Capítulo 35
Draco Malfoy sentiu seu estômago despencar quando observou o Professor Snape manter a porta de sua sala aberta e ordenar a Hermione Granger que se unisse a eles. A última coisa que ele queria era que aquela vadia sangue-ruim fosse envolvida. Ela tinha lhe dito de forma direta que não hesitaria em mentir se isso fosse proteger o Weasley. E o fato de que o Weasley não impediu quando Snape ameaçou trazê-la para lá apenas encerrou o assunto. Ele estava numa grande merda.
Ele nunca deveria ter ido à enfermaria. Tudo que ele queria fazer tinha sido curar seu machucado. Como supunham que ele soubesse que Snape se precipitaria e exigiria saber o que tinha acontecido. Draco naturalmente tinha dito o menos possível, mas não importava. Snape já sabia sobre a luta e igualmente sabia quem estava envolvido, mas ele estava tentando a todo custo colocar a coisa toda nas costas do Potter. Sob circunstâncias diferentes Draco teria dado tudo por isso. Mas Granger não era uma de fazer ameaças à toa. Não havia nenhuma dúvida em sua mente de que ela iria acusá-lo se ficasse encurralada. Teve que admitir que começara a briga. Não teve nenhuma escolha.
Brigar era uma transgressão menor em comparação a ataque sexual. Não tinha jeito dele ser capaz de se livrar daquilo com McGonagall na sala. Não se fosse a Santa Granger, favorita dos professores, que estivesse fazendo as acusações. Ela tinha a blusa rasgada e vários monitores como testemunha dando suporte ao seu lado da história. Sem mencionar o irmão do Weasley e Olho-Tonto Moody, que estavam obviamente do lado dela.
O que ele tinha? Nada. Nada somente a verdade, por tudo de bom que isso fizesse a ele. Ela podia ser uma Grifinória, mas aquela vadiazinha podia mentir tão bem quanto uma Sonserina ele tinha que admitir. Ele pôde ver de primeira mão como ela podia ser convincente, quando ela enganou a Professora Umbridge no ano anterior. Uma vez que ela desse início à sua versão dos acontecimentos e acionasse um pouco daquelas lágrimas falsas, nem mesmo Snape, tão indulgente quanto ele era quando convinha aos membros de sua própria casa, seria capaz de desconsiderar.
Ele provavelmente seria expulso e o Weasley sairia como um herói. Não havia modo de Draco deixar isso acontecer. Ele não tinha escolha além de levar a culpa. Esse era o único caminho de prevenir que ela cumprisse sua ameaça. Mas ele não ia esquecer isso. Oh não. Weasley e Granger estavam no topo de sua lista, bem ao lado de Potter, que colocara seu pai na prisão.
Você vai pagar, Draco pensou, dardejando seus olhos para Hermione enquanto ela entrava na sala e seguia Snape até sua mesa. Vocês três. Somente esperem. Eu irei atrás de vocês por isso.
“Bem, bem, bem,” Professor Snape disse para Hermione ao deslizar de volta à sua mesa e tomar o seu lugar. “Isso parece indicar que vocês três tiveram uma viagem um tanto agitada. Sr. Weasley e o sr. Malfoy nos deram as versões deles do ocorrido. Agora nós gostaríamos de ouvir a sua.”
“Eu não dis…” Ron começou a protestar.
“SILENCIO!” Snape exclamou alto, efetivamente cortando-o. “Você manterá sua boca fechada, Weasley. Entendeu isso?” ele perguntou, seus frios olhos vermelhos presos em Ron como se o desafiasse a falar novamente. “ENTENDEU?”
“Sim, senhor,” Ron falou com raiva.
“Cinco pontos da Gryfinória por falar, Weasley.”
“O QUE!” Ron berrou, girando para apelar a McGonagall. “Professora, você não pode deixá-lo...”
“Eu sugiro que se cale,” Snape continuou, a despeito do olhar desaprovador de McGonagall, “antes que eu tire dez pontos?”
A boca de Ron instantaneamente fechou num estalo, mas isso não o impediu de rosnar enquanto se virava novamente para encarar o professor de poções.
Um olhar para Ron foi tudo que Hermione precisou para saber que ele estava se esforçando para manter seu temperamento sob controle. Não só seu rosto estava vermelho de raiva, mas suas orelhas estavam começando a ficar. Um óbvio sinal de problema. Snape estava instigando-o de propósito e Ron estava caindo.
“O que aconteceu no trem, senhorita Granger?” Professora McGonagall perguntou sombriamente. “Quem começou a briga?”
“Eu já contei a vocês que...,” Draco tentou intervir antes que Hermione pudesse responder.
Infelizmente, Snape não tinha intenções de deixá-lo terminar sua sentença. O som retumbante causado pelo mestre de poções batendo sua mão na mesa efetivamente cortou Malfoy e chamou a atenção de Hermione ao mesmo tempo. “Professora McGonagall lhe fez uma pergunta, Granger,” Snape disse rispidamente enquanto olhava furiosamente para Draco. “Responda-a. Agora!”
Contudo, em vez de responder, Hermione somente virou para a esquerda e olhou de relance para Ron, incerta.
“Não tem mais como negar,” Snape pressionou-a. “O sr. Weasley já nos contou que ele começou a briga.”
O que? Ron pensou enquanto sua boca abria indignada. Ele estava tão chocado que não poderia falar mesmo que ele quisesse. Isso era uma mentira. Uma mentira deslavada e eles todos sabiam disso. Todos eles exceto Hermione, era isso. Snape estava tentando enganá-la. Ele estava tentando fazê-la revelar alguma coisa que normalmente não faria e McGonagall estava indo na dele. Essa era a parte mais chocante de tudo.
“Como disse?” Hermione replicou, quase como se ela tivesse achado que não tinha escutado corretamente.
“Você estava lá, não estava?” McGonagall perguntou. “Você testemunhou toda a briga?”
“Sim.”
“Então como uma monitora da escola você tem a responsabilidade de…,” Snape começou, mas o resto de sua fala ficou presa na garganta quando Hermione soltou seu distintivo de monitor e atirou o sobre a mesa dele.
Se Ron pensou que estivesse chocado antes, isso não foi nada comparado ao que sentia agora. Ele também não era o único com a boca escancarada, Malfoy se uniu a ele e Snape não estava muito atrás.
“Srta. Granger?” McGonagall murmurou, claramente tão aturdida quanto todos os outros naquela sala. Ela sabia que a jovem à sua frente era obstinada e leal aos seus amigos, mas isso estava indo longe demais. Malfoy já tinha confessado. Não tinha necessidade dela desistir de seu cargo. “Severus,” ela disse, apanhando o distintivo de monitora de Hermione de cima da mesa dele. “Eu posso ter uma palavra com você?” ela perguntou, andando com gravidade até a porta e mantendo-a aberta, “Em particular?” ela adicionou, gesticulando para que ele a seguisse para fora da sala.
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“Por que fez isso?” Ron perguntou a Hermione no instante em que as ondulantes vestes negras de Snape passaram pela entrada e ele trancou os três monitores dentro de seu escritório. “Você perdeu completamente o juízo?” ele continuou, olhando apavorado e horrorizado ao mesmo tempo.
“Se ele pensa que pode usar o fato de que eu sou uma monitora como uma forma de me coagir a…,” ela se encolerizou. “Então ele pode ir para o inferno e pode levar aquele distintivo com ele.”
“Hermione?” Ron gritou, saindo do estado de horror para uma completa admiração. “Você não tinha que fazer aquilo,” ele disse, ainda tentando manter sua mente envolvida somente no que ele acabara de vê-la fazer. Ela apenas lançara seu distintivo em Snape. Ela podia ter feito tudo, menos ter dito a ele para se danar. Mesmo que ela não tenha dito as palavras na cara dele, sua intenção foi clara. Mas não foi somente de seu distintivo que ela tinha desistido, era sua chance de tornar-se Monitora-Chefe. Ela tinha jogado tudo aquilo fora, exatamente da forma que fizera, por ele. Ela tinha desistido de seu sonho; a coisa na qual tinha gasto os últimos cinco anos trabalhando e ela nem mesmo tinha hesitado. “O que você fez?” Ron surpreendeu-se como se a enormidade de tudo aquilo os tivesse atingido como um soco.
“Oh deus,” Hermione murmurou, a cor sumindo de suas faces enquanto ela se deixava cair numa das cadeiras em frente à mesa de Snape.
“Eu vou consertar isso pra você,” Ron exclamou, afundando-se em seus joelhos na frente dela e colocando suas mãos nos braços da cadeira que ela ocupava. Era uma fraca tentativa de consolá-la e ele sabia disso, mas era tudo que podia pensar para dizer. “Eu juro, eu farei. Eu não sei como, mas eu encontrarei alguma maneira…”
“Um pouco do seu jogo essa noite Granger?” Malfoy falou de forma arrastada.
“CALE A MERDA DA BOCA!” Ron rugiu, virando-se para o sorridente Sonserino no instante que lembrou que ele ainda estava na sala. “ISSO TUDO É SUA CULPA!”
“Como é?” Malfoy perguntou, encontrando os olhos irritados do ruivo e encarando-o de volta. “Eu assumi a culpa, não foi? Eu lhes disse que tinha começado a briga. Você me ouviu assumindo. É culpa dela mesma se ela foi estúpida o bastante para abrir mão…”
“RON! NÃO!” Hermione gritou, saltando de sua cadeira e agarrando o braço dele no instante que ele arremeteu-o em direção a Malfoy. “Foi exatamente isso que nos meteu nessa enrascada em primeiro lugar,” ela silvou enquanto o puxava para trás. “Você realmente quer ter outra briga exatamente aqui, no meio do escritório do Snape?”
“Desculpe,” ele murmurou, mas continuou a tentar intimidar Malfoy com o olhar mesmo enquanto se desculpava com Hermione.
“Oh pelo amor de Deus,” ela suspirou, empurrando-o para a cadeira que havia desocupado. “Só... acalme-se e me deixe pensar por um minuto, pode ser?”
“É,” Draco riu com escárnio. “Vamos ver você pensar numa saída pra isso.”
“Sr. Malfoy,” A voz severa da Professora McGonagall atravessou a sala, assustando tanto o Sonserino loiro que ele realmente pulou enquanto se virava para encará-la. “Você está livre para ir.”
“O QUE!” Ron berrou em ultraje enquanto Malfoy corria para a porta. “Professora, a senhora não acreditou seriamente...”
“Sr. Weasley, por favor,” McGonagall disse, fechando a porta no instante em que Draco terminou de ultrapassá-la e então aproximou-se dos dois monitores grifinórios.
“Mas isso não é justo,” Ron queixou-se. “Você não pode simplesmente deixá-lo ir. Isso é tudo culpa dele. Ele mesmo falou.”
“Seja como for,” McGonagall respondeu acidamente. “Cabe ao professor Snape decidir a punição do sr. Malfoy.”
“Significa que ele sai livre enquanto Hermione perde seu distintivo de monitora?” Ron exclamou, levantando-se de sua cadeira. “Ela não FEZ nada. Não é justo, professora. Você não pode.”
“Já é o bastante, sr. Weasley.”
“Aqui,” Ron disse, arrancando seu emblema de suas vestes e oferecendo-o para McGonagall. “Pegue o meu no lugar. Se um de nós tiver que perder o distintivo deve ser eu. Eu fiz. Eu comecei a briga.”
“Ron,” Hermione silvou ao lado dele.
“Bem eu fiz.”
“Não você não fez,” ela protestou, implorando para que ele se calasse com seus olhos. “Malfoy começou.”
“Ele me provocou, mas eu dei o primeiro soco.”
“Sr. Weasley,” Professora McGonagall disse, aproximando-se e inclinando-se sobre a mesa de Snape. “Você não é mais uma criança há muito tempo. É hora de você aprender como controlar seu temperamento ou isso será capaz de envolvê-lo, e aos seus amigos,” ela adicionou levantando o emblema de monitora de Hermione como se para provar seu ponto de vista, “em sérias confusões. Felizmente,” ela continuou, entregando o distintivo de volta para Hermione, “não existiu nenhum estrago irreparável aqui, hoje. Mas no futuro, pode ser sábio pensar sobre as conseqüências de suas ações antes de reagir. A senhorita Granger pode não estar presente para pará-lo todas as vezes que alguém como Draco Malfoy tente incitá-lo a agir impetuosamente. Se você tiver verdadeiramente aspirações de se transformar num Auror você terá que aprender a controlar os seus próprios impulsos. Você nunca entrará no Programa de Treinamento de Auror, ou na Ordem,” ela adicionou quase num sussurro, “se você for sair cantando de galo todas as vezes que alguém o provocar.”
“Sim, senhora,” Ron suspirou, olhando para baixo em direção aos seus sapatos desconfortavelmente. “Eu tentarei.”
“Estou certa que sim. Agora sobre suas punições.”
“PUNIÇÕES! Nós dois? Mas Hermione não fez nada.”
“Sr. Weasley?” McGonagall avisou, enrugando seus já finos lábios ainda mais.
“Desculpe, Professora.”
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“Você não acha que McGonagall os expulsaria realmente, não é?” Ginny inclinou-se para frente e perguntou a Harry baixinho enquanto observavam Draco entrar no Salão Principal atrás de Snape e andar com seu jeito superior até a mesa da Sonserina como se ele não tivesse nenhuma preocupação no mundo.
“Duvido,” Harry respondeu, olhando fixamente para Malfoy que tinha acabado de sentar-se no banco entre Crabbe e Goyle e alcançava a comida.
“Então onde eles estão?” Ginny suspirou.
“Eu não sei,” Harry respondeu, tentando não ficar tão preocupado quanto Ginny. “Talvez McGonagall ainda não tenha terminado de repreendê-los.”
“Mas eles estão lá há anos,” Ginny discutiu, “Eles perderam a seleção, o discurso de Dumbledore e a maior parte da festa.”
“Talvez McGonagall não os deixe vir,” Harry respondeu, esquadrinhando a mesa dos funcionários outra vez para ver se ela própria aparecia. “Como naquela vez que Ron e eu pegamos o carro do seu pai. Nós tivemos que permanecer no escritório de Snape.”
“Será que devemos guardar alguma comida pra eles?”
“Não, ela iria alimentá-los e a si mesma se isso acontecesse. E se não, Ron pode pegar a minha capa de invisibilidade e descer até a cozinha mais tarde.”
“Oh é,” Ginny falou sarcasticamente. “Essa é uma idéia brilhante. Ron já está encrencado. A última coisa que ele precisa é ser apanhado perambulando pelos corredores depois do horário.”
“Tudo bem. Eu irei então. Se eu for apanhado,” O que não serei, Harry adicionou silenciosamente, “Eu só direi que queria visitar Dobby.”
“Ou nós poderíamos apenas levar algum alimento conosco,” Ginny respondeu, agarrando um dos guardanapos de pano da mesa e enchendo-o com galinha. “Você terá que fazer isso, aliás,” ela disse, empurrando o guardanapo na direção de Harry, “porque eu tenho que acompanhar os primeiroanistas ao salão comunal e eu não posso exatamente quebrar as regras na frente delas. Não em minha primeira noite como monitora, de qualquer forma. Hermione iria me matar, mesmo que o alimento seja para ela.”
“Percebeu que ela estava com uma péssima disposição, não é?” Harry perguntou, pegando o guardanapo cheio de galinha da mão de Ginny.
“Você está brincando?” ela riu disfarçadamente. “Foi um tanto difícil não notar o modo que ela rosnava para Ron.”
“Pelo menos as coisas estão voltando ao normal,” Harry respondeu com um pequeno sorriso. “Eu nunca pensei que eu realmente sentiria falta daquelas brigas dos dois, mas isso foi tão... estranho a forma como eles se davam ao trabalho de serem gentis um com o outro todo o tempo. Honestamente, eu estou surpreso que eles foram tão longe sem ter uma briga.”
“Eles tiveram muitas brigas antes... de você chegar,” Ginny disse embaraçadamente. “Peça só para Ron contar a você sobre a vez depois que eles interromperam aquele repórter no jardim. Foi tão ruim que papai teve que proteger a cozinha.”
“George me falou sobre isso,” Harry replicou. “Ele contou que ela berrou até mesmo com ele.”
“Oh sim. Ela falou para George cair fora,” ela gargalhou. “De qualquer forma ele mereceu. Agitando aquela advertência oficial que ela recebeu do Ministério embaixo do nariz dela daquele jeito.”
“Ele esqueceu de mencionar essa parte quando me contou a história,” Harry riu.
“Logo vi. Olhe,” Ginny disse, acenando sua cabeça para a entrada onde seu irmão passou enfurecido. “Hermione não é a única com uma disposição péssima,” ela sussurrou para Harry enquanto os dois monitores se aproximavam da mesa.
“Aquele morcego velho,” Ron rosnou enquanto se sentava no banco ao lado de Harry e apanhava uma travessa de costeletas de porco.
“Ron!” Hermione advertiu com uma carranca enquanto se sentava.
“Deixe me adivinhar,” Harry suspirou, virando para Hermione que se sentara do seu outro lado. “Malfoy foi direto a Snape?”
“Na verdade,” ela respondeu, rolando seus olhos para Ron, que tinha enchido seu prato até a borda e agora atacava suas batatas ferozmente, “ele foi direto para a ala hospitalar.”
“Maldito bebezão.” Harry ouviu Ron sussurrar. “Quem vai para a enfermaria por causa de um olho roxo?”
“Madame Pomfrey provavelmente contou a Snape.”
“Bem, vocês continuam aqui, então McGonagall obviamente não expulsou nenhum dos dois,” Ginny disse.
“Não,” Ron rosnou. “Ela somente me deu detenção.”
“Você realmente não pode culpar ninguém além de si mesmo,” Hermione censurou.
“Eu posso culpar o Malfoy.”
“Oh, ele fez você gritar com McGonagall, não foi?” Hermione perguntou sarcasticamente.
“Bem, ela não tinha razão para dar detenção para você também.”
“Você ganhou detenção?” Ginny perguntou, olhando para Hermione em choque.
“Um maldito mês,” Ron guinchou incrédulo.
“Ron, não xingue. O que aconteceria se os primeiranistas ouvissem você e...”
“Os primeiranistas estão bem distantes daqui,” Ron interrompeu, apontando para o final da mesa onde os novos Grifinórios estavam sentados. “Eles não podem ouvir uma palavra do que eu digo.”
“Esse não é o ponto.”
“Sim, é sim.”
“Aí vamos nós,” Ginny falou, rolando seus olhos para Harry.
“Vocês pegaram um mês de detenção?” Harry perguntou, seus olhos pulando de Ron para Hermione. “Cada um?”
“Guarde seu fôlego, companheiro,” Ron respondeu. “Ela nem mesmo se importa.”
“É claro que me importo,” Hermione devolveu.
“Então por que você não está chateada?” ele contrapôs.
“Bem eu merecia isso, não é?” ela respondeu. “Ela poderia não ter me devolvido o distintivo.”
“O que?” Ginny perguntou, olhando confusa para Ron. “McGonagall tirou seu distintivo de monitora?” ela questionou, seus olhos arregalados em espanto.
“Não,” Ron disse, sorrindo pela primeira vez desde que entrara ano salão. “Snape tentou lembrá-la que como uma monitora era sua obrigação ser desleal comigo, então ela atirou seu distintivo nele. Isso foi muito brilhante,” ele falou entusiasmado. “Isso quase valeu pegar um mês de detenção para ver o olhar dele. A única coisa que poderia ter sido melhor seria se você tivesse acertado a testa oleosa dele.”
“Não foi tão ruim quanto ele fez parecer,” Hermione assegurou aos seus amigos. “Não é um mês exatamente. É somente uma noite por semana, por um mês.”
“É, noites de sábado,” Ron rosnou. “A única noite que eu não tinha que me preocupar em terminar os trabalhos de casa.”
“Você não faz nenhum trabalho nas noites de sexta também.”
“Esse não é o ponto. Ela arruinou meus finais de semana.”
“Não,você os arruinou,” Hermione argumentou. “Você podia ter sido expulso,” ela ralhou. “Você vai passar por isso fácil.”
“Fácil?” Ron queixou-se. “McGonagall vai escrever para minha mãe essa noite. Eu não me surpreenderia se ela mandasse um par de berradores pela manhã. Ria disso,” ele adicionou quando Hermione olhou para ele rolando os olhos. “Ela irá mandar um para você também. Espere e veja.”
“Agora quem é o bebezão?” Hermione murmurou em seu guardanapo.
“EI! Eu ouvi isso.”
“Alguma vez ouviu falar sobre lamentar o que desejou?” Ginny perguntou para Harry rindo. “Já não está cansado dessas briguinhas?”
“Não,” Harry respondeu com um sorriso, inclinando-se para trás e facilitando para seus dois melhores amigos verem um ao ouro enquanto discutiam.
“Você vai ficar,” Ginny avisou.
“Provavelmente,” ele concordou, “mas até agora, é bom estar de volta.”
“Então o que nós perdemos?” Ron perguntou, deixando de olhar para Hermione e baixando o olhar em direção aos novos primeiranisas.”
“Vocês perderam a seleção, obviamente,” Harry replicou.
“E o discurso de Dumbledore,” Ginny adicionou.
“Espere. O que?” Hermione perguntou, tirando seus olhos do grupo de professores e cravando-os em Ginny. “Dumbledore já fez seu discurso? Antes do banquete? Mas ele sempre faz depois.”
“Não esse ano,” Harry replicou.
“Ele falou que não podia ficar mantendo isso afastado,” Ginny explanou “Uma vez que nós todos sabemos sobre ‘os eventos’ que ocorreram no verão e agora tínhamos provavelmente presumido quem estava faltando.”
“O que ele disse sobre os ataques?” Ron perguntou, abaixando seu garfo antes que alcançasse sua boca.
“Não muito,” Harry respondeu. “Nada que nós já não soubéssemos.”
“Exceto os nomes das outras vítimas,” Ginny replicou.
“Euan Abercrombie?” Hermione perguntou, após uma rápida olhada nas outras mesas. “Eles não foram todos da Grifinória, foram?”
“Não,” Ginny respondeu tristemente. “Eles foram Orla Quirke da Corvinal e Kevin Whitby. Ele estava na Lufa-lufa.”
“Então todas as casas exceto a Sonserina?” Ron perguntou. “Percebeu?” ele murmurou, olhando de relance para Malfoy.
“Ele não disse mais nada?” Hermione questionou, seus olhos grudados na mesa dos funcionários novamente. “Sobre os ataques?”
“Nada que já não soubéssemos,” Ginny repetiu. “Ele pediu que nos juntássemos a ele num brinde em memória deles e então prosseguiu com os anúncios usuais. Oh sim,” ela adicionou, virando para seu irmão. “Os testes para os times de Quadribol serão em duas semanas. Você provavelmente terá que comparecer, então é melhor que converse com McGonagall e tenha certeza que isso não irá interferir na sua detenção.”
“Está certo,” Ron disse, olhando para McGonagall que estava sentada perto de Dumbledore na mesa principal. “E sobre o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas?” ele perguntou, perscrutando o restante da mesa e percebendo que ali não tinha nenhum rosto desconhecido. “Por favor me diga que ele não deu o cargo a Snape.”
“Ele não deu,” Hermione respondeu enquanto beliscava sua comida.
“Como você sabe?” Ron perguntou.
“Porque eu vi o novo professor de DCAT no trem,” ela respondeu.
“Quando?” Harry questionou, obviamente tão surpreso com as novidades quanto Ron e Ginny.
“Quando eu fui até os fundos do trem e pedi a Tonks para refazer os feitiços que ela tinha colocado em meus cabelos.”
“Onde está ele então?” Ron perguntou, olhando para ela cético.
“Ela,” Hermione corrigiu. “E eu não tenho idéia.”
“Uma bruxa?” Ron murmurou.
“O que quer dizer com isso?” Ginny fuzilou.
“Quero dizer que iremos aprender tudo dos livros, igual ao ano passado.”
“Eu não estaria tão certa disso quanto você,” Hermione riu baixinho.
“Você sabe quem ela é, não sabe?” Harry perguntou.
“Bem,” Ron demandou, quando Hermione sorriu. “Quem ela é?”
“Eu já disse a vocês,” ela respondeu, baixando a sua voz para quase um sussurro. “É a Tonks.”
“Sério?” Ginny exclamou alto. “Isso é tão legal.”
“Excelente,” Ron disse, sorrindo tanto quanto Harry e sua irmã.
“Aparentemente Dumbledore pensa que seria uma boa idéia ter um Auror por perto,” Hermione explanou. “E já que Fudge bobeou muito no ano passado, ele fez o possível para cativá-lo. Mas Tonks falou que nós não podíamos deixar que soubessem que conhecíamos tão bem, então tente controlar seu entusiasmo um pouquinho,” ela avisou aos seus ruivos amigos.
“Certo,” Harry replicou.
“Tomara que tenhamos DCAT com os Sonserinos,” Ron falou, lançando um olhar para o espaço e completamente à parte dos olhares espantados com que Harry e Hermione o presentearam. “Eu adoraria vê-la lidando com Malfoy.”