CAPITÚLO 13:
JUNTOS... LITERALMENTE?
Narrado por Angelina Johnson
Engraçado... quando estamos sozinhos somos dados à pensar em coisas inúteis e, por mais inúteis que sejam, continuamos à pensar nelas como se, assim, elas pudessem se tornar úteis. Ou talvez seja porque, pensando por outro lado, isso ajude à amenizar a solidão.
É... isso é normal. Digo, pensar em coisas inúteis é normal quando se está sozinho. Mas não é normal no meu caso.
PAUSA PARA REFLEXÃO: porque tudo o que é considerado normal, simplesmente deixa de ser normal quando se está acontecendo comigo? Sabe, acho que é sina. Só pode ser. Não é possível que eu seja azarada o suficiente para que isso só aconteça comigo... Mas, voltando ao assunto...
E sabe porque? Porque eu não estou sozinha.
Sim, eu estou pensando em coisas inúteis sendo que tem uma Hermione tagarelando ao meu lado sobre como um certo ruivo (chamado Ronald Weasley, óbvio) é um idiota de primeira. Não que eu discorde, imagine! É só que, bem, eu estou em um momento pouco estável na minha carreira social (que carreira?!) e ficar falando sobre garotos (especificamente ruivos) não está melhorando em nada meu bom humor artificial. Ainda mais em garotos com o sobrenome Weasley.
Eu só não mando Hermione calar a boquinha rosada dela, pelo simples fato de ela ser minha amiga e porque eu já repeti um milhão de vezes para mim mesma que tenho que esquecer Fred e Jorge.
Não que esse seja especificamente meu desejo, mas eu cheguei à conclusão de que não posso ficar com os nervos na ponta da faca, o que significa que tenho que esquecer esses gêmeos à qualquer custo. Sim, depois de muito pensar, essa foi minha decisão.
Eu normalmente fico aterrorizada quando tenho que tomar decisões, mas quando finalmente as tomo, uma calma me invade, mesmo que a decisão tomada seja dolorosa e carregada de lágrimas. Fico tranqüila pelo simples fato de finalmente ter decidido o que fazer.
Portanto, cheguei à conclusão de que, se eu estiver mesmo disposta à acabar com esta confusão, tenho que conversar sobre Fred e Jorge até que pare de doer. Quando parar, quer dizer que superei. Claro que isso é só teoria, mas não quer dizer que não possa dar certo. O que não muda o fato de que possa dar errado. Talvez se eu saísse com alguns garotos possa ser mais eficaz. Não, não... eu vou ficar me torturando, dizendo à mim mesma que Fred e Jorge são infinitamente melhores do que o garoto. O que não vai ajudar.
Suspirei, massageando as têmporas.
- Tudo bem, Angie? – perguntou Hermione, percebendo minha frustração.
Porque ninguém consegue usar meu nome inteiro?!
- Mione, por favor, pare de usar esse apelido imbecil! – eu juro que queria ser educada, mas a frase saiu quase como um rosnado.
Me senti imediatamente culpada e esperei que Hermione me acusasse de ser ignorante, gritasse comigo e saísse de cara amarrada. Mas, como sempre acontece com pessoas excessivamente compreensíveis, ela riu.
Hermione riu de mim!
- TPM? – ela perguntou, se referindo ao meu péssimo humor.
Suspirei novamente.
- Eu bem que gostaria que fosse simples assim... – murmurei. – Desculpe por ter explodido. Não estou no melhor dos humores.
- Fred e Jorge? – ela sugeriu novamente.
Apenas balancei a cabeça afirmativamente, ignorando a pontada em meu estômago.
- Hum... – Hermione murmurou, pensativa. – Então acho que o assunto é um tanto mais complicado. O que eles aprontaram desta vez?
- Acho que fui eu que aprontei com eles... – meditei.
- Já se desculpou?
- Não acho que desculpas possam resolver.
- Mesmo assim – disse Hermione. – Ignora-los não vai resolver também.
Olhei para ela, confusa.
- Como sabe que...? – mas fui interrompida.
- Ora, vamos, Angelina! – Hermione cruzou os braços. – Está na cara que você os está ignorando à semanas. Vocês costumavam ser inseparáveis, e agora mal olham um na cara do outro.
- Hermione, com todo o respeito, eu não acho que você tenha a menor idéia do problema e... – ela me interrompeu de novo.
- Gosta deles, não é? – perguntou gentilmente. – Gosta dos dois.
Não respondi. Havia um nó na minha garganta e simplesmente não consegui desfaze-lo. Tentei engolir, mas foi inútil. Como não respondi, Hermione prosseguiu:
- Acho que acertei, não?
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu funguei. Hermione estendeu os braços para mim e eu a abracei, deixando as lágrimas caírem. Eu nunca havia chorado no ombro de ninguém antes e o efeito foi calmante.
- Ah, Mione, não sei o que fazer! – admiti.
- Bem, se o problema é com o coração, acho que também não sei. – ela disse bondosamente, o que me lembrou vagamente a senhora Weasley.
Devagar, Hermione me soltou e eu limpei minha lágrimas na manga da blusa, olhando nos olhos castanhos de minha amiga. Éramos do mesmo tamanho, mas eu me senti uma garotinha de cinco anos de idade.
- Escute – ela pediu e eu esperei. – Vocês se conhecem à vários anos. Então talvez seja melhor colocar tudo em pratos limpos, entende?
- Não. – sussurrei.
- Entender o que aconteceu. – explicou.
Sorri para ela.
- Obrigada, Mione. – disse, com a voz embargada.
- Estou aqui para o que precisar. – ela prometeu, se virou e foi embora, virando o corredor e me deixando sozinha.
Eu nunca diria à ela que a conversa fora inútil.
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Sem um pingo de ânimo, disse a senha à Mulher Gorda e entrei na Sala Comunal, me sentindo terrivelmente cansada, mas sem a mínima vontade de dormir.
Segui quase me arrastando até a poltrona mais próxima e desabei sobre a mesma, fechando os olhos e deixando a bolsa com todos os meus livros no chão.
Eu queria que Voldemort entrasse pela janela que nem fumaça e me jogasse um Avada Kedrava. ‘Tá certo, eu morreria e era bem capaz do Voldy decidir acabar com todas as provas e jogar meu corpo em um rio e minha família nunca mais iria me encontrar e eu iria desintegrar e virar comida de peixe. Mas seria bem melhor do que me apaixonar duplamente. Doeria menos.
Mas, sabendo de todos os encantamentos que protegiam nossa querida escola, eu sabia que meu desejo era quase impossível. Então, decidi pensar em algo mais provável: eu queria ter nascido trouxa.
Imagine só: se eu tivesse nascido trouxa, eu estudaria em uma escola trouxa, falaria com gente trouxa, não faria a menor idéia do que era magia (tirando o que eu ouviria nos contos de fadas) e as chances de eu virar bruxa seriam mínimas. O que significa que eu nunca teria conhecido Hogwarts e, consequentemente, nem Fred e Jorge. Eu não estaria aqui agora. Eu não teria me apaixonado.
Senti as lágrimas transbordando pelos meus olhos pela segunda vez naquele dia e odiei a mim mesma por existir.
- Porque está chorando, Angie?
O susto que levei fez com que eu abrisse os olhos de repente e me colocasse de pé. Tirei a varinha das vestes, pensando se meu desejo de que Voldemort entrasse pela janela tivesse se realizado. Mas o que vi foram Fred e Jorge, olhando para mim como se eu fosse uma retardada maníaca.
Sem pensar, desatei à reclamar:
- Quantas vezes vou ter que repetir para não me darem esse tipo de susto?! Vocês sabem como eu sou precipitada! Poderia jogar uma azaração em vocês que os faria passar dois meses na Ala Hospitalar, tomando suco de mandrágora e fazendo suas necessidades nas calças, porque não teriam forças pra andar até o banheiro!
Mas eles me ignoraram completamente e começaram a cochichar:
- Acha que seria melhor levarmos ela para a Ala Hospitalar? – Fred perguntou.
- Acho que seria melhor manda-la direto para o St. Mungus. Está vendo como ela está caducando? – Jorge disse.
- Coitadinha... Tão nova – comentou Fred, parecendo penalizado.
- Eu sei, Fred. Mas ela pode começar à berrar a qualquer momento...
- Você acha que ela chegaria a tanto? – perguntou Fred olhando para mim de canto de olho, parecendo horrorizado.
- Quer apostar?
- Aposto dois galeões.
Senti que estava começando à ficar vermelha.
- Parem de falar de mim como se eu não estivesse presente!
Ambos sorriram, marotos.
- Acho que já ouvi isso antes. – comentou Jorge.
E então eu me toquei. Eu estava falando com eles como eu fazia no começo do ano. Lembrei como era fácil esquecer dos problemas e simplesmente ficar com eles, conversando sobre nada, fazendo nada, olhando para o nada. Eu estava falando com eles como se tudo tivesse voltado ao normal.
Por um breve momento, compreendi o que Hermione havia dito. Que sentido havia naquilo tudo? Se eu tentasse entender, talvez conseguisse um resutado melhor do que se ignorasse.
- Oi, meninos. – sussurrei.
- Oi, Angie. – disseram juntos. Sorri, me lembrando o quanto odiava quando eles falavam em coro.
- Sabe... – começou Fred.
- A gente queria...
- Falar com você.
Sentei-me de bom grado. Estava na hora de encarar os fatos, sendo o resultado bom ou ruim.
- Podem falar.
Eles se entreolharam, como se perguntassem um ao outro se o que estavam fazendo era a coisa certa. Ambos levantaram a sobrancelha, acentiram e se viraram para mim (tudo isso ao mesmo tempo, diga-se de passagem).
- Angie, não podemos negar que, nos últimos tempos, as coisas começaram à ficar meio embaraçosas para nós... – começou Fred.
- E isso tem afetado diretamente nossa amizade. – continuou Jorge.
- O que não é bom.
- Levando em conta que éramos inseparáveis.
Fred e Jorge olharam para mim, como se esperassem que eu dissesse alguma coisa, mas, como eu não tinha absolutamente nada à dizer, ou acrescentar, eu esperei.
- Bem, ontem Jorge veio até o meu quarto e esclareceu tudo. – disse Fred, calmamente.
Eu engoli em seco, sabendo exatamente os tipos de esclarecimentos Jorge deve ter dito à ele.
- E...? – eu disse.
- Digamos que eu reagi muito mal. – riu-se Fred.
- Digamos que você reagiu de modo péssimo. – corrigiu-o Jorge.
Foi nesse exato segundo que eu vi que eles estavam... machucados?
- Não posso acreditar que vocês brigaram! – explodi.
- Angie, escute...
- Escute você, Fred! Eu me distanciei para evitar que vocês saíssem aos socos pela escola e, quando eu achei que estava conseguindo, vocês me aparecem aqui arrebentados. Como espera que eu reaja?!
Ambos reviraram os olhos, ao mesmo tempo. O gesto foi tão idêntico, que senti uma onda de nostalgia.
- O importante é que Jorge me contou uma coisa que você deveria ter me contado! – acusou Fred.
Perdi a fala e fiquei visivelmente magoada. Sim, visivelmente, pois assim que Fred detectou a mágoa no meu rosto, ele (visivelmente) se arrependeu do que tinha dito para mim.
- Ah, me desculpe, Angelina. Não quis dizer isso, eu só...
- Tudo bem. Não... não... não tem problema. Você tem razão.
- Parem! – pediu Jorge. – Todos nós deviamos explicações. Sim, Fred, ela deveria ter te contado, mas eu sou capaz de apostar que Angelina não te disse nada por medo de te magoar. – Jorge se virou para mim. – E sim, Angelina, nós brigamos. – ele sorriu e passou a me olhar com ternura. – Mas foi por uma boa causa.
Ambos tocaram meu rosto, um de cada lado.
- Agora – começou Fred.
- Chega de brigas. – completou Jorge.
- É essa a proposta que temos para lhe dar.
Olhei para eles, confusa. Não estava entendendo absolutamente nada.
- O que querem dizer?
Eles voltaram a se entreolhar e eu comecei a ficar impaciente. Afinal, o que eles queriam comigo?
- Queremos dizer que, já que não conseguimos superar isso separados...
- Podemos superar isso juntos.
Olhei de Fred para Jorge. De Jorge para Fred. De Fred para Jorge. Mas não consegui encontrar nenhum indício de deboche na face de nenhum deles. E então eu entendi. Entendi o que eles queriam dizer com “superar”. Olhei para minhas mãos que se contorciam no colo. Eu não conseguira amar Fred e Jorge, um por vez. Não conseguira ignorar Jorge e amar Fred. Não conseguira ignorar Fred e amar Jorge.
E eles também não conseguiriam ignorar um ao outro para me amar. Então decidiram que me amariam juntos.
- Juntos? – perguntei.
- Juntos. – eles confirmaram em coro.
Me apavorei totalmente com a confirmação de minhas suspeitas. Olhei para os lados, verificando se ninguém estava ouvindo, antes de perguntar com a voz trêmula:
- Literalmente?
Fred e Jorge levantaram uma sobrancelha (juntos novamente e ao mesmo tempo), como se me desafiassem à contrariá-los.
- Literalmente? – voltei à perguntar.
Ambos assentiram ao mesmo tempo (de novo).
Hum... quem sabe? Imaginei Fred e Jorge, um de cada lado, eu no meio, andando alegremente pela escola, juntos de novo. Eles beijariam minha bochecha, um de cada lado de novo; me deixariam irritada e à beira de um colapso nervoso. E eu poderia beijar os dois sem me sentir culpada.
- Acham mesmo que pode dar certo? – perguntei, em dúvida.
Fred e Jorge suspiraram.
- Angie, nós já tentamos ser amigos...
- Já tentamos ficar separados de você...
- Já pensamos sobre o assunto...
- Medimos os prós e os contras...
- Mas chegamos à mesma conclusão.
Eles se entreolharam, depois voltaram a me olhar, sorrindo.
- Sem você, não dá. – disseram juntos.
Acho que eu chorei, mas não tenho certeza. Acho que eu sorri, mas não tenho certeza.
- Acho que podemos tentar. – cedi e quase explodi de felididade quando eles beijaram minha bochecha, um de cada lado, só para me esmagarem em abraço duplo.
N/A: eita, que beleza!! Gentem, é ano novo (ou quase) e eu decidi dar um capítulo de presente para vocês! Gostaram??
Cri cri cri cri cri
Enfim, eu acho que vai ter só mais um capítulo e depois o epílogo e aí acabarei de vez com esta fanfic. (suuuuper depressivo esse papo de “é o fim”)
Mas eu tenho outras fanfics em andamento que eu ia gostar muito de vocês visitassem:
- A.R.W.: entre apostas, romance e whisky;
- Manual de Etiqueta para iniciantes.
Se vocês quiserem, será um prazer ver vocês por lá.
Obrigada a quem comentou.
Bem, um feliz ano novo, que seus sonhos se realizem, que suas dores sejam esquecidas, que suas perdas sejam superadas e que Deus esteja em um lugar bem especial no seu coração.
Um grande abraço,
Thomas Cale.