadas, a única luz acesa, era a do abajur ao lado da cama, ele conseguiu ver Astória deitada na grande cama King size, seu corpo já nu, branco, contrastando com o edredom negro.
Entrou, já meio cambaleante, fechou a porta, pensando com ironia que dessa vez era ele que seria usado, como tantas vezes usara as mulheres nesses últimos cinco anos.