Capítulo 8 – Surpresas
- Me diga: por que nós estamos fazendo isso mesmo? – Sophie perguntou completamente sonolenta.
Era de manhã bem cedo, e o céu ainda estava um pouco escuro quando Rose e Sophie aparataram em frente à casa da Lafferty. Elas estavam em frente à caixa de correio, tentando abri-la sem chamar muita atenção dos vizinhos, já que sua chefa morava em um bairro onde trouxas residiam.
- Porque nós temos que deixar esse pacote aqui, antes que a Lafferty acorde. – Rose disse pela milésima vez – Ela precisa achar que o professor Johanson veio aqui e deixou o presente.
- Mas você não acha que ela vai desconfiar quando for agradecê-lo, e ele disser que não deixou nada aqui para ela?
- Não! – Rose disse, olhando para os lados para se certificar de que não havia ninguém vindo – Porque é claro que você vai conversar com aquela reencarnação da chatice e dizer que achou que a entrega do presente pelo correio soaria mais “romântico” do que se entregássemos para a Lafferty. – ela explicou e com um feitiço simples, conseguiu abrir a caixa do correio, colocando em seguida o pacote ali dentro.
Sophie se apressou e jogou dentro da caixa do correio um cartão que supostamente teria sido escrito pelo professor.
- Olha, eu realmente espero que essa megera se comova com esse presente, ou juro que vou enforcá-la! – Sophie disse – Se bem que eu acho que ela vai mesmo se comover é com o cartão escrito pelo tio Draco. Eu não sabia que ele sabia ser romântico... Ok, essa frase ficou confusa.
Rose riu baixinho e com outro floreio da varinha, fechou a caixa do correio.
- Bom, eu também não sabia que meu sogro era tão bom com declarações, mas acho que tanto tempo casado com a Astoria amoleceu aquele coração sonserino. – Rose brincou – Agora vamos logo embora, antes que a nossa digníssima chefa acorde e nos veja aqui! Eu tenho certeza que existe alguma lei trouxa que diz que é crime violação de correspondência.
- Meu Deus, eu realmente não acredito que você além de saber todas as leis bruxas, ainda sabe as trouxas. – Sophie disse – Depois ainda quer negar o fato de que é CDF!
Rose revirou os olhos e puxou a amiga pela mão, arrastando-a dali antes que fossem pegas por alguém. A menina não queria nem imaginar como seria constrangedor ligar para seus pais pedindo ajuda para sair de uma prisão trouxa.
***
Enquanto Rose e Sophie estavam preocupadas em fazer com que a “operação cupido” delas funcionasse, em Puddlemere, Scorpius tentava de todas as formas acordar Vincent, sem nenhum sucesso aparente.
Já fazia alguns minutos que ele batia insistentemente na porta do quarto do amigo, e nada. Vincent parecia decidido a hibernar justamente no dia em que os dois teriam que ir até uma reunião na Sede de Empreendimentos Malfoy.
Irritado e cansado de ser bonzinho, Scorpius invadiu o quarto do melhor amigo e sem nenhuma piedade abriu as cortinas.
- VINCENT BRANDON WILLIAMS, É MELHOR VOCÊ ACORDAR OU EU JURO QUE VOU TE AZARAR SEM PIEDADE!
Assustado com o grito, Vincent sentou-se rapidamente na cama, com os cabelos bagunçados e uma expressão completamente confusa.
- Cara, se é assim que você pretende acordar a pobre da Rosecreide todas as manhãs depois que disserem “sim” em frente ao altar, é melhor eu alertá-la de que você não é uma pessoa gentil. – Vincent disse, esfregando os olhos – Será que eu posso saber por que você me acordou? Quero dizer, até onde eu saiba, não estou jogando com o time ainda e também não tenho fisioterapia hoje, então que diabos deu em você para me chamar assim? Sabe, não é porque você é meu amigo que precisa compartilhar todos os momentos da sua vida comigo, ok?! Quem vai fazer o juramento que diz “na alegria e na tristeza; na saúde e na doença” é a sua ruiva, certo?! Se você está com problemas de insônia, ligue para ela e seja feliz.
Scorpius observava o amigo completamente descrente. Não era possível que Vincent tinha mesmo esquecido que eles tinham que se reunir com os sócios de seu pai, naquela manhã. Ele só podia estar brincando.
- Scorzinho, eu sei que sou irresistivelmente lindo, mas você não precisa ficar me admirando com essa cara de pateta. Estou ficando constrangido já.
- A palavra reunião somada com Sede de Empreendimentos Malfoy te lembra alguma coisa, Vincent?
- Não! – o moreno respondeu com sinceridade.
- Ok, serei mais claro! – Scorpius disse, sorrindo ironicamente – A ideia de ver o meu pai furioso com você por ter se atrasado na reunião que ele marcou, te faz lembrar de algo?
No mesmo instante Vincent pulou da cama. Definitivamente a ideia de Draco Malfoy irritado por qualquer motivo não era nada atrativa, ainda mais se junto com ele estivesse seu próprio pai, Lionel Williams.
- A reunião! – Vincent disse, se enfiando dentro do closet para pegar as próprias roupas – Por que você não me disse isso antes? Que tipo de amigo é você? Ah, esquece, eu vou tomar banho e vejo você lá embaixo em alguns minutos. Ai meu Merlin, onde eu fui amarrar meu hipogrifo viu?!
Scorpius, que estava dividido entre a vontade de rir e dizer algo que consolasse o amigo, soltou uma gargalhada no momento em que Vincent bateu a porta do banheiro, completamente desesperado.
- É... Eu acho que meu pai ficaria bem feliz em saber que causa esse tipo de reação nas pessoas. – Scorpius comentou em voz baixa enquanto saía do quarto.
***
Já passava um pouco das oito da manhã quando Scorpius e Vincent aparataram em frente à Sede de Empreendimentos Malfoy. Ambos estavam com o coração batendo a mil e com expressões assustadas. Com certeza eles preferiam enfrentar um balaço errante durante um jogo de Quadribol do que ficar frente a frente com uma sala cheia de homens sérios, que provavelmente tinham o gênio parecido com o de Draco.
Respirando fundo, eles entraram no local, e para variar, foram recebidos como estrelas. É claro que aquilo não era uma novidade para nenhum dos dois, pois desde crianças quando iam visitar os pais no trabalho, Vincent e Scorpius eram tratados como verdadeiros príncipes. Mas agora, com toda a fama graças ao ótimo desempenho na União de Puddlemere, os dois praticamente eram carregados no colo enquanto andavam pelos corredores do prédio, tentando alcançar o elevador para finalmente chegarem ao último andar, onde ficava a sala de reunião.
- Isso é o que chamamos de desespero para se manter no emprego. – Vincent comentou, assim que a porta do elevador se fechou diante deles – Mais um pouco aquela secretária iria nos colocar no colo, nos dar mamadeira e nos fazer arrotar.
- Vincent, se ela fizesse isso aí sim que seria despedida. Minha mãe não iria suportar ver outra mulher nos tratando como bebês.
Vincent riu e balançou a cabeça concordando com aquela afirmação.
Instantes depois eles pararam no último andar, e saíram caminhando em direção a última sala daquele comprido corredor, cheio de quadros.
- Ok, Scorpius, você entra primeiro. – Vincent disse, assim que pararam em frente à grande porta de mogno bem escuro, com maçanetas de prata com detalhes de serpente. Uma escolha claramente sonserina.
- E por que eu? – Scorpius perguntou confuso.
- É óbvio, não? Você é o filho do dono.
- E você é filho do sócio do dono.
- Mas o filho do sócio do dono não é tão importante quanto o filho do dono, e é por isso que você deve abrir a porta e dizer...
A frase do Vincent se perdeu no momento em que a porta se abriu e revelou um Draco sério, com um olhar interrogativo e a sobrancelha erguida, esperando que um dos dois dissesse alguma coisa.
- Tio Draco, é tão bom ver você! – foi Vincent que falou primeiro – Eu estava realmente discutindo com o Scorpius sobre o seu ótimo gosto para decorações. Essa serpente na maçaneta dessa linda porta de mogno é algo realmente inspirador.
- Obrigado, Vincent, mas eu tive a ligeira impressão que os dois estavam com medo de entrar na sala de reunião.
- Com medo? – Scorpius perguntou, tentando disfarçar – Pai, por favor, não temos medo de entrar na sala e enfrentar você junto com aqueles sócios.
- Ótimo, então entrem! – Draco disse e se virou, entrando novamente na sala.
Vincent e Scorpius se encararam novamente por alguns instantes e engolindo em seco entraram na sala de reuniões.
A grande sala de reuniões era muito parecida com a de uma empresa trouxa. No centro do local havia uma grande mesa, onde os sócios estavam sentados em suas altas e aparentemente confortáveis cadeiras. Draco sentava-se à ponta da mesa, onde o presidente deveria estar. Nos fundos da sala, um quadro branco mostrava alguns gráficos que só os empreendedores poderiam entender.
O que realmente diferenciava aquele ambiente de uma empresa trouxa era o fato de que os gráficos no quadro branco eram desenhados e alterados a todo momento por canetas que pairavam no ar, apenas esperando o aceno de um dos sócios para fazer alguma alteração.
Outra coisa que caracterizava aquela sala como um local mágico era o fato de que os sócios não precisavam passar os relatórios um para o outro. Quando um deles queria fazer alguma correção nos projetos, ele simplesmente erguia sua varinha e convocava a pasta que desejava.
Lionel Williams (pai de Vincent) estava sentado na primeira cadeira ao lado direito de Draco. As duas cadeiras ao lado esquerdo do homem estavam vagas, e foram exatamente nelas que Vincent e Scorpius se sentaram.
- Oi pai! – Vincent cumprimentou o Sr. Williams, que lhe sorriu.
Com um suspiro, Draco apoiou as mãos na mesa e se colocou de pé, chamando a atenção dos demais. Apesar de já ter seus 47 anos, ele ainda era um homem forte, de ótima aparência e que ainda era capaz de fazer qualquer uma suspirar diante de sua beleza. Com certeza Scorpius tinha puxado a ele.
- Eu não vou enrolar com explicações de gráficos e projetos, porque isso já foi bastante discutido anteriormente, então irei direto ao assunto para que os meninos não fiquem mais assustados do que já estão. – Draco disse – Vincent e Scorpius, vocês por acaso tem ideia do motivo que os chamamos aqui?
- Para nos torturar psicologicamente? – Vincent perguntou, levando um cutucão de Scorpius logo em seguida – Ai, foi mal, mas eu precisava ter certeza.
Diferente do que ele esperava, Draco riu e revirou os olhos. Uma atitude que fez os sócios ficarem admirados, pois obviamente não estavam acostumados a ver esse lado mais descontraído do dono da empresa.
- Se fosse para torturá-los não os traria para um local com tantas testemunhas – Draco disse em um tom leve.
- Draco, meu amigo, se você tinha esperanças de deixar os rapazes tranquilos, essa sua conversa está deixando os pobres coitados totalmente desconfortáveis. – o Sr. Williams disse – Acho digno que continue assim, gosto de ver meu filho sem ter para onde correr.
- Eu também te amo, pai! – Vincent abriu um sorriso irônico para o pai.
- Ok, que tal voltarmos ao ponto? – Draco sugeriu, caminhando em direção ao grande quadro branco que estava apinhado de informações. Com um movimento rápido de sua varinha, todos aqueles gráficos foram substituídos por figuras que se moviam com slogans de campanha publicitária. – Rapazes, a empresa está se preparando para lançar no mercado a mais nova e mais rápida vassoura de todos os tempos: a Fireturbo X. (N/A: não, a autora não é criativa para nomes como vocês puderam perceber.)
Vincent e Scorpius observavam a figura da vassoura que se formava no grande quadro. A vassoura tinha um desenho perfeito e seus filamentos tinham terminações que proporcionavam um ótimo impulso. O Design da Fireturbo X tinha sido claramente elaborado para aqueles que gostavam e não temiam a velocidade.
- A vassoura vai de 0 a 300 km/h em questão de dois segundos. – Draco explicou – Isso parece desafiar as leis gravitacionais, mas a verdade é que antes mesmo que possam piscar, estarão no céu, cortando os ares em uma velocidade inacreditável.
Vincent e Scorpius mal piscavam diante da imagem da vassoura que estava na frente deles. Os dois já podiam se imaginar montados nela durante uma partida decisiva de Quadribol, deixando seus adversários cegos enquanto voavam em direção ao gol e marcavam centenas de pontos.
- Esse lançamento com certeza vai mexer com a cabeça de todos os jogadores de quadribol. – Scorpius comentou – Mas pai... Não é que eu não tenha gostado de vir aqui saber disso em primeira mão, mas...
- Você quer saber por que chamei você e o Vincent para essa reunião. – Draco concluiu a pergunta do filho – Bom filho, eu acho que não é novidade o que vou dizer agora, mas vocês dois são considerados os melhores jogadores da atualidade. E estão entre os dez melhores jogadores do mundo, então, com base nessa informação, nós decidimos convidá-los a serem os garotos propaganda desse lançamento.
Vincent e Scorpius arregalaram os olhos diante a surpresa.
- Esse é aquele momento em que vocês dizem: Minha nossa! É claro que nós aceitamos esse convite maravilhoso! – Lionel Williams brincou, tentando fazer com que os jovens saíssem do estado de choque.
- É claro que nós aceitamos! – Vincent e Scorpius disseram em uníssono.
Draco riu e voltou para seu lugar à mesa de reunião.
- É ótimo saber que vocês estão animados. – Draco disse satisfeito – A primeira remessa das vassouras, é claro, será enviada a todos os jogadores da União de Puddlemere assim que a data de lançamento for oficialmente escolhida. Por enquanto os únicos que terão esse modelo serão vocês, até porque vão precisar tirar fotos nelas para a campanha. Em breve, muito, muito breve, vocês terão seus rostos estampados nos jornais e revistas do nosso mundo.
- Uau! Seremos que nem aqueles garotos propagandas de cuecas trouxas. Teremos nossos rostos estampados em outdoors por toda a cidade... Só que eu realmente espero não ficar de cueca em cima da vassoura, tio Draco, isso seria muito constrangedor.
- Não, querido sobrinho, constrangedora seria a ideia de colocar você nu sobre a vassoura para fazer a propaganda da marca. – Draco revirou os olhos – Agora finjam que são sérios, porque temos muita coisa para discutir aqui.
***
Rutland – 09h00min
Lily ainda estava jogada na cama, pensando se já era ou não uma boa hora para se levantar. Ela estava enroscada em seu edredom, com o rosto afundado no travesseiro, e por isso não ouviu o momento em que alguém abriu a porta do seu quarto e se aproximou da sua cama em passos quase silenciosos.
- Isso por acaso são horas da Bela Adormecida estar na cama?
- Se eu sou a Bela Adormecida, estou no lugar certo! – Lily respondeu com divertimento, e afastou o edredom de seu rosto – Bom dia, Hugo!
- Bom dia, Lils! – Hugo beijou a testa da menina e se sentou ao lado dela na cama – Por que ainda está aqui?
- Porque estou com preguiça. – Lily admitiu – Na verdade, eu já levantei, tomei banho, tomei café, mas depois de fazer isso tudo, decidi deitar de novo. A Alice foi hoje cedo para casa do Alvo, o que não é nenhuma novidade, então como não tinha nada para fazer, decidi curtir o tédio matinal jogada na cama, ignorando toda e qualquer vontade de me levantar daqui.
Hugo riu e acariciou o rosto da menina.
- Já que está de folga, por que não foi visitar a tia Gina? – Hugo perguntou.
Lily suspirou e deu de ombros.
- Sei lá... – ela respondeu e afundou novamente o rosto no travesseiro.
Revirando os olhos, Hugo se deitou ao lado de Lily e a abraçou.
- O que está havendo, Lils? – ele perguntou.
- Nada! – ela respondeu, deitando a cabeça no peito de Hugo e fechando os olhos.
- Como mentirosa, você é uma ótima jogadora, Lilian! – Hugo disse de forma sarcástica – Diga o que está havendo e nem tente me enganar.
Lily suspirou mais uma vez e segurou a mão de Hugo entre a sua, entrelaçando os dedos nos dele.
- Ah, nem é nada demais, sabe? É que tem dias que eu acordo sentindo falta de casa, o que não era para acontecer já que moro sozinha há algum tempo. E eu digo sozinha, porque a Alice passa mais tempo na casa do Alvo do que aqui, então a considero como uma visita... – Lily desabafou – Eu sinto falta da mamãe e do papai às vezes, e também sinto falta da casa da vovó, mas eu não posso me dar ao luxo de me sentir assim. Eu não sou mais criança!
Hugo sorriu e com a mão livre acariciou o rosto da namorada mais uma vez.
- Sentir falta dos nossos pais e dos nossos avós não significa que você é uma menininha indefesa, Lils. – Hugo disse pacientemente – Eu mesmo sinto falta deles, e isso acontece com muita frequência, e sabe o que eu faço?
Lily balançou a cabeça negativamente.
- Eu vou até eles! – Hugo respondeu simplesmente – Aparato na casa dos meus pais ou passo o dia n’A Toca, simples assim! Você não precisa ficar escondida aqui porque não quer admitir que esteja com saudades.
- O fato de não querer ir até eles não é por orgulho. – Lily protestou, erguendo a cabeça para encarar Hugo – É que... Bom se eu for até lá, eu corro o risco de não querer voltar para casa, o que vai ser um problema, uma vez que eu preciso estar aqui para treinar.
Lily ergueu a sobrancelha, enquanto Hugo limitou-se a dar uma risada de sua expressão pensativa.
- Você é uma bobinha, Lils! – Hugo disse e segurou o queixo de Lily, aproximando seu rosto ao dela – Uma bobinha muito linda!
Hugo beijou levemente os lábios de Lily e se afastou para encará-la mais uma vez.
- Você passa muito tempo sozinha aqui, acho que é esse o problema. – Hugo constatou, passando rapidamente os olhos pelo quarto – Alice deveria ser uma boa amiga e passar mais tempo com você! Eu realmente não gosto de saber que você fica a maior parte do tempo sozinha.
Lily revirou os olhos e se sentou na cama, baixando o olhar apenas para encarar Hugo, que continuava deitado de forma relaxada.
- Não fique bravo com a Alice, ela está certa em ficar com Alvo e não aqui! – Lily disse – Ela escreve a coluna esportiva para o Profeta Diário, o que significa que ela pode trabalhar tanto aqui, quanto na casa do meu irmão. E eu já disse que não me importo com a solidão, acho que já me acostumei com isso.
- Pois não deveria! – Hugo protestou levemente aborrecido – Não deveria se acostumar com a solidãonunca está sozinha. E eu detesto ouvir você dizendo essas coisas, sabia? Me faz sentir um verdadeiro monstro por não estar com você em tempo integral. porque você
Lily sorriu, e aproveitando o fato de que Hugo ainda estava deitado, ela se ergueu sobre os próprios joelhos e passou uma perna de cada lado do corpo dele, curvando-se em direção ao seu rosto, até que seus narizes se tocassem.
Sorrindo, Hugo pousou suas mãos sobre as coxas de Lily, que ainda vestia o short de seu pijama.
- Você fica tão bonitinho quando está indignado! – Lily brincou, roçando seu nariz no de Hugo – Mas apesar de te achar incrivelmente sexy quando está bravo, preciso dizer que não gosto nem um pouco quando usa a palavra “monstro” quando se refere a você.
Hugo sorriu quando Lily roçou seus lábios sobre os dele, aproveitando para capturar o lábio inferior dela entre os seus e mordê-lo levemente, fazendo-a suspirar.
- Se não gosta de ouvir isso, pare de dizer absurdos como “estar acostumada com a solidão”! – Hugo disse em um tom mais leve – Você nunca vai ficar sozinha, Lils. Não se depender de mim.
- Seu bobão, foi só forma de falar. – Lily revirou os olhos – Eu quis dizer que estou acostumada a não ter a Alice por perto e a passar maior parte dos dias sozinha por aqui. Isso não quer dizer nada!
- Para você, porque para mim...
A explicação do rapaz foi interrompida, pois Lily encerrou aquela pequena distância que ainda os afastavam, tomando seus lábios nos dela em um beijo que começou lento e rapidamente se tornou quente e intenso.
As mãos de Hugo que estavam sobre as coxas de Lily subiram pela lateral de seu corpo, apertando e acariciando cada parte que tocava, enquanto o beijo deles se tornava cada vez mais urgente.
Lily suspirou quando Hugo entrelaçou os dedos em seus cabelos e os puxou, fazendo com que ela erguesse um pouco a cabeça, para logo começar a beijar seu pescoço.
Durante algum tempo, Hugo permitiu que ela dominasse a situação, até que com um movimento rápido, ele inverteu o jogo e ficou sobre ela, e Lily aproveitou para envolver suas pernas na cintura de Hugo, que não protestou, é claro.
Hugo não conteve um suspiro quando Lily mordiscou seu pescoço e voltou a beijá-lo lentamente, só para provocá-lo.
- Eu amo você! – Lily sussurrou no ouvido de Hugo.
Hugo sorriu e se apoiou nos cotovelos para poder encarar Lily por alguns instantes. Ela estava deitada, com seus cabelos espalhados pelo travesseiro e alguns fios caindo sobre seu próprio rosto, e aquela visão o fez se lembrar da primeira vez que desejou tê-la apenas para ele, da primeira vez em que a enxergou por trás daquela máscara de prima e melhor amiga, e a viu como alguém com quem ele gostaria de estar sempre.
- O que foi? – Lily perguntou, quando o sorriso de Hugo aumentou.
- Estava me lembrando do nosso primeiro beijo... – Hugo respondeu – Você estava exatamente assim.
- Assim como? Descabelada?
- Linda! – Hugo ergueu a mão para tirar alguns fios que caíam sobre o rosto de Lily – Foi engraçado, porque eu nunca me senti daquela forma antes. Nunca, em toda minha vida eu havia desejado tanto beijar alguém, – ele confessou – e eu sabia que podia levar uma bofetada sua naquela noite no parque, mas eu tinha que tentar. Eu perdi a razão quando olhei nos seus olhos e o desejo de te ter para mim, só para mim, acabou me dominando, e confesso que ainda ali senti ciúmes de você.
- Ciúmes de mim? – Lily perguntou com a voz um pouco embargada. Um nó havia se formado em sua garganta, graças àquela declaração inesperada de Hugo.
- Sim, ciúmes de você. – Hugo respondeu – Das milhares de coisas que passaram pela minha cabeça naquele momento, uma delas foi que você poderia me dizer “não” porque gostava de outro... Eu te quis tanto que a ideia de ver você com outro cara me deixou momentaneamente angustiado... Fico impressionado com a velocidade em que nossa mente pode criar diversas situações em questão de poucos segundos, mas preciso admitir que naquele breve minuto em que fiquei apenas encarando você, pensei em diversas coisas, até que finalmente consegui fazer a pergunta que mudou toda a minha vida.
Hugo aproximou novamente seu rosto de Lily e a beijou com ternura, enquanto a menina acariciava seu rosto com a ponta dos dedos.
- Em pensar que eu tinha medo de admitir que te amava... – Lily comentou, assim que eles se afastaram – Eu nem dormi naquela noite, pensando em você sabia? Pensando no que aconteceria conosco, mas uma coisa já era certa: eu já estava irremediavelmente apaixonada por você, só não sabia como fazer para te contar isso...
- Deixe-me adivinhar? – Hugo pediu – Deitada em sua cama, pensando no nosso beijo, você se arrependeu não foi?
- Só se eu fosse maluca! – ela respondeu – Eu nunca me arrependi de ter permitido que você me beijasse... Mesmo se você dissesse para mim que foi um erro e não quisesse ficar comigo, eu não me arrependeria. Eu...
- Você quer casar comigo? – Hugo interrompeu a frase de Lily, fazendo com que ela arregalasse os olhos, completamente surpresa.
Ela engoliu em seco e se esforçou para se concentrar na pergunta que Hugo havia feito, mas não estava tendo muito sucesso.
- Hugo, você...
- Sim, Lily, eu acabei de te pedir em casamento. – Hugo abriu um grande sorriso – Eu havia dito a você que a pergunta que mudou toda minha vida foi se eu poderia te beijar, mas conclui que essa era a segunda pergunta mais importante. A primeira é se você quer casar comigo e ser minha para sempre. E então, você quer?
O sorriso de Lily em resposta foi o maior e mais radiante possível, e para sua surpresa, veio acompanhado de lágrimas. Ela não sabia o que dizer ou o que fazer naquele momento, mas tinha certeza que jamais se sentiu tão feliz como naquele instante.
- Eu te amo tanto, eu te amo tanto, Hugo! – Lily conseguiu dizer – Eu quero me casar com você, é claro que quero!
- Eu te amo, Lily, te amo demais! – Hugo disse, cobrando o rosto da noiva de beijos – E de agora em diante, você nunca estará sozinha. Eu vou estar com você sempre!
- Sempre e para sempre! – Lily disse, com um grande sorriso.
- Sempre e para sempre! – Hugo repetiu pouco antes de beijar Lily novamente
***
Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts
A primeira aula dos irmãos Davis foi tranquila. Para sorte deles a aula foi de Poções, matéria que cursavam juntos.
Como já era de se esperar, os dois foram paparicados por Slughorn, que considerou os gêmeos uma grande aquisição para seu Clubinho do Slugh, coisa que Demi e Dan tentaram recusar, mas sem nenhum sucesso.
- Se serve de consolo, eu também faço parte desse clube. – Felicity sussurrou para Demi, enquanto elas saiam da sala.
- Você e metade dos alunos populares da escola. – Anthony acrescentou – Mas até que não é tão ruim... Depois de um tempo vocês acostumam. Pelo menos as festinhas são bem fartas.
- Espera, você também tá nesse maldito clube? – Demi perguntou um pouco irritada.
Daniel tentou não rir da expressão quase assassina da irmã e foi para perto de Felicity, enquanto Anthony não conteve o divertimento e deixou escapar uma sonora gargalhada.
- Sua expressão de revolta é impagável, Davis! – Anthony disse – E sim, eu estou no clube também. Isso te deixou feliz? Porque se for o caso, eu posso pensar se te convido para ir comigo às festas.
Demi estreitou os olhos na direção de Anthony, pronta para pular em seu pescoço e fazer picadinho do garoto a sua frente. Ele não sabia com quem estava mexendo, não sabia mesmo!
- Ai, ai, Harris, você é a prova de que Hogwarts é uma escola sem preconceitos. – Demi comentou, dando um de seus famosos sorrisos intimidadores.
- Escola sem preconceitos? – Anthony perguntou, erguendo a sobrancelha.
- Claro... Até conhecer você eu não sabia que a escola abrigava retardados, mas veja, me surpreendi! – Demi sorriu novamente.
- Essa é minha Demo, gentil como sempre! – Dan comentou. Ele estava com o braço por cima do ombro de Felicity, e virou o rosto para encarar a irmã que vinha alguns passos atrás. – Seu jeito carinhoso conquistará Hogwarts, maninha, escute o que eu digo.
Felicity riu e estendeu a mão para Demi, que a segurou um pouco relutante. Além de matar Anthony, agora ela se sentia tentada a esganar o próprio irmão só por diversão.
- O Clube do Slugh é legal... Pelo menos quando o professor não está interrogando você. Fora isso, você não tem que se preocupar. – Felicity disse – Bom, minha próxima aula é de Herbologia, e a de vocês?
- Eu tenho Herbologia também! – Dan respondeu.
- Eu vou ter aula de Aritmancia. – Demi respondeu um pouco desanimada. Não gostava da ideia de ficar sozinha em uma sala, embora não fosse admitir.
- Olha só, Davis, parece que a escola não só abriga retardados como oferece uma matéria especial para eles. – Anthony comentou com sarcasmo – Minha próxima aula também é de Aritmancia! Sinto que vamos nos divertir muito na próxima hora.
- Mas... Eu... – Demi estava sem fala.
- Eu sei, é muita emoção! – Anthony comentou – Vamos logo, talvez nos deixem brincar de massinha de modelar antes de começar a aula.
- Bom, eu detesto ter que dar essa notícia assim, mas o Dan e eu vamos seguir para estufa. Vemos vocês no almoço! – Felicity disse, arrastando o amigo para longe de Demi e Anthony, que pareciam estar prestes a se matarem.
Revoltada, Demi continuou sem caminho ignorando totalmente a presença de Anthony que seguia ao seu lado, com um sorriso no rosto.
Céus, como ela detestava aquele garoto! Ninguém conseguia a irritar tão rápido como Anthony fazia. Sem dúvidas ele havia conseguido superar Dan no quesito inconveniência, pelo menos sob o ponto de vista dela.
Foi apenas quando estavam se aproximando da sala onde teriam a próxima aula, que Anthony decidiu que era hora de quebrar aquele silêncio irritante. Sem se incomodar se seria azarado ou simplesmente levaria um tapa, Anthony deu alguns passos largos e se virou para parar em frente a Demi, que por muito pouco não trombou com ele.
- Você está mesmo querendo me matar de irritação ou o que? – Demi perguntou, cruzando os braços em frente ao corpo.
Anthony passou a mão pelos cabelos e revirou os olhos. Aquela menina era muito difícil! Mas ele não se incomodava, pelo contrário, era esse jeito esquentado de Demi que tornava tudo mais divertido.
- A culpa não é minha se você é estressada e implica com tudo o que eu faço. – Anthony deu de ombros – Achei que nós tivéssemos um pacto sobre manter a boa convivência ou coisa assim.
- E tínhamos, mas eu realmente não consigo ficar a vontade com sua presença altamente insuportável, então decidi parar de bancar a pacifista e admitir de uma vez que não te suporto. – Demi respondeu.
Anthony riu da resposta da menina e a encarou com divertimento, o que a deixou ainda mais irritada que antes.
- Ai, ai, Demi, seu jeitinho doce me conquista! – Anthony disse.
- Demi? DEMI? Garoto, quem disse que você tem o direito de me chamar pelo primeiro nome? – ela perguntou com um misto de raiva e choque – Em primeiro lugar, você não me conhece! Em segundo lugar, você não me conhece! Em terceiro lugar...
- Em terceiro lugar você terá que se acostumar com isso, porque sinceramente não vou ficar te chamando pelo sobrenome, Demi! – Anthony disse, com um largo sorriso – E além do mais, se seremos amiguinhos de classe, é melhor nos acostumarmos com tratamentos informais.
- A última coisa que eu quero é agir como sua melhor amiga, Harris! – Demi protestou. Estava claro que sua pouca paciência já havia ido para o espaço – Vamos deixar as coisas bem claras, eu odeio você, e isso não vai mudar ok?! Agora saia da minha frente antes que eu passe por cima de você!
Anthony riu e deu dois passos em direção a Demi, que não recuou e apenas sustentou o olhar divertido do rapaz, com uma expressão séria.
- Você não me odeia, Demi! – Anthony disse – Na verdade eu acho que gosta de mim e toda essa raiva é apenas uma forma de tentar esconder essa verdade. Mas um dia, escute bem minhas palavras, um dia você vai se cansar disso e irá sair comigo! – ele piscou para a menina e então se virou para seguir seu caminho até a sala, deixando Demi para trás com uma expressão para lá de chocada.
Na verdade a menina ficou parada uns bons cinco minutos, tentando absorver aquela história absurda sobre ela gostar do Anthony e sair com ele.
Assim que sua ficha caiu, Demi praticamente correu para alcançar Anthony. Ele já havia ido longe demais insinuando que ela, justamente ela, poderia gostar da presença de alguém que nem conseguia manter um diálogo.
Quando finalmente alcançou o garoto, os dois já estavam dentro da sala de aula, cercados por alguns alunos que ela nem fazia ideia de quem eram.
- HARRIS! – ela praticamente gritou e algumas cabeças se viraram para encará-los – Você andou bebendo? Se drogando? Bateu a cabeça forte de mais essa manhã?
- Não, por quê?
- Porque essas três alternativas justificariam perfeitamente o motivo de você insinuar que algum dia eu possa gostar de você! – Demi praticamente cuspiu as palavras – Guarde minhas palavras, Harris, eu nunca, jamais, nem que você seja o último bruxo da face da Terra, eu vou mudar o que sinto por você, estamos entendidos?
- Sabe, sempre disseram que o ódio e o amor são sentimentos que andam de mãos dadas – Anthony deu de ombros – Você ainda vai perceber que gosta de mim, Demi, e isso vai acontecer antes de terminarmos o sexto ano! Você ainda vai comigo à Hogsmeade... É só questão de tempo ok?!
Demi estreitou os olhos e apontou o dedo indicador bem no meio do rosto de Anthony, coisa que fez com que ele sorrisse novamente.
- Você é um idiota, – Demi disse – e eu – ela apontou para si mesma – não saio com garotos assim. Não perca seu tempo alimentando falsas esperanças, porque não terei pena de partir seu pobre coração e transformá-lo em retalhos, ok?!
- Acho que quem está com medo de ter o coração partido não sou eu, mas enfim, eu sou paciente, Demi.
- Onde você está querendo chegar com isso tudo, Harris? Você não tem amor à vida não?
- Tenho, é claro! O que eu não tenho é medo de você, então não pense que pode me assustar com essa máscara de garota sonserina, porque não vai conseguir, está bem?!
Demi bufou de raiva e caminhou em direção a uma das mesas que estavam vazias, ignorando os olhares que caíam sobre ela.
- Só para constar, eu te odeio, Harris! – ela disse, jogando seu material sobre a mesa e se sentando.
- Que bom! – Anthony se sentou bem atrás dela – Se fosse o contrário, talvez, eu não fosse gostar tanto de você.
***
Enquanto Demi e Anthony estavam tendo alguns problemas para interagirem, Dan e Felicity pareciam amigos de infância enquanto trabalhavam juntos na estufa.
Os dois se davam tão bem que não pareciam que tinham se conhecido há pouco mais de um mês. Na verdade, quem visse Dan e Felicity juntos diria que eles eram amigos desde sempre.
- E então, qual é a do seu grande amor, o Luke? – Dan perguntou enquanto tentava abrir a vagem que eles haviam retirado de um arapucoso – Vi a forma como ele te olhou hoje no café da manhã... Parecia claramente magoado.
- Que bom! – Felicity deu de ombros – Eu simplesmente cansei de ficar correndo atrás de alguém que não vai mudar. Eu só vou me machucar ainda mais...
- Achei que quisesse fazer com ele se apaixonasse por você. – Dan disse, ainda concentrado em abrir a vagem.
- E eu quero... A única coisa que eu não quero é ter que mudar para que ele sinta algo por mim. É ridículo fazer de tudo por uma pessoa que pouco se importa, e eu realmente não quero deixar de ser quem sou para agradá-lo.
Quando finalmente Dan conseguiu romper a casca da vagem e liberar os pequenos vermes que havia nela, ele ergueu o olhar para encarar Felicity.
- Isso é ótimo, Fee! – Dan disse, retirando os óculos de proteção e colocando sobre a mesa da estufa – E definitivamente vai fazer com que ele venha atrás de você.
- Como pode ter tanta certeza?
- Porque se fosse comigo, eu iria! – Dan deu de ombros – É questão de orgulho, sabe? O Luke não vai permitir que você termine com ele. O papel dele é jogar fora e não ser jogado fora, entende a diferença?
Felicity franziu o cenho, enquanto sua mente trabalhava para captar a mensagem de Dan. Se ela estava certa, o fato de ter dispensado Luke iria fazê-lo correr atrás dela.
- Quer dizer que dando um pé na bunda Luke, fiz com que ele quisesse me provar que eu estava errada ao julgar os sentimentos dele?
- Não exatamente, porque como eu disse, não é questão de sentimento e sim de orgulho. Ele não deve ter gostado nadinha de ter sido dispensado então vai começar a te cercar para que aceite suas desculpas, volte com ele, para aí sim ele terminar com você.
- Vocês homens funcionam de uma forma tão estranha! – Felicity disse, balançando a cabeça negativamente – Qual é o problema em se apaixonar e ser feliz?
- O problema é que a outra pessoa pode não entregar o coração da mesma forma que você entregou. – Dan deu de ombros e se virou para encarar Neville, que já havia começado a passar um novo trabalho em sala.
***
Enquanto em Hogwarts alguns alunos estavam preocupados com os problemas do coração, no mundo onde as pessoas tinham que estudar, trabalhar e não enlouquecer, Rose e Sophie tentavam de todas as formas fazer com que o plano de juntar as duas pessoas mais insuportáveis da face da Terra desse certo.
As meninas já haviam tido duas aulas naquela manhã, e finalmente havia chegado à hora de aturar o professor Johanson em classe.
Sem muita vontade de ouvir as ironias e piadas de mau gosto do professor, os alunos caminharam para estufa, para terem a última aula do dia.
Rose e Sophie cochichavam o tempo inteiro sobre o presente que Johanson havia pedido que elas entregassem a Lafferty e chegaram à conclusão que seria melhor informá-lo sobre o cartão e sobre como decidiram fazer essa entrega.
Assim que entraram na sala, tomaram seus lugares e esperaram o professor mais odiado daquele Instituto aparecer e começar mais uma aula.
Algumas pessoas dizem que coisas como “galinha criar dente”, “elefante voar” e o “Johanson sorrir” são impossíveis de acontecer ou de se ver, mas definitivamente elas estão enganadas.
Depois de uma espera de quase cinco minutos, o professor Johanson entrou na sala e chocou a todos pelo simples fato de dizer “Bom dia!” para a turma. Na verdade, alguns alunos deixaram cair até seus materiais quando perceberam que esse cumprimento veio acompanhado de um sorriso, e pior, um sorriso sincero, coisa que provavelmente assustaria até mesmo Voldemort.
- Sabe, eu acho que a tia Astoria estava certa quando disse que o amor realmente muda tudo. – Sophie cochichou pra Rose, que apenas balançou a cabeça em concordância. A ruiva ainda estava muito chocada com aquele sorriso para responder alguma coisa.
Diferente das outras vezes, Johanson aplicou uma metodologia mais dinâmica durante sua aula e distribuiu alguns elogios para os alunos conforme respondiam suas perguntas.
No final da aula, o professor não passou nenhuma pesquisa complicada e desejou que os alunos tivessem uma ótima tarde, coisa que assustou a todos.
- Certo, acho que esse é o momento que você vai até o professor e conta a respeito do presente – Rose cochichou para Sophie, enquanto guardava seu material.
Sophie balançou a cabeça em um sinal positivo e foi até a mesa do professor, que reunia alguns papéis que estavam espalhados.
- Er... Professor? – Sophie o chamou.
- Olá, Horowitz! Em que posso ajudá-la? – Johanson ergueu a cabeça para encarar Sophie, e a menina se assustou novamente ao vê-lo sorrir. Ele precisava mesmo parar de fazer isso ou mataria alguém de susto.
- Na verdade, eu gostaria de dizer que Rose e eu já entregamos o presente para a Lafferty. – Sophie disse, tentando esboçar um sorriso.
- Oh, e o que ela achou? – por mais difícil que seja de acreditar, os olhos do homem brilharam com a expectativa.
- Er... Bom... É que nós não entregamos diretamente a ela. Achamos que seria mais romântico se ela pensasse que o senhor conseguiu o endereço dela e mandou o presente, acompanhado por um cartão, então nós demos um jeito de colocar o presente na caixa de correio dela essa manhã, junto com um cartão muito bem escrito.
Johanson sorriu abertamente para menina, e de repente ele parecia dez anos mais jovem.
- Bom, eu acho que ela vai gostar. É uma bela jóia, feita com pedras da lua se quer saber. – Johanson disse cheio de orgulho – Você acha que ela gostaria de receber uma jóia assim?
- É claro! – Sophie respondeu com sinceridade – Todas as mulheres gostam disso!
- Que bom! – ele disse – Penso em convidá-la para jantar essa noite, o que acha?
- Acho que seria uma ótima ideia!
- Pois bem, eu vou fazer isso! – ele garantiu.
Rose, que havia ficado para trás, agora passava pelos dois, tentando ignorar o olhar que Johanson lhe lançou.
- Vejo você lá fora, Sophie! – ela disse, mas antes de passar pela porta da estufa, ouviu a voz do professor chamar seu nome e foi obrigada a se virar.
- Weasley, você tem um minuto? Preciso mesmo falar com você sobre seu trabalho.
- Ainda tenho um mês para terminar a pesquisa, Sr. Johanson, então gostaria que não viesse com mais uma de suas ameaças, porque não estou com vontade e muito menos paciência para ouvir as grosserias que o senhor costuma dizer para mim. – Rose disse sem se importar que pudesse piorar sua situação com o professor.
Johanson piscou algumas vezes, um pouco confuso com aquela reação agressiva de Rose, e então suspirou pesadamente.
- É... Acho que mereço mesmo esse tratamento. – Johanson disse – Na verdade eu não esperaria nada diferente, afinal de contas, eu que procurei por isso. Mas Weasley, permita-me pedir desculpas por todas as grosserias. Na verdade meu comportamento foi lamentável e você tem todo o direito de ficar chateada... Agora, sobre o seu trabalho, eu gostaria mesmo que me perdoasse! Se quiser, pode parar com as pesquisas, pois foi um absurdo testá-la dessa forma. Eu sei que não há antídoto para a Devil’s Poison e obrigá-la a fazer um trabalho desse foi crueldade minha. Não será prejudicada por esse trabalho, fique tranquila.
Agora foi a vez de Rose piscar algumas vezes, completamente confusa e chocada com a atitude de seu professor. Nunca, durante os quatro anos que estivera na EPEM, presenciou Johanson pedindo desculpas a alguém.
- Obrigada, professor! – Rose conseguiu dizer finalmente.
- De nada! – Johanson sorriu – Bom, bom, bom, agora eu preciso ir e creio que vocês também! Ótima tarde para as duas!
Johanson saiu da estufa, deixando Rose e Sophie completamente pasmas para trás. As meninas se encararam e não conseguiram evitar uma risada ao se darem conta de suas expressões de choque.
- Certo, você ouviu o que ele disse? – Rose perguntou.
- Sim, você já pode parar de pesquisar. – Sophie respondeu – Mas algo me diz que não fará isso.
Rose riu.
- É claro que não! Vai que o romance com a mulher dragão não dá certo? Preciso estar garantida para o caso de nosso plano falhar no meio do caminho. – Rose explicou – Por falar em caminho, é melhor tomarmos o nosso antes que nos atrasemos para o trabalho. A Lafferty pode estar amando, mas não acho que ela vá perdoar um atraso por causa disso!
***
Já passava um pouco da hora do almoço quando Alvo chegou em casa. Apesar de ser pouco mais de meio dia, o céu estava escuro e chovia muito.
Assim que conseguiu abrir a porta de sua casa, ele entrou e parou no hall para se secar. Sabia perfeitamente que se andasse pelo local molhando todo o chão, Alice ficaria uma fera, e ele não gostava de vê-la irritada.
- Alice? – Alvo a chamou, assim que guardou sua varinha e estava completamente seco – Meu amor, onde você está?
- No quarto! – Alice respondeu e sua voz estava séria.
Um pouco alarmado pelo tom de voz da namorada, Alvo caminhou até o quarto e parou a porta, quando viu a menina sentada sobre sua cama, com uma caixa cheia de lembranças de seus tempos de escola... Lembranças dadas por outras garotas, é claro.
- Você pode, por favor, me dizer o motivo de guardar presentes da Samantha Jennings, da Jude McGuire, entre outras meninas, Alvo Potter? – Alice perguntou séria – Ah, e claro, não posso me esquecer desses bilhetinhos que vocês trocavam em sala. Na verdade, para quem não se importava, você era bastante romântico, não?
- Alice, eu posso explicar...
- Quando pretendia me contar que a Jennings era a primeira opção na lista de garotas que você poderia vir a namorar algum dia? – Alice jogou sobre ele um pergaminho onde estava essa conversa – Ah, e claro, quando você pretendia me dizer que já esteve sim apaixonado por ela? E quando você pretendia me contar que foi com ela a sua primeira vez, hein?
- Alice, você precisa se acalmar! – Alvo deu alguns passos em direção a menina – Eu nunca senti nada pela Jennings, pelo amor de Merlin, o que você está vendo aí são coisas da escola. Coisas que não têm nenhuma importância para mim. Na verdade, a mamãe deve ter mandado tudo para cá, a fim de que eu jogasse fora.
- No entanto, você não jogou, não é? – Alice se colocou de pé, completamente furiosa – O que me faz pensar que isso ainda tem algum significado para você!
- Você está sendo absurda! – Alvo acusou – Como pode pensar que as coisas que estão nessa maldita caixa são mais importantes que nossa história? Você enlouqueceu foi?
Sem conseguir se controlar, Alice começou a chorar, jogando a caixa no chão.
Assustado com a reação da menina, Alvo se aproximou e a puxou para um abraço.
- Alice, meu amor, o que está havendo com você? – Alvo perguntou preocupado, enquanto a menina se desmanchava em lágrimas em seus braços.
- Por que você tinha que ser tão cafajeste? – ela perguntou em meio a um soluço.
- Porque eu ainda não tinha você em minha vida... Não da forma que eu tenho hoje, pelo menos.
Alice se afastou do abraço de Alvo e ergueu a cabeça para encará-lo. Seus olhos estavam manchados pelas lágrimas e sua expressão era de alguém totalmente indignada.
- Quer dizer que a culpa é minha? – Alice perguntou revoltada – Desculpa se não fui mais rápida que elas.
- Meu Deus, Alice, você está na TPM? – Alvo perguntou.
- Eu não estou na TPM, está bem?! – Alice praticamente gritou, caminhando em direção ao banheiro – E só para constar, você é um idiota! – ela disse e em seguida bateu a porta com força.
“Meu Merlin, o que foi que eu fiz?” Alvo pensou, enquanto recolhia todas as coisas que estavam na caixa para jogar fora.
Depois de ter certeza que não havia mais nada de nenhuma ex dele espalhado pela casa, ele voltou ao quarto e bateu na porta do banheiro.
- Ôô esquentadinha, eu já joguei tudo fora. Pode sair daí agora!
- Eu não quero sair daqui e muito menos falar com você! – Alice gritou do outro lado. Ela estava sentada ao lado da porta do banheiro, enxugando as lágrimas com a toalha de rosto.
- Alice Marie Huntington, o que está acontecendo aqui? – Alvo estava perdendo a paciência – Eu chego em casa, você grita comigo, faz uma bagunça tremenda no quarto, começa a chorar do nada e se tranca no banheiro. Se isso não é TPM, é o que?
Alice não respondeu de imediato. Ficou calada, tentando controlar as insistentes lágrimas que escorriam por seu rosto sem parar.
“Céus, eu pareço uma mangueira gigante!” ela pensou, enquanto tentava lavar o rosto.
- Alice, se você não abrir essa porta eu juro que vou entrar aí a força, então...
Naquele instante, Alice abriu a porta e encarou o namorado. Como não havia conseguido conter o choro, ela simplesmente desistiu e permitiu que as lágrimas escorressem livremente.
- Alice, o que...?
- Eu estou grávida, Alvo! – ela disse e novas lágrimas transbordaram em seus olhos – Me... Me desc... Me desculpe, eu sei que você não queria, não... Não quer... Eu só...
Alvo não permitiu que Alice dissesse mais nada. Ele simplesmente a puxou para seus braços novamente e a abraçou forte, como se sua vida dependesse daquele contato.
Pouco a pouco, a frase dita por Alice foi entrando em sua mente, e uma alegria completamente diferente começou a preencher o peito de Alvo. E antes mesmo que ele pudesse perceber, estava rindo. Na verdade, Alvo gargalhava de tanta felicidade.
- Meu Merlin, eu vou ser pai! – Alvo disse, afastando Alice de seu abraço para poder encará-la – Eu vou ser pai, você tem noção do que é isso?
- Acho que sim, afinal de contas, eu serei a mãe! – Alice disse, sem conseguir conter um sorriso – Você não... Você não está bravo comigo?
Alvo segurou o rosto de Alice entre as mãos e a beijou carinhosamente.
- Bravo? Meu amor, eu nunca ficaria bravo com você por me dizer uma coisa dessas! Na verdade, você não tem ideia do quanto eu estou feliz! – Alvo disse, e o brilho de seus olhos poderia confirmar a verdade de suas palavras – Era por isso que você estava chorando, não era?
Alice corou, um pouco envergonhada por seu comportamento infantil.
- Sim... Eu não sabia como você ia reagir a isso, porque você sempre está viajando e treinando com os aurores, e eu sinceramente achei que você não ia gostar muito dessa notícia, já que ama seu trabalho, e...
- Eu te amo, Alice! – Alvo disse, encarando a menina profundamente – Eu te amo acima de qualquer coisa. Você e agora nosso... Nosso filho, ou filha, é importante ressaltar que eu não tenho preferências ok?! – ele sorriu ao ver Alice esboçar um sorriso – Você e esse lindo bebê que está a caminho são a minha vida. E sinceramente não há nada no mundo que eu ame mais do que vocês dois.
Alvo se ajoelhou e encostou o rosto na barriga de Alice, que fechou os olhos e acariciou os cabelos do namorado.
- Ei, bebê, o papai ama você ok?! – ele disse e ao receber um tapa de Alice, corrigiu a frase – O papai e a mamãe amam você, ok?! Você vai nascer e seremos a família mais feliz do mundo. Quero dizer, seremos se a sua mãe aceitar se casar comigo. – agora Alvo já não olhava mais para a barriga de Alice e sim para seu rosto, que transparecia todo o choque e emoção diante daquele pedido. – E então, Ali, você quer casar comigo?
- Alvo, você não precisa me pedir em casamento só porque eu estou grávida. – Alice disse.
Alvo riu e se colocou de pé, caminhando em direção ao closet, para buscar algo dentro de uma de suas gavetas. Quando voltou, estava com uma caixinha de veludo preta entre as mãos.
- Eu sei que não preciso fazer isso porque você está grávida, sua chorona. – Alvo brincou – Eu iria te pedir em casamento esse final de semana, quando fosse levá-la para jantar... Mas, por algum motivo, hoje esse pedido pareceu mais apropriado. – ele se ajoelhou novamente em frente à namorada e abriu a caixa, revelando um lindo anel de diamante – Alice Marie Huntington, eu prometo estar com você em todos os momentos e te amar para sempre, você quer se casar comigo?
- Você jogou todas as coisas das suas ex fora? – ela perguntou.
- Sim... Exceto a calcinha que a Jennings me deu uma vez, e...
- ALVO!
- É brincadeira, é brincadeira! – Alvo disse rapidamente.
- Nada de presentes de suas ex galinhas, safadas e sem nenhum conteúdo?
- Nada de presentes delas por aqui! Como eu disse, a mamãe deve ter mandado para cá a fim de que mesmo jogasse fora. Ela nunca foi de mexer nas minhas coisas, mas eu não paro em casa, você sabe, então acabei me esquecendo, e... Ah, Alice, vamos logo, aceite meu pedido antes que eu enlouqueça!
Alice riu e estendeu a mão para que Alvo colocasse o anel em seu dedo.
- Eu seria maluca se não aceitasse casar com você, Al!
Alvo sorriu e se colocou de pé, para abraçar Alice mais uma vez.
- Eu te amo, Alice! – ele disse, beijando o alto da cabeça de Alice.
- E eu te amo, Al! – Alice disse se aconchegando melhor nos braços do, agora, noivo.
Os dois se afastaram e se encararam por alguns segundos, e depois, com um grande sorriso, disseram:
- Nós também te amamos, bebê!
***
Depois do almoço, Luiza seguiu com uma amiga para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, enquanto Louis correu para o dormitório a fim de buscar o livro que havia esquecido.
As duas jovens caminhavam e conversavam descontraídas pelos corredores de Hogwarts, aproveitando para colocar todas as fofocas das férias em dia.
- Eu sempre soube que mais cedo ou mais tarde você ficaria com o Nathan! – Emily comentou – Vocês ficam muito fofos juntos.
- Você acha? Sei lá, ele é legal, mas não sei se daria certo... – Luiza disse pensativa – Em todo caso, pelo menos ele foi bem fofo comigo.
- Pelo menos isso – Emily deu uma risadinha – Eu estava olhando o quadro de avisos, nosso primeiro passeio em Hogsmeade será daqui a duas semanas, e...
- Já? – Luiza perguntou em espanto – Que rápido!
- Pois é, mas eu até gostei! – Emily deu de ombros – Enfim, como eu ia dizendo, nós podíamos combinar de ir juntos a Hogsmeade. Quero dizer, você, o Nathan, o Louis e eu.
- Nós quatro? Sinceramente, Emm, não acho que o Louis vai querer ir. Digamos que o Louis não é um dos maiores fãs do Nathan, sabe-se lá Merlin o motivo, então duvido que ele vá.
Emily riu e revirou os olhos, virando o rosto para encarar a amiga.
- Você é tão bobinha! Se você pedir é claro que o Louis vai. – Emily disse.
- E como você pode ter tanta certeza assim?
Emily deu de ombros.
- Porque eu duvido que o Louis seja capaz de negar algo que você peça, e nem adianta estreitar os olhos para mim, porque é verdade! Ele faz tudo, absolutamente tudo o que você quer.
Luiza chegou a abrir a boca para responder a amiga, mas não encontrou palavras para rebater aquela acusação, pois a menina estava certa. Louis nunca negava nada para ela, mas esse fato nunca tinha sido percebido antes, porque já estava acostumada a ser mimada por seu melhor amigo, então aquilo era algo comum.
Agora, parando para refletir sobre a verdade da acusação de Emily, a menina se sentiu estranha e um pouco confusa sobre tudo. Era normal gostar a ideia de ter Louis fazendo tudo o que desejasse? Ou aquela sensação estranha de aperto no peito e um frio no estômago era algo ruim?
Luiza não tinha resposta para suas perguntas ou alguma teoria que pudesse derrubar a afirmação de sua amiga, mas a veracidade daquelas palavras havia a atingido em cheio e, por algum motivo, ela gostou.
***
Passava um pouco das seis da tarde quando Rose e Sophie terminaram seus afazeres e foram liberadas para voltarem para casa. As duas estavam cansadas de correr de um lado para outro, organizando processos e expedindo memorandos em nome de Lafferty, acerca dos julgamentos e reuniões que precisavam ser marcadas.
- Eu estou acabada! – Sophie comentou, desfazendo o coque de seu cabelo, deixando que caísse sobre suas costas – Acho que nunca trabalhei tanto. Detesto final de mês, fato!
Rose riu, enquanto passava os dedos pelos próprios cabelos ruivos, tentando desembaraçá-los.
- Pelo menos a Lafferty estava bem humorada. Não levamos broncas dessa vez! – Rose lembrou – Saímos ilesas, o que me faz lembrar que é o seu dia de fazer o jantar.
Sophie piscou confusa, encarando a amiga.
- O que uma coisa tem a ver com a outra?
- Não tem, mas eu estou faminta e não estou com vontade de ir para cozinha, então sobrou para você! – Rose sorriu em direção a Sophie, que estreitou os olhos.
- Ou então, vocês duas podem vir conosco para um ótimo jantar de comemoração.
Rose e Sophie saltaram de susto e se viraram, dando de cara com Scorpius e Vincent parados a poucos passos de onde elas estavam.
- Vincent, você quer me matar de susto? – Rose perguntou.
- É claro que não, Rosecreide, pois se eu te matasse o seu adorado noivo iria me fazer buscá-la pessoalmente ou espiritualmente, considerando que você estaria morta, enfim, você entendeu o que eu quis dizer, não foi? – Vincent perguntou, enquanto passava o braço por cima do ombro de Sophie.
- Na verdade não, mas tudo bem, eu supero! – Rose revirou os olhos e se virou para encarar Scorpius, que já estava sorrindo para ela.
Por um segundo ela permitiu-se ficar perdida naquele sorriso perfeito, até que finalmente decidiu que beijá-lo era mais interessante do que ficar apenas observando.
- O que vocês dois vieram fazer aqui, afinal? – Sophie perguntou.
- Scorpius e eu não tínhamos treino... No caso ele não tinha treino, eu ainda estou meio impossibilitado de trabalhar, enfim, o ponto é que nós estávamos em casa, melancólicos com o fato de ter que ficar olhando um para a cara do outro, e então decidimos parar de admirar a nossa própria beleza, e vir até aqui para admirar a beleza de vocês. Mas sinceramente espero que ele não te admire muito, porque sou um pouquinho ciumento.
Sophie riu e se colocou na ponta dos pés para beijar Vincent mais uma vez. Sentia tanta falta dele, que parecia que não se viam há meses e não dias.
- Você ainda não respondeu se quer ir jantar comigo. – Scorpius disse, erguendo a sobrancelha direita, enquanto encarava Rose.
- E eu preciso responder algo tão óbvio? Estou morrendo de fome, é claro que eu vou jantar com ou sem você. – Rose brincou, dando de ombros.
- Ah, é assim? Você está ficando abusada, mocinha! – Scorpius riu e puxou Rose novamente para seus braços.
- É a convivência com um certo Malfoy! – Rose disse antes e beijar Scorpius rapidamente – Tem um restaurante aqui perto. É trouxa, mas servem uma ótima comida, e acho que vocês iriam gostar.
- Por mim tudo bem! – Scorpius disse – O que você acha, Vincent?
- Se a Rosecreide diz que é bom, por mim tudo bem. Só vou precisar me lembrar de não ameaçar o garçom com uma azaração, mas posso me virar com o resto.
***
Os dois casais já estavam fazendo seus pedidos, quando Sophie cutucou Rose e apontou uma mesa não muito do local em que estavam, onde estavam sentados Jana e Joseph, mais conhecidos como Lafferty e Johanson.
As meninas piscaram, e por um segundo Rose desejou ter em mãos a capa de invisibilidade de seu tio Harry, para poder ouvir o que os dois conversavam tão animadamente. Lafferty e Johanson eram tão mal humorados, tão irritantes, que vê-los sorrirem era praticamente um milagre, e sinceramente assustava aqueles que não estavam acostumados.
Sem perceber que estavam sendo vigiados, Lafferty e Johanson permitiam-se ficar de mãos dadas, sorrirem e até mesmo acariciarem o rosto um do outro, em sinal de afeto.
Rose e Sophie estavam completamente chocadas. O plano de Astoria, sem dúvida, havia funcionado e ver as pessoas mais temidas do trabalho e do instituto juntos, agindo como seres humanos normais, era algo praticamente impossível de acreditar.
- Certo, vocês duas precisam fechar a boca antes que entre uma mosca aí. – Vincent disse – Imagina se por acaso os coroas cismam de virar o rosto e dão de cara com vocês com essa expressão de choque? Vai ser constrangedor e eles ainda podem querer descontar a vergonha de uma forma bem cruel.
As meninas balançaram a cabeça e lançando um último olhar para a mesa de seu professor e sua chefa, voltaram a encarar os rapazes a sua frente.
- Bom, acho melhor vocês nos distraírem, uma vez que vai ser praticamente impossível não dar uma espiada para ver aqueles dois. – Rose disse com sinceridade – Conte-nos como foi a reunião com o Draco?
- Foi ótima! – Scorpius disse e então começou a narrar todo aquele dia, desde o momento em que teve que expulsar Vincent da cama, até quando chegaram a Sede de Empreendimentos Malfoy.
As meninas se seguravam para não rirem das situações mais engraçadas, lembrando sempre que estavam em um lugar público e que dar gargalhadas não seria nada educado.
- E agora vocês duas estão olhando para os novos garotos-propaganda das Empresas Malfoy! – Scorpius finalizou.
- O que eu considero nepotismo, uma vez que o seu pai é presidente da empresa e o meu é vice-presidente. – Vincent disse – Mas tudo bem, se for para ter a vassoura mais rápida do mundo, eu tô dentro de qualquer prática ilegal.
- Você sabia que o Nepotismo é um dos principais problemas em serviços públicos trouxas? Quero dizer, acontece que...
- Rosecreide, eu te amo, mas não comece a despejar todo o seu conhecimento CDF, porque minha mente naturalmente devagar não vai conseguir lhe acompanhar.
Todos riram e então engataram um novo assunto, enquanto esperavam seus pratos serem servidos.
Na mesa onde estavam Lafferty e Johanson, o garçom já lhes servia a sobremesa. Dali os dois fariam um programa inteiramente trouxa e iriam ao teatro, assistir um monólogo.
- Sabe de uma coisa? Aquelas meninas armaram direitinho para nós, Joseph! – Lafferty comentou de forma descontraída – Rose e Sophie já podem ser consideradas nossas madrinhas.
Johanson riu.
- Tem razão, Jana! Se não fosse a intervenção daquelas duas, hoje não estaríamos aqui. Muito embora eu tenha quase certeza que elas fizeram isso para deixarmos de ser tão chatos.
- Pois eu tenho certeza absoluta! – Lafferty deu de ombros – Independente de qual tenha sido a intenção daquelas duas, o importante é que hoje estamos aqui e isso vale mais do que qualquer coisa, creio eu.
- Isso vale mais do que tudo, não tenho dúvidas.
- Nem eu, Joseph, nem eu...
***
Dominique estava na biblioteca de seu apartamento, totalmente concentrada na matéria que precisava escrever para o Semanário dos Bruxos, que nem se deu conta do momento em que Dean chegou de seu plantão.
A única coisa que se lembrava de ter ouvido foi um rápido “Boa noite, amor” que ela respondeu meio inconsciente, enquanto sua pena rabiscava o esboço de uma matéria em seu pergaminho. Então, foi com certa surpresa que ela percebeu Dean parado a porta da biblioteca, com os braços cruzados e a sobrancelha erguida, admirando ela trabalhar.
- Nossa, você me assustou! – Dominique disse, abrindo um sorriso em seguida – Há quanto tempo você está aí?
Dean sorriu e caminhou em direção a mesa onde ela trabalhava.
- Tempo suficiente para vê-la rabiscar três vezes o pergaminho, puxar o cabelo, jogar o rascunho fora e iniciar uma nova matéria, mas e daí? Para mim nem é tanto tempo assim! – Dean deu de ombros.
Dominique sorriu mais uma vez e voltou os olhos para seu trabalho.
- Eu preciso terminar isso, ou amanhã ficarei enrolada. – Dominique disse.
- Por falar em amanhã, eu gostaria de informar que vou trazer duas pessoas para almoçar aqui.
- Aham! – Dominique respondeu distraída.
- Seria interessante se você estivesse aqui também.
- Aham!
Dean suspirou e caminhou até ficar atrás da cadeira em que Dominique estava sentada, aproveitando para pousar as mãos sobre seus ombros e massagear devagar.
- Você não está nem um pouquinho interessada em saber quem são os convidados?
- Não amor, você pode trazer quem quiser, eu não me importo. – Dominique disse com um suspiro. A massagem de Dean estava fazendo efeito, pois ela já se sentia relaxada.
- Você não deveria se preocupar tanto com o trabalho. – Dean sussurrou próximo ao ouvido dela – Deveria relaxar um pouco e deixar isso para depois.
Dominique sentiu um arrepio percorrer em seu corpo quando Dean passou os lábios por seu pescoço, provocando-a.
“Resista Dominique, você consegue!” ela pensou, tentando ignorar seus sentidos que começavam a gritar por seu namorado naquele momento.
- Eu não... Posso... – ela tentou dizer, enquanto Dean beijava seu pescoço e descia as mãos por seus braços – Dean... eu preciso trabalhar!
Dean riu e ignorando os protestos da namorada, girou a cadeira em que ela estava sentada, colocando-a de frente para ele.
- Você já trabalhou demais. – ele disse – Hora de descansar!
- O que você está pretendendo fazer comigo não se pode chamar bem de descanso! – ela ergueu a sobrancelha.
Dean abriu aquele sorriso que sabia que era capaz de hipnotizá-la.
- Há várias formas de descanso, Nick. – Dean disse com um sorriso maroto nos lábios – Você deveria ouvir seu médico particular e deixar de lado tudo isso. – ele aproximou o rosto do dela e mordeu seu lábio inferior, dando um selinho em seguida.
- Ai, ai... Quem diria que meu médico particular é tão safado? – Dominique brincou, e então colocou a mão na nuca de Dean e o puxou para si, beijando-o em seguida.
Sem saber exatamente como, no meio daquele beijo, Dominique foi parar sentada na mesa em que estava trabalhando, derrubando todo o seu material no chão.
Dean, que estava entre suas pernas, deslizava as mãos por suas coxas expostas, enquanto a beijava intensamente. Sua camisa já havia ido parar no chão, junto com a blusa de Dominique, e todos os pergaminhos e rascunhos da jovem, mas e daí? A bagunça eles arrumavam depois, agora só queriam aproveitar.
Com um movimento rápido, Dean retirou Dominique da mesa e a carregou para o quarto, jogando-se na cama com ela em seguida, sem parar de beijá-la um segundo.
Uma coisa engraçada sobre Dean e Dominique é que quando começaram a sair, o relacionamento dos dois era mais físico do que emocional. É claro que ele gostava dela, e vice-versa, mas não podiam dizer que faziam o tipo de casal que conversava para se entender.
Foi só quando decidiram morar juntos que as coisas se tornaram mais equilibradas. Eles passaram a conversar mais e a agir mais como um casal comum, embora ainda se entendessem mais fisicamente.
No início, pode-se dizer, que Dominique usava Dean para espantar o único fantasma que costumava assombrar seus sonhos. Ela estava cansada de fechar os olhos e ver um par de olhos esverdeados e cabelos castanhos... Estava cansada de ver o mesmo sorriso irônico e ouvir a mesma risada debochada... Estava cansada de ser perseguida por alguém que ela foi obrigada a se afastar.
Sua tática, para sua surpresa e alívio, funcionou muito bem. Agora a mente de Dominique não estava mais ocupada por um fantasma do passado. Os olhos esverdeados foram substituídos por azuis intensos... Os cabelos castanhos deram lugar a cabelos pretos... O sorriso irônico tornara-se maroto... E finalmente a imagem de Michael foi substituída pela de Dean.
- Acho que você tem razão... Eu não pretendo mesmo fazer você descansar! – Dean brincou, encarando Dominique com um olhar divertido.
- Por mim tudo bem... A última coisa que eu quero agora é descansar!
***
Na manhã seguinte, Luiza foi uma das primeiras a deixar o dormitório e descer para o Salão Comunal, que estava praticamente vazio, apenas com a presença de um ou outro companheiro de Casa.
Com um suspiro, ela avistou Nathan, sentado na poltrona em frente à lareira, com os cabelos castanhos molhados e bagunçados, e a gravata do seu uniforme um pouco frouxa. Estava claro que ele tinha acabado de levantar, a julgar pela sua expressão nada animada.
Luiza caminhou até o menino e o encarou com um sorriso no rosto.
- Bom dia, Nate! – ela o cumprimentou – Como você está?
- Bom dia, Lu! – Nathan sorriu – Eu estou bem, e você?
- Ótima! – ela sorriu e se sentou na poltrona em frente à dele – Você soube que o nosso primeiro passeio em Hogsmeade será daqui a duas semanas?
- Eu soube, a Emily comentou comigo. Na verdade ela saltitou e me fez ler o quadro de avisos, mas tudo bem, vamos ignorar isso! – Nathan disse – E então, quer ir comigo?
- Ir com você aonde?
- A Lua. Depois nós podemos dar uma passada em Marte e conferir se os marcianos são mesmo verdes. – Nathan revirou os olhos – Quero saber se você quer ir comigo a Hogsmeade, sua destraída.
- Ahhh... Claro, por que não? – Luiza sorriu – Agora eu só preciso convencer o Louis a vir conosco.
Nathan franziu o cenho, um pouco confuso, afinal não conseguia entender como Louis havia ido parar no meio daquela conversa.
- Por que ele tem que vir conosco?
- Porque o Louis é meu melhor amigo, e também porque a Emily me fez prometer que o convidaria também. – Luiza explicou – Acho que ela gosta dele, sei lá.
- E você?
- Eu o que? Nate, você tá me confundindo, fato.
- Você gosta dele?
Luiza sentiu o choque atravessar seu rosto, fazendo-a arregalar os olhos em surpresa.
Não estava em seus planos ser interrogada àquela hora da manhã a respeito de seus sentimentos, ainda mais quando eram relacionados ao seu melhor amigo.
- É claro que não! – Luiza disse com a voz um pouco aguda – Quero dizer, ele é meu melhor amigo, é óbvio que eu o amo, mas não do jeito que vocês imaginam!
- Calma, não precisa ficar nervosa! – Nathan disse – Que tal esquecermos isso e irmos tomar café?
- Bom... É que eu sempre espero o Louis, e...
- Ah, por favor, Luiza! – Nathan se colocou de pé e estendeu a mão para ajudar a menina se levantar – O Louis vai entender... – ele acariciou o rosto da menina com a ponta dos dedos – Ele não vai se irritar se você descer para tomar café da manhã comigo.
- É claro que eu não vou me irritar, afinal de contas, eu já cheguei! – Louis, que estava parado no pé da escada, apenas observando a cena, não se aguentou e interrompeu aquele momento quase romântico que se formava. Ele não iria deixar aquele menino agarrar sua melhor amiga na sua frente. Seu estômago não aguentaria isso àquela hora da manhã – Desculpem, interrompi algo?
- Sim! – Nathan disse.
- Não! – Luiza disse no mesmo instante que o rapaz.
- Sim ou não? Fiquei confuso! – Louis ergueu a sobrancelha.
- Na verdade você não interrompeu nada, Louis! – Luiza disse e caminhou para o lado do melhor amigo – Só estávamos indo tomar café.
- E você não ia me esperar?
- Ia... Quero dizer, eu ia esperar você no salão principal, e...
- Ótimo! – Louis, sem saber o motivo, se irritou – Faz o seguinte, desce com ele pro Salão Principal e toma seu café ok?!
- Credo Louis, por que você tá brigando comigo? O que eu fiz hein?
Nathan, que já estava irritado com toda aquela confusão, passou pelos dois e sem olhar pra trás, disse:
- Quer saber? Eu vou sozinho tomar o café! Vocês que se resolvam, eu não tenho que ficar aguentando isso logo cedo!
Luiza, totalmente chocada, viu Nathan se afastar em direção a saída do Salão Comunal.
- Tá vendo o que você fez? – Luiza se virou para Louis, completamente irritada.
- O que eu fiz? Por favor, Luiza, ele saiu porque quis!
- Errado! Ele saiu porque você é um maluco, que cisma de brigar comigo do nada! – Luiza disse irritada – Parabéns Louis, você sempre consegue estragar tudo!
Sem dizer mais nada, Luiza saiu do salão, deixando o melhor amigo para trás.
- Aff, o que foi que eu fiz? – Louis perguntou para si mesmo e se jogou na poltrona, completamente frustrado.
Aquele dia não seria dos melhores, não mesmo.
***
Já passava um pouco do meio dia quando Dominique chegou ao seu prédio, acompanhada por seu sobrinho John. Os dois cumprimentaram o porteiro e foram em direção ao elevador, onde ela apertou o botão que indicava o último andar.
- Tia? – John chamou cautelosamente.
- Sim? – Dominique olhou carinhosamente para o sobrinho.
- É você quem vai fazer o almoço de hoje? – ele perguntou ainda com mais cautela.
Dominique não conseguiu evitar uma gargalhada diante a pergunta do sobrinho, enquanto John apenas ficou a encarando, esperando uma resposta.
- Não John, embora meus dotes culinários sejam realmente admiráveis, eu não vou cozinhar hoje ok?! Se o seu tio não tiver feito o almoço, eu vou ligar para o restaurante e pedir que entreguem.
- Podemos pedir pizza?
- Claro, e depois você pode pedir a sua mãe que não arranque a minha cabeça loira fora. – Dominique brincou, enquanto procurava a chave da porta.
- Ela também é loira.
- Sim... E eu me pergunto como ela conseguiu ter um filho tão esperto! – Dominique sorriu para o sobrinho e finalmente abriu a porta do apartamento, passando por ela logo depois de John. – Bom, acho que você agora tem que...
- Vir dar um abraço no seu tio favorito, antes que ele fique zangado e deixe sua tia cozinhar. – Dean disse, abrindo os braços, sentado no sofá.
John não pensou duas vezes e correu para Dean, se jogando em seus braços.
Ainda de costas, Dominique riu, enquanto fechava a porta.
- Escute aqui, eu cozinho muito bem ok?! Eu realmente não sei o porq... – ela parou no meio da frase assim que se virou para encarar o namorado e percebeu que Dean não era o único que estava na sala naquele momento.
Sentados no sofá de dois lugares estavam Michael e Annalice, ambos a encarando com um sorriso no rosto (o de Mike totalmente forçado), esperando que ela dissesse alguma coisa.
- Ah, vocês estão aqui... – Dominique constatou o óbvio – Boa tarde?! – seu cumprimento soou mais como uma pergunta.
- Você lembra que eu avisei ontem a noite que traria duas pessoas para almoçar conosco, Nick? – Dean perguntou relaxado.
Dominique puxou fundo por sua memória, tentando se lembrar de quando ele havia dito, mas a única coisa que conseguia se recordar da noite anterior era dela tentando trabalhar e Dean a provocando, até que ela não resistiu e...
- É claro que eu lembro! – Dominique mentiu descaradamente e sorriu radiante para os dois inesperados convidados – Eu só fiquei surpresa por ter chegado depois de vocês. Que tipo de anfitriã eu sou? – ela brincou e caminhou até Annalice e Michael para cumprimentá-los.
Com um grande sorriso sincero, Annalice deu dois beijos no rosto de Dominique, enquanto Michael se limitou apenas a lhe dar um aperto de mão.
- Tio Dean, você não vai mesmo deixar a tia Nick cozinhar, não é? – John quebrou o clima tenso.
- Sabe, eu realmente me sinto rejeitada quando vocês falam assim da minha comida. – Dominique disse em uma falsa indignação – Eu sei cozinhar muito bem.
- Tia Nick, nem o Chester come sua comida.
- E daí?
- E daí que ele é um mini-pufe e o tio Jorge disse que mini-pufes comem tudo!
- É... Eu acho que preciso mudar mesmo de carreira. – Dominique observou – Agora largue seu tio e vamos logo para o banheiro, porque o pequeno senhor sabe-tudo precisa de um bom banho antes do almoço.
Tentando parecer o mais natural possível, Dominique retirou John do colo de Dean e o carregou para longe dali.
Por um minuto, enquanto observava aquela cena, Michael imaginou como seria estar no lugar do Dean e ter a atenção daquela Dominique divertida e feliz só para ele.
- Ela sabia mesmo que nós viríamos? – Ann perguntou preocupada.
- Não exatamente. Eu contei a Nick enquanto ela me mandava calar a boca e deixá-la trabalhar em paz, mas não citei nomes, então ela provavelmente ficou surpresa. – Dean deu de ombros – Mas não se preocupem, ela realmente não se importa.
- Eu não estava preocupado. – Mike disse, tomando mais um gole de seu Whisky.
- Eu sei que não. – Dean abriu um largo sorriso.
Por um momento, Annalice pensou que estava perdendo algum tipo de piada ou batalha secreta, mas varreu esses pensamentos de sua mente no mesmo instante em que um trovão ecoou por todo apartamento e as gotas de chuva puderam ser ouvidas batendo na janela.
- A Nick não vai gostar nada disso... – Dean comentou casualmente, olhando para janela.
- E por que não? – Ann perguntou.
- Ela odeia chuva! – Dean e Mike responderam juntos.
Ann encarou os dois, levemente confusa, esperando uma resposta que não veio.
- Acho que outro drinque seria ótimo. – Dean se levantou de repente.
- Quer que eu vá buscar o gelo? – Mike também se colocou de pé, tentando fugir de alguma pergunta que sua noiva faria.
- Seria ótimo, obrigado! – Dean respondeu. – A cozinha fica no fim do corredor, à esquerda.
- Volto já! – Mike disse para Ann e desapareceu em direção a cozinha.
Assim que chegou à porta do local, Mike viu Dominique parada em frente à grande parede de vidro da cozinha, observando a chuva com uma expressão nada contente.
Com um sorriso enviesado no rosto, ele caminhou até a menina.
- Eu pagaria pelos seus pensamentos se você me garantisse que são realmente interessantes. – Mike disse e seu sorriso abriu quando viu Dominique saltar de susto.
- Argh, não há nada de interessante! – ela disse aborrecida – O que quer?
- Gelo. – Mike disse.
- E por acaso eu tenho cara de geladeira? – Dominique perguntou, ainda irritada pelo susto.
- Não... Mas consegue ser tão fria quanto uma. – Mike deu de ombros.
- Há-há, muito engraçado. – ela disse em ironia, caminhou até o armário e pegou um balde de gelo, entregando-o para Mike em seguida – Acho que você sabe mexer na geladeira.
Dominique ia se virando para sair, quando sentiu a mão de Mike segurar seu braço, fazendo com que uma corrente elétrica passasse pelo seu corpo com aquele simples toque.
- Carter, eu não acho prudente discutirmos quando sua noiva e o meu namorado estão na sala, então, por favor, não comece. – Dominique disse em um sussurro.
- Eu não quero discutir. – ele garantiu – Queria me desculpar. Meu comportamento da última vez que nos falamos foi um pouco exagerado.
Dominique deu de ombros.
- Você falou o que precisava, não tem o que se desculpar. – ela disse – Na verdade, é bastante compreensível seu comportamento.
Michael encarou Dominique por um breve momento e então suspirou, largando seu braço.
- Talvez, mas considerando que seu namorado vai trabalhar na minha clínica, acho que vamos nos ver de vez em quando, então não gostaria que as coisas ficassem em um clima tenso toda vez que nos esbarrarmos ocasionalmente.
Dominique piscou confusa, e encarou Mike como se ele tivesse dito um absurdo.
- Dean vai trabalhar onde?
- Ele não te contou? – Mike riu – Parece que o diálogo entre vocês é realmente precário. Primeiro não sabia que nós viríamos aqui, agora não sabe nem onde seu namoradinho vai trabalhar... Como vocês fazem para tomar uma decisão importante? Tiram no par ou ímpar?
- Sabe Carter, eu realmente não vou discutir meu relacionamento com você! – Dominique disse, ficando irritada novamente – E, só para você saber, o Dean tentou me contar ontem, mas ficamos distraídos com outras coisas mais... Interessantes – ela frisou bem a última palavra – Sinceramente? Eu fico feliz que ele esteja integrando a equipe que faz parte da sua Clínica, porque é bom que dois amigos fiquem pertos, mas isso não significa que eu serei obrigada a aturar você ou suas piadinhas sobre minha vida, ok?! Agora me dê licença porque preciso tirar meu sobrinho da banheira antes que ele decida alagar o banheiro!
Dominique se virou e saiu da cozinha irritada, enquanto Michael ficou apenas observando a menina se afastar. O sorriso em seu rosto reapareceu ao imaginar quanto desses almoços os dois teriam juntos e em como ele poderia tornar a situação um pouco desconfortável para ela.
- Ai, ai, Pequena Weasley, parece que você sempre liberta em mim o desejo de jogar.
~~
N/A: *PROTEGO*
Hey meninas! Desculpem pelo feitiço protetor, mas é melhor prevenir né?! Ainda mais quando vejo todas vocês com varinhas apontadas para mim. Preciso lembrar que violência não leva a nada? =(
Briiincadeiras a parte, eu vou explicar o motivo da demora, e isso pode ser um pouquinho cansativo, então quem quiser pular essa parte escrita em itálico, sinta-se a vontade ok?!
Bom, eu poderia inventar milhares de histórias, mas sempre fui sincera com todas, então o motivo da demora é simplesmente porque não tive ânimo pra escrever.
Nesse último mês eu tive que fazer as minhas visitinhas ao médico e isso me deixa sempre pra baixo. Antes que fiquem assustadas/preocupadas, o motivo da minha visita de rotina ao médico e a nutricionista, é que eu tenho a Doença Celíaca (traduzindo: alergia ao glúten). Eu descobri isso final do ano passado, depois de ter ficado anêmica, super magra (e põe magra nisso), sentir dores no estômago e na cabeça tão fortes, que muitas vezes eu desejei desmaiar só para que passasse... Parece exagero, mas acreditem, só quem passa por isso consegue imaginar a dor. Enfim, eu tenho a impressão que quase conheci São Pedro HUHAHAUAHHA
Graças a Deus meus problemas foram resolvidos quando os exames confirmaram a alergia e agora eu não posso comer nada, absolutamente NADA que contenha glúten (e sim, isso inclui pão, biscoito, chocolate, alguns sorvetes, ou qualquer outro alimento que tenha entrado em contato com trigo, aveia, cevada ou centeio).
A consequência dessa minha alergia indigna foi que eu fiquei bem fraca. Praticamente sem nenhum nutriente, já que meu organismo não absorvia nada, então passei a tomar vitaminas e blá blá blá... Enfim, agora eu tenho que fazer acompanhamento com a nutricionista (para controlar o peso, que graças a Deus eu recuperei) e com o médico regularmente, que consiste basicamente em fazer vários exames de sangue para saber como anda a anemia e também saber o nível de cálcio, vitaminas, etc., no meu sistema.
Mês passado eu fiz alguns desses exames, e acho que juntou com o fato de ser páscoa e eu não poder comer meu sagrado chocolate, acabei ficando pra baixo e sem vontade de escrever.
Mas agora já passou (essa é a hora que vocês dizem “AMÉM!”) e posso voltar a escrever.
Bom, é essa minha história. Acho que posso até dar um depoimento no final de Viver a Vida HAUHAUAHUAH juro que mando um beijo pra vocês!
Agora vamos ao que realmente interessa!
É provável que no próximo capítulo vcs vão descobrir um pouco mais do passado vago do Michael e da Annalice, afinal, acho que estão curiosas para saber como foi que os dois ficaram NOIVOS.
Teremos Hogwarts novamente, e sinto que o Luke e a Penelope vão entrar em ação...
Louis e Luiza são um caso sério... Tô pra ver duplinha que briga por nada O.O
Demi e Anthony vocês já sabem: amor e ódio, sempre!
Aguardem, porque acho que vocês vão gostar do que vem por aí...
Ahhh, última coisa antes de me despedir: alguém aí tem ideia do motivo que levou a Dominique largar o Michael de vez?
Enfim, é isso aí pessoas!
Comentem e me digam o que acharam desse capítulo ok?!
Mais uma vez, desculpem pelo atraso!!!
AMOOOOOOOOOO VOCÊS DEMAIS *-*
XoXo,
Mily.