O fogo crepitava alegremente na lareira, competindo com as fortes gotas de chuva que caíam sobre o telhado. Malfoy estava sentado à mesa com o terceiro homem, o estranho cuja chegada precipitara a tentativa de fuga de Hermione. Os dois ergueram os olhos quando ela entrou no quarto e acompanharam-na com o olhar enquanto se dirigia para junto do fogo.
Ajoelhou-se diante da lareira, a fenda no cobertor deixando à mostra uma perna bem-torneada e a insinuação de uma coxa nua. O aperto constritor do agasalho forçou Hermione a dobrar as pernas para um lado para poder se sentar no chão de pedra aquecido diante do fogo.
Vivamente, começou a esfregar a toalha nos cabelos, espalhando gotículas de água. As que atingiam as pedras quentes da lareira logo se dissolviam.
Quando o cabelo ficou apenas úmido, Hermione começou a passar o pente pelas mechas sedosas.
O estranho parecia estar lhes dando algum tipo de informação. As respostas de Potter e Malfoy pareciam ser "sim" ou "não” ou perguntas.
Ela ficou imaginando qual seria o assunto. Era, sem dúvida, algo muito importante, para o homem chegar no meio de um temporal, e para Malfoy mandar o guarda ir buscar Potter.
Deu as costas para o fogo para deixar o calor irradiante terminar de secar a cabeleira espessa na parte de trás. O pente continuava a sua rítmica separação dos fios, auxiliando na ação de secar.
Uma força magnética forçou-a a voltar-se para Malfoy. O olhar pensativo dele parecia dirigido para além dela, para dentro do fogo, hipnotizado pelas chamas dançantes. Só então Hermione se deu conta de que ele estava observando os reflexos das chamas na nudez cremosa do seu ombro direito e da clavícula.
Com uma intensidade perturbadora, o olhar subiu devagarzinho pela curva esguia do seu pescoço.
Os olhos grizes insondáveis examinavam a linha graciosamente feminina do seu maxilar e das faces, a retidão clássica do nariz, antes de passar para os cílios longos e fartos. Voltando pelo mesmo caminho, o olhar dele fez um desvio, dando uma parada completa nos lábios dela.
A posse quase física daquele olhar fez o pulso dela disparar feito louco. Inesperadamente, os olhos velados, entretanto dominadores, mudaram a atenção para prenderem o olhar dela. Hermione teve a sensação avassaladora, maluca, de que alguma força a empurrava para trás, deitando-a ao lado do fogo para ser seduzida, de bom grado.
Com esforço, ela afastou os olhos do olhar magnético, com a respiração irregular e superficial.
Potter levantou-se da cadeira e dirigiu-se para a lareira. Rapidamente, ela desviou a cabeça, olhando para as chamas, esperando que, caso ele notasse a sua pele afogueada, atribuísse o fato ao calor do fogo.
Agachando-se, acrescentou outra acha de lenha ao fogo e mexeu nos pedaços incandescentes de madeira. Equilibrando-se nas plantas dos pés, lançou-lhe um olhar de esguelha, calmo e interrogador.
- Já se secou? - perguntou.
- Já. - Concordou com um gesto rígido de cabeça e lançou um olhar desconfiado à mesa. Teve a súbita sensação de que estavam falando dela, quem sabe o tempo todo. - Potter?
Ele tinha apoiado as mãos nos joelhos, pronto para se levantar, porém, esperou, inclinando a cabeça para o lado.
- Sim?
- Quem é ele?
- Um amigo - respondeu simplesmente.
Hermione voltou a olhar para o mexicano.
- É um de seus contatos?
- É um amigo - foi só o que Potter disse.
- Está aqui por minha causa, não é?
- Por que está dizendo isso? - perguntou.
- É uma sensação que tenho. Não está?
- Hermione - havia paciência na voz dele, calma e controlada -, está fazendo perguntas que sabe que não posso responder.
- Por que não? Se me dizem respeito, também são da minha conta - raciocinou teimosamente.
Mas Potter deu de ombros e ficou calado.
- É óbvio que a esta altura lá entraram em contato com o meu pai. É por isso que este homem está aqui? Para lhe contar o que ele disse?
Potter inspirou profundamente.
- Não force a barra, Hermione. - Parecia muito calmo. - Quando houver algo definitivo, será informada.
Com essas palavras, colocou-se de pé para acabar com a conversa.
- Diga ao seu patrão que prefiro voltar agora para o meu quarto
O olhar verde pulou para Malfoy e ricocheteou de volta para Hermione.
- O resto da casa é frio e úmido demais. Fique aqui ao pé do fogo, onde se sentirá quente e seca.
- O que aconteceria se eu resolvesse ir para o quarto, e fosse? - indagou, desafiadora.
- Seria trazida de volta - declarou Potter, e deu-lhe as costas.
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N/A: Pessoal, eu não vou conseguir postar dois capitulos de final de semana, quer dizer, não sempre. Vai ter suas excessões. hehehe. Me desculpem... eu to tão atarefada que venho, posto e ja saiu. Espero que voces compreendam. =/
Beijos =*
Angel_S