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Visualizando o capítulo:

20. Capítulo 19


Fic: Entre a Guerra e o Amor


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Pois é... Demorei, mas postei!


 


Aqui está o capítulo 19 e já vou avisando que tem umas partes bem darks com a Colbie *-* Coisa que eu adoro escrever se tratando dessa personagem. Também tem um passo muito importante e a fic está mesmo se encaminhando para o fim.


Como sempre, eu escrevi o capítulo ouvindo algumas coisas... Dessa vez, eu ouvi My Immortal (Evanescence, coisa MUITO rara), Rebirthing (Skillet) e I'm With You (Avril Lavigne, ok, essa é mais rara ainda que Evanescence xD). Espero que curtam a "trilha sonora".


Boa leitura a todos! ;)


***


A Floresta Proibida estava escura, com uma densa névoa cobrindo praticamente quase todo o campo de visão daqueles que arriscavam adentrar nela naquele momento. Era uma noite fria, o céu estava sem estrelas e o grupo caminhava em meio a trevas pelo local. As luzes nas pontas das varinhas eram pequenos pontos isolados no meio do manto negro que caía sobre a floresta fria e silenciosa.


   Das cinco pessoas que caminhavam por ali, apenas uma parecia não estar incomodada com a situação em que se encontrava. Colbie Summers caminhava com os olhos fixo na trilha a sua frente, sentia as gotículas de água molhar suas meias e os galhos arranharem a sua capa, mas sua cabeça estava vagando a alguns quilômetros à frente. Hogwarts estava cada vez mais perto e a hora de revelar-se estava cada vez mais próxima.


   Mesmo àquela distância, ela podia ouvir os urros dos gigantes e também, enxergar com muito esforço as rajadas de feitiços que irrompiam pelas pontas de diversas varinhas. A garota respirou fundo, sentindo a frieza tão característica e tão conhecida preenchê-la por inteiro. Era um ser humano sem escrúpulos, diante de sua cega obsessão por destruir Voldemort e garantir a Gina um futuro melhor, perdera aquilo que ela mais prezava em si e o que julgava diferenciá-la dos demais comensais... Seu coração, seus sentimentos e suas emoções estavam perdidas em algum canto daquela jornada sem volta e de sua alma despedaçada. Seu amor, sua crença e principalmente, sua alma tinham sido sugados por aquele tornado de dor e sofrimento que era a Guerra.


   Colbie sentiu a varinha deslizar por baixo da manga de sua capa, um ato totalmente reflexo, mas que seu cérebro sabia que deveria ser feito. A sonserina era agora só frieza, dor e vingança. Seus olhos estavam frios como esmeraldas e vazios de qualquer sentimento de compaixão que pudesse nutrir por alguém. Afinal, para que ter compaixão daqueles que tiraram dela a felicidade?


   Olhou para frente e visualizou a figura cabisbaixa de David Colemann. Quem o conhecesse há alguns meses atrás e o visse agora poderia jurar que não era a mesma pessoa. David perdera todo o charme, toda sensualidade e todo poder que faziam dele um homem atraente. Fora destruído moralmente, sem qualquer piedade, por Colbie Summers. Fora destruído pela própria luxúria de possuí-la mais uma vez, se tivesse acabado com ela na Floresta logo no início do ano letivo, a situação não chegaria aquele ponto.


   E mais uma vez lá estavam eles... Na Floresta. Onde tudo começara e tudo iria acabar. Parecia clichê, é claro, mas Colbie se esforçara para que acontecesse daquela forma, era uma espécie de acontecimento especial para ela.


   Estavam a menos de dois quilômetros de Hogwarts e Colbie podia sentir suas pernas fraquejarem pedindo descanso, mas ignorou-as completamente e preparou-se para realizar o seu último truque. Pigarreou e gritou autoritariamente:


   - Quero todos aqui, perto de mim, agora!


   Nenhum comensal, por mais corajoso ou sádico que fosse, ousaria desobedecer aquela que era uma das confiáveis de Voldemort. Rapidamente, os quatro comensais caminharam em sua direção, parecendo um pouco confusos devido a ordem dada. Sem mencionar nada, Colbie sacara a varinha e executara dois feitiços imobilizadores naqueles que estavam mais próximos e pegou um terceiro com um feitiço estuporante.


   Virou-se para onde David estava e viu que ele fugira, deu uma gargalhada fria e perguntou irônica:


   - Qual o problema Colemann? Não quer brincar comigo hoje?


   Sem resposta, apenas o farfalhar das folhas e o vento soprando calmamente. Colbie apurou os ouvidos enquanto prendia os outros três comensais em árvores que ela própria transfigurara. Naquele momento, as árvores eram verdadeiros guardas armados, seus galhos grossos e nodosos sufocavam seus prisioneiros se eles ameaçassem um movimento mais brusco ou uma tentativa de fuga. Colbie apanhou as varinhas e partiu-as ao meio. Depois gritou novamente para escuridão:


   - Vamos David! Não temos toda a noite para brincarmos de esconde-esconde!


   Dessa vez não foi o silêncio que preencheu aquele ambiente denso e escuro, Colbie conseguiu ouvir passos furtivos vindos de suas costas. David continuava o mesmo covarde de sempre capaz de atacá-la pelas costas, antes que o rapaz realizasse o ataque “surpresa”, a varinha de Colbie dançou no ar e ela o jogou de encontro a uma árvore. Um filete de sangue caiu pelos cabelos escuros de David, ele estava assustado, suando e com os olhos arregalados.


   Os pesadelos dele estavam se concretizando, arrependeu-se profundamente por ter tomado Colbie a força no ano passado e arrependeu-se mais ainda por ser o responsável pela Marca que agora, ardia no braço dela e a transformara numa máquina de vingança. Conseguiu ver todo o ódio e toda a raiva impressos naqueles olhos verdes que ele tinha certeza que o assombrariam por toda a eternidade. Colbie guardou a varinha na capa e deu um sorriso sádico antes de perguntar:


   - Você achou mesmo que eu ia deixar as coisas assim?


   - Por um momento, achei que sua perseguição fosse só raiva pelo que aconteceu ano passado e não, por aquela vadia traidora do próprio sangue! – David respondeu ofegante, mas mantendo aquele mesmo tom desafiador e irônico mesmo estando prestes a ser morto. O rapaz achou que Colbie lhe bateria devido ao brilho no olhar dela, mas ela sorriu , agachou-se ao lado dele e respondeu:


   - Você me estuprou David, mas isso pouco me importa. Eu não me importo mais comigo e sim, com ela. Você me afastou dela, você me marcou e me fez monstro do jeito que sou hoje... Você cavou sua sepultura no exato momento em que achou que poderia me manipular para destruir as Horcruxes de Voldemort...


   - Eu te manipulei Colbie? Você ainda acha que tem moral pra falar disso? Você é como todos nós... É cruel, é sádica e é violenta. No fim, eu saí lucrando. Fiz de você exatamente o que Voldemort queria. – David respondeu vitorioso enquanto encarava Colbie, não conseguia se mexer e sabia que mesmo sem varinha, Colbie executara nele um feitiço paralisante. Pode perceber que essa sua resposta perturbara Colbie profundamente, ela respirou fundo e lhe disse séria:


   - Não David, você ainda não entendeu. Você não fez nada comigo, apenas me deu os motivos certos para destruir todos vocês. Voldemort vai morrer hoje a noite e não será você que assumirá o lugar dele.


   - Isso deixou de ser meu objetivo principal há muito tempo... Ultimamente, só tenho me contentado em rir da burrice de Voldemort em confiar em você e também, da sua inteligência em enganá-lo. Talvez seja hora de você rever suas crenças e passar a pensar no poder que terá nas mãos. – David disse calmamente, tentando mudar os pensamentos de Colbie, tentando manipulá-la como em tantas outras vezes. Porém, Colbie gargalhou aquela mesma gargalhada fria e diabólica, estava mais pálida e seus olhos ardiam em chama, ela repuxou os lábios e disse:


   - Pensar no poder? Por que pensar no poder se eu sou descendente de Godric Griffindor? Se eu posso simplesmente estalar os dedos e quebrar o pescoço de qualquer um que se meta entre mim e meus objetivos?


   Dizendo isso, Colbie estralou os dedos com um sorrisinho. Os galhos das árvores transfiguradas remexeram-se por um instante e no outro, foi-se ouvido um barulho curto e seco de osso sendo quebrado. David arregalou os olhos e agora, estava claramente amedrontado, Colbie quebrara os pescoços dos demais comensais sem qualquer resquício de piedade. Notando o estado emocional de David, Colbie sacou a varinha e disse:


   - Acho que agora você entendeu do que eu falo não é mesmo? Não estou nessa guerra pelo poder, tudo que me move é vingança... Primeiro foi aquele tosco do Cervantes com sua tara por menininhas e agora, é você. A pessoa que eu mais tenho vontade de matar no mundo!


   - Então por que não me mata de uma vez Summers?! Vamos! Faça logo! Ou seu coraçãozinho grifinório te impede de fazer isso? – David disse sarcástico, estava começando a crer que a morte era um destino melhor do que ficar ali vivo com uma Colbie sádica lhe encarando. Colbie sorriu para os próprios pés e balançou a cabeça, depois disse malignamente:


   - Eu tenho vontade de te matar meu caro, mas maior ainda é a minha vontade de te fazer sofrer, gritar e por fim, acabar implorando para que eu te mate. Acredite Colemann, nosso papo está longe de terminar.


 


***


 


   Hogwarts era um campo de batalha. Os gigantes avançavam pelos jardins com fúria e força, enquanto os membros da Ordem tentavam em vão proteger as instalações do castelo. Mesmo com a ajuda de alguns gigantes e Grope, o meio-irmão de Hagrid, a batalha estava quase perdida. Os gigantes eram praticamente invulneráveis a qualquer magia.


   Harry estava tentando se focar nos gigantes, mas seus pensamentos sempre iam em direção a Voldemort que estava em algum lugar, atrás da ofensiva, o esperando para um duelo mortal. O rapaz de cabelos rebeldes observou todo o campo de batalha ao seu redor, deparando-se com gritos de dor e também, com destruição em massa.


   Havia alguns membros da Ordem feridos se arrastando em direção a porta do castelo, enquanto outros ainda lutavam bravamente. Um deles era Gina, o garoto conseguia observar, mesmo aquela distância, a varinha da ruiva agitava-se com facilidade e executava feitiços com precisão. Ela acabara de derrubar um comensal com sua famosa Azaração do Bicho-Papão. Harry sorriu orgulhoso, mas logo em seguida, teve que desviar-se de um poderoso golpe de bastão dado por um gigante. Correu alguns metros e a cena que viu a frente o mortificou.


   Hermione estava caída no chão, completamente desarmada. Tinha sangue escorrendo pelos cabelos e parecia ter levado uma forte pancada na cabeça, estava tonta e amedrontada. Um gigante de aparência malvada andava na direção dela com o que parecia ser um sorriso mau no rosto. A visão de Harry ficou vermelha, ele se esqueceu do gigante que o perseguia e gritou apontando a varinha para o outro:


   - Estupefaça!


   Como era de se esperar, o gigante atingido pelo feitiço mal se mexeu. Encarou-o com desprezo e continuou a avançar em direção a Hermione, Harry ficou desesperado e em um ato totalmente insensato, correu em direção ao gigante e pendurou-se no bastão dele que descia rapidamente em direção a Hermione.


   Aquela cena lhe lembrou vagamente o primeiro ano, quando sequer sabia quem era e quem era Voldemort. Nos tempos em que tudo parecia mais simples e menos doloroso, o tempo que via Hermione como amiga... Seus pensamentos foram cortados por um grito agudo de desespero vindo de Hermione, ela pareceu entrar um pouco em foco e arregalou os olhos na direção do gigante.


   Harry agora estava pendurado no pescoço do gigante que se agitava violentamente, tentando tirá-lo dali. Mas Harry era bravo, segurava-se com todas as forças que tinha e esperava que Hermione voltasse a raciocinar o bastante para sair de perto dele. Mas Hermione estava aflita e com as mãos na boca, correu para apanhar a própria varinha caída ao longe e subitamente, Harry teve uma idéia.


   Agarrou-se firmemente ao pescoço do gigante e deu um impulso para frente, dessa vez, ficara pendurado bem diante da boca dele e agarrado em suas narinas. O gigante urrou de dor e Harry sentiu o bafo fedorento dele invadir suas narinas, quase vomitou diante do fedor. Por fim, sacou a varinha do bolso e conseguiu mirar nos olhos do gigante antes de dizer:


   - Conjunctivitus!


   O gigante deu mais um urro de dor, Harry então saltou antes que o gigante caísse. Sentiu seu tornozelo reclamar de dor ao estatelar-se no chão, saiu mancando em direção a Hermione que segurava a varinha assustada. Abraçou-a e carregou-a para longe dali, bem no momento em que o gigante caía no chão com um baque curto e seco, amassando a grama.


   Hermione olhou para ele assustada antes de abraçá-lo com força, Harry afagou seus cabelos e deu um sorriso cansado. A morena então, afastou-se dele de novo e disse ofegante:


   - Me desculpe Harry, fiz você se arriscar desse jeito! Foi um erro bobo meu! Poderia ter custado a minha vida e a sua!


   - Calma Mione, tá tudo certo agora... Estamos bem! – Harry disse com um gemido de dor, Hermione lançou os olhos assustada para o tornozelo dele e disse rapidamente:


   - Ah seu tornozelo, vou consertar isso, é o mínimo que eu posso fazer!


   Dizendo isso, a morena agitou a varinha e no mesmo instante, a dor que Harry sentia no tornozelo sumiu, dando lugar apenas um formigamento engraçado. O garoto levantou-se e ofereceu a mão para a amiga, Hermione lhe sorriu e aceitou prontamente. Harry puxou-a em direção a si, segurou-lhe o rosto e verificou o machucado.


   Hermione tinha um corte superficial, mas que sangrava bastante na testa. Tocou-o com as pontas do dedo e rapidamente, a morena soltou um gemido de dor. O moreno sorriu e disse tranquilamente:


   - Madame Pomfrey dará um jeito nisso, você sabe muito bem como é a minha perícia em feitiços de cura...


   - Tudo bem Harry, mais uma vez você salvou minha vida... Quando eu vou poder te retribuir? – Hermione perguntou radiante, sorrindo, ignorando completamente o cenário em que ambos se encontravam. Harry apenas deu um sorriso repleto de significados, não queria forçar Hermione a nada, ainda mais na situação que se encontravam. Ouviram gritos de Rony, o ruivo chegou ofegante e perguntou abismado:


   - O que vocês pensam que fizeram?


   - Ahm, Rony, nós não fizemos absolutamente nada do que você tá pensando... – Hermione disse calma, tentando conciliar Harry e Rony. O ruivo, porém, balançou a cabeça negativamente e disse rindo:


   - Não to falando disso Mione! Aliás, pouco me importa o que você faz com seu coração... Tava me referindo ao Harry, babaca o bastante para se pendurar no nariz do chefe do bando de gigantes e derrotá-lo.


   - Ahm... Ele era o chefe? – Harry perguntou visivelmente desconcertado, não esperava que Rony reagisse tão normalmente ao vê-lo com Hermione. A morena também parecia envergonhada, olhava para os lados tentando disfarçar e percebera que a calma reinava nos gramados de Hogwarts. Gina veio atrás de Rony e disse rindo:


   - Claro que era o chefe Harry! Ele era o maior e mais feio!


   - Lá de cima não deu pra reparar em nada disso... – Harry disse coçando a cabeça e arrancando risos dos dois irmãos e de Hermione. Parecia que a amizade deles voltara a se fortalecer, estavam todos cansados, suados, feridos e mesmo assim, riam, diante daquela pequena vitória. Hermione pigarreou e observou sabiamente:


   - Então isso explica por que está tudo vazio e silencioso...


   - Logicamente né Mione! Os gigantes não iam nos enfrentar depois que o líder deles caiu... – Gina respondeu em tom de brincadeira, apesar de não gostar de ser o motivo do riso, Hermione sorriu pelo simples fato de Gina lhe chamar pelo apelido e brincar com ela. Os olhares das duas se encontraram e rapidamente, ambas esqueceram o que acontecera, mas aquilo não era o desfecho, mesmo assim precisam ter uma conversa séria.


   - Lupin está convocando todos para dentro do castelo. Ele enfrentou Fenrir e acabou conseguindo expulsá-lo do castelo juntamente com a horda de lobisomens, Tonks está quase parindo o filho deles nesse momento! – Rony disse sério enquanto fazia um sinal para que todos o acompanhassem, Gina o seguiu rapidamente.


   A ruiva estava ansiosa, tinha esperanças de encontrar Colbie ali e confrontá-la uma última vez antes de entregá-la a Azkaban. Sabia que seu amor e suas convicções não iriam deixá-la assassinar Colbie. Querendo ou não, Colbie era uma parte de sua vida que era inesquecível e por mais que quisesse negar, tinha uma parte de si, uma pequena e esquecida parte, que ainda acreditava na inocência dela.


   E quando Gina ficava sozinha e pensava sobre tudo que Colbie fizera, sentia que eram peças que foram montadas para parecer com algo, mas que na realidade, se conectavam por um único motivo que ela não sabia qual era. Ela conhecera Colbie mais que conhecera a si própria, sabia das fraquezas dela, do coração e principalmente, da alma dela. E pelo que conhecia da sonserina, ela não seria capaz de fazer metade do que fizera. Mas ao mesmo tempo, muitos lhe diziam que a Marca transformava as pessoas, ela só pedia que não fosse este o caso de Colbie. Não queria presenciar a morte dela. Considerava-se uma boba, talhando uma máscara de coragem e força, quando na verdade, estava sendo destruída por dentro. Só queria um mundo sem Guerra e era aquele motivo, que ela fingia acreditar, que a guiava naquele momento.


   A ruiva deixou os ombros caírem e sentiu a mão do irmão apertá-la protetoramente, ela levantou os olhos para Rony que observava o gramado destruído a frente. Ele parecia ter se dado por vencido, seus olhos traziam um brilho de contentação e Gina ficou feliz ao ver que ele finalmente se abrira para outra pessoa. Sendo o homem que era, ela tinha certeza que Rony logo encontraria aquele alguém que fora feito especialmente para ele.


   Os ruivos caminhavam sorrindo para os próprios pés, com Harry e Hermione em seu encalço. O moreno colocou as mãos no bolso e olhava para o céu nublado que se estendia sobre eles, desejando apenas que aquilo passasse rápido, estava com medo, nervoso e sentia todos seus músculos tremerem ao pensar em Voldemort. Mas de alguma forma, estava tranqüilo. Sentia os pais próximos de si nos últimos dias, como se quisessem protegê-lo de alguma forma e mesmo sabendo que estava diante de seu futuro e do futuro do Mundo Bruxo, ele conseguia respirar fundo e ainda reunir coragem.


   Harry deu um sorriso para os próprios pés, deixando Hermione intrigada. A morena já sabia que seu coração tomara a decisão, ela queria estar com Harry. Sentiu por Rony, mas não podia controlar suas emoções, aprendera da pior forma que seu coração era a única parte de si que não respeitava seu cérebro. Hermione não tinha palavras para expressar o que sentia por Harry e então, esperou que o moreno tomasse uma reação logo após salvá-la da burrada que ela própria cometera. Mas Harry a salvara e não dissera nada.


   Porém, quando chegaram ao castelo, Harry segurou sua mão e disse envergonhado:


   - Eu não tive medo nenhum de morrer agora a pouco, meu único medo, era que aquele gigante acertasse o bastão em você... Eu preferiria morrer, desde que você estivesse viva.


   Harry então, entrou rapidamente no castelo. Deixando uma Hermione atônita a ser observada por Gina Weasley.


 


***


 


   Colbie apreciou a situação humilhante em que David se encontrava com um sorriso satisfeito no rosto, esperava aquele momento como nunca esperara nada em sua vida. Ela só queria vingança, seu coração antes tão puro, era agora movido por um ódio ameaçador. A sonserina agitou a varinha e mais uma vez, os gritos de dor de David foram ouvidos na floresta silenciosa, ele respirou diversas vezes antes de implorar:


   - Por favor Colbie, me perdoe! Mas não volte a me torturar!


   - Eu disse que você ia me implorar a vida Colemann... Que pena que eu não sou assim tão caridosa com as pessoas que eu odeio! – Colbie disse malignamente, agachou-se ao lado do corpo inerte e imobilizado do rapaz. Ele estava em posição fetal, podia movimentar apenas a cabeça, seus olhos traziam o medo impresso e ele suava frio por todos os poros do corpo. David encarou Colbie profundamente e disse suplicante:


   - Colbie, você não é assim! Você nunca odiou ninguém, você tem o coração puro e sabe disso!


   - Isso mesmo, eu nunca odiei ninguém porque, sendo meu coração puro como você diz, eu só podia odiar uma pessoa e essa pessoa era você! – Colbie respondeu repleta de ironia, agitou a varinha novamente e um corte transpassou no peito de David. Ela não o torturava somente com a Maldição Cruciatus, estava sendo cruel o bastante para desfigurá-lo e fazê-lo gritar de dor.


   E foi o que acontecera: mais uma vez, David deu um grito de dor que ninguém ouviu. O rapaz estava ficando desesperado, a loucura começava a manifestar em sua mente, ele agora tinha alucinações sobre quem era Colbie na realidade. Mas mesmo assim, não perderia o foco, fingia-se arrependido e precisava convencer Colbie disso.


   Um pouco do sangue de David respingou na face de Colbie, ela limpou com nojo e levantou-se, dando as costas ao rapaz e observando os corpos dos outros comensais que morreram sufocados pelas árvores transfiguradas por ela.


   Por um breve momento, a fraqueza lhe invadiu e ela sentiu-se a pior pessoa do mundo. Estava matando, torturando e manipulando como qualquer Comensal, estava sendo aquilo que mais repudiava e odiava. Estava a ponto de igualar-se a sua mãe... Mesmo sendo Comensais, eles ainda eram pessoas...


   Mas não havia inocentes naquela Guerra, apenas pessoas com parcelas de culpas diferentes. Só que a parcela de Colbie era alta demais e estava tornando-se impossível de carregar. Olhou para suas mãos que estavam sujas com algumas gotas de sangue de David e a sua varinha, que agora, era um instrumento de matar.


   Seus olhos ficaram embaçados e ela sentiu as lágrimas escorrerem timidamente. Momento bem inoportuno para demonstrar fraqueza, estava diante de seu pior inimigo, tinha tudo sob controle, porém, seu coração e sua alma tornavam a lhe dizer que ela não era aquele monstro que aparentava ser.


   Colbie encarou então as sombras do castelo de Hogwarts que se erguiam logo à frente, estava tudo silencioso agora e visivelmente, a batalha dera uma brecha. Ela só esperava que a Ordem tivesse vencido a primeira parte e caso contrário, esperava que o corpo de Gina não estivesse entre os mortos... Ao pensar em Gina, sentiu seu coração acelerar e sua mente descansar por um breve momento.


   A sensação de paz e aconchego que sempre a tomava quando tinha Gina em seus braços voltara e ela quase fora capaz de sentir a ruiva consigo. Com toda certeza, a Guerra estava enlouquecendo. Não havia mais Gina Weasley, não existia mais amor em sua vida...


   - Por favor Colbie, já deu não é? Eu me arrependo de tudo que eu te fiz, mas por favor, poupe-me a vida! Eu serei eternamente grato a você! – A voz amedrontada de David Colemann cortou os pensamentos de Colbie, a morena desviou o olhar e limpou as lágrimas com ódio. David era capaz de interromper um dos poucos momentos de paz que ainda lhe restavam. Colbie deu uma gargalhada fria e histérica antes de dizer:


   - Te poupar a vida David? Acho que você não entendeu muito bem qual é o meu propósito aqui, não é mesmo?


   - Não Colbie... Eu só sei que você é uma pessoa boa e que... – David começou a justificar esperançoso, podia ver as lágrimas recém-limpas na face de Colbie, talvez fosse um começo de uma reviravolta. Porém, Colbie lançou-lhe um olhar gélido e ele sentiu as cordas que amarravam seus pés e suas mãos se apertarem, ele engoliu em seco enquanto ouvia a garota dizer cruelmente:


   - Eu quero que você implore para morrer, eu não vou te perdoar jamais!


   Vendo que toda aquela manipulação emocional não daria certo, David literalmente enlouqueceu. Seus olhos se arregalaram e ele desfez toda a máscara de bom moço que talhara, olhou para Colbie com um ar de comédia e disse irônico:


   - Sabe o que você é garota? Uma tremenda de uma vadia, isso sim. Não soube defender nem a si mesma e agora, acha que é a salvadora dos inúteis homens de Dumbledore! Você vai pagar muito caro, ah se vai!


   Colbie agitou a varinha e um corte profundo surgiu no braço de David, dessa vez ele não gritou de dor. Apenas mordeu os lábios e suportou a mutilação, Colbie chutou a terra no rosto do rapaz e respondeu:


   - Eu posso até pagar muito caro, mas eu não me importo mais. Eu só quero que você morra, que você sofra e pague por tudo que fez a mim e a outras garotas!


   - Pagar pelo que? Por me satisfazer? Poupe-me Colbie! – David respondeu ofegante diante do esforço de se sentar no chão, ele não trazia arrependimentos no olhar e parecia estar insensível diante de tudo que fizera...


 


Flashback


   Há um ano, uma Colbie mais nova, mais sorridente e mais cheia de si caminhava tranquilamente pela orla da Floresta Proibida. Trazia nas mãos um livro que lia compulsivamente, sem nem tirar os olhos para observar o caminho a sua frente. Então, acabou trombando com algo, ou melhor, alguém.


   Um rapaz muito belo, de pele pálida, cabelos negros e olhos azuis como o mar a encarava com um sorriso brincalhão nos lábios extremamente vermelhos e convidativos. Colbie o conhecia, ele era um aluno do 7° ano pelo qual dez entre dez garotas sonserinas eram apaixonadas.


   David Colemann pigarreou e disse gentilmente:


   - Acho melhor começar a olhar por onde anda...


   - Ah me desculpe, eu estava tão entretida lendo que acabei não vendo o meu caminho! – Colbie respondera nervosa, corando levemente. O rapaz pareceu perceber e deu um sorriso, só que dessa vez, era extremamente sedutor. Ele agitou os cabelos com a mão esquerda e respondeu:


   - Tudo bem, mas ahm... Você podia fazer algo por mim para remediar toda essa situação embaraçadora...


   Colbie não entendeu e um ponto de interrogação formou-se em sua testa, então, o rapaz continuou a sorrir e avançou em sua direção, prensando-a em uma árvore. Ele segurou-lhe o queixo e disse sedutoramente:


   - Vamos ver o que a intocável Colbie Summers tem a oferecer.


   Então, avançou vorazmente nos lábios de Colbie, já apertando a coxa da garota e trazendo o corpo dela para próximo de si. Colbie o empurrou estupefata com tamanha ousadia e disse:


   - Eu não quero isso!


   - Minha cara, você não tem que querer, tem que fazer... – David disse maldoso, um rapaz a segurou e a levou para dentro da floresta. Lá, aconteceram coisas das quais Colbie fizera questão de esquecer, mas a dor que sentiu depois... Essa era inesquecível, essa dor acabou sendo canalizada em ódio, o ódio que sentia por David Colemann e Spike Cervantes.


Fim do Flashback


 


   As lembranças cegaram Colbie por alguns minutos, ela encarou a criatura fútil e maldosa que era David Colemann, o último vivo daquela memória que ela queria esquecer. Spike morrera vendo partes de seu corpo sendo arrancadas, David morreria depois de ser mutilado tanto fisicamente, quanto mentalmente.


   A maldição que usara em Malfoy estava sendo praticada por ela há algum tempo, agora podia controlá-la e projetar imagens de extrema crueldade e provocar uma dor dez vezes pior em seu torturado. Era aquilo que iria fazer com David, depois de provocar algumas sensações muito interessantes nele.


   Colbie sorriu maldosamente, realmente, a dor e a humilhação que sentira foram canalizadas em uma emoção maior e muito pior. O ódio movia suas ações e ela sorriu maldosamente, David não sabia no que se metera. A sonserina agachou-se diante dele, afagou-lhe o queixo, deu-lhe um beijo nos lábios e disse:


   - Você nunca mais vai precisar se satisfazer.


   Sem um segundo a mais, a varinha de Colbie cortou novamente o ar, o corpo de David saiu da posição fetal e seus braços e pernas foram esticados. Ele estava levitando e parecia estar amarrado a uma cama. Colbie acariciou a barriga bem definida do rapaz, David não pode deixar de dar um sorriso convencido devido ao seu ego enorme, então, a varinha dirigiu-se em direção ao quadril do rapaz, onde estava seu órgão reprodutor.


   Nesse momento, David gritou desesperado, tentando em vão desamarrar-se. Colbie bufou impaciente e apontou a varinha sobre o local, um corte preciso fora efetivado e no segundo seguinte, David voltou a gritar:


   - Não! Sua vadia sádica! Você me castrou!


   - Calma David, não faça o louco. Ainda tem mais... – Colbie disse indiferente enquanto tirava os restos do rapaz de cima do corpo, o local sangrava no momento e Colbie o estancou com uma pequena sutura. Em seguida, fez David que chorava, encará-la. O rapaz estava suado, extremamente pálido e suplicava:


   - Por favor, chega... Por favor...


   - O que você quer David? – Colbie perguntou malignamente, aquela era a resposta que esperava dele. David engoliu em seco e disse:


   - Me mate, por favor, apenas me mate se você ainda tem algo da antiga Colbie dentro de si...


   - Pois é David, você deu azar, eu não tenho mais nada da antiga Colbie dentro de mim... – Colbie respondeu sorrindo, executou a sua maldição e adentrou na cabeça de David através da Legilimência, procurando aquele que era o seu pior medo.


   A cabeça de David era de uma loucura e sadismo impressionantes, só podia se ver ódio e busca pelo poder. Os medos estavam trancafiados bem, mas logo Colbie conseguiu desvendá-los aos poucos. David, por incrível que pareça, morria de medo de escuro e seu bicho-papão transformara-se certa vez em uma sombra de aparência amedrontadora.


   Tendo aquilo em mãos, Colbie agitou a varinha e formou as imagens dentro da mente de David. Ele estava sozinho em um quarto escuro, cercado por barulhos de carne sendo rasgada e despedaçada e pelo barulho de ossos sendo quebrados. Rapidamente, ouviu os gritos de David começarem novamente.


   Então, as luzes se acendiam e revelavam o corpo totalmente mutilado de David, sem braços e nem pernas, aqueles sons de carne rasgada e ossos quebrados eram os sons de seu próprio corpo sendo destruído. Sem possibilidade de correr, as luzes se apagavam novamente e a escuridão se transformava naquela mesma sombra de aparência amedrontadora, esta se projetava e o engolia inteiro, sem a menor piedade e ele sentia tudo isso, dez vezes pior do que poderia ser na realidade. Novamente, os gritos aumentaram.


   Colbie voltou para a realidade sentindo sua cabeça doer compulsivamente. A tontura rapidamente a venceu e ela caiu de joelhos, com as palmas das mãos sobre o chão da floresta. Piscou várias vezes, tentando esquecer a crueldade que fizera, claro que David merecia ser punido, mas não estava sendo muito cruel com ele? Será que, no final das contas, não estava igualando-se a Voldemort?


   Ela então se levantou, sentindo um pouco de vertigem. Seus olhos recaíram sobre David, ele se contorcia e gritava visivelmente louco no chão, Malfoy ainda conseguira se recuperar, mas com David seria eterno, ela se certificara de que ele não poderia sair do pesadelo irreal que estava vivendo.


   Colbie respirou fundo e sentiu o cheiro de queimado preencher suas narinas, deu as costas a David deixando-o jazer na floresta, quem sabe alguém o encontrava no final de tudo. Seus olhos rapidamente focaram Hogwarts, estavam mais uma vez em Guerra e pelo visto, os Comensais e dementadores haviam sido postos em batalha. Tudo ardia em chamas, inclusive os olhos de Colbie.


   A garota ajeitou a capa, recolocou a máscara e correu em direção à batalha. Não pode deixar de sorrir ao pensar que seu martírio estava, finalmente, chegando ao fim.


 


***


 


   Gina continuava a encarar Hermione sem expressão, a morena estava começando a sentir-se angustiada. Queria falar com a ruiva, mas não sabia por onde começar. Foi Gina quem deu o primeiro passo, ela se aproximou com um sorriso vacilante nos lábios e disse meio envergonhada:


   - Madame Pomfrey está muito ocupada cuidando dos demais, pediu para que os saudáveis a ajudassem, vou cuidar do seu machucado agora...


   - Bem... Obrigada Gina. – Hermione respondera na mesma situação, encarando os próprios pés. Gina a carregou para dentro de uma sala vazia e ajudou-a a se sentar em uma das carteiras, a morena estava visivelmente tonta devido à sucessão de golpes que levara do gigante.


   Gina a observava preocupada. Ao ver Hermione caída e praticamente indefesa, sentiu que existia mais coisas importantes entre elas do que a suposta “traição” que ela cometera juntamente com Harry. Não tinha por que culpá-la quando já nem se importava com seus sentimentos por Harry. Mas a morena parecia ser a pessoa ideal para ela despejar todas as frustrações.


   Hermione encarava as mãos sem saber o que dizer ou o que fazer, deixou que Gina a guiasse e tomasse uma atitude em relação à amizade das duas. Porém, Gina trabalhava calada enquanto despejava um líquido de cheiro forte e ardente sobre o corte de sua testa. Em seguida, passou uma bandagem sem dizer absolutamente nada.


   Por fim, quando Gina deu sinal de que terminara. Hermione abriu mão de sua covardia e vergonha, pigarreou e disse insegura:


   - Bem, antes de tudo... Queria lhe agradecer, você tinha todos os motivos para me mandar cuidar sozinha desse estrago todo.


   - Claro que não Mione, você é minha amiga. Eu não ia te deixar cuidar de um corte desse tamanho sozinha... – Gina disse tranquilamente enquanto arrumava os instrumentos que usara dentro de uma bolsinha verde-clara. Hermione encarou-a confusa, Gina logo percebeu e olhou para ela com um ar divertido enquanto perguntava:


   - O que foi? Achou que eu era infantil demais para perceber quem são meus amigos de verdade?


   - Não, não tem nada a ver com isso. – Hermione tratou de consertar rapidamente, a conversa estava caminhando de forma civilizada, não podia colocar tudo a perder naquele momento. Gina deu uma risada gostosa, parecia estar se divertindo com a situação, virou-se para Hermione e perguntou:


   - Então, do que se trata?


   - Eu não esperava que você fosse me perdoar tão cedo depois de tudo que eu fiz com você e com a nossa amizade... – Hermione respondera baixando os olhos, Gina deu um muxoxo de impaciência e respondeu calmamente:


   - E o que foi que você fez? Seguiu seu coração Hermione, não há porque se culpar disso.


   - Me surpreende você entender isso agora, porque você estava bastante fora de si no Natal. – Hermione respondeu, não podendo esconder o tom amargurado em sua voz. A morena logo se reprimiu quando viu as ações seguintes de Gina, a ruiva passou a mão no rosto e pode perceber que ela segurava o choro com firmeza e coragem.


   Gina tentou esconder as lágrimas que queriam vir aos seus olhos, ela não sabia a razão de toda aquela agonia e todo aquele vazio dentro de si. Acreditava que ao assumir quem era Colbie na realidade, as coisas se tornariam muito mais fáceis de serem consertadas, mas estava profundamente enganada. Seus atos, tão cruéis e egocêntricos estavam a envergonhando. Agira como se fosse a única que sofresse no mundo. E notar aquela amargura na voz de Hermione e seu olhar perdido a faziam perceber o quão terrível fora.


   A ruiva respirou fundo e baixou os olhos, algumas lágrimas tímidas escorreram. Ela então, voltou a encarar Hermione e disse entre lágrimas:


   - Te dou todo o direito de me repudiar Mione... Eu estava confusa, perdida e sem saber a quem recorrer. No final das contas, acabei machucando aqueles que eu mais amo...


   - Ah não Ginny, não assuma toda a culpa. O que eu fiz também não foi um exemplo de amizade... – Hermione disse aproximando-se de Gina e a apanhando em um abraço maternal. Sempre sentira que fora a irmã mais velha de Gina, as duas eram tão diferentes e mesmo assim, sempre se entenderam bem.


   Gina vinha de uma família de irmãos homens e sempre precisou de uma garota que a ensinasse algumas coisas. Hermione não se encaixava perfeitamente no papel, devido a todo seu perfeccionismo. Mas no fim das contas, ela conquistara Gina justamente por ser quem era. Os conselhos sempre disponíveis, as broncas sempre requisitadas e o apoio sempre imaculável fizeram de Gina uma menina menos teimosa e mais corajosa.


   Gina sabia que devia muito a Hermione e que esta a perdoara em diversas situações. Por mais que a traição fosse marcar a relação delas, esta podia ser perdoada. Ainda mais agora que Gina não sentia mais nada por Harry. A ruiva levantou os olhos e perguntou:


   - Me perdoa?


   - Não sou eu que devo te perdoar e sim, você que deve me perdoar Gina... – Hermione disse sabiamente, encarando Gina com um sorriso aliviado nos lábios. Gina era a sua irmã caçula, aquela moleca atrevida que a fazia rir nos piores momentos. A ruiva arqueou a sobrancelha contrariada e fez bico, arrancou risos de Hermione que a empurrou para longe dela e disse brincalhona:


   - Sempre de bico, não é Weasley?


   - Sempre me dando lições de moral, não é Granger? – Gina devolveu rindo, estava sentindo falta daquela cumplicidade que tinha com Hermione, as duas pararam de rir e Gina murmurou:


   - Acho que devemos nos perdoar, independente de quem tem ou não culpa. Fomos duas babacas e ao menos, sabemos disso.


   - Faço das suas palavras, as minhas. – Hermione dissera antes de bagunçar os cabelos da ruiva com um sorriso, Gina deixou que ela fizesse isso. Por alguns minutos, desviaram os olhos e apreciaram a aparente calma que se estendia pelo castelo.


   A primeira batalha cessara e apesar dos estragos, tinham conseguido manter o castelo intocável, só não sabiam se estavam seguros ali, já que a existência de Comensais escondidos ali era bastante possível. Todos estavam machucados, cansados, só que estavam mais animados e esperançosos por um final feliz.


   Hermione olhou para Gina que fingia apreciar a visão da janela, a ruiva estava abatida, suja e muito magra. Parecia que envelhecera alguns anos durante aquele período de briga entre elas, também podia ver uma sombra pairando nos olhos que antes, eram repletos de calor. Também percebeu que Gina continuava a segurar as lágrimas com muito esforço.


   Gina estava sentindo Hermione observá-la e ler sua alma, queria apenas tirar aquela dor, aquela maldita dor que nunca cessara em seu peito. Por mais que tivesse certeza que Colbie era uma Comensal terrível, seu coração conseguia esquecer-se disso e continuar a amá-la, ainda mais do que antes. A ruiva sentia-se idiota, seus sentimentos estavam contraditórios, ela fazia todo o esforço do mundo para odiá-la, mas seu coração não se enganava. Sentiu a mão de Hermione sobre a sua e a voz preocupada dela perguntar:


   - O que você tem Gina?


   - Prefiro não falar isso com ninguém... – Gina respondera secamente, desviando os olhos para as próprias mãos. Hermione fechou a cara e disse:


   - Mas vai ter que falar comigo, tem alguma coisa a ver com Colbie Summers?


   - Como é que você sabe? – Gina perguntou com os olhos arregalados, Hermione deu um sorriso satisfeito e respondeu:


   - Sou uma boa observadora, além de estar bem claro que você a ama e sofre por isso.


   - E você encara isso numa boa? Esqueceu que ela é uma mulher e ainda por cima, uma comensal? – Gina continuou incrédula, arrancando risadas silenciosas e reprimidas de Hermione, a morena parou de rir e respondeu:


   - Você está falando como se fosse eu. O fato de ela ser mulher não importa, se ela te faz feliz, isso sim importa. Quanto ao fato de ela ser Comensal, qualquer comensal com um pouco de sanidade não se revelaria para uma inimiga sem estar com uma varinha em punho.


   - O que você quer dizer com isso tudo? – Gina perguntou confusa, agora estava surpresa. Acreditava que a primeira pessoa a lhe repudiar seria Hermione, porém, a morena agia como se aquilo não fosse nada demais e estava lhe dando conselhos, como sempre. Hermione continuou sabiamente:


   - Gina, ela não se revelaria desarmada pra você senão tivesse um propósito. Posso estar enganada, mas ela simplesmente não pode te atacar. O que acha que isso significa?


   - Que ela deve estar querendo me manipular ou me matar durante a batalha. – Gina respondeu sentindo seu coração sangrar diante daquelas palavras, doía fazer um juízo daqueles de Colbie, mas era o que ela conseguia pensar racionalmente no momento. Hermione bufou impaciente e disse:


   - Claro que não Gina! Nem tudo nesse mundo é movido por ódio e dor, ela está te protegendo, será que ainda não percebeu?


   - Me protegendo? Você está maluca Hermione, ela não daria a cabeça dela a prêmio enganando Voldemort por minha causa... – Gina disse séria, mas a dúvida agora permanecia em sua cabeça, ela mesma desconfiara disso e Luna já lhe dissera, porém, não conseguia acreditar porque estava cega de raiva. Se fosse isso, Colbie a achava burra o bastante para acreditar em toda aquela farsa?


   Hermione lhe sorriu, um sorriso cheio de mistérios e disse:


   - Há mais razões do que estas que povoam nosso cérebro, aprendi isso com você.


   Dizendo isso, Hermione saiu da sala e foi juntar-se a Harry e Lupin que pareciam organizar a defesa do castelo para o próximo ataque. Gina aproximou-se deles ainda entorpecida pelo que a morena lhe dissera, Harry e Lupin trocaram um breve olhar comprometedor que Gina entendeu, a ruiva sorriu e perguntou:


   - O que você e Remo estão escondendo de mim?


   - Nada de mais Gina! – Harry respondeu rapidamente, mas claramente nervoso. Hermione lançou um olhar de incompreensão para Gina e Lupin continuou calado. Nesse instante, ouviu-se um estrondo e um cheiro de queimado. Luna desceu as escadas que davam para a torre norte e disse assustada:


   - Eles estão a caminho e dessa vez, acompanhados.


 


***


 


   Colbie chegou a orla da Floresta Proibida e deparou-se com um cenário de destruição. Os raios coloridos de feitiços cortavam o local, dezenas de Comensais enfrentavam os poucos homens de Dumbledore. Conseguiu visualizar alguns rostos conhecidos na multidão; Belatriz lutava ao longe com o que parecia ser Hermione Granger, Remo Lupin enfrentava Fenrir com voracidade e rapidez, Ronald Weasley e Luna Lovegood lutavam juntos com Pedro Pettigrew e para seu desespero, vislumbrou uma figura que não queria ver.


   Gina estava lutando ao longe, próxima ao Lago, com Aleto e Amico Carrow ao mesmo tempo. A ruiva defendia bravamente e lançava feitiços certeiros aos dois comensais, Colbie cerrou os olhos e ficou observando a cena. Foi então que seus olhos desviaram-se para a margem do lago e viu diversos dementadores o atravessarem visando Gina.


   Colbie sentiu o torpor invadir e perdeu completamente a noção de razão e lógica, correu em direção a onde Gina estava, passando por feitiços, pessoas e lobisomens. Alguns comensais pararam intrigados ao vê-la chegar daquela forma sem os reforços necessários, mas a morena derrubava tudo que ousava se meter em seu caminho.


   Seus olhos estavam fixos em Gina e os comensais, cada vez mais próximos a ela. Viu Aleto e Amico a imobilizarem e ela cair desarmada no chão. Gina foi se afastando indefesa, justamente na direção dos dementadores que rapidamente a imobilizaram com sua áurea de dor e tristeza.


   Gina Weasley viu seus piores pesadelos passarem por sua mente, a ausência de Colbie cortava seu coração em mil pedaços, ela sentia como se toda a tristeza do mundo tivesse sido despejada sobre si. Sabia que nunca mais veria Colbie, presenciara o momento em que vira a Marca na pele novamente, também revera aquela cena na orla da Floresta diversas vezes em sua mente...


 


   Colbie caiu durante o percurso, um comensal a atingira com um feitiço na perna quando viu o que ela pretendia. A morena virou-se na direção do indivíduo e lançou-lhe um feitiço estuporante, depois se levantou e a cena que viu, a petrificou. Os dementadores já estavam sobre Gina e a ruiva parecia completamente fora de si.


   Ainda estava longe, no meio da distância que as separava e sem nenhuma lembrança feliz no momento, apenas a iminência de perder Gina a preenchia, sem mencionar que nunca praticara um Feitiço do Patrono. Procurou uma das lembranças boas com Gina, aquela em que a beijara e gritou:


   - Expecto Patronum!


   Um fiozinho prateado irrompeu de sua varinha, sem a menor força. Colbie desesperou-se e vasculhou rapidamente a mente atrás de uma lembrança ainda mais forte, já podia ver o dementador levantar a capa para dar o beijo final em Gina. Lembrou-se então da volta delas, daquela noite em que passaram juntas e seu coração bateu forte no peito. Reuniu todo fôlego que podia e gritou:


   - Expecto Patronum!


   Dessa vez, um patrono completamente formado irrompeu de sua varinha e para sua surpresa, ele não era prateado como diziam a maioria dos livros que estudara. Era um imponente leão dourado que avançou com fúria para onde os dementadores estavam. Alguns comensais pararam de duelar e muitos da Ordem se aproveitaram disso para derrotá-los.


   O leão percorreu o campo de batalha derrubando todos os dementadores presentes e não dava qualquer sinal de cansaço, ele avançou aos dementadores e os derrubou com patadas e mordidas violentas. Refletia a raiva e a paixão de sua dona, Colbie correu para onde Gina estava e carregou-a para o castelo, sem antes derrubar Amico e Aleto com um aceno da mão esquerda, desarmada.


 


   Gina saiu de sua imersão de dor e desespero e abriu os olhos. Não conseguiu acreditar no que via, aliás, não entendia mais nada. Só sentiu seu coração acelerar e aliviar-se dentro de seu peito.


 


   Remo e Harry ficaram boquiabertos, tentando entender o que se passara ali. Mas não havia qualquer explicação lógica para aquilo. Naquele momento, uma rajada de fumaça negra pousou bem no centro de batalha, Lord Voldemort materializou-se colérico, ele sacou a varinha e disse furioso:


   - Não perdoem ninguém! Tragam Potter e Summers até mim!


 


***


 Xiii... Agora ferrou! Voldemort puto da vida e Colbie agindo com o coração em vez da mente... O que será que acontecerá agora? xD


Bem, revelações do passado da Colbie, mas acho que a maioria já desconfiava do que David tinha feito com ela! :D


Gostaram da vingança da Colbie? Do Patrono? Da reconciliação entre Hermione e Gina?


Gostando ou não, comentem por favor! *-*


Beijos e até o capítulo 20.

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