In Another Life
Nós duas éramos completamente diferentes. A começar pelas casas: ela era uma quintanista da Sonserina e eu, uma caloura da Grifinória, mais precisamente, uma sangue-ruim, na linguagem super educada que eles utilizavam. Mas isso não foi obstáculo para que algo surgisse entre eu e ela, algo que nós não sabíamos da magnitude e da força que tinha.
Nós desconhecíamos o amor, nem sequer imaginávamos o que ele significava na vida de uma pessoa...
I have known you my whole life (Eu te conheço desde sempre)
When you were ten, you said you'd make me your wife (Quando você tinha 10 anos, você disse que se casaria comigo)
And eight years later you won me over just as (E oito anos depois, você me ganhou completamente)
I took the world on my shoulders (Quando eu carreguei o mundo em minhas costas)
- O que você pensa que está fazendo aqui Black? – Eu perguntei fora de mim enquanto a via entrar na sala de aula vazia onde eu estudava. Eu tentava não demonstrar qualquer sentimento com a presença dela ali, eu tentava em vão acreditar que não sentia nada por ela além do tradicional ódio entre sonserinos e grifinórios.
Então ela sorriu. Um sorriso que eu demorei anos a esquecer e que até hoje, sei que não esqueci. Ela caminhou lentamente até mim com uma expressão divertida, nada parecia com aquela expressão de nojo quando passava por mim pelos corredores há alguns anos atrás. Inclinou-se sobre meu corpo e sussurrou no meu ouvido:
- Não está bastante claro Evans? Eu vim aqui para te ver.
- E o que você ganha vindo na minha formatura? – Eu perguntei inocentemente confusa e perdida em seu perfume de rosas e em seus cabelos loiros. Ela deu uma risada gostosa que provocou um leve arrepio de prazer em mim, em seguida, beijou a curva de meu pescoço e disse divertida:
- Acho que podemos parar de fingir que nos odiamos e começar a aceitar que nos gostamos...
- Bem contraditório, odeio acabar com a sua diversão, mas não é verdade. Você não é tão irresistível assim Narcisa! – Eu disse vacilante, sabendo que ela acabara de dizer exatamente o que se passava em minha cabeça. Narcisa entrelaçou nossas mãos e se afastou, me encarando com divertimento, em seguida, disse séria:
- Não sou mais uma sonserina desde que deixei essa escola e logo, você não será mais uma grifinória quando se formar... Podemos parar com isso tudo e aceitar que estamos apaixonadas uma pela outra, não sou como o Potter, eu não vou te abandonar, eu te valorizo o bastante para saber a garota que você é!
As palavras dela me acertaram em cheio, James tinha me deixado de lado e andava frio comigo nos últimos dias e aquela promessa dela me deixou sem ação. Aliás, com uma única ação, eu me aproximei dela e a beijei. O primeiro de dezena de beijos que viriam em nossa confusa relação...
I got used to living without you, and those phone calls and dreaming about you (Eu me acostumei a viver sem você e sem aquelas ligações e sonhando com você)
Always said that you were my man to be (Sempre disse que você era meu homem)
But, I guess, I was in love with your memory (Mas eu acho que eu estava apaixonada por sua memória)
Nos víamos com freqüência nos primeiros anos que deixamos Hogwarts. Ela ainda vivia com sua família enquanto eu tentava buscar novos ares no Ministério da Magia. Eu esperava as ligações dela e suas cartas como se fossem necessárias a minha sobrevivência e de fato, elas eram.
Sem que eu percebesse, ela me embriagara e me tomara por inteiro. Eu nem sequer pude evitar me apaixonar por ela, aliás, mesmo que pudesse, eu tinha certeza que a minha coragem e a minha vontade me fariam amá-la do mesmo jeito. Por mais que parecesse racional, eu sempre apelava pelas minhas emoções. E as únicas emoções que me preenchiam eram o desejo e o amor que eu sentia por ela.
Só que alguns anos depois, ela deixou de ser a minha Narcisa Black e passou a ser a Narcisa Malfoy de Lúcio. Eu acabei me acostumando a ler nas cartas dela os extensos pedidos de desculpas e as lamentações. Sua aparente tristeza em não me ver era o que me fazia continuar com todo esse sentimento.
- Me desculpe Lily... Eu não pude aparecer mais cedo, Lúcio demorou a viajar dessa vez! – Ela disse certa vez, quando estávamos entrelaçadas na cama e eu afagava seus cabelos loiros, produzindo alguns cachos nele. Eu respirei fundo, tentando me fazer entender que agora Narcisa era uma mulher casada. Mas eu era jovem demais e tudo que consegui responder foi:
- Mas poderia ter me avisado antes.
- Já te pedi desculpas Lílian, está na hora de você entender que eu tenho uma casa e um marido pra cuidar a partir de agora! Por mais que eu ame estar com você, as coisas estão complicadas agora. – Ela respondeu com aquele tradicional tom frio dos sonserinos que eu tanto odiava. Eu me afastei dela e encarei a janela por alguns minutos, visivelmente contrariada. Então, senti suas pálidas mãos percorrerem minhas costas nuas, ela me beijou no ombro e disse:
- Me desculpe Lily, mas eu estou cansada de tanta cobrança. Acabei descontando em você...
- Tudo bem, prometo me acostumar a essa nova situação... – Respondi dando um sorriso inseguro a ela, mas na verdade, eu estava tentando me acostumar a sentir cada vez mais a ausência dela.
You know I love you, I really do (Você sabe que eu te amo, eu realmente te amo)
But, I can't fight anymore for you (Mas, eu não posso mais lutar por você)
And, I don't know, maybe we'll be together again, sometime (E sei lá, talvez nós fiquemos juntos algum dia)
In another life (Em outra vida)
Eu estava cansada de esperar por ela, essa era a verdade. Estava cansada de ter que passar por Narcisa nos corredores do Ministério da Magia e fazer que não a conhecia quando ela estava acompanhada por Lúcio. Parecia que tínhamos voltado aos tempos de Hogwarts em que ela era uma sonserina e eu uma grifinória, inimigas naturais.
Não sei se foi carência, medo de ficar sozinha ou até mesmo, uma paixão passageira. Mas eu acabei cedendo e iniciando um novo namoro com James Potter, ele mesmo, meu antigo caso de escola.
Eu não podia negar, ele era o certo, o que fora traçado pra mim e ela... Narcissa era algo complicado, mas que eu insistia em amar com todas as minhas forças. Eu me divertia com ele, sorria com ele e nós nos dávamos bem. Mas com ela era diferente, eu me sentia completa, intocável, como se nada pudesse me machucar. Narcisa era meu ponto seguro e eu estava com medo de perdê-lo.
Eu e Narcisa apenas nos víamos quando ela estava disponível. E toda vez que ela vinha, com suas mãos sabendo exatamente onde me tocar e teus lábios sabendo exatamente onde me beijar, eu me sentia cada vez mais fraca e impotente. Estava tentando lutar contra Narcisa, mas não conseguia.
E mesmo sabendo da extensão de tudo que eu sentia, eu fiz o pior: cedi e acabei me casando com James.
- Cissy, preciso ter uma conversa séria com você! – Eu disse amargurada enquanto sentia suas mãos tocarem meus cabelos levemente, ela estava radiante nesse dia e eu não conseguia desviar meus olhos de sua beleza. Narcisa me beijou levemente nos lábios e disse sorrindo:
- Olha só... Você querendo ter uma conversa séria?
- Sem brincadeira Cissy, é sério mesmo! – Eu disse enquanto me afastava dela e caminhava até a janela do meu apartamento, ele era nosso esconderijo, onde tantas vezes fizemos amor sem nos importar com o mundo lá fora. Narcisa deve ter arqueado a sobrancelha, como sempre fazia quando estava confusa. Ouvi seus passos próximos a mim e em seguida, ela me abraçou pela cintura.
Segurei suas mãos em minha barriga e senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Eu não conseguiria ficar sem ela, essa era uma opção que não poderia existir jamais. Respirei fundo e olhei para ela, tentando esconder toda dor que eu tinha dentro de mim. Narcisa beijou meu rosto, limpando a lágrima que escorrera há minutos atrás e disse:
- O que foi Lily? Eu te fiz a promessa de que nunca vou te deixar, vamos enfrentar isso juntas...
- Antes de tudo, quero que você saiba que foi um momento de fraqueza. – Respondi roucamente, desviando meus olhos dos dela num visível momento de vergonha. Narcisa deu uma gargalhada melodiosa, apertou minhas mãos entre as duas e me deu um beijo nos lábios antes de dizer:
- Você? Fraca? A quem está tentando enganar Lílian Evans?
Eu dei um sorriso desconcertada, corando levemente. Narcissa sibilou que me adorava ver corada antes de me arrastar para cama e acabarmos fazendo amor pela segunda vez naquela noite.
Eu demorei a acordar e quando acordei, o dia tinha amanhecido e ela estava ao meu lado, com o Profeta Diário nas mãos. Seus olhos estavam marejados de lágrimas e eu a beijei antes de me desculpar:
- Não tive como evitar, ele foi insistente.
- Eu sei, sempre soube que uma hora você iria se casar... Só não esperava que fosse tão doloroso ver isso acontecendo. Também tinha a falsa esperança que isso nunca aconteceria. – Narcisa respondeu melancólica e com um sorriso bobo no rosto, eu sorri e garanti a promessa que eu me arrependo até hoje de ter quebrado:
- Nós vamos continuar nos vendo, o que temos, será para sempre.
I know I said that I would keep my word (Eu sei que disse que manteria a minha promessa)
I wish that I could save your from the hurt (Eu gostaria de ter te salvado do sofrimento)
But things will never go back to how we were (Mas as coisas nunca voltarão a ser o que eram)
I'm sorry, I can't be your world (Desculpe, mas eu não posso ser o seu mundo)
Eu nunca soube ao certo o que aconteceu com nós, nem quando esse “nós” parou de existir. Acho que tudo foi se desgastando com o passar do tempo, quando nos víamos, já não era a mesma sensação. O meu casamento acabava com a nossa relação, sugava-nos pouco a pouco, sem que percebêssemos.
James tomava todo meu tempo e eu acabei ficando grávida dele, assim como Narcisa ficou grávida de Lúcio e deu a luz a Draco. Eu dei a luz a Harry, numa manhã agradável de julho.
Só que um acontecimento inevitável veio e acabou terminando completamente nossa relação. Voldemort reunira seguidores, a Guerra se iniciara e de repente, víamos casadas com dois dos maiores combatentes da Guerra.
Lúcio tornou-se um Comensal e James entrou para Ordem da Fênix. Nossos encontros tornaram-se cada vez menos freqüentes e eu parei de receber notícias dela, por um bom tempo. Aliás, as notícias que eu recebia eram de suas atividades como comensal. Atividades que eu acreditava serem falsas e forçadas, ou melhor, atividades que eu me fazia acreditar serem falsas e forçadas.
A minha Narcisa não seria capaz de torturar ou matar, eu só me esquecera do fato de que você não era mais a minha Narcissa.
Mas então, numa noite fria de outubro do ano de nascimento de nossos filhos, eu a encontrei. Não do modo que queria vê-la novamente, mas a encontrei. Eu estava voltando para casa, depois do trabalho, apressada e ignorando completamente todos a minha volta. Atravessei o Beco Diagonal e assim que cheguei à rua principal, a vi entre os homens que eram acusados de serem comensais.
Imediatamente, meu coração deu um salto em meu peito e minha respiração saiu do controle, lembro até hoje dessas sensações com uma vivacidade impressionante. Os olhos dela encontraram os meus por alguns segundos, mesmo naquela multidão de gente que atravessava a rua, algum tipo de magnetismo fizera com que ela me encontrasse.
Eu me aproximei, ignorando completamente que estava caminhando em direção a homens tidos como perigosos e sádicos. Mas Narcisa fez o que eu nunca imaginava que fizesse: simplesmente me deu as costas e caminhou na direção contrária.
Eu fiquei um bom tempo parada encarando o espaço onde ela se encontrara há poucos minutos, tentando entender o que te levara a fazer isso.
Os dias seguintes foram um verdadeiro inferno na Terra. As atividades de Voldemort tornaram-se mais freqüentes e eu tentava em vão esquecê-la. Quando me dei conta de que não conseguiria, resolvi enviar cartas à ela e procurar tirá-la daquela encrenca que estava se metendo.
Eu não queria sentir aquele aperto no peito provocado pela ausência dela, não queria tê-la como inimiga naquela Guerra e muito menos, queria acreditar que Narcissa se transformara naquilo que eu tanto odiava. Mas as cartas foram em vão. Ela nunca me respondeu.
Não tive mais sinal das atividades dela, passei a cuidar de Harry e apoiar James sempre que possível. Estava querendo sufocar aquele sentimento todo, só não sabia como. Sem conseguir sufocar o que eu sentia, eu me contentava em esquecer.
You know I love you, I really do (Você sabe que eu te amo, eu realmente te amo)
But, I can't fight anymore for you (Mas, eu não posso mais lutar por você)
And, I don't know, maybe we'll be together again, sometime (E sei lá, talvez nós fiquemos juntos algum dia)
In another life (Em outra vida)
Até que numa noite... Narcisa apareceu em casa. Eu estava completamente sozinha, James tinha saído com Harry tentando aproveitar os poucos momentos que tinham juntos e eu, fiquei só com meus pensamentos alegando uma falsa dor de cabeça à ele. Me sentia mal por enganá-lo, mas naquele dia, eu não estava bem, parecia que previa o que iria acontecer.
Eu nunca vou me esquecer de descer as escadas correndo, com os cabelos ainda molhados do banho e abrir a porta, completamente afoita. Eu a encarei tentando entender suas ações, mas não consegui. Narcissa simplesmente entrou, fechou a porta com o pé e avançou sobre mim, eu podia sentir a saudade e o desejo ardendo em sua pele.
Nos beijamos de forma selvagem por alguns minutos, suas mãos corriam pelas minhas costas em completo desespero e eu tinha certeza que desarrumara seus cabelos naquele momento. Mas então, alguma coisa me parecera muito errada, algumas lágrimas escorriam por sua face e eu podia sentir seu gosto salgado em meus lábios.
Ouvi passos atrás de nós e ao empurrá-la. Deparei-me com Lúcio Malfoy nos encarando com um sorriso sarcástico nos lábios, ele sacou a varinha, mas eu consegui ser mais rápida e tirar a minha do bolso primeiro, meus anos como aluno-modelo em Hogwarts fizeram de mim uma excelente duelista.
Consegui estuporá-lo com um feitiço-mudo e me virei para ela. Sua varinha estava apontada para mim, as lágrimas escorriam pela face dela e eu sentia a raiva subindo pelo meu corpo. Eu fora enganada, pela pessoa que menos esperava que fosse me trair. Me aproximei de sua varinha, até a ponta dela tocar meu coração e disse entre lágrimas de raiva:
- Vamos, termine logo com isso! Você veio aqui para me matar, não é mesmo?
- Não Lily... Você não entende, eu fui obrigada a fazer isso, eu...! – Narcisa tentava se justificar, mas eu não conseguia mais acreditar nela, tudo me cheirava a falsidade e podridão. Me aproximei e dei-lhe um beijo violento que ela correspondeu com surpresa, logo em seguida, as roupas foram arrancadas e nos deitamos no chão da sala.
Eu estava me odiando, estava exausta e não sabia o que fazer. A responsabilidade que o casamento me exigia fizera transformar a maioria dos meus pensamentos. Escolher ficar com Narcisa não era mais uma decisão minha, eu tinha uma família agora, assim como ela tinha um marido e um filho.
Sem mencionar que eu estava sem esperanças. Não conseguia mais esperar por ela e muito menos, tê-la tão longe de mim. Nos últimos tempos eu me forçara a amar James e agora que éramos o casal Potter, eu desenvolvi uma admiração e um carinho latentes por ele. Ele era meu marido, eu tinha orgulho em ser casado com ele e Narcisa... Ela era um acidente de percurso, um acontecimento errado, num momento errado e na vida errada.
Os olhos dela me encaravam com dúvida e medo. Eu devia estar com o olhar mais misterioso possível, levantei-me do chão puxando minhas roupas e ela segurou meu pulso. Aquele toque pareceu arder em minha pele, era um pedido mudo para que eu a encarasse e esclarecesse a situação.
The way you're holding onto me makes me feel like I can't breathe (O jeito que você segura em mim não me deixa respirar)
Just let me go (Deixe-me ir)
Just let me go (Deixe-me ir)
Just don't feel right inside (Não me sinto bem por dentro)
God knows I've tried (Deus sabe como eu tentei)
Eu não conseguia olhá-la. Não enxergava mais naquela mulher à minha frente a Narcisa Black, tão linda e tão encantadora que eu conhecera e que me encantara no meu último dia de aula. Narcisa era uma completa estranha, com aquela estranha marca ardendo no seu braço direito. Ela não era mais a minha Narcisa.
Eu ignorava que aquela fosse a verdade, mas no fundo, eu sempre soube que as coisas nunca dariam certo entre nós. Éramos diferentes demais, as coisas conspiravam para que dessem errado conosco, o destino se encarregava pessoalmente para que não pudéssemos alcançar a felicidade naquela vida.
Sim, talvez em outra vida, nós pudéssemos nos amar. Sem preocupações e sem tanta coisa entrando em nosso caminho, sem Guerra, sem família... Apenas nós.
Eu respirei fundo, me afastei dela e caminhei para longe. Era uma decisão por minha família, eu não podia ser egoísta agora que tinha um filho. Meu coração parecia uma pedra dentro do meu peito, estava me sufocando. Tive que escolher entre as duas coisas que eu mais amava na vida, aquilo era uma crueldade... Retomei um pouco de ar e disse friamente:
- Isso não pode continuar.
- Mas você prometeu que enfrentaríamos isso juntas! – Narcisa respondeu praticamente em lágrimas enquanto vestia-se rapidamente. Eu lhe dei as costas e me arrependo profundamente de ter lhe feito isso, em seguida, disse as palavras mais duras (tanto para mim, quanto para ela) que pronunciei em toda a minha vida:
- Eu tentei, mas eu não posso mais, eu tenho uma família agora.
Eu não me virei para vê-la partir, mas escutei a porta batendo. Logo que a porta bateu, minha máscara de frieza caiu e o choro banhou minha face. Me vesti logo em seguida e arrumei tudo que podia arrumar para James não perceber o que acontecera. Narcisa levara Lúcio consigo e eu me vi perdida nas trevas que invadiam a minha sala.
Sentei-me no sofá preenchida de um torpor e de uma dor imensa. Eu não sabia mais o que pensar e nem o que fazer, a única pessoa que eu realmente amara acabara de me deixar e era por minha culpa. Ela vinha em busca de ajuda e eu lhe dera apenas uma negação. Me sentia um lixo, eu não tinha coragem o suficiente para amar Narcisa e enfrentar tudo.
Na verdade, minha coragem acabara há muito tempo. Eu não era capaz de continuar a amando não a conhecendo mais, a minha Narcisa desaparecera e dera lugar a um ser frio que parecia preocupar-se apenas com o Lorde.
E com esse pensamento e tentando me desfazer da culpa, eu adormeci.
Os dias passaram-se rapidamente e por incrível que pareça, eu mal tive tempo pra pensar em Narcisa. As coisas se sucederam com tal rapidez que eu e James tivemos que tomar providências para assegurar as nossas próprias vidas.
Voldemort estava atrás de nós e mal sabíamos o porquê, alguns diziam que era por causa de uma profecia, outros porque Dumbledore tinha em James, o seu braço direito. Eu não queria saber os motivos, só queria salvar Harry das mãos daquele sádico que dominava o Mundo da Magia.
James me convenceu a realizar um feitiço do segredo em Pedro Pettigrew. Recusei no começo, alegando que Sirius seria o mais indicado por ser mais corajoso e também, por confiarmos mais nele. Mas James me convenceu alegando que Pedro seria a última pessoa do mundo que Voldemort procuraria para revelar onde estávamos e no final, acabei aceitando.
Nos mudamos para um pequeno povoado semibruxo chamado Godric’s Hollow, vivemos por algum tempo seguros ali. Mas nessa noite, as coisas mudaram.
James e eu percebemos que tinha alguma coisa errada, estava tudo muito silencioso e quando vimos pela janela, nos deparamos com Voldemort em pessoa atravessando nosso gramado. Pedro nos traíra, ele revelara o segredo.
James descera há alguns segundos para atrasá-lo. Eu chorei pedindo para que ele não fosse, mas ele me deu aquele sorriso tranqüilo e seguro de si. Eu me tranquei no quarto com Harry aflita e ninando-o em meus braços. Eu sei que nem eu e nem James vamos sobreviver, nem sei mesmo se Harry vai sobreviver...
Voldemort entrara no quarto e a última coisa que eu pude fazer ao ver aquele raio verde, foi jogar meu corpo na frente do feitiço. Subitamente, a imagem de Narcisa viera a minha mente, depois, uma escuridão total me pegou.
"Harry não! Por favor... tenha piedade... tenha piedade..."
***
You know I love you, I really do (Você sabe que eu te amo, eu realmente te amo)
But, I can't fight anymore for you (Mas, eu não posso mais lutar por você)
And, I don't know, maybe we'll be together again, sometime (E sei lá, talvez nós fiquemos juntos algum dia)
In another life... (Em outra vida)
O corpo de Lílian Potter jazia no chão da casa quando Narcisa chegara. A loira desesperou-se e mal pode suportar a dor que tinha no peito, a única coisa que pode fazer foi chorar, debruçar-se sobre o corpo da amada e dar-lhe um beijo nos lábios antes de partir, completamente sem rumo. Uma moto entrara no gramado e a loira teve que fugir. Narcisa Malfoy odiava-se pela fraqueza e pela covardia, enquanto corria, sentia como se mil facas perfurassem seu corpo sucessivas vezes. Perdera o grande amor de sua vida, a ruiva que a fazia sorrir verdadeiramente diante do menor ato...
A loira chegou ao seu destino e teve que recompor sua máscara de frieza. Mas nos anos que se seguiram, a única coisa que ela queria, era matar Pedro Pettigrew. Seus desejos foram realizados por outros na Segunda Guerra Bruxa, viu o peso de suas escolhas quando seu próprio filho tornou-se comensal.
Queria ter a força e a coragem de Lílian, queria ser capaz de abrir mão de tudo pelo filho... Até mesmo, abrir mão de seu único e verdadeiro amor.
E de certa forma, já não tendo seu único e verdadeiro amor, Narcisa espelhou-se naquela que tanto amava ao humilhar-se diante de Severo Snape para que ele protegesse seu filho.
Não entendera o que era amar um filho de verdade até aquele ponto, a partir de então, as coisas se tornaram mais fáceis. Não podia perder Draco, uma das poucas coisas boas e felizes que ainda possuía, Narcisa não compreendia o amor maternal e aquele fora a última coisa que Lílian a ensinara.
Ao saber que Voldemort tinha sido derrotado por Harry Potter, filho de Lílian Evans e que ele fora protegido por todos aqueles anos pelo sacrifício de amor que ela fizera, Narcisa parou de culpá-la e passou a entendê-la.
Fora cruel para Lílian escolher entre Narcisa e Harry e agora, a loira sabia disso. Lílian tivera seus dois amores postos a prova e escolhera aquilo que no momento, era a única certeza que tinha.
Afinal, que certeza tinha com Narcisa? Quando Narcisa poderia fazê-la feliz se estavam sempre em lados opostos da Guerra? Aquilo começara quando ambas estavam em Hogwarts, uma sonserina e uma grifinória e terminara com uma sendo comensal e a outra, uma membro da Ordem da Fênix. Tudo começara errado.
Narcisa demorou anos para entender que o amor delas, por mais puro e singelo que fosse, não era para ter acontecido naquela vida.
FIM.
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A música utilizada na fic é In Another Life da banda australiana The Veronicas, espero que tenham gostado da fic *-*
Beijos e comentem, por favor!
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