CAPITULO 154 – DIANTE DO FUTURO
O dia seguinte amanheceu ensolarado e com uma temperatura amena, que além de agradável, permitiu a Hermione vestir-se com esmero. Um lindo vestido, um xale delicado de rendas e crochê.
O anel faiscava em seu dedo sempre que penteava os cabelos e as mãos se moviam para cima e para baixo. Ela acompanhava esses movimentos, inclusive quando o sol da manhã o fez brilhar, ao entrar na carruagem.
E seguiu notando seus nuances, dentro da carruagem, até a fazenda dos sogros. Não conseguia tirar os olhos daquele anel.
Vez ou outra um sorriso surgia em sua face, sem razão alguma. Observando-a, Rony reconheceu todos os sintomas e gestos de uma moça apaixonada. Mesmo que não dissesse com todas as letras o que tanto esperava ouvir, ainda assim, podia sentir seus sentimentos em cada gesto, em cada olhar.
Quando chegaram a fazenda vizinha, Hermione sorria de algo que ele dissera e ao saltar da carruagem, deu-lhe o braço, elegantemente cordata, como uma jovem casada deveria ser.
Um forte aroma de comida caseira inundava toda a fazenda Wesley e ao entrarem na casa, foram imediatamente atacados por varias pessoas.
Hermione livrou-se do aperto de sua sogra com uma única pergunta nos lábios:
-Onde eles estão?
Molly a levou até o quarto onde os bebês estavam dormindo. Hermione fugiu da família, não podia esperar para ver se estavam bem.
No berço que fora dos tios, Fred e George, um berço bem maior, os dois bebês estavam acomodados. Arthur estava acordado, e Hermione quase chorou de felicidade ao vê-los. Um dia apenas, e havia morrido de saudade! Pelo visto, demoraria até ser capaz de se afastar de seus filhotes.
-Hermione! Não ouse ficar enfurnada nesse quarto – Gina surgiu na porta, sorridente – Essa festa precisa de você!
-Senti falta dos meus bebês – ela explicou, esperando que a amiga não notasse sua emoção.
-Mamãe, pode nos deixar sozinhas por um minuto? – Gina perguntou a sua mãe que com um olhar compreensivo, deixou-as.
Encostando a porta, Gina se aproximou do berço e espiou os sobrinhos.
-Mamãe e eu passamos a noite toda tendo que acalmá-los. Pobrezinhos, nada era bom o bastante para eles quanto o colo de mãe. Sentiram muito sua falta, Hermione.
-Mesmo? -ela sentiu uma grande emoção ao ouvir isso.
-Apesar da mamãe garantir que isso vai passar, assim que eles crescerem, e esquecerem que tem mães...sabe como minha mãe é – ela brincou para vê-la sorrir – Hermione, preciso tanto falar com você, minha amiga.
-Algo ruim? – elas deram as mãos e foram sentar na cama, com Gina sorrindo.
-Não ousaria falar de coisas ruins nesse dia – ela garantiu, sempre sorrindo – Preciso muito pedir perdão, Hermione e não pude fazê-lo antes, por orgulho.
-Imagine, não tem que me pedir perdão por nada...
-É claro que tenho! Papai me contou coisas que não sabia. Hermione, porque nunca me disse que afastou-se de mim por um pedido dele?
-Porque contaria? Era necessário que nos afastássemos, para que tivesse um futuro, Gina. E fiz o que tinha que fazer!
-Papai me contou coisas que não sabia, e que duvido que você saiba. –ela pareceu incerta.
-Nunca entendi o comportamento do seu pai, Gina, mas esqueci esse assunto do passado. Enterrei todos os meus medos e não preciso mais pensar nisso!
-Faz certo mesmo assim, quero que sabia. Papai me contou que...seu pai, o homem que a criou o ameaçou varias vezes, se interferisse. Meu pai tentou ajudá-la quando seu irmão morreu, mas ele fez muitas ameaças. A amizade acabou e o único modo do meu pai salva-la era contando a historia da sua mãe, mas você jamais acreditaria. Então, ele se manteve longe. Os empregados que você conseguia, eram sempre pagos pelo meu pai para aceitarem trabalhar nas precárias condições que podia lhes oferecer, Hermione. Quando sua família morreu, papai deixou vários homens fazendo segurança da sua fazenda, em segredo, por isso pode passar tantos dias sozinha, sem ser importunada. Deve saber, que papai estava insistindo muito para que um dos meus irmãos a pedisse em casamento. Se Rony não houvesse aparecido, ele teria atentado meus irmãos, até um deles ceder! Entenda, meu pai não é um homem ruim, como pode ter parecido por tantos anos.
-Entendo e acredito. Gina, - Hermione segurou suas mãos com todo seu carinho de amiga – não tenho mais ódio dentro de mim. Posso entender a vida como é, sem rancores. Arthur é um bom pai e criou filhos maravilhosos, nunca vou esquecer como seus irmãos ajudaram nas buscas por mim. Tive a sorte de ganhar uma família maravilhosa quando me casei com seu irmão.
-E esse casamento fez de você minha irmã – Gina afirmou.
-Sim, minha irmã. E Harry, seu marido, é agora, para mim, um irmão. Sabe disso, não é? - precisavam finalmente esclarecer isso e por uma pedra sobre as desconfianças e brigas do passado.
-Sim! Como fui tola! Hermione, fiz da vida de Harry um sofrimento em vão! Pobre homem por me aturar! Não sei como pode ser tão paciente comigo!
-Harry é um homem empenhado. E tem sua recompensa em seus predicados – ela insinuou maliciosa.
-Deve saber, que não tenho mais receio da vida de casada – Gina confidenciou, a voz muito baixa - ele andou fazendo umas coisas comigo... – corou - ...e acho que não há marido mais saidinho no mundo do que ele!
-Seu irmão é terrível – ela confidenciou e as duas seguiram falando sobre assuntos íntimos e maliciosos.
-Meu Deus, deixa-o fazer isso! - Gina teve um momento de horror quando Hermione contou-lhe atos particularmente íntimos – Harry nunca falou nada sobre isso...
Hermione riu.
-Devemos conversar mais sobre esse assunto um dia desses, Gina. – ela acariciou sua barriga.
Gina ostentava uma barriga linda e redonda.
-Mamãe diz que é uma menina, minha barriga está muito redonda, e só pode ser uma menina.
-é seu desejo não é? Uma menina?
-Sim. – ela sorriu – Sinto que Harry também ficaria muito feliz se fosse uma menina! Outro dia eu disse que colocaria seu nome se fosse uma menininha, Hermione. Mas ele disse que não. Vai que ela puxasse o seu gênio...
As duas riam muito de uma conversa totalmente tola entre duas jovens, muito moças e ainda ingênuas, felizes e apaixonadas. A conversa intima só teve fim, quando Molly veio atrás delas, reclamando que o resto da família queria a presença de Hermione.
As duas aproveitaram para levar Arthur e Edgar que haviam acordado para sala, enquanto Hermione seguiu por perto, sempre de olho nos filhos, ansiosa pelo momento de pega-los no colo outra vez.
-Minha filha!
O conde de Valença levantou-se do sofá da sala dos Wesleys com os olhos brilhando de contentamento em vê-la.
Hermione abraçou-o desfrutando do carinho de pai.
-Quanta saudade, minha filha. Diga-me, esse moço tem tratado-a bem? – ele piscou numa brincadeira que arrancou risos de todos – Seus olhos estão brilhantes, está corada. A lua de mel lhe fez bem!
-Com sorte, ano que vem, nesse mesmo dia, estaremos comemorando mais um integrante na família – Rony caçoou.
-Não diga isso! -ela sorriu abertamente – Não ouse, Ronald! Por um bom tempo não quero ouvir falar na palavra gravidez! E dessa vez, eu mesma me cuidarei!
-Esses homens – Molly reclamou – Sempre pensando em filhos!
-é o nosso modo de sobreviver aos anos sempre jovens, Molly – Arthur provocou a esposa, a qual abraçava pelos ombros.
-Um modo muito doloroso, meu sogro – Hermione se aproximou dele. – Gostaria que me desculpasse por todas as vezes em que o destratei. Não sou mais aquela moça perdida. Entendo o que fez por mim, e sou muito grata.
Artur segurou suas duas mãos e levou aos lábios, beijando-as com afeto.
-É muito bem vinda a essa família, Hermione. Os dois presentes que trouxe para nos, são a coisa mais preciosa dessa vida – ele se referia aos netos – Nunca tomei uma decisão tão acertada quanto convencer Rony a desposá-la!
De um modo estranho, sua frase soou estranha.
Houve uma pausa de risos, onde Arthur tentou se corrigir, e explicar.
-Não adianta, meu pai, eu não queria mesmo me casar com ela – ele provocou – Mas isso mudou quando conversamos a sós na sala de espera do banco. Esses olhos me fascinaram.
-Me admira como seu filho tem o dom de mentir com tanta naturalidade- ela revidou.
Rony a tomou pelas mãos e beijou-a para calar suas respostas.
-Mulherzinha respondona – brincou.
-Deixe sua mulher, meu filho – Molly exigiu – Temos presentes de aniversario e casamento para dar-lhes!
-Oh, não, não precisavam! – Hermione foi sincera.
-Qual a graça de ter uma linda filha e não lhe dar presentes? –o conde perguntou.
-Por enquanto, sou sua única filha – Hermione olhou para Elly que levantou para abraçá-la.
-Criaremos a menina que ficou órfã. Mas será como uma afilhada, não ocupara seu lugar em minha vida – o conde afirmou maduro.
-Sim, mas tem uma esposa jovem, quanto tempo acha que vai demorar até me darem irmãos?
Pela primeira vez, o conde pareceu pensar nisso. Em seu primeiro casamento, a falsa Michelle não podia conceber e ele se acostumara a idéia de não ser pai.
-Isso é possível? -ele perguntou a Elly, que corou.
-Sim, é possível. Isso o desagrada?
-Não, acho que não – ele parecia confuso – Tenho uma filha adulta, nunca pensei em ser pai.
-Adoraria ter mais um irmão – ela garantiu notando a fragilidade daquele poderoso homem diante da possibilidade de ser tão feliz assim.
-De verdade? – o conde parecia tão perdido.
-Sim, um irmão é sempre uma dádiva. Ainda mais de um pai tão bom e de uma madrasta tão minha amiga! Alias, sinto falta e Mathias aqui comigo!
-Uma pena Diggory ter resolvido ir embora justo hoje. Ele não poderiam deixar de levá-lo ate a estação.
Elly continua a emoção e Hermione mudou o assunto, para não chorarem!
-E os meus presentes?
O riso substituiu o choro, e ela sentou-se ao lado de Gina e Elly, enquanto Anna cuidava de Edgar que dormia, e Molly acalmava Arthur que acordava e chorava um pouco, de manha.
-Pedi a Harry que me ajudasse a conseguir isso – Gina entregou-lhe uma caixa quadrada.
Era pesado e ao abrir a embalagem, Hermione quase gritou de contentamento. Era um grosso livro sobre direitos igualitários entre homens e mulheres, uma edição proibida em Londres, mas que trazia os principais ideais revolucionários das mulheres, difundidos em toda a Europa.
-Veja, se ela chorar de emoção, juro que pedirei o divorcio – Rony brincou.
Hermione até sorriu.
-É um presente maravilhoso! -ela olhou para Harry emocionada – Significa muito para mim conhecer todos os meus direitos de mulher, obrigada Harry. Gina – sua amida, ao seu lado, era um conforto, depois de tantos anos de afastamento.
-Não pense que é seu único presente – Molly avisou entregando-lhe um embrulho pequeno – Fiz especialmente para você.
Hermione sorriu diante do xale lindamente tricotado, era colorido e vivo, em tons berrantes. Seria de muita valia no inverno. Agradeceu, recebendo um presente de cada um dos familiares.
Durante a conversa, a chegada dos irmãos de Rony, e de Juanita e seus filhos, transformaram a sala dos Wesleys numa verdadeira festa. Hermione riu muito, durante todo o tempo, próxima a Rony, ora abraçados, ora segurando seu braço, ora tendo sua mão em sua cintura, possessivo.
Os meninos iam de colo em colo, e quando conseguiram aquietar as vozes daqueles homenzarrões, era hora do almoço, e estavam todos na mesa, desfrutando da deliciosa comida de Molly Wesley.
-Adolph está encarregado de cortar toras de arvores – Rony disse em meio a conversa. – Ele disse que aproveitaria o dia ensolarado para escolher as melhores. Para ele, não é um trabalho muito pesado – todos não puderam deixaram de concordar – Poderemos terminar o celeiro, e ter um espaço melhor para os empregados dormirem. Transformar o velho celeiro em um verdadeiro alojamento.
-Isso é muito bom – Arthur incentivou – Precisa reorganizar suas cercas, se quiser levar as ovelhas.
-Sim, por isso Adolph foi escolher a melhor madeira. Para isso, e claro, para construir uma casinha ao lado da casa de Juanita.
Na longa mesa, ela e o marido olharam para ele sem entender. Em frente a eles, Duran e Anna comiam e vez ou outra sorriam um para o outro. Estavam casados a vários meses, mas não eram marido e mulher.
Devido a severa vigilância de Juanita, Anna dormia no quarto com os meninos menores e Duran na sala. Algumas vezes, até conseguiam trocar alguns beijos roubados, mas nada além.
-Adolph vai se encarregar de construir um casinha para os dois – Foi Hermione quem contou - Um lugarzinho para o meu herói e Anna.
Era uma brincadeira que sempre fazia o menino corar e querer se encolher e desaparecer. Era um herói, mas se sentia um menino bobo e envergonhado quando as pessoas diziam isso.
-Uma casa? – Juanita ficou chocada – Eles não precisam de uma casa!
-Precisam sim – Hermione lembrou-a – São casados, Juanita. Porque não ensina Anna a se cuidar, em vez de separá-los?
Irritada com a chamada de atenção, Juanita olhou para o filho e para a nora.
Foi salva de dar o braço a torcer e admitir que gostava da menina, embora jamais estivesse pronta e confortável com a idéia de abrir mão de seu filho para outra mulher!
O conde de Valença pigarreou e disse:
-Pensei em levar o menino comigo para Londres, seria interessante ensiná-lo a cuidar dos meus negócios. Desse modo quando estiver com minha filha, terei a certeza que meus negócios estão em boas mãos em Londres.
Anna olhou para o marido amedrontada.
-É uma oportunidade imperdível – Hermione concordou incerta. – Teria que abrir mão de Anna. E não sei se poderia ficar seu meu grande amigo – ela olhou para o menino com duvida – Mas não posso negar, seu futuro seria esplêndido e não posso ser egoísta.
-Hermione – Rony segurou sua mão, entendendo seu dilema – Para o tipo de trabalho que o conde deseja instruir Duran, uma esposa não vai ter espaço. Não por enquanto.
-São tão jovens - o conde opinou – Me diga, menina, abriria mão de seu marido por um ano?
Direto, o conde sempre era direto. Sem meias palavras.
-Se for o desejo dele – Anna parecia à beira do choro.
-Papai, porque o senhor não fica conosco por um tempo? Pode ensinar Duran, conviver com seus netos. Ninguém precisa ir embora – Hermione pediu, antecipando a saudade que sentiria.
-Hermione tem razão, querido – Elly suavizou a voz para convencê-lo – Eu lhe pergunto: poderia abrir mão de Londres por um ano ou dois?
-Gostaria de viver aqui? – o conde pareceu surpreso. – Pensei que não fosse querer deixar Londres!
-E é por isso que tem presa para voltar? -Elly riu – quanta confusão, Edgar. Eu gosto do campo. E gosto muito de ter uma grande e unida família.
-E no inverno que vem, Duran pode ter suas economias para levar Anna com ele para Londres. – Hermione arrematou, aliviada por não perder a companhia de nenhum deles.
Do outro lado da mesa, Anna parecia prestes a chorar de alivio. Juanita ficou olhando para a moça, matutando sobre ela realmente gostar do seu filho, era tão estranho isso. Suarez nunca demonstrava afeição em publico, mas por baixo da mesa, pousou a mão em sua coxa e apertou num claro sinal para que relaxasse.
Ele vivia pedindo que tratasse a menina como a uma filha e não a hostilizasse. Mas era tão difícil simpatizar com a mulher que lhe roubara o filho!
Pensativa, lembrou-se de suas economias. No inverno que vem, ela daria suas economias para que o filho levasse a esposa com ele. Sim, se redimiria por ser incapaz de aceitar que seu filhinho, seu primeiro filho, já era um homem, e estava caminhando para uma vida longe dela.
Mas enquanto isso não acontecesse, não garantia ser muito solidaria com a menina...afinal, tem males que não tem solução!
Em dado momento, Gui desabafava sobre Fler e seus costumes esnobes quando Harry sugeriu que eles viajassem com eles para Londres, depois que Gina desse a Luz e pudesse viajar, desse modo Fler poderia desfrutar um pouco do luxo de Londres e talvez tomar consciência da própria insignificância e dar valor a vida que tinha, com amor, a carinho, em vez de pensar apenas em dinheiro e aparências.
-Harry, Harry, acha mesmo que alguma dessas mulheres permitirá que Gina vá para Londres após dar a luz? – Rony riu, desfrutando desse pacato sossego familiar. – Conte pelo menos uns dois anos, isso, se conseguir tanto.
-Uma criança precisa de uma grande família para crescer feliz – Molly disse, como se fosse obvio.
-Os priminhos devem ter uma boa relação, Harry. Não se esqueça disso, e como isso acontecera se não conviverem? Não quer ter uma grande família unida? – Hermione perguntou, apoiando a sogra.
-Além disso, podemos ter uma menina, e seria bom que ela convivesse com outras mulheres que possam lhe ensinar princípios que as governantas de Londres não são capazes de dar! – Gina também opinou.
Enquanto bebia vinho Rony e os irmão se entreolharam, rindo por dentro. Harry seria sempre voto vencido, assim como eles. Era uma família de mulheres de forte gênio.
Depois de um momento calado, ele suspirou ruidosamente, e vencido.
-Diga-me, Percy, ainda pensa em ser administrador? – ele mudou o assunto e Gina soltou um gritinho de alegria ao descobrir que não partiriam tão rápido assim.
Teria um longo período próxima a família e se fosse bem esperta, poderia viver muitos anos antes que Londres a vencesse e partissem para Londres.
Harry deixou aquelas mulheres acreditarem que haviam vencido, mas ele e Rony haviam debatido a idéia de permanecerem próximos e expandirem seus negócios por aquelas bandas, mas não custava deixá-las acreditarem que estavam no comando, custava?
Depois de um barulhento almoço, e de muita discussão, pois os irmãos de Rony insistiam em levar os gêmeos para darem seu primeiro passeio a cavalo, e Hermione se negava veemente a permitir, todos saíram para a rua.
Por fim, na varanda, ao lado das mulheres, ela assistia com o coração apertado, Rony sobre o cavalo, com Arthur contra o peito, um braço segurando o neném para que não caísse ou corresse risco, no outro cavalo seu irmão Gui fazia o mesmo com Edgar.
Hermione estava orgulhosa mas sentia medo que caíssem.
-sua família é linda, Hermione – Elly disse ao seu lado – É uma mulher de muita luz. Capaz de construir uma família tão iluminada e ao mesmo temo de trazer luz para a vida das pessoas ao seu redor.
Hermione abraçou-a, agradecida pelas palavras. Mas sua emoção durou apenas até Guilherme fazer uma estúpida brincadeira de empinar o cavalo e ela correr até eles, exigindo que lhe devolvessem os filhos. Irritadíssima, quis quebrar a cara daqueles dois palhaços por brincarem com seus sentimentos daquele modo.
Molly, mais experiente apenas riu e seguida por Juanita, apanharam os bebês que precisavam de mamadeiras e trocar as fraudas. Ainda irritada, Hermione quase gritou quando Rony apanhou-a com um braço e colocou sobre o lombo do cavalo a sua frente na cela.
-Não brigue, pequena – ele pediu, sedutor – Estou com saudade dos seus beijos.
-Fanfarrão – ela criticou, mas o beijou.
-O seu fanfarrão – ele instigou seu mau humor natural.
-sim, o meu fanfarrão – ela beijou-o mais uma vez.
-Hermione!
O grito de sua sogra, chamando-a aliada ao choro dos bebês era indicio que deveria ir ajudar. Queria dar o peito, pois tinha muito leite.
-Não me troque por esses homens – ele provocou, numa brincadeira.
-Tarde demais, já troquei – atiçou, escapando dele e saltando do cavalo com agilidade.
Correu para a casa, seus longos cabelos correndo com o vento e segurando a saia. Rony assentiu-a ir com um sorriso. Seus irmãos, em seus cavalos o chamaram para uma corrida, e estando em família, ele os seguiu.
Uma hora depois, eles voltaram com noticias de que uma cerca havia caído na divisa entre as duas fazendas.
-Vida de fazendeiro – Arthur reclamou antes de beijar a esposa e sair com os filhos para o trabalho.
Rony fez o mesmo, despedindo-se de todos.
Hermione foi com ele até a varanda da casa dos Wesleys. Carregava Edgar no colo, segurando-o contra o peito, um braço mantendo-o de pé e de costas para seu peito de mãe. Assim, ele ficava solto para balançar as perninhas e não sentia o cheiro de seu leite e a castigava em horas fingindo mamar apenas para ter sua atenção.
O bebê era espertinho. E manhoso, por isso, tinham que corrigi-lo agora, ou depois viraria outro Ronald Wesley.
Nanando-o, observou Rony colocar o chapéu sobre os ruivos cabelos e esperou que se despedisse dela.
-Não vou demorar. É só o tempo de acharmos o bezerro que escapou e ver o estrago na cerca e voltar. – ele beijou sua testa – Me diga se vai morrer de saudades de mim.
-Vou morrer de saudades de você – era uma provocação e ela sorriu, correspondendo a seu beijo.
Um selinho apressado, pois o trabalho não pode esperar.
-Bom trabalho, Rony – ela disse simplesmente, enquanto olhava para ele com doçura e total entrega – Eu te amo.
Rony ficou parado, imóvel, incrédulo.
Como se nada houvesse sido dito, Hermione se afastou embaçando o bebê e parou na porta, olhando para ele, enquanto beijava os cabelos ruivos de seu bebezinho.
Aqueles olhos diziam mais do que ‘nada’.
Hermione sabia a importância do que dissera. E não dissera por dizer. Engolindo em seco, ele sorriu e foi atrás de seu cavalo.
Era assim que o amor deveria ser.
Simples.
Feliz, Hermione entrou dentro da casa, direto para as muitas vozes, que falavam e falavam, sendo ela, uma das mais animadas vozes.
Seu amor logo voltaria e ela era a mulher mais feliz do mundo.
FIM
Autora: Não acredito que terminou. Estou sofrendo horrores. Achei que ia levar numa boa o fim da fic, mas tô arrasada.
Snif....Snif....Snif....Buáááááááááááááááá´......
Ainda tem 2 epílogos.
Claro que tem 2 epílogos. Não sou capaz de terminar assim, sem mais nem menos....heheh...
Vocês não esperavam que ela ia dizer ‘eu te amo’ de outro jeito, né? Hermione é tudo, menos previsível.
Hehe...
Beijos.
Me digam se odiara. Hehe..