CAPITULO 155 – POR TUDO QUE VOCÊ ME FAZ
Epilogo 1
Arthur havia acabado de correr da cozinha para a sala, quando Anna o encontrou. Rindo, sapeca, ele tentou fugir dela mais uma vez. Ralhando, Anna o apanhou pela mãozinha e o levou de volta para a cozinha. Juanita tinha que fazer força para manter Edgar no colo enquanto lhe dava o almoço.
Sapecas, queriam fugir e riam sempre que a tia Juanita ia atrás deles. Ultimamente, Tia Juanita havia desistido da política de sua patroa de educar antes de bater e vez e outra, dava-lhes umas chineladas. Tudo isso, para minutos deles, eles saírem correndo e rindo dela pela casa, como se estivessem achando graça de sua irritação.
Segundo Juanita àqueles meninos eram caso perdido. Com um ano e meio, os dois eram grandes e rápidos, e pareciam ter mais idade. Edgar era sempre o mais brigão, e o irmão o seguia. Terminando de dar o almoço, e fingindo não ver suas mãos sujas espalhando restos de alimento pela cozinha, usou o pano de prato para limpar suas mãos e em exato um segundo, o menino não estava mais ali.
Anna encontrou os dois na sala. Resignada, sentou-se no chão, com dois carinhos de madeira, feitos pelos tios e começou a incentivá-los a brincarem.
Eram meninos tão bonzinhos, apesar de levados.
Naquela gostosa manhã, Juanita havia tido uma constatação e placidamente, entrara no quarto de Hermione, que repousava após uma indisposição.
Realmente, sua patroa estava fervendo e imaginava que a casa fosse pegar fogo assim que ela se recuperasse o bastante para isso. E estava certa.
Quase na hora do almoço dos adultos, o cheiro de comida caseira empesteando toda a casa, Hermione saiu do quarto, calçando os sapatos.
-Deveria deitar e descansar mais um pouco - Juanita lhe disse sabendo que ela ignoraria.
Sem dizer nada, Hermione andou pela casa, furiosa, na sala, ignorou Arthur que corria atrás dela. Sentia, muito, mas graças ao seu pai, ela estava completamente fora de si. Anna segurou o menino, antes que ele saísse de casa, atrás dela.
-Ah, meu Deus! – Anna recamou desconsolada, quando se virou a não avistou Edgar – Onde esse menino se meteu?
As mulheres daquela casa viviam enlouquecidas com aquelas pestes. Quando Anna finalmente encontrou Edgar, pretendia lhe chamar a atenção, mas ele tinha uma florzinha nas mãos, e a desarmou com aquele sorriso bonito e olhos brilhantes. Com o menino no colo, e sabendo que sempre seria encantada por aqueles dois anjinhos, levou-os para o suplicio da ciesta após o almoço.
Uma hora depois, era ela quem estava cochilando, enquanto eles seguiam acordados na cama, brincando com seus brinquedos, na maioria presente dos familiares. Juanita deu uma espiadela e maneou a cabeça.
Gritou chamando Ruanzito, para olhar os amiguinhos no quarto. E a boba da Anna que sempre seria ludibriada pelos bebês Wesleys.
Hermione atravessou a fazenda a passos duros e rápidos. Era inverno, e ela usava um vestido azul marinho, de mangas longas. Havia esquecido o xale em casa, na raiva, e suas bochechas estavam coradas pelo frio. Os cabelos soltos caiam em suas costas e quando ela adentrou o celeiro, os dois empregados pararam o serviço, pois sua expressão era assustadoramente selvagem.
Rony discutia com ele, as contas sobre a compra da ração dos animais. Parou o que fazia e olhou para ela, depois de dispensar os empregados enquanto falava com a esposa. Não era segredo entre os empregados, que apesar de ter um pulso de ferro para os negócios e para o trato da família, Ronald Wesley não tinha o menor controle sobre a esposa. Honesta e direita, era uma companheira ideal, mas era também voluntariosa e briguenta, e muitos ainda diziam que mantinha uma arma escondida embaixo do colchão.
Boatos maldosos que estavam prestes a se tornam realidade.
-Não acredito que fez isso comigo! -ela entrou acusando.
Rony encarou sua fúria, sem se abalar. Hermione ergueu um dedo diante de seu rosto, transformada em uma furiosa massa de cabelos castanhos e olhos bravos.
-E o que foi que eu fiz? – perguntou calmamente, deixando de lado o livro de contas e esperando que explicasse.
-Sabia muito bem que eu queria esperar! Deus, como eu te odeio às vezes! – ela esbravejou e Rony quase se preocupou.
-Se não disser o que eu fiz, não posso resolver a situação e reparar o mal que fiz.
Era nessas horas que ela desejava ter uma arma em mãos. Como um sorriso tão bonito e sexy poderia se transformar em algo tão provocador?
-Não há solução! Muito menos reparação! - acusou, cruzando os braços aturdida e preocupada.
-E o que foi de tão grave? Estou tentando lembrar de algo, mas tenho me portado como um santo, Hermione!
Ela riu com ironia e ele se aproximou.
-Me diga, eu a trai?
-Não que eu saiba – ironizou, nada feliz. – Você sabia muito bem que eu queria esperar! Ronald, eu queria ir a Londres nesse verão! Sabia muito bem disso! Fiz planos! Mas que droga! Sente prazer em frustrar meus planos não é?
-Sei dos seus planos e também quero ir a Londres. Afinal, qual o problema? Não fiz nada para impedi-la de ir! – agora, além de uma ruga de preocupação na testa, ele estava começando a ficar alarmado.
-Vinte anos, Rony – ela disse entre dentes – ano que vem, terei vinte anos!
-Isso todos sabemos. Está reclamando de fazer aniversario? – provocou.
-Não! Acaso não acha que vinte anos de idade e três filhos é muita coisa? Eu queria mais um tempo! Argh, deveria saber que não respeitaria minha vontade!
-Hermione, do que você está falando? – segurou-a pelo braço, com o mesmo tom que ela.
-Estou grávida! De novo! – acusou.
Surpreso, Rony a fitou, com pura surpresa:
-Não era você quem estava cuidando de sua própria proteção? -ele ficou lívido – Não era você quem disse que não queria ajuda de ninguém, por ser tão cuidadosa?
-Sim!
-e onde está a minha culpa nisso? – revidou a altura.
-A sua culpa! Você me faz esquecer de tudo! Que droga, Rony, eu esqueci de me cuidar varias vezes! E por sua causa!
Era uma acusação difícil de levar a sério. Rony sentou um calor gostoso dentro do peito, de saber que era capas de fazer a preciosa e inteligente Hermione perder o rumo e esquecer de tudo.
-Está infeliz por ter mais um filho? – ele sabia a resposta, mas precisava perguntar.
-É claro que não! Mas estou com raiva sua por causa disso- não era racional, e diante do seu olhar azul tão contente ela suavizou a expressão – Acabei de ter a confirmação. Dessa vez fiquei de olho desde o primeiro mal estar. Foi só confirmar que minha regra não desceu esse mês.
-E vamos ter mais um filho?
-Espero que seja um só dessa vez – ela suspirou, desarmada, quando Rony abraçou-a – Rony, queria ir a Londres no verão. E queria esperar os meninos estarem maiores antes de ser mãe de novo. Esses meninos me enlouquecem! Como vou dar conta de três? E se forem dois de novo? Deus, olha o que você faz comigo!
Rony aceitou seus tapinhas, com algo no olhar que a desconcertou.
-Contrataremos um governanta para educar os meninos.
-Nos seus sonhos! – ela respondeu rápida e mordaz.
Rony controlou o riso. Gina havia tido um menino, e contratado uma governanta por insistência de Harry. Apaixonado, ele não desejava que ela se cansasse no trato da casa, e do bebê. O resultado, fora desastroso. Pois a simpática jovem que Gina escolhera pessoalmente, havia se mostrado uma mulher leviana e que tentara seduzir Harry bem debaixo do nariz de Gina.
Depois disso, babás e governantes eram um assunto delicado na família.
-O que posso fazer para ajudá-la, Hermione? – segurou seu rosto com ambas às mãos, fitando-a com adoração.
-Nada. – ela sorriu – Fiquei furiosa quando descobri que me enganou de novo! Rony, havíamos combinado que teríamos outros filho mais tarde, quando os meninos fossem maiores...
-E a culpa é minha?
-Sim, a culpa sempre será sua, esposo – ela respondeu com naturalidade.
Rony sorriu, olhando seu pequeno e perfeito corpo, tão magrinha e delicada, e desceu as mãos para sua cintura, acariciando sua barriga.
-Espero que dessa vez seu umbigo fique no lugar- ele provocou.
-Eu também espero! E que não seja parecido com você! Quero uma criança parecida com minha família – ela também provocou.
-Não sei...se eu sou culpado, devo ter feito tudo direitinho. – ele revidou.
Hermione riu, e olhou para baixo também.
-Não posso estar com mais de um mês. Minha regra estava normal no mês passado. – contou, emocionada.
-Eu sei, tive que esperar longos dias para amá-la novamente – ele galanteou e ela riu maliciosa.
-Eu te amo, Rony. Mesmo quando me engravida antes do previsto – ela anunciou em tom solene.
-Isso é bom. Porque me esforço muito para que se apaixone por mim todos os dias – ele respondeu no mesmo tom.
-Eu sei, também faço isso – ela não o deixaria vencer.
-Rainha dos meus desejos – ele sussurrou em seu ouvido, apaixonado – O que seria da minha vida sem você, Hermione?
-Seria uma advogadozinho medíocre freqüentando cabarés de quinta -ela alfinetou.
-Ou talvez, houvesse me casado com um rica herdeira de um pai conde. - ele arreliou.
-Se aceitar os presentes que meu pai vive oferecendo, poderia se transformar nesse homem.
-Hum, não posso aceitar os presentes de seu pai, ou ele terá direito a se meter em nossa vida.
-Ainda com medo que aceite outro marido? – ela concluiu, e ele riu contra sua orelha, onde beijava carinhosamente a pele sensível diante de suas caricias sensuais.
-Levarei esse medo comigo para o tumulo – ele revidou no mesmo tom que ela.
-Pois não precisa – ela abraçou-o, precisando daquele abraço para aquietar seu coração – Eu te amo muito para me dar ao luxo de perdê-lo. – escondendo a emoção ela revirou os olhos – além disso estou estragada para o resto dos homens. Três filhos com apenas vinte anos!
-Hermione – ele ria, enquanto a segurava para um beijo.
Tinham uma vida calma, apesar das brigas e uma vez que ela entendera que era casada com um homem de bom humor, tivera que aceitar que ser feliz a obrigava a ser bem humorada também.
Rony segurou seu rosto, amassando seus cabelos entre as mãos, enquanto devorava seus lábios em um beijo guloso.
Eles se separaram apenas quando o barulho dos empregados se juntando para o almoço foi alto demais e impossível de ignorar. Algum deles poderia entrar e ele detestaria que vissem o quanto sua mulher fogosa.
Um ou outro, às vezes tinha um olhar comprido sobre as mulheres da casa, mas ele sempre se apressava em discretamente se livrar do espertinho.
-O almoço está pronto - ela concluiu puxando-o pela mão.
Eles saíram do celeiro e atravessaram o prado, chegando aos fundos da casa. Os dois pararam para ver os filhos.
Anna alimentava as galinhas junto com Ruanzito e outros filhos de Juanita, e ela colocava milho nas mãos dos pequenos. Arthur jogava o milho longe rindo empolgado diante do fervo das galinhas.
Enérgico, Edgar tentava pega-las, recebendo conselhos de Ruanzito, sobre não segura-las e deixá-las comerem.
Eram pequenos Ronizinhos e ela sorriu olhando para ele. Rony sorria, olhando os filhos e concluindo que sua vida era no mínimo, perfeita. Hermione tinha a consciência exata de seu olhar ser completamente apaixonado e bobo, como o olhar de uma tola, mas não podia evitar. Ele era lindo e ela o amava mais que tudo.
-Mamãe!
O grito de Arthur chamando-a a tirou de seus devaneios. Ele tinha caído e ameaçava choro, querendo a mãe. Deixando o marido ela foi acudi-lo. Devagar, disse a si mesma, sempre devagar. Deixando-o chorar um pouquinho, para aprender a conviver com a dor e não ser um menino mimado.
-O que foi, filho? Machucou? – se ajoelhou ficando pertinho dele e olhando seu joelho.
-Dodói, mamãe – ele reclamou, ameaçando choro novamente.
-Não, querido. Não foi um dodói, foi um machucado, e a dor já passou – ela o colocou de pé novamente. –Viu? A dor foi embora, e não precisa mais chorar. Olhe, as galinhas estão comendo o milho que você deu a elas!
Abraçada ao menino, seguindo mostrando coisas e falando com ele, para incentivá-lo a voltar a brincar. Edgar, ciumento talvez, aproximou-se dela, que o abraçou, beijando-o com um sorriso brincalhão.
Sempre sabia quem era quem, apesar de usarem roupas praticamente idênticas. Edgar tinha uma pinta sobre a sobrancelha direita, e seus sapatos sempre eram dois números maiores que o do irmão. No resto, eram idênticos.
Pensativa sobre cortar-lhes os cabelos ruivos no mesmo corte que o pai, ela riu quando Anna se viu rodeada pelas galinhas e Arthur todo faceiro atrás dela, rindo e falando suas bobagens de criança.
Edgar havia se agarrado a ela, que o pegou no colo, mantendo-o no braço, enquanto olhava a festa do irmão. Hermione falava com o filho quando Rony entrou na festa das galinhas e colocou Arthur sobre os ombros.
-Vamos almoçar – ele mandou categórico, enquanto Hermione ria dele e dos meninos – Estou morrendo de fome.
Arthur e Edgar falavam fluentemente, mas as vezes, não era possível entender o que diziam, pois entravam numa conversa entre eles, que apenas os dois entendiam.
Juanita reclamou que os meninos haviam almoçado, mas Rony insistiu em manter o meninos na cozinha enquanto almoçava. Passava grande parte do dia cuidando dos afazeres da fazenda e sempre que podia queria os filhos ao redor.
-Não conte a Juanita, mas os dois são educados quando estamos sozinhos – Hermione confidenciou, quando ela os deixou almoçando.
Os meninos brincavam sobre uma tapete no chão, com seus carinhos.
-Juanita não sabe educar crianças – ele concordou.
-Não é isso – ela desacreditou – São dois rebeldes, gostam de enlouquecer as mulheres. Como sou a mãe, não conto – era uma teoria divertida.
-Hum, e isso deve ser culpa minha também?
-Sim, é – ela parou de comer para atender Arthur que veio até ela querendo colo – Sente aqui, Arthur – ela o colocou em seu colo e Rony fez o mesmo com Edgar – Papai tem algo para contar-lhes.
É claro que com tão pouca idade não entendiam o que eles diziam, ou a importância, mas o simples ato de ter esse ritual os incluía nas decisões da família e os integravam, formando um elo entre os quatro.
-A mamãe está esperando um irmãozinho – ele contou, tendo o interesse dos filhos sobre ele – Um amiguinho para brincarem. Quando nascer, terão que ser comportados e obedecer a mamãe. Farão isso?
Os dois meninos concordaram e Hermione duvidou. Os dois só aceitavam a voz de Rony. Apesar de obedecerem-na, sempre aprontavam alguma travessura. Tinha até arrepios de pensar em como seria quando fossem maiores.
-Ótimo. – ele abraçou o filho e o colocou no chão.
Hermione observou os dois brincando e sorriu para ele:
-Acha que eles entendem?
-Não exatamente. – ele respondeu pensativo - Mas vão entender com o tempo. Alias, quando o bebê nascer, terão idade para compreender melhor.
-Espero que sim. Pobre Juanita, não ficou nada feliz em ter mais fraudas para lavar!
-Então, ela ficará feliz em saber que alguns empregados estão pensando em casar e trazer suas famílias para cá. Ando pensando em seguir o exemplo do meu pai e ajudá-los a se estabelecerem por essas bandas, desse modo sempre haverá trabalhadores e não precisaremos procurar novos agregados todos os anos.
-Seria muito bom termos mais trabalho feminino por aqui -ela concluiu – Ainda mais agora – ela acariciou o próprio ventre emocionada. – Trabalho não vai faltar.
-Está feliz, Hermione?
-Não -ela respondeu convicta – Não estou feliz. Eu SOU feliz. –respondeu, a beira das lágrimas – Mas fique bem claro, não terei outro filho nos próximos dez anos!
-Será tudo do seu modo – ele garantiu beijando sua face – Sempre, do modo que a agrade.... – mais um beijo em seu rosto - ...por que eu vivo para te amar e fazer feliz.
-Eu te amo. – ela o beijou com carinho e então, profundidade.
Rony enlaçou-a a tirou da cadeira, trazendo para seu colo. Enlaçados compartilharam do maravilhoso sentimento de amar e ser correspondido.
Isso, até um barulho de algo caindo e se quebrando tirar-lhes a concentração.
Hermione precisou de um olhar para confirmar que seus anjinhos não estavam mais na cozinha. Ela pulou de seu colo e saiu correndo pela casa, e Rony esperou para ouvir suas queixas, enquanto ela repreendia os meninos por alguma travessura.
Ele ficou sentado, almoçando, e sorrindo.
Três a zero para ele, pensou satisfeito.
AUTORA: Ai,que fofo. Estou mergulhada em mel. Não resisti aos gêmeos Wesley e precisei fazer um cap para eles. No próximo a fic acaba mesmo. Estou sem saber o que dizer, nas considerações finais. Está difícil dizer “Fim” sabendo que é fim mesmo!!!!
Recadinhos especiais:
Josy: volto para o MSN a tarde só a partir de quinta, porque estou mudando meu fuso horário, hehe.
Bruna: eu tb preciso te mandar um email (você sabe), mas não acho tempo para finalizar as coisas por aqui.
Mi (minha beta): Se quiser, faça suas considerações finais para o ultimo epilogo. Afinal, essa fic só foi postada em condições apresentáveis, graças a você.
Bjs.