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152. LUA DE MEL – PARTE 1


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 152 – LUA DE MEL – PARTE 1


 


 


 


 


 


 


 


A carruagem chegou ao seu destino a tempo de evitar um desastre constrangedor. Rony segurou suas mãos ousadas, e ambos se recompuseram antes de deixarem o conforto dos estofados e pisarem no chão de terra.


-Não se esqueça, Adolph, não estamos para ninguém. – Rony avisou uma última vez e Hermione nem se deu ao trabalho de reclamar.


Ele destrancou a porta da frente, e antes que ela pudesse entrar, tomou-a nos braços, levando-a no colo para dentro. Deleitada, Hermione sorriu tão feliz que achou que explodiria.


Seria possível alguém morrer de felicidade? Esperava que não!


Dentro de casa, Rony a colocou no chão e trancou a porta sorrindo.


-Estamos completamente sozinhos.


-Sim – ela andou pela sala, girando em torno de si, adorando o modo como o vestido a seguia – Gostou do vestido?


-Lindo. Ficou perfeito em você – elogiou.


-Precisamos estar na casa dos seus pais amanhã para o almoço! Não esqueça, por não saber o dia exato do casamento, tivemos que deixar a comemoração para o dia seguinte! – lembrou-o, enquanto Rony se aproximava.


Nervosa como uma virgem, esperou-o.


-Teremos que passar uma noite inteirinha longe dos bebês... – ela tentou conversar, ignorando seu olhar predatório. Rony ficou bem perto, segurando suas mãos e as colocando sobre seu peito, para sentir os batimentos acelerados do seu coração. – Como posso ficar longe deles tanto tempo?


-Pensaremos num modo – garantiu, sedutor – É cedo ainda, temos o dia todo e a noite toda para aproveitarmos. Hermione, eu...


-Não – ela o afastou suavemente – Sei o que você quer. Mas fiz planos para hoje!


-E desde quando recém casados tem algum plano que não envolva uma cama? – ele questionou.


-Desde quando preparei tudo para passarmos um lindo dia juntos! E mais tarde... Mais tarde falaremos sobre camas. – corou.


-Um lindo dia juntos? – questionou adorando o modo como ela parecia envergonhada por ter pensando em agradá-lo.


-Sim. Fiz sua comida preferida, seus doces preferidos... Vamos fazer um piquenique no lago. Almoçaremos e conversaremos – explicou candidamente, tentando disfarçar o acelerado do próprio coração – Depois, voltaremos para casa, jantaremos. Então, preparei um banho para nós dois, e iremos... Consumar o casamento.


-São esses os seus planos? – ele acariciou seu rosto e ela concordou. - Está bem. Quem sou eu para lhe frustrar os planos? – beijou o canto de seu lábio com o único propósito de seduzi-la.


-Vou trocar o vestido. – ela disse enfeitiçada por sua expressão, sentindo-se tão boba quanto uma menina que realmente acabou de casar-se – Não demoro a arrumar tudo.


-Espero você bem aqui – apontou a poltrona, sorrindo por dentro por conseguir seduzi-la sem a resistência de antigamente.


No quarto trocou-se rapidamente. Escolheu um vestido mais simples, porém novo e bem cortado. Havia se acostumado a boas roupas, e dificilmente saia do quarto sem perfumar-se e colocar alguma jóia.


Calçou os sapatos, e sorriu para a própria imagem no espelho. Será que Rony achava mesmo que iriam apenas ter um comportado piquenique no lago?


Ainda mais corada pelos pensamentos e pelo vestido rosado, ela deixou o quarto. Juanita havia deixado uma cesta preparada, e Hermione conferiu se não esquecera nada. Convicta do que planejara, voltou à sala.


-Vamos a cavalo – ela disse para Rony. – Adolph deve ter deixado seu cavalo selado – avisou.


-Pelo visto, sou vítima de um plano muito bem elaborado! – ele riu, fazendo de conta que iria beijá-la, mas mudando o curso na última hora.


Hermione ignorou a decepção, achado que ele também tinha seus planos ocultos!


E tinha. Ao subir com ele no mesmo cavalo, carregando a cesta em frente ao corpo, soube com toda a certeza, que Rony tinha seus próprios planos.


O torço rijo como rocha mantinha suas costas retas e o calor do peito irradiava para todo seu corpo. Rony havia tirado o casaco e arregaçado as mangas da camisa branca, nova e cheirando a sabão.


Hermione tinha verdadeira fixação em seus antebraços. Pelos ruivos, pele lisa. Mãos graúdas e longas, com dedos grossos, de unhas bem feitas.


Suspirou, diante das lembranças desses dedos em seu corpo.


-Não me tente com seus suspiros, Hermione – ele cochichou em seu ouvido, e ela sentiu o corpo esmorecer por completo!


Calada, recostou-se contra seu corpo sólido, entorpecida. Tinha tanto que dizer a ele. Tantas coisas em seu coração, que precisava desabafar!


Perdida em seus pensamentos, surpreendeu-se ao descobrir que haviam chegado à margem ensolarada do rio.


Rony a tirou da cela com destreza e em uma sintonia perfeita, ambos arrumaram o piquenique.


-Está com fome? – Hermione perguntou abrindo a cesta, e um delicioso cheiro de comida caseira o entorpeceu.


-Confesso que não sou capaz de pensar em nada que não seja você – ele confessou.


-Sendo assim... - Hermione riu e ergueu-se da manta, estendendo sua mão num convite.


-O que vamos fazer? – perguntou malicioso.


-Abrir nosso apetite – provocou – nunca lhe disseram que um mergulho abre a fome em qualquer pessoa?


Sua inocente expressão não o enganava. Então, esse era o plano verdadeiro de sua pequena fada? Seduzi-lo ao ar livre, num dia ensolarado?


Aceitou seu convite e ficou fascinado quando Hermione soltou-o e se afastou, bem na beirinha do lago. Corajosa, abriu o vestido e deixou-o cair até seus pés, sobre a grama.


Nua, sob o sol da manhã, esperou que ele corresse os olhos por seu corpo. Seus cabelos longos caiam por suas curvas e Rony ofegou diante de tanta ousadia e beleza.


Seu primeiro pensamento foi de ciúmes, e a tentação de cobri-la era enorme. Mas a sedução impressa nesse pequeno gesto o desarmou. Satisfeita por ter arrancado dele a capacidade de falar e pensar, virou-se e mergulhou.


Saindo do torpor, Rony despiu-se em tempo recorde.


Hermione mergulhava, esperando por ele, divertindo-se na água fresca. Ficou imóvel, observando-o, quando tão nu quanto ela, Rony ficou de pé diante do seu olhar.


O sol refletido em seus cabelos ruivos, quase tirou seu ar. Seu marido era tão bonito!


Hermione nadou para longe quando ele mergulhou. Queria ser pega. E Rony entendeu. Seguiu nadando atrás dela, rindo quando Hermione fugiu de seu aperto, e mergulhou tão profundamente que não pode segui-la.


Esperou que submergisse para surpreendê-la.


Hermione veio à tona, olhando em volta, tirando o cabelo molhado do rosto. Onde estaria Rony?


Gritou quando foi puxada para baixo. Os dois submergiram após alguma luta embaixo d’água. Hermione o enlaçava no pescoço, os corpos grudados.


-Sua feiticeira – ele sussurrou antes de beijá-la.


Hermione correspondeu com o mesmo ardor, saboreando esse beijo. Corpos molhados, abraçados e entrelaçados. A água cobria Hermione completamente e se Rony não a amparasse e mantivesse contra ele, afundaria.


Aqueles seios apertados contra seu peito, os bicos rijos arranhando sua pele e deixando-o consciente do quanto era homem. Desceu as mãos de sua cintura e as posicionou em seu bumbum, agarrando a pele e amassando a carne macia entre seus dedos. Hermione gemeu, e afastou a boca da sua por um segundo, obrigando-o a beijá-la novamente, com força, e para ser franco, com um pouco de brutalidade.


Hermione correspondeu do mesmo modo, agarrando seus cabelos molhados entre os dedos. O beijo era fundo e único, exigindo tanto dos dois que sem fôlego, se afastaram apenas um pouquinho.


-Foi assim que me beijou na primeira vez que nadamos juntos – Hermione lembrou, os olhos fixos nos seus.


-Lembro que me detestou por isso. – acusou, esperando para saber o que ela pensava do assunto.


-Não detestei, eu o odiei – diante de sua expressão, ela beijou seu queixo, intensificando o desejo e a excitação em Rony – Odiei o que despertou em mim. A sensação de felicidade e de... - “amor”, pensou, mas não disse. -... Desejo.


-Eu só queria te fazer entender como me sentia – desculpou-se.


-Agora eu sei. - Marota, mordeu sua orelha e aproveitando sua surpresa escapou dele. – Aposto como não me pega!


Rony a deixou ir. Deu-lhe a vantagem de algumas braçadas, antes de segui-la. Deixaria que ganhasse, para inflar seu ego. Só não estava preparado para a canseira que Hermione lhe deu com suas braçadas vigorosas.


Seu corpo era pequeno, mas tinha tanta energia e vitalidade quanto o corpo de um homem do seu tamanho!


Desistindo, resguardou sua dignidade, e agarrou seu pé, puxando-a pela água. Hermione esperneou e ele riu, enquanto a agarrava.


-Chega pequena. Assim você me mata!


-E quem disse que não é exatamente isso que eu quero? – ela perguntou desafiadora, aquele narizinho arrebitado pedindo por um beijo.


Contrariando seu desejo, deu-lhe um tapinha amoroso na nádega e sustentou-a contra o peito, devorando seu pescoço.


Envolvida em seus braços, Hermione entregou-se, esquecendo completamente seus planos de sedução. Iria ser como Rony quisesse. Não tinha forças para lutar contra o próprio desejo escancarado!


A água fresca do lado em sua pele era um poderosos afrodisíaco, e Rony a ergueu acima, evolvendo suas pernas em sua cintura.


-Rony, amor, eu quero sentir o seu gosto – ela pediu, impedindo-o de seguir. Um poderoso gemido escapou de seus lábios diante desse pedido.


-Não posso esperar – ele lamentou, tentando beijar seus seios, mas ela empurrou-o.


Nadou para a parte mais rasa do lago e esperou que viesse em busca de seu corpo. Não o deixou abraçá-la, estendeu as mãos e segurou-o.


Rony arfou quando suas mãos o seguraram naquela região endurecida e erguida em sua homenagem.


Refreando o impulso de tomá-la de imediato, agarrou seus seios e provocou os bicos, com puxões. Hermione gemeu, seguindo com os carinhos íntimos.


Seu plano era muito simples, levar esse homem a loucura. Porém agora, era difícil manter o curso dos pensamentos. Quando Rony tornou a beijá-la, enfurnando uma das mãos entre suas pernas, aqueles dedos maravilhosos entre suas dobras, ela esqueceu quase completamente de seu objetivo.


-Hum, Rony, eu queria... - calou-se diante daquela boca que lambia seus seios.


-O que você queria? – instigou, adorando o modo como gemia.


-... Enlouquecê-lo. – confessou.


-Tem feito isso durante toda a semana, se negando a fazer amor. – ralhou, gemendo quando suas mãos atrevidas intensificaram os movimentos, manipulando-o com toda a experiência de uma jovem apaixonada por um marido viril. – Não poderia me enlouquecer mais do que se negando a ser minha!


-Não diga isso! – pediu surpresa, soltando-o – Me faz pensar em como fui cruel com você durante tantos meses!


-Adoravelmente cruel – ele brincou, roubando-lhe um forte beijo. Quando acabou, sustentou-a em sua cintura, e Hermione enlaçou as pernas em volta de seu quadril – Cada dia de tortura valeu a pena apenas para tê-la assim, junto de mim...


Aquecida pela sedução daqueles olhos, Hermione jogou a cabeça para trás, num grito de paixão ao ser penetrada.


Sob o sol os corpos se moviam, repetindo os movimentos primitivos de cópula, enquanto a natureza a sua volta seguia seu rumo independentemente de ambos e do prazer que partilhavam.


Inebriada pelo prazer, Hermione curvou o corpo para trás, e Rony a sustentou, seu tronco na água, enquanto os quadris se fundiam e se chocavam um contra o outro. Seus braços correram sobre a água, integrada a vida a sua volta, tão selvagem com quanto os animais a sua volta, passarinhos que cantavam nas copas das árvores. Roedores sobre os galhos, e tantos outros que se escondiam no bosque fechado.


Era humana, ou apenas ser vivo, pois nesse instante, sentia-se selvagem e apaixonada quanto qualquer fêmea sendo conquistada por um macho dominante.


Sustentando-a pelo quadril, ambas as mãos mantendo-a firmemente contra ele, Rony gemeu, a cabeça atirada para trás, o prazer queimando dentro dele como uma labareda de fogo.


A água em seus seios, a acariciava como um amante experiente, e o calor em seu ventre irradiava para todo seu corpo. Rony, num ímpeto de paixão, puxou-a bruscamente de volta para ele. Hermione caiu contra ele, sendo penetrada tão profundamente que gritou. Inchado, longo e audaz, a cortava em duas, e dividia seu autocontrole, transformando-a em nada além de poeira de estrelas.


Devorou seus lábios cheios com um beijo profundo, mantendo-o parado para beijá-lo. Seu quadril se forçava contra ele ditando o ritmo que desejava, e finalmente chegou a um ponto insuportável.


Tão insuportável, que o gozo a fez soltá-lo e morder seu ombro, enquanto sentia seus movimentos desgovernados dentro de seu corpo.


Rony espalhou sua semente dentro dela, gemendo de prazer e dor.


O sol ainda queimava sobre eles, a água ao redor, placidamente testemunhando aquele encontro de almas.


Mais calmo, Rony beijou seu pescoço e ombro, soltando-a gentilmente dentro da água.


-Minha mulher – ele beijou-a, enquanto os dois nadaram lentamente e juntos pelas águas calmas.


Saciados, calmos e serenos, o desejo saciado.


-Meu homem – ela respondeu, sorrindo lânguida – e meu marido.


-Diga que me ama – ele pediu.


Ficou sem resposta e na dúvida se Hermione ouvira seu pedido ou não. A espertinha mergulhou e submergiu sorrindo.


-E agora? Está com fome?


Teve que rir para ela e dela. Sim, estava com fome! Muita fome!


-Não ouse sair desse lago, Hermione! – ele gritou, passado o desejo, o ciúme o dominou.


Hermione parou, a meio caminho da margem. Teve vontade de rir na cara dele. Achava mesmo que podia lhe dar ordens?


Ignorando-o completa e inexoravelmente, saiu do lago, nuazinha. Era a primeira vez em sua jovem vida que fazia isso, e tinha a certeza de ser o certo. Afinal, os empregados estavam cuidando da fazenda, e os que tiveram folga por conta do casamento estavam na fazenda Wesley ajudando nos preparativos da festa.


Sendo assim, não havia menos possibilidade de serem espiados! E se fossem... Bem, fazer o quê?


Sentiu vontade de provocá-lo, mas não fez isso.


Rony observou-a andar nua sobra a grama. Suas costas lisas, o bumbum arrebitado e pequeno as pernas bem feitas... Sentiu o sangue ferver nas veias.


Teria torcido seu lindo pescoçinho ao sair do lago, se ela não o surpreendesse, retirando uma camisa limpa de dentro da cesta e a vestindo sobre o corpo molhado.


O tecido grudou em sua pele, e ficou transparente em vários pontos, inclusive sobre os mamilos rosados, mas ao menos a cobria e escondia suas curvas. Melhor dizendo, acalmava seu ciúme.


Nu, jogou os cabelos para trás com as mãos, e avançou em sua direção pingando.


Hermione ergueu os olhos para o homem nu diante de si. Lambeu os lábios de vontade de mais, porém ainda tinha planos para a noite, e não o deixaria frustrar suas fantasias de ter tudo perfeito na lua de mel!


-Vista sua calça, ou não poderá provar o bolo que fiz para você – pediu com a boca seca, ansiosa.


Desconfiado, vestiu a calça e sentou-se ao seu lado na manta. Hermione serviu o doce, e não olhou para ele.


-Tem algo que quer me dizer, Hermione? A razão desse Piquenique?


-Coma primeiro – estendeu o prato para ele, ansiosa.


Desconfiado sobre suas possíveis e terríveis revelações, comeu vários pedaços, sempre procurando sondar seu rosto em busca de explicação ou uma dica sobre qual era o assunto tão horrível que a compelia a agir desse modo.


Satisfeito seu apetite pela comida, Hermione deixou a cesta do outro lado e perguntou-se se não queria se deitar e deixar o sol secá-lo.


Controlando a vontade de obrigá-la a dizer o que escondia, deitou-se com os braços cruzados atrás da cabeça. Hermione tinha razão, o sol quente logo secaria a pele, os cabelos e as roupas molhadas.


-Sobre o que devemos falar? – perguntou-lhe tentando não parecer tão direito ou ansioso.


-Vamos falar sobre o que eu fiz ao longo desse ano – ela disse subitamente tensa.


-E o que você fez ao longo desse ano?


-Você sabe – ela corou, pedindo ajuda aos céus para ser capaz de dar o braço a torcer e deixar o orgulho de lado.


-Não, eu não sei. – foi categórico.


-Rony... – Hermione sentou-se, abraçando os joelhos, olhando em volta, para a natureza, que apesar de linda, não podia ajudá-la em nada! – Sabe muito bem o que quero dizer.


-Não, eu não sei. – insistiu.


-Vivi coisas nesse último um ano que não saberia explicar – começou a se justificar - a morte dos meus pais... Da minha mãe, da minha irmã, e do homem que me criou – corrigiu-se, pois muito do afeto que tinha por aquele pai havia sido substituído por melancolia, depois de saber de suas más intenções em relação ao seu destino – eu achei que nunca mais seria feliz na vida. Eu passei muito tempo me culpando por não ter chegado minutos antes, por não ter estado em casa quando tudo aconteceu. Depois, me convenci que não era certo estar viva enquanto eles haviam deixado esse mundo! Sei que não é racional, mas foi nesse momento que apareceu na minha vida – olhou para ele com algo meigo no olhar – Acredite, se houvesse chegado um mês antes, quando estávamos vivos, apesar de não ser a pessoa mais expansiva do mundo, teria ao menos sido educada e o tratado bem, e se houvesse me proposto casamento, teria sido uma esposa comportada. Mas não foi assim que aconteceu.


-A vida nunca é do jeito que deveria ser – concordou, ansioso para ouvir mais.


-Sei que vai rir de mim. – acusou, com a sombra de um sorriso pairando nos lábios, enquanto afastava os cabelos quase secos do rosto, e o encarava corajosamente, abrindo seu coração – Mas quando nos vimos na estrada... Eu quis lhe dar carona – confessou, como se isso a transformasse em alguém fraco ou bobo – E quando esteve na fazenda com seu pai... Eu quis muito, dizer sim. Dizer que era grata por ter alguém que poderia cuidar de mim e que se fosse alguém tão sorridente e bonito, então... Seria maravilhoso. – fechou os olhos, envergonhada – mas eu tinha tanto medo de ser enganada, de ser roubada. Eu... Achava que estava me roubando! Quando... Chegou à fazenda com seus empregados, tomando decisões... Foi à morte para mim.


Rony sabia de tudo isso, mas era bom ouvir dela, finalmente.


-Não sabe, mas quando derrubou a cerca que meu irmão fez, eu quis matá-lo!


-Não sabia disso – ele confessou, surpreso.


-As mudanças na casa, eu gostei de todas elas, e senti quando parou as reformas. Sei que parou por minha causa, para não me deixar magoada, eu senti isso. Mas não podia evitar a mágoa. Não conseguia entender e aceitar. Sentia tanta culpa e medo de viver! - Hermione não choraria, as lembranças não podiam fazê-la chorar. Estava decidida, e apesar dos olhos úmidos, conteve o pranto e seguiu falando – Nunca desejei de verdade apontar uma arma para você! Porém, me sentia tão confusa quando se aproximava! Tão perdida! Eu não sabia o que fazer com meus sentimentos, como me proteger! Pode entender isso? – ele concordou – Eu não pude. Quando... Consumamos o casamento – ela corou diante da lembrança, enquanto olhava para baixo, para a barra da camisa de algodão, brincando com a costura. – eu não queria depender de mais ninguém na vida. Não podia aceitar ser mulher de alguém. Por isso na manhã seguinte o rejeitei. Acredite, me senti a pior das mulheres fazendo isso! Eu quase... Quase pedi desculpas!


-Se houvesse feito isso, não teria quebrado a roda da carroça de propósito para manter o banqueiro em casa – ele garantiu, com um olhar doce diante de suas revelações.


-Me chantageou – ela acusou – mas hoje, sou grata por isso.


-Por quê? – precisava ouvir dela.


-Porque assim ficamos íntimos e mais próximos. E possivelmente em uma dessas vezes, eu engravidei. Além disso, a cada noite, eu me perdia um pouquinho, e minhas convicções iam por água abaixo! – sorriu – o mesmo aconteceu quando... Sua amante chegou. – ela não podia refrear o impulso ciumento ao lembrar-se disso.


-Lavander não era mais minha amante – lembrou-a, apenas pelo hábito.


-Sim, mas havia sido, isso... Deixou-me ciumenta. Eu estava perdida. Completamente perdida e odiei tanto vocês dois!


-Então, pode imaginar como me sentia vendo-a com Harry - ele acusou.


-Harry? Por favor! Quer comparar um amigo dedicado e solitário, com as atenções de uma amante grávida exigindo responsabilidades? Eu a detestei tanto!


-E descontou em mim cada vez que sentiu raiva – ele definiu.


-Sim. Foi assim a cada vez que pensei que poderia ir embora. Eu tinha certeza que um dia iria embora! Com lilá, com Susan... Com quem fosse! Um da iria embora.


-Mas eu deixei claro que nunca a deixaria! – indignou-se.


-Sei disso, mas não conseguia ver com clareza, como vejo hoje! – também alterou a voz – Você não sabe, mas eu odiava o modo como parecia sempre estar olhando para mim! Agora eu sei, que era eu quem estava sempre olhando para você! Entende? Você vinha para casa atrás de mim, me seguia pelos lugares que eu ia, mas era eu quem estava esperando que fizesse isso! E quando não fazia, ficava decepcionada! – inflada, sentiu um gosto estranho na boca, a amargura da impotência – Eu tentava odiar mina nova vida, mas não conseguia! Minha irmã estava morta e era ela quem deveria se casar com alguém como você! Foi assim que fui criada. Sabendo que Ann era especial, e eu não! Então, quando dizia o contrário, eu não podia acreditar e lutava contra isso!


-Hermione – ele a puxou para seus braços, e Hermione deixou-se abraçar.


-Eu não sei quando passei a desejá-lo na minha vida, mas sei que parei de ter medo quando descobri que estava grávida. Ainda estava assustada e enfurecida com tantas mudanças, mas não era uma raiva dirigida a você. Era dirigida a mim mesma e a vida, eu não sei definir exatamente como me sentia. Eu só sei que desejava meu filho com a mesma paixão que desejava meu marido em minha vida. Logo eu, que não queria ser casada.


-Acha que foi pela gravidez que me aceitou de fato? – acariciou seus cabelos, enquanto ela mantinha o rosto em seu peito, abraçados.


-Não. Eu já o tinha aceitado, só não sabia – sorriu erguendo o rosto e fitando seus olhos azuis como o céu acima de sua cabeça – Saber que tinha um pai, que era amada por alguém nessa vida, foi um bálsamo. Mas foi um complemento, pois já era feliz, só não podia aceitar ser assim tão simples!


-Em meio a tantos sentimentos, eu trouxe meus problemas para sua vida e confundi tudo, não é?


-Sim, mas foi bom. Ter ido a Londres foi muito bom. Descobri que tem algo dentro de mim que gosta de lutar. Se pudesse viveria no Rose Nell, e ajudaria tantas pessoas quanto fosse possível! Mas não sou dedicada à causa como nossa amiga Roxanne Lammer. Descobri que gosto de bailes e gosto de estar bonita. Sempre gostei, mas não sabia!


-Agora acredita quando dizia o quanto é bonita? – acariciou seu rosto e ela sorriu.


-Um pouquinho, às vezes acho que exagera – revidou, sorrindo sempre.


-É como a vejo - foi enfático.


-Quero que saiba que tudo que passou, quando estava sozinha, temendo morrer nas mãos de Malfoy, e depois temendo morrer num parto, sozinha, no meio do mato... Eu pensava em nossa vida juntos, em como era feliz e em como desejava voltar e estar segura em seus braços.


-Eu não estava lá, Hermione. Não estava lá para protegê-la.-  ainda sofria por isso.


-E não deveria estar. Precisava me agarrar à vida, Rony, para saber o quanto ela é boa. Temi morrer. Eu desejei a morte várias vezes, e então... Ela estava bem diante de mim e lutei com todas as minhas forças para combatê-la. Pode entender o que digo?


-Posso sim – garantiu, emocionado.


-Eu sou mãe. E mal posso crer que seja tão feliz sendo mãe. Quando penso em como relutei com a idéia, sinto-me uma boba!


-E foi muito bobinha sem notar os sintomas – ele riu abertamente e ela sorriu diante da lembrança.


-Sim, estava tão ocupada me martirizando contra minha própria felicidade, que nem notei que estava grávida!


-Foi divertido ver a moça tão inteligente e sagaz, sendo feita de tontinha sem notar - ele riu.


-Não ria de mim. – acariciou seu peito, rindo sem querer – Quero que me desculpe por tudo que fiz, por todas as vezes que o ofendi ou magoei. Pode me perdoar por ter sido tão cega?


-Não posso perdoá-la. Era algo que tinha que passar, como bem disse antes. Do mesmo modo que não posso pedir desculpas por tê-la levado ao limite diversas vezes, e sei que em varias ocasiões a magoei.  Nem sempre fui gentil, mas tudo que desejava era trazê-la de volta para a vida, Hermione. Pode entender isso? As razões para não pedir perdão e não dar perdão?


-Sim, eu posso – seu sorriso era de pura felicidade.


-Não é uma pessoa fácil, Hermione. O fato de admitir que me quer bem, não a transforma numa criatura doce e cordata. Não me engano quanto a isso. Do mesmo modo que amá-la não fará de mim o homem mais volátil do mundo. Infelizmente, sempre iremos bater de frente – profetizou.


-Não estou preocupada quanto a isso – confessou, aliviada por ter colocado todas as suas amarguras para fora.


-Porque não?


-Porque agora eu sei como me sinto. E sei como devo ser como esposa – contou.


-E como deve ser uma esposa?


-Devo ser compreensiva, mas não muito, ou vai achar que pode mandar em mim, e devo falar antes de gritar. Você não parece entender quando grito – provocou – Deve ser algo genético, pois seus irmãos não primam pela inteligência...


Rony riu.


Hermione fazendo piadas era sempre algo engraçado. Sagaz, sabia ser muito agradável quando desejava!


-Lembre-se que nossos filhos partilham nossa genética.


-Sei disso. Acha que não me preocupo? – fingiu zangar-se – que posso fazer? Puxaram por você. Só posso rezar para que haja duas mulheres loucas o bastante para suportá-los no futuro!


-Deve haver – ele concordou, sentando-se e a levando com ele, olhos nos olhos – Eu te amo, Hermione.


Sim, era amada, pensou. Levou um segundo para as palavras saltarem em sua boca. ‘eu te amo’, pensou e disse. Infelizmente, Rony grudou os lábios nos seus antes que as palavras fossem proferidas, e depois disso, ela esqueceu de tudo que não fosse seu ruivo, seu gosto e o prazer que lhe proporcionava....


 


 


 


 


 


 


AUTORA: Calma. É a parte 1. Tem mais NC no 153. “aquele” tipo de NC. Heheheheh...


 


 

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