Capítulo 20
A Donzela e o Dragão
A flecha rasgou o ar numa proximidade alarmante do nariz de Will.
– Ops... desculpe – Robin gracejou ao vê-lo saltar como um peixe no anzol – acordei você do seu soninho?
Will pensou duas vezes. Podia ir até lá e quebrar a cara do amigo, podia se virar e voltar a dormir ou podia entrar no jogo dele.
– Me diga, Robin – comentou com preguiça – qual é a graça em ficar desperdiçando suas flechas? Até parece que tem sido fácil consegui-las.
– Não estou desperdiçando – justificou-se Robin como se fosse um garoto repreendido. – Estou treinando.
– Certo – resmungou Will ficando em pé ao lado da árvore sob a qual adormecera. – E acredito que meu nariz comprido seja o seu alvo.
Robin colocou as mãos na cintura e riu.
– Pelo contrário, meu amigo, o treino é, justamente, desviar do seu nariz comprido. O que é bem difícil numa clareira tão pequena. Sorte sua que eu seja tão bom.
Um feitiço chamuscante acertou a beirada da manga da camisa de Robin, mal ele tinha parado de falar.
– Wow! – ele gargalhou enquanto verificava o estrago na manga. – Devo me lembrar de não cutucar com o meu arco grande o bruxinho da varinha curta.
O segundo feitiço não o atingiu em cheio, porque Robin teve o bom senso de baixar a cabeça, mas um galho, que pairava sobre ele, despencou quase acertando seu ombro. Isso o fez rir ainda mais.
Se há algo que é preciso se dizer sobre Robin, é que ele não era exatamente o tipo de pessoa que apreciava a calma e a quietude. Se ficasse muito tempo parado começava a se coçar como se tivesse caído num poço de urtigas. Enquanto voltavam para a Inglaterra, ele rapidamente havia adquirido o hábito de matar o tédio importunando seus companheiros de viagem. Will já se acostumara. Tendo tantos irmãos como tinha, e sendo dois deles gêmeos que gostavam de aprontar, sua relação com Robin rapidamente se tornara fraternal. Alastor tinha bem menos paciência. Costumava dizer que se sua missão não fosse manter o garoto vivo, ele já o teria matado. Certa vez, Robin conseguira aborrecer o bruxo de tal maneira que acabara por passar a noite amarrado e amordaçado em cima de uma árvore. Felizmente para Robin, depois de poucos dias viajando à pé em direção ao Egito, ao árvores acabaram.
Após a fuga da prisão, os três haviam ficado algum tempo escondidos nas montanhas, esperando que Alastor se recuperasse e pudesse viajar. Apoiado em um cajado, por causa da perna faltante, e com um tapa-olho, o velho bruxo, porém, não alquebrou-se nem um pouquinho e, muito mais rápido do que os rapazes esperavam, voltara a dar ordens. Foi ele quem decidiu por qual caminho voltariam à Inglaterra. O mais longo, mas também, afirmava ele, o menos vigiado. Iriam pelo Egito, passariam depois pelo califado dos Aglabidas e, quando chegassem ao reino dos califas Idrísidas, tomariam um barco e desembarcariam nas costas do sul da terra dos francos. Quando atingissem a Aquitânia, região que pertencia à rainha Eleonor e seus filhos, estariam praticamente em casa.
Os arremedos de árabe que haviam aprendido em seu tempo na Terra Santa, os ajudavam a mesclar-se com a multidão. Na verdade, isso foi praticamente a diferença entre a vida e a morte, pois a melhor maneira de não serem detectados pelos homens de Voldemort era viajarem como gente comum, sem fazer mágica. Apenas Will se incomodava com o fato de que, dessa forma, o único modo de sobreviverem era roubando, fosse comida ou armamentos. Moody via isso como uma necessidade num contexto de guerra. Robin, por sua vez, divertia-se criando teorias justificativas.
– Ora Will, todos são ladrões de um jeito ou de outro. É praticamente uma característica humana. Os reis roubam, chamam isso de conquista e todos os adoram. Os nobres roubam, chamam isso de saque e todos os respeitam. No fim das contas, só é condenado o garoto que rouba uma maçã para dar de comer a irmãzinha.
– Ah, é um conforto pensar assim – retorquia Will, sem se deixar convencer.
Foi somente quando chegaram ao Cairo que Will e Robin perceberam que a passagem pelo Egito tinha mais de um propósito. Moody vasculhou a cidade até encontrar um mago-mestre de quem tinha muito ouvido falar. A estranha figura – um homem moreno e de cabeça e barba raspadas, herdeiro dos antigos sacerdotes dos faraós – concordou em ajudá-los sem qualquer pagamento adiantado e ainda se arriscou em hospedá-los. Os dois rapazes demoraram a entender como Moody conseguira aquela façanha, pois era difícil burlar a alma negociante dos homens daquela região. O velho, porém, se limitara a dar um riso de lado e garantir aos dois jovens que eles precisariam de muito tempo e sabedoria para entender o valor de um desafio.
O tal “desafio”materializou-se cerca de três luas depois de eles chegarem ao Egito. Satisfeito como ninguém, o mago entregou a Alastor dois itens que ele fabricara com mágica e engenho únicos. Coisa que somente se poderia ver nas terras dos infiéis, alertou Moody. “Os sábios deles são mais eficientes que os nossos” – rosnou para os rapazes, – “tirando Dumbledore, claro”.
Os dois itens eram: uma perna de madeira, encaixada por mágica no espaço faltante abaixo do joelho de Alastor e um impressionante olho para ser colocado no lugar do que fora vazado. Pela perna, Moody pagara o tesouro de uma tumba de rainha(que coube a Will e Robin roubar). Já, pelo olho, apenas o desafio foi o pagamento. A peça, de um azul claro e vivo, era maior que o de verdade e, como certeza, mais inquietante. Contudo, Will e Robin só começaram a perceber todo o seu potencial depois que saíram do Egito. Para não chamar atenção, Moody continuava a usar o tapaolho, mas, ao que parecia, isso não impedia o olho mágico de ver. Pelo contrário. O artefato via tudo, e via além. Conseguia girar em sobre si mesmo e, para grande espanto dos rapazes, sua visão atingia até mesmo o que se passava às costas de Moody.
Depois disso, a viagem pelas terras dos muçulmanos fora bem rápida. Era espantoso perceber que, ao contrário do desejava o Papa quando conclamava os reis a lutarem contra os infiéis, os adoradores de Alá se mostravam bastante tolerantes com outras religiões. Nos grandes reinos pelos quais passaram, quase não tiveram problemas e se surpreenderam em encontrar prósperas comunidades de judeus e cristãos convivendo pacificamente com os islâmicos.
– Não elogiem, nem apreciem demais essa mistura toda – advertiu Moody. – Ou acabarão indo para o inferno.
Contudo, também houve vezes em que os nativos os olhavam muito desconfiadamente, especialmente por causa de Will. O rapaz obrigava-se então a ser muito quieto e calmo para que não achassem que ele era filho de um demônio ou algo assim. Tentava chamar o mínimo de atenção possível sobre si.
– Eu gosto do jeito que os infiéis apelidaram você – comentou Robin já no navio que os levava pelo Mediterrâneo para as terras do norte.
– É claro que gosta – retrucou Will. – E tenho certeza que vai usá-lo. Mas já vou avisando, gaste-o antes de chegarmos à Inglaterra. Não terá a menor graça me chamar de Vermelho, quando conhecer o resto da minha família.
Robin ficou um tempo quieto, olhando as ondas. Will esperou. Ele não desistiria pelo que conhecia do amigo.
– Podemos usar outro termo, algo mais... pessoal.
– Oh, céus! Tenho até medo. – Robin o olhava e sorria. – Vamos, fale...
– Humm, passaremos pelas terras dos franceses. O que lhe parece: Will, Le Rouge?
– Atravesso sua garganta com uma adaga na próxima vez em que dormir – retornou Will sem se abalar.
– Uh! Você é sensível! Se bem que apelidado Rouge, vai haver quem passe a achá-lo sensível demais.
Will o encarou com ar de mofa. Não cometeria o erro de mostrar-se excessivamente contra o apelido e assim incentivar o outro. Deu apenas mostra de achá-lo tolo e Robin acabaria mudando de idéia. Na verdade, chegou um momento em que Will quase pode vê-lo renunciar a tarefa de achar-lhe um apelido. Então, quando a viagem acabou e os três desciam, finalmente, no continente, Robin bateu em seu ombro com um sorriso de orelha a orelha.
– Will Scarlet
– Scarlet?
– Por que não? Não te parece algo meio... sanguinário?
– Não – retrucou Will com pouca paciência. – Lembra um nome de mulher.
Robin gargalhou. Ele claramente havia pensado nisso também. Porém, não se deu por vencido.
– Eu acho ótimo epíteto para alguém que se tornou guarda-costas de um homem procurado como eu. Falemos a verdade, caro amigo, é preciso que seus inimigos o temam e, cá para nós, Will Weasley não mete medo em ninguém. É nome para usurário (1).
– Prefiro que os seus inimigos me temam do que os meus.
O outro voltou a sorrir largamente.
– Então, está decidido! Eles acharão que Scarlet quer dizer sanguinário. Se acharem que é nome de mulher, bem, pelo menos é de uma mulher difícil – e desatou a rir.
– Certo, certo – resmungou Will. Se alongasse demais a objeção, pioraria. – Pensarei em algo para você. Talvez, alguma coisa com esse seu gorrinho.
– Isso é um capuz! (2) – defendeu-se Robin.
– Se você diz... – Will não disfarçou a maldade e Robin, contrariado, acabou ficando quieto.
Foi um alívio respirar o ar úmido e ver os musgos nas árvores quando eles finalmente chegaram a Aquitânia. Agora, seguiam para o norte quase como se tivessem pressa e os períodos de descanso eram poucos. Entretanto, Moody nunca se descuidava. “Vigilância constante”, ele repetia. E toda vez que chegavam próximos a um vilarejo, ele escalava um deles (nunca Robin, por estar sob proteção) para fazerem o reconhecimento do local, ver se lá existiam bruxos e se estes já haviam ouvido falar de Voldemort. Daquela vez não fora diferente. Moody, no entanto, preferira ele próprio fazer o reconhecimento – mesmo correndo o risco de ser estranhado pelos aldeões – a aturar algumas horas de “inatividade” junto com Robin.
Provavelmente fora a melhor escolha, levando em consideração que, a altura em que ele voltara para a clareira onde os havia deixado, flechas e feitiços voavam para todos os lados. Will e Robin estavam, cada um, atrás de um tronco de árvore, atacando-se mutuamente. “Moleques!” Uma grande luz colorida invadiu a clareira e arremessou os dois rapazes para o alto antes de jogá-los ao chão.
– Vocês estão me dando nos nervos – resmungou Moody, guardando a varinha sob a capa e claudicando para o centro da clareira com cara de poucos amigos. – Eu viajaria muito mais feliz na companhia de dois hipogrifos desembestados!
Robin e Will levaram algum tempo para se recuperarem do tombo, mas assim que conseguiram, puseram-se a rir sem parar, deixando Moody ainda mais furioso. Os dois só conseguiram se controlar sob as mais severas ameaças do bruxo. Coisas que envolviam dor, óleo fervente e importantes partes do corpo sendo decepadas.
Foi Will quem fez o primeiro movimento para voltar às boas com o velho companheiro.
– Então, Alastor, há uma aldeia amigável adiante? – perguntou segurando o riso e se aproximando da pedra onde o ancião sentara. – Será que conseguiremos comer algo que tenha tido o carinho de mãos femininas e dormir decentemente?
Moody resmungou alguma coisa ininteligível.
– Ou, quem sabe, – sugeriu Robin com entusiasmo – você encontrou algo mais emocionante, como uma aldeia hostil, cheia de bruxos partidários do bruxão que quer me matar?
O olho novo, mágico e rodopiante de Moody encarou Robin com desgosto.
– Quer algo emocionante? – rosnou. – Então, não precisaremos desviar da aldeia que temos à frente. Vai encontrar bastante emoção por lá.
O tom dele preocupou Will.
– O que foi, Alastor? O que você viu lá?
– A notícia boa é que se formos rápidos conseguiremos pegar uns cavalos sem nos preocupar em sermos perseguidos por roubo.
– E a má notícia? – quis saber Robin, cheio de curiosidade.
– O cheiro de queimado que temos sentido não é da queimada dos campos para a próxima semeadura – Will ergueu as sobrancelhas ruivas interrogativamente. – Tem um dragão atacando a região.
Robin arregalou os olhos. É certo que ele já ouvira falar em dragões. Quem não ouvira? Todos sabiam que eram uma praga. Raros. Mas uma praga. Podiam passar anos sem que se visse um deles, então, como que do nada um ou dois, às vezes, até um bando, apareciam e infestavam uma região. Eles podiam ficar por uma estação ou, nos piores casos, por anos. Atacavam as plantações com seus hálitos de fogo, para depois comerem as cinzas. Roubavam os animais dos campos quando queriam carne fresca. Algumas raças podiam ser ainda cruéis predadores de homens.
Will ficou muito sério.
– Será que podemos fazer algo para ajudá-los?
– Nãh, eles já entregaram uma donzela para acalmar o bicho e chamaram um matador de dragões. O melhor que podemos fazer é arrebanhar três cavalos e desviarmos para seguirmos em frente.
– Entregaram uma donzela?
– Por que o choque, Locksley? – desdenhou Moody. – É uma crença conhecida a de entregar uma donzela para que o dragão deixe a aldeia em paz.
– Mas não funciona! – reclamou Will.
Moody deu de ombros.
– Eu sei, mas eu não ia tentar argumentar com um bando de famílias em pânico. Do jeito que estão, achariam mais fácil me colocar um vestido e entregar ao dragão também.
Will desviou valentemente a imagem de Moody de vestido e se concentrou no que era realmente importante.
– Eu não acredito que eles entregaram uma das filhas em nome de uma crença antiga e absurda dessas.
– Não foi uma das filhas. Eles entregaram uma das garotas dos ciganos que passavam por aqui. – Os dois rapazes arregalaram os olhos. Moody os encarou com desaprovação. – Vocês se surpreendem com o óbvio, nem parecem dois soldados das cruzadas. Os aldeões por aqui consideram os ciganos uma praga quase tão funesta quanto os dragões. Usar uma para acabar com o outro é, praticamente sua primeira opção e... Não! Não, não e não! Conheço esses olhares. Ninguém aqui vai bancar o herói. Não viajei e passei por tudo isso para que um de vocês vire churrasco de dragão. Não, Will! Não quero argumentos. A moça que se vire. Os ciganos conhecem magia e podem tentar conter o dragão e ainda tem o matador que vai fazer o trabalho dele e... será que vocês ouviram que eu disse? NÃO! Com mil e um demônios! VOLTEM AQUI!
Era uma batalha perdida. Robin e Will já corriam para além da clareira levando suas armas. Sem escolha, Moody os seguiu, xingando e lançando pragas às progenitoras dos dois.
Tão logo eles saíram do bosque por onde viajavam escondidos, ficou bem claro que as queimadas nada tinham a ver com a agricultura da região. A fumaça que desprendia do chão embaçava a vista com uma tristeza mórbida. As cinzas se estendiam até onde os olhos alcançavam e, vindas de chamas sem controle, não respeitavam árvores ou animais ou casas. Tudo era enegrecido. Até o sol tinha uma cor desmantelada e áspera. A umidade natural da região não melhorava seu aspecto. Pelo contrário. Parecia servir apenas para tornar o cheiro ainda pior. O lugar não estava apenas morto, ele apodrecia também, e rápido.
Robin fez sinal para que Will cobrisse o nariz. Ele próprio ergueu a parte dianteira de seu capuz para diminuir a ardência que começara a arranhar sua garganta. À medida que avançavam, os dois precisaram semicerrar os olhos para que as lágrimas causadas fumaça não os cegassem por completo. Mesmo sem querer, eles acabaram diminuindo os passos da corrida, adiantando-se lentamente pelo lodo de cinzas.
A paisagem deserta só se alterou quando os dois transpuseram a pequena colina que existia entre o bosque e o que restava minúscula aldeia bretã. O caminho entre as casas se confundia com o entulho das moradas destruídas. Algumas mulheres empenhavam-se em tentar achar nos escombros o que restava de madeira e cacos utilizáveis de cerâmica. Há pouca distância de cada uma delas, era possível divisar as crianças pequenas que elas mantinham em estreita vigilância. A visão não surpreendia. Afinal, parece ser uma característica das mulheres, nas horas trágicas, voltarem-se ao que é cotidiano para daí arrancarem tranquilidade. Suas preocupações são a reconstrução, a comida e onde colocar as crianças para dormir.
Os homens estavam mais adiante fazendo o que era realmente importante. Pareciam estar incentivando uma luta de punhos e faca entre um aldeão especialmente forte e um jovem cigano de cabelos negros e muito ágil.
– O que faremos? – perguntou Will emparelhando com Robin e os dois diminuíram o passo até quase parar.
– Interferir na rixa entre os aldeões e os ciganos só nos atrasará.
– É, mas precisamos falar com eles para saber para que lado está a toca do dragão.
– Digam a eles que pretendem salvar a moça e os aldeões os matarão antes que consigam dizer herói imbecil – falou Moody aparecendo ao lado deles como se tivesse brotado do chão.
Robin, que já se acostumara a essa capacidade dos bruxos, mas nunca deixaria de achá-la anti-natural, olhou-o com uma careta.
– Não vou discutir com você, bruxo! Faremos o que precisa ser feito. Se quiser nos impedir, é bom que sua magia seja bem forte.
Alastor o olhou com firmeza e, antes que Will começasse a falar para tentar amenizar a hostilidade entre os dois, o velho sorriu com algo que parecia ser respeito pelo rapaz comum a sua frente.
– Não vou impedi-lo, Locksley. É batalha perdida lutar contra o seu ridículo senso de preservação...
– Ótimo! – retrucou o rapaz.
– Mas se quer ser heróico, ajudaria se fosse também, um pouquinho mais inteligente.
Robin piscou.
– O que quer dizer?
– Quero dizer que em tudo na vida se precisa pensar antes de agir como uma manticora sem cérebro. – Moody olhou de um para o outro e depois resolveu fazer ao invés de explicar. – Me sigam e aprendam.
No instante seguinte, Alastor mancava resoluto em direção à aldeia. Os rapazes só tiveram como alternativa segui-lo. Não demoraram muito a passar pela primeira das mulheres que juntavam cacos. Moody inclinou a cabeça respeitosamente, mas não se deteve. Robin e o Will o imitaram sem muita certeza. O bruxo andou por entre os escombros procurando não olhar diretamente para ninguém, até que parou diante de uma garota que não devia ter mais que uns catorze anos.
– Filhinha – chamou usando o idioma da região (Moody o dominava, sabe-se lá como, os rapazes haviam aprendido apenas os rudimentos que o próprio bruxo mais velho lhes ensinara), – pode me dizer o que aconteceu por aqui?
A pergunta parecia despropositada, pois era bem óbvio e o rosto da jovem demonstrou isso claramente.
– Estamos sendo atacados por um dragão – disse ela.
– Ah! Um só, é?
– Não é o suficiente? – perguntou uma mulher bem mais velha que apareceu numa rapidez espantosa junto à menina.
Moody sorriu. Era por aquela mulher que ele procurava. Robin compreendeu isso num átimo. Ao invés de questionar cada uma das adultas até que a mulher sábia (3) se revelasse, ele escolheu um membro frágil do grupo e o instinto protetor da matriarca fez o resto, colocando-a em frente a ele.
– Com certeza, madame – ele respondeu cordialmente. – Mas, a senhora deve saber que, por vezes, temos infestações desses bichos.
A velha olhou para a menina, que pareceu subitamente apavorada com a ideia, e lhe fez sinal para que saísse dali. Depois, voltou a encarar Moody.
– Nossos homens estão logo ali adiante, por que os senhores...
– Sim, sim, nós os vimos – interrompeu Moody, forçando o tom educado. – Não quisemos chegar muito perto e interferir, pois vimos que o assunto é sério.
O pequeno grupo ergueu a cabeça para conferir em que ponto andava a briga entre o aldeão forte e o cigano ágil. Àquela altura, a coisa já estava em vias de se generalizar pela assistência, cada vez mais acalorada.
– Os ciganos são escória – cuspiu a mulher.
– Oh, sim! – confirmou Moody. – Ladrões e malfeitores, todos eles.
O comentário caiu nas graças da velha.
– E vocês, amigos? De onde são?
– Somos súditos da rainha Eleonor e de seu augusto filho, o rei Ricardo, assim como a senhora. Mas nós moramos nas ilhas, estamos numa jornada de volta para casa.
– Ah! – admirou-se a mulher.
Robin já estava com urticárias com a conversa. Via o tempo escorrer e, com ele, as chances de salvar a pobre moça já entregue a sanha do dragão. Do jeito mais discreto que sua grosseria permitiu, deu uma batida com o arco na perna boa de Moody para ele andar logo com o que quer que fosse que estivesse fazendo. A mulher notou o movimento e, sem hesitar (e até com algum prazer) Moody ergueu a mão e deu um tabefe no alto da cabeça de Robin que o mirou estupefato.
– Queira desculpar, madame, mas os jovens são sempre impacientes. Eu criei meus dois meninos sem a mãe, que Deus a tenha, e lhes ensinei o único ofício que sabia, que era caçar dragões. Eles sempre ficam ansiosos quando sabem que há um por perto.
– O senhor caçava dragões? – espantou-se a velha.
– E como acha que perdi este olho, madame – perguntou Moody apontando para o tapa-olho. – E também perdi uma boa parte desta perna aqui.
A mulher emitiu um oh de admiração, depois, pensando um pouco, pareceu preocupada com o fato.
– Mas os jovens não são matadores, são? Por que nós contratamos um e ele já passou por aqui em direção à ravina. Se bem que matadores nunca são demais. Vai que o que chamamos não dá conta e me morre antes de matar a besta. Mas, se ele sobreviver vamos ter de pagá-lo de qualquer jeito, o senhor sabe, porque foi ele que nós contratamos. Se bem que eu falei aos homens que devíamos contratar mais de um e nos garantir. Mas pagar mais de um, isso nós não podemos. Como vê, estamos completamente arruinados, sem planta, sem criação, vamos passar fome no inverno com toda a certeza. Nem eu mesma, velha como estou, acho que conseguirei ver outra primavera. Temos umas meninas, se os jovens quiserem tomar uma esposa, seria bom ficar com um matador de dragões aqui pela aldeia. Mas, o senhor sabe como é, os pais também irão querer alguma ajuda na roça, para a fome não matar os pequeninos, porque tem que se reconstruir tudo e mesmo assim passaremos fome de qualquer jeito. Seria bom se o outro matador matasse o dragão e morresse também – não desejo isso, Deus que me perdoe – mas me desespero só de pensar em como iremos pagá-lo.
Mais um pouco daquilo e Robin desistiria do dragão e mataria a velha. A cantilena continuava e parecia não ter fim. Olhou súplice para Will que, igualmente, ansioso, aproximou-se do ombro de Alastor.
– Paizinho – disse com falsa educação. – Se a gentil senhora nos mostrar o caminho podemos ajudar o outro matador. – E olhando para a mulher. – Não queremos pagamento, madame. Gostamos da emoção.
A mulher encarou Will desconfiadíssima. Como assim não queriam pagamento? Isso lá era jeito de gente confiável agir? Moody leu tais ideias em um instante e teve ganas de bater em Will também.
– Os jovens... tão românticos, basta um pouco de sangue e já se dão por satisfeitos. Mas, negociemos assim, senhora: pedimos apenas um cavalo para mim e um para cada um dos meus rapazes que sobreviver. Não é muito, veja bem.
– Acha que não é muito! Para uma aldeia à beira da morte! É uma fortuna sem tamanho, senhor!
– Minha cara senhora, eu estou empenhando meus únicos dois filhos neste serviço.
– Nós já temos um matador – retrucou a velha ofendida, mas não o suficiente para espantar a negociação de Moody.
– Que talvez já esteja morto, pois ainda não voltou para reclamar o pagamento. E, sabe, se não se livrar corretamente da carcaça de um dragão, o resto da família dele pode vir para se vingar. Vocês, certamente, se certificaram de que o matador que contrataram sabe fazer isso, certo?
A mulher mascou um pouco a boca falta de dentes, mas logo voltou à carga com uma expressão avarenta.
– Um cavalo. Só um. Volte um ou dois deles.
– Dois. Sou um aleijado, senhora.
– Um burro e um cavalo.
– É justo... – começou Moody, mas a paciência de Robin já tinha ido para o beleléu nessas alturas. Ele avançou para cima da mulher e pegou seu braço com raiva.
– Onde?
A pobre respondeu no susto.
– Pa-para lá – apontou. – Depois da colina, atrás das pedras grandes, é só seguir o riacho até a ravina.
Robin e Will já tinham partido antes que ela terminasse a frase, correndo como se o diabo estivesse ladrando em seus calcanhares. De fato, nem tiveram o bom senso de agradecer à Santa Virgem pelo fato de o caminho até o dragão, passar ao largo da briga – já correndo solta – entre os aldeões e os ciganos.
Avançaram ignorando conscientemente os corpos torrados dos animais de criação, o terreno lodacento e malcheiroso, a fumaça que queimava as narinas. Quando finalmente chegaram as pedras de que falara a velha, puderam confirmar que estavam na direção certa. Um rugido alto como uma trovoada sacudiu o ar em torno deles. Os dois continuaram a correr sem se deter, só cuidando para evitar as águas do riacho – agora convertidas em veneno corrosivo por estarem em contato com a terra incinerada pela besta. Mais rugidos. Algo fustigava o animal e este reagia.
Então, abruptamente, o terreno entrou num declive escarpado que se estendia até o paredão cinzento de um precipício. Um rugido e uma jorrada de fogo sinalizaram que eles haviam chegado. À borda da cratera, Robin e Will pararam. Abaixo deles desenrolava-se uma cena saída de pesadelo, muito diferente das épicas imagens que narram os trovadores.
Sobre centenas de esqueletos e pedaços carbonizados de animais, a besta se movia sinuosa, resguardando o ninho erigido em meio ao amontoado de vítimas. Robin tentou não ver os que se assemelhavam a restos humanos. O animal rugiu e pareceu ainda mais colossal. Sua cabeça escapava da profunda ravina e a bocarra poderia engolir um homem inteiro com facilidade. Os olhos, de pupilas fendidas como os de uma cobra, tinham a frieza de um predador formidável e encaravam tudo o que se mexia abaixo deles com enorme desprezo. A fêmea era de um cinzento perolado, com escamas duras como ferro recobrindo o corpo longilíneo. As pernas eram surpreendentemente esguias, fortes para impulsionar o corpo, mas leves para permitirem o voo com aquelas asas imensas que saíam do dorso, e se assemelhavam as de um morcego monstruoso.
O matador de dragões pareceria quase ridículo, não fosse a sua disposição heróica diante de tamanho poder. Ao contrário do que relatam as trovas conhecidas – mais preocupadas com a grandiosidade do que com a verdade – o cavaleiro não estava montado em seu cavalo, e sequer vestia sua armadura. A montaria estava provavelmente em um lugar seguro, longe dali. Quanto à armadura de metal, qualquer caçador experiente sabe que, numa luta com um dragão, portá-la traz mais prejuízos que vantagens. Seu brilho metálico a tornava mais certeira a pontaria do dragão; reduzia a mobilidade do cavaleiro; e nem é preciso narrar a quantidade de homens que foram cozidos dentro de suas armaduras para que se possa ter ideia do quanto esta podia ser inadequada num embate como aquele.
O habilidoso cavaleiro, lá embaixo na ravina, usava como única vestimenta de guerra o elmo, o qual, assim como o resto do seu corpo e roupas encontrava-se embebido em barro.
Os bardos nunca falam do barro, acreditam que isso emporcalharia a imaginação das damas que sonham com os braços fortes de um matador de dragões. Contudo, qualquer caçador minimamente inteligente sabe que, se há uma chance de vitória contra um monstro tão formidável, o barro é uma arma imprescindível. Ele garante ao guerreiro não apenas uma forma de se mesclar à paisagem desolada, confundindo a visão arguta do dragão, mas também uma temperatura mais fresca ante a fornalha que costuma ser esse tipo de combate. Além disso, é um excelente disfarce para o cheiro humano
À diante dos dois contendores, ainda amarrada ao palanque em que os aldeões a haviam deixado, estava a jovem cigana. As roupas tinham manchas de sangue e o rosto estava coberto pela massa negra e desgrenhada de seus cabelos. Sua cabeça não pendia, mas se ela não estava desacordada, era a donzela mais corajosa que Robin e Will já tinham visto. Nem a sombra de um grito partia dela.
Um momento rápido na luta, um jorro de luz vermelha e brilhante, um silvo furioso do dragão e Robin percebeu que, além do escudo, o matador não carregava uma espada, nem mesmo uma lança, mas uma varinha.
– Um bruxo!?
– O que esperava? – perguntou Will sem desviar os olhos da luta. – Você não é ingênuo de achar que ele teria qualquer chance caso não fosse um bruxo.
Robin se ofendeu. Como qualquer pessoa comum, ele tinha algumas restrições com a magia e com tudo o que os bruxos alegavam poder fazer. Fechou a cara.
– Já ouviu falar de São George? O padroeiro da Inglaterra?
– Já – respondeu Will, enquanto os olhos procuravam um lugar para descer até o fundo da ravina. – Era meu tio-avô por parte de mãe (4).
O queixo de Robin caiu enquanto Will se deslocava até uma fenda escarpada que ele achava que poderiam usar como escada para descer. Demorou alguns instantes até começar a segui-lo. Alcançou o amigo quando este já começava a fazer a escalada para baixo.
– Mas... e Ascalon (5)?
– Uma espada mágica é claro. Como a que pertenceu ao grande Godric Griffindor, ou como Excalibur.
– Não me venha falar de Excalibur de novo – rosnou Robin, não querendo retornar a antiga discussão.
– Admita Robin, magia é a chave...
Mas ele não conseguiu terminar. Um sibilo horrendo da fera obrigou a ambos esconderem-se nas fendas do paredão para escapar a um jorro incandescente que veio na sua direção. Não era um ataque ao acaso, o dragão já os percebera, se não pelo movimento, pelo cheiro. A chegada de novos intrusos pareceu irritar a fêmea colossal ainda mais. Lá embaixo, o guerreiro voltou a fustigá-la com mais ataques vindos da varinha mágica e isso permitiu a Robin e Will voltarem a descer. Demorou mais do que haviam estimado, pois o dragão não os queria lá embaixo, não fosse pelo caçador nunca conseguiriam chegar ao fundo da ravina.
Nem bem plantou os pés no chão e Robin puxou uma flecha do alforje e atirou. Não houve erro, o tiro atingiu o monstro bem no meio da testa, local geralmente frágil, mas não em um dragão todavia. O ataque só serviu para enfurecer o animal que se voltou para Will e Robin disposto a atacar desconsiderando o caçador.
– TENTE CEGÁ-LA! – gritou o cavaleiro.
Robin obedeceu sem questionar. Mas até para um arqueiro como ele não era fácil acertar um alvo que se mexe, urra, cospe fogo e cujas pálpebras, como couraças, desciam no instante em que a flecha se aproximava. Foi na terceira tentativa.
O urro fez o chão vibrar e pedras despencaram lá do alto quase atingindo os três homens e a prisioneira. Em agonia, o animal se ergueu nas patas traseiras, pateando, chacoalhando o pescoço para se livrar da dor e do argueiro que lhe vazara o olho. Um sangue muito escuro e viscoso descia pela mandíbula abaixo, dando ao animal um aspecto, se possível, mais assustador.
O cavaleiro aproveitou a vantagem. Com rapidez a varinha mágica sumiu de suas mãos e da parte interna do escudo surgiu uma espada. Não uma espada qualquer, adivinhou Robin. A lâmina tinha um tipo de brilho que o metal comum não tinha. O caçador emitiu um grito selvagem e no instante seguinte corri em direção ao dragão. Quando a fêmea ergueu novamente as patas dianteiras, ele mirou a parte macia logo abaixo das asas e arremessou a espada. Guiada por magia, a lâmina atingiu o coração da fera. Foi terrível.
O animal emitiu um silvo tão alto e agudo que os homens tiveram de tapar os ouvidos. Felizmente, não demorou. O coração do dragão parou de bater e ela tombou num estrondo.
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Foi longo o silêncio depois disso. Robin sempre achou que se participasse da caçada a um dragão e sobrevivesse, comemoraria muito. Ele não comemorou. Tampouco Will ou o cavaleiro o fizeram. Os três se aproximaram do animal, sem conseguir desviar os olhos, sem conseguir deixar de pensar que haviam abatido uma mãe e que agora, teriam de se livrar dos filhotes. Foi instintivo para Robin fazer o sinal da cruz e Will e o cavaleiro o acompanharam. Deus colocara criaturas como aquela no mundo, eles mataram para não morrer, esperavam que o Senhor os perdoasse.
O caçador retirou o elmo e finalmente olhou para eles. Os lábios do homem se abriram para falar, mas então aconteceu algo que deixou Robin perplexo. O cavaleiro abriu um imenso sorriso, correu para Will e os dois se abraçaram com força. Eles não falavam, pareciam emocionados demais para isso. Robin ficou desconfortável o bastante para pigarrear repetidas vezes até que eles se soltassem. A explicação era óbvia olhando para os dois e suas cabeças cor de fogo, porte atlético – o cavaleiro era mais forte, sem dúvida – e sorrisos quase idênticos.
– Deixe-me apresentar vocês – disse Will. – Charlie, este é Robert de Locksley. Robin, este é meu irmão Charles Weasley.
Robin e o cavaleiro cumprimentaram-se com gosto e com simpatia imediata. Will informou rapidamente a missão dada por Sir James para proteger Robin. Charles lhes explicou o que deviam fazer com a carcaça do dragão e com os ovos. Ficaram deliberando por algum tempo até que Will se lembrou da moça. Os três correram para o palanque e se puseram a desamarrar as cordas. Foi nos braços de Charlie que as pernas dela a fizeram desabar. Will conjurou uma cabaça com água limpa e depois lhe ofereceu água. A jovem bebeu uns dois goles, depois, deu um tapa na cabaça jogando-a longe. Ela empurrou Charlie e com um grito selvagem pulou para trás afastando-se deles como se fossem leprosos. Com fúria ela arrancou os cabelos de sobre o rosto.
Will e Robin acharam a ciganinha muito bonita, mas Charlie ficou praticamente em transe ao olhar para ela. Tinha a pele morena sob os cabelos negros, mas também tinha um par olhos verdes capazes de deixar um homem fora de si. Contudo, quem estava fora de si era ela. Depois de se afastar, ela os olhou com fúria, então identificou pelo elmo que Charlie era o caçador e partiu para cima dele, batendo onde suas mãos alcançavam, enquanto gritava assassino, assassino.
Os três ficaram tão chocados com o acesso que nem conseguiram esboçar reação. A donzela, obviamente, tinha enlouquecido.
~~~RH&HP~~~
(1) Usurário – é uma pequena referência que fiz ao fato de que Gui Weasley, no universo de JK Rowlling trabalha em um banco. Os que se lembram das aulas de história sabem que na Idade Média a usura (empréstimo à juros) era condenada, embora fosse realizada com bastante freqüência, em especial, por judeus. Entretanto, é em torno dessa prática que os primeiros bancos irão começar a se organizar.
(2) HOOD – em inglês, capuz.
(3) Mulher sábia – trata-se de uma figura comum nos escritos que se referem à organização social das aldeias entre fins da Idade Média e a época moderna. Tratava-se de mulheres de certa idade que reuniam em si conhecimentos sobre ervas, doenças, partos, cuidados de pessoas e bichos, plantações, clima, etc. Eram muito respeitadas, o que não impediu que muitas tenham sido caçadas como bruxas durante a Inquisição dos séculos XV a XVIII.
(4) Existem várias lendas para São Jorge (George), a maioria delas faz deste personagem um soldado romano, mas há uma lenda medieval que o situa como filho de um lord inglês cuja aventura com o dragão se passa em uma viagem ao oriente. Daí é que eu decidi o parentesco com Will.
(5) Ascalon é o nome da espada de São Jorge.
NB Pri: Grite "EU", quem estava morrendo de vontade de ler essa fic novamente! Espero que ninguém tenha sido expulso de sala, demitido ou chamado de doido varrido pelo berro que acabou de dar, hehehehe. E que começo de segunda fase foi esse, hein! Robin e sua vivacidade, seu humor e principalmente seu heroísmo. Heroísmo compartilhado com nosso valente Will, é claro. Os resmungos do Moody foram ótimos (mas eu concordei com o Robin, a mulher sábia tava me dando nos nervos!!!) E... (pausa para um discreto suspiro) a entrada em cena do Charles! Com direito a piti da donzela (que o deixou em transe!!!). Nika, esse capítulo ficou primoroso, como sempre. O que vai nos deixar cheios de curiosidade sobre o restante da história. Mil beijos e aguardo o próximo.
NB Sonia: EU! EU! EU! EU! EU! EU! EU! =D - Então, juntando-se um heróico comum, alguns membros da família Weasley, (incluindo-se aí um santo!), uma cigana estressada, um dragão furioso e a espada do grande Godric Gryffindor, (tá bom, tá bom... a Excalibur também ;D ), tudo isso regado ao talento de minha Amada Anam, poderia dar no que? ... SUUUUUUCEEEESSSOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!! UAU Nika!! Que capítulo!! Eu fui uma das que gritei, e olha que isso foi um feito, já que estou completamente afônica! Rsrsrsrsrs... - Amei todo o capítulo, mas, como boa fã dos ruivões fortes, corajosos e bonitões, VIVA A CHEGADA DO CHARLIE!!!!!!!!!!!!! =D - Excelente começo de nova etapa na fic, mana! Emocionante, empolgante, DEMAIS!!! - Porém, eu tenho um pedido/dengo/reclamação para fazer... TÔ COM SAUDADES DO HARRY!!!!! <O - (Especificando melhor: do SEU Harry! Hihihihihii...) - Beijos muitos minha Anam! Nos vemos no próximo! - UUUUHHHUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!
N/A: Saudade? Eu estava com muita. Espero que todos estejam bem e, mais uma vez venho agradecer por esperarem por estes capítulos bissextos, mas que escrevo com imenso carinho.
A todos que perguntam do bebê, eu agradeço e respondo que ele está enorme, muito saudável e já dando trabalho para os pais, o que significa traquinagens e sorrisos que “quase” nos impedem de dizer não de tão fofos que são. Ah, e claro, também está lindo, hehe.
Quanto a demora em postar, vou ter de tirar um pouco a culpa do meu garotinho. Ele ocupa, mas não é tanto assim. Acontece que, bem, eu trabalho e vocês sabem que com o sustento a gente não pode relaxar. Por outro lado, tenho dividido meu tempo de escrita com o livro que estou escrevendo e o qual, com muita vontade, quero terminar até o fim deste ano para começar a buscar uma editora. Se eu não consegui-la, ainda sim, estarei contando com a leitura de vocês e torcendo para que vocês gostem da minha história. Espero que compreendam.
Obrigada Gina, espero que este primeiro capítulo venha a contento.
Regina, querida, fico tão feliz de você estar gostando, mas a maioria já adivinhou quem é o nosso narrador.
Você adivinhou Deusa Potter, é sim o Will. (O Miguel já está quase do meu tamanho, rsrs o que não é difícil).
Aqui está Biank Potter, Mona Potter-Mayfair, Rah Franklin, Danilo, Bruna Briti. Muito obrigada pela leitura e pelo carinho pessoal.
Karol Weezy!!!! Seu comentário é daqueles de deixar escritor flutuando!!! Muito obrigada mesmo! Mas a ABL não é para mim. Escrevo para divertir, não é o tipo de escritor que eles apreciam, hehe. Beijão!
Cass, amada, você logo vai encontre seu Neville e, claro, as duas irmãs, aguarde! Beijão!
Anderson e Suzy Mello, muito obrigada! Espero manter sempre a qualidade. Beijos!
Espero que vocês gostem do meu Robin (agora melhor apresentado a vocês) e, claro, de minha versão do Will.
Um beijo grande e até o próximo!!
Sally