Era uma dessas noites enganosas, garoava. Hermione voltou do Ministério farta de todos os processos inúteis que ela deveria desenredar. Havia sido transferida ao Departamento de Execução das Leis da Magia há pouco, e só a designaram os casos ínfimos. Estava sozinha. Não acendeu as luzes de imediato; guiou-se através da casa já conhecida no escuro, chegando até a biblioteca particular que mantinha, para, enfim, iluminar o recinto.
Com um suspiro, a mulher começou a procurar por um vetusto livro de leis, mas, no lugar disso, retirou do fundo da estante um pequeno caderno. Ele estava empoeirado e parcialmente corroído pelo tempo. Não teve tempo de indignar-se pelos maus tratos que o livreto obviamente sofreu; um turbilhão de memórias - guardadas no fundo de seu âmago - passaram como pequenas bombas por sua cabeça.
Na época que mantinha o caderno ainda era adolescente, ainda estudava em Hogwarts. Hermione folheou as páginas rapidamente, percebendo as lacunas em branco sobre a protagonista de sua adolescência. Esquecida das leis mágicas, ela sentou na escrivaninha para reler seu diário e acrescentar seu devido final.
“1º de Setembro de 1996, finalmente o retorno ás aulas. Não nego minha ansiedade. É estranho ficar longe do castelo, sempre sinto uma espécie de desamparo íntimo, que só pode ser suprido quando estou em Hogwarts. Uma parte de mim está impregnada nesse lugar, sem a menor sombra de dúvida.
De qualquer forma, nas férias recebi o resultado dos N.O.M’s.
Fiquei realmente insatisfeita com o resultado, visto que o Excede Expectativas em Defesa contra as artes das Trevas foi, a meu ver, uma verdadeira mancha no meu pergaminho de notas.
Em contrapartida, Neville me disse só o Harry e a Sophie Lilley (A tal superdotada da Corvinal) tiraram nota máxima.
O Harry tudo bem, ele se provou merecedor. Mas ainda estou ruminando COMO a Lilley conseguiu me superar. Não me entenda mal. Não estou sendo arrogante. Mas eu simplesmente passei UMA VIDA estudando para a bendita matéria.
Ano passado a Lilley foi convidada para ser monitora, e para o espanto geral da nação, ela recusou. Completamente maluca, se querem saber minha opinião. Alegou “falta de tempo”. Sei bem!
Mas esse ano ela vai substituir a Padma; parece que a Patil andou fazendo o que não devia nas férias, e, como punição, seu pai pediu para Dumbledore tirar-lhe o distintivo. Esse também não regula muito bem, não. Imagine só, pedir para a filha sair da monitoria...
Onde eu realmente quero chegar... Estou indo para a ronda no trem agora, e me colocaram como parceira da Lilley. Sinceramente, devo ter cuspido na tumba de Merlim.”
Hermione desviou os olhos do livro, rindo de si mesma pelo rancor que guardava de Lilley, apenas por ter sido ultrapassada em um exame. Taxou-se, naquele momento, de infantil e muito, muito boba.
Fechou os olhos por um instante, voltando àquele mesmo dia. As lembranças eram tão claras quanto a poção da verdade, elas ricocheteavam em sua mente; e as emoções, as emoções eram tão vívidas, praticamente palpáveis.
- Rony levante-se, estamos atrasados! – A morena de cabelos crespos empurrava, nada sutilmente, o ruivo.
- Acorda Rony!
- RONALD WEASLEY.
O garoto levantou-se de súbito, o movimento desequilibrado o fez tropeçar nos próprios pés e cair novamente no assento. Hermione revirou os olhos, bufando. Harry riu.
- Estamos atrasados de novo – Enfatizou o final, deixando claro o seu desgosto.
- Vai na frente, Mione, que já te alcanço. – Rony fez um gesto obsceno para o amigo, que ainda estava às gargalhadas.
Resmungando, ela foi sozinha até a cabine dos monitores.
Ao chegar, encontrou Antônio Goldstein e Sophie Lilley sentados em lados opostos.
A garota não se deu o trabalho de erguer os olhos do livro que, por trás de finos óculos, lia.
Goldstein virou-se para a porta, esperançoso, murchando de desanimo ao ver que Hermione estava só.
- Desculpe pelo Rony, Antônio, ele teve alguns contratempos, mas me garantiu que está a caminho.
O garoto assentiu com uma melancolia exagerada.
Ela caminhou hesitante até a outra no canto da cabine, espremendo-se pela passagem demasiado estreita.
- Desculpe por te fazer esperar, o atraso de meu amigo não deve justificar o meu. – Então deu um sorriso que julgou simpático, todavia, obviamente não convenceria nem alguém muito obtuso.
Lilley lentamente fechou o livro e guardou os óculos, ergueu o olhar para a menina, analisando-a demoradamente.
Hermione sentiu-se incomodada diante da presença daqueles grandes olhos, como se estivesse sendo radiografada.
- Tudo bem, eu estava entretida, não percebi o tempo passando. – De forma igualmente arrastada, levantou-se e se postou de frente para a outra. – Podemos ir, então?
Levou mais tempo que o necessário para registrar sua companheira de ronda.
Visivelmente mais baixa que ela, talvez um palmo e alguns dedos. Esguia, mas com um aspecto perturbadoramente frágil. Cabelos negros. E naturais, constou uma surpresa Hermione. O corte terminava próximo aos ombros, com as pontas levemente onduladas; a franja caia insistentemente nos olhos, moldando-se com perfeição em seu pequeno rosto. Portanto, sobrou aos olhos contrastar com todo o restante. Imponentes, até frios. Íris de um anil profundo. A impenetrabilidade lhe cabia naturalmente, e, mesclando-se ao conjunto, fazia daqueles, os mais hipnóticos olhos que Hermione já viu. Os verdadeiros “olhos de ressaca”, comparou a garota, lembrando-se imediatamente do romance Machadiano trouxa.
- Granger?!– Sophie chamou, levantando uma sobrancelha, e em seu semblante, formou-se uma expressão estupidamente irônica.
Despertou-se de seus devaneios.
- Sim, sim, vamos.
Passaram metade da vistoria em silêncio. Hermione estava deveras presa dentro de si para realmente dar atenção ao trabalho, que realizava ás pressas.
Estava ao lado da chamada “Princesa da Corvinal”. Era aclamada em sua casa de origem, mas estava sempre só. Todos os garotos a admiravam, seja por sua espantosa inteligência, ou por sua aparência efêmera, mas ao mesmo tempo tão vívida, robusta. Era envolvente.
Claro que Hermione sempre achou no mínimo ridículo o título concebido para Lilley. Ninguém deveria ser digno de um nome assim, principalmente ela, que era tão indiferente perto de qualquer outro.
Todavia, não podia negar que aquilo tocava seu ego. Sua inteligência era criticada, malvista, merecedora de apelidos maliciosos; e a inteligência da garota ao seu lado era motivo para ser intitulada “Princesa”.
Andava a passos largos, firmes. Passos estes que serviam somente para esconder a apreensão de Hermione, que se sentia completamente deslocada naquela situação. Lilley era o oposto. Parecia muito à vontade, caminhando com uma leveza e calma anormal, sem fazer um mínimo de esforço para acompanhar Hermione. O que a deixava bufando, com os nervos á flor da pele e a paciência que tanto prezava, passando bem longe.
- Granger, entendo que você esteja preocupada com o atraso, mas não é como se as cabines fossem criar perninhas e sair correndo por ai, fugindo de nós – Sophie falou indiferente, como sempre parecia ser.
Hermione parou, esperando a garota alcançá-la.
- Acontece, Lilley, que eu não pretendo passar o resto da viagem andando pelo trem!
- Apenas se acalme, para começar já estamos praticamente dentro do horário, com toda essa sua agitação.
Fechou os olhos, procurando um resto de sanidade em sua mente. Não sabia de onde vinha tanta raiva contida, a outra não havia feito absolutamente nada e o atraso era exclusivamente por sua culpa. Resolveu que deveria se redimir pela total descompostura e tentar, ao menos, manter um diálogo educado.
- Parabéns pelos NOM’s, soube que foi a única a tirar máximo em todas as disciplinas. – Arriscou.
Sophie acenou a cabeça em agradecimento.
- Ficou sabendo errado. Tirei um Excede Expectativas em Transfiguração. É o meu fraco, com absoluta certeza. Aliás, Goldstein comentou na cabine que não sabe de ninguém que tenha tirado um Ótimo na matéria, mas suponho que ele está errado.
Hermione sorriu internamente. Ela, é claro, não tinha nenhum fraco em transfiguração.
- E porque fez essa suposição?
- Imagino que você, Granger, deve ter tirado Ótimo em Transfiguração.
Por essa ela não esperava. Sem nem ao menos pensar em uma resposta, olhou atônita para Lilley.
Sophie a observava atentamente, e notou a estranha reação da companheira.
- Ora, não precisa desta atitude modesta. Todos sabem que você é um gênio, tira as maiores notas da escola. – Ela falava como se aquela fosse a verdade mais absoluta e imutável, como dois mais dois são quatro.
- E eu sou a única modesta aqui, é claro. – Hermione riu ironicamente. –Você sabe bem que não fica para trás.
A outra, que pareceu meditativa, limitou-se sorrir fracamente.
- Não sabia que você sorria. – Disse ácida, arrependendo-se em seguida. – Digo, desculpe, não tenho nada com sua vida, muito menos com a freqüência que sorri.
Lilley, impassível, respondeu-a sem olhar nos olhos.
- Sorrisos são preciosos demais para serem distribuídos para qualquer um, em qualquer situação, e por qualquer comentário positivo.
Notou uma frieza diferente na voz de Sophie, e, intrigada, instigou-a.
- Mas sorrisos também são poderosos demais, talvez o que o mundo mais precise seja de pessoas que se dispõe a um simples sorriso, uma gentileza que nada custa.
A garota estacou com as palavras de Hermione, absorvendo vagarosamente, o olhar perdido, vago. Entretanto, quando falou, sua voz saiu como gelo e suas palavras cortaram como tal.
- Granger, admiro sua bondade, mas eu não espero por gentilezas distribuídas sem segundas intenções, não espero que me estendam a mão, assim como não se deve esperar de mim certas formalidades. Considero forçado e desnecessário.
Então Hermione percebeu a melancolia que ela não tinha a intenção de explicitar em sua voz. Sophie não era assim. Havia se tornado assim. Uma verdadeira “Princesa de Gelo” presa em sua redoma, uma barreira que a protegeria de toda e qualquer ameaça invisível.
Então Hermione sentiu pena, pena da menina que provavelmente tinha um passado tão imperfeito e machucado, mesmo que aparentasse intransponível, inabalável.
Não ousou responder e a ronda foi concluída sem mais palavras.
Ao chegar à sua cabine, Rony estava lá, conversando animadamente com Harry. Quando viu Hermione, suas orelhas ficaram muito vermelhas e ele parou sua fala de imediato.
- Rony, você não fez a vistoria pelo trem? – Ela perguntou, largando-se na poltrona, exausta.
Ele deu de ombros, colocando um sapo de chocolate inteiro na boca.
- Quando eu cheguei o Antônio não estava mais, então eu voltei. Quer um ai Hermione? – Ele ofereceu o doce, cuspindo pedacinhos de chocolate para todo lado.
Harry riu da cara de nojo da menina.
- Adivinhe só, Mione, Slughorn me chamou para sua cabine na hora do almoço.
- Mesmo? - Ela levantou as sobrancelhas, interessada. – O novo professor?
A conversa ia e vinha, e a menina esqueceu-se de Sophie Lilley, sem desconfiar de que ela viria a se tornar parte da coleção de pessoas que não poderiam ser esquecidas.
Depois do banquete de abertura, Hermione estava completamente esgotada, mas, mesmo assim, criou coragem o suficiente para desfazer as malas e tomar banho.
Trancou-se no banheiro e se despiu.
Entrou no chuveiro e deixou a água quente bater em seus ombros, castigando-os. Pensou na guerra, pensou nas atrocidades que já aconteciam, e cada vez mais freqüentes.
Fechou os olhos e sentiu uma leve vertigem, precisou apoiar-se na parede. Caiu de joelhos em um pranto compulsivo, vindo não sabia de onde. Hermione sentiu-se só, desamparada. Abraçou seus próprios ombros e ficou assim por um bom tempo, até que seu choro cessasse por completo.
Ao deitar-se, foi vencida pela exaustão e dormiu profundamente. Naquela noite, uma estranha figura encapuzada e de olhos azulados habitou seus sonhos todo o tempo.
A primeira semana de aula passou antes que tivessem tempo para reparar.
A confusão nos horários do sexto ano ainda era rotina, o conteúdo de toda e qualquer matéria era incontestavelmente mais difícil, e, acima de tudo, o nível de magia exigido era imensurável.
Sexta-Feira chegou. Um verdadeiro alívio.
- ATÉ QUE ENFIM! Não agüentava mais ver a cara do Snape sem recomendá-lo um bom shampoo pra caspas. Dá mesmo para acreditar mesmo que aquele cara pegou Defesa contra as artes das Trevas?
Harry bufou.
- Incrível a capacidade que o Snape tem de infernizar a minha vida.
Hermione levantou as mãos, como quem pedia paciência aos céus.
- Calma Harry, nessa matéria não tem como o Snape tentar algo contra você, todos sabem que você é o melhor.
O trio chegou o salão comunal, e Harry suspirou.
- E você sabe que ele vai arrumar um jeito.
Nesse momento, Lilá Brown passou perto deles e Rony fez uma pose digna de um pavão.
Hermione revirou os olhos.
- Vou me deitar.
- Mione, amanha é Sábado!
Mas ela, que subia as escadas, fingiu não ouvir.
Não sabia por que estava tão irritadiça, era só o velho Weasley, completo leigo ao se tratar de mulheres e que nunca havia ficado com nenhuma. Não sabia de onde vinha esse ciúme. Aliás, tinha repulsa só em pensar.
Na manhã seguinte, acordou antes do sol. Havia sonhado novamente com a estranha encapuzada, o que a deixou afoita e com uma inexplicável agonia. Sentia-se responsável por algo ou alguém que nem sabia o que era. Foi tomada por uma repentina vontade de andar pelo castelo, e assim o fez, após banhar-se demoradamente.
Caminhava despreocupada pelos corredores, resmungando consigo mesmo sobre as matérias que estava cursando, quase se esquecendo de seu sonho.
- Trato das Criaturas Mágicas sempre esteve fora de cogitação, o Hagrid vai ter que entender, não terei tempo para me queimar e sair debilitada de cada aula dele esse ano, ele simplesmente vai ter que entender... Agora abandonar Runas... não sei, não sei...
Sua corrente de pensamentos foi interrompida por um estampido no corredor de cima, seguido de um grito seco e vários insultos, provindos, provavelmente, dos quadros.
Quando o susto passou, decidiu correr até o lugar da balbúrdia.
Escondeu-se próxima a uma estátua de cavaleiro medieval, e o que presenciou deixou-a nada menos que de queixo caído.
Algo em torno de sete alunos, seis ou oito, não sabia dizer, cercavam um outro, que parecia estar defendendo-se sozinho.
Qualquer que fosse a razão daquele pequeno atentado, como ela classificou, não poderia deixar a pessoa naquela brutal desvantagem. Tramou um pequeno estratagema, tão falível que ela própria duvidou que daria certo.
Hermione lançou um feitiço em uma armadura, que caiu perto da confusão, pegando todos desprevenidos. Sem demora, acertou um jato certeiro na pessoa mais próxima. Seu encantamento levou uma parte da estátua que a resguardava, o que claramente a entregou.
Poucos segundos depois, viu dois jatos de luz vermelha faiscando em sua direção, desviou com uma cambalhota para a esquerda, longe de sua precária proteção.
Desarmou alguém, quando notou uma tapeçaria presa na parede. Tomada pelo instinto da luta, cortou a tapeçaria e lançou-a com a varinha sobre seus atacantes, estuporou um terceiro que não fora atingido e ainda conseguiu desarmar outro desconhecido.
Correu desembalada em direção ao alvo, o puxou pela mão e correu. Correu até perder o fôlego. Quando virou para trás, percebeu que estavam sendo perseguidos e se atirou em uma pequena passagem oculta, puxando o resgatado para perto de si.
Hermione fechou os olhos, respirando pesadamente, tentando evitar todos os ruídos possíveis. A pessoa abraçou-a, enterrou a cabeça em seu ombro, soluçante. O toque fez a garota estremecer. Ela verificou pela primeira vez quem havia salvado, e não pode evitar um gritinho sobressaltado ao ver que não era ninguém menos que “A Princesa da Corvinal”. Ela não ergueu os olhos e parecia tão indefesa, que Hermione pela segunda vez sentiu uma pontada de pena.
Sophie Lilley ainda chorava abraçada à menina, seu pranto era tão baixo, que se não fosse a proximidade, Hermione não seria capaz de ouvir. Estupefata e sem reação, ela limitou-se a corresponder ao abraço, colocando uma mão atrás de sua cabeça e a outra em sua cintura.
Permaneceram assim por um bom tempo, estranhamente, ela não tinha o que contestar. Sentia um curioso conforto com a proximidade. Uma sensação de paz. Era como se algo forte as unisse, enlaçando seus corpos e permitindo tal plenitude.
Quando Sophie se acalmou, elas se separaram. Era impossível saber qual das duas estava mais embaraçada.
Após certificar-se que não havia ninguém mais as seguindo, saíram da apertada passagem.
Andaram silenciosamente até o salão principal, onde o café da manhã já estava sendo servido.
A Princesa da Corvinal já havia vestido seu manto de indiferença, e, pela sua expressão, ninguém poderia dizer que aconteceu qualquer coisa fora do comum.
Mas na cabeça de Hermione as perguntas badalavam e ansiavam por respostas. Quem eram aquelas pessoas? O que elas queriam? E, principalmente: Por que eles iriam querer atacar Lilley?
Decidiu esperar um pouco mais para conversar com Sophie, que apesar de não demonstrar nem um pouco, deveria estar, no mínimo, alterada.
Hermione correu os olhos pela mesa da Grifinória, e localizou os amigos. Juntou-se a eles com a maior tranqüilidade que conseguiu reunir, mas não convenceu.
- Onde esteve, Mione? – Harry perguntou, seguindo a garota com o olhar.
- Eu? Ah, por ai. – Ela desconversou com ares de desprezo, desencorajando perguntas.
Rony estava, pra variar, comendo.
- Fa..al...Her...Oni...on..d..se..met..eu? – E engoliu.
A Garota ignorou, concentrando-se em passar geléia na torrada que segurava.
- Tudo bem Hermione, não conte. - Harry disse, mas cerrou os olhos enviando um sinal claro: “O que quer que você esteja escondendo de mim, vai ter que falar.”
Ela riu de leve.
- Parecem duas menininhas do primeiro ano querendo saber noticias para fofocas.
Terminaram o café sem tocar novamente no assunto.
Passaram boa parte da manhã sentados em uma árvore perto do lago, jogando conversa fora.
Quando Hermione anunciou que iria buscar o material para adiantar os deveres, os garotos agitaram-se, nervosos.
- Então, Mione, vamos dar uma volta, sabe como é, os testes de quadribol estão chegando , vou colar um aviso na sala comunal e pelos corredores, e...
- Tudo bem Harry, não precisa se explicar. – Ela levantou antes deles, decidida a não implicar. – Vou para a biblioteca, nos vemos depois.
E se retirou, sem esperar uma resposta.
Estava passando pelo corredor do sexto andar quando avistou Luna Lovegood. Seus planos mudaram em uma súbita inspiração.
-Ei Luna, você viu a Lilley por ai?
A garota parou com a mão no queixo, uma expressão aérea.
- A Sophie? Não, não vi.
Hermione deve ter feito uma expressão bastante decepcionada, porque a garota completou:
- Mas eu sei onde ela está. Ouvi comentários na mesa da Corvinal de que ela iria tirar uma dúvida com a McGonagall depois do café. – Por quê?
Mas Hermione já estava correndo para a sala da professora e simplesmente gritou por entre os ombros – Obrigada, Luna!
Chegando à sala, notou a porta entreaberta e Sophie conversando com McGonagall sobre o trabalho de transfiguração.
Sentou-se junto à parede, esperando. Alguns momentos depois, ouviu passos e se afastou. Lilley deixou a sala, fechando a porta ao sair e murmurando agradecimentos, aparentemente sem notar a presença de outra pessoa.
- Espera aí! – Ela puxou a garota pela mão, impedindo que continuasse a andar.
- Quem?! – Sophie virou assustada, os músculos contraídos. Relaxou apenas ao notar que era Hermione.
- Nós precisamos conversar.
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N/A: Esse capítulo foi escrito em 2009 e eu só fiz uma revisão BEM básica antes de postar. Não ficou grande coisa.
Tenho mais alguns prontos, e devo postar logo. Provavelmente depois do feriado, uma vez que vou viajar e ficar sem meu computador. Odeio suspense e sou muito impaciente. Sério. haha
Aaah, enfim, se você gostou ou tem alguma crítica construtiva, não hesite em comentar KK
(*autora inútil que repete o que diz as "Observações"*. Adoro.)