Capítulo 38
“IMPÉRIO!”
Aconteceu tão rápido que Ron nem mesmo teve tempo de reagir. Num segundo ele estava seguindo Hermione para dentro da sala de Defesa Contra as Artes das Trevas e a próxima coisa que ele soube, a porta tinha recuado e se fechado por vontade própria, uma conhecida voz masculina gritou um feitiço proibido, e a maldição imperdoável atingiu Hermione bem no peito. Ele nem mesmo teve tempo de tentar retirá-la rapidamente do caminho. Até Ron registrar realmente o que a palavra significava, já era muito tarde.
Sem saber ao certo o que estava acontecendo, Ron fez a primeira coisa que passou por sua cabeça, agarrou Hermione pelo braço, lançou as costas dela contra a porta fechada, e posicionou-se entre ela e seus atacantes enquanto puxava sua própria varinha. Infelizmente para Ron, seu assaltante não trabalhava sozinho.
“Expelliarmus!” uma voz feminina exclamou do outro lado da sala no instante que a varinha de Ron deixou seu bolso. “Tut, tut,” Tonks repreendeu ao emergir das sombras à sua esquerda segurando a varinha dele em sua mão. “Eu acho que alguém precisa praticar Feitiços Escudo um pouco mais,” adicionou, exibindo ostensivamente a varinha de Ron pelo ar antes de enfiá-la no bolso de trás.
“QUE DIABOS ESTÁ...,” Ron começou a gritar, só para descobrir que o restante de sua reclamação tinha sido interrompida.
“Silencio,” Olho-Tonto Moody disse casualmente enquanto aparecia à direita de Ron.
Incapaz de falar, tudo que Ron pode fazer foi estreitar seus olhos e encarar o deformado ex-Auror que mantinha-o preso na mira de sua varinha. O que diabos está acontecendo, ele pensou, tentando entender a situação. Você está fechado numa sala com dois Aurores que acabaram de atacar você, isso é o que está acontecendo, respondeu a si mesmo. Mas por quê? Talvez não sejam realmente eles. Talvez sejam Comensais da Morte disfarçados pela poção Polissuco. Isso é mau. MUITO, MUITO mau.
“Eu irei tomar sua varinha agora, Granger,” Moody falou, estendendo sua mão livre à sua frente para que ela colocasse sua varinha ali.
Não, Ron gritou internamente quando ele sentiu o movimento dela atrás de si. Você não pode. No instante que ela ela passou por detrás dele e tentou seguir adiante, Ron envolveu seus dois braços em volta dos ombros dela e dominou-a fisicamente. Ele não podia deixá-la entregar sua varinha ao Moody. Ele tinha que retirar isso dela ele mesmo. Aquela varinha era a única chance que eles tinham.
“Agora espere só um minuto,” Tonks falou a Moody enquanto protegia a sala com um nodular de sua varinha. “Nós apenas começamos e você já está tentando mudar as regras. Ninguém irá escutar alguma coisa agora.”
“Certo,” Moody resmungou, levantando seu braço e apontando sua varinha para os dois Gryfinórios.
Oh merda, Ron pensou, arrastando Hermione, que ainda estava lutando para libertar-se, pelo chão, girando até que eles ficaram encarando a porta, e dando forças à si mesmo por qualquer maldição que Moody fosse atingi-lo.
“Finite Incantatum.”
Ron sentiu o feitiço acertá-lo bem no meio entre um ombro e outro antes das palavras e o seu sentido verdadeiramente perpassou-o. “Que diabos está acontecendo?” ele murmurou, agora mais confuso do que nunca.
“Satisfeita?” Olho-Tonto perguntou à Tonks, que balançou sua cabeça. “Agora então, Granger. Por que você não me dá sua varinha?”
“NÃO!” Ron gritou, enquanto Hermione continuava a lutar com ele, tentando se libertar para poder satisfazer o pedido de Moody.
“ME DÊ ISSO!” Moody vociferou. “AGORA!”
“Não, Hermione,” Ron apelou quando ela momentaneamente se soltou tentou se aproximar de Moody novamente. Ela conseguiu dar dois passos antes de Ron agarrar-se em seu braço e a puxasse de volta contra ele.
“Vamos lá,” Tonks ordenou, apontando sua varinha para Ron.
Ele mal teve tempo para olhar para ela e pensar, Para o inferno, antes da varinha dela passasse repentinamente para Hermione. Uma leve chicotada do pulso de Tonks foi tudo que aconteceu. Ron não tinha idéia do que ela tinha feito, mas a descarga elétrica que passou do braço de Hermione para suas mãos forçou-o a largá-la.
“Esse tem um problema para seguir ordens,” Tonks disse, apontando para Ron com sua varinha ao se dirigir a Moody. “Eu acho que você devia pedir para ela azará-lo agora,” adicionou casualmente.
Ela quem? Ron pensou seus olhos azuis arregalando enquanto ele sentia o pânico que tinha estado tentando manter sob controle enfiando suas garras em seu estômago. A única mulher Comensal da Morte que ele realmente tinha conhecimento era Bellatrix Lestrange. Mas eles não podiam estar falando dela. Deveria ser de alguma outra pessoa. Não podia ser Tonks, ou quem quer que estivesse se passando por Tonks, porque tinha sido ela que fizera o comentário em primeiro lugar. A única outra “ela” na sala era... Hermione. “Você não pode,” Ron falou, sem realmente perceber isso. “Ela não.”
O inferno que ela não, uma pequena voz gritou dentro da cabeça de Ron. Ela esá sob o controle deles, lembra? Porra! Eu não posso lutar com Hermione. Não assim. Ela nem mesmo sabe o que está fazendo. Mas você não pode ficar ai parado e deixá-la te azarar também. PORRA!
“Não ainda,” Moody respondeu, seus dois olhos grudados em Ron, verificando todos os seus movimentos. “Eu quero ver como esse joguinho irá acabar primeiro. Então agora, Granger,” ele rosnou, seu olho mágico rodando na órbita antes de focalizar Hermione mais uma vez. “Me dê sua varinha.”
“NÃO FAÇA ISSO!” Ron gritou em horror enquanto observava Hermione enfiar as mãos em suas vestes e puxar para for a sua varinha. “Hermione, você não pode.”
“ENTREGUE ISSO, GRANGER!”
“NÃO!” Ron exclamou, dando um bote para frente e agarrando os ombros dela.
“Locomotor Mortis,” Tonks disse, apontando sua varinha para as pernas de Ron, que instantaneamente se juntaram com um estalo. Se ele não estivesse segurando nos ombros de Hermione quando o Feitiço da Perna-presa atingiu-o, ele teria caido de cara. Como estava assim, ele se desequilibrou um pouco, e teve que agitar os braços, mas conseguiu se manter em pé.
“Tentando agarrá-la pelas costas não irá ajudá-la,” Tonks explicou para Ron. “Se eu fosse você, continuaria tentando segurá-la aqui,” adicionou, batendo em sua testa com sua própria varinha.
“Você precisa seriamente de algumas lições de segurança com varinhas, menina,” Olho-Tonto Moody ralhou, seu olho mágico rodando em sua órbita.
“Me poupe da lição, ‘tá bom?” Tonks retorquiu. “Eu ainda tenho minha bunda e minha cabeça, muito obrigada.”
Isso não pode ser real, Ron pensou, olhando pasmo para a dupla de Aurores à sua frente em descrença. Isso é um pesadelo. Só pode ser. Eu continuo adormecido no Salão Comunal esperando por Hermione e isso é somente um sonho ruim. Só acorde. Acorde.
“Eu estou cansado de esperar, Granger,” Moody rosnou. “Você tem cerca de cinco segundos para entregar essa varinha antes que eu fique realmente com raiva.”
“HERMIONE! NÃO!” Ron gritou, incapaz de manter o pânico fora de sua voz quando ele a viu estendendo a varinha para Moody poder pegar. “Não dê isso a ele. Dê para mim.”
“Garota resistente,” Tonks murmurou entre os dentes ao perceber o punho de Hermione contrair-se em volta da varinha.
“DÊ ISSO PARA MIM!” A voz de Moody ribombou.
“NÃO!!” Ron guinchou, tão ocupado em tentar pará-la que não notou que o braço dela começou a tremer.
“O que é isso?” Moody perguntou com um sorriso malicioso. “Você está tentado me dizer alguma coisa, Granger?”
“Não,” Hermione disse debilmente enquanto seus olhos começavam a clarear.
“Excelente,” Moody falou com um largo sorriso que fez o sangue de Ron correr gelado. “É melhor você prestar atenção Weasley, porque você será o próximo.”
“Próximo a que?” Hermione perguntou, olhando para Olho-Tonto e então focalizando Tonks que ainda estava com sua varinha apontada para Ron. “O que está acontecendo aqui?” ela inquiriu, dando dois passos para trás e erguendo sua varinha para posição de defesa enquanto parava na frente de Ron.
Os dois adultos olharam um para o outro, mas nenhum deles respondeu.
“PROTEGO!” Hermione gritou, lançando um Feitiço escudo no instante que viu Tonks se mover. Mesmo antes do feitiço colocar uma barreira invisível para desviar outros feitiços Hermione percebeu que eles não estavam amaldiçoados nem nada. “Alguém poderia por favor me dizer o que está acontecendo aqui,” ela falou, agora mais confusa ainda. Tonks estava tentando liberar Ron do Feitiço da Perna-presa. A questão era quem havia azarado quem à princípio?
“Você pôde ouvi-lo, não foi?” Tonks perguntou, abaixando sua varinha devagar. “Quando Olho-Tonto estava pedindo por sua varinha. Você podia ouvir Ron, não é?”
“O que?” Hermione pensou alto. Nada daquilo fazia sentido e ao mesmo tempo, fazia.
Alguém pediu por sua varinha e ela quis dá-la a ele. Ela tentou fazer isso, mas não foi capaz. Outra pessoa segurou-a. E Tonks estava certa, tinha havido outra voz; uma voz que ultrapassou a névoa em sua mente como uma faca. Mas não tinha sido a voz em si ou a familiaridade com ela que prendeu sua atenção. Foi o tom. Foi o pânico e o desespero que fê-la parar e escutar. Ela queria fazer o que a primeira voz comandou, mas não se isso fosse ferir alguém. Foi isso que levou-a a começar a se questionar. Foi quando começou a lutar com seu próprio desejo de cumprir o que foi ordenado. Tonks estava certa, ela tinha escutado-o. A outra voz pertencia a Ron. Sua voz tinha sido o fio condutor que ela usou para sair. Mas sair de que?
“Cuidado,” Moody advertiu, seus dois olhos apontados para o par de grifinórios enquanto ele falava.
“Certo,” Tonks concordou seguindo a orientação de Moody e abaixando sua varinha completamente. Ela tinha se adiantado. Bill tinha avisado a eles que Hermione tinha estado estudado alguns feitiços de evasão durante o verão. Não era hora de se tornar descuidada. Se Hermione se sentisse acuada ai não saberiam dizer o que ela poderia lançar contra eles. Seria melhor explicar primeiro e depois fazer as perguntas.
“Eu acredito que você deseje uma explicação agora,” Olho-Tonto falou, deslizando para trás da mesa de Tonks e parecendo considerar demais sobre o que iria falar.
“Você pode apostar que eu quero,” Ron dardejou.
“Tudo bem,” Tonks disse, deixando sua própria varinha sobre uma das carteiras, e então tirando a de Ron de dentro de seu bolso e movendo na direção dele com sua mão vazia. “Eu só vou devolver isso para ele,” ela falou para Hermione quando segurou a varinha de Ron no ar para os dois poderem ver. “Ele pode tirar o feitiço por si mesmo.”
“O que aconteceu?” Hermione perguntou, olhando os dois adultos apreensivamente enquanto Ron apanhava sua varinha. “Quem fez isso com você?”
“Você quer saber o que aconteceu?” Ron rosnou depois de ter tirado a azaração que mantinha suas pernas presas. “EU VOU TE DIZER O QUE DIABOS ACONTECEU! ELE LANÇOU UMA PORRA DE UMA MALDIÇÃO EM VOCÊ!” ele rugiu, apontando para Moody em ultraje. “ACERTOU VOCÊ POR TRÁS COM UMA MALDITA MALDIÇÃO IMPERDOÁVEL TÃO LOGO VOCÊ PASSOU PELA PORTA!”
“A maldição Império?” Hermione perguntou. Isso explica o misterioso sentimento de calma e porque eu estava tão disposta a entregar minha varinha. Controle mental. Eu deveria ter percebido.
“QUE DIABOS FOI ISSO?” Ron gritou em plenos pulmões, ignorando inteiramente a pergunta de Hermione. “ALGUM TIPO DE LIÇÃO DISTORCIDA SOBRE O VALOR DA VIGILÂNCIA CONSTANTE?”
“Se nós fossemos Comensais da Morte vocês dois estariam mortos,” Moody replicou, aparentemente indiferente à raiva direcionada a ele.
“Nós estariamos todos mortos então, não é?” Ron grunhiu. “Porque isso significaria que Voldemort e seu bando de seguidores doidos estariam dentro do maldito castelo, o que significaria que eles teraim batido Dumbledore.”
“Não necessariamente,” Moody respondeu com calma.
“Olho-Tonto,” Tonks interrompeu, “Eu acho que você está saindo um pouco do rumo da lição do que era suposto estarmos ensinando.”
“VOCÊ PODE PEGAR SUA MALDITA LIÇÃO E ENFIÁ-LA NO CÚ!”
“RON!” Hermione guinchou em horror, seus olhos profundamente castanhos do tamanho de pires. “Tonks é uma professora.”
“Não por muito tempo,” ele retorquiu furioso. “Eles usaram uma merda de uma maldição imperdoável em você.”
“Mas...,” Hermione começou a protestar e então parou rapidamente. Francamente, ela não sabia realmente o que dizer, ou como ela deveria se sentir. De um lado, Tonks era uma professora. Não só isso, ela era um membro da Ordem e Hermione tinha começado a pensar nela como uma amiga. Mas se o que Ron estava dizendo era verdade, e estava óbvio que era, então sua amiga e professora tinha armado uma emboscada para ela. E depois de ter incapacitado-a, eles aparentemente atacaram Ron.
“Nós tinhamos que fazer isso desse jeito,” Tonks explicou, direcionando seus comentários para Hermione assim que percebeu o ruivo ficando ao lado dela. “Não teria funcionado se você tivesse sido avisada antes. Se soubesse o que nós iríamos fazer você teria aquelas partições prontas antes mesmo que passasse pela porta. Um ataque surpresa era o único modo de garantir que você estaria sob a completa influência do feitiço. Esse foi o único jeito de ter certeza que você iria se livrar de uma versão poderosa do feitiço.”
“Foi por isso?” Hermione perguntou incerta. “Vocês estavam tentando nos ensinar a sair da Maldição Império?”
“Aposto que as partições estão prontas com toda sua força, não estão?” Olho-Tonto perguntou, estudando a jovem parada à sua frente com atenção. “Se eu tivesse atingido você novamente, você poderia ter se livrado por conta própria, não poderia? Não precisaria do Weasley tirar você dessa. Estou curioso,” ele disse, voltando seu olho mágico para Ron que ainda estava encarando-o. “Como você sabia que podia funcionar?”
“Eu não sei do que vocês estão falando,” Ron rosnou.
“Falar com ela,” Tonks explicou. “Dizer a ela para fazer o oposto do que Olho-Tonto estava pedindo. Forçá-la a decidir qual de vocês dois ela iria escutar. O que foi uma aposta arriscada. Se nós fossemos Comensais da Morte nós poderíamos ter calado você.”
“E não teria sido com um Feitiço Silenciador,” Olho-Tonto cortou.
“É claro que representou modificar as regras um pouco,” Tonks lembrou ao seu colega.
“E uma azaração da Perna Presa não é?” Moody murmurou.
“Você sabe tão bem quanto eu que tê-lo impedindo-a fisicamente não iria ajudar.”
“Então Weasley,” Olho-Tonto perguntou, “por que prosseguir com toda essa chatice? Por que simplesmente não tomou a varinha da mão dela e acabou você mesmo com o problema?”
“Porque eu não pensei nisso,” Ron replicou, batendo-se mentalmente na cabeça por sua própria estupidez. É claro que eu devia ter tirado a varinha dela. Ela estava tão fora de si que nem mesmo iria perceber. Mas eu tinha que tentar argumentar com ela como um maldito idiota.
“Por sorte, seu risco foi pago,” Tonks declarou.
“Mas isso custou a você um tempo precioso,” Moody interviu.
“Tranquilo,” Tonks argumentou, “não foi ruim para uma primeira tentativa. Especialmente quando você considera o fato que eles não tinham idéia do que estava acontecendo,” ela adicionou quando Moody grunhiu como se não concordasse com a avaliação dela.
“Bem, eles sabem agora,” ele replicou, seus dois olhos presos em Ron, “então já podemos seguir com isso,” adicionou, agarrando sua varinha e apontando-a para o ruivo alto.
“Espere aí um minuto,” Tonks interrompeu antes que Moody pudesse lançar a azaração. “Isso irá mais rápido se você explicar para ele o que fazer primeiro.”
“Eu pensei que isso era um tanto óbvio,” Olho-Tonto zombou. “Mas só para ficar claro, eu quero ver você se livrar da maldição,” ele falou para Ron, objetivamente, enquanto apontava para seu peito.
“Oh pelo amor de Merlin. Foi assim que ensinaram a você quando estava no treinamento de Aurores?”
“Eles sabem a teoria,” Moody grunhiu com irritação. “Eles estudaram no quarto ano deles.”
“Existe uma diferença entre teoria e prática e você sabe disso,” Tonks argumentou. “O que funciona para um não necessariamente funcionará com outro.”
“Pare de tagalerar comigo então,” ele resmungou, abaixando sua varinha, “e comece a resolver a situação.”
“Um dia desses, Olho-Tonto,” Tonks ameaçou despreocupadamente, “Eu vou acertar você com um feitiço animador, só pra ver o que isso faz com a sua disposição.”
“Eu adoraria ver você tentar.”
Bom deus, Hermione pensou ao observar a cena que desenrolava à sua frente. Era como uma versão mágica, má interpretada de um drama policial trouxa com Tonks atuando como o policial bom e Moody como o policial mau. Era tão absurdo que chegava a ser ridículo.
“Certo Ron,” Tonks falou, “Eu já sei que você tem um problema de questionar autoridades e isso irá funcionar ao seu favor. Isso presume um forte desejo de se livrar da Maldição Imperius, mas sua familia inteira foi bem sucedida, então eu sei que você está a altura da tarefa. O que você precisa fazer é descobrir um meio de sair da sintonia do Olho-Tonto quando ele começar a fazer exigências. É claro que isso será um pouco mais difícil do que parece, porque você irá querer obedecê-lo. Isso é o objetivo da maldição afinal. Ninguém espera que você seja capaz de fazer isso por conta própria, especialmente em sua primeira tentativa. Isso é algo que você tem que desenvolver. Nós iremos começar devagar para você poder se habituar com as sensações e partir dai. Só faça o melhor que puder para conseguir se livrar.”
“Sim, certo,” Ron respondeu sarcasticamente. “Eu irei fazer isso então.”
“Você confia em mim, Weasley?” Olho-Tonto perguntou.
“Não.”
“Bom,” Moody replicou com uma risada. “Você confia nela?” ele perguntou, apontando para Hermione. “Certo então,” continuou quando Ron balançou a cabeça. “Use isso. Use-a para sair do mesmo jeito que ela usou você. Ela é a pessoa que você confia, então ela será aquela que você deverá escutar. Isso é tudo que você precisa agora. Pronto?” ele perguntou, agarrando sua varinha e apontando-a para o peito do jovem rapaz.
“Espere,” Ron exclamou, colocando seus braços em frente de si. “E se eu não conseguir?”
“Não conseguir não é uma opção aqui, Weasley. Você pode e deve aprender como fazer isso,” o excêntrico ex-Auror insistiu.
“Isso é algo que você terá que aprender pelo bem de Harry e também pelo seu próprio,” Tonks explicou. “Você é muito próximo a ele para não fazê-lo. Eles podem tentar pegá-lo através de você, então nós temos que ter certeza que eles não podem controlá-lo. Nenhum de vocês dois,” ela emendou, seus brilhantes olhos azuis caindo sobre Hermione.
“Pronto?”
“Não.”
“Você pode fazer isso,” Hermione falou suavemente voltando até ele. “Você é muito teimoso pra ser controlado. Você questiona tudo que eu digo. De fato é a mesma coisa,” ela contou a ele. “No lugar de me questionar, questione ele."
“Ela está certa,” Tonks assegurou-o. “Tudo que você tem que fazer é questionar qualquer coisa que Olho-Tonto disser para você fazer. Uma vez que aprenda a fazer isso, você pode decidir se isso é o que você quer fazer ou não. Quando você tiver alguma prática, chegará ao ponto de reconhecer a maldição pelo jeito que ela faz você se sentir e você estará condicionado a questionar automaticamente qualquer coisa que alguém disser a você enquanto estiver nesse estado. Não esta noite é claro. Essa noite somente aprenda a reconhecer as sensações produzidas pela maldição e tente encontrar um meio de se livrar de Olho-Tonto.”
“IMPERIO!” Moody gritou, antes que Ron tivesse a chance de se opor novamente.
“Mantenha isso simples,” Tonks suspirou ao ver o rosto de Ron ficar frouxo.
“Depois do truque que ele me aplicou no trem, ele tem sorte de eu não deixá-lo com as roupas de baixo pulando pelo Salão Principal.”
“Exceto pelo fato de que ninguém deve saber que nós estamos ensinando-os sobre isso.”
“Sim, sim. Sente-se Weasley,” Moody ordenou, fazendo com que Ron imediatamente caisse sentado no chão. “Não ai, seu idiota. Levante-se e então vá se sentar naquela cadeira,” ele disse, apontando o lugar atrás da mesa de Tonks.
“Tente falar com ele,” Tonks falou a Hermione ao verem Ron andar e sentar na cadeira dela.
“O que eu digo?” Hermione perguntou.
“Levante-se, Weasley,” Olho-Tonto ordenou.
“Diga a ele para se sentar,” Tonks sugeriu.
“Ron, você pode me ouvir?” Hermione perguntou, se sentindo um tanto tola. “Se você pode me escutar, sente-se.”
Se ele estava escutando-a, ele não respondeu. Ele simplesmente continuou ali encarando o espaço com uma expressão vazia.
“Agora o que?” Hermione perguntou.
“Ele não se entregou a você,” a jovem Auror replicou. “Então tente de novo.”
“Ron, você tem que se sentar,” ela falou, mas ainda sem obter resposta.
“Sente-se, Weasley,” Moody vociferou. “Você não está alcançando-o,” ele adicionou enquanto observavam Ron afundar na cadeira. “Não tinha emoção por trás dos seus pedidos. Você deve estar parecendo muito bem uma mosca voando perto de sua orelha de tão bem que está se saindo. Que tal nós tentarmos algo um pouco mais interessante,” Moody perguntou com um sorriso malicioso. “Fique de pé, Weasley. Está vendo esse livro sobre a mesa de Tonks. Sim aquele grandão. Eu quero que você o rasgue.”
“Espere,” Hermione exclamou, quando Ron agarrou o livro encadernado em couro da mesa e abriu-o bruscamente. “PARE! Ron, você não pode.”
“Claro que ele pode,” Moody replicou. “É isso mesmo Weasley. Arranque as páginas.”
“NÃO!” Hermione afligiu-se ao vê-lo segurar com força algumas páginas em sua mão e puxá-las da capa. “RON, PARE! PARE COM ISSO AGORA MESMO!”
“O que você está esperando?” Olho-Tonto grunhiu. “Eu falei para você desfolhar esse livro. Então faça isso. AGORA!”
“NÃO FAÇA ISSO!” Hermione guinchou. “NÃO SE ATREVA!”
“FAÇA!” A voz de Moody trovejou.
“LARGUE ESSE LIVRO AGORA MESMO!” Hermione contrapôs.
“RASGUE-O!”
“LARGUE-O!”
“RASGUE! ELE!”
“RONALD WEASLEY! LARGUE ESSE LIVRO IMEDIATAMENTE!”
“Bem,” Moody bufou quando Ron que tentava arrancar outra mão cheia de páginas justo quando Hermione guinchou com ele e acabou derrubando o livro acidentalmente no chão, “Eu acho que é um começo. Você o confundiu de qualquer modo. Bem, Weasley?” Olho-Tonto perguntou ao suspender o feitiço. “Você podia ouvi-la?”
“Huh?” Ron perguntou, ao começar a sentir a névoa evaporando. “O que eu fiz?” questionou, virando-se para Hermione. “Espere. Não me diga se foi algo humilhante. Eu não quero saber.”
“Você a ouviu?” Tonks perguntou a ele novamente, gesticulando na direção de Hermione enquanto falava.
“Er... Eu acho,” Ron respondeu. “Quase no final,” disse, seu rosto enrubescendo profundamente. “Só que... er... Eu, de certa forma, achei que ela era minha... er... mãe,” admitiu relutantemente. “Desculpe,” ele murmurou, desviando seus olhos do rosto corado de Hermione e focando-os em seus treinadores.
“Você não foi a primeira pessoa que eu ouvi fazendo essa comparação,” Olho-Tonto escarneceu. “Você é um filhinho da mamãe, sabe disso não é Weasley?”
“Eu acho que isso é fofo,” Tonks inseriu.
“Inferno sangrento,” Ron grunhiu, suas orelhas brilhando mais que seu rosto. “Você pode me levar de volta a qualquer momento agora. Eu prefiro ser acertado com uma Imperdoável do que ouvir mais disso.”
“Se você insiste,” Moody retrucou, apontando sua varinha para Ron e colocando-o sobre controle mais uma vez. “O que me diz Tonks? Pronta para começar outro nível?”
“É, tudo bem,” ela concordou, respirando profundamente e balançando as mãos ao lado do corpo antes de levantá-las e segurar uma na outra à sua frente.
“Enfatize o ângulo da mãe,” Moody disse para Hermione ao abaixar a varinha e olhar de relance para ver se Tonks estava realmente pronta. “Eu vou dizer para ele fazer algo que normalmente não faria. Algo contra sua natureza. Isso irá tornar mais fácil para que ele questione o comando e decida não segui-lo,” ele explicou quando Hermione abriu a boca para objetar.
“Ele parece responder melhor à raiva do que à razão,” Tonks cortou-o, “então tente soar como se fosse ficar brava se ele fizer o que Olho-Tonto disser para ele fazer.”
“De qualquer maneira eu não acho que ela terá que fingir,” Moody replicou com um sorriso enviesado. “Ei, Weasley. Eu quero que você ataque Tonks.”
“O QUE!” Hermione gritou horrorizada.
“Eu quero que você tente acertá-la,” Moody continuou como se ela não tivesse falado.
“NÃO!”
“Acerte-a com força,” Olho-Tonto comandou. “Forte o bastante para derrubá-la. E se ela se levantar, eu quero que você golpei-a novamente. Entendeu?”
“Sim,” Ron respondeu indiferente. “Acertá-la. Derrubá-la.”
“Isso mesmo Weasley. Acerte-a. Faça isso. Agora!”
“NÃO!” Hermione guinchou, dando um bote para frente quando ele começou a se mover em direção à Tonks e agarrando as costas de seu casaco. “Não, você não pode. Ron por favor. Não.”
“Não tente argumentar com ele,” Tonks falou para Hermione enquanto esperava pacientemente que Ron fosse até ela, pronta e disposta a se defender caso ele realmente tentasse golpeá-la. “Com raiva. Berre com ele.”
“RONALD WEASLEY!” Hermione gritou ruidosamente. “VOCÊ NÃO BATE EM GAROTAS! VOCÊ É MELHOR QUE ISSO! SUA MÃE FICARÁ HORRORIZADA! EU ESTOU HORRORIZADA! PARE JÁ AI ONDE ESTÁ E DÊ A VOLTA!”
“ACERTE-A!” Moody gritou quando Ron parou de andar.
“OLHE PARA MIM QUANDO EU ESTIVER FALANDO COM VOCÊ!” Hermione berrou.
“BATA NELA AGORA!” Moody ordenou.
“VOCÊ! NÃO! VAI!” Hermione rugiu. “Se você ao menos tocar nela,” ela falou, forçando sua voz a voltar a ficar baixa e ameaçadora. “Eu juro por Deus, você irá se arrepender.”
“Arrepender de que?” Ron perguntou, piscando esfregando seus olhos até que a sala voltasse ao foco. "O que eu fiz? Oh... espere,” disse, quando o pedido de Moody veio flutuando de volta com uma clareza revoltante. “Vocês estão doidos?” perguntou, voltando seu rosto atordoado para Tonks. “E se eu realmente tivesse batido em você?”
“Sem chance,” Tonks respondeu com um sorriso arrogante. “Se você tivesse tentado isso, teria sido você o único a se estatelar no chão, não eu. Mas você não fez, fez? Você se livrou.”
“Eu não bato em garotas,” Ron murmurou num sussurro se estivesse tentando afirmar isso para si mesmo.
“Foi por isso que eu pedi para você fazer,” Olho-Tonto replicou. “Isso foi definitivamente um progresso. Um pouco mais e nós poderemos ser capazes de dar a noite por encerrada. Então qual dos dois quer ir primeiro?”
“Eu vou,” Ron suspirou. “Posso muito bem lidar com isso,” ele adicionou.
“Faminto por um castigo, eh?” Moody perguntou ao conduzir sua varinha para cima. “IMPERIO!”
“EI!” Ron exclamou quando o feitiço atingiu Hermione em vez dele.
“Vejamos se ela ergueu aquelas divisões, não é?” Moody respondeu. “Sem ajuda de você Weasley, ficou claro? Eu quero ver se ela pode sair disso por ela mesma”.
“Uh-hu,” Ron murmurou, enquanto cruzava seus braços em frente ao peito e estreitava seus olhos. Ele ia ficar olhando por hora, mas se Moody pedisse a ela para fazer algo que ela não gostasse, ele iria interferir.
“Ouça, Granger. Eu tenho algumas perguntas para você. Você está me escutando?”
“Sim.”
“Bom. Eu quero que você me conte o que o Weasley queria naquele dia no trem.”
“Qual Weasley?” Hermione perguntou, sua voz tornando-se monótona.
“E isso importa?” Moody replicou.
“Sim.”
“O que Ron Weasley queria?”
“Seu jogo de xadrez.”
“E o que a irmã dele queria?”
“Ginny queria usar o banheiro.”
“Só isso?” ele perguntou quando Ron bufou.
“Sim.”
“Você não poderia estar mentindo para mim, poderia?”
“Não.”
********************
“Bem,” Harry perguntou, abaixando o livro de Oclumência que Hermione tinha encontrado para ele na biblioteca, no instante que seu melhor amigo entrou no dormitório masculino do sexto ano. “O que ela mandou você fazer?”
“Eu estou exausto,” Ron respondeu, deixando-se cair pesadamente sobre sua cama sem sequer despir-se primeiro. “Me pergunte de novo pela manhã,”ele murmurou, enterrando o rosto no travesseiro e chutando os sapatos para fora dos pés. “Eu te direi qualquer coisa que você queira saber, mas preciso dormir primeiro.”
“E Hermione?”
“O que tem ela?” Ron murmurou, tão cansado que tinha deixado a guarda baixa.
“Vocês estavam juntos este tempo todo?”
“Não. Só desde....” Ele estava a ponto de dizer desde julho, mas foi capaz de se controlar bem à tempo.
“Então aonde é que ela esteve?”
“O que?” Ron perguntou, agora completamente alerta e irritado.
“Se Hermione não ficou a noite toda com você na detenção, onde ela esteve?”
“Ela estava comigo na detenção. ”
“Você falou que ela não estava.”
“Foi porque eu não estava escutando você,” Ron devolveu defensivamente. “Eu estou com uma intensa dor de cabeça e tudo que quero fazer agora é recuperar-me dela enquanto durmo. Eu vou contar a você tudo sobre a minha detenção pela manhã,” ele grunhiu, virando-se de lado e enterrando-se ainda mais em seu travesseiro. “Prometo.”
“Harry?” Ron murmurou depois de alguns momentos de silêncio.
“Que?”
“Hermione provavelmente ainda está no salão comunal, se você quiser falar sobre isso agora.”
“Não, eu posso eperar até amanhã.”
“Ok. Noite.”
“Boa noite,” Harry suspirou, balançando sua cabeça e voltando sua atenção para o livro.