REFLEXÕES DE RONY
Rony acordou tarde. Havia sido uma grande noite.
Ele sorriu desavergonhado ao notar que sua roupa de baixo estava presa no abajur do outro lado do quarto.
Bem, grande, grande noite mesmo!
Uma das muitas que vinha tendo ultimamente. Ele suspirou, passando na frente do grande espelho que ela tinha na parede e notando que além de nú, consideravelmente arranhado e mordido em vários lugares impróprios, ele ainda tinha aquele sorriso sem vergonha no rosto.
Graças a Merlim, ele pensou. Graças a Merlim.
A Merlim, não. A ela.
Depois de seu namoro falho com Lilá e aquelas noites estranhas na sala precisa, onde além de perder a virgindade, Rony, aprendera algumas coisas bem interessantes, ele decidira que não faria essas coisas com qualquer uma. Não sem amar.
Bem, se enganara. Não podia negar a si mesmo. Houvera aquela vez, antes de dizer a ela o quanto a amava, que ele se deixara levar por uma bruxa mais velha, cliente dos gêmeos na loja, numa tarde de férias antes do sétimo ano. O mundo estava tenso com a eminência de uma guerra. E ele estava sozinho, estava frio e escuro e ele estava com tesão. E aparecera aquela bruxa com tara em adolescentes ruivos e tímidos.
Bem, mas isso ele contara a ela. E por causa disso passara um bom tempo sem vê-la. Mas no fim de tudo, eles se entenderam.
Há dois anos. Ele sorriu novamente, vestindo a cueca, tipo sunga, que ela lhe dera no Natal, escondido de todo mundo. Era preta, com uma listra no lado, onde dizia: MEU.
Ele rira com essa brincadeira, mas adorara.
Namorar ela tinha sido complicado. Meio do sétimo ano, a guerra estourada, haviam destruído as hercrux antes do ínicio do ano, mesmo assim, Voldemort fraco, porém com muitos seguidores. Fora um final de ano tenso, e namoraram em segredo.
Os pais dela não gastaram nada de saber que a única filha deles estava envolvida com uma guerra, e pior quase enlouqueceram quando suspeitaram que ela estaria namorando um bruxo, o que ela negou veemente. E na minha frente.
Ficamos alguns dias sem nos falarmos depois disso. Cortou-me o coração e depois disso eu entendi o que acontecia comigo. Estava apaixonado.
Não queria nenhuma outra mulher, nem mesmo aquela bruxa gostossérrima que ficou lá na Ordem da Fênix e me perseguiu por semanas. Eu não consegui gostar dela, ou querer beija-la. Talvez por isso tenha pedido que ela voltasse para mim.
E ela aceitou.
Acredite, ela disse que me amava muito. A mim, mais um dos ‘Wesleys’. O tímido e estúpido sexto Wesley. Nem minha mãe acreditaria nisso.
Era esperado que eu despertasse paixões. Meus irmãos faziam isso com primor. Eu deveria ter herdado um pouco do charme da família. Mesmo assim, ela me amar? Era quase inconcebível! Mesmo eu fiquei pensando se ela não merecia coisa melhor!
Agora, nunca direi isso novamente na sua frente! Ela pirou e me disse o quanto era imaturo da minha parte não me valorizar. E foi aí que engatamos o namoro por mais um ano.
Um namoro ainda escondido. Só Harry, Ginny e por acidente, Lupim, sabiam.
Um namoro inocente que me deixava doido. E fora no Natal, há quatro meses atrás que ela me pegara de surpresa, numa noite, quando num dos dormitórios da Ordem, vazio porque muitos bruxos haviam ido ter com suas famílias apesar da guerra estar findando, mas ainda haver certo risco. Havíamos ido até o quarto onde ficamos de agarramento numa das camas, o que fazíamos muito. Mas sempre parávamos quando o tesão ficava demais. Eu ficava perto do limite e ela me abandonava com cara de quem queria ficar. Mas naquela noite ela disse que queria.
E então fizemos.
Foi uma loucura. Ela era virgem, o que eu tinha certeza, e eu quase desejei também ser, para que ela sentisse o mesmo orgulho que eu sentia.
Mas foi tão bonito tão intenso que eu só pude pensar em como eu tinha sorte!
E que sorte!
Rony abriu a porta do banheiro, ao lado do closed, e espiou. Nada. Ela devia ter ido para a cozinha. Resolveu escovar os dentes e lavar o rosto, quem sabe, ele não tivesse sorte e ela quisesse repetir tudo de novo, antes de ir ver seus pais?
Essa possibilidade o ascendeu, e ele encheu a boca com a escova e a pasta de dente, se fitando no espelho a sua frente.
Cara de sorte! Que cara de sorte ele era!
Havia a parte chata, de não poderem contar aos pais dela. Ela lhe explicara um milhão de vezes, que eles eram muito incompreensíveis com a idéia dela casar com um bruxo, que achavam que isso a afastaria deles de vez. E ela era filha única, afinal.
Ele entendia, porque não queria que ela fizesse uma escolha.
Ainda mais depois daquela noite na Ordem.
Quem acreditaria que alguém tão sério e certinho seria tão intensa? Ela se entregava com a mesma paixão que aprendia e absorvia tudo a sua volta. Ele a conduzira a um mundo, onde ele era professor, e ela se deixara conduzir, se entregando as mãos dele com toda a inocência de uma menina sem medos.
Ele ainda ficava emocionado em como a relação deles crescera naquele um ano, e principalmente nos últimos quatro meses. Eles se davam tão bem, se encaixam tão bem...Ele suspirou, limpando o rosto e meditando se deveria fazer a barba. Não, ela adorava quando ele fazia cócegas nela com a barba meio crescida.
Ultimamente tudo era sobre ela. Tudo que ela gostava. Tudo que ela desejava.
Ainda lembrava da vez em que ela dissera: “Ai, Rony, eu sinto tanto não poder contar a meus pais. Mas eles são tão incompreensíveis, tão cabeças duras! Acredite, a minha mãe tem me pressionado para saber se eu ainda sou virgem! Que ela e meu pai não aceitariam que eu me casasse se eu já houvesse... você sabe... feito o que a gente fez! Eu nunca imaginei que eles pudessem ser tão conservadores! Tão neuróticos!”
Ele havia ficado calado e não a contradissera, porque sabia que era essa a opinião de seus próprios pais sobre Gina. Sua mãe piraria se soubesse que ela e Harry há haviam, bem, feito o que não deviam!
Bem, se fosse sincero ele admitiria que ele também quase tivera um treco.
Ainda lembrava de quando, há alguns dias atrás, talvez um mês, ele não lembrava exatamente, Harry o chamara em um canto na Ordem, e dissera que precisava conversar com ele.
Ele lhe dissera o quanto prezava sua amizade, o quando amava Gina, como se Rony já não soubesse, e quando Rony pensara que ele confessaria o inevitável, Harry o surpreendera dizendo que queria saber se ele o odiaria se ele e Gina avançassem o sinal. Ainda lembra da sua cara.
“-Você está pedindo minha permissão para transar com a minha irmã virgem?”.
-Rony... – Harry havia ficado com aquela incrível cara de ‘eu sei, é horrível’.
-Certo, Harry, não tente se explicar – ele disse e o viu ficar um tanto verde, provavelmente entendendo-o errado – Eu fico feliz que me respeite a ponto de falar comigo sobre isso, Harry. Você é meu melhor amigo. E diria até, que é meu irmão. – Harry havia sorrido, mas ainda tão tenso que dava pena – Mas não quero saber isso. Eu já sei, o que tenho que saber. Você quer casar com Gina quando a guerra terminar, o que vão fazer nesse meio tempo é problema de vocês dois”
Rony podia apostar que Harry quase fizera xixi nas calças de tanto alivio. Principalmente depois de confessar, que na verdade eles já haviam feito.
Bem, como culpa-los, quando eu e minha namorada aproveitávamos qualquer momento a sós para fazer também???
Havíamos passado por um momento assustador, quando Lupim nos pegara de agarramento no armário de vassouras há algumas semanas e bem, ele vira mais de mim, do que eu desejaria, já que eu tinha as calças abaixadas e ela me tocava num lugar bem constrangedor, a qual soltara na mesma hora, quando Lupim abrira a porta sem saber que estaríamos ali.
A sádica espertinha havia se escondido atrás de mim, provavelmente para que o invasor não a visse sem a blusa e me deixou lá. Parado orgulhosamente exibindo meus dotes para quem quisesse ver. Mais tarde ela rira e disse que provavelmente Lupim se impressionara e assim ganhara meu perdão por sua falta de solidariedade.
Mas agora, dentes escovados, rosto limpo, eu ajeito meus ‘dotes’ dentro da quase indigna cueca e ajeito meus cabelos bagunçados e mais longos que de costume, e saio do quarto. Aquele apartamento pequeno fora alugado pela Ordem, no lado trouxa, para que aurores pudessem vigiar qualquer movimentação estranha de comensais.
Ela havia pegado a chave com Tonks com a desculpa de ver os pais e a gente veio para cá. E como eu disse antes, que noite!
Ando descalço pelo corredor ouvindo de longe sua voz doce e como sempre, começo a ficar em ponto de bala. Ensaio um sorriso e digo.
-Hei, você me deixou sozinho na cama, Hermione...
Ela se vira para mim, em choque. Olha-me de alto a baixo. Esta sobriamente envolvida em um roupão, que a cobre inteira, e somente eu saberia que ela esta nua, porque ela não dormiu vestindo nada – hehê- e esta tão pálida que franzo as sobrancelhas.
Noto alguém atrás dela.
Ah, merda!
Entre pânico e vergonha, eu me escondo atrás do sofá. Eram os pais dela. Pai e mãe, alías.
-Meus pais souberam que eu estava aqui e vieram dizer ‘oi’. – ela explicou olhando para eles envergonhada.
Ah, caramba. A mãe dela senta-se na primeira poltrona que vê e seu pai avança na minha direção.
Pronto, a minha grande noite acabou assim.
Uma sogra histérica chorando na sala. Um sogro furioso andando inconsolável pela sala, e Hermione colocando um bife sobre meu olho roxo aqui na cozinha.
Ela me faz um carinho no rosto, compadecida e então sussurra em meu ouvido:
-Vista alguma coisa, Rony.
-O que você quer que eu vista? – eu provoco, deixando claro que isso não ira abalar nosso namoro. Ela me olha mais tranqüila e me sorri e sussurra novamente antes de sumir para sala:
-Algo que eu possa tirar facilmente depois...
Bem, como eu disse antes: grande, grande noite mesmo!!!
Fim