FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

16. A história da Hermione


Fic: Lady Ginevra


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Capítulo 16


 


— Tem certeza? — perguntou Harry em um sussurro para não despertar o filho.


Alex dormia sobre um colchão no quarto. Sob a montanha de mantas que Gina tinha colocado para que estivesse agasalhado, só se via o cocuruto.


O homem e a mulher estavam na cama. Harry estava abraçado a Gina e a moça se sentiu tão aliviada que enfim ele tivesse reagido que suspirou. Já fazia uma hora que tinha contado e esperava que Harry lhe confessasse que o tinha feito feliz, mas até o momento não tinha dito uma palavra.


— Tenho todos os sintomas. — murmurou Gina — Claro que a princípio não acreditei, pois por muito tempo me considerei incapaz de conceber. Harry, está feliz pela notícia do filho?


— Sim.


Gina suspirou outra vez. No quarto estava muito escuro para ver o semblante de Harry, mas imaginou que estava sorrindo.


— Beatriz me explicou que é possível que uma mulher não conceba com um homem e seja fértil com outro. Sabe o que isso significa?


— O quê?


— Que também é possível que os homens sejam estéreis.


Harry riu e Gina o fez calar para que não despertasse Alex.


— Evidentemente, seu primeiro marido foi.


— Por que isso o alegra?


— Porque foi um canalha.


Gina não pôde negar.


— Por que os homens não reconhecem que eles podem ser a parte estéril do casamento?


— Suponho que é por orgulho ferido. É mais fácil culpar às mulheres. Não é correto, mas é mais fácil.


Gina soltou um sonoro bocejo. Harry lhe acariciava as costas e isso a deixava sonolenta. O marido perguntou algo, mas estava muito cansada para responder. Fechou os olhos e um minuto depois sumiu no mundo dos sonhos.


Harry dormiu uma hora depois. Com Gina abraçada junto a si, pensava na criança: embora devesse preferir um filho varão em primeiro lugar, pois um homem necessitava muitos filhos que o ajudassem a construir um império, na realidade desejava uma menina. Teria o cabelo vermelho e os olhos azuis, como a mãe e, se Deus desejasse recriar a perfeição, também seria tão insolente quanto a mãe.


Dormiu com um sorriso.


 


Na manhã seguinte, com Gina de pé junto a ele sobre o primeiro degrau da entrada, lorde MacBain informou ao clã que teria um filho. Alex estava junto à Gina. Tanto os MacLaurin como os MacBain receberam a notícia com ruidosa alegria. Gina e Harry já tinham contado a Alex, mas o pequeno não pareceu muito interessado na perspectiva de ter um irmão e esse desinteresse convenceu os pais de que se sentia seguro.


O menino quase não podia conter a impaciência enquanto era feito o anúncio. O pai tinha prometido levá-lo para cavalgar e, para um menino de quatro anos, um minuto de espera representava uma hora.


Uma vez que Harry se despediu dos que tinham ido desejar felicidades, Gina se dirigiu a Sirius e a Remus.


— Me ocorreram vários nomes e eu gostaria que...


— Em nome de Deus, moça, não pode nos dizer o nome do menino! — horrorizou-se Remus.


Quando afinal pôde parar de balbuciar, Remus perguntou à senhora se ignorava que não devia jamais mencionar o nome do filho a outra pessoa antes do batismo e Gina respondeu que não sabia.


— Jamais me preocuparam as tradições referentes aos recém-nascidos.


— Como é possível, milady? — perguntou Sirius — Quase todas as mulheres casadas seguem meticulosamente a tradição.


— Eu achava que era estéril.


— Não é — assinalou Remus.


— Não, não sou. — confirmou Gina com um sorriso.


— Nesse caso, faremos o melhor que pudermos para informá-la da importância da escolha do nome.


— O nome de um homem é muito importante — afirmou Sirius.


Antes que Gina pudesse perguntar o que significava essa afirmação, Remus lhe disse:


— Se alguém soubesse o nome do menino antes do batismo poderia utilizá-lo para lançar um encantamento sobre ele.


Sirius fez um gesto afirmativo.


Os semblantes severos dos homens fizeram Gina compreender que não brincavam: acreditavam com convicção em semelhantes crendices.


— O que me dizem é uma tradição ou uma superstição? — perguntou Gina.


Beatriz se aproximou para intervir na conversa, pois queria acrescentar uma importante informação de sua própria experiência.


— Milady, se o menino chorar durante a cerimônia de batismo significa que o diabo foi expulso. Você sabia?


Gina negou com a cabeça: jamais tinha ouvido falar de semelhante despropósito e se absteve de sorrir para não ofender Beatriz.


— Espero que o menino chore — disse.


— Para ter certeza, poderia dar um ligeiro beliscão — sugeriu Beatriz.


— Algumas mães o fazem — conjecturou Remus.


— Certamente, se seu pequeno nascer à meia-noite ou ao entardecer, receberá o dom da clarividência. Mas que o Céu nos ajude se nascer à hora em que soam os sinos, pois nesse caso verá fantasmas e espíritos que as demais pessoas não vêem.


— Papai, ainda não está preparado? — perguntou Alex.


Harry assentiu. Inclinado sobre Gina lhe ordenou que não se cansasse e em seguida ergueu o filho sobre um ombro e se encaminhou para os estábulos.


Leila cruzou o pátio, saudou o lorde ao passar e se aproximou correndo de Gina para felicitá-la.


— É uma notícia maravilhosa — disse.


— Sim. — confirmou Beatriz — Casualmente, oferecia-lhe à Senhora alguns conselhos — disse a Leila.


— Eu tentarei lembrá-los — prometeu Gina.


Remus sacudiu a cabeça.


— Duvido que recorde. — disse — Esqueceu que dia é hoje — acrescentou — Outra vez está usando a túnica errada.


— A esta altura me pergunto se faz de propósito — assinalou Sirius com um atiz divertido na voz. Quando o soldado falou, Leila lhe deu as costas. Gina notou e ficou intrigada.


— Beatriz, Megan me disse que tem boa mão para cortar o cabelo — disse Gina.


— Sim: tenho habilidade para cortar o cabelo.


— Talvez Hermione MacKay precise dessa habilidade. — disse Gina — Os MacInnes o deixaram em um estado lamentável.


— Sei. — repôs Beatriz — Fizeram isso para que todos os que a vejam se inteirem de sua desgraça.


Nesse momento, Gina não desejava iniciar uma extensa discussão a respeito de Hermione MacKay.


— Sim, mas o pai de Hermione chega aqui hoje e me perguntava se poderia...


— Não diga mais, milady. Com muito prazer procurarei minhas tesouras e tentarei deixar a moça mais apresentável.


— Obrigado. — disse Gina — Por favor, Leila, ainda não vá — acrescentou ao ver que a jovem MacLaurin se virava para ir junto com Beatriz.


— Como hoje lady Gina usa as cores dos MacBain, suponho que é sua responsabilidade — disse Remus a Sirius.


— Cavalheiros, posso me cuidar sozinha. — afirmou Gina — Perdem tempo dando voltas ao meu redor.


Nenhum dos dois deu atenção ao protesto da senhora.


— Sim, é minha responsabilidade — disse Sirius.


Gina decidiu que falaria com Harry em relação a essa ordem tão absurda, pois os homens não deixariam de andar atrás dela até que o próprio lorde os eximisse da responsabilidade.


Remus fez uma reverência à Senhora e foi cumprir com suas obrigações. Sirius estava a ponto de voltar a entrar, mas Gina o deteve pondo a mão no seu braço.


— Sirius, poderia me conceder um minuto? Queria apresentar Leila.


O homem a olhou como se achasse que tinha enlouquecido.


— Milady, faz tempo que conheço Leila — disse, sem lançar um olhar à mulher MacLaurin. Gina se voltou para a moça, que mantinha o olhar fixo no chão.


— Leila, conhece Sirius?


— Sabe que sim — murmurou Leila.


— Então, por favor, me expliquem por que se comportam como se não se conhecessem. Talvez seja um excesso de curiosidade de minha parte, mas lhes asseguro que me move a melhor das intenções. Ao ver que faziam esforços por não se olharem, pensei que na realidade se interessassem muito um pelo outro.


— Ele é um MacBain.


— Ela é uma MacLaurin.


— Milady, desculpe-me, por favor. — disse Sirius em tom firme e cortante — Há tarefas que requerem minha atenção. Não tenho tempo para bate-papos frívolos.


Partiu sem sequer saudar Leila, enquanto que a moça desviava o olhar. Gina tocou-lhe o braço.


— Sinto muito. Não quis incomodar nenhum dos dois. Está interessada em Sirius, não é mesmo?


Leila assentiu com violência.


— Tentei ignorar meus sentimentos, milady. — murmurou — Mas não posso.


— Leila, eu acho que Sirius sente algo por você.


— Não. — replicou a moça — Jamais se permitiria sentir atração por uma MacLaurin.


— Não sabia que a separação entre os clãs chegava a esse ponto — observou Gina.


— Como é possível que ignore? O modo como os homens apontam quando você se equivoca de manto deveria ser prova suficiente da importância que dão a esse assunto. Todos nos esforçamos para nos dar bem, mas ao mesmo tempo, mantemo-nos separados.


— Por que têm que manter-se separados?


Leila confessou que ignorava.


— Nós valorizamos a paciência de nosso lorde. Escutei o que você disse durante o jantar com respeito às terras pertencem agora aos MacBain. Milady, todos falavam disso. E embora alguns de nós o aceitemos, não agradou aos soldados MacLaurin escutá-lo.


— Sabe o que penso? Que dois mantos é demais.


— Sim, sim. — afirmou Leila — Mas por mais que você rogue, nenhum dos clãs vai querer deixar de lado suas cores.


— Não rogarei a ninguém. — disse Gina — Poderia me responder uma pergunta, por favor? Se Sirius fosse um MacLaurin, a cortejaria?


— Esperaria que o fizesse. — respondeu Leila — Mas não é um MacLaurin e, de qualquer modo, não sente nada por mim.


Gina mudou de assunto.


— Você gostaria de voltar para o salão e colaborar sempre nas tarefas?


— Oh, sim, milady, eu adoraria! Poderia ver... — conteve-se antes de se trair.


Mas Gina não se enganou.


— Sim, poderia ver Sirius com mais freqüencia.


Leila se ruborizou.


— Nosso lorde não quer que eu...


— Claro que quer. — a interrompeu Gina — Esta noite, venha na hora do jantar, Leila. Sentará a meu lado e, depois de comer, falaremos de suas tarefas.


— Para mim será uma honra me sentar junto à milady — murmurou Leila com voz trêmula de emoção.


— Agora tenho que entrar, pois é meu turno de cuidar de Hermione. Vemo-nos esta noite, Leila.


Gina subiu as escadas e foi direto para o quarto de Hermione. Deu permissão a Megan para partir e se sentou para conversar com a convalescente.


— Milady, você subiu sozinha as escadas? — quis saber Megan.


— É obvio — respondeu Gina, surpreendida pelo tom crítico da moça.


— Poderia cair. — replicou Megan — Não deveria correr semelhante risco.


— Megan, já há muitas pessoas que se preocupam comigo. Para ser sincera, acho que se me seguirem dia e noite ficarei louca. Segurei-me no corrimão — acrescentou ao ver que Megan ia protestar.


— Lady Gina, está você doente? — perguntou Hermione.


— Está grávida, como você — Megan deixou escapar. Fez um gesto afirmativo e partiu.


— Parabéns, milady. Espero que dê a seu marido um filho saudável.


Com certo esforço, Hermione se sentou na cama. Gina a agasalhou e em seguida voltou a sentar-se.


— Também nos alegrará ter uma filha.


Hermione sacudiu a cabeça.


— Eu não gostaria de ter uma filha. Os varões têm muitos privilégios, mas às meninas só as utilizam para comercializar. Não é assim?


— Sim — admitiu Gina. Juntou as mãos sobre o colo e sorriu à mulher MacKay.


Hermione a olhou com o semblante franzido.


— E por que lhe agradaria ter uma filha? Nesse caso teria a preocupação de que seu marido a desse em casamento a um homem malvado e a moça passaria o resto de sua vida...


— Amedrontada?


Hermione assentiu.


— E machucada — murmurou.


— Meu marido não entregaria sua filha a um monstro sabendo disso. — disse Gina — Acaso seu pai sabia que MacInnes é um malvado?


Hermione se encolheu de ombros.


— A única coisa que lhe importou foi unir os dois clãs.


Ao ouvi-la, Gina se sentiu abatida.


— Seu pai a ama?


— Tanto quanto qualquer pai gosta de sua filha.


— As meninas são mais inteligentes. — assegurou Gina — Até o padre MacKechnie está convencido disso.


— Mesmo assim, sofrem golpes e humilhações. Lady Gina, você ignora quão afortunada é. Seu marido a trata bem.


Gina se recostou na cadeira.


— Se não o fizesse, eu não ficaria aqui.


Hermione adotou uma expressão cética.


— Como poderia partir? — perguntou.


— Acharia um modo. — disse Gina — Hermione, quando me casei pela primeira vez, com um inglês, eu rogava todas as noites para não conceber um filho. Não queria ter uma menina, pois sabia que o pai a maltrataria cada vez que quisesse descarregar sua própria cólera, e tampouco queria ter um menino, pois sabia que me tiraria e o educaria a sua própria imagem. Não queria que transmitissem atitudes tão horríveis para as mulheres, entende?


— Golpeava-a?


— Sim.


— Como morreu o inglês? Você o assassinou?


A pergunta surpreendeu Gina e negou com a cabeça.


— Houve ocasiões em que desejei matá-lo, e tenho certeza de que irei para o inferno por admitir semelhante pecado, mas não cedi à fúria. Não queria ser como ele, Hermione. Certamente me senti aprisionada, até que compreendi que era inteligente o bastante para encontrar um modo de fugir.


— Como esse homem morreu?


— O rei John me disse que caiu de um precipício, na água, perto de uma cidade. Eu nem sequer sabia que tinha partido da Inglaterra.


Hermione assentiu e Gina decidiu mudar de assunto.


— Em poucos minutos, Beatriz estará aqui com suas tesouras e tentará arrumar o seu cabelo.


— Quando meu pai chegará?


— Esperamos que chegue esta tarde.


— Não quero que me arrumem o cabelo. Até que o cortassem com uma faca de açougueiro eu o usava tão comprido quanto o seu. Quero que meu pai veja o que os MacInnes fizeram a sua filha.


— E sua mãe?


— Morreu. — respondeu Hermione — Já faz quatro anos. Alegro-me que não esteja presente: ver-me neste estado lhe destroçaria o coração.


— Acredita que o filho que leva no ventre... seu pai...?


— Milady, agora estou cansada. Queria descansar.


Gina olhou Hermione fixamente um longo momento. A moça MacKay fechou os olhos e fingiu dormir.


—Hermione, não pode continuar adiando isto por muito tempo mais. — disse Gina — Terá que contar o que aconteceu.


— Gina, estou dolorida. Acaso não tem piedade?


Gina assentiu.


— Sei que está dolorida.


— Então, por favor...


— Hermione. — Gina a cortou — Meu marido está impaciente para que diga qual soldado MacBain...


— Não direi o nome.


Hermione rompeu em lágrimas e Gina pegou sua mão.


— Tudo ficará bem. — murmurou — Não tem nada a temer.


— Você me disse que se sentia aprisionada: eu me sinto do mesmo modo. Não podia me casar com esse miserável, não podia. Fiz algo que agora...


— Sim?


Hermione moveu a cabeça.


— Não importa. — sussurrou — Logo serei descoberta. Por favor, agora me deixe descansar. Ainda não estou forte o bastante para lhe contar o que aconteceu.


Gina se deu por vencida. Beatriz bateu na porta e entrou com uma escova e umas tesouras na mão.


— Estou preparada para ver o que posso fazer — afirmou.


Gina se levantou.


— Hermione não quer que toquem no seu cabelo.


— Milady, isso significa que foi inútil todo o trabalho que tive para encontrar as tesouras?


— Na realidade não, Beatriz. Eu queria utilizar seus serviços. Já faz tempo que desejo cortar meu cabelo. Venha ao meu quarto e assim poderá utilizar suas tesouras.


Beatriz se animou: seus esforços não tinham sido em vão. Ela e Gina discutiram a respeito do comprimento de cabelo que cortaria. Beatriz não queria cortar muito, mas a senhora insistiu nisso.


Quando Beatriz terminou, o cabelo de Gina apenas lhe roçava os ombros.


— Milady, confesso que está encantadora.


— Não sabia que era tão encaracolado.


— O peso do cabelo esticava os cachos — explicou Beatriz.


— Esse peso me dava dor de cabeça todos os dias. — acrescentou Gina — Muito obrigado, Beatriz. — passou os dedos pelo cabelo e riu — Não sei que aparência tenho, mas a sensação é maravilhosa.


— Você acredita que MacBain terá um ataque quando vir o que lhe fiz?


O sorriso de Beatriz disse a Gina que estava brincando.


— Não acredito que note.


— Certamente notará. Nada do que se refere a senhora lhe passa despercebido. Nós sorrimos ao ver como a olha, milady: nosso chefe a ama.


— Espero que esta noite continue me amando. Sem dúvida, quando eu for jantar se irritará comigo. Tenho certeza de que todos ficarão impressionados ao ver a decisão que tomei.


É obvio, Beatriz sentiu curiosidade.


— O que é que pensa fazer?


— Não posso dizer. — respondeu Gina — Terá que esperar para saber.


Beatriz importunou à senhora uns minutos mas desistir.


— Descerá as escadas agora? A segurarei pelo braço para ter certeza de que não caia.


— Ficarei aqui. — replicou Gina — Me emprestaria as tesouras? Esta noite lhe devolverei.


— Guarde-as aqui — disse Beatriz — Quando Hermione quiser que lhe corte o cabelo, saberei onde procurar. Bom dia, milady.


Beatriz já apoiava a mão sobre o trinco da porta quando Gina a deteve perguntando:


— Todas as mulheres têm os mesmos sintomas quando estão grávidas?


Beatriz se voltou.


— A maioria. — respondeu — Por que pergunta?


— Tinha curiosidade — respondeu Gina — Quando começa a notar?


— Depende — respondeu Beatriz — Em algumas mulheres, no quarto mês, em outras, mais adiante. No seu caso, já deveria estar perdendo a cintura. É assim?


— Sim.


Agradeceu outra vez a Beatriz. Assim que a mulher saiu e fechou a porta, Gina começou a preparar a surpresa. Estendeu a túnica MacBain sobre a cama e a cortou pela metade. Em seguida fez o mesmo com a dos MacLaurin. Sentou-se sobre a cama com as duas metades e as uniu com uma costura. Quando terminou, não dava pra notar onde começava a túnica dos MacBain e onde começava a dos MacLaurin.


Quando Remus visse o que tinha feito, teria que ficar na cama por uma semana. Gina sabia que provocaria um escândalo, mas não lhe importava. Já era hora de que todos deixassem de lado suas diferenças e se unissem para formar um só clã sob a liderança de Harry.


Pensou que talvez devesse ter dito a seu esposo o que faria. Pregou os retalhos que restaram e os colocou debaixo da cama. Também escondeu ali a nova túnica que tinha costurado. Não a colocaria até essa noite.


Ao completar a tarefa já estava bocejando: precisava de um cochilo. Tirou a túnica e o cinturão, deixou-os sobre uma cadeira e se deitou sobre a cama. Só descansaria uns minutos.


Gina dormiu pensando em Hermione MacKay. A moça começou a lhe contar algo que tinha feito, e em seguida voltou atrás: parecia amedrontada.


Certamente, era um enigma. O que quis dizer com logo seria descoberta?


Gina dormiu três horas. Quando abriu os olhos viu Alex junto a ela, profundamente adormecido, apoiado sobre seu braço. Certamente tinha sono pesado e Gina esperava que o irmãozinho compartilhasse essa característica.


Sentou-se, cuidando para não incomodar Alex e esteve a ponto de soltar uma gargalhada ao ver Dumfries dormindo aos pés da cama.


Não podia ordenar ao cão que saísse sem despertar Alex. Saiu da cama, lavou-se e colocou outra vez a túnica MacBain. As náuseas tornaram a tarefa interminável e Gina teve que sentar-se várias vezes para que o mal-estar passasse.


Harry abriu a porta no mesmo instante em que Gina ajustava o cinturão. Viu o filho adormecido e fez um gesto a Gina para que saísse ao corredor.


Pareceu a Gina que observava seu cabelo com expressão de desagrado. "Logo passará", pensou. Correu para o corredor com um sorriso. Harry fechou a porta e virou para a esposa.


— Está muito pálida — murmurou.


— E por isso franze a testa, milorde?


Harry assentiu. Gina se beliscou as bochechas para lhes dar um pouco de cor.


— Por acaso, notou outra coisa?


— Divisaram o pai de Hermione subindo pela colina.


Ao ouvir a notícia Gina desistiu de tentar receber um elogio do marido a respeito de seu novo corte de cabelo.


— Quero que você e Alex fiquem em nosso quarto até que lorde MacKay e seus homens se forem.


— Com quantos homens veio o lorde?


Harry se encolheu de ombros e respondeu:


— Muitos.


Ao ver que o marido se voltava, Gina moveu a cabeça.


— Queria falar com o pai de Hermione — anunciou Gina.


— Gina, não acho que esteja com ânimo para ser cortês. Faz o que te ordenei.


— O lorde está furioso com o clã MacInnes, não conosco — recordou a jovem.


— Não. A fúria de MacKay se dirige à todos os MacBain. Joga-nos a culpa da desgraça da filha.


Em um instante o semblante de Gina sofreu uma mudança dramática: já não estava pálida e sim vermelha de fúria. Não perguntou ao marido como soube: se Harry dizia que lorde MacKay os culpava, devia ser verdade. Harry não estava acostumado a tirar conclusões sem conhecer antes todos os fatos.


— Quem está cuidando de Hermione agora?


— Molly. — respondeu Harry — Entre. — ordenou — Não quero que nada da fúria dos MacKay recaia sobre você.


Como Gina não disse nada, o marido supôs que obedeceria. Certamente, entrou no quarto, mas só por uns instantes até assegurar-se de que Harry tinha tornado a descer para esperar o pai de Hermione MacKay. Em seguida, correu pelo corredor até o quarto de Hermione e enviou Molly para cuidar de Alex.


— Hermione, seu pai chegará aqui em poucos minutos. Quer vê-lo a sós ou prefere que fique com você?


Com esforço, Hermione se sentou na cama e soltou um gemido. Gina não soube se era de dor ou pelo que acabava de anunciar. Era angustiante ver o medo refletido no rosto da moça.


— Por favor, fique.


Gina arrumou as mantas da cama, mas mais para dissimular seu próprio nervosismo que para comodidade de Hermione.


— Não sei o que lhe dizer.


— Diga o que ocorreu — aconselhou Gina.


Os olhos do Hermione se encheram de lágrimas.


— Não posso! — soluçou.


De súbito, Gina percebeu a verdade. Por sorte estava perto de uma cadeira e pôde sentar-se antes de cair.


— Você não entende, Gina.


— Oh, Deus, acho que entendo sim! Inventou tudo, não é mesmo? Nenhum MacBain te seduziu... Não está grávida...


Hermione começou a chorar e sacudiu a cabeça numa tentativa de negar a acusação de Gina, mas sua expressão temerosa tornou inútil insistir na mentira.


— Está enganada — protestou.


— Sério? — perguntou Gina — Cada vez que algum de nós tentava te interrogar, fingia-se de cansada.


— Estava cansada — se defendeu Hermione, sem deixá-la continuar.


Gina percebeu o pânico de Hermione e, embora sentisse vontade de consolá-la, não o fez. Endureceu-se diante da dor da outra, resolvida a lhe arrancar a verdade. Só ao sabê-lo poderia ajudar Hermione.


— Revelou-se, sabe?


— Não.


— Disse-me que se sentia aprisionada e que tinha feito algo que sem dúvida logo se revelaria. O que se descobriria a qualquer momento é que não vai ter um filho, não é? Acaso não compreendeu que daria pra notar se não engordasse?


A essas alturas, Hermione soluçava abertamente.


— Não pensei absolutamente — confessou.


Com gestos lentos, Gina se reclinou na cadeira.


— Em nome de Deus! Como sairemos desta confusão?


— Sairemos, diz? Serei eu a sofrer as conseqüências quando meu pai descubrir que menti.


— Por que inventou semelhante historia?


— Estava desesperada. — admitiu Hermione — Não pode entendê-lo? Era horrível viver lá e cada dia era pior.


— Entendo. — disse Gina — Mas...


Hermione a interrompeu, impaciente por explicar por que Gina não deveria condená-la.


— Meu pai me colocou na casa dos MacInnes para me treinar. Seis meses depois eu devia me casar com o filho, mas não levou muito tempo para perceber que nesse lar todos eram terríveis. Você sabe que o lorde tem duas filhas mais velhas? Nasceram antes que seu precioso filho — acrescentou precipitadamente — Uma das criadas me contou que cada vez que o lorde se inteirava de que a esposa tinha dado a luz a uma menina, ia ao quarto e golpeava a pobre mulher. Morreu depois do nascimento do filho e talvez tenha recebido a morte como uma bênção. Eu sei que se tivesse estado casada com semelhante monstro me alegraria de morrer.


— E o filho é igual ao pai, não é? — Gina já conhecia a resposta. Tinha uma nítida lembrança do filho do lorde de pé perto de Hermione com os punhos fechados.


— É pior que o pai — disse Hermione com voz vibrante de desprezo — Não podia tolerar a idéia de me casar com ele. Tentei falar com meu pai, mas não me escutou. Fugi da minha casa, você sabe? Mas...


Por vários minutos, Hermione não pôde continuar, sacudida por soluços dilaceradores. A Gina custou um grande esforço manter a compostura: Hermione não só tinha sido abandonada nas mãos de um monstro, mas também, além disso, traída por seu próprio pai. A Gina pareceu inconcebível, pois seu próprio pai teria assassinado Draco se estivesse vivo e soubesse as angústias que a filha tinha sofrido.


— Hermione, seu pai a levou outra vez ao clã MacInnes, não é mesmo?


— Sim. — murmurou a moça — Acho que nunca me senti tão abandonada... Tão desesperada. Poucos dias depois ouvi os soldados MacInnes dizerem que tinham visto guerreiros que usavam a túnica dos MacBain cruzando a fronteira.


— E foi então quando te ocorreu a mentira?


Hermione negou com a cabeça.


— Os soldados não sabiam que eu os estava ouvindo. Pude perceber o temor em suas vozes quando mencionaram seu marido. Nesse momento decidi que procuraria esses soldados embora não soubesse o que aconteceria quando os encontrasse. Não tinha nenhum plano, Gina: só queria conseguir ajuda.


— Sim. — respondeu Gina em voz baixa e serena. Deu à Hermione um lenço de linho para enxugar o rosto e pegou na sua mão — Eu teria feito o mesmo.


— Sim?


— Sim.


A convicção de Gina tranqüilizou Hermione. Gina se sentia unida à mulher, pois a lembrança dos pesadelos passados as ligava contra as atrocidades que um punhado de homens altivos e atemorizados infligia às mulheres.


— Uma vez já me golpearam por ser insolente. — disse Hermione — E sabia que isso voltaria a acontecer uma e outra vez. Nunca encontrei os soldados MacBain e, quando abandonei a busca, já começava a escurecer. Fiquei a noite toda na cabana abandonada de um camponês. Deus querido, o quanto estava assustada! Aterrorizava-me retornar ao castelo dos MacInnes, e também ficar sozinha. — acrescentou — Me encontraram na manhã seguinte. — Hermione apertou com tanta força a mão de Gina que lhe deixou marcas.


— Sentiu-se indefesa, não é?


— Oh, sim! — respondeu Hermione — Ainda não tinha me ocorrido o que inventar. Passaram-se três meses e então, uma manhã, o lorde anunciou que tinha decidido mudar a data do casamento: Robert e eu nos casaríamos no sábado seguinte.


A voz de Hermione soava estrangulada pelo esforço e pelo pranto, e Gina quis levantar-se para buscar água, mas Hermione não soltou sua mão.


— Eu tinha inventado a história com antecipação. — disse — Juntei coragem, apresentei-me diante de Robert e lhe disse que nunca me casaria com ele. Ficou furioso: é um homem possessivo e ciumento. Eu sabia que se o fizesse acreditar que tinha me entregue a um homem por minha própria vontade não ia me querer. Lembrei-me dos soldados MacBain que tinham cruzado a fronteira e de que os MacInness temiam seu lorde, e assim foi que me ocorreu a mentira. Sei que o que fiz está errado e lamento ter mentido. Você foi muito bondosa comigo, Gina. Molly me contou o que fez a Robert: queria que a flecha tivesse cravado em seu negro coração. Deus querido, quanto o odeio! Odeio a todos os homens, até meu pai.


— Tem bons motivos para desprezar Robert. — disse Gina — Mas com o tempo superará o ódio. É até possível que sinta compaixão por esse sujeito.


— Não é tão fácil perdoar.


— Hermione, sei que não está com ânimo para me escutar, mas de qualquer modo te asseguro que não pode culpar a todos os homens pelos pecados de alguns.


— Odiava seu primeiro marido?


Gina suspirou


— Sim. — admitiu — Mas não detestava todos os homens. Se meu pai estivesse vivo teria me protegido de Draco. Teria encontrado refúgio na casa de meus pais. Meu irmão Ronald veio em meu auxílio quando soube o que acontecia.


— Quando soube? Não lhe contou na primeira surra?


— É difícil explicar, Hermione. — respondeu Gina — Draco não era como Robert, e naquela época eu era muitíssimo mais jovem. As surras não começaram logo depois das bodas. A princípio, o barão se dedicou a minar minha confiança. Eu era ingênua e estava assustada, e se uma pessoa te diz que você é ignorante e indigna, alguém que na realidade deveria te amar e proteger, chega um momento em que uma parte de você começa a acreditar nessas afirmações. Não disse a meu irmão porque estava muito envergonhada. Estava convencida de que as coisas se resolveriam. Quase acreditei que merecia semelhante tratamento até que, em um dado momento, compreendi que Draco jamais mudaria. Então soube que teria que achar um modo de fugir. Estava disposta a recorrer a Ronald, mas não foi necessário, pois meu marido foi assassinado.


Gina fez uma pausa e inspirou uma golfada de ar para acalmar-se.


— Se conhecesse Ronald, não o odiaria. Graças a ele casei com Harry. —adicionou — E não é possível que deteste meu marido. Para ser sincera, não acredito que alguém possa odiá-lo.


— Não. — disse Hermione — Ele me protegeu e estou grata, embora na realidade me assuste. É evidente que você não nota o quanto é enorme, milady, nem tampouco que tem maneiras um tanto... bruscas.


— Sei que pode intimidar se permitir. — replicou Gina, em tom alegre — Hermione, demonstrou uma coragem incrível ao enfrentar Robert. Sem dúvida sabia o que poderia ocorrer: quase lhe mataram.


— Meu jogo acabou, não é mesmo? Prometo que direi a verdade a meu pai.


— Retornaria para os MacInnes?


— Não sei. — disse Hermione — Meu pai quer aliar-se com eles.


Gina se sentiu horrorizada. Simplesmente não tolerava a idéia de que uma mulher se visse obrigada a cair outra vez nas garras de Robert. Só tinha certeza de uma coisa: não permitiria.


— Não confesse ainda a verdade a seu pai. — disse — Tenho que pensar. Não posso deixar que retorne. Não, não posso permitir! Nós duas, encontraremos uma solução.


— Milady, por que se incomoda? Ao me proteger, se coloca em perigo. Sua compaixão lhe trará problemas. Meu pai...


Gina não a deixou terminar.


— Hermione, eu estou convencida de que já se saiu bem do desafio mais difícil.


— Qual, Gina?


— Estava em uma posição insustentável e deu o primeiro passo, o mais importante. Talvez eu não tivesse feito desse modo, mas isso não importa agora: o importante é que resolveu a situação. Agora não pode voltar atrás, não entende?


— E o que acontecerá quando os soldados de meu pai lutarem contra os MacBain por causa da minha mentira?


Gina sacudiu a cabeça:


— Encontraremos uma maneira de evitar o conflito.


— Como?


— Ainda não sei, mas você e eu somos inteligentes e saberemos encontrar uma maneira de solucionar esta confusão.


— Mas por que colocará seu clã em semelhante situação?


— Não acredito nisso de que tem que sacrificar-se pelos outros. — disse Gina — Estou convencida de que cada mulher tem a responsabilidade de ajudar às outras. Quando uma de nós sofre, acaso não sofremos todas?


Gina sabia que o que dizia parecia absurdo. Era difícil expressar seus sentimentos de maneira coerente.


— Alguns homens desprezam as mulheres e há membros de nossa Igreja que nos consideram inferiores. Mas Deus não. Lembre-se disso, é muito importante, Hermione. Levei muito tempo para compreendê-lo. Os que fazem as leis são os homens, não as mulheres. Dizem-nos que são eles que interpretam as idéias de Deus, e nos consideram tão ingênuas a ponto de acreditar. Não somos inferiores. — disse, com convicção — Como mulheres, temos que permanecer unidas... Como irmãs, e quando vemos uma injustiça devemos intervir. Juntas... Se formos muitas e estivermos unidas, poderemos nos ajudar. As atitudes podem mudar.


— E por onde começamos? Por nossos filhos?


— Comecemos por nos ajudar entre nós. — explicou Gina — Mais adiante, quando tivermos filhos, os ensinaremos a amar e respeitar uns aos outros. Tanto os homens quanto as mulheres foram feitos a imagem e semelhança de Deus.


Ao ouvir que os homens se aproximavam pelo corredor, a conversa cessou. Ao ver que Hermione já não parecia atemorizada, Gina se surpreendeu. Soltou-lhe a mão, endireitou os ombros e alisou as mantas.


No mesmo instante em que a porta se abria, Hermione sussurrou:


— Juntas.


Gina assentiu e repetiu a promessa:


— Juntas


 


 


Na.: Desculpe a demora :)

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 17) - Copyright 2002-2022
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.