FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

17. Tartã


Fic: Lady Ginevra


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Capítulo 17


 


Harry foi o primeiro a entrar no quarto. Não pareceu muito feliz ao ver Gina ali e sacudiu a cabeça. Gina fingiu ignorá-lo.


O padre MacKechnie fez lorde MacKay entrar, saudou Gina com uma inclinação e se dirigiu a Hermione:


— Hoje está com uma aparência melhor — disse.


Lorde MacKay se afastou do sacerdote para poder ver a filha. Avançou e em seguida se deteve bruscamente.


— Deus querido! — murmurou, embora todos os presentes no quarto o escutaram.


A imagem do rosto da filha cheio de hematomas o deixou angustiado. Gina estava disposta a detestar o homem, pois negou-se a escutar os apelos da filha, deixando-a outra vez nas mãos dos MacInnes. Mas a reação do homem ao ver a filha a fez mudar de opinião. Talvez o homem não tivesse compreendido o horror da situação de Hermione.


"Não, — pensou Gina — não lhe darei o benefício da dúvida. Para mim, é tão responsável por quase matarem Hermione quanto o próprio Robert MacInnes."


MacKay não era um sujeito de aparência muito atraente. Era de estatura mediana, comparado com Harry, que era muito mais alto que ele, e além disso, tinha quase o dobro da idade do marido, pois o cabelo castanho estava mesclado de cinza. Tinha profundas rugas nos cantos da boca e dos olhos, que eram castanhos, como os da filha, mas o traço mais marcante era o nariz, grande e curvado. Por sorte, Hermione não tinha herdado esse traço do pai.


Harry ficou ao lado de Gina. A janela ficava atrás deles. Tinham tirado a pele que a cobria e uma suave brisa lhe acariciava as costas.


— Bom dia, pai.


Por fim, lorde MacKay se recuperou da surpresa inicial. Aproximou-se da lateral da cama, inclinou-se e pegou a mão da filha.


— Hermione, o que fez?


Embora a voz do homem demonstrasse sua aflição, a pergunta pareceu vergonhosa à Gina e ela viu tudo vermelho. Aproximou-se e se interpôs entre o pai e a filha. O lorde soltou a mão de Hermione, retrocedeu e ao ver a expressão furiosa de Gina, retrocedeu um pouco mais.


— O que é que fez, pergunta você? Realmente acredita que ela mesma se fez essas marcas?


O semblante do lorde expressou assombro, e deu outro passo para trás, como escapando da cólera de Gina que parecia derramar-se sobre ele como água fervendo.


— Não, não acredito — respondeu.


— Os culpados são Robert MacInnes e o pai... E você, lorde MacKay. — afirmou Gina — Sim, você também é responsável.


O pai de Hermione se voltou para Harry.


— Quem é esta mulher? — gritou.


Harry ficou mais perto de Gina.


— É minha esposa. — disse em tom firme — E não permitirei que eleve a voz na presença dela.


— Não é deste país — comentou lorde MacKay em tom muito mais suave.


— Veio da Inglaterra.


— Acaso às filhas da Inglaterra é permitido falar com os mais velhos em tom tão desrespeitoso?


Harry se voltou para Gina pensando que, sem dúvida, morria de vontade de responder a pergunta de MacKay.


— Minha esposa falará por si mesma.


Gina manteve o olhar fixo em MacKay.


— Certamente, à maioria das moças inglesas são incentivadas a dar sua opinião. Os pais ingleses amam e cuidam de suas filhas, sabia? Também as protegem, diferente de certos lordes que colocam as alianças acima da segurança e da felicidade de suas filhas.


O rosto de MacKay ficou vermelho e Gina compreendeu que estava enfurecendo-o, mas não se importou.


— Você ama sua filha? — perguntou.


— É obvio. — repôs o lorde — E sou carinhoso com a garota.


Gina assentiu.


— Senhor, sabe que sua filha esteve próxima da morte?


O lorde moveu a cabeça.


— Não sabia — admitiu.


O padre MacKechnie pigarreou para chamar a atenção dos presentes.


— Talvez eu possa explicar em que estado Hermione chegou até nós.


Esperou um gesto afirmativo do lorde e em seguida descreveu as circunstâncias da chegada de Hermione. Contou que a tinham despido e em seguida envolto em um saco de juta. O sacerdote não economizou nenhum detalhe e até contou que Robert MacInnes tinha cuspido nela.


— Estava disposto a lhe dar um grande pontapé, — acrescentou o padre MacKechnie — mas a flecha de lady Gina o impediu.


Enquanto escutava o arrepiante relato do sacerdote, o pai do Hermione permaneceu com as mãos cruzadas às costas, embora com o semblante impassível. Entretanto, os olhos diziam outra coisa, pois brilhavam de lágrimas contidas.


— O clã MacInnes pagará pelos pecados que cometeu contra minha filha. — afirmou MacKay com voz trêmula de raiva — Refiro-me a uma guerra, MacBain, não a uma aliança. O seu primeiro comandante me disse que vocês também queriam vingar-se. Qual é seu motivo?


— Robert MacInnes se atreveu a brandir uma faca e a teria lançado em minha esposa se eu não o detivesse.


Gina ignorava que o marido pensava declarar guerra ao clã MacInnes. A fúria que percebeu na voz de Harry enquanto explicava seus motivos de vingança lhe comprimiu o estômago.


— Mas não a tocou — alfinetou MacKay.


— O que é que tenta insinuar, MacKay?


— Robert me pertence. — replicou o lorde — Tenho direito de vingar minha filha.


Harry relutou em admiti-lo.


— Tenho que pensar nisso — murmurou.


Lorde MacKay assentiu e voltou a atenção para a filha. Gina lhe obstruía a visão e o lorde andou até a lateral para poder vê-la.


— Eu pensei que tinha exagerado as circunstâncias. Sabia que não queria se casar com Robert e, estúpido, pensei que com o tempo chegaria a se dar bem com ele. Jamais me passou pela mente que os MacInnes a tratariam com semelhante brutalidade. É um insulto imperdoável... E o meu para com você também, moça. Devia ter te escutado. A senhora de MacBain tem razão: eu também sou responsável.


— Oh, papai! — murmurou Hermione — Lamento. Envergonhei-te com mi... — Os soluços a impediram de continuar, e Gina alcançou um lenço.


— Basta —ordenou o pai a Hermione — Não quero te ver chorar.


— Lamento. — disse a moça — Não posso evitar.


O lorde moveu a cabeça.


— Filha, quando escapou e foi para casa, tinha que ter me obrigado a escutá-la em lugar de se deixar seduzir por um MacBain. Ficar grávida não era a solução. Dirá o nome desse canalha e eu ajustarei as contas.


— Peço desculpas por interromper — disse Gina — mas acho que Hermione foi até você depois da primeira surra, não é assim?


— Não tinha machucados. — replicou o lorde — E eu pensei que tinha inventado para que eu me compadecesse. Sou capaz de admitir meus erros quando me engano — disse com ênfase.


Agradou ao padre MacKechnie escutar a confissão do lorde.


— É um bom começo — assinalou.


— Hermione, me diga o nome.


— Pai, lamento tê-lo decepcionado. Não tem que culpar aos MacBain, pois o erro é completamente meu.


— Filha, quero o nome.


A Gina não agradou a dureza da voz do lorde e se interpôs outra vez entre pai e filha.


Ao ver a expressão da esposa Harry se apressou a segurá-la pelo braço. Lorde MacKay também adivinhou o que Gina pretendia.


— Quer proteger minha filha de mim? — perguntou, atônito.


Gina não respondeu e tentou desviá-lo do assunto.


— Julguei-o mau, senhor, porque agora vejo que ama sua filha. Mas Hermione precisa descansar. Recebeu vários golpes na cabeça e está muito fraca. Olhe: até lhe custa manter os olhos abertos.


Rogou que Hermione captasse a insinuação. Assentiu para enfatizar a mentira e se afastou para que o lorde pudesse ver a filha.


Certamente, Hermione tinha compreendido. Tinha os olhos fechados e parecia adormecida. Em voz mais baixa, Gina disse:


— Veja lorde? Para curar-se precisa descansar. Para falar a verdade, ainda corre perigo de morrer.


— Eu queria levá-la de volta comigo — sussurrou o lorde.


— Lorde, aqui a cuidamos muito bem. — interveio o padre MacKechnie — Não acredito que sua filha esteja forte o bastante para levantar-se. Convém deixá-la tranqüila. Está sob o amparo de lorde MacBain: quer melhor que isso?


— Tem algo melhor: — interveio Harry — o amparo de minha esposa.


Lorde MacKay sorriu pela primeira vez.


— Já vi.


— Sugiro que desçamos para falar deste assunto tão delicado. — propôs o padre MacKechnie — A questão de quem é o pai pode esperar, não lhes parece?


— O homem se casará com minha filha. Quero que me assegure isso, MacBain.


Harry franziu o semblante.


— Fiz a pergunta a cada um...


Gina o interrompeu.


— Interrogou a alguns dos soldados, mas não a todos. São... tantos, e alguns deles não retornaram de suas missões. Não é assim, marido?


Harry aceitou a mentira da esposa sem uma piscada.


— Sim.


— Mas queria saber se você me apóia nesta questão do casamento, lorde. —murmurou MacKay — Obrigará o homem que seduziu Hermione a casar-se?


— Sim o farei.


MacKay se mostrou satisfeito. O sacerdote foi abrir a porta. Lorde MacKay deu à filha uma leve palmada no ombro e se dispôs a sair. Antes de seguir o pai de Hermione, Harry olhou Gina como dizendo: "espere e verá".


— MacBain, você recebeu minha filha, protegeu-a, e sua esposa lhe demonstrou compaixão. Se marcar um casamento, não lutarei contra você. E mais, poderíamos articular uma aliança conveniente...


O padre MacKechnie fechou a porta, deixando as palavras de lorde MacKay para trás.


Gina se deixou cair na cadeira soltando um suspiro.


— Hermione, já pode abrir os olhos.


— Gina, o que faremos? Tenho que dizer a verdade a meu pai.


Enquanto pensava, Gina mordeu o lábio inferior.


— Ao menos agora sabemos que seu pai não a deixará outra vez com os MacInnes. Talvez tenha ficado cego pela ansiedade de articular uma aliança, mas agora abriu os olhos. Convenceu-se ao ver seu rosto cheio de hematomas. Seu pai a ama, Hermione.


— Eu também o amo. — disse Hermione — Quando disse que o odiava foi porque estava... zangada. Oh, que confusão armei! Não sei o que meu pai fará quando descobrir que não vou ter um filho.


Fez-se um silêncio que durou vários minutos. Em seguida, Gina se ergueu.


— Há uma solução para o problema.


— Sei. — disse Hermione, pensando que Gina a aconselharia a dizer a verdade — Devo...


Gina sorriu:


— Deve se casar.


— O que?


— Não se surpreenda tanto, Hermione. É uma solução sensata.


— Quem me aceitaria? Não esqueça que acham que estou grávida.


— Somos astutas o suficientes para pensar em algo. — insistiu Gina — Encontraremos o homem adequado.


— Não quero me casar.


— Diz sinceramente ou por obstinação?


— Acho que pelas duas coisas. — admitiu a moça — A perspectiva de me casar com alguém que se pareça em algo com Robert MacInnes revolve-me o estômago.


— Certamente, mas se encontramos alguém que compreenda quanto vale e a trate com respeito, acaso não seria feliz de casar-se com ele?


— Não existe um homem assim.


— Meu marido é assim.


Hermione sorriu:


— Mas já está casado.


— Sim. Mas existem homens quase tão perfeitos quanto ele — acrescentou Gina.


— Gina, é tão afortunada...


— Por que diz isso, Hermione?


— Ama seu marido.


Gina deixou passar um um longo intervalo antes de reagir diante dessa verdade. Em seguida, reclinou-se na cadeira e desprezou toda indecisão e insegurança.


— Sim, eu o amo.


O tom encantado de Gina fez Hermione sorrir.


— Deu-se conta neste momento?


Gina moveu a cabeça.


— Amo-o. — repetiu — Mas agora compreendo que o amo há muito tempo. Não é estranho que não aceitasse esse sentimento nem sequer para mim mesma? Cometi a tolice de me defender. — acrescentou com ênfase — A ninguém agrada sentir-se vulnerável. Bom Deus, o amo com todo meu coração!


A risada da jovem ressoou pelo quarto e estava tão transbordante de felicidade que Hermione se contagiou.


— Imagino que nunca lhe disse o que sente — assinalou Hermione.


— Não.


— E o que responde quando ele diz que a ama?


— Harry nunca me confessou que me amava. Ainda não tomou consciência disso. Em algum momento o admitirá, mas duvido que me diga isso. — Voltou a rir — Agradeço a Deus, pois meu marido é muito diferente dos barões ingleses. Os homens que conheci na Inglaterra costumam cantar doces canções para damas que lhes interessam. Pagam os poetas para que escrevam palavras de amor e em seguida eles recitam discursos floridos. Claro que a maior parte disso é falso, mas os barões se acham muito refinados. Têm um elevado conceito do cortejo amoroso.


A curiosidade atiçou Hermione e fez mais perguntas a Gina a respeito dos homens ingleses. Passaram uma hora inteira conversando até que por fim Gina insistiu para que a moça descansasse um pouco.


— Agora que seu pai a viu, pode deixar que Belatriz corte seu cabelo.


— Dirá a seu marido a verdade a meu respeito? — perguntou Hermione.


— Sim. — respondeu Gina — Caso necessário — acrescentou precipitadamente — Devo escolher o momento apropriado.


— O que ele fará?


Antes de responder, Gina abriu a porta.


— Imagino que resmungará coisas terríveis e em seguida me ajudará a pensar no que fazer.


Hilda vinha pelo corredor com uma bandeja com comida para a convalescente e Gina se pôs a um lado para deixá-la passar.


— Lorde MacKay se foi. — anunciou Hilda — Moça, a deixará aqui até que esteja recuperada para retornar com ele. Lady Gina, a esperam para jantar e será melhor que se apresse pois os homens estão famintos.


Hilda apoiou a bandeja sobre o colo de Hermione.


— Moça, comerá tudo o que eu trouxer e ficarei aqui até que termine. Precisa recuperar as energias — disse com ênfase.


Gina ia sair, mas se deteve de repente.


— Senhoras, se alguma de vocês ouvirem um alvoroço no salão, por favor, não se preocupem. Preparei uma pequena surpresa, sabe, e talvez, alguns dos soldados fiquem um pouco nervosos.


Tanto Hilda quanto Hermione perguntaram qual era a surpresa, mas Gina negou com a cabeça.


— Logo saberão — prometeu.


Gina não se deixou convencer. Foi ao seu próprio quarto e colocou a túnica que tinha ocultado sob a cama. Alex entrou no quarto no momento em que Gina ajustava as dobras sob o cinturão.


— Rápido, feche a porta — indicou Gina.


— Para que? — perguntou Alex.


Mas não queria uma explicação, pois não tinha notado nada diferente na túnica de Gina. Correu até sua cama, levantou a manta e tirou uma larga espada de madeira.


— Alvo ensinará a me defender — anunciou.


— Já jantou? — perguntou Gina.


— Comi com Alvo — respondeu o pequeno correndo para a porta.


— Um momento, por favor.


O menino se deteve de repente.


— Venha e me dê um beijo de despedida — exigiu a mulher.


— Não quero que vá embora — exclamou, preocupado, e Gina se apressou a tranqüilizá-lo.


— Não vou a lugar nenhum.


Alex não se convenceu. Deixou a espada cair e correu para ela.


— Não quero que vá embora — repetiu.


"Senhor! — pensou Gina — o que fiz?"


— Alex, agora que sou sua mãe quero que me dê um beijo cada vez que sai, entende? Disse-me que iria com Alvo e por isso pedi um beijo antes que saísse.


Levou vários minutos para convencer o pequeno e acariciou suas costas até que estivesse disposto a deixá-la.


— Não vou embora. — disse Alex — Só saio lá fora.


— Bom, por isso pedi um beijo. — inclinou-se até ficar à altura do menino, que lhe estampou um beijo úmido na bochecha.


Alex levantou a espada e correu para a porta.


— Mamãe, papai disse que tinha que sentar junto ao fogo para costurar.


— E acha isso bom?


Alex abriu a porta.


— Sim. — respondeu — Papai disse.


— Que mais seu pai disse?


Alex se voltou e observou:


— Disse que tinha que ficar onde a pusessem, não lembra?


Gina pensou que deveria ter uma conversa com Harry a respeito das coisas absurdas que dizia ao filho de ambos.


— Lembro. — respondeu — Agora, vá. Não faça Alvo esperar.


Alex esqueceu de fechar a porta. Gina terminou de arrumar a túnica, inspirou profundamente e desceu as escadas.


Nesse momento, Megan subia a procura da Senhora e esteve a ponto de cair sobre o corrimão ao ver o que Gina tinha colocado.


— Milady, não acredito que esteja com tanto frio a ponto de usar duas túnicas. Se aqui dentro está sufocante!


— Não coloquei duas túnicas — replicou Gina — É somente uma.


Megan subiu alguns degraus para olhar de perto.


— Bom Deus, fez uma túnica nova! Nosso lorde sabe?


— Ainda não.


Megan fez o sinal da cruz e Gina tentou fazê-la entender:


— Estou convencida que meu marido me apoiará. Dá importância a minhas opiniões e sugestões. Sim, tenho certeza de que nesta questão me dará seu completo apoio.


Megan voltou a fazer o sinal da cruz: era evidente que não estava convencida. Gina se irritou.


— Não haverá problemas. — prometeu — Deixe de fazer isso — acrescentou ao ver que a mão de Megan começava a desenhar outra vez o sinal da cruz.


— Ninguém a viu ainda — resmungou Megan — Tem tempo de mudar.


— Não diga disparates! — replicou, esforçando-se por manter uma expressão serena. Na verdade, a reação de Megan a tinha posto um tanto nervosa. Ergueu os ombros e continuou descendo a escada. Megan segurou a saia e correu atrás dela.


— Aonde vai? — perguntou-lhe Gina ao ver que Megan rumava pelo corredor que levava a parte traseira do castelo.


— Vou procurar umas tigelas, milady. Tenho a impressão que precisará pelo menos cinco para obter a aprovação dos homens.


Megan desapareceu depois da curva antes que Gina tivesse tempo de lhe dizer que não pretendia jogar nada, mas o padre MacKechnie que entrava nesse momento a distraiu. Ao vê-la, ficou boquiaberto.


Gina ficou quieta no último degrau esperando que o sacerdote se recuperasse da surpresa.


— Caramba! — murmurou o clérigo — Caramba!


— Boa noite, padre.


O sacerdote não respondeu à saudação, pois parecia estupefato. A reação do homem a intimidou.


— Você acredita que meu marido e os soldados se irritarão muito comigo?


O padre MacKechnie esboçou um amplo sorriso.


— Estarei a seu lado quando averiguarmos isso. — disse — Me sentirei honrado de acompanhá-la até onde está seu marido.


Pegou-a pelo braço, mas Gina não notou.


— Suponho que no começo ficarão um pouco perturbados — explicou — Um pouco.


— Sim. — admitiu o sacerdote — Diga-me moça, quando foi a última vez que se confessou?


— Por que pergunta?


— É melhor receber a absolvição antes que se apresente diante do Criador.


O sorriso de Gina foi forçado.


— Acredito que exagera as reações dos homens. Ninguém me fará mal.


— Não pensava nos homens e sim na reação de seu marido. Vamos, moça. Estou impaciente por presenciar a batalha que vai desencadear.


— Superarão o aborrecimento.


— No devido tempo. — refletiu o sacerdote — Gina, para os highlanders a túnica é sagrada.


— Oh, Deus, não teria que ter...!


— Não, está bem o que fez — replicou o sacerdote enquanto tentava arrancar a mão de Gina do corrimão.


— Padre, aprova ou não a mudança de túnica?


— Aprovo. — respondeu o clérigo, e rompeu em gargalhadas — Hoje quase fiquei fazendo penitência e agora me alegro de não havê-lo feito. Teria perdido...


Não concluiu a frase, pois Gina soltou um gemido.


— Está me pondo muito nervosa — confessou.


— Perdoe-me, garota, não quis inquietá-la. Em algum momento terá que soltar desse corrimão.


— Farei de conta que não há nada fora do comum. — exclamou — O que acha?


— É uma tolice, moça.


— Sim, é isso que farei. — Gina se soltou do corrimão e agarrou o braço do padre MacKechnie — Me farei de tola. Obrigado por essa idéia maravilhosa.


— No seu lugar, eu me fingiria de louco. — Assim que as palavras escaparam de sua boca, o sacerdote se arrependeu. E teve que pagar por esse comentário apressado, pois se viu obrigado a arrastar à senhora.


— Estarei do seu lado. — prometeu — Não se aflija. Tudo sairá bem.


Todos os soldados estavam de pé perto das mesas. Harry estava perto da despensa falando com Sirius e com Remus e viu Gina antes de todos.


Observou-a com a cabeça inclinada, fechou os olhos e voltou a olhá-la. Enquanto se encaminhava para seu lugar à mesa, Gina sorriu.


Remus e Sirius se voltaram para mesmo tempo.


— Meu Deus! O que fez com a nossa túnica? — vociferou Sirius.


— Estou vendo o que vejo? — perguntou Remus, também gritando, quase em uníssono.


Nesse instante, todos se voltaram para Gina e deixaram escapar uma exclamação coletiva.


Gina fingiu ignorar as expressões horrorizadas dos homens.


— Disse-lhe o que resultaria — sussurrou ao sacerdote.


Harry se apoiou contra a parede e continuou observando à esposa.


— MacBain, antes que se desate um pandemônio será melhor que faça algo.


Harry moveu a cabeça.


— Já é tarde. — assinalou — Por outro lado, já era tempo que um de nós fizesse algo assim.


O rosto do Remus ficou rubro.


— Lady Gina, o que fez?


— Tento agradá-lo, Remus.


Remus teve uma reação tardia.


— Acaso supõe que unir a túnica dos MacBain a minha me agrada? Como pode pensar... Como lhe ocorre que eu? — quase cuspiu.


Gina desejou que fosse de surpresa e não de indignação.


— Sabe que não consigo lembrar bem os dias. Você notou essa falta, não é?


— Falta?


— Minha má memória. — esclareceu Gina — Remus, venha sentar-se a meu lado e lhe explicarei o motivo da minha audácia. Sirius, você ocupa o lugar de Remus na outra mesa.


A cada instante, Gina lançava olhares cautelosos em direção a seu marido que, até o momento, não tinha manifestado nenhuma reação visível.


— Harry, está preparado para se sentar? — perguntou-lhe, agarrando com todas as suas forças o braço do padre MacKechnie. Este lhe deu uma palmadinha na mão para convencê-la de que o soltasse.


— Moça, onde quer que me sente?


— À esquerda de Harry, — respondeu Gina — em frente a mim. Se for necessário, será mais fácil me administrar os últimos sacramentos — acrescentou em um sussurro.


— Não lembrou em que dia estávamos e por isso usou as duas túnicas? — quis saber Lindsay.


— É uma só. — esclareceu Gina — Cortei-as pela metade e as costurei juntas formando uma só. As cores combinam muito bem.


Gina se aproximou de sua cadeira e girou para Harry, que continuava observando-a, apoiado contra a parede.


O silêncio do marido a pôs mais nervosa.


— Harry.


O homem não respondeu. Gina não podia conter a impaciência para que lhe dissesse o que pensava de sua audácia.


— Por favor, me diga o que pensa da mudança.


Harry se afastou da parede e disse em voz dura e colérica:


— Estou muito aborrecido.


Gina se voltou para os demais presentes, esforçando-se por ocultar a desilusão. Claro que esperava o apoio de Harry, a sua desaprovação a desconcertou.


Ouviram-se algumas exclamações aprobatórias e Gina não elevou o olhar para ver quem eram os ofensores.


Harry se aproximou da mesa, ergueu-lhe o queixo e em seguida pôs as mãos sobre seus ombros.


— Gina, lamento que isto não tenha me ocorrido.


A jovem levou um instante para entender que estava lhe dando sua aprovação.


— Você é muito mais perspicaz que eu — acrescentou Harry.


Gina tentou lhe agradecer, mas não pôde, pois rompeu a chorar.


Todos começaram a gritar ao mesmo tempo. Remus acusava Sirius de que sua exaltada reação era o motivo do estado da senhora. Sirius afirmava com igual ênfase que lady Gina chorava por causa dos constantes rodeios de Remus.


Harry parecia o único a não ser afetado pelas lágrimas da esposa. Ordenou-lhe que se sentasse e em seguida se colocou de pé atrás dela, apoiou a mão seu ombro e se dirigiu aos soldados.


— Ver minha esposa envolta nas duas túnicas me abriu os olhos. Só agora compreendo até onde Gina chegou no esforço para adaptar-se a todos vocês. Disseram-lhe que túnica devia vestir, em que cadeira devia sentar-se, com quem passear, e mesmo assim foi suficientemente generosa para tentar agradá-los. Desde o dia em que chegou aceitou a todos vocês, fossem MacLaurin ou MacBain. Tratou Sirius e Remus com o mesmo carinho. Ofereceu a todos seu afeto e sua lealdade. E a recompensaram com críticas e desprezos. Alguém inclusive a chamou de covarde, e mesmo assim, não foi até mim com uma só queixa. Suportou a humilhação em silêncio demonstrando, sem sombra de dúvidas, que é muito mais compreensiva e indulgente do que eu jamais poderia ser.


Depois do discurso do lorde fez-se silêncio. Antes de prosseguir, Harry apertou o ombro da esposa.


— Sim, foi tolerante em excesso. — repetiu — E eu também. — acrescentou em tom duro e zangado — Tentei ser paciente com vocês, mas era um esforço porque na realidade não sou um homem paciente. Já estou farto deste conflito e é óbvio que minha esposa também. A partir deste momento, formamos um só clã. Terão que aceitarem-se entre si. Aqueles que não se sintam capazes de fazê-lo têm minha permissão para partir com as primeiras luzes do dia.


Seguiram alguns minutos de silêncio e em seguida Lindsay deu um passo diante.


— Lorde MacBain, que túnica devemos usar?


Harry se voltou para o soldado MacLaurin.


— Prometeu-me lealdade, e eu sou um MacBain. Usará minhas cores.


— Mas seu pai foi um MacLaurin — recordou Remus.


Harry se voltou para seu primeiro comandante.


— Meu pai nunca me reconheceu nem me deu seu sobrenome. — replicou — E eu não o reconheço: sou um MacBain. Se me seguir, usará minhas cores.


Remus assentiu:


— Estou com você, lorde.


— Eu também, lorde — exclamou Lindsay — Mas me pergunto o que faremos com os mantos MacLaurin.


Harry pensou em propor que os queimassem, mas afinal disse:


— A túnica pertence a seu passado. — afirmou — As entregarão aos seus filhos quando relatar sua história. As cores MacBain que usará amanhã constituem o futuro. Unidos seremos invencíveis.


A última frase do lorde quebrou a tensão no salão e se elevou um forte clamor.


— Isto merece uma celebração — afirmou o padre MacKechnie.


— Um brinde — propôs Harry.


— Sem derramar — advertiu Gina.


Por alguma estranha razão, a advertência de Gina pareceu muito graciosa aos homens. Não compreendeu por que interpretavam desse modo e pensou que talvez o alívio os fizesse rir. Durante o discurso de Harry houve momentos inquietantes, ao menos para Gina.


A jovem secou os olhos com o lenço de linho, envergonhada porque não podia evitar o pranto.


"Deus querido! — pensou — agradeço por ter me casado com Harry. Minha vida era sombria e desolada e não conheci a alegria até que ele chegou a minha vida."


Esses pensamentos redobraram o pranto de Gina. Mas nesse instante ninguém lhe prestava atenção. Ouviu Remus murmurar que essa indigna explosão de emoções se devia ao estado da senhora e viu que Sirius assentia.


Gina levantou o olhar e viu Leila em pé na entrada. Imediatamente, ficou de pé e lhe fez gestos para que se aproximasse.


Leila vacilou. Todos os homens estavam de pé com as taças nas mãos e a jarra passava de mão em mão para que cada um se servisse. Gina os rodeou e se reuniu com Leila no centro do salão.


— Escutou...?


— Oh, sim milady. — Leila a interrompeu — O discurso de seu marido foi magnífico.


— Venha e sente-se a meu lado, Leila.


— Mas sou uma MacLaurin. — murmurou — Ao menos era até uns minutos atrás.


A jovem se ruborizou e Gina sorriu.


— Ainda é, mas também é uma MacBain. Sirius já não tem pretextos para não te cortejar — acrescentou baixo.


O rubor da Leila se acentuou. Gina a pegou pela mão e a levou com ela.


Os soldados acabavam de concluir um brinde pelo lorde e pelo futuro de todos e já foram sentar se quando Gina lhes pediu atenção.


— Eu gostaria de fazer algumas mudanças na situação — começou.


— Nós gostamos da arrumação da mesa, senhora — disse Michael.


Gina não fez conta.


— O apropriado é que os dois comandantes se sentem junto ao lorde. Remus se colocará à esquerda do lorde e Sirius à direita. Harry negou com a cabeça.


— Por quê não?


— Você sentará a meu lado — disse, inflexível.


— De acordo. — disse Gina — Sirius, você se sentará junto a mim. Venha Leila: sentará ao lado de Sirius.


E isso não foi tudo: quando Gina terminou, nas duas mesas alternavam um MacBain com um MacLaurin.


O padre MacKechnie se sentou à cabeceira da segunda mesa, que estava acostumado a ser o lugar de Remus. O sacerdote estava aflito pela honra que lhe dispensava. A julgar pelo sorriso, Remus também estava encantado de sentar-se junto ao lorde.


— Que importância tem onde nos sentemos? — perguntou Lindsay à Senhora.


Gina não pretendia lhe dizer que o que na realidade queria era eliminar completamente a divisão entre os clãs. Não desejava ver novamente os MacLaurin amontoados junto a uma mesa e aos MacBain em outra.


Ao não receber uma resposta imediata, o soldado repetiu a pergunta e a Gina não lhe ocorreu nenhum motivo lógico para lhe dar. Então, deu-lhe uma resposta ilógica:


— Porque minha mãe vem. Por isso.


Lindsay assentiu e em seguida repetiu a explicação ao soldado MacBain que estava a seu lado.


— Vem a mãe da senhora e milady quer que tudo seja feito desta maneira.


O soldado MacBain assentiu.


— Sim, sim.


Gina se voltou para a mesa para que todos os homens vissem que sorria. Quis rir ante a ingenuidade de Lindsay, mas se conteve.


Graças à nova disposição, o jantar foi um êxito maravilhoso. No começo, Sirius e Leila estavam rígidos como tábuas, mas ao final da refeição, conversavam aos murmúrios. Esforçava-se por ouvir o que diziam quando Harry a surpreendeu e a aproximou dele.


— Logo haverá um casamento — afirmou Harry fazendo um gesto em direção a Sirius.


— Sim — murmurou Gina, sorrindo.


Ante a menção das bodas, lembrou de Hermione. A mulher MacKay necessitava um marido e, na opinião de Gina, entre os homens sentados à mesa havia vários possíveis candidatos.


— Remus, considerou você...? — começou Gina, com a intenção de lhe perguntar a respeito de seu futuro.


Remus não a deixou terminar.


— Esperava que trouxesse para confrontação — disse.


Gina abriu os olhos, surpresa.


— Sério?


— Era meu dever dizer a seu marido, milady. Tentei cumprir minha promessa e até me senti um pouco aliviado, pois me considerava responsável pelas ofensas das mulheres MacLaurin, mas não passou um dia inteiro sem que compreendesse que em primeiro lugar minha lealdade se deve a MacBain.


— Do que fala? — Até esse momento, Gina nunca tinha visto um homem adulto ruborizar-se: Remus estava ruborizado.


— Não importa, milady.


Mas Gina insistiu.


— O que é que disse a meu marido?


Harry lhe respondeu:


— Contou-me sobre os apelidos, Gina, e que Belatriz inventou...


Gina não o deixou terminar.


— Marido, Belatriz se arrependeu. Não tem que recriminá-la. Prometa-me que não lhe dirá nada a respeito.


Harry já tinha falado com Belatriz e não teve inconveniente em prometê-lo.


Gina se sentiu satisfeita.


— Perguntava-me onde teria ouvido que me chamavam de covarde — disse, voltando-se em seguida para Remus — Nunca imaginei que diria a meu marido. Pensei que outra pessoa ouviu Belatriz dizer e foi contar a Harry.


— Remus tinha o dever de me dizer — afirmou Harry — Deveria agradecer-lhe esposa, não criticá-lo.


— Tudo se foi com a lavagem — disse Gina.


— Que raios significa isso? — perguntou Harry.


— Trata-se de outra lição da senhora, lorde — esclareceu Remus, sorrindo.


— Entendo.


— Não, lorde, não entende. As lições de sua esposa não têm nem pé nem cabeça.


Gina pensou em explicar-lhe, mas Alex que entrava correndo no salão a distraiu. Viu-o assustado e se levantou imediatamente.


Alex deu a volta na mesa e se jogou nos braços de Gina, ocultando o rosto na túnica dela.


— O que aconteceu, Alex? — perguntou Gina com evidente preocupação — Teve um sonho ruim?


— Há algo debaixo de minha cama. Eu ouvi. Exasperado, Harry revirou os olhos e se esticou para afastar o filho de Gina. Mas Alex não a soltou até que o pai ordenou.


— Alex, está dormindo sobre um colchão no chão — disse Harry — Não pode ter nada embaixo.


— Não, papai. — argumentou Alex — deitei na sua cama. Está ali embaixo. Se fechar os olhos, me pegará.


— Alex...! — começou o pai.


— Marido, será melhor que suba com ele e olhe debaixo da cama. É o único modo de convencê-lo. Além disso, é provável que na realidade haja algo aí.


— Há algo — insistiu Alex.


Harry soltou um suspiro e se preparou para cumprir os desejos de sua família. Ficou em pé, pegou o filho nos braços e saiu do salão.


Gina se sentou outra vez e sorriu para Remus. Estava encantada de poder lhe falar sem a presença de Harry, pois sem dúvida o marido teria interferido na conversa.


— As crianças — disse Gina com lentidão — são uma benção. Quando você se casar e tiver sua própria família entenderá o que digo. Em algum momento se casará, não é mesmo, Remus?


— Sim, milady. — respondeu o homem — De fato, Dora Tonks aceitou ser minha esposa no próximo verão.


— Ah. — Gina não pôde dissimular a desilusão. Percorreu a mesa com o olhar e o posou em Michael.


O jovem a surpreendeu observando-o e sorriu. Gina começou:


— As crianças são uma benção. São maravilhosas, não acha Michael?


— Se você o diz, milady.


— Oh, sim. — a senhora respondeu — Quando se casar compreenderá. Pretende se casar algum dia, não é mesmo, Michael?


— Em algum momento.


— Pensou em alguém?


— Milady, está se fazendo de casamenteira? — perguntou Remus.


— Por que pergunta?


—Quando estiver preparado me casarei com Helen. — interveio Michael — Já falei com ela e está de acordo em esperar.


Gina franziu o semblante. As possibilidades se faziam mais limitadas. Voltou-se para Niall. — As crianças... — começou.


— Está se fazendo de casamenteira — lhe confiou Remus.


Foi como se tivesse avisado que estavam sendo sitiados, pois os soldados quase saltaram de seus assentos. Fizeram reverências a Gina e no transcurso de um minuto tinham saído do salão. Não lhe deram tempo de ordenar que voltassem para seus respectivos lugares.


Só ficaram aqueles com os quais já tinha falado. E o padre MacKechnie, certamente, mas os sacerdotes não podiam casar-se e, portanto não era um candidato possível.


Quando Harry retornou, o salão estava quase vazio. Confuso, olhou ao redor, encolheu os ombros e se sentou para terminar o jantar. Sorriu para a esposa.


— E então?


Com ar contrito, o homem disse:


— Havia algo debaixo da cama.


Gina riu, achando que zombava dela, mas Harry informou:


— Dumfries se meteu ali.


Leila e Sirius ficaram de pé. Leila saudou o lorde com uma reverência.


— Agradeço-lhe a honra de jantar com o lorde — disse.


Harry assentiu e Leila se ruborizou.


— Agradeço a você também, milady.


— Está escuro — anunciou Sirius.


Não sabia mais o que dizer, e Gina conteve um sorriso.


— Deveria acompanhar Leila até em casa — insinuou.


Sirius fez um gesto a Leila de que saísse com ele. Gina se voltou para seu marido e nesse momento viu que Remus tinha uma expressão de assombro. Pelo jeito acabava de notar que se iniciava um romance entre Leila e Sirius.


De repente, sorriu. Ficou de pé, fez uma reverência ao lorde e disse em voz forte:


— Espere, Sirius. Irei com você.


Gina percebeu o tom divertido do homem, mas Sirius não se entusiasmou com o oferecimento.


— Não é necessário que...


— Quero fazê-lo. — disse Remus, apressando-se em alcançar o casal — Lá fora está escuro.


Leila continuou caminhando e Sirius tentou afastar Remus, mas este o impediu. Saíram do salão empurrando-se um ao outro.


— Pergunto-me se estes dois aprenderão a dar-se bem — disse Gina.


O padre MacKechnie se sentia sozinho. Pegou a taça e passou ao lugar que Remus ocupava na outra mesa.


— Só se trata de uma pequena rivalidade entre dois comandantes. — assinalou o sacerdote — Lorde, esta noite pronunciou um estupendo discurso.


— Sim. — confirmou Gina — De qualquer modo, queria te perguntar algo: por que esperou tanto tempo? Por que não fez esse discurso há um ou dois meses? Teria me poupado muitos aborrecimentos, marido.


Harry se reclinou na cadeira.


— Gina, ainda não estavam preparados.


— Mas esta noite sim. — interveio o sacerdote com gesto enfático.


Gina ainda tentava entender.


— O que fez com que esta noite estivessem preparados?


— Não se trata de algo, moça, mas sim de alguém.


Gina não compreendeu. Harry fez um gesto afirmativo e em seus olhos apareceu um calor.


— Você os preparou para aceitar a mudança.


— Como? — perguntou.


— Está procurando elogios — disse Harry ao sacerdote.


— Parece que sim — brincou o padre MacKechnie.


— O que quero é entender — replicou Gina.


— Foi seu desafio silencioso — explicou emfim Harry.


Gina continuava sem saber a que se referia embora o clérigo sim, pois fez vários gestos de assentimento.


— Explique-me isso de desafio silencioso.


Harry riu.


— Jamais me convencerá de que não podia lembrar de qual túnica usar cada dia. Esquecia de propósito, não é verdade?


— Harry, ninguém esquece por vontade — argumentou a jovem.


— Não tinha interesse em recordá-lo — disse o sacerdote.


Gina suspirou.


— Isso é verdade. — admitiu — Me parecia uma tolice, mas...


— Desafio silencioso. — repetiu Harry — O mesmo que a impulsionou a aprender a ler, não é mesmo?


— Sim, mas isto era diferente.


— Não, não era.


Gina exalou um suspiro. Sabia que deveria esHermionecer ao marido que não tinha errado de propósito os mantos só para fazer os homens compreenderem que se comportavam como tolos quando teimavam em manter-se separados. "Não é honesto aceitar um elogio por algo que não fiz", pensou.


— Não sou tão ardilosa — assinalou.


— Sim, é. — afirmou o marido — Convenceu lorde MacKay a esperar algumas semanas antes de levar a filha.


— Hermione não está preparada para uma longa viagem.


— E me impediu de dizer a MacKay que nenhum de meus homens havia tocado sua filha. Sei que adiou para que Hermione pudesse ficar aqui e não disse nada —acrescentou — Mas quando MacKay retornar, terei que lhe dizer a verdade.


— E ela também confessará. — disse Gina — Então já estará recuperada. — "E espero que também esteja casada, — pensou — se encontro um bom candidato."


Talvez Harry pudesse ajudá-la.


— Marido, parece-me digno que tenha tanta fé em seus soldados, que esteja convencido de que nenhum deles tocou Hermione...


— De onde tirou essa idéia?


— De ti — respondeu Gina, surpreendida pela pergunta.


— Vamos, Gina, não acredita que meus homens não tomariam o que lhes oferecesse.


— Entretanto, você os defendeu e me fez acreditar que nenhum deles a havia tocado.


Harry se irritou.


— Estamos falando de duas coisas diferentes. Não acredito que nenhum de meus homens rejeitasse a possibilidade de deitar-se com uma mulher que se oferecesse. — disse — em que pese a isso, tenho certeza que se algum de meus homens a houvesse tocado não a deixaria abandonada: a traria consigo.


— Também sabemos que teria admitido que deitou com a garota. Não mentiria ao lorde — acrescentou o padre MacKechnie.


Harry assentiu.


— É essa a questão central, compreende?


Gina não compreendia, mas não quis discutir com o marido. No seu entender, Harry fazia a questão mais complicada do que na realidade era.


O padre MacKechnie se levantou para partir. Elogiou uma vez mais o discurso de Harry e em seguida fez uma reverência a Gina.


— Moça, dá-se conta de que salvou os MacLaurin de um exílio certo? Empregou um ardil para obrigá-los a colaborar e, além disso, ganhou seu carinho.


Gina se sentiu incômoda pela opinião do sacerdote. Em um murmúrio, agradeceu por suas amáveis palavras e pensou que sem dúvida no dia seguinte mudaria de idéia. Os MacLaurin cooperaram por Harry, e certamente o sacerdote logo notaria.


O padre MacKechnie saiu. Gina e Harry permaneceram sentados: por fim estavam sozinhos. De repente, Gina se sentiu tímida e envergonhada pelos elogios recebidos.


— Amanhã confessarei a verdade ao padre MacKechnie.


— Que verdade?


— Que é por você que os MacLaurin finalmente decidiram cooperar.


Harry ficou de pé e fez Gina levantar.


— Terá que aprender a aceitar um elogio quando o recebe.


— Mas a verdade...


Harry não a deixou terminar. Levantou-lhe o queixo para que o olhasse e disse:


— Moça, a verdade é simples de compreender: converteu-te na divina salvadora dos MacLaurin.


A Gina pareceu o mais lindo que Harry já tinha dito. Os olhos encheram-se de lágrimas e pensou que não choraria de modo algum. Não se acreditava tão frouxa.


Então, Harry a fez esquecer tudo sobre uma conduta digna:


— E para mim também, Gina. Também é minha divina salvadora.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 17) - Copyright 2002-2022
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.