— Bom dia, Sr. Snape. — Maureen ergueu os olhos da mesa e sorriu. Depois de uma noite de insônia resolveu mudar de tática.
— Bom dia. — Naturalmente ele não mostrou nenhuma reação positiva à saudação bem humorada de Maureen.
— Fiz café. O senhor gostaria de uma xícara?
— Sim, seria bom. Por favor, leve até meu gabinete.
Maureen notou que a perna dele tinha melhorado e que de fato a teoria de Elly sobre o mau humor de Snape estar relacionada à dor fazia todo o sentido agora! E nas dez horas seguintes também: Snape estava sendo educado e cordial!
Maureen levou a xícara de café a Snape, que sem levantar os olhos das fichas que examinava, disparou:
— Eu supus que você pensasse que fazer café é uma tarefa pouco digna para uma mulher com o seu talento.
— É claro que não. Faz parte das obrigações de uma boa secretária.
— Claro... — ele interrompeu, sem tirar os olhos da correspondência que ela tinha colocado sobre a mesa um pouco antes. — Eu vou precisar que tome notas durante um julgamento, se possível.
— É claro. Existe algum relatório que eu possa ler antes para me familiarizar com o caso?
— Sim. — Snape citou vários nomes de ex-comensais com frieza. — Uma última coisa. — Pela primeira vez ele a encarava. — Mande um recado para o Departamento Pessoal e descubra até quando a Sra. Mimsy continuará ausente.
Maureen estava pronta a dizer que também não via a hora da preciosa secretária madura dele voltar, mas se conteve, respondendo com doçura:
— Sim, senhor.
Snape franziu as sobrancelhas.
— Eu acho que gostava mais de você quando não era assim tão... boazinha... Entretanto, fico satisfeito em ver que afinal reconheceu o seu lugar.
Maureen estava furiosa, prestes a explodir. Mas, em vez disso, forçou um sorriso.
— Só estou defendendo o meu emprego, senhor.
— Isso mesmo, Srta. Parker.
Maureen precisou de muita calma para não deixar transparecer toda sua indignação. Ela nunca tinha lidado com um homem tão arrogante! Todavia, ele não conseguiria derrotá-la. Em dizer que há poucos minutos ele até conseguiu ser educado...
Trabalharam juntos durante toda a manhã, de início cuidando da correspondência. Snape restringia-se a transmitir ordens. Eles tinham um trabalho a fazer: não havia espaço para mais nada. Nem um sorriso. Nem uma brincadeira. Nenhuma conversa desnecessária. Ele a via como um simples objeto do escritório, como uma pena, por exemplo. Ela estava ali para auxiliá-lo nos serviços administrativos, nada mais. Aquilo deixava Maureen desconcertada. Afinal, ela não era uma mulher muito bonita, mas passou a se flagrar desejando ser notada...
Uma vez de volta à mesa de recepção, ela parou um minuto antes de enviar o memorando para Elly, também antes de se concentrar nas inumeráveis tarefas que Snape lhe tinha dado. Maureen escreveu à amiga informando que não poderia almoçar com ela e questionou o estado de saúde da Sra. Mimsy.
“Ei, isto é ótimo. Ele nunca levou Elizabeth com ele antes. Você deve tê-lo impressionado. Por falar nisso, você pensou no que lhe disse ontem?”
Sim, ela pensou. E aquela louca não imaginava mesmo, que ela, Maureen Parker, seguiria com um plano mirabolante de fazer Severo Snape se apaixonar! Ou pensava?
“Ora, ele só precisa de alguém que lhe abra os olhos. E, pelo que pude ver, você é a mulher perfeita para isso”.
Entretanto, Maureen duvidava de que alguém tão insensível como o Sr. Snape fosse capaz de se apaixonar. Depois de combinar de ir à parte trouxa de Londres com Elly, Maureen voltou-se ao trabalho.
Meia hora antes do julgamento, Maureen deu uma olhada nas pastas que Snape tinha recomendado, para se familiarizar com o caso.
Mentalmente, ela se sentia preparada e alerta para o julgamento. Quando Snape apareceu, ergueu-se em silêncio e seguiu até o elevador. Sabendo que ele não apreciava conversas desnecessárias, Maureen guardou as dúvidas para si. Caminharam até as portas do tribunal, onde estando ele de costas, Maureen teve como observá-lo.
Talvez sua opinião sobre ele como ser humano fosse baixa, mas como profissional Snape estava acima de qualquer crítica. Quando buscava alguma coisa, seguia pelo caminho mais direto e objetivo. Era implacável.
Os olhos de Maureen deslizaram até as mãos dele: eram grandes e fortes. Pareciam capazes de erguer um império ou acariciar uma mulher com o máximo de ternura. E ele podia ser gentil, as mãos dele mostravam isso. Maureen sentiu-se ofegante quando imaginou aquelas mãos deslizando por sua pele. Mas o ridículo da situação fez com que sacudisse a cabeça e deixasse escapar um gemido da garganta. Snape ergueu os olhos momentaneamente. A moça olhou para a lateral com rapidez, sem entender o que estava acontecendo. Ela nem mesmo gostava daquele homem.
Quando Snape tocou a maçaneta da porta, anunciou:
— Quero que tome notas durante todo o julgamento. Quando voltarmos, esquematize tudo e me entregue suas impressões sobre o que aconteceu.
Maureen abriu e fechou a boca, surpresa. Ela era secretária dele, não uma analista pessoal. Mas não se atreveu a fazer comentários. Cumpriria todas as ordens de modo que ele não pudesse encontrar nela um único defeito.
Entraram no tribunal e Snape à posição de destaque junto da cadeira do Ministro, fez sinal para que Maureen se acomodasse a seu lado. Aquela atitude deixou-a surpresa: imaginara que ficaria sentada num canto, apenas observando os acontecimentos à distância.
Ela tomou notas meticulosas das declarações que eram feitas, impressionada com o papel de Snape. Precisamente às duas da tarde tudo estava terminado. Maureen ergueu os olhos do bloco e flexionou os músculos tensos dos ombros. Os outros homens e demais membros do Wizengamot se levantaram, e o ruído do abrir e fechar de pastas encheu a sala.
— Que bom vê-lo novamente, Snape. — O homem sentado à direita de Snape, Adam Holmes, fez o comentário, e lançou um olhar sobre Maureen com uma familiaridade que a deixou inquieta. — Você tem sorte de ter a funcionária mais competente do Ministério como sua secretária particular.
Snape encarou Maureen momentaneamente.
— Ela é apenas uma substituta. Minha secretária está doente esta semana. — Snape não lhe deu mais nenhum minuto de atenção quando se levantou e pegou a bengala, afastando-se.
Furiosa com tanto desprezo, Maureen pegou a bolsa. Ele não tinha notado nada a não serem as habilidades profissionais dela. Maureen era uma mulher — Ok, com um cabelo não tão lindo como os cabelos das top models que estampavam as páginas do Semanário Bruxo — mas se Severo Snape não via isto era problema dele, não dela. Mesmo assim, continuou ofendida com o comentário dele durante todo o percurso até o escritório de Snape.
No intervalo, desceu até o Departamento Pessoal para falar com sua amiga Elly. Tinha pensado em ficar no escritório para agilizar o relatório, mas definitivamente não agüentava mais a presença de Snape.
— Acalme-se, Maureen! Eu falei com a Sra. Elizabeth hoje e tenho boas notícias!
— Eu bem que estou precisando.
— Ela estará de volta na segunda de manhã.
— Ainda bem.
— Como foi o julgamento?
— Eu... Eu não sei. — Ela ainda não tinha analisado as anotações para fazer o relatório.
— Pelo jeito ele já está causando efeito sobre você.
— Ele? Você não pode estar falando de quem eu estou pensando.
Elly riu:
— Não se esqueça de me esperar na saída.
— Está bem. E obrigada pela novidade.
O resto da tarde transcorreu calmamente. Maureen repassou as anotações e observações pessoais e as levou para Snape antes de sair. Ele estava escrevendo quando ela entrou; então fez uma pausa e ergueu os olhos.
—Sim?
— Eu só queria avisá-lo de que a Sra. Elizabeth estará de volta na segunda pela manhã... Foi muito edificante trabalhar com o senhor nestes últimos dois dias.
Ele se recostou na cadeira e encarou-a com atenção:
—Você desempenhou bem seu papel. Foi uma boa surpresa, Srta. Parker.
— Ora, um elogio! — Maureen exclamou sem conseguir esconder um sorriso de satisfação.
— Tenho certeza de que você se sairá bem aqui no Ministério.
— Obrigada. E se alguma vez precisar de uma substituta para a Sra. Elizabeth...
— Espero que isso não seja necessário por enquanto...
“Não tanto quanto eu acho”, pensou Maureen.
— Boa sorte, então, Sr. Snape.
Ele já tinha voltado a atenção a trabalho.
— Boa tarde, Srta. Parker.
O coração de Maureen ainda batia forte quando encontrou Elly Michaels. Por um instante, ela quase gostou de Severo Snape. Quase!
— Suponho que a tarde transcorreu sem problemas. — questionou Elly.
— Mais ou menos.
— Você está pronta para discutir?
— Depende do assunto. Severo Snape está fora de cogitação.
— Mas é exatamente sobre ele que vamos conversar. Venha, eu vou lhe pagar uma bebida para que fique um pouco mais relaxada.
— É isto que me preocupa...
— Oh, pare de se queixar! Hoje é sexta-feira, Maureen!
Jogando o casaco por cima do braço, as duas amigas desceram pelo elevador e saíram do prédio. A rua estava movimentada àquela hora e Elly abriu caminho entre e carros parados até um pequeno pub a algumas quadras dali. Um pequeno grupo de mulheres de uma mesa acenou quando elas entraram. Maureen reconheceu os rostos.
— Olá, todo mundo. Vocês todas conhecem a Maureen, não conhecem?
— Olá — Maureen ergueu a mão em saudação.
— Esta é Bárbara, esta é Carrie. Você já conhece Susan. — Elly fez as apresentações. — Bem, o que vocês acham, garotas?
— Ela é ótima!
— Perfeita!
— Exatamente o que queremos!
Tomando assento, Maureen olhou em volta, incrédula.
— Mas do que vocês estão falando?
— De você! — Falaram as quatro de uma só vez.
— Isto tem alguma coisa a ver com Severo Snape? — Ela não estava gostando nada daquilo.
— Acho que é melhor pedirmos uma bebida, primeiro.
Maureen sacudiu a cabeça; as quatro mulheres tinham aparência e idade diferentes. Bárbara tinha passado dos quarenta, Carrie deveria ter uns trinta, Susan era mais jovem e Elly devia ter a idade dela, cerca de vinte e quatro anos.
A garçonete retornou com cinco garrafas de cooler.
— Bem, agora me expliquem direitinho o que está acontecendo.
— Veja, nós todas lemos romances. Nós somos fascinadas por eles. As histórias são maravilhosas!
— ... e Severo Snape faz o herói perfeito, você não acha? — acrescentou Bárbara.
— O quê?!
— Você não notou o charme e elegância dele? — disse Bárbara.
— Aquelas feições másculas e viris? – contribuiu Carrie.
— Bem, eu... — murmurou Maureen, cada vez mais confusa. A garganta estava estranhamente seca e ela tomou um bom gole do vinho refrescante.
— Ele tem aquela cicatriz no queixo.
Isso era algo que Maureen não tinha notado.
— Nós quatro concluímos que o Sr. Snape é um homem decididamente infeliz — continuou Carrie. — A vida dele está vazia.
— Ele precisa de uma mulher para amar, alguém que também o ame — retrucou Bárbara.
— É uma teoria bastante interessante — Maureen tomou um segundo gole, mas decidiu se controlar ou acabaria sendo convencida pelas outras.
— E é óbvio que nenhuma de nós seria a escolhida.
— Mas, que tal você, Elly? — tentou Maureen.
— Sinto muito, mas eu já tenho um outro casamento em vista.
— Só que Ronald Weasley ainda não sabe — interrompeu Carrie e todas caíram na gargalhada.
— Você é uma mulher perfeita para Severo Snape.
— O tipo exato da heroína.
— Eu não posso acreditar no que estou ouvindo. Eu nem mesmo gosto daquele homem!
— Melhor ainda. Isso raramente acontece com as heroínas também.
— Acho que vocês estão confundindo fantasia com realidade.
— É claro que estamos. E é aí que está a graça. Nós somos românticas incuráveis e, quando vemos um romance florescer, simplesmente faz parte da nossa natureza querer participar e ajudar as coisas acontecerem.
— Nós já pensamos até em escrever um romance — informou Susan.
— Mas, por que eu?
— Você é perfeita para o Sr. Snape, além de ser extremamente bonita.
— Eu? Bonita? Obrigada, mas... Isso não tem cabimento, nem explica por que me escolheram para esta trama.
— O Sr. Snape gosta de você. Você não é artificial, Parker. Vê só o que a Granger era e fez com ele.
— Você está louca!
— Ele a respeita, sim! Nós notamos isso quando levou à reunião. Jamais a teria levado se não desse valor à sua opinião.
Levando o copo aos lábios, Maureen sacudiu cabeça:
— Vocês sabem o que ele disse? Um homem comentou sobre ótima secretária que ele tinha e o herói de vocês disse que eu era apenas uma substituta, como se estivesse tendo maiores dificuldades comigo...
As quatro mulheres ficaram estranhamente quietas.
— O que você acha, Barbara? — perguntou Elly.
— Eu diria que ela já chamou a atenção dele. Ele já começou a lutar contra.
— Ora, vocês estão fantasiando!
— Eu não penso assim. — Elly abriu a bolsa e tirou uma cópia da ficha de admissão de Maureen. — Eu fiz uma investigação. Você teve dois empregadores em dois anos antes de vir para cá. Certo?
— Certo — Maureen começou a ficar inquieta.
— Por quê?
— Bem... — Ela fez uma pausa para limpar a garganta. — Eu tive alguns problemas com os homens para os quais trabalhei.
— Que tipo de problemas?
— Você sabe.
— Homens fazendo investidas? — sugeriu Susan.
— Mais do que isso. Eles queriam muito mais do que serviços profissionais de mim...
— Oh, sim — disse Elly.
— Acreditem-me, garotas, não era romance o que meus antigos patrões tinham em mente.
— O que você fez?
— Pedi demissão, é claro.
— Oh, ela tem muito jeito para ser heroína! — concluiu Bárbara, assentindo.
Sem conseguir segurar o riso, Maureen acrescentou:
— Vocês não estão acreditando nisso de verdade, não é?
— Claro que sim! — elas exclamaram juntas.
— Mas o que interessa a vocês se Severo Snape é casado ou não? Talvez ele goste de ficar solteiro. Nem todos foram feitos para o casamento...
Elly foi a primeira a responder:
— Como disse antes, nós somos românticas incuráveis. Nós trabalhamos para o Sr. Snape há bem mais tempo que você. Ele precisa de uma esposa, só que ainda não sabe disso. Mas nós fazemos isto por interesses pessoais também. O trabalho ficaria bem mais fácil se ele tivesse uma família própria.
— Família? — Maureen quase se engasgou com o vinho. — Primeiro vocês querem que eu me apaixone por ele, então nos casamos, e agora já estou dando a luz aos filhos dele!?
Aquela conversa estava ficando ridícula. Para ser honesta, ela até ficaria tentada a jogar contra Snape. Então teria o prazer de desprezá-lo e virar-lhe as costas para sempre. Mas não era isso que Elly e as amigas tinham em mente.
— Veja — recomeçou Bárbara —, nós achamos que o Sr. Snape concordaria mais facilmente em conceder certos benefícios aos empregados se estivesse em uma situação semelhante à nossa..
Maureen sacudiu a cabeça. Aquelas mulheres não estavam brincando.
— Eu acho que isso poderia ser melhor resolvido por um sindicato.
— Mas não existe nenhum. Portanto estamos criando um do nosso modo.
Maureen continuava sem entender.
— Que tipo de benefícios?
— Regras mais brandas quanto a licença de maternidade...
— ... mais assistência de saúde incluindo os outros membros da família.
Maureen olhou as quatro expressões intensas uma a uma.
— Vocês estão mesmo falando sério, não é?
— Completamente.
— Sem dúvida. — Elly estendeu a mão e pediu mais uma rodada à garçonete.
— Eu sinto muito, garotas, mas não tenho jeito para isso. — Maureen esperou até que a garçonete as servisse. — Um homem como Severo Snape precisa de uma mulher bem menos obstinada do que eu. Nós mal falamos uma palavra civilizada um para o outro nestes últimos dois dias.
— A mulher que o amar vai precisar ter uma personalidade muito forte. — Disse Susan.
— Ela vai precisar mais do que isso. — Maureen não acreditava que alguém fosse capaz de tirar aquela máscara de pedra do rosto de Snape. Ele era frio e distante demais.
— Diga-me, eu não sabia que você falava Francês. — Elly sorriu e ergueu os olhos da ficha de Maureen. — É verdade, Maureen?
— Minha avó era francesa. Ela me ensinou.
— Então você é bilíngüe?
— Isso mesmo.
As quatro encararam Maureen como se a estivessem vendo com novos olhos.
— Ei, por que estão me olhando assim?
— Por nada. — Bárbara baixou a cabeça rapidamente.
— Então sua avó era francesa? — repetiu Carrie, quase não conseguindo esconder o sorriso de satisfação.
— Por que será que estou tendo o pressentimento de que vocês quatro estão me escondendo alguma coisa? O que o fato de eu falar Francês com fluência tem a ver com isso? — Maureen encarou uma a uma, desconfiada.
— Você verá.
— Eu não estou gostando nada disso!
— O que você acha da nossa idéia? — indagou Bárbara.
— Sobre achar uma mulher para Sr. Snape?
As quatro assentiram, esperando ansiosas.
— Ótimo! Desde que a mulher não seja eu.
— Eu acho que é destino — murmurou Elly. — Tudo está saindo melhor do que tínhamos planejado.
— Como assim? Eu não estou entendendo nada!
— Você entenderá!
Segunda de manhã, Maureen chegou cedo ao trabalho. Tinha passado um fim de semana calmo, cuidando de algumas plantas no terraço do apartamento, o que a ajudara esquecer a conversa que tivera com as colegas na sexta à noite. Tudo aquilo era um absurdo e ela decidira pôr um ponto final em toda aquela história.
Na hora do café, Maureen desceu e encontrou Elly sentada à escrivaninha.
— Oh, que bom que você veio! — murmurou Elly.
— Por quê? A Sra. Elizabeth ainda não se recuperou?
— Não, fique descansada, ela está de volta. Pelo menos, penso que sim. Ainda não ouvi nada lá de cima.
Maureen ficou aliviada. Quanto menos visse Snape, melhor.
— Eu fiz alguns acertos com o Sr. Potter para que você possa ficar fora na semana que vem.
— Acertos? Do que você está falando?
— Vamos almoçar juntas hoje?
— Elly, o que está acontecendo?
— Você verá.
— Elly!
— Eu converso com você depois. — Ela consultou o relógio. — Honestamente, eu lhe contaria, mas não posso... Ainda.
Desconcertada, Maureen voltou para sua sala, parando no caminho para questionar Carrie, que a recebeu com olhos de pura inocência. Maureen não sabia o que elas tinham tramado, mas sabia que envolvia Severo Snape.
O restante da manhã transcorreu com tanta rapidez que Maureen se admirou ao ver que já era hora do almoço. Ela estava convencida de que era muito fácil trabalhar para qualquer pessoa, desde que não fosse Severo Snape. Harry Potter, chefe da Seção dos Aurores, chefe dela, era paciente e tranqüilo, bem diferente do homem que a tratara como um robô naqueles dois dias. E Harry nunca deixaria de louvá-la por um trabalho caprichado. Arrancar um elogio de Severo Snape era um esforço inútil.
Maureen almoçou com Elly, Carrie e as outras que ela havia conhecido na sexta-feira anterior, portanto ela não teve oportunidade de perguntar nada a Elly sobre o assunto e arranjar uma substituta para trabalhar com Potter na semana seguinte.
As garotas conversavam animadamente e Maureen ficou aliviada ao ver que não tocavam no nome de Snape. Apesar de lutar exatamente pelo contrário, Maureen estivera pensado até demais nele nos últimos dias.
No caminho de volta ao escritório, Maureen acabou encontrando-o pessoalmente. Ela estava esperando pelo elevador, retocando a maquiagem (que sequer percebeu ter começado a usar com mais capricho nos últimos dias) em um pequeno espelho que trazia na bolsa. O elevador parou e as portas enormes se abriram. De repente, Maureen viu-se diante dele.
— Boa tarde, Srta. Parker.
Ainda com o batom na mão, Maureen ficou ali, encarando-o, incapaz de se mover.
— Você vai ou não pegar o elevador?
— Oh, sim — Maureen entrou rapidamente e guardou o espelho e o batom na bolsa, pressionando os lábios com força.
Snape apoiou as duas mãos na bengala.
— Como vão as coisas, Srta. Parker?
— Muitíssimo bem. Meu chefe aprecia muito todos os meus esforços.
— Talvez suas habilidades tenham melhorado.
— Como o senhor mesmo disse, as coisas realmente melhoraram — disse Maureen num tom exageradamente doce.
Snape conteve o riso.
— Admito que estou sentindo falta das suas respostas espirituosas. Talvez em breve tenhamos oportunidade de trocar insultos de novo...
Uma brincadeira de Snape! Maureen mal podia acreditar!
— Não conte com isso. — As portas se abriram e Maureen saiu. — Talvez numa outra vida, Sr. Snape.
— Isso me desaponta, Srta. Parker. Eu estava pensando na semana que vem. — As portas se fecharam novamente.
Semana que vem? Mais uma vez aquelas palavras deixaram-na desconfiada. Sem esperar mais um minuto, Maureen desceu à sala de Elly a fim de esclarecer tudo.
— Agora, explique-se — ordenou Maureen com as duas mãos apoiadas na escrivaninha.
— Como?! — Elly era a inocência em pessoa, o que já dava motivos para desconfiança.
— Eu acabei de ver o Sr. Snape e ele disse algo sobre a semana que vem. Eu não estou gostando nada disso.
— Oh, acho que me esqueci de contar, não é?
— Sobre o quê? — Maureen sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha.
— O Sr. Snape irá viajar a Paris para uma cúpula diplomática com o Primeiro Ministro da França, representando o Ministro.
Cruzando os braços, Maureen encarou a amiga, desconfiada.
— Que interessante!
— A parte interessante é que ele precisa de uma secretária bilíngüe para acompanhá-lo.
— Você não está querendo dizer...
— Quando o Sr. Snape nos consultou, nós ainda não tínhamos ninguém fichado que falasse Francês, mas, desde então, venho dando uma olhada nos currículos do pessoal... E descobri o seu.
— Elly, eu me recuso a ir. Ele e eu não nos damos bem juntos.
— Quando mencionei seu nome ao Sr. Snape, ele ficou encantado.
— Eu suplico!
— Seu vôo sai na segunda de manhã, bem cedo!