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2. DOIS


Fic: O Regresso do Héroi


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Gina precisou inclinar a cabeça para trás para observar o rosto de Harry, sombreado pelo chapéu azul-marinho de aba larga.


Ele parecia mais velho, o rosto afinara e mostrava uma expressão quase severa. O queixo tornara-se mais bem delineado e rijo, revelando força de caráter e determinação. Dois anos haviam bastado para transformá-lo de jovem agitado em adulto amadurecido. O rosto tomara-se ainda mais bonito, com as feições cinzeladas mais marcadas.


No entanto, a rebelde mecha de cabelos escuros de que ela se lembrava tão bem continuava a mesma, porque escapara do chapéu e caía na testa larga. Os olhos verdes fitavam-na com extrema atenção, como se quisessem ler sua mente...


Ela sentiu um arrepio e recuou um passo, notando que as pessoas haviam ficado em silêncio, obviamente esperando que Harry dissesse alguma coisa.


– Gina... – ele murmurou por fim.


Ouviu-se um suspiro coletivo de satisfação, como se algo de grande importância houvesse acontecido.


Incomodado, Harry não sabia o que mais poderia dizer à mulher. Qualquer homem, principalmente um como ele, que passara as últimas semanas olhando para sobreviventes de guerra, feridos e mutilados, se deslumbraria com tanta beleza. Ele, porém, mesmo sabendo que devia orgulhar-se de uma esposa tão bonita e demonstrar isso, não sentia orgulho nem qualquer outra coisa.


Não conseguia fazer um gesto, parado na plataforma como uma estaca, e as brincadeiras e risos do povo ali reunido só o irritavam. Gina também não devia sentir-se muito à vontade, pois tudo o que pudera fazer depois de beijá-lo fora exibir um sorriso breve e hesitante.


Ele imaginou se ela já notara diferença em suas atitudes, se esperara um abraço, um beijo apaixonado, uma observação gentil. O medo de trair-se cresceu dentro dele, oprimindo-lhe o peito.


Fora um tolo, acreditando que poderia enganar a própria esposa. E seria ainda mais, se esperasse ser capaz de continuar a desempenhar um papel que não conhecia. Como poderia fingir ser o mesmo, se nem sabia como fora, como agira, do que gostara?


Manteve-se perfilado, ignorando a dor no quadril, sabendo que teria de dizer algumas palavras às pessoas que o tinham ido receber, mas isso era impossível. No entanto, tinha de fazer alguma coisa para sair daquela situação constrangedora.


– Vamos para casa, Gina – disse por fim, forçando os músculos da garganta, que pareciam paralisados.


Ela olhou-o com indisfarçável surpresa, mas não protestou. O prefeito, porém, postou-se diante dele, como que para impedi-lo de ir embora.


– Não pode nos deixar ainda, Harry. Preparamos uma festinha para você – explicou em tom autoritário e um tanto irritado.


Harry fitou-o, refletindo que a última coisa que queria era estar no meio de um bando de gente que ficaria falando de fatos de que ele não se lembrava. Não podia ir à festa, ou seria desmascarado.


– Vou para casa – anunciou secamente.


O prefeito franziu a testa, aborrecido, mas a multidão começou a abrir caminho, respeitando a vontade de Harry. Gina introduziu uma das mãos enluvadas na curva de seu braço, e ele tentou não mancar demais quando começou a andar ao lado dela.


Era estranho caminhar de braços dados com uma mulher desconhecida, que o conduzia em direção a uma carruagem aberta estacionada diante da plataforma. Mas isso não era nada, perto do que ele sentiu quando ocorreu-lhe que teria de guiar os cavalos que puxavam o veículo. Nenhum cavalheiro deixaria a esposa fazer isso em seu lugar. O problema era que ele não sabia que rumo deveria tomar.


Tanto poderiam estar perto de casa como a quilômetros de distância. Ele estacou na calçada de madeira, como se suas botas ficassem repentinamente coladas ao chão.


– Harry? Algum problema? – perguntou Gina, olhando-o com preocupação.


– N-não... É que eu... hã... – gaguejou, sem saber o que dizer.


Olhou em volta, confuso, vendo que a multidão começava a dispersar-se, mas algumas pessoas permaneciam ao redor, observando-os.


Desesperado, baixou o olhar para o rosto de Gina e, mais uma vez, admirou a delicadeza dos traços, a pele clara e perfeita, os grandes olhos azuis que o fitavam com expressão paciente.


Imaginou como fora capaz de conquistar uma jovem tão linda. Teriam sido amigos de infância, ou alguém os apresentara num baile qualquer? Gina amava-o de verdade? E ele? Estivera realmente apaixonado por ela?


– Gostaria de ir ao jornal, Harry? Não verá Hagrid, que já deve ter ido para casa, mas se quiser ir lá...


– Quero, sim – ele aceitou, lembrando-se de que ela mencionara um jornal chamado Gazette em suas cartas.


– Vamos a pé?


– Claro – ele respondeu, embora a dor no quadril e na perna houvesse ficado mais intensa.


Mas suportaria qualquer coisa para adiar o momento em que teria de dirigir os cavalos atrelados à carruagem, sem saber para que lado ir.


– Receio que vá achar nossas instalações um tanto modificadas – ela comentou.


Não, não vou notar nenhuma modificação, ele refletiu, angustiado.


Caminhando ao lado de Harry, Gina pensava nas horas que passara tecendo fantasias a respeito da volta dele.


Imaginara-o descendo do trem e aproximando-se dela com os braços abertos, pronto para abraçá-la e beijá-la cheio de saudade. Ansiara por ouvi-lo dizer que a amava e sentira sua falta.


Como fora tola, esperando essa atitude de um homem como Harry Potter! Ele não fora capaz de expressar os sentimentos com palavras, antes de partir, e não o fizera nas cartas que escrevera. Ela devia saber que ele jamais revelaria o que sentia em público, numa plataforma ferroviária lotada de gente. Mas esperara pelo menos uma pequena demonstração de afeto e ficara profundamente decepcionada com a frieza do encontro.


Afastando os pensamentos perturbadores, ergueu a sombrinha um pouco mais, tentando abrigar Harry do sol inclemente. Ele inclinou a cabeça para a sombra, mas evitou encostar-se nela.


Gina, sentindo-se rejeitada, quase retirou a mão do braço dele, mas reprimiu o impulso, pois aquele pequeno contato dava-lhe algum conforto, no estado de confusão em que se encontrava. Por que Harry a estava tratando com tanta frieza? Ela teria deixado escapar alguma coisa nas cartas, revelando suas atividades no Gazette, e por isso ele se aborrecera?


Não, não havia nada com que se preocupar, concluiu.


Precisava ter paciência. Os homens que iam para a guerra sempre voltavam diferentes e precisavam de um tempo para voltar à normalidade.


Era bom ter Harry de volta, e ela, sentindo sob os dedos os músculos rijos do braço dele, experimentou uma onda de sensações esquecidas. De repente, uma alegria imensa invadiu-a. Ele voltara, não perecera no conflito, como tantos outros.


Não parecia ser o mesmo Harry, isso era um fato. Onde estava o homem que adorava ser o centro das atenções? O jovem ousado, que um dia aparecera no baile de Hogsmead e roubara seu coração?


Ele deveria ter ficado contente com a manifestação de carinho e admiração do povo que fora esperá-lo, mas de modo surpreendente mostrara-se reservado, quase aborrecido, e ansioso por ir embora.


Talvez o fato de estar mancando o afligisse, atingindo-o em seu orgulho, e ele quisesse furtar-se à curiosidade das pessoas. Sim, devia ser isso.


Quando se estabelecera em Potterlane, após o casamento, ela notara que Harry sentia-se compelido a ser melhor do que os outros homens, em tudo, como que para compensar o fato de ser neto de um doente mental. E sua disposição em ir para a guerra fora, talvez, motivada pela necessidade de provar que era forte e capaz sob todos os pontos de vista.


Gina podia entender isso muito bem. O velho Potter era ignorado e mantido à margem da correnteza de acontecimentos, e isso tornara-se ainda mais evidente durante o conflito a respeito da escravidão e da secessão. A maioria das pessoas consideravam o capitão um coitado inofensivo, mas um estorvo, de qualquer modo.


Harry cerrou os dentes, tentando bloquear o tumulto em sua mente. O esforço que fazia para lembrar-se de alguma coisa, combinado com o calor e com a dor no quadril, deixara-o completamente exausto. Mas, ainda assim, ele procurava andar o mais ereto possível e sem mancar demais, embora ansiasse por sentar-se num canto, sozinho, onde pudesse buscar um pouco de paz.


Ouviu Gina suspirar e refletiu que tinha de falar com ela, acalmar seus óbvios receios, mas o medo de trair-se manteve-o calado.


Por fim, pararam diante de um prédio onde uma placa anunciava, em grandes letras pretas, que ali funcionava o jornal Gazette. Ela abriu a porta com uma chave que tirou da bolsinha de tecido pendurada na cintura. O odor pungente de tinta e papel permeava o ar, e Harry aspirou-o profundamente. Por algum motivo, seus sentidos tornaram-se mais agudos, e ele experimentou uma estranha agitação íntima, mas nenhuma recordação aflorou-lhe à mente.


Entraram, e ele, não suportando mais a dor, apoiou-se nas costas de uma cadeira e fechou os olhos por um momento. Quando tornou a abri-los, viu que Gina fitava-o atentamente. Os olhos azuis, plácidos até então, cintilavam com um brilho diferente, e Harry observou, fascinado, a curiosa transformação.


– Harry Potter, por que se maltrata assim? – ela perguntou em tom de leve censura. – Sei que detesta parecer fraco, mas é óbvio que não está totalmente recuperado dos ferimentos. Por que aceitou vir a pé?


– Eu...


– Vou mandar buscar Toby Sillers, para que ele nos leve para casa – ela declarou, interrompendo-o.


Harry não sabia nada sobre como se comportara no passado, mas, por instinto, soube que ela dizia a verdade sobre ele ser um homem que não suportava demonstrar fraqueza.


Não se arrastara da estação até ali, claudicando o menos possível, para não se sentir humilhado? Isso queria dizer que sua personalidade, apesar de mergulhada no abismo da amnésia, devia ter se conservado intacta.


O alívio que sentiu misturou-se à mortificação, porque ele percebeu que não gostava nem um pouco de mostrar-se fragilizado aos olhos de Gina. Mas teria de engolir o orgulho e aceitar toda a ajuda que ela lhe desse.


– Acho que ir para casa é uma boa idéia – concordou. – Você tem razão. Ainda não me recuperei totalmente.


Ela fez um gesto afirmativo com a cabeça e saiu para a rua. Harry largou-se na cadeira e tirou o chapéu, jogando-o sobre a mesa ao lado. Perdeu-se em reflexões, imaginando se conseguiria continuar enganando Gina. Ela o conhecia e com certeza notaria que havia alguma coisa errada. Se já não notara, porque era inconcebível que um marido, voltando da guerra, depois de dois anos de ausência, não fizesse nenhuma referência ao passado, nenhum comentário.


Depois de um tempo que não soube calcular, ele ergueu os olhos e viu Gina parada na porta, olhando-o. Fitou os olhos azuis e sentiu a alma desnudada, como se ela tivesse o poder de penetrar-lhe o íntimo.


O coração de Gina foi agitado por uma onda de compaixão, quando ela viu a expressão dolorida e vulnerável nos olhos de Harry. Era evidente que ele precisava de ajuda e que estava pronto para aceitá-la, algo que a fez adivinhar uma faceta de sua personalidade de que ela nunca suspeitara.


– Se dei a impressão de que você não seria capaz de dirigir a carruagem até em casa, peço desculpas, Harry. Eu só queria ter o prazer de fazer alguma coisa por você.


– Eu entendo – ele murmurou.


 


Toby manteve os cavalos a passo rápido durante todo o caminho para fora de Hogwarts. Gina sentiu-se menos acalorada, com a brisa soprando em seu rosto, quando a carruagem entrou na estrada sombreada por árvores. Mas não se sentiu menos perturbada.


Pegou-se observando Harry disfarçadamente e surpreendeu-se com a curiosidade que ele demonstrava por tudo o que via, como se aquela fosse a primeira vez que passasse por aquele caminho.


Então, ele começou a fazer perguntas estranhas e hesitantes, até que, parecendo satisfeito, calou-se.


Por fim, percorreram a longa alameda coberta de pedregulhos que levava a Potterlane, e Toby parou o veículo diante da casa. Gina olhou para Harry, que, parecendo congelado no assento, examinava a imponente residência com ar de profunda admiração. Ela imaginou o que o lar devia significar para um homem que enfrentara a morte repetidas vezes num campo de batalha.


– Grande, não? – ele comentou, flexionando os dedos nervosamente.


Olhando para o prédio de dois andares, feito de madeira e pedra, perguntou-se como uma pessoa podia esquecer a própria casa. Ele esquecera. Era como se nunca houvesse estado lá.


– Quando você me trouxe aqui pela primeira vez, eu disse que a casa era grande e vazia demais – Gina lembrou-o gentilmente.


– Não me recordo – ele replicou em tom áspero.


Gina ignorou a dor causada pela resposta brusca. Prometeu a si mesma que, em vez de melindrar-se por qualquer coisa que ele dissesse, faria o que pudesse para ajudá-lo a sentir-se novamente em casa.


Harry saltou do carro para o chão e franziu o rosto num trejeito de dor. Gina observou-o, dando graças a Deus por ele ter voltado para ela, sem mutilações, lesado por ferimentos que podiam ser graves, mas que já estavam quase curados.


Ele pegou a mão dela, ajudando-a a descer, e o coração de Gina disparou do jeito que costumava fazer no curto período de namoro, nos momentos em que Harry a tocava.


Ela se lembrou de quando o conhecera. Apaixonara-se no instante em que ele lhe dirigira a palavra e, quando aceitara seu pedido de casamento, jurara que o faria feliz.


Vislumbrara uma vida de alegria na grande mansão, que ressoaria com o riso dos muitos filhos que iriam ter. Filhos que seriam o orgulho de Harry e afastariam da casa a atmosfera de solidão e melancolia.


Mas haviam perdido dois anos. Assim, seria bom se ela e Harry começassem uma família o mais cedo possível. Com esse pensamento, sentiu o rosto aquecer, e baixou a cabeça para esconder o rubor.


Na noite de núpcias, o modo ansioso de ele fazer amor quase a assustara. Em sua total inexperiência, ela não soubera retribuir as carícias da maneira como ele certamente esperara. Agora, porém, seria diferente. Ela saberia amá-lo com paixão e, com o tempo, aprenderia a ser uma amante desejável, além de uma boa esposa.


– Marjorie, é você? – gritou o velho capitão Potter, aparecendo no canto do estábulo.


Usava um longo casaco verde-oliva e botas que chegavam aos joelhos. A barba e os cabelos brancos brilhavam ao sol. Militar reformado, era um velho bonito, alto, tinha o corpo ainda ereto e esbelto. Apenas o olhar vazio deixava perceber que ele não era igual a qualquer outro proprietário de terras do Texas.


– Não, capitão. Sou eu – Gina respondeu acenando, e ele encaminhou-se ao encontro dos dois.


Harry observou-o. De repente, sentiu um arrepio que subiu pela espinha e espalhou-se pelo couro cabeludo. Então, duas lembranças emergiram das profundezas de sua mente com clareza absoluta: sua tia Marjorie, filha do velho Potter, morrera de febre maligna, e o capitão enlouquecera no dia em que ela fora sepultada no cemitério da fazenda.


Compadecido, ficou olhando o velho aproximar-se, mas sua atenção foi desviada pelo som de um riso abafado, e olhando depressa para trás viu que Toby ria do capitão. Não podia dizer que reconhecia o avô, que se lembrava dele, mas partilhou de sua humilhação, porque estava num estado mental igual ao dele.


Se soubessem, ririam dele também.


“Nada mudou, desde que fui embora”, pensou de súbito, num lampejo de consciência. “Continuam zombando do velho Potter.”


Sua resolução de não deixar ninguém perceber sua infelicidade tornou-se mais forte. Mas e se nunca mais recobrasse a memória, se continuasse a não ter real conhecimento de si mesmo? E se estivesse fadado a ficar louco, como o avô?


No terror criado por esses pensamentos, Harry fez uma solene promessa a si mesmo. Nunca geraria um filho. Por maior que fosse o sacrifício, por mais que fosse tentado, ele resistiria e faria o que fosse necessário para não deixar que outro Potter desventurado viesse ao mundo.


 


A tensão aumentou muito mais, durante o jantar. O capitão perguntou seis vezes quem era Harry, mas Gina sabia por que ele ficara mais confuso do que normalmente. O velho sempre piorava na presença de pessoas estranhas, e Hermione, uma das filhas dos Granger, fora a Potterlane para ajudá-la a preparar e servir uma refeição especial em honra à volta de Harry. O pobre dementado, nervoso, resmungava, fazia perguntas repetitivas e depois ficava longos minutos em silêncio.


Gina, notando que Harry tornava-se mais amuado a cada frase sem sentido que o avô dizia, parou de tentar manter uma conversação, permitindo que um silêncio pesado caísse sobre todos.


Desse modo, o jantar comemorativo foi um fracasso.


Ela pensou no tempo que gastara atrás dos ingredientes necessários e de como ficara contente quando encontrara um presunto defumado numa fazenda vizinha. A comida sobre a mesa era farta e saborosa, muito melhor do que ela e o capitão comiam normalmente, mas Harry mostrava pouco interesse pelo que comia. Nem mesmo elogiou o delicioso presunto, desapontando Gina, que tivera tanto trabalho para consegui-lo.


Ela teve de engolir as lágrimas que lhe bloquearam a garganta quando ele se levantou e saiu da sala sem dirigir-lhe, ou ao avô, uma única palavra.


Sabia que ele tinha fama de explosivo e de pessoa que defendia suas opiniões com unhas e dentes, sem dar importância às convenções, mas nunca fora considerado grosseiro. Ao contrário, era elogiado por sua cortesia e pelo modo cavalheiresco com que tratava as mulheres de qualquer idade.


Procurando não perturbar ainda mais o velho capitão, ela continuou a comer, embora não fosse capaz de sentir o gosto de coisa alguma.


 


Duas horas mais tarde, levando uma vela, Gina começou a subir a escada, exausta. O cricrilar dos grilos do lado de fora era perfeitamente audível no total silêncio que reinava na casa.


– Gina? – A voz profunda de Harry soou no patamar acima dela, assustando-a.


– Deseja alguma coisa? – ela perguntou, parando e olhando para cima, mal distinguindo o rosto dele à fraca luz da vela.


Então, ocorreu-lhe que Harry devia estar impaciente para que ela fosse para a cama com ele, e um sorriso desenhou-se em seu rosto.


– Só quero avisar que vou sair para dar um passeio. Não me espere acordada, porque posso demorar – ele disse em tom frio.


As palavras atingiram Gina com o impacto de uma bofetada. Harry não estava a sua espera para que se deitassem juntos. Não queria fazer amor. A tarde toda, ela o tratara com luvas de pelica, tentando descobrir a razão de seu mutismo e distanciamento. Agora sabia.


Ele não se zangara por ter adivinhado que ela trabalhara dois anos no Gazette, nem se aborrecera com as bobagens do avô. O fato era que não se interessava mais por ela, como mulher, não a desejava, mas não tinha coragem de dizer isso abertamente.


Reprimindo as lágrimas e contendo o tremor das mãos, ela reuniu todo seu orgulho feminino, disposta a comportar-se como se nada houvesse acontecido.


– Por falar nisso, Harry, se você não se importar, eu gostaria de me mudar para o quarto ao lado do nosso – anunciou, forçando-se a falar em tom calmo. – Suponho que, depois de tanto tempo separados, nós dois precisamos de um período de adaptação.


De modo algum o forçaria a ser para ela um marido de verdade. Preferia chorar sozinha numa cama do que deitar-se ao lado dele e sentir-se rejeitada.


Harry observou-lhe o rosto iluminado pela tênue luz da vela, à procura não sabia de quê. Devia estar aliviado por ter conseguido tão facilmente o que queria, mas seu orgulho de homem fora ferido. Ele se sentia magoado.


Na verdade, a tristeza era tão grande que apertava-lhe o peito e, por alguma razão que desafiava a lógica, ele desejou que as coisas pudessem ser diferentes. Devia ter existido amor entre eles, mas no vazio de sua mente não flutuava a mínima lembrança desse sentimento.


– Concorda com minha sugestão, Harry?


A voz suave de Gina arrancou-o da amarga reflexão.


– O quê? Ah, sim, concordo – ele respondeu, começando a descer a escada.


Parou no mesmo degrau que ela, e encararam-se. Gina esperara ver apenas frieza e rejeição nos olhos verdes, mas viu uma profunda tristeza e algo mais, que não soube definir.


Confusa, imaginou como ele podia falar com tanta indiferença e olhá-la daquele modo. Num gesto instintivo de consolo, pôs a mão em seu braço e sentiu-o contrair-se nervosamente.


A tristeza nos olhos verdes pareceu aprofundar-se, e Harry colocou a mão sobre a dela, acariciando a aliança que um dia colocara no dedo delicado.


– Durma bem, Gina – murmurou, beijando-a castamente na testa.


Então, continuou a descer a escada, lentamente.


Gina virou-se e acompanhou-o com o olhos até vê-lo sair para a úmida e quente noite texana.




n/a: É muito, muito, muito bom saber que vocês gostam das minhas fics. Sempre é bom receber comentários, então sempre comentêm!!!!! E obrigada!!!!!!!!

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