FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

7. A Última Profecia


Fic: O Filho das Trevas - reescrita


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

- A Última Profecia -


 


That heal all wounds,


Heal all wounds,


Heal all wounds and light this end  less… Dark


That shine on you and tame your burning heart;


That bury my truth right into your arms;


That worship the tomb of our forlorn love;


That heal all wounds and light this endless… Dark”


 


Endless Dark, HIM


 .


I


 .


Eles aparataram em algum lugar deserto que Ginny não se lembrava de ter estado antes. Era quase meio dia, pelas sombras que formavam na grama esbranquiçada. Haviam árvores esparsas e uma cidadezinha pouco visível no centro de uma depressão além deles. No alto de um morro ao outro lado da pequena cidade, havia uma silhueta de uma grande casa.


- Onde estamos? - perguntou Ginny, ofegante. - Achei que fossemos para B. Hall.


- Ainda não - respondeu Tom, sorrindo, apesar de parecer ligeiramente cansado. - Bem vinda a Little Hangleton.


Ela ergueu as sobrancelhas.


- Não é a cidade onde…? - começou ela, desconfiada.


- Onde meus pais nasceram? Sim - respondeu ele, calmamente. - E aquela era a casa de meu pai.


- O que estamos fazendo aqui?


- Foi ao acaso; precisava de um lugar com privacidade para testar o Pentagrama.


Ginny sentiu uma espécie de excitação com nervosismo àquele anúncio. Também estava ansiosa para ver os novos poderes de Tom quando ele usasse o pingente, mas também tinha receio de suas intensidades.


Ele percebeu a divisão de humor dela.


- Vai dar tudo certo. Há muito tempo eu tomei providências contra acidentes mágicos - disse ele, tranqüilizando-a.


- Como quando você atacou Harry? - desdenhou Ginny, sem muita convicção.


Ele fez uma careta de desaprovação.


- Isso foi diferente - desconversou. Então tirou o objeto do bolso e observou-o pender por alguns instantes, com olhos admirados. Era algo raro de vê-lo expressando.


E estava muito confiante.


- Tom - chamou ela, séria. Ele olhou-a. - Cuidado.


Ele deu um sorriso arrogante e puxou-a para um beijo breve depois de segurar seu queixo com os dedos. Aquilo não diminuiu sua preocupação, mas ele ignorou-a.


Ginny observou, nervosa, o homem encapuzado afastar-se alguns metros, guardar a varinha no bolso e hesitar alguns milésimos de segundos antes de passar a fina corrente ao redor do próprio pescoço.


Houve um clarão esquisito e sem som. Ela apertou os olhos, assustada, sentindo em seguida um receio inexplicável, como se ele tivesse sido fulminado pela luz ofuscante. Ginny sabia que aquilo não tinha como dar certo…


Então suas pálpebras ficaram menos avermelhadas e ela achou seguro abrir os olhos sem cegar-se.


Tom estava onde havia estado antes da luz forte acontecer, só que não do mesmo jeito, reparou ela, depois de observar por alguns segundos.


Ele estava parado admirando as próprias mãos. Não havia nada de errado com elas, a não ser pelo fato de ele as estar flexionando, como se algo o incomodasse. Então, depois de algum tempo em silêncio, ele apontou o indicador para uma árvore próxima, e Ginny ouviu um ruído assustador de madeira se partindo antes de vê-la abrir-se ao meio.


Espantada, ela tornou a olhá-lo.


Ele abaixou o capuz. Cabelos longos e acetinados desceram pelas suas costas quando ele o fez, mais brilhantes e escuros do que a capa de veludo que lhe cobria os ombros. Ginny viu-o passar os dedos pelos fios, e a palidez de sua pele contrastou violentamente com o negro profundo deles.


Ginny aproximou-se.  Ele virou-se ao ouvir seus passos.


A garota parou a dois metros, surpresa. Os olhos que fitaram-na eram vermelhos bordô, terrivelmente impressionantes. As pupilas eram verticais, intensas e felinas.


Ela ficou grata, porém, ao perceber que o único regresso significativo para sua antiga aparência eram a cor dos olhos e da pele. Ele estava, certamente, mais pálido do que nunca, o que não deixava escapar facilmente ao olhar o escarlate de suas pupilas e seus cabelos e sobrancelhas negros como a noite. Fora isso, ele parecia mais bonito do que nunca.


Não aparentava mais ter vinte e poucos anos, mas era indecifrável a idade que aparentava ter agora. Havia algo de intimidadora ancestralidade em seu rosto, apesar de seus traços não terem nada que indicasse uma idade avançada.


Ginny hesitou um pouco, então terminou a trajetória até ele e ergueu uma das mãos para tocar seu rosto. Ele deu um sorriso leve e torto, deixando-o ainda mais bonito. Sentiu sob seus dedos uma pele rígida e fria, porém inexplicavelmente agradável de se tocar. Imaginou o grau de prazer que sentiria ao beijá-lo…


O sorriso dele ficou maior depois que passou um braço forte ao redor dela e satisfez sua curiosidade. Ginny tinha razão: foi um beijo morno e, apesar disso, extremamente atraente. Era como se ele fosse feito de alguma substância magnética e prazerosa, de lábios frios e macios como cetim…


- Uau - comentou ela, admirada e levemente decepcionada quando ele afastou o rosto. Tom riu.


Ele pegou o pingente com os dedos longos, que agora parecia menor do que era quando estivera fora de seu pescoço. Ele não era mais dourado, nem continha pedras brilhantes verdes e roxas; o Pentagrama agora era de um prateado escurecido, as runas que a circundavam eram mais agressivas e as pequenas pedras que pontilhavam a extensão do círculo eram reluzentes contas negras e vermelhas. A ponta do meio apontava para baixo, percebeu, sem surpresa.


- Como se sente? - perguntou ela, ansiosa.


Ele desviou os olhos intimidadores do objeto para ela.


- Me sinto incrível - respondeu, numa voz levemente mais grave do que a que se acostumara a ouvir. Era perigosamente atraente.


- E o que mais você pode fazer além de quebrar árvores com o poder da mente e beijar incrivelmente bem? - brincou ela, com um sorriso torto.


- Sinto que qualquer coisa - respondeu Tom, calmamente, apesar da felicidade contida.


Ela não tinha certeza se ele se referia a qualquer coisa mesmo. Ele apertou-a pela cintura delicadamente e depois virou-se. Apontou para além da cidadezinha, para a casa acima do morro. Ginny não entendeu inicialmente o que ele queria mostrar, mas logo em seguida, um estrondo longínquo e repentino a fez sobressaltar-se. Segundos depois, o velho casarão afundava numa nuvem de fumaça e poeira. Alguns gritos assustados vieram do vilarejo.


Ginny observou a nuvem poeirenta que pairou onde instantes atrás havia a casa dos Riddle, boquiaberta. Então, ao recuperar a fala, comentou:


- Você é inacreditável.


Tom riu.


- Está com fome? - perguntou ele, como se estivesse comentando o clima.


- Fome? Não estou pensando nisso, sinceramente…


Ele sorriu por antecipação de alguma idéia maligna.


- Vamos almoçar no Beco Diagonal - sugeriu ele, calmamente.


Ginny encarou-o e piscou.


- Você perdeu a noção? Lembra-se da última vez que olhamos no jornal e vimos a recompensa por nossas cabeças? - perguntou ela, incrédula.


- Os Aurores não serão problema agora - retorquiu ele.


Ela ofegou.


- Sem chance! Você ficou maluco! Não vai explodir o Beco Diagonal com tantas pessoas inocentes por lá! - rosnou, nervosa.


Ele tornou a rir.


- Não vou explodir nada nem ninguém se você não quiser. Estou apenas sugerindo uma escapada breve daquele castelo, já que nunca saímos - argumentou ele, e Ginny sentiu-se tentada a aceitar suas palavras. - E não se preocupe, não vão estar nos procurando minutos depois de termos invadido Hogwarts - disse, e tentou seduzi-la acariciando seu rosto.


- Ah, eu não sei… Não acho uma boa idéia nos expormos desse jeito…


- Ninguém vai te reconhecer, seu rosto não está no jornal. Quanto a mim, o que você acha? Acha que alguém pode me reconhecer?


Ginny encarou-o por um momento.


- Só se desconfiarem que você está usando uma peruca… Mas acho improvável.


- Certo. Guarde sua máscara - disse ele, colocando o Pentagrama para dentro da própria camisa. - Talvez preto nos denuncie - pensou em voz alta, depois de um tempo observando-a, e com um giro exibicionista do indicador fez a capa dela mudar de cor para um azul-turquesa acinzentado. Depois ajeitou a própria capa, que tremeluziu ao movimento, transformando-se num roxo escuro.


- Exibido - acusou Ginny, com um sorriso. Ele apenas retribuiu e segurou sua mão; no instante seguinte, a garota viu a paisagem rural desaparecer num rodopio confuso.


.


.


Ginny não se lembrava de ter tido um momento normal com Tom desde se conheceram, mas a hora que desperdiçaram no Beco Diagonal chegou muito perto disso. Caminharam de braços dados pelas ruas estreitas, agora mais desertas do que antes da guerra, mas ainda agitada, observando e comentando vitrines e pessoas. Ao final do passeio, pararam em um pequeno restaurante, onde o atendente um pouco nervoso ficou lhes lançando olhares desconfiados. Já estavam na sobremesa quando Ginny percebeu grupos agitados de Aurores andando pela rua atrás das janelas, que pareciam ter sabido do incidente em Hogwarts, apesar de Tom não lhes dar atenção. Apesar da garota não poder afirmar que haviam sido reconhecidos, ainda deviam estar parecendo suspeitos, pois instantes depois de um Auror ter olhado para dentro do restaurante, um grupos deles entrou e fez menção de ir em sua direção.


Como o prometido, Tom não explodiu nada nem ninguém, mas fez uma boa bagunça antes que os agentes de Ministério erguessem suas varinhas: assustou todos os presentes fazendo as mesas ganharem vida e atacarem os homens, que recuaram, assustados e ocupados demais para lhes dar mais atenção. Por sorte, foi rápido demais e Ginny suspeitava de que não tinham conseguido lhe olhar com atenção, e então Tom riu, tornou a segurar sua mão e desaparataram.


Encontraram Comensais em desespero ao chegarem rindo em Basilisk Hall. Bellatrix precisou de um copo de água para acalmar a histeria mesmo depois de ver que eles não haviam sido pegos. Após isso, houve um momento de estonteamento pela nova forma de seu mestre.


O resto da semana transcorreu tranqüila para o grupo Cinco: não houve nada nos jornais sobre a invasão à escola e Ginny recebeu créditos por ter planejado outra missão bem-sucedida, apesar dos imprevistos, enquanto Tom descobria seus novos poderes. Ele estava tendo um pouco de dificuldade de controlá-los uma vez de volta às atividades do dia-a-dia, sem-querer tocando fogo em pergaminhos ou explodindo tinteiros, assim como atirar coisas e pessoas longe quando se virava rápido demais. Mas era uma questão de adaptação, pois com cinco dias de experiência já estava bem mais cuidadoso.


Mesmo assim, Ginny receava pela sua integridade quando estavam a sós, e pedia para que ele deixasse de lado o novo brinquedo sempre que cruzava a soleira de sua porta. Felizmente, ele não via problemas em acatar seu pedido.


Encontravam-se quase todas as noites, intercalando entre os quartos dele e dela. Ginny via que estavam se dando bem como nunca, e ficava realmente contente em passar as noites com ele - podia sentir-se quase parte de uma família novamente.


E ela passara bastante tempo pensando sobre as perspectivas para o futuro.


- Você já parou para imaginar como vai ser? - perguntou-lhe ela, de costas, durante uma noite tempestuosa e fria, enquanto se esquentavam debaixo do edredom.


Ele não respondeu. Como haviam estado em silêncio durante algum tempo, ela imaginou que ele estivesse dormindo. Entretanto, depois de quase um minuto, ela sentiu as mãos dele afagá-la, lentamente.


- Sim… Mas ainda não acho uma boa idéia - respondeu ele, por fim.


Ginny se virou para ficarem de frente.


- Não acha uma boa idéia ou não tem muita certeza do que esperar? - perguntou ela, em voz baixa.


Ele passou a mão no seu rosto, devagar, pensativo. Ginny diria que ele estava observando-a, apesar de estar escuro demais para afirmar.


- Ainda é arriscado - disse, sério.


- Sim… E não vai deixar de ser. Mas você já pensou… já pensou que vamos ter um filho? Não te agrada pensar que ele pode nascer parecido comigo ou com você? Ou com nós dois…


Um relâmpago clareou a vidraça do banheiro, fazendo uma claridade breve iluminar o quarto. Ele olhava-a com uma expressão parecida com a do dia em que conversaram sobre a gravidez.


- Sim. E isso é o que deixa tudo mais arriscado - respondeu ele, depois de uma breve hesitação. - Imagino uma garotinha ruiva, muito parecida com você, indefesa, nas mãos de nossos inimigos…


Ginny estremeceu.


- Não… não seja pessimista, Tom. O que acha que os Aurores poderiam fazer com uma criança? - perguntou ela, descrente.


- Em tempos de guerra, qualquer coisa… Principalmente se isso ameaçar seu inimigo - disse ele, também em voz baixa. - Eu sei, já pensei assim…


Ela sabia ao que ele estava se referindo.


- Aquilo foi diferente - argumentou ela, automaticamente.


- Foi? - perguntou ele, silencioso. - Era uma ameaça. Eu não pensei duas vezes antes de fazer.


Ela afagou-lhe os braços, distraída.


- E pensaria duas vezes se fosse agora? - perguntou, enfim. Outro relâmpago iluminou o quarto.


Tom olhava-a impassível.


- Não sei. Em todo caso, eu não pretendia deixar ninguém vivo. A idéia era eliminar três problemas de uma vez…


- E poupá-los de sofrer a perda do filho - completou Ginny, no escuro. Estava atormentada. - Você preferiria morrer se perdesse um filho?


Ginny esperou, mas ele não respondeu.


- Tom…


- Você preferiria? - rebateu ele.


Ela tornou a estremecer. Aproximou-se mais dele.


- Só se eu te perdesse também - respondeu, o rosto encostado no peito dele.


Ela sentiu os dedos deles acariciando sua cabeça. Houve um longo silêncio e Ginny perdeu-se em pensamentos.


A criança era apenas um feto em seu útero, mas Ginny já a amava. A idéia de perdê-la era aterrorizante, era quase o mesmo que imaginar-se sem os braços ou as pernas. Aquele projeto de pessoa que crescia dentro dela era a prova irrefutável de que eles haviam se amado e, portanto, a idéia de ser mãe lhe era tão prazerosa.


Pensar na criança era tão bom quanto estar com ele.


- Você viveria sem mim? - perguntou Tom, de repente.


Ginny parou de respirar.


- O que te fez sugerir algo tão terrível?


- Cuidaria da criança mesmo se eu não pudesse cuidar de vocês? - cortou ele, ignorando-a.


Ela apertou os olhos.


- Quer parar de se colocar de fora da nossa família?! - reagiu Ginny, atormentada. Passou os braços ao redor dele, como se temesse que ele fugisse a qualquer momento. - Essa é uma idéia tão abominável assim pra você?


- Eu não… - começou ele, defensivo, mas parou. - Eu vi bruxos poderosos caírem por terem escolhido se apegar demais a outras pessoas… Não quero ser um deles.


Ginny suspirou.


- Você não acredita que eles foram felizes antes disso? - perguntou, em voz baixa.


- Não, eles provavelmente foram. Mas talvez essa felicidade não seja uma troca justa pela derrota. Talvez eles tenham experimentado um momento mais amargo no final…


- E isso impede de ter valido a pena? - disse ela, triste.


Tom silenciou-se mais uma vez, deixando o quarto tenso com os ecos da tempestade.


Então era assim? Ele achava que ela e o filho não valiam a pena se eles o fizessem perder? Ginny sabia que não seria facilmente retribuída quando aceitara que o amava, mas tudo aquilo não deixava de ser injusto.


E doloroso.


Ninguém disse mais nada nos próximos trinta minutos, embora Ginny soubesse pela sua respiração que ele não tinha dormido. Ela lamentava ter puxado o assunto, mas agora era tarde demais para reparar o dano.


.


II


.


O sol estava se pondo, alaranjando o horizonte. Ele acabara de sair do castelo e não estava com ânimo para descer até o salão comunal de sua casa. Sentia que mataria alguém se o abordassem , e isso não seria nada bom.


As palavras do diretor ainda ecoavam em sua cabeça. As desculpas, sempre. Dessa vez, por causa do risco que corria com o herdeiro de Slytherin à solta. Velho tolo; mal sabia que o responsável estava bem debaixo do seu nariz… Mas, afinal, quem iria suspeitar do mestiço?


E então era isso. Ou desistia de sua missão, ou passaria um tempo longo demais de tudo e de todos pelos quais já reunira alguma afeição. Injusto, muito injusto. Sentia que não era hora de parar. Justamente quando as coisas estavam começando a tomar o rumo que ele queria…


Em todo o caso, era melhor do que perder seu último ano em Hogwarts. Teria então que fazer planos para essas férias, ou não suportaria guardar o sigilo no meio de todos aqueles trouxas estúpidos. Talvez pegasse o trem e fosse para algum lugar longe e privado, onde poderia abrir seus livros de magia sem preocupação, para variar. Ou talvez fosse desenterrar o passado. Nem tudo ainda estava claro para ele…


Precisava que decidir o que faria de sua vida. Não podia ficar em Hogwarts para sempre, por mais que a idéia não lhe fosse desagradável…


Só sabia que não queria voltar para o orfanato. Não era ninguém lá, e não havia ninguém de quem fosse sentir falta. Ninguém também sentiria sua falta. Pelo contrário, sabia que queriam vê-lo pelas costas havia muito tempo. O dia em que pudesse simplesmente ir embora seria feliz para todos.


Não precisou, enfim, pensar muito para decidir. Um dia descobririam. Dumbledore já estava com os dois olhos nele fazia algum tempo. Quando viessem, era melhor que estivesse preparado. Não seria derrotado por seguir seus ideais, não seria. Havia aqueles que concordavam com ele, e estes lhe incentivavam a continuar. Se um dia fosse forte o suficiente para fazer com que o número suficiente de simpatizantes se aliasse a ele oficialmente, estaria pronto para continuar o que seu ancestral lhe confiara.


E iria fazer. Jurava que iria.


- Não devia ficar fora se sua Sala Comunal a essas horas, Riddle. E aqui fora é muito menos recomendável, eu diria.


Ele não se virou nem se levantou. Ainda saboreava o gosto de suas novas ambições, e não ia senti-lo amargar por causa de Dumbledore.


- Não houve nenhum ataque aqui fora, professor - respondeu, pacientemente, esperando que o argumento tivesse algum ponto.


- É verdade - respondeu o professor, às suas costas. - Mas sua despreocupação pode transmitir idéias que certamente você não aprovaria.


Ele respirou fundo. Ultimamente era sempre isso. Acusações implícitas sempre que conseguia lhe direcionar a palavra. Sua paciência estava acabando, embora ele reconhecesse que seria obrigado a segurar.


- Vai me dar uma detenção, senhor? - perguntou, sem conseguir controlar sua displicência.


- Só se achar que merece, Riddle - disse a voz calma e ligeiramente sarcástica do outro. - Mas recomendo que volte para dentro. Tivemos outro ataque há poucos minutos e não queremos correr riscos, não é mesmo?


Ele se levantou, lentamente, enquanto sentia que havia algo errado.


Como é que alguém fora atacado se…?


Virou-se. Um Professor Dumbledore velho e majestoso observava-o do último degrau da escada. Encarou-o intensamente, como se soubesse o que se passava em sua cabeça. Algo em seu rosto fazia Tom ter certeza de que não estava mentindo, apesar dos olhos acusadores.


- Quem foi atacado? - perguntou, curioso e surpreso.


- Ah, uma boa garota… Parece que o herdeiro de Slytherin também não aceita traidores do sangue… É lamentável, mas receio que você não conheça. Seu nome era Ginny Weasley. Parece que foi levada para a Câmara Secreta, mas não há nada que possamos fazer. A não ser que alguém tenha alguma informação para nos ajudar, não é, Riddle?


Ele sentiu um frio congelante descer pelo seu corpo. Não sabia ao certo porque aquele nome lhe causara tanto impacto, mas era certo que causara. E se havia sido levada para a Câmara Secreta não havia chances de estar viva, ou havia? Mas quem é que…?


- Com licença - disse, brevemente, e passou pelo professor. Entrou no castelo e cruzou o átrio com pressa. Uma vez longe de Dumbledore, correu. Correu em direção ao banheiro feminino. Quem? Quem mais poderia ter comandado o basilisco?


Empurrou a porta com força e foi direto para a pia. Sibilou a palavra-chave e viu o lavatório se transformar na passagem. Atirou-se. Seguiu pelo caminho úmido até a câmara.


O basilisco estava deitado no chão, inocentemente. Além do animal, um vulto estava no centro do lugar, ao chão. Aos pés da estátua gigantesca ao outro lado do lugar, uma silhueta alta se encontrava parada, como se o aguardasse.


Ele seguiu até o vulto no chão. Era uma garota, e estava sentada, vestindo longas vestes pretas. Olhava fixamente para a silhueta à frente, mas virou-se quando ouviu-o se aproximar.


Era a garota mais bonita que já vira. Seus cabelos avermelhados e seus olhos decididos eram calorosos como o fogo. Ela sorriu quando fitou seu rosto, como se ele fosse a pessoa a qual ela mais desejava ver no momento.


A Câmara Secreta nunca parecera tão iluminada.


- Sabia que viria - disse uma voz satisfeita, intimamente familiar. Ele desviou os olhos da bela garota e viu a silhueta escura à sombra da estátua se deslocar em sua direção, lentamente.


Ele procurou sua varinha no bolso, mas não a encontrou. Havia deixado em algum lugar?


O homem na sombra riu enquanto avançava. Ao sair na luz, ele reconheceu um rosto branco de olhos vermelhos por baixo do capuz e sua própria varinha nas mãos do outro, muito parecidas com as suas. Seu rosto viperino lhe era tão familiar quanto sua voz.


Ele sabia quem o outro era.


- Eu e Ginny estávamos nos perguntando se você viria para reivindicar sua autoridade sobre a Câmara ou por causa dela. Acho que nós dois acertamos - comentou seu eu futuro, calmamente, observando-o com interesse. - E agora eu lhe pergunto: quem fará, eu ou você?


Ele ficou se encarando por algum tempo, então baixou os olhos para a bela garota sentada aos seus pés. Não podia estar falando serio. O que é que ela fizera? Nem mesmo era sangue-ruim.


A ruiva o olhava com melancólicos olhos conformados. Tornou a sorrir de leve, como se desse seu consentimento e seu perdão por antecipação.


- E se eu não quiser? - perguntou, lentamente, sem desviar os olhos dela.


- Se não fizer, eu farei - anunciou Voldemort, em voz branda.


A garota deu um breve riso anasalado ao ouvir, ainda olhando-o.


- Não se preocupe comigo. Ele só está fazendo isso por causa da criança - disse, numa voz divertida e agradável.


Ele continuou encarando-a, inconformado. Como alguém tão jovem podia dar tão pouco valor à vida?


- Você está pensando em poupá-la, Tom? - perguntou o outro, suave e perigosamente. - Você vai deixar que uma simples garota nos divida? Vai deixar que ela o tire de seu caminho?


Ele ergueu os olhos e encarou sua outra metade. Estranhamente, não sentia mais a mesma ambição que tinha quando observava o sol se por, minutos atrás. Aquela garota aos seus pés parecia, de repente, muito mais importante do que a missão que Salazar Slytherin lhe confiara.


O homem de olhos vermelhos retorceu o rosto de raiva enquanto se encaravam. Apontou a varinha para ele, depois, quase em seguida, para a jovem. Ele vira o pensamento verde luminoso que se formara nos olhos do outro enquanto os observava, e antes que se desse conta do perigo que estava correndo, colocou-se na frente da menina e chamou o basilisco.


Ele sentiu o animal gigantesco se arrastar às suas costas enquanto o ordenava a atacar sua outra metade. Voldemort ria enquanto os observava. Ele viu então a varinha voltar a mirar seu peito, e no instante seguinte, havia sido lançado para trás.


Sentiu o rosto bater na pele escamosa e fria da serpente, antes de tentar se levantar. O animal, porém, abocanhou metade de seu corpo com seus dentes afiados antes que se colocasse de pé. Ele gritou de dor e em seguida estava sendo esmagado pelos músculos fortes do basilisco.


Ele abriu os olhos, tentando se soltar. Seu eu futuro estava agora na frente da ruiva, e desviou os olhos dele assim que o viu observando. Este estendeu a mão para a jovem, que observou-o sem se mexer.


- Você é a próxima, querida. Que tal um último beijo antes de morrer? - disse a voz fria, totalmente indiferente, como se ele já estivesse morto.


Sentiu a raiva intensificar a dor em seu corpo triturado enquanto via a garota aceitar a mão que lhe era oferecida e levantar-se. Ela ficou parada, em pé, enquanto o homem alto e desprezível se aproximava e se inclinava para tangenciar seus lábios nos dela.


- Ginny, não! - disse, mas sua voz saiu num sussurro.


Apesar disso, a garota se virou.


- Não se preocupe, Tom. Vai ficar tudo bem.


A Câmara Secreta foi escurecendo, e a dor em seu corpo foi se intensificando gradual e fatalmente.


- Tom - dizia a voz bondosa da garota, entoando seu nome. - Está tudo bem…


Ele não tinha mais forças para repelir o monstro, apesar de seus esforços anteriores terem sido em vão. Tentava lutar, enfraquecido, contra o couro resistente do bicho, enquanto sua visão ia saindo de foco.


A voz dela continuava dizendo seu nome, quase em tom zombeteiro:


- Tom… Tom…


.


.


Ginny acordou assustada. Braços fortes estavam apertando-a quase ao ponto de quebrar suas costelas. Ela tentou em vão soltar-se, mas ele apenas apertou-a mais, como se quisesse matá-la.


- Tom! - chamou ela, bondosamente.  Não acreditava que ele estava tentando matá-la, ou usaria a varinha; provavelmente estava tendo um sonho intenso demais. - Está tudo bem, querido. É só um sonho…


Ele não acordou com o chamado, apesar de seus braços terem afrouxado o aperto. Ainda assim, era estrangulador, e ela estava preocupada com o a segurança do bebê.


- Tom… - chamou de novo, agora entre a preocupação e o riso. - Tom


O abraço sufocante relaxou de repente. Ela rolou para o lado, massageando os braços doloridos do aperto. Tom se mexeu num movimento estranho e deitou-se de frente. Depois de alguns segundos, levou uma mão ao rosto e esfregou os olhos fechados com os dedos. Então ofegou e abaixou o braço.


- Ei… Está tudo bem? - perguntou ela, impressionada. Nunca, em dois anos de romance, havia presenciado-o tendo pesadelos.


Ele abriu os olhos e virou o rosto para ela. Ainda estava um pouco ofegante e ficou olhando-a por um tempo antes de responder.


- Tive um sonho bizarro - confessou ele, agora pensativo. Cerrou as sobrancelhas e voltou a posição anterior, agora olhando o interior do dossel da cama. - Uau, esse foi o mais bizarro em anos…


Ela riu e achou seguro se aproximar novamente.


- Achei que estava tentando me matar - disse, divertida, aconchegando-se junto dele.


Ele deu um riso breve e envolveu-a com um braço.


- Desculpe. Te machuquei?


- Nada que vá deixar seqüelas… - respondeu, brincalhona. - Mas acho que meu braço vai ficar roxo.


- Isso é péssimo. Como vou olhar pra você com horrorosas marcas roxas nos braços? - brincou ele, gentilmente, afagando-a onde ela denunciara estar doendo.


- Não se preocupe - disse ela, abrindo um sorriso malicioso. - Eu posso fazer um roxo no seu pescoço agora mesmo, então estaremos quites.


Ele riu baixinho e lhe deu um beijo no topo da cabeça.


- Adoraria, mas deixarei para a próxima oportunidade - disse ele, evasivo, largando-a em seguida e sentando-se.


Ginny encarou-o com decepção.


- Onde pensa que vai?


Ele pegou a varinha na mesa-de-cabeceira e seu hobby de cetim preto já estava vestindo-o quando ele se levantou, e suas roupas saíram do chão e da cabideira próxima para pairarem no ar enquanto ele se trocava.


A garota ficou observando, enquanto pensamentos afloravam em sua cabeça.


Ele era bonito, não havia dúvidas. Ginny via os rostos das Comensais dos outros grupos olhando-o com interesse quando passava pelos corredores, e algumas não disfarçavam na expressão o desejo que tinham de servi-lo mais intimamente. Será que elas sabiam do árduo caminho até um primeiro gesto de carinho dele, ou simplesmente não se importavam, se pudessem apenas ser subjugadas por ele?


Não era difícil para ela imaginá-lo usufruindo de sua hierarquia para conseguir distração com mulheres como aquelas, cada dia com uma, sem se importar em construir qualquer tipo de relação além da de mestre-servo… se não soubesse que ele não se interessava por nenhuma delas.


Ginny sabia que ele não a procurava apenas pela sua aparência. Não que fosse feia, mas já encontrara Comensais muito mais bonitas do que ela - na festa mesmo vira várias. Não, ele via algo mais nela… Mesmo que ele não a amasse como ela o amava, ao menos podia ter certeza que ele gostava de sua companhia. E isso não era algo que qualquer um podia afirmar…


E apesar de tudo, ela podia se considerar uma garota de sorte, pensou, sorrindo. Depois de um tempo que parecera demorar demais conhecendo-o, agora sabia que ele tinha seus meios incomuns de demonstrar afeição por quem ele se importava. Não eram muitos, mas ela estava entre eles. E saber disso lhe dava uma sensação boa.


Por enquanto, disse sua própria voz, cruelmente, na sua cabeça. De acordo com a profecia, isso não vai durar muito mais tempo…


Ginny sentiu o humor vacilar. Ainda olhava-o, mas não via-o. Que má sensação experimentara agora…


Nunca pensara profundamente nisso, e estava evitando fazê-lo desde o dia no hospital. A conversa da noite anterior reabrira feridas que ela acreditava já estarem cicatrizadas… A verdade é que estavam apenas anestesiadas; agora elas voltavam a incomodá-la.


Desde o início, nunca acreditara por muito tempo que Voldemort sairia vencedor nessa guerra. Nem quando Harry fora estúpido com ela, Ginny nunca deixara de acreditar que o ex-namorado um dia cumprisse a missão que lhe fora confiada. Ela nunca estivera ali porque concordasse com as causas da Ordem das Trevas. No início, ela sempre pensara que veria o câncer crescer de perto, até atingir proporções devastadoras e sufocar a Ordem. Não havia como aquilo continuar para sempre…


Ou pelo menos não havia antes de ela se juntar à organização.


E agora ela estava apaixonada pelo homem por quem não devia nunca ter sentido nada. Ela estava apaixonada por quem resolvera se aproximar para observar de perto e cometer pequenas sabotagens. Estava apaixonada por quem desejava que perdesse a guerra.…


Como é que aquilo podia terminar bem?


Como é que poderia acalmar seu coração se Tom perdesse?


Ele terminou de se vestir, passou a corrente do Pentagrama pelo pescoço e deparou-se com seu olhar assustado.


- O que foi? - perguntou ele, surpreso, olhando por cima do ombro e de volta para ela com seus agora olhos vermelhos.


- Nada, nada - apressou-se em dizer, com a voz mais firme que encontrou. - Só estava pensando em algumas coisas.


Ele deu um leve sorriso cansado, deu a volta na cama e sentou-se ao seu lado.


- Esqueça a conversa de ontem, está bem? - pediu ele, em voz baixa, alisando os cabelos dela com seus dedos compridos. - Não vamos mais falar sobre isso.


Ela fechou os olhos e colocou a mão sobre a dele enquanto sentia o agrado. Suspirou.


- Se isso te irrita, não falamos mais - concordou ela, em seguida.


Ele não disse nada em resposta. Apenas sentiu os lábios dele tocarem nos dela delicadamente e então a carícia cessou, o beijo cessou, e segundos depois, ouviu a porta do quarto se abrir e fechar.


.


III


.


Aquela semana estava sendo estranha. Não de modo ruim, nem de modo bom. Estranha. Simplesmente.


Era incrível que tivesse finalmente o Pentagrama. Aquilo estivera em sua cabeça por meses, e agora era dele. Estava sendo fascinante usá-lo; os poderes que conseguira com o objeto… Ainda não descobrir nem testara todos.


Por outro lado, Ginny. Por que ela tinha que ficar inventando de fazer aquelas coisas? Tocava em assuntos que ela desejava que respondesse, e quando era sincero, se magoava. Por que ela o pressionava? Ela sabia onde estava pisando quando veio até ele. Talvez ela achasse que ele estava mudando? Achava que se alguém o conhecia o suficiente, esse alguém era Ginny. E se ela o conhecia, devia saber que ele não mudaria do dia para a noite.


Mas depois que pedira para ela não tocar mais no assunto, ela não tocara. Ainda assim, não era mais a mesma coisa. Ela ficava no quarto quando podia, e sempre pegava-a acariciando a barriga com uma expressão sonhadora - as vezes cantarolando. Não ia negar, aquilo o assustava.


Fora isso, ela estava sendo excelente. Ginny praticamente se mudara para seu quarto, para decepção de Nagini. A maioria das roupas da garota estava em seu closet e estavam juntos em todas as noites, além de terem passado a jantar no quarto, com privacidade para conversar sobre o que quisessem e o que mais desse vontade. Pensou realmente que fosse estranhar dividir sua residência com outra pessoa, mas não podia dizer que se arrependera. Afinal, não fora uma mudança tão grande assim… apenas conveio se unirem de uma vez por todas.


Ele aceitara, enfim, deixar de tratá-la como uma amante qualquer e, apesar de não ficarem trocando carinho em público, os Comensais viam que agora ela era mais do que uma simples subordinada. Duas vezes naquela semana ela participara de reuniões importantes, ao seu lado, como sua mulher e não como sua secretária, mesmo que nada oficializasse isso. Não pode deixar de reparar que os dois Comandantes do exterior que recebera ficaram um pouco surpresos e curiosos com a presença dela, bem à vontade no quarto dele e em sua presença. Divertidamente, apesar de terem feito de tudo para não pensar muito na jovem mulher ao lado do mestre, que tão informadamente aconselhava nos assuntos da Ordem, ele não pode deixar de captar que eles a acharam muito atraente, a ponto de invejá-lo. Ele sentiu-se estranhamente orgulhoso nas duas ocasiões.


Foi na sexta-feira, entretanto, que as coisas começaram a ficar estranhas.


Acordou muito cedo por causa de um sonho parecido com o que tivera no começo da semana, a não ser que dessa vez eles estavam no orfanato, e não em Hogwarts. Aquilo estava começando a deixá-lo preocupado.


No mesmo dia, na hora do almoço, quando descia as escadas rumo ao Salão de Refeições com o restante do grupo, havia um corvo pousado no final do corrimão. O insolente piou alto e só levantou vôo quando ele estava bem perto. O guarda desculpou-se, mas não soube dizer por onde o bicho havia entrado. Ele não era supersticioso, definitivamente - até gostava de animaizinhos tenebrosos -, mas aquilo o incomodou.


Conseguiu esquecer os dois ocorridos até o final do dia. Passou a tarde toda em sua sala e, depois de praticar mais um pouco dos seus novos e divertidos poderes - fazer magia sem varinha sempre lhe fora convidativo -, descera para jantar. Ginny disse que lhe esperaria em seu quarto e ele concordou, depois de passar em sua sala para pegar o que deixara lá e responder as cartas do exterior que haviam chegado mais cedo.


Sentou-se à escrivaninha, pegando os envelopes separados, pergaminho em branco e puxando um vidro de tinta. A primeira era do Comandante encarregado da Espanha, pedindo instruções sobre o que fazer sobre um determinado assunto. Demorou mais de vinte minutos respondendo aquela, já que precisou refletir sobre a questão antes de escrever, e então enfiou-a num envelope, lacrou-o e atirou a original no fogo.


A segunda era uma lista com alguns nomes de famílias bruxas que estavam causando problemas para eles, enviada por um dos chefes do grupo Seis. Ele fez algumas anotações que achou pertinente e jogou a carta original na lareira às suas costas, junto à primeira.


Já estava ficando com sono. Apoiou o rosto na mão enquanto pegava a próxima. Por sorte, faltavam apenas duas.


A terceira era uma carta da Romênia. Ele viu pelo lacre, embora não houvesse remetente. Wildriam estava na Romênia na última vez que dera notícias…


Um barulho de asas sobressaltou-o, fazendo derrubar a carta que segurava e o vidro de tinta no chão. Pensando que talvez fosse o agourento corvo novamente, procurou ao redor. O que viu, porém, foi uma claríssima coruja-das-neves pousada na janela aberta.


Ele e o bicho se encararam por alguns segundos. A não ser que muito se enganasse, aquela era a coruja de Harry Potter…


Por que diabos a coruja de Harry Potter estaria em sua janela?


A ave piou e levantou a perna, onde havia uma carta enrolada e presa, e começou a bicar o nó que a prendia. Ele levantou-se e aproximou-se, mas o bicho recuou para fora da janela.


- Está tudo bem, não vou te fazer nada - disse ele, em voz baixa. Esperou alguns segundos e a coruja branca voltou para dentro, olhando-o desconfiada com grandes olhos âmbar. - Ainda não estou matando animais, sabe? Como vou enviar a resposta sem você?


O bicho piou baixinho, como se lhe desse alguns pontos de confiança, e esticou a perna novamente, dessa vez deixando-o soltar a carta.


Ele desdobrou o pergaminho e virou-o para o fogo para ler.


Sentiu se furioso e atormentado à medida que ia se aproximando do fim da carta. Além de explicitar que sabia mais do que devia, Harry Potter tocara numa questão delicada, da qual nada tinha que dar opinião.


Mas não, não estava discordando totalmente. Havia um ponto ali que, embora o desagradasse, era obrigado a admitir que tinha certa relevância…


E talvez fosse a oportunidade que ambos esperavam…


Mas o que ele ganhava fazendo isso agora?


Não estava preocupado. Apenas desconfiado. Soava como uma armadilha…


A porta se abriu com um ruído abafado. Uma silhueta baixa apareceu contra o recorte claro do corredor.


- Ainda aqui a essa hora? Por que a sala está tão escura? Vem dormir… - disse a voz de Ginny, sonolenta, a mão ainda na maçaneta.


Ele fez um sinal afirmativo com a cabeça, mas sem dar muita atenção. Olhou mais uma vez para a carta e sentou-se à sua cadeira de costas para a lareira, pensativo.


- Tom… - começou ela, em voz de quem ia engrossar. Mas parou. Ela sabia o que ela tinha visto, e não disse nada. - Edwiges?


A garota fechou a porta e foi até a coruja, que piou em reconhecimento. Ele voltou a olhar para a carta, o rosto baixo na mão cujo braço se apoiava no da cadeira.


Não podia responder agora. Ainda era cedo demais…


- Ele quer uma resposta? - perguntou ele, levantando os olhos. Mas não olhava para a garota, e sim para a coruja, agora em seu ombro.


Ela piou, baixinho, afirmativamente. Ginny olhava-o com uma expressão assustada.


Ele puxou um rolo de pergaminho limpo, rasgou um pedaço e escreveu:


Pensarei no assunto.


Levantou-se, abanando o papel no ar para secar a tinta, e aproximou-se da coruja, que ergueu novamente a perna. Ele dobrou a resposta e prendeu na perna da ave, que deu uma última bicada gentil no cabelo de Ginny e bateu as grandes asas janela afora.


Ele virou-se de volta para a escrivaninha, ainda pensativo.


- Vai me dizer o que está acontecendo? - perguntou a menina, surpresa e desconfiada.


Voldemort não respondeu. Apontou para o chão e fez os cacos do tinteiro quebrado se unirem e voltarem a mesa. Mais um movimento circular do dedo e a tinta escura que manchava o chão e uma parte de seu tapete foi encolhendo até desaparecer.


- O que Harry quer com você? - tentou ela novamente.


Ele apoiou as mãos na escrivaninha, ainda de costas para ela.


- Me deixe sozinho por um instante - disse-lhe, ignorando-a.


Ela não se moveu imediatamente, ou pelo menos ele não percebeu. Depois de um tempo, ouviu um suspiro baixo, e ela disse:


- Estarei te esperando, está bem?


Ele confirmou com a cabeça. Ginny ainda ficou parada por alguns segundos, antes de ouvir seus passos irem para a esquerda e ouviu o barulho da porta se abrindo e se fechando.


De volta ao silêncio e escuro de sua sala, ele pegou a carta e deu a volta na escrivaninha. Agachou-se perto da lareira e tocou as chamas com um dos cantos do pergaminho. Ficou olhando o fogo ir consumindo o material lentamente, ainda em suas mãos.


Não pretendia pensar, não queria pensar… Aquela carta, porém, o obrigava a isso. Talvez Potter estivesse certo.


Talvez não.


Ele atirou o que restava da correspondência na lareira e viu-a se retorcer no calor, enegrecendo e fragilizando-se, até quebrar, se juntar ao outros pequenos restos carbonizados de carvão e cinzas. Quando não viu mais sinal do pergaminho, levantou-se e saiu da sala.


.


.


Ginny estava sentindo-se traída. Havia algo acontecendo, e Tom não queria lhe contar. Ele chegara no quarto pouco depois dela, trocara-se e dissera que queria dormir.


Ela fora sutilmente para perto dele, abraçara-o gentilmente e tornara a perguntar o que Harry queria. Ele rudemente a mandara calar a boca e dormir.


Mas como é que podia dormir com aquela dúvida?


Ginny olhava-o, insatisfeita, enquanto a chuva lá fora recomeçava. O fogo da lareira começava a ficar fraco, mas ainda fazia reflexos alaranjados nos longos cabelos negros que cascateavam por cima do travesseiro e pelas suas costas cobertas. Ele nunca dormia usando o Pentagrama. Do que é que ele estava se protegendo?


Se protegendo, ou se escondendo?


Ele nunca tivera segredos com ela. Nunca.


Queria saber o que estava preocupando-o, queria ajudá-lo. Não queria que ele se fechasse, que a excluísse de seus problemas. Queria participar de sua vida, porque ele era a sua!


Sentiu uma raiva descomunal, sozinha, enquanto observava o fogo ir morrendo pela luz nos cabelos de seu amante. Era uma raiva tão intensa que Ginny sentiu-a sair pelos seus olhos e escorrer pelo seu rosto.


A última vez que sentira isso fora quando terminara com Harry.


.


.


Ele acordou no dia seguinte um pouco tarde. Demorou a dormir porque ficara pensando no que Potter lhe escrevera. Sentiu a consciência pesar por ter sido rude com Ginny, mas ela o irritava quando o pressionava. Esperava que ela já tivesse descido para o café da manhã sem ele, mas encontrou-a ainda dormindo, profunda e solitariamente, no lado oposto da cama.


Suas pálpebras fechadas estavam inchadas e avermelhadas, para piorar sua culpa.


Condolente, deixou um recado a ela sobre o criado-mudo, dizendo para não se preocupar com o horário e dormir o quanto quisesse, porque não havia com o que se preocupar, e que estaria em sua sala, caso precisasse de qualquer coisa.


.


.


Ginny acordou quase na hora do almoço, para seu pavor. Já tinha se vestido quando viu o pedaço de papel sobre o criado-mudo dizendo para ela não se preocupar.


Talvez fosse impressão dela, mas o bilhete lhe pareceu demasiadamente gentil e formal. Sentindo uma tristeza que não sabia explicar, ela entendeu por aquilo que ele não estava ansioso para ficar no mesmo ambiente que ela. Parecia, inclusive, que ele deixara sua localização exatamente para não ser incomodado.


Sentindo-se rebaixada, infeliz e boba, ela guardou o papel no bolso e seguiu para sua própria sala, onde havia trabalho esperando-a, pretendendo não almoçar naquele dia para não ter que incomodá-lo com sua presença na mesa.


.


.


Depois de ter respondido todas as cartas do dia e as que restaram do dia anterior, ele estava preparando-se para deixar sua sala para o almoço. Esperava que Ginny tivesse perdoado-o pela noite anterior, porque não conseguira se concentrar como o habitual no seu trabalho desde o começo da manhã. Agora era assim; não conseguia ficar em pleno humor se ela não estivesse.


Nagini, que entrara na sala mais cedo, levantou a cabeça do tapete onde estivera dormindo quando ele se levantou.


- Pode ficar aí, só estou indo almoçar - disse-lhe ele, calmamente.


A cobra bocejou e abaixou a cabeça.


- Você esqueceu aquela ali - sibilou ela, os olhos fitando algo abaixo da mesa.


Ele afastou-se e viu um envelope fechado próximo à perna da mesa. Ele saltou para sua mão assim que ele ordenou a convocação em silêncio. Era a carta que viera da Romênia de ontem, devia ter caído; esquecera-se completamente dela.


Quebrou o lacre de cera e abriu-o. Esticou o pergaminho que estava dobrado dentro dele e leu.


Sentiu a boca secar na mesma hora - se havia algo pior do que a carta que Harry Potter lhe mandara, era aquela que estava em suas mãos.


Houve uma batida urgente na porta. Ele enfiou a carta de qualquer jeito no envelope e colocou-o dentro de um livro de feitiços que estava em cima da mesa. Foi até a porta e abriu-a, ainda sentindo-se absurdamente aturdido.


- Mestre, desculpe incomodá-lo, mas é urgente - disse um Comensal mascarado, abaixado em uma reverência. - O Ministério acaba de pegar um de nossos supervisores. Estávamos vigiando a Travessa do Tranco enquanto ele fechava negócio, mas os Aurores apareceram, eram muitos!, eles nos atacaram e o pegaram…!


Ele deixou escapar um estalo de irritação e fechou a porta às suas costas.


.


.


Sábado passou nublado para Ginny. Ela ficou em sua sala boa parte da tarde, e quando resolveu deixar de lado as desconfianças e ir perguntar pessoalmente à Tom se havia algo de errado entre eles, não encontrou-o em lugar algum. A Sala de Planejamentos também estava vazia, e não encontrou nenhum Comensal do grupo Cinco tampouco.


Descobriu pouco depois, por meio de um guarda, que os grupos Quatro, Cinco e Seis haviam saído em uma missão de resgate dentro do Ministério da Magia havia algumas horas e ainda não voltaram.


Ela sentiu aquilo como uma facada pelas costas. Tom nem mesmo se importara em lhe avisar que estaria indo invadir o coração do inimigo e todas as suas tropas! Não se importara em simplesmente lhe comunicar, em acalmar parte da preocupação que agora esmagava seu peito. Ele não se importara com ela nem um pouquinho…


Sentindo-se terrivelmente triste e nervosa, ela foi para seu quarto, onde não conseguiu parar de andar de um lado para o outro e nem muito menos se sentar. Se ele fosse rendido, ferido ou morto, pensou, com um estremecimento, ela nem estaria sabendo agora. Se algo acontecesse, a última coisa que ouviria dele teria sido um “Ginny, cale a boca e durma, por favor”.


Os nervos à flor da pele, a garota encostou a testa na parede fria e sentiu o choro machucar a garganta.


.


.


Já havia escurecido completamente quando conseguiram voltar. Causaram um tumulto desproporcional no Ministério, mas conseguiram tirar com vida o supervisor do grupo Quatro dos calabouços. O idiota seria punido depois, certamente, mas não hoje.


Hoje ele queria apenas tomar um banho e tomar sua garota… enquanto ainda podia.


No seu banheiro, deixou a água quente escorrer pelo corpo, demoradamente. Os conflitos e problemas se alternavam em sua cabeça, fazendo-a doer. Por que aquelas coisas o incomodavam? Estava ficando fraco?


Talvez devesse simplesmente ignorar aquilo tudo e levar sua vida como vinha levando. Não eram problemas dele, realmente, então por que se importava? Era idiota continuar se preocupando daquele jeito. Era idiota e não era ele…


Mas algo estava ali, provocando-o, xingando-o, toda vez que pensava nisso. Algo fazia seu corpo formigar em mal-estar toda vez que considerava essa hipótese. Talvez devesse simplesmente sair dali, ir até ela e contar tudo. Talvez ela pudesse ajudá-lo, afinal, a esquecer aquelas preocupações.


Delírio. Ela nunca aceitaria. Nunca o perdoaria. Nunca.


Fechou o chuveiro decidido a não procurá-la. Sentia-se incapaz de abraçá-la enquanto guardasse aqueles segredos.


.


.


Ginny esperou três horas em vão, olhando para a porta. Ele não viera e ela tinha certeza de que não viria mais. Depois de horas com o coração apertado, sentia que merecia ao menos uma palavra de consolo.


Aparentemente ele não achava o mesmo.


Ela tivera a falsa sensação essa semana de que ele a considerava mais do que uma amante. Iludira-se. Ela não era nada mais para ele além de diversão, no máximo uma ostentação, um prêmio bonito que ele exibia, e dentro de pouco tempo, duvidava que até mesmo isso o atasse a ela. Ele certamente não a procuraria mais depois que sua barriga crescesse, deformando-a; ainda tinha sérias dúvidas de como seria depois que a criança nascesse.


Aquilo a magoava. Muito. Achava que ele levasse em consideração ao menos uma parte do amor que sentia por ele.


Mas ela estava se enganando. Ele não amava ninguém, não entendia como isso funcionava. Não entendia a dor do desprezo. Não entendia um milésimo da tristeza que ela estava sentindo.


Virou-se e entrou debaixo das cobertas para ver se o frio que estava sentindo era puramente físico. Aquilo só revelou o que ela já sabia.


.


.


Eles se encararam por pouco menos de um segundo no café da manhã. Ginny pegara seu habitual lugar ao fim da mesa, longe do grupo, deixando vago o lugar que era de Dean. Ela pegou um pão inteiro, mas comeu apenas metade. Deixou também metade do suco no copo e saiu antes dele. Os outros repararam no comportamento frio, e ficaram anormalmente silenciosos durante a refeição.


Ele sentiu-se desconfortável com aquele silêncio. O pouco que tivera de contato com os olhos dela lhe revelara uma decepção tão profunda que ele sentiu vontade de sair do cômodo. Não estava acostumado com esse tipo de sentimento dirigido a ele.


A garota parecia achar que as coisas estavam no fim para eles. Talvez realmente estivessem, embora ela não fizesse idéia do quanto aquilo o incomodava.


Pensara a noite toda.


Talvez fosse melhor assim. Talvez Potter estivesse mesmo certo.


Durante todo esse tempo, ele nunca se perguntara que futuro uma garota da idade dela via em estar com ele. Mas fizera isso aquela noite.


Aquela relação durara muito mais do que devia ter durado. Haviam chego à um nível muito além do que o prudente. Nenhum dos dois tinha realmente motivos para estarem juntos.


Gostava da garota, não podia negar. Ela era tudo o que ele nunca vira nas outras, desde Hogwarts até as atuais Comensais que despejavam sua sedução sobre ele. Ela era especial, e mesmo que não estivessem mais juntos, sempre seria.


Sentiria tristeza ao se livrar dela?


Quanto tempo seria o suficiente para fazê-lo esquecer?


.


.


Ela ficou apenas uma parte do dia em sua sala e trabalhou o melhor que pôde. Ninguém a procurou.


Na hora do almoço, sentia-se incomodada demais para reunir-se ao restante do grupo, então pediu para que os elfos-domésticos enviassem um prato à sua sala. Comeu, mais porque precisava se alimentar do que porque tinha vontade.


Seu dia durou apenas mais quarenta minutos. Tentou responder suas correspondências, definir algumas estratégias para a semana que começava, mas não conseguia mais se concentrar. Esperava encontrá-lo a qualquer momento, sem-querer, e ouvir que precisavam conversar.


Mas será que ele conversaria? Lhe diria qual era o problema, ou simplesmente se afastaria? Talvez ele achasse mais conveniente mandar alguém entregar um bilhete escrito “não me procure mais”, ou nem isso?


Ela levantou o capuz, cobriu o rosto com a máscara e saiu. Desceu os dois andares até o térreo, cruzou o hall e passou sem parar por um guarda que lhe abriu a porta com um sorriso amigável.


Sentiu o frio da neve que amanhecera no chão e o calor contraditório do sol em seu corpo. Ela continuou seguindo em frente, seguindo e seguindo, até depois de uma fileira de altos pinheiros. Em dois anos, saíra pouco nos jardins de Basilisk Hall, mas sabia o que encontraria além. Alguns metros à sua frente, numa pequena clareira de cenário esbranquiçado e cintilante, ela agora enxergava uma árvore caída, larga e deitada no meio do pequeno bosque. Abaixo dela, um pequeno e raso lago que se formava ao longo de um riacho que nascia mais acima, nas montanhas. Ginny acreditava ter visto fadas ali antes.


Era um lugar realmente encantador, tão incrivelmente próximo ao núcleo da escuridão. Ela pisou nas raízes da árvore anciã tombada e, como se estivesse numa escada, subiu. Equilibrou-se no tronco deitado, em pé, e andou com cuidado sobre ele. Ao meio do caminho, ela parou para observar o translúcido lago abaixo dela, onde pequenas bolhas e folhas mortas movimentavam-se lentamente abaixo da fina camada de gelo. Limpou a neve úmida de sobre o tronco, e sentou-se ali, observando aquelas pequenas formas girar abaixo, na água gelada.


Quanto tempo demoraria até que sentissem sua falta?


.


.


Ele estivera observando pela torre quando um vulto miúdo saíra para os jardins e desaparecera entre as árvores. Reconhecera o andar dela. Ele sabia que havia um lago ali, e pediu para um guarda vigiar os passos da garota, discretamente. Não queria correr riscos.


Sentia-se mal em agir assim, mas não tinha muitas escolhas. Seria melhor para ela, quanto menos apegada fosse, menos sofreria. Não queria que ela sofresse por sua causa. Não valia a pena, naquele caso.


Mas ela não precisaria se esforçar muito para odiá-lo quando soubesse a verdade. Esperava que assim fosse.


Pobre Ginny… Tão jovem e tão perdida.


Ela desperdiçava sua preciosa vida ali, a cada minuto que passava. Quanto antes ele fizesse aquilo, melhor. Quanto menos oportunidades ela tivesse de perdoá-lo, melhor. Ela ainda podia ser feliz em algum lugar, longe dele. Era jovem, bonita, e saberia se virar com a criança.


Começou a nevar, os flocos grudando em seus cabelos e ombros. Então ele viu um vulto grande e disforme voltando para o castelo. O andar era pesado e dificultado. Ele demorou para perceber que eram duas pessoas - uma carregando outra.


Ele sentiu um frio tomar sua cabeça e descer pelo corpo. Desencostou-se do parapeito de pedra e correu para dentro.


As escadas atrasaram-no. Quando alcançou-os, estavam no primeiro andar. O guarda, molhado e estremecendo, segurava a garota desacordada e encharcada nos braços, com olhar aturdido. Os lábios dela estavam ligeiramente azulados e havia neve em seu rosto.


- M-milord, eu cheguei lá e ela já havia pulado, m-mas ela está viva, s-sim…! Ainda… ainda está respirando! - explicou-se o guarda, nervoso.


Ele não disse nada, apenas avançou e pegou-a nos próprios braços. Ela pendeu mole e gelada, mas mesmo com as roupas ensopadas, era extremamente leve.


Ele virou-se e voltou a subir para o segundo andar, carregando-a. Entrou em seu quarto, cuja porta ele abriu apenas com sua vontade, e foi direto para o banheiro. Sim, ouvia-a respirar. Podia sentir a vida nela.


Depositou-a na banheira, despiu suas roupas molhadas e congelantes e abriu bem a torneira. A água morna começou a subir, fazendo os cabelos dela ondularem, sedutora e sinistramente, ao redor de seu rosto gelado, como uma auréola acobreada.


A água foi subindo até envolvê-la quase completamente. Seus lábios foram ficando lentamente mais rosados, mas ainda permanecia desacordada. Ele viu a água subir, revigorante, até os lados do rosto dela, ainda subindo, gradativamente, e chegando perto de sua boca e nariz.


Teve um pensamento súbito, uma idéia… Ela nunca saberia, não sentiria, e eles nunca o culpariam por não ter conseguido salvá-la…


Simplesmente levou as mãos até a cabeça dela e segurou-a acima da água. O pensamento anterior enojou-o. Por mais que quisesse fugir do futuro iminente, não iria matar a garota; não era assim que iria resolver aquilo.


Fechou a torneira e controlou a temperatura d’água mantendo uma mão lá dentro, enchendo o banheiro de vapor. Depois de alguns minutos, sentiu que o corpo dela já havia cedido ao calor da água e ela respirava normalmente, e ergueu-a nos dois braços. Antes que saísse do banheiro, ela já estava totalmente seca.


Colocou-a cuidadosamente entre as cobertas e sobre o travesseiro. Sentou-se ao seu lado e ficou observando o jovem rosto, o qual ele conhecia cada detalhe, sentindo-se mais cansado do que nunca.


Não era fadiga - não, nunca se sentira tão bem fisicamente desde que começara a usar o Pentagrama. Não, era algo dentro dele, dentro de sua cabeça. Sentia-se cheio, farto de muitas coisas. Desejou parar com elas, deitar-se ali ao lado da garota e reunir-se a ela num sono vazio… Por muitos e muitos anos.


Pegou a mão dela entre as suas, ainda sentindo-se exausto, e continuou fitando-a. Seus olhos desceram pelo corpo coberto, lentamente, até chegar ao pequeno volume em seu abdome.


A criança. Esquecera-se dela. Estaria bem, mesmo depois de a mãe ter se atirado num lago congelado? Ele soltou uma mão da dela e tentou sentir qualquer coisa sob a barriga dela.


Não houve movimento, mas ele sentiu algo. Algo pequeno, frágil, mas vivo. Sentiu uma estranha ansiedade, uma pequena vibração entre eles. Era seu filho ali, e ele nunca dera atenção a isso…


Sentiu um movimento sobre a cama, olhou e viu Nagini. A cobra olhou da garota para ele, então para onde sua mão estava pousada.


- Pensando em ser pai? - silvou o animal, sarcasticamente. - O que aconteceu com ela?


- Hipotermia - respondeu, brevemente. O seu devaneio sobre ele e o filho se dissolveu, como se acordasse de repente.


Houve um aperto repentino em sua mão direita e ele puxou a que estava sobre a barriga da garota. Ginny estava se mexendo. Ele e a cobra olharam, ansiosos, para o rosto dela.


Ela piscou e abriu os olhos, parecendo confusa. Então viu-o, e um leve sorriso encurvou seus lábios.


- O que acha que estava fazendo? - perguntou ele, severamente. Agora que ela acordara, sentia a raiva crescendo em seu peito.


O sorriso dela vacilou. Parecia estar voltando a si, se lembrando dos últimos dias. Sentiu o desânimo dela enquanto olhava dentro de seus olhos. Então algo invadiu os pensamentos dela, um cenário que ia desabando, a dor do frio entrando como facadas em seu corpo, enquanto ia afundando, cada vez mais e mais, sem conseguir se mexer…


- Eu caí - disse ela, com a voz fraca. Ela parecia mais frágil do que jamais a vira.


- Caiu? - repetiu ele, irritado. - Caiu? Por que eu devo acreditar nisso?


Ela cerrou as sobrancelhas numa expressão amargurada.


- Você sabe que estou falando a verdade. O que acha que eu estava fazendo lá? Acha que eu seria capaz de m-me matar? - perguntou a garota, agora chorosa. Ainda assim, encarava-o no fundo dos olhos. - Eu estou grávida! Mesmo que você não se importe, eu me importo! Eu nunca faria mal ao meu filho, e viverei por ele, mesmo que não sinta vontade…


Silêncio. Ela estava falando a verdade. Estava falando a verdade e estava se sentindo miserável, porque não via nada nos olhos dele. Não era difícil ocultar seus pensamentos da garota, ainda que os dela lhe fossem cristalinos como água.


E ela era sincera, como sempre.


O cansaço tornou a dominá-lo, fazendo-o ignorar a raiva. Ele balançou a cabeça, devagar, expirou profundamente e apertou a mão dela de leve.


- Por que ainda finge que se importa? - perguntou ela, num sussurro.


Ele inclinou-se sobre ela, seus rostos ficando paralelos um ao outro.


- Eu me importo se meus Comandantes estão pensando em se matar - respondeu ele, também em voz muito baixa. Abaixou-se alguns centímetros, mais instintivamente do que qualquer outra coisa, e tocou os lábios dela com os seus. - Descanse.


Soltou a mão dela e, sem dizer ou fazer mais nada, levantou-se e saiu do quarto.


.


.


Ele a confundia. Ginny não conseguia mais entender suas incoerências. Ao mesmo tempo em que a tratava com frieza, ele se preocupara o suficiente com sua saúde enquanto ela estivera desacordada. Ele não sabia o que estava fazendo com os sentimentos dela? Aquilo era mais cruel do que deixá-la morrer debaixo d’água.


Ela descansou contra a vontade, pois não queria se arriscar com o bebê. Um elfo-doméstico lhe serviu comida na hora do jantar, mas ficou sozinha, apenas tendo Nagini como companhia, que se enroscara numa coluna da cama e ficara-a observando por toda a tarde. Imaginava se a cobra estava vigiando-a.


Tom voltou apenas à noite, perguntou se ela estava bem, mas Ginny não tinha certeza se ele viria se ela não estivesse em seu quarto. Ele trocou-se, acendeu a lareira e sentou-se à escrivaninha, onde ficou trabalhando por algum tempo, sem dar-lhe atenção. Depois de um tempo, em que ele pareceu terminar, Ginny viu-o virar a cadeira e ficar olhando-a longamente, num silêncio incômodo.


Depois de alguns minutos que lhe pareceram décadas, ele quebrou o silêncio, mas não se dirigiu a ela. Começou a trocar frases com Nagini, em ofidioglossia, como se Ginny não estivesse ali.


Não foi capaz de controlar seu desgosto. Levantou-se da cama, entrou no closet e saiu vestida com suas próprias roupas. O quarto estava novamente silencioso quando ela saiu, mas eles ignoraram-se mutuamente quando ela cruzou o quarto e saiu.


.


.


Ela estava ficando realmente aborrecida, pensou ele, quando a porta bateu.


Não via como aquilo continuaria durando por muito mais tempo. Se fosse ela, já teria feito algo, não aturaria aquilo. Mas ela não era ele, e ele não tinha muita certeza se a entendia.


Precisava estar preparado. Amanhã eles seriam obrigados a se encarar por um dia inteiro, e sabia que era a oportunidade que precisava.


Só precisava estar preparado.


.


.


Ginny não agüentava mais. Até os colegas haviam percebido que havia algo errado, pelo modo como a Sala de Planejamentos estava silenciosa. Era segunda-feira, e ela não estaria ali se não fosse sua obrigação de Comandante.


Ele ditou as ordens da semana, e todos saíram da mesa grande para executar suas funções. Ginny, entretanto, continuou ali, incomodada, porém conformada. Pegou seus papeis e começou a trabalhar, questionando-se, pela primeira vez, se deveria compactuar com aquilo.


- Ginny - chamou a voz na ponta da mesa.


Ela hesitou, incomodada, antes de levantar os olhos.


- Poderia ir até minha sala e pegar os papéis sobre a mesa? - perguntou ele, sem nenhuma emoção em especial na voz. Não olhava para ela; falava com os olhos na carta que estava escrevendo.


Ela pensou seriamente em responder que era sua amante e não era sua secretária. Engoliu, porém, sua desobediência, e forçou-se a pensar nele como seu chefe acima de qualquer outra coisa.


- Sim, senhor - respondeu, friamente, antes de se levantar.


.


.


Afundou o rosto nas mãos. Problemas, problemas e mais problemas. Por que estava sendo tão difícil? Teria coragem de fazer aquilo? Estava se deparando com uma situação que não conseguia resolver. Até agora nunca precisara ter cuidado em dar aquele tipo de notícia. À qualquer momento agora… Ela teria que saber, não podia adiar por muito mais tempo. Já faziam dois dias…


Ela se tornara muito importante nesses últimos tempos. Importante demais. Ela o perdoaria? Era atordoante pensar naquilo.


Ela não ia perdoar. Ele contava com isso.


.


.


Ginny entrou na sala escura. E de pensar que fora ali que ela assinara sua sentença de infelicidade… Seguiu em passos despreocupados até a escrivaninha, pegou os papeis que estavam sobre a mesa e estava prestes a dar meia-volta quando sua manga enganchou num livro de capa preta e derrubou-o, fazendo-o cair aberto de qualquer jeito no chão. Dividida entre o receio de ter amassado e uma cruel e inexplicável satisfação caso isso tivesse acontecido, Ginny pousou os papeis na mesa e abaixou-se para pegá-lo. Quando levantou-o, um envelope escorregou de entra as páginas, indo prender-se sob o pé da cadeira. Ela pegou-o para colocar onde estava, mas uma coisa prendeu sua atenção.


No envelope de pergaminho amarelado havia um lacre violado em cera verde. O símbolo impresso em relevo era o de duas cobras circundando um “R”. A não ser que ela muito se enganasse, aquele era o símbolo da Ordem das Trevas na Romênia.


.


.


Levantou-se e foi até sua mesa, respirando cronometradamente.


Precisava estar preparado. Ela não o perdoaria, mas era isso que esperava. Se ela fosse embora, não precisaria mais se preocupar com ela e a criança. Estariam a salvo longe dele.


Mesmo assim, lá dentro era difícil aceitar que ela estaria em outro lugar que não ali, sob sua proteção. Era difícil aceitar que teria que se despedir para sempre. Também era difícil saber que precisaria suportar a dor dela e agir como um perfeito imbecil, mas era o melhor plano que tinha.


E esperava ser forte o suficiente para executá-lo.


.


.


Correu os olhos pela carta assinada por Robert Wildriam. Era rápida, nervosa e quase ilegível. Algumas frases esparsas saltavam aos seus olhos em meio à caligrafia apressada.


Mestre, más notícias. Apesar de todas as precauções que vínhamos tomando, aconteceu um acidente neste fim de semana…” “…a sede foi invadida, tivemos que atacar…” “… perdemos cinco homens…” “…estávamos em desvantagem, a coisa saiu do controle… O prédio todo desabou…” “…sinto muito. Charlie Weasley está morto…


Ginny não queria acreditar no que estava lendo. Não queria, mas a sensação de estupor já começava a engalfinhá-la e ela sabia que era verdade. Não escreveriam aquilo se não fosse certeza.


Charlie, morto?


O choque era mais forte do que as lágrimas.


.


.


Não conseguiria! Dois anos ao lado dela o fizera um completo covarde. Talvez fosse mais fácil se não soubesse que o que sentia era…!


Respirou fundo. Não era hora para perder a cabeça. Precisava deixar de ser egoísta. Ela já estaria passando por um mau momento quando descobrisse, seria muito mais fácil fazer aquilo, então, do que em qualquer outra oportunidade. Tinha que ser forte por ambos.


Precisava ser.


A porta se abriu com violência, mas ele não conseguiu olhar de imediato. O mau pressentimento que vinha tendo atingiu seu ápice com uma brutalidade excessiva, a ponto de fazê-lo sentir náuseas.


Quando por fim levantou os olhos, Ginny estava na sua frente, os olhos molhados e uma expressão que misturava fúria e tormento estampando seu rosto. Segurava um envelope amassado na mão. Um envelope com um lacre de cera verde.


Sentiu-se fraco e doente, mas não ia deixar que aqueles sentimentos atordoantes o vencessem. Engoliu o mal-estar e encarou-a.


Sabia que isso teria de acontecer mais cedo ou mais tarde. Só esperava que não fosse tão cedo.


.


.


Ginny não conseguia respirar direito. Tudo parecia um pesadelo realista. Se fosse considerar o pouco que se lembrava entre a hora que pegara aquela carta e a que chegara até ali, podia jurar que certamente se tratava de um sonho ruim. Mas a sensação era impiedosa demais para que não fosse real.


Ela queria saber se era verdade. Era o motivo pelo qual ela cruzara Basilisk Hall sem ver por onde ia. Queria olhar em seus olhos e queria que ele dissesse que era mentira. Tinha que ser mentira.


Não era sua intenção ser rude, mas o que ouviu sua própria voz dizendo foi:


- Você mentiu pra mim? - Soou estranha aos seus ouvidos.


Ele não respondeu. Encarava-a inexpressivamente. Ginny não fora até ali para continuar suportando aquela esquisitice. Atirou a carta na mesa desejando quebrá-la. O papel provocou-a, não batendo com força e ainda escapando para o chão.


- DIGA ALGUMA COISA! - explodiu Ginny, sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto. - PARE DE ME OLHAR DESSE JEITO! ME DIGA ALGUMA COISA! ISSO NÃO PODE SER VERDADE! NÃO PODE!


Ele apertou as sobrancelhas e cruzou os braços, parecendo incomodado, mas não fez mais nada. Os outros olhavam espantados, em silêncio absoluto. Aquilo a irritou muito mais.


- POR QUE NÃO ME DISSE QUE ELE ESTÁ MORTO?! VOCÊ PROMETEU QUE NADA DE MAL ACONTECERIA A ELES, TOM! VOCÊ PROMETEU! - gritou ela, sentindo a dor na garganta competir com a dor no peito. - Por que simplesmente não me contou…?


Ele descruzou os braços, tamborilou a mesa com os dedos da mão direita por alguns instantes e por fim levantou-se e ficou encarando-a. Ginny olhou-o nos olhos. Nada. Aquela maldita Oclumencia!


- Aconteceu. O que quer que eu faça? O ressuscite? - disse ele, por fim, a voz fria e impessoal. - Nem todo o meu poder é suficiente para isso.


Ginny ficou ali, parada, olhando-o sem acreditar. Fora quase como um tapa na cara. Então era assim que ele lidaria com aquele assunto? Nenhuma culpa, nenhuma palavra de consolo? Estava chocada, mesmo depois do modo desprezível como ele vinha tratando-a ultimamente.


Sentiu as lágrimas esquentarem as bochechas.


- Por que está fazendo isso comigo? - disse, em voz baixa e embargada. Algo na expressão dele pareceu mudar ligeiramente, mas pelo que ele disse em seguida Ginny teve certeza de que imaginara.


- Eu não estou fazendo nada. Você é quem está descontrolada - disse-lhe, numa voz totalmente isenta de compaixão. Parecia até um pouco enojado com a reação dela.


Ela estava perplexa. Acabara de descobrir que seu irmão estava morto e só o que ele fazia era dizer que não podia fazer nada e que ela estava fazendo escândalo? Esperava mais dele. Achava que ele havia mudado ao menos um pouco, afinal de contas.


- Por que não me contou? - perguntou, pela última vez, em voz baixa e desconsolada. Não pode deixar de notar que ele preferiu desviar os olhos antes de responder.


- Quebra de contrato - disse, simplesmente. Então voltou a sentar-se e conjurou uma folha de pergaminho sobre a mesa. - Não queria que fosse embora, mas você está no seu direito.


Ginny reconheceu o contrato que ela assinara há pouco mais de dois anos atrás, em choque. O que ele estava dizendo? Aquilo não era mais uma simples questão de quebra de contrato. Aquilo era sua vida agora… Mas aparentemente ele só a via como mera funcionária, assim como qualquer outro Comensal. E ela achando que ele estava gostando dela!


- Não seja bobo, eu não tenho para onde ir - disse, baixinho, abalada demais para continuar chorando.


- Isso não é problema meu. E não se demore, ainda preciso arranjar outro Comandante de Estratégias. Pode ir - disse ele, calmamente, como se estivessem discutindo um assunto qualquer.


Ele não podia estar falando sério. De repente sentia mais raiva do que dor. Estava sendo expulsa de sua casa pelo homem que amava, depois de tudo o que fizera por ele. Não conseguia acreditar.


- Eu quebrei o contrato antes - disse, tentando um último e desesperado golpe. - Acobertei Hermione Granger. Ela esteve em Basilisk Hall dia 27 de agosto e eu a ajudei a escapar. Não te contei. Acredito que você tenha que me matar agora.


Tom encarou-a de um modo estranho. Por um momento ela percebeu a Oclumencia vacilar, e viu surpresa, raiva, mágoa nos olhos dele e, por fim, aceitação. Foi com uma voz muito calma que ele respondeu:


- Então você tem para onde ir.


A garota se deu por vencida. Exigia mais dela do que podia suportar discutir com ele agora. Sentia raiva por ambos, sentia tristeza e sentia-se terrivelmente fracassada. O peso das perdas esmagavam-na e ela não tinha mais forças para qualquer reação. Desejava muito profundamente dar-lhe um tapa bem forte no meio do rosto, mas estava muito fraca para isso também. Não havia mais o que fazer. Não ia mais se humilhar se ele não mais desejava sua companhia. Não achava que ele estivesse falando sério, mas se era o que queria, era o que teria.


Limpando o rosto com a manga sem sucesso algum, já que as lágrimas ainda rolavam incessantemente, pegou o contrato sobre a mesa, amassou-o e virou-se para sair. O restando do grupo Cinco ainda estava parado observando-os com curiosa surpresa, mas ela os ignorou. Escreveria para Hermione, sabia que ela estava alugando um apartamento em Londres, mas não se sentia animada a ir para casa ou para Grimmauld Place. Ainda não sabia como escreveria e arrumaria suas coisas naquele estado, mas sabia que precisava ficar sozinha urgentemente.


Antes que desse três passos em direção à porta, porém, ele a chamou.


- Ginny. - Ela virou-se, esperançosa de que ele se desculpasse e dissesse que ela podia ficar. - Não se esqueça das roupas que deixou no meu quarto - foi o que ele disse.


Ela não pôde mais se conter. Mordeu o lábio inferior para segurar o choro descontrolado que forçou sua garganta, mas ouviu um gemido baixo e sôfrego saindo do próprio peito. Os soluços e as lágrimas dificultaram seus próximos passos antes que ela conseguisse sair o mais rápido possível da sala para o torturante labirinto de corredores cheios de memórias.


 .


-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Nota – Música: Endless Dark, composta por Ville Valo, da banda sueca de (nas palavras do próprio vocalista) “love metal” H.I.M., a banda mais pop do underground, apresentada no álbum… Love Metal! (A letra é o primordial aqui; não que a melodia não seja boa, mas talvez seja uma pouco “frenética” demais para o clima do capítulo. Mas também não é de todo rejeitável, afinal, a letra sempre precisa ter relação com a melodia!).

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 17) - Copyright 2002-2022
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.