CAPITULO 147 – MAIS UM POUCO
Artur foi colocado sobre a toalha, e Gina começou a secá-lo cuidadosamente. Falava besteiras com o sobrinho e ele se mexia muito, reclamando do frio.
Na banheirinha, Edgar dava mais trabalho. Hermione estava conformada, que aqueles dois meninos eram como água e vinho. Prova disso, era o berreiro de Edgar ao ser tirado da água. Ele queria mais, queria brincar na água. Enquanto, Artur detestava água.
Acalmando o bebê, Hermione o colocou ao lado do irmão. Era um ritual. Tudo que envolvia os gêmeos envolvia também um ritual. Precisava sempre de duas pessoas para amamentá-los, duas pessoas para banhá-los, duas pessoas para carregá-los...feliz com os filhos, ela não os vestiu imediatamente.
Harry havia chegado e chamava Gina na sala, e então, Hermione aproveitou o momento para ficar com os filhos tranquilamente.
O dia estava ameno, por isso deixou-se peladinhos sobre a cama e se deitou ao lado dos dois.
Manteve os meninos assim, acariciando-os e dizendo o quanto os amava. Artur choramingou em determinado momento e ela mordeu seus pesinhos, fazendo o bebê rir.
Com um mês e meio, eles riam. Ou ela achava isso. Repetiu a brincadeira com Edgar. Estava rindo, quando Rony entrou para a ronda da manhã.
Ele sempre voltava para casa ao menos duas vezes ao dia, para ver os filhos e Hermione.
-Acho que cheguei a tempo da festa – ele brincou e ela riu.
-Não são as coisinhas mãos adoráveis que já viu na vida? -ela perguntou sempre sorrindo.
-Não. Você é a coisinha mais adorável que já vi na vida- Rony inclinou o corpo e a beijou longamente.
-Olhe para eles, adoram ficar deitados, sem roupas – ela acariciou a barriguinha de Artur que estava agitando os bracinhos enquanto o irmão olhava para eles com atenção.
-Também gosto de fazer isso – ele riu de sua expressão – Desculpe, acho que vai me condenar por ter passado isso para os meninos também.
Era uma brincadeira entre eles. Sempre que notavam um traço novo na personalidade dos meninos, automaticamente, o culpavam por isso.
-Não sei. Também gosto de ficar nua, sobre a cama – ela disse maliciosa.
Rony notou sua face corada, e lembrou a si mesmo que o resguardo havia chegado ao fim há alguns dias.
A única coisa que ainda estava entre eles, era a decisão do casamento. Não havia tornado a pedi-la em casamento. Muito menos Hermione tocou nesse assunto.
Esse simples comentário o deixou quente. Pela malicia em seu olhar castanho, ele soube que fora de proposto. Hermione o queria tanto quanto ele a desejava.
Seu corpo estava praticamente em sua forma antiga. Seus seios continuavam redondos e cheios e ela amamentava. Sua barriga havia murchado com os dias e a cada dia desaparecia, pois ela perdia peso rapidamente com a amamentação e os cuidados com os gêmeos.
Além disso, não era cego. Ela vinha andando bastante. Sempre nos fins de tarde quando o sol era fraquinho ela apanha um dos gêmeos e convidava Anna para levou a o outro no colo. Elas andavam um pouco pela fazenda.
Um desejo de vaidade, de perder logo e rápido todo o peso da gravidez.
Como se Rony se importasse. Depois de tantos dias sem ela, estava pouco se importando com o peso a mais. Sonhava era com sua mulher, quente e desejosa sob ele. Vinha até sonhando com isso!
E vergonhosamente acordava molhado como um adolescente envolvo por hormônios incontroláveis.
Esperava que Hermione não houvesse notado. Mas pelo brilho perolado em seus olhos, sabia que sua inteligência não seria enganada por ele. Impossível esconder o que quer que fosse de Hermione!
-Vai gostar de saber a novidade – ele disse ao acaso, brincando com os filhos. – Suarez pediu demissão agora cedo.
Automaticamente Hermione ficou chocada. O que ela faria sem Juanita?
-Acalme-se. Juanita vai ficar -ele sorriu diante de seu desamparo – Ele foi embora a algumas horas. Acertei o que lhe devia ele foi embora. Pediu-me para contar a ela depois que houvesse partido.
-Juanita não sabe? Porque ele fez isso?
-Não tem um palpite? -ele ironizou – O homem ama Juanita. Do seu jeito torto, calado e na dele, mas ama a ela e as crianças dela. Quer que seja feliz.
-Abriu caminho para Adolph. – ela sorriu – Espera que ela seja feliz.
-Porque ficou triste? - Rony acariciou seu rosto.
Hermione estava deitada ao lado dos bebês, com o braço apoiando o rosto. Aquele carinho delicado, a aqueceu e acarinhou.
-Fico triste por Suarez. Perder seu grande amor. Deve ser uma dor horrível.
Não quis dizer a ele que conhecia essa dor. Que sentira algo horrível ao vê-lo baleado, sendo carregado, sem saber se estava vivo ou morto. Aquela lembrança a fez se arrepiar.
-O conde escreveu, Hermione – ele aproveitou a deixa. – Em dois meses, estará de volta. Ele exige que tomemos uma decisão. Ou nos casamos ou ele procurará um novo marido para você – esperava assustá-la.
É claro que o conde insinuara algo parecido, mas nada definitivo. Ele era um homem vivido e entendia muito bem que sua filha vivia um grande amor conturbado.
-Que bom que ele acha que pode mandar em mim – ela ironizou, beijando uma das manzinhas de Edgar. – Eu vou decidir quando quero me casar e com quem.
Esperava que ele entendesse sua insinuação e finalmente fizesse o pedido de casamento que ela vinha esperando há um mês e meio.
-Não posso culpá-lo por ter presa. Minha mãe está me questionando por viver em pecado com você.
Ela riu diante disso e ele acompanhou.
-Molly acha que vivemos em pecado? Mesmo o padre nos deu a bênção e batizou os meninos sem questionar nossa separação. E sua mãe, acha que vivemos em pecado? Quanta presunção!
-Mamãe quer o melhor para mim, e sabe que preciso de uma esposa - alfinetou.
-E acaso não cuido da sua casa? Não mantenho seu lar aconchegante, garanto que tenha comida quentinha e roupas lavadas? O que mais você quer de uma esposa? – provocou.
-Quero que ela aceite a necessidade de nos casarmos. – foi taxativo.
Necessidade. Palavra ingrata. Soava como dever. Algo que se faz para resolver um problema. Em momento como esse ela tinha vontade de sacudi-lo e faz-lo ver a realidade.
Não queria dever. Muito menos necessidade. Queria amor!
-Uma esposa por dever. Não me parece um bom negocio – ela deitou-se de barriga para cima e colocou Edgar deitadinho sobre seu peito. Ela adorava abraçar os filhos desse modo, como se ainda estivessem dentro dela.
Deu tapinhas delicados naquele traseirinho fofo e o bebê bocejou.
-Tive um marido por conveniência e não foi um negocio muito bom para mim - ela contou, lutando contra o riso.
-Porque não?
Rony tirou Arthur da cama e o ergueu para cima, brincando com ele.
Hermione não achou razões para apoiar seu argumento. Aquele casamento fora sua salvação. Teria se consumido em dor e tristeza, e Rony a trouxera para a vida de novo. Mas como dizer isso a ele?
Felizmente, foi poupada do momento revelação, para o qual ainda não estava preparada totalmente.
Artur achou por bem premiar seu pai com um furioso jato de xixi bem na hora que ele brincava de ergue-lo para cima. Uma mira perfeita, que acertou seu rosto.
Hermione gargalhou enquanto ele devolvia o menino para cama e corria atrás de uma toalha.
Seu riso era tão alto e verdadeiro que ele riu junto.
-Isso mesmo, Artur. – ela beijou a cabecinha ruiva do bebê – O papai merecia isso!
Ainda ria, decidindo ser melhor vesti-los, antes que fizessem isso de novo, a molhassem a cama.
Rony esperou que ela os vestisse e colocasse no berço, enquanto ele lavava o rosto numa bacia de água ao lado da cama, e então, se aproximou dela, enlaçando sua cintura.
-Achou engraçado não é? – perguntou segurando-a forte, sem modos para que escapasse.
-Rony... – espalmou as mãos em seu peito, achando que a graça tinha ido embora.
-Continue rindo de mim, Hermione. Ria desse tonto que não sabe mais como convencê-la a aceita-lo por marido – seus olhos azuis brilhavam e ela estava por um fio para dizer-lhe o conta o queria bem.
-Foi engraçado – defendeu-se, tentando recompor algum controle – Rony...
-O que foi?
O corpo másculo a pressionava de modo maravilhosamente quente. Fechou os olhos sentindo seu cheiro de água, do banho, de suor e o cheiro do seu corpo. Odores que ela definitivamente amava!
-Eu... – tentou achar um modo de explicar-lhe como se sentia.
Rony não esperou que as palavras surgissem em sua mente nublada pelo desejo. Cobriu-lhe os lábios com os seus, e tirou sua capacidade de pensar. Hermione agarrou em seu pescoço e correspondeu ao beijo com toda sua volúpia.
Queria tanto esse homem que sentia o corpo arder!
Todos os seus medos haviam sido extinguidos por Juanita que lhe garantira que ele não notaria diferença alguma em seu corpo. Talvez ela sentisse desconforto no começo, mas teria que partir de algum lugar se quisesse retomar a vida sexual que tinham!
E ela queria muito, muito mesmo retomar a intimidade que compartilhavam.
Rony sentou-se na cama, e a colocou sentada em seu colo. Hermione gemeu ao sentir sua excitação.
O beijo teve que acabar, ele atacou seu pescoço. Hermione fechou os olhos delirando com aqueles chupões em sua orelha. Ele mordeu o lóbulo e ela correu as mãos por seu peito, por dentro da camisa. Sem ar, buscou-o para um beijo, exibindo desavergonhosamente toda a sua vontade de fazer amor.
-Hum, Rony... – gemeu querendo falar-lhe algo.
-Não tenha medo. Vai se bom – ele prometeu – Serei cuidadoso.
-Eu sei – ela sorriu, olhando para seus olhos tão azuis quanto o céu. – Rony, eu...Juanita disse que está tudo normal, como antes. mas eu não sei...não, sei mesmo.
-Sente dor? -se preocupou.
-Não, faz tempo que a dor passou. Estou curada, meu corpo está cicatrizado. Sua mãe me garantiu que é assim mesmo. – corou.
-E tem medo do que? – pressionou, acariciando um seio, enquanto tentava afrouxar seu vestido.
Hermione não respondeu nada.
-Hermione, me conte seu medo. – beijou-a gentilmente sobre os lábios e ela suspirou, vencida.
Precisava falar.
-As marcas da gravidez ainda estão no meu corpo. Meus seios...estão grandes demais e minha barriga ainda não...hum...hã...Deus, eu estou feia.
-Feia? E desde quando isso é possível? Está linda. – ele tentou não rir – Está magra, suas curvas estão acentuadas, mas está magra. Não tanto quanto antes, claro, mas houve um período que sua magreza não era saudável. Prefiro tê-la saudável. Está me ouvido?
-Estou. – garantiu.
-E entendendo? – sempre valia checar.
-E entendendo – concordou.
-Vai me deixar fazer amor com você essa noite, Hermione? – perguntou, lambendo a curva do seu pescoço, distribuído beijos pelo colo macio e cheio.
-Sim, eu vou deixar.
Rony gemeu, a promessa o excitando a beira da loucura. Beijou-a com forma e desejo, agarrando àqueles cabelos encaracolados e se refestelando com a maceis e perfume deles.
Aquele beijo o teria feito perder a razão e obter dela tudo que desejava, esquecendo sua promessa de fazer-lhe amor a noite, se não houvessem batido na porta do quarto, com insistência.
-Vou mandar todos eles embora! – ele reclamou, se referindo aos empregados.
Hermione foi colocada sobre a cama com toda a força que um homem alto e robusto como ele poderia ter.
Anna batia na porta, com uma expressão curiosa na face.
-Hermione, sr. Wesley...o marido de Juanita foi embora.
-Já sabemos disso. – Ele não estava muito animado em ser interrompido naquele momento.
-O que aconteceu, Anna?
-Juanita...- faltou palavras para Anna explicar.
Sua expressão dizia tudo.
-Fique de olho nos bebês - Hermione pediu, arrumando os cabelos e seguindo para fora do quarto.
Rony achou por bem segui-la.
Juanita não estava na casa então, Hermione correu para a casa que ela dividia com Suarez.
A casa era pequena, atrás do celeiro, mas era confortável. A porta estava apenas encostada. As crianças brincavam na sala, os maiores olhando pelos menores, e havia um clima estranho. Duran, estava de cabeça baixa, e ela esperou que rapaz dissesse algo, mas ele apenas apontou o quarto.
Rony esperou na sala.
-Juanita?
Ela estava na cama, chorando.
-Juanita, o que foi?
-ele me deixou – ela disse, a voz abafada pelo choro e pelo travesseiro – o único homem que cuidou de mim, me deixou! O que vai ser de mim agora?!!!
-Suarez disse a Rony que era para o seu bem. Agora, está livre para Adolph...
-Eu não quero Adolph! Quero o meu marido! -ela gritou descontrolada.
Hermione nunca a vira assim antes.
-Juanita, pensei que você o amasse.
-eu amo! Não se pode esquecer um grande amor! Mas não quero perder meu Suarez! Eu o amo tanto...de um jeito diferente. –ela sentou –se a face vermelha, banhada em lágrimas.
-Ama Suarez como homem? Ou como um pai? – Hermione precisou saber.
-Como homem. O meu homem. Adolph....não é como antes. Eu não posso amá-lo como antes e ele não pode me amar do mesmo modo. Isso se deve ao tempo, ao amor que nasceu em mim por outro homem! Se ao menos Suarez tivesse me ouvido! Eu contei a ele dos meus encontros clandestinos! Oh, Deus!
-encontros? Juanita, traiu Suarez?
-É claro que não! Foram apenas beijos! Mas não valeram a dor que estou sentindo! – ela chorou – O que vai ser de mim sem ele? Hermione! O que eu fiz da minha vida?
-Nunca deveria ter trazido Adolph comigo.... – ela se culpou – Mas é um homem tão bom. Trabalha tão bem. Ele...
-Salvou meu filho. – ela completou – Adolph está no lugar que deveria restar! Conhecendo o filho, vivendo ao seu lado. Mas não comigo! Eu misturei as coisas na minha cabeça, Hermione! Que confusão causei..e agora, perdi o meu amor. O amor que vale. Que me acompanharia ate o fim da vida.
Juanita tremia. Hermione não se aproximou dela. Culpada, deixou-a sozinha no quarto.
-Rony - correu até ele – Precisa ir atrás de Suarez!
-Hermione, ele foi embora há muitas horas, deve estar longe – ele negou.
-Por favor, Juanita perdeu o homem que ela quer! Foi um mal entendido! Por favor, vá atrás dele!
Notando que ela iria chorar, ele abraçou-a.
-Parte disso é minha culpa. Trouxe Adolph para casa. Juanita se confundiu -ela se afastou olhando em seus olhos – O amor nos confunde, Rony.
Essa verdade o fez suspeitar que falava de si mesma, e não apenas de Juanita.
-Vou procurá-lo – ele garantiu – E vou trazê-lo de volta. Está bem?
-Sim – beijou-o no rosto, haviam muitas crianças em volta – Duran, vá com ele!
Quando os dois saíram, ela voltou para o quarto. Precisava consolar aquela forte mulher que tanto a ajudava a vida.
-Rony vai trazê-lo de volta. Juanita, não fique assim.
-Ele não vai me querer de volta! – ela chorou mais forte.
-É claro que vai, Rony me contou que ele estava triste quando foi embora. Não partiu por se sentir traído, mas sim, para deixá-la ser feliz. Juanita, ele escolheu por você, porque achou que era o que queria. Vai voltar quando souber que você o ama!
-Será....? – insegura como uma menina ao perder o grande amor, se deixou consolar.
-Tenho certeza. E se não acontecer, pode tentar e tentar de novo, até que ele volte.
Juanita olhou para a bela jovem que lhe dava forças.
-Temos que sempre tentar de novo, não é? A vida é assim. – ela insistiu e Juanita abraçou-a.
-O que o amor nos faz – Juanita se afastou alguns minutos depois – tornam uma burra velha como eu chorona!
-Não há nada errado em chorar por amor. – Hermione surpreende-a – Acredito que Suarez não vai querer vela assim quando voltar. Fique em casa, cuide dos seus meninos. Não quero vê-la trabalhar hoje! Fique bonita para ele.
Juanita concordou.
-O amor opera milagres – Juanita disse antes que Hermione saísse e ela concordou.
Sim, tinha razão. Havia mudado dentro dela e seu mundo não era mais feio e sombrio.
Tudo graças ao amor que floresceu dentro dela, e a tornou uma mulher melhor.
Mais feliz.