Capítulo 36
“Eu não estou com fome,” Ron protestou enquanto Harry empurrava-o para fora do dormitório e se dirigia as escadas que conduziam ao salão comunal.
“É, ‘tá,” Harry retorquiu com uma risada.
“Não, é sério. Você e Hermione podem ir. Eu encontrarei com vocês na classe.”
“E como exatamente você planeja fazer isso,” Harry perguntou, “se você não descer para o café da manhã e pegar seu horário primeiro?”
“Eu encontrarei vocês no corredor então.”
“Depois que o correio tiver sido entregue?”
“Hum ... é,” Ron admitiu.
“Vocês dois podem se apressar?” A voz de Hermione ressoou na escada de pedra. “Nós vamos nos atrasar.”
“É só o café da manhã,” Ron devolveu enquanto Harry dava nele outro empurrão e forçava-o a descer os degraus. “Não importa se você está alguns minutos atrasado. A comida não vai a lugar nenhum. Bem, isso não é exatamente verdade,” ele adicionou ao entrar no salão comunal. “Não é como se ela ficasse sentada lá naqueles pratos o dia inteiro. É melhor vocês irem andando.”
“O que ele está dizendo?” Hermione perguntou a Harry depois de olhar Ron com estranheza.
“Aparentemente Ron não está com fome esta manhã,” ele respondeu.
“Oh por favor,” Hermione zombou.
“Essa é a desculpa dele, de qualquer forma,” Harry gargalhou. “Ele disse que nós dois podemos descer para o café da manhã sem ele.”
“Não seja ridículo,” Hermione replicou, apanhando sua bolsa do assoalho. “Vamos,” ela declarou, agarrando Ron pelo braço e puxando-o em direção ao buraco do retrato.
“Não,” ele protestou, livrando-se com um puxão. “Eu falei que não estou com fome.”
“Oh pelo amor de Deus,” ela exclamou, virando-se para encarar os dois rapazes mais uma vez. “E eu suponho que é o estômago do Harry que acabou de roncar?”
Maldição.
“Ele está preocupado com o correio,” Harry explicou, quando Ron não respondeu.
“Você não pode se esconder do correio,” Hermione disse enquanto rolava os olhos para ele. “Errol irá encontrá-lo aonde você estiver. Quando ele finalmente chegar, isso é. Ele com certeza se atrasará,” ela adicionou. “Ele quase nunca chega antes da hora do almoço.”
“Não diga isso,” Ron falou para Harry, que estava prestes a lhe falar que Hermione provavelmente estava certa. “Tudo bem,” ele falou ríspido, disposto a esquecer uma refeição, mas não duas. “Eu vou descer para o café,” ele continuou enquanto marchava através do buraco do retrato, “mas eu irei faltar ao almoço.”
“Não aja como um bebê,” Hermione falou enquanto seguia Harry diretamente pelo buraco do retrato até o corredor.
Aí vamos nós, Harry pensou ao ver o ruivo alto ficar indignado. Eles vão passar dia inteiro brigando. Ou isso ou eles não irão falar um com o outro até chegarmos ao Salão Principal.
“Você vai cantar num tom diferente quando o seu explodir em frente a escola inteira,” Ron retorquiu com um sorriso falso.
Ou não, Harry emendou quando Ron falhou ao cair no laço e Hermione gargalhou por causa da resposta dele.
“Sua mãe não vai me mandar um berrador,” ela assegurou-o. “E ela não irá mandar um para você também.”
“Eu não estaria tão certa sobre isso,” Ron respondeu enquanto precedia seus amigos corredor abaixo e seguia na direção da escadaria que os levava aos níveis mais baixos do castelo.
“Você não fez nada errado.”
“Eu peguei uma detenção, não foi?” Nós nem mesmo tivemos uma maldita aula e eu já estou encrencado.
“Bem, sim,” Hermione concordou calmamente, “mas isso iria acontecer de qualquer jeito. Isso não teve nada a ver com o que aconteceu no trem. Nossa detenção foi pré-arranjada.”
“O que?” Ron e Harry exclamaram em uníssono enquanto congelavam no meio da escada e viravam-se para encarar em descrença.
“O que você está dizendo?” Harry perguntou.
“Tonks me falou sobe isso no trem,” Hermione admitiu quase num sussurro.
“Você sabia e não me contou?” Ron perguntou rabugento.
“Eu não podia,” Hermione insistiu. “Não com Neville e Ginny sentados ali. E isso não era para acontecer tão rápido. Tonks pediu para que eu... er... arrumar uma briga com você durante a aula de Poções.”
“Oh, isso é brilhante,” Ron resmungou. “Eu não sou tão estúpido, sabia?”
“Eu teria te contado de antemão,” Hermione devolveu, olhando como se ela estivesse lutando com o desejo de rolar os olhos para ele novamente. “Eu teria contado a você noite passada, mas vocês dois foram pra cama antes da sala comunal ficar vazia,” ela adicionou.
“Por quê?” Harry perguntou.
“Huh?”
“Por que o que?” Hermione replicou.
“Por que ela queria que você provocasse Snape para ele dar detenção a vocês?”
“Hum...,” Hermione respondeu um pouco embaraçada. “Ela disse alguma coisa sobre usar esse tempo para nos dar algumas aulas extras de defesa.”
“Oh,” Harry respondeu impassível. “Somente para vocês dois?” ele adicionou depois de um momento.
“Ela hum... disse que isso é algo que você já sabia como fazer,” Hermione respondeu, olhando de relance para Ron desconfortavelmente antes de encontrar o olhar fixo de Harry mais uma vez. “E também você estará ocupado praticando sua Oclumência.”
“Então Snape irá dar detenção para Harry também?” Ron perguntou.
“Eu NÃO irei praticar Oclumência ou qualquer outra coisa com ele,” Harry rosnou. Ficar sentado na aula dele já era desagradável o suficiente. Não tinha nenhum maldito meio dele dar ao mestre de poções uma oportunidade de remexer suas memórias atrás do que aconteceu no Departamento de Mistérios. E ele não iria escutar mais nenhum comentário malicioso sobre Sirius ou seu pai também. A próxima vez que ele insultasse a memória de alguém que Harry gostasse, ele iria descobrir como é receber uma das infames azarações pra rebater bicho-papão de Ginny.
“Mas Harry,” Hermione argumentou. “Você tem que continuar praticando. Isso é realmente importante. Você tem que continuar com isso. Você sabe. Isso é o único modo de você ser capaz de bloquear Voldemort.”
“Os sonhos pararam,” Harry retorquiu com raiva.
“Mas,” Hermione persistiu, olhando para Ron que estava inquieto e encarando os dois nervosamente, “você não tem estado exatamente... sonhando com nada, não é? Quero dizer... você tem tomado o chá da sra. Weasley toda noite antes de dormir.”
“Nem toda noite,” Harry protestou.
“A maioria das noites,” Ron interferiu, escolhendo um lado e atraindo o peso do olhar de seu melhor amigo. “Não que eu condene você,” ele adicionou em sua defesa. “Ma se se eles voltarem? Você quer ser capaz de bloqueá-los, não quer?”
“É claro que sim,” Harry devolveu, um pouco mais surpreso do que realmente estava. Ele definitivamente não queria ser possuído de novo, mas os sonhos não eram tão ruins. Ok, eles eram desagradáveis, mas eles podiam ser úteis. Um deles salvou a vida do Sr. Weasley apesar de tudo, Harry lembrou a si mesmo. E um deles custou a vida de Sirius, ele adicionou. Eles só são úteis quando eles são reais. “Isso não importa,” ele argumentou. “Eu não vou trabalhar com Snape.”
“Mas...,” Hermione começou e então foi interrompida quando Ron capturou seus olhos e balançou sua cabeça. Não era hora para ter essa discussão. Ela sabia que ele estava certo, mas ainda assim era bastante difícil para ela controlar sua língua. Ela não queria terminar aquela conversa, mas ela iria seguir o conselho de Ron e deixar isso por agora. Era o primmeiro dia deles de volta e os sonhos ainda não tinham retornado. Isso podia esperar.
“Está certo, cara,” Ron disse, apertando Harry nos ombros antes de recomeçar a descer os degraus. “Ele é um estúpido e quanto menos tempo nós tivermos que passar com ele melhor. Se nós não tivermos que ter poções para virar Aurores...”
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A despeito do fato de Ron estar quase certo de que Errol não conseguiria chegar em Hogwarts a tempo do correio da manhã, ele continuava olhando fixamente para as janelas do Salão Principal apreensivo durante toda a refeição. Ele mal ouviu as conversas ao redor dele. Só quando sua irmã esmurrou-o no braço foi que ele virou para verificar sobre o que ela estava choramingando.
“O que?” ele rosnou.
“Seu horário,” ela disse, balançando um pedaço de pergaminho onde estavam anotadas as aulas dele embaixo de seu nariz antes de empurrar para ele. “Eu só falei com você umas quatro vezes.”
“Que seja,” Ron replicou, puxando a lista da mão de sua irmã e escaneando-a rapidamente. Aula dupla de Transfiguração seguida por Feitiços depois do almoço. Isso não era tão ruim. “Nós não teremos Defesa Contra as Artes das Trevas antes de quarta,” ele lamentou, tirando seus olhos do pergaminho e relanceando-os mais uma vez pela mesa dos professores, procurando por Tonks que ainda não tinha aparecido para a refeição.
“É, bem,” Harry respondeu, “isso nos dá algo para esperar depois de uma dose dupla de Snape pela manhã.”
“Você tem certeza de que ela é nossa professora de DCAT?” Ron perguntou à Hermione, que ainda estudava seu quadro de horários.
“Sim, Ron,” ela respondeu sem levantar seus olhos.
“Deixe-me ver o seu horário,” Ron rodeando Harry que estava sentado entre eles e tentando pegar a lista de aulas dela de sua mão. Infelizmente ela foi mais rápida que ele.
“Por quê?” ela perguntou, deixando o papel fora do alcance.
“Eu quero ver o que você vai fazer,” ele admitiu, inclinando-se ainda mais e tentando pegar outra vez. O fato dela não querer mostrar a ele, só o fez mais determinado a vê-lo.
“Eu estou fazendo as mesmas matérias que você,” ela informou-o, dobrando seu horário e empurrando-o dentro de sua bolsa onde ele não seria capaz de alcançar.
“Mesmo?” Ron perguntou, olhando-a com suspeita. “Então por que eu não posso ver?”
“Porque você não precisa.”
“Foi isso que eu pensei,” Ron murmurou, suas suspeitas confirmadas. Ela estava escondendo seu horário de propósito e ele sabia o porquê.
Os sextanistas eram encorajados a largar algumas das matérias anteriores e ajustar seus horários. Eles deveriam supostamente desistir das matérias eletivas e se focar nos cursos especializados, designados a ajudá-los a passar nos N.I.E.M.s requeridos pelas profissões escolhidas. Ron e Harry, que queriam ser Aurores, tinham ficado muito felizes em largar Herbologia, Astronomia e Adivinhação. Eles queriam ter largado História da Magia também, mas acharam que era o cerne do curso e ainda se matricularam nela. Hermione por outro lado não tinha certeza do que iria fazer depois de formada e estava propensa a fazer malabarismos como fez no terceiro ano para manter todas as matérias que fazia.
Nós iremos só ver isso, Ron pensou enquanto retirava sua varinha de dentro do bolso de suas vestes, pensou enquanto sacava sua varinha de dentro do bolso de suas vestes, inclinava-se para trás em sua cadeira e apontava para a bolsa de Hermione. “Accio horário.”
“RON!” Hermione exclamou ultrajada a over seu quadro de horário voar para dentro da mão esticada dele. “Me devolve isso,” ela ordenou, pulando de pé no exato momento que ele deu o bote.
“Você não desistiu de nada,” Ron falou, segurando aberto o pedaço de pergaminho no ar, acima de sua cabeça enquanto continuava olhando-o minuciosamente.
“Desisti sim,” Hermione argumentou, tentando novamente agarrar o papel.
“O que?” ele perguntou mantendo o horário fora do alcance.
“Astronomia,” ela rosnou. “Agora me devolva isso ou eu irei...”
“Você irá o que?” Ron escarneceu.
“Você verá,” ela declarou, dando um bote na direção dele novamente, só que desta vez em vez de tentar agarrar seu horário, ela segurou os lados dele, abriu caminho com os dedos pelas vestes dele fazendo cócegas. O efeito foi imediato. Não somente ele se dobrou para proteger seu estômago, como sacudiu a mão que ele usava para manter o pergaminho no ar e usou-a para empurrá-la.
“HAAA,” Ginny gritou ao observar Hermione sair de perto de seu irmão com seu quadro de horário firmemente preso em sua própria mão.
“Eu não sabia que você sentia cócegas,” Harry declarou, olhando esquisito para Hermione. Ginny deve ter contado a ela.
“Eu não sinto,” Ron insistiu, caindo pesadamente de volta no banco. “Eu só não gosto de ser cutucado, é só.”
“Mentiroso,” Ginny murmurou enquanto olhava diretamente para Harry e balançava a cabeça. Ela estava seriamente tentada a “cutucar” seu irmão na barriga até que ele admitisse a verdade, mas ela sabia por experiência própria o quanto ele era resistente, mesmo com espamos de acessos de riso. Charlie usara uma vez um feitiço de cócegas nele por 15 minutos antes de Ron confessor que ele tinha voado na vassoura do irmão sem permissão.
“Você não vai manter todas essas matérias de verdade, vai?” Ron perguntou, toda sua tenção em Hermione mais uma vez. “É demais. Você vai ficar doida igual no terceiro ano. Você não precisa mais dessa besteira de Runas.”
“Isso não é besteira,” Hermione exclamou, soando seriamente afrontada. “Essa por coincidência é uma das minhas matérias mais fascinantes.”
“Certamente deve haver alguma matéria que você pode desistir?” Ron devolveu, Rolando os olhos para Harry ao falar. “Que tal Herbologia?”
“Que tal Quadribol?” ela replicou pegando-o completamente de surpresa.
“O que tem ele?”
“Eu desistirei de Runas Antigas e Herbologia quando você desistir do Quadribol.”
“O QUE!” Ron uivou. “Isso não é a mesma coisa.”
“É sim.”
“Não, não é não. Nem chega perto. Quadribol é divertido. Trabalho de casa não é.”
“Isso é uma questão de opinião.”
“Você não poderá pegar nove matérias do nível de N.I.E.Ms.”
“Bem eu irei,” Hermione declarou, agarrando sua mochila do chão e atirando-a sobre o seu ombro.
“Você vai se levar, e mais importante nos levar, a loucura quando os exames estiverem chegando,” Ron lançou antes dela ter a chance de se afastar.
“É verdade?” ela exclamou, girando até ficar de frente pra ele novamente. “E quantas horas por semana você desperdiça no Quadribol?”
“DESPERDIÇO!” Ron gritou. “Você ouviu isso, Harry?” ele perguntou, virando-se para seu melhor amigo atrás de apoio. “Você não vai simplesmente ficar ai sentado e deixá-la sair dessa assim, vai?”
Aparentemente ele ia porque ele não respondeu. Ele aprendera há muito tempo não ficar no meio das discussões deles. Não importava que Ron estivesse certo. Harry ainda assim não iria se meter.
“Você disse ou não disse que meu curso de Runas Antigas era uma perda de tempo?”
“Não, eu disse que você já sabia o suficiente disso e que você não precisava se esgotar tentando aprender mais.”
“Eu irei lembrá-lo disso na próxima vez que nós tivermos um questionário e você em vez disso sair para praticar. Nós iremos ver quem ficará esgotado quando eu me recusar a ajudar você e você ter que ficar sentado a noite inteira trabalhando sozinho.”
“Eu não estudarei sozinho. Harry terá que praticar também, então ele irá ficar comigo.”
“Ao menos então você terá companhia,” Hermione repreendeu. “Vejo você na classe, Harry,” ela adicionou, girando e marchando em direção as portas duplas do outro lado do salão.
“Qual é o problema dela?” Ron perguntou-se em voz alta enquanto observava-a sair.
Como se você não soubesse, Ginny pensou. É o mesmo problema que você tem.
Todos os outros na mesa podiam ser enganados, mas Ginny sabia a verdade. Eles não estavam com raiva um do outro, eles estavam frustrados. Eles não tinham ficado sozinhos durante dias e isso estava começando a cobrar seu preço. O quanto mais eles ficassem sem namorar, mais eles iriam brigar. Se isso piorasse ela teria que fazer algo drástico como distrair Harry e trancar os dois num armário de vassouras ou algo assim.
“Venha,” Ron disse, saltando e agarrando seu próprio material do chão. “Vamos indo. Se nós chegarmos atrasados na aula da McGonagall eu ficarei sujeito a ganhar outra detenção.”
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Todo e completamente, até que o primeiro dia acabasse, Harry não pode reclamar. De fato, o dia realmente voou. Eles gastaram toda a sua aula dupla de Transfigurações revendo os feitiços que tinham aprendido no ano anterior e que tinham se esquecido durante as férias de verão. A última meia hora da aula tinha sido devotada a praticar feitiços de desaparecimento porque eram o oposto dos de Conjuração, que McGonagall os informou que deveriam começar a aprender no começo da semana seguinte. Felizmente, Harry já dominava feitiços de desaparecimento e Ron só precisou de uma tentativa mal sucedida para voltar ao ritmo das coisas. No final da aula, Neville foi o único que recebeu algum trabalho de casa. Isso era irônico realmente, quando você considerava o fato que ele desaparecera acidentalmente uma vez a perna da mesa de McGonagall, no entanto ele ainda não conseguia com sucesso fazer um rato desaparecer quando queria. Não importava quantas vezes tentara fazê-lo, ele sempre deixava o rabo para trás.
Ron, é claro, recusou-se a seguir seus colegas de classe ao Salão principal para o almoço depois da aula. Não que Harry não entendesse. Ele também ia preferir estar no quase deserto salão comunal da Gryfinória do que o barulhento Salão Principal se fosse receber um berrador. Hermione murmurou algo sobre ele estar sendo ridículo bem baixo, mas esperou até que ele estivesse fora do alcance da voz antes de fazê-lo.
O almoço foi calmo e um tanto rápido considerando que eles não tinham aula até a uma. Hermione terminou antes mesmo que Harry realmente tivesse a chance de começar, mas por sorte os quintanistas apareceram enquanto ela enchia o guardanapo de comida, o que significava que ele teria Ginny para conversar.
“Deixe-me adivinhar,” a irritada ruiva caçoou enquanto se estatelava no banco justo quando sua amiga de cabelos cheios ficava de pé. “Você está indo para a biblioteca.”
“Eu quero revisar minhas anotações de feitiços antes da aula.”
“Você não pode comer na biblioteca,” Ginny lembrou-a, olhando o guardanapo protuberante na mão dela.
“Isso não é para mim,” ela replicou, puxando sua bolsa do chão, colocando-a sobre a mesa e guardando o guardanapo cheio de comida dentro dela. “É para Ron. Eu tenho que subir e pegar as minhas anotações de qualquer modo,” ela explicou quando Harry arqueou uma sobrancelha em surpresa. “Eu prefiro também alimentá-lo quando for lá em cima. Não tem necessidade de deixá-lo faminto e mal-humorado.”
Harry não podia argumentar contra isso. Ele teria, ele mesmo, pegado um pouco de comida por aquela mesma razão, se não achasse que Hermione fosse bater nele por isso.
“Verei você em Feitiços,” ela disse, olhando pra ele interrogativamente e esperando que ele respondesse.
Tão logo ele balançou a cabeça ela saiu, mas ela nunca chegou à biblioteca. Ela estava sentada ao lado de Ron no sofá da sala comunal lendo atentamente suas anotações quando Harry chegou.
“Bem,” ele perguntou, caindo na cadeira do lado oposto a de Ron.
“Nada,” o ruivo respondeu, abaixando a cópia do Profeta Diário com que estava distraindo a cabeça e atirando de volta à mesa na qual encontrara. “Nem mesmo uma simples carta.”
Hermione bufou em suas anotações, mas conteve-se em falar ‘Eu disse a você’ em voz alta. “É melhor irmos,” ela disse, fechando seu caderno e empurrando-o dentro da bolsa aos seus pés.
“Nós temos uma meia-hora,” Harry replicou, olhando para seu relógio.
“Ótimo,” ela retorquiu, ficando de pé. “Eu encontrarei vocês lá embaixo então,” adicionou, antes de seguir sozinha na direção do buraco do retrato.
“Acho que não tem quase nada que possamos fazer em meia hora,” Harry falou, depois que ela saiu.
“Nós podemos revisar as estatísticas do Quadribol,” Ron respondeu, apanhando o jornal novamente e abrindo-o com uma rápida sacudidela.
“Agora que ela se foi?” Harry zombou.
“É.”
“Porque isso é uma perda de tempo?”
“Cale a boca.”
“Então o que você estava olhando antes?” Harry perguntou, se levantando da cadeira e sentando ao lado de Ron no sofá para que pudessem a seção de esportes juntos.
“Nada realmente,” ele admitiu. “AH! Olhe, os Tornados perderam pras Harpias.”
“Os Cannons perderam também, eu vejo,” Harry apontou.
“Qual é a novidade,” Ron lamentou. “Pelo menos eles não perderam para um bando de garotas,” ele zombou, tendo conforto em saber que os Tornados tinham sido derrotados pelo único time da liga que somente escalava bruxas. A restrição de gênero existia somente com o significado de preservar a imagem do nome do time. Embora Ron sempre tinha suspeitado que mesmo sem isso, eles tinham um trabalho difícil para recrutar algum jogador homem. Nenhum bruxo com respeito próprio ia querer ser conhecido como uma Harpia. Isso seria muito humilhante. “Nós iremos ver quantas pessoas ainda estarão com seus distintivos depois de uma derrota como essa.”
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“Você sabe com o fazer isso,” Hermione disse a Neville, balançando sua varinha para a pena deitada sobre a mesa em frente a eles e transformando-a num rato. “Você só não está se concentrando o suficiente. Você tem que prever o rato inteiramente em sua cabeça, rabo e tudo,” ela instruiu. “Você está focando só no corpo. Tente de novo.”
“Certo,” Neville respondeu, fechando os olhos e tentando visualizar o rato em sua mente enquanto balançava sua varinha. “Maldição,” ele murmurou quando abriu os olhos novamente e percebeu que havia deixado as orelhas pra trás dessa vez.
“Mas você conseguiu o rabo,” Harry falou, tentando soar encorajador. “Isso é alguma coisa.”
“Mais uma vez e você irá conseguir,” Hermione assegurou a ele enquanto ela transfigurava outra pena. “Mas é melhor você arrumar aquelas orelhas primeiro,” ela adicionou. “Harry irá ajudá-lo,” disse, olhando de relance para Ron que estava encurvado sobre um pote contendo Fogo Azul, tentando controlar o feitiço de Congelamento de Chamas que o Professor Flitwick havia mostrado a eles mais cedo naquele dia. “Eu tenho que ir a uma reunião de monitores.”
“Oh, ok,” Neville replicou. “Obrigado pela ajuda.”
“Sempre às ordens,” Hermione respondeu, levantando-se de seu lugar e caminhando até Ron. “Pronto?” ela perguntou.
“Para o que?” ele respondeu, agitando sua varinha sobre o pote com chamas e então tocando o vidro para ver se ainda continuava quente.
“A reunião.”
“Oh, uh é. Ok. Só me dê um minuto. Eu estou perto de conseguir isso,” ele falou, balançando sua varinha sobre as chamas novamente.
“Você está fazendo isso errado,” Hermione disse, tentando não sorrir maliciosamente quando o pequeno pedaço de pergaminho que ele derrubou dentro do pote explodiu em chamas.
“Não, sério?”
“Você precisa sacudir seu pulso até o final, assim,” ela instruiu, imitando o movimento de mão apropriado a despeito do fato de não estar segurando sua varinha. “Vá em frente, faça uma tentativa.”
“Você podia ter me dito isso meia-hora atrás,” ele falou, imitando os movimentos dela.
“Eu não esperava exatamente que você sentasse e realmente começasse seu trabalho de casa esta noite,” Hermione replicou, enquanto assistia Ron colocar outro pedaço de pergaminho dentro do pote e então sorrir quando nada aconteceu com ele. “Nós não temos aula de Feitiços novamente até quinta-feira.”
“Eu tenho minhas razões para querer acabar isso o mais rápido possível,” ele cochichou, lançando a ela um de seus sorrisos tortos.
“Oh você tem, é?” ela riu. “E o que seria?”
“Eu suponho que posso contar a você,” Ron disse, ficando de pé e guardando sua varinha no bolso de trás, antes de recuperar suas vestes das costas do sofá. “Mas eu acho melhor mostrar a você. É claro que eu não posso fazer isso aqui.”
“Foi por isso que eu perguntei se você estava pronto para ir a uma reunião que realmente só começará dentro de 45 minutos,” Hermione admitiu calmamente.
“É mesmo?” Ron perguntou com um largo sorriso. “Oh Harry,” ele exclamou enquanto andava para o buraco do retrato. “Reunião de monitores,” disse, explicando aonde eles estavam indo.
“Certo,” Harry respondeu a over seus dois melhores amigos mergulharem para for a do salão comunal. “Você não vai?” ele perguntou a Ginny, que havia permanecido em sua cadeira.
“Ainda não,” ela falou, seus olhos grudados no caderno em suas mãos. “Eu quero terminar de ler isso primeiro. Eu tenho Poções no primeiro tempo amanhã,” ela esclareceu, “e Hermione me confiou suas anotações do ano passado. Só deixe-o tentar me desafiar uma vez que eu tenha lido a primeira lição inteira.”
“Ahm.”
“Entretanto não me deixe esquecer de ir,” ela adicionou depois de pensar um pouco. “Me lembre de novo em 15 minutos, se eu não tiver terminado, ‘tá?”
“Combinado.”
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Diferente do primeiro dia de aula deles, o segundo arrastou-se por um tempo sem fim. Começar o dia com uma aula dupla de História da Magia era pura tortura no que dizia respeito a Harry e Ron. A maioria dos sextanistas, com a exceção de Hermione e Ernie Macmillan estavam praticamente em coma na hora que o sinal alertou para o almoço.
O dia seguinte foi ainda pior, mas por uma razão completamente diferente.
“Bem isso foi engraçado,” Ron disse calmamente para seus amigos enquanto seguiam o restante da classe, que consistia apenas de sonserinos, para fora da masmorra onde as suas aulas de Poções eram ministradas. “Honestamente, eu não sei o que é pior. Ficar entediado por uma hora e meia como ontem ou ter esse lunático idiota nos provocando a manhã inteira.”
“Poderia ajudar se você checasse duas vezes as instruções antes de começar a adicionar os ingredientes,” Hermione sugeriu.
“Por favor,” Ron retorquiu bufando. “Ele teria procurado um motivo para nos criticar mesmo se nós fossemos malditamente perfeitos. Ou você não percebeu que Harry é o seu novo aluno favorite, agora que Neville se foi.”
“Oh eu percebi sim,” Hermione replicou, estreitando seus olhos e pressionando seus lábios de um jeito que lembrava demais McGonagall para os dois garotos. “Não morda a isca dele, Harry,” she adicionou. “Ele só está procurando uma razão para expulsá-lo da aula dele.”
“Ela está certa,” Ron concordou. “Você viu o olhar no rosto pálido dele quando você entregou seu ensaio? HAA!”
“Obrigado por isso,” Harry disse olhando com gratidão para Hermione. Ele havia se esquecido completamente do ensaio que supostamente teria que escrever durante o verão até que Ron entregou a ele uma versão terminada, escrita na letra inconfundível de Hermione, na noite anterior e instruí-o a passá-la para sua própria letra. “Você realmente salvou meu rabo. Ele teria me dado uma detenção no mínimo.”
“É para isso que servem os amigos, cara,” Ron respondeu.
“Não vá se acostumar com isso,” Hermione adicionou. “Eu espero que você faça seu próprio trabalho de casa a partir de agora.”
“Sim mãe,” Ron retorquiu. “Sou eu,” ele se inclinou e sussurrou para Harry enquanto seguiam Hermione através das portas duplas do Salão Principal até a mesa da grifinória, “ou é um pouco assustador o modo como ela pode parecer minha mãe, como agora?”
“Eu não sei,” Harry respondeu, relembrando o modo como Ginny tinha gritado com ele durante sua própria festa de aniversário. “Eu acho que a imitação da sua irmã é ainda melhor.”
“Você está falando pra mim,” Ron gargalhou. “Ela tem a linguagem corporal e o modo de encarar certo.”
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“Beleza Harry,” Nymphadora Tonks disse, levantando os olhos do livro texto que descansava aberto na mesa dela quando a porta da sala de Defesa Contra as Artes das Trevas abriu e um jovem com rebeldes cabelos negros e óculos surgiu um pouco hesitante. “Bem, não fique aí parado. Entre.”
“Er... Eu sei que chegamos um pouco cedo,” Harry respondeu enquanto Ron tentava passar por ele e entrar na sala, só para ser impedido por Hermione que agarrou-o pelas costas das vestes.
“Nós não queremos incomodar você,” ela disse, puxando Ron para que ficasse parado. “Nós sabemos que a aula não começará pelos próximos dez minutos e você ainda está se aprontando.”
“Eu estarei pronta quando for começar,” ela suspirou, dando a volta por trás da sua mesa, e então inclinando-se pra trás e sentando na beirada. “Remus me avisou que poderia levar um tempo até que eu me acostumasse, mas não está sendo tão ruim. Bem, com exceção dos Sonserinos. Aqueles pequenos insolentes...” ela começou, mas então se segurou. “Bem, o que vocês acham do meu novo visual?” perguntou, erguendo os braços ao seu lado para que eles pudessem observá-la em suas modestas vestes. “Respeitável o suficiente?”
“Essa é a sua cor normal?” Ron perguntou, empurrando Harry para dentro da sala e vindo atrás dele enquanto olhava para o cabelo dela, o qual não estava mais numa cor exuberante, mas um brilhante marrom escuro.
“Ron!” Hermione exclamou, esmurrando-o no braço.
“O que?”
“Não se faz perguntas desse tipo para mulheres.”
“Por que não?”
“Porque isso é grosseiro, é isso.”
“Isso não foi grosseria. Foi só uma pergunta. Eu estava curioso, só isso. Então é?” ele questionou, focalizando os longos cabelos nas costas de Tonks mais uma vez.
“Pelo amor de Deus. Somente o ignore,” Hermione suspirou, mas estava claro pelo olhar de divertimento em seu rosto que Tonks não iria fazê-lo realmente.
“Eu suponho que seja. Ou perto disso,” ela gargalhou. “Eu tenho mudado ele por tanto tempo que eu não estou inteiramente certa de estar dizendo a verdade. Isso é um pouco... óbvio, mas temo que necessário. Eu apreciaria se vocês não contassem sobre minha… er… habilidade especial,” ela disse, abaixando a voz.
“É,” Harry concordou. “Hermione já nos disse.”
“Ela nos contou sobre as detenções também,” Ron adicionou. “Então o que exatamente nós iremos...?”
“Não aqui, e definitivamente não agora,” Tonks disse rapidamente, cortando-o antes que ele pudesse falar mais alguma coisa. “Nós iremos discutir isso no sábado.”
“Mas...”
“Me desculpe Sr. Weasley,” Tonks replicou, mudando para o modo professora quando o sinal tocou indicando o início das aulas. “Se vocês tiverem a bondade de tomarem seus lugares,” ela adicionou com uma discreta piscadela justo quando a porta se abriu novamente e o restante dos grifinórios arrastaram-se para dentro da sala de aula, avaliando silenciosamente sua nova professora enquanto se moviam em direção às suas carteiras, não muito seguros do que esperar naquele ano.
“Boa tarde,” a nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas falou, uma vez que todos eles haviam sentado. “Vocês podem se dirigir a mim como Professora Tonks ou somente Tonks se vocês preferirem. Qualquer estudante tolo o bastante para me chamar pelo meu primeiro nome, vai se ver recebendo a mais horrível detenção que eu puder dar. Se vocês não acreditarem em mim, eu sugiro que vocês perguntem ao meu primo e seus colegas, que gastaram a maior parte da noite passada esfregando o chão do corujal com escovas de dente.
“Sério?” Ron exclamou, antes de dissolver isso num conveniente riso.
“Sr. Weasley.”
“Desculpe, Professora,” ele se desculpou, tentando se controlar, a despeito do fato de ter uma imagem clara como cristal de Draco ajoelhado em cocos de coruja sombreando sua mente.
“Não duvido que alguns vocês tenham ouvido rumores circulando pela escola, então eu vou aproveitar essa oportunidade de esclarecer as coisas. Sim, é verdade; Eu sou uma Auror plenamente qualificada. Não, eu não fui demitida, suspensa ou destituída do meu cargo. Eu porém me licenciei a pedido do Professor Dumbledore. Ele tem a opinião de que muitos de vocês precisam desesperadamente de uma ajuda na instrução e eu tendo a concordar.”
“Eu revi os conceitos dos NOM’s e NIEM’s do ano passado e eu tenho que dizer que foram pavorosos. Contudo, vocês grifinórios foram bem melhores que os demais. Vocês bateram as outras casas pelo menos em dois por um. De fato, todos nessa sala passaram, o qual é quase uma proeza, considerando a... er... professora... que vocês tiveram. Todos nós sabemos, é claro, quem foi o verdadeiro professor, então Sr. Potter, o que exatamente você ensinou em suas sessões da A.D., se não se importar em me contar?”
“Er...,” Harry gaguejou, sendo pego um pouco desprevenido. “Um... principalmente feitiços atordoantes, de desarme e alguns outros.”
“E o Feitiço do Patrono,” Hermione adicionou, tentando ser útil.
“Sem ser o Sr. Potter aqui, quantos de vocês são realmente capazes de produzir um Patrono corpóreo?” Tonks perguntou, seus olhos percorrendo o grupo de estudantes em frente a ela. “Só um?” adicionou, percebendo que a mão de Hermione era a única levantada. “Bem essa certamente é magia avançada, portanto eu suponho que isso seja esperado. E quanto ao resto de vocês?” continuou. “Alguma coisa? Algum vapor não-corpóreo? Alguma névoa prateada?”
“Muito bem, Sr. Potter,” ela concordou quando o resto do grupo, exceto Neville, levantou as mãos. “Eu posso realmente aperfeiçoar a maioria de vocês. Então você cobriu o básico. Eu sei que o Professor Lupin apresentou as criaturas das trevas. O que mais vocês aprenderam, em aula?” ela adicionou.
“Maldições,” Seamus respondeu prontamente.
“Eu suponho que isso é algo que aquele Comensal da Morte doido tenha ensinado a vocês,” Tonks retorquiu. “Agora vocês sabem o que enfrentarão no final. Embora eu aposte que ele tenha mantido a maioria das realmente poderosas para si mesmo.”
“Exceto as Imperdoáveis,” Neville murmurou.
“Sim,” Tonks concordou, “mas ele não ensinou a vocês como fazer o feitiço, não é? Ele só mostrou o que eles fazem. Tudo bem então, o que vocês me dizem de começarmos?” ela perguntou, deslizando para fora de sua mesa. “Vocês não irão precisar de seus cadernos, somente suas varinhas,” instruiu.
“Todo mundo pra frente, por favor,” Tonks falou, esperando pelos estudantes se levantarem de seus lugares antes de sacar sua varinha do bolso interno de suas vestes e balançá-la na direção das carteiras, fazendo-as sair do meio da sala e irem para os lados, onde formaram duas pilhas desordenadas contra as paredes.
“O melhor meio de você sobreviver num duelo com um Comensal da Morte,” A professora Tonks informou aos seus estudantes, "é evitando-o totalmente. Isso é algo que esse grupo em particular precisa trabalhar,” ela adicionou, dando a Harry e seus amigos um olhar sarcástico. "Abaixar a cabeça. Correr. Façam o que quer que vocês tem que fazer para sair da linha de fogo deles. A última coisa que vocês precisam fazer é ficar parado como algum cavalheiro boboca e tentar lutar com eles se vocês não precisarem, porque eu prometo a vocês, eles não lutam justo. Um Comensal da Morte NUNCA pega um oponente sozinho se ele pode evitar. Isso não quer dizer que ele não irá lutar com você, porque certamente ele irá. E ele irá lançar um monte de porcaria no seu caminho enquanto ele puder. Se ele puder derrubá-lo por si mesmo, melhor. Mas você não poderá lutar com ele e cuidar da sua retaguarda ao mesmo tempo, e é com isso que ele está contando. Ele irá querer que você fique completamente focado nele, então ele irá acertá-lo com qualquer coisa e tudo que ele puder imaginar. E enquanto você estiver ocupado se protegendo de azarações e tentando lançar algumas, um dos companheiros dele irá escapulir e acertá-lo por trás. É por isso que os aurores trabalham em times; para podermos cuidar da retaguarda um do outro. Isso é algo que um amigo meu aprendeu do pior modo durante a fuga da prisão mês passado,” Tonks adicionou, olhando fixamente para Ron enquanto falava. “Foi uma lição podre, mas você pode apostar que ele não irá fugir como um franguinho sem procurar ajuda, novamente.”
“Mas, pelo bem da argumentação, vamos dizer que vocês se encontraram cara a cara com um único Comensal da Morte, como meu amigo; somente ele sem ninguém mais por perto. É só você e ele e você não tem nenhuma escolha a não ser ficar e lutar. Qual é o primeiro feitiço que você iria usar, sr... Finnigan?” Tonks perguntou, olhando de relance para o pedaço de pergaminho largado em sua mesa com a lista dos nomes dos estudantes da Grifinória escrito nela.
“Expelliarmus, eu acho,” Seamus respondeu incerto.
“Você acha?” Tonks questionou. “Você não tem tempo para hesitar. Sr. Weasley, venha fazer dupla com Finnigan. Quando contar até três eu quero que vocês dois duelem. Quem ficar de pé vence.”
Em vez de responder, Ron simplesmente concordou com um movimento de cabeça e respirou profundamente, enquanto o restante da classe se afastou e deixou ele e Seamus sozinhos no centro da sala.
“Prontos,” Tonks perguntou, quando Seamus colocou alguma distância entre eles e virou-se para encarar Ron. “Você sabe o que irá fazer?”
“Sim,” Seamus respondeu.
“Sr. Weasley?” Tonks avisou, olhando de relance para Ron que balançou a cabeça novamente. “Quando eu contar até três então? 1... 2... 3.”
“PROTEGO,” Ron gritou no instante que viu Seamus abrir a boca. Ele nem mesmo se preocupou em escutar qual azaração estava sendo enviada para ele; ele só teve a intenção de refleti-la.
“Estratégia interessante,” Tonks observou, dando a Ron um olhar admirado. “Eu esperava que você respondesse como seus irmãos e reagisse mais ofensivamente do que defensivamente.”
“Eu sou o que ficou de pé, não é?” Ron perguntou, sorrindo ironicamente para Seamus que havia batido no chão quando a azaração fracassada que ele mandou na direção de Ron ricocheteou nele.
“Você está, realmente,” Tonks concordou com um sorriso. “Muito bem. Num duelo a primeira ação sempre será proteger-se se puder. Um poderoso feitiço escudo pode ser mais efetivo do que uma azaração na situação certa. Hora de ver como vocês se saem,” ela insistiu. “Tirem suas capas e dividam-se em duplas. Vocês terão vinte minutos para praticar. Feitiços escudos e de desarme somente. Nós não queremos maldições variadas sendo refletidas por toda a sala. Sr. Weasley,” ela adicionou, percebendo que ali estava um número ímpar de estudantes, “Por que não deixa o sr. Potter fazer dupla com a srta. Granger pelos primeiros 10 minutos e então você dois podem trocar.”
“Certo,” Ron respondeu, se afastando dos seus dois melhores amigos e movendo-se para o lado onde pôde ficar fora da linha de tiro ao lado de Tonks.
“Eu tenho que admitir que estou curiosa pra ver qual dos dois irá perder sua varinha primeiro,” ela curvou-se e sussurrou para Ron enquanto a dupla rodeava um ao outro e sacava suas varinhas. “Prontos? No três,” ela adicionou bem alto.
“Será o Harry,” Ron informou-a calmamente.
“Sério?” ela perguntou. “UM!”
“É bem, Harry pode ser mais poderoso, mas Hermione é mais rápida,” ele sussurrou de volta. “Além do mais, ela não irá hesitar.”
“Como você faz?” Tonks perguntou com um sorriso de compreensão. “DOIS!”
“É ok,” ele admitiu enquanto suas orelhas coravam. “Eu posso hesitar um pouco, mas é a Hermione. Nós não podemos azará-la realmente.”
“TRÊS!”
“Parece que você estava certo,” Tonks sussurrou, notando que Hermione tinha conseguido lançar seu escudo antes que Harry pudesse desarmá-la. Ele foi um pouco mais rápido com seu próprio feitiço escudo quando trocaram as posições, mas pela quarta vez, ela foi capaz de desarmá-lo.
“Vocês não estão fazendo nenhum favor a ela se segurando, sabia?” Tonks sussurrou para Ron alguns minutos depois quando as varinhas eram posicionadas e os parceiros se preparavam para se defender novamente. “Tudo que vocês estão fazendo é embalando-a numa falsa sensação de segurança. Vocês não conseguirão praticar realmente e ela começará a pensar que está melhor do que realmente está. Esse tipo de pensamento pode fazê-la se ferir, ou pior. Você pode querer pensar sobre isso quando for sua vez de duelar com ela. Potter!” Ela gritou, “Hora de trocar com Weasley.”
“O que aconteceu com você?” Harry perguntou a Ron depois que o trio tinha recolocado suas mochilas ao final da lição e começara a descer para o Salão Principal para o almoço. “Se eu não o conhecesse tão bem, eu teria pensado que você esteve praticando durante todo o verão.”
“Só motivado, eu suponho," Ron replicou, esperando que Harry desistisse disso se ele passasse rapidamente por aquilo.
“Neville também melhorou,” Hermione adicionou. “Você percebeu?”
“Sim,” Harry concordou. “Sua pontaria foi realmente aperfeiçoada.”
“Eu me admiro,” Hermione murmurou entre os dentes. “Você não acha que isso foi tudo pelo fato dele ter uma nova varinha, acha? Fez diferença pra você,” ela perguntou para Ron “quando você conseguiu uma nova varinha?”
“Em vez de usar uma quebrada? Nossa, deixe-me pensar. Um... é, fez sim.”
“Não,” Hermione grunhiu, “Eu quero dizer que foi diferente de usar a varinha de Charlie quando estava funcionando? É mais fácil quando a varinha é direcionada a você, em vez de outra pessoa, mesmo se eles são familiares próximos?”
“Talvez um pouco,” Ron respondeu. “Aqui,” ele adicionou, sacando sua varinha de dentro do bolso interno de suas vestes e entregando a Hermione. “Tente e então você pode me dizer se isso faz diferença.”
“Nós estamos no meio do corredor.”
“Então?”
“Nós somos monitores.”
“E?” Ron perguntou, falhando em perceber o que isso tinha a ver. “Monitores podem proferir feitiços sabia?”
“Nos corredores não podemos não,” Hermione devolveu. “Porque isso é proibido.”
“Oh, certo,” ele respondeu um pouco culpado. “Eu esqueci.”
“Você esqueceu.”
“Bem eu esqueci. Isso é uma regra estúpida. O único que se importa com isso além de você é o Filch. Não estou certo Harry?”
“Desculpe,” Harry replicou olhando de relance para Hermione um pouco apreensivo e depois voltando-se para Ron. “Você está sozinho nessa, cara,” ele disse, atravessando as portas duplas e se encaminhando o mais rápido que podia na direção da mesa da Grifinória.