CAPITULO 146 – NANA NENÊ
A gritaria era total.
Com os tímpanos doendo, e a paciência no finzinho, Juanita ninava o menino que berrava.
-Porque será que eles sempre choram ao mesmo tempo? – Anna perguntou inocentemente.
-Para me enlouquecer – respondeu Juanita.
Ela embalava Arthur de pé, enquanto Anna segurava uma toalha nas mãos ao seu lado.
Da cama, Hermione sorriu para ela, ocupada em amamentar Edgar. Ele era sempre o primeiro a chorar. Embora fosse o irmão mais novo por um dia de diferença, era sempre o mais apressado.
-Sinta-se livre para arrumar uma patroa sem filhos – ela respondeu mansamente, sempre sorrindo.
Anna chegou a arregalar os olhos para a sogra, apavorada com essa idéia, mas ela nem se deu ao trabalho de acalmá-la.
Era uma brincadeira entre as duas, mas Anna ainda não era madura para entender.
-E o que você faria sem mim? - Juanita ouviu seu riso e gostou do som. Aquela moça sorridente não podia ser a mesma jovem que conhecera no dia seguinte ao casamento.
Ou sua lembrança a enganava, aumentando as cosias, ou a realidade havia mudado muito.
-Não sei. Realmente não sei – ela confessou – Olhe, ele terminou.
Juanita lhe entregou Arthur depois que Anna apanhou Edgar, com todo cuidado do mundo.
Arthur estava esfomeado, e sugou avidamente seu leite.
-Não sei por quanto tempo darei conta dos dois – ela dividiu essa aflição com elas – Não tenho tanto leite quanto eles precisam.
-Em alguns dias vamos começar a dar mamadeiras para complementar – Juanita contou, notando sua expressão - Não é o fim do mundo, Hermione.
-Sei disso – ela reclamou, triste.
Queria ser a única a alimentar seus bebês, mas não podia se enganar quanto a sua capacidade. Tinha muito leite, mas não o bastante para os dois.
-Rony ainda está na plantação? – perguntou como quem não quer nada.
-Sim, ele saiu cedinho com o Sr. Suarez para resolver alguns problemas. Disse que volta para o almoço. – Anna respondeu, feliz em ajudar.
Ela suspirou. Não o viu desde a madrugada, quando a ajudara com os bebês, para amamentá-los.
Ela não quis chamar Juanita, ou acordar Anna, muito menos Gina, afinal, elas haviam passado várias horas acordadas e precisavam descansar.
-E Gina? Porque não veio me ver ainda? – perguntou acarinhando o bebê enquanto o alimentava.
-Ela está enjoada – Anna respondeu novamente – Disse que virá mais tarde.
-Essa aí, desde que quase racharam a cabeça, desatou a falar – Juanita reclamou, olhando para ela com amargor.
O pior de tudo era gostar da menina.
-Desculpe – ela desculpou-se e Hermione quase riu das duas.
-Anna, porque você e Duran não ficam aqui em casa enquanto ele se recupera? – sugeriu, notando Juanita avermelhar furiosa.
-Não, não seria uma boa idéia – Anna odiou a idéia de arrumar mais briga com a sogra.
-Ao menos o convença a me ver - ela pediu – Preciso agradecer por tudo que fez por mim. Se não fosse seu marido, eu estaria morta.
-Meu filho – Juanita corrigiu.
-Sim, seu filho, e marido de Anna. – ela respondeu astutamente – Anna, me alcance a toalha, por favor.
Deitada na cama, estava impaciente para andar e espichar as pernas. Usou a toalhinha delicadamente bordada, para limpar o rostinho de anjo que se lambuzava de leite mamando tão rápido e voraz.
-Desse jeito vai se engasgar - ela disse ao bebê, tirando o seio do seu alcance. Ele ameaçou choro, mas ela o devolveu, esperando que agora fosse mais calmo.
Não adiantou.
-É um esfomeado – ela brincou com o neném, ouvindo seus sons de sucção, e adorando ver aqueles olhos azuis fixos nela.
No colo de Juanita, Edgar havia adormecido.
-Meu pai chegou para me ver? – Hermione lembrou-se naquele momento que a noite passada estava adormecida quando conde viera lhe ver.
Era inacreditável que toda aquela loucura havia acontecido há apenas um dia e meio.
-Sim, está tomando café da manha com Harry.
-Tem tantas pessoas que eu quero ver... Apresentar os meus lindinhos... – ela disse isso erguendo o filho para arrotar. Aquele som macio que ela sabia, um dia se tornaria algo irritante e que ela precisaria viver aos berros para que não virasse um menino mal educado arrotando na mesa. Mas por enquanto eram filhotinhos adoráveis.
-A única coisa que você quer Hermione, é descansar – Juanita a contradisse.
-Não seja protetora demais, Juanita – estava com o espírito livre e Juanita muito irritadiça.
-São ordens do seu marido – ela criticou.
Arthur e Edgar foram colocados no berço, e Hermione praticamente obrigada a se deitar, depois de beber leite e comer um farto desjejum. Anna seguiu Juanita para fora do quarto e ela aproveitou para dormir um pouco.
Uma hora depois acordou com o som de passos, mas não disse nada. Sentira o cheiro amadeirado de Rony, e pelo peso das passadas sabia que era ele.
Primeiro, andou até o berço. Demorou alguns minutos, provavelmente observando o sono dos meninos. Então, seus passos se aproximaram da cama. Hermione estava dormindo de lado, uma posição que era mais agradável nesses momentos de descanso, onde podia esquecer as dores do pós-parto e os sangramentos desconfortáveis, e apenas descansar um pouco.
Sentiu a força do seu olhar e esperou para descobrir o que ele faria.
Um toque suave em seus cabelos, arrumando-os para longe do rosto, e então um suave beijo em seus lábios.
Um toque tão carinhoso e doce que ela não abriu os olhos, preferiu deixá-lo acreditar que estava dormindo. Muito emocionada com esse carinho, preferiu não enfrentar seu olhar naquele momento.
Esperou que ele saísse do quarto, para abrir os olhos e olhar para o vazio.
Esse homem estava em sua alma.
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A casa parecia muito silenciosa. Depois de almoçar na companhia de Gina, havia sido esquecida naquele quarto.
Claro, estava sendo egoísta. É claro que todos tinham muito o que fazer. Não podiam ignorar que houvera um crime. Seu seqüestro, a morte de Malfoy... Mesmo assim, queria a companhia de sua família.
Haviam levado seus bebês enquanto ela dormia, e podia imaginar que estivessem exibindo-os para as visitas. Quanta audácia. E ela ali, sozinha!
Cansada da solidão, decidiu levantar-se.
Não sentiu dor ou desconforto, apesar de não conseguir andar normalmente e estar muito fraca ainda. Calçou os sapatos e vestiu o penhoar que Gina lhe obrigara a comprar em Londres, numa das visitas à lojas de marca.
Confortável e apresentável, os cabelos nem estavam bagunçados, pensou vaidosa, e saiu do quarto.
Na sala havia som de vozes baixas. Ela se aproximou e viu Elly, com um curativo no pescoço, o que explicava não tê-la ido visitar nenhuma vez. Gina segurava Arthur, e mesmo a distância ela reconhecia o filho. O conde tinha Edgar nos braços e falava baixo com o neto, instigando-o a olhar para ele. De pé no canto da sala, Rony apenas sorria para eles.
O que chamou a atenção de Hermione foi Mathias e Lily.
Achou que pudesse passar despercebido por um instante, e ouvir as coisas que lhe escondiam, mas era difícil esconder sua presença de Rony!
-Hermione – ele disse surpreso – O que está fazendo fora da cama?
Ela não teve tempo para responder, Rony se aproximou em duas longas passadas e a tomou nos braços. O único remédio foi enlaçar seu pescoço e aceitar que ele não a deixaria andar.
-Estou cansada de ficar deitada, quero ficar um pouco com meu pai - ela argumentou, olhando para ele com um olhar inconfundível.
-Com seu pai? E comigo? Não quer minha presença? – seus olhos azuis estavam presos nos seus, e ela sorriu com desdém e não respondeu.
Rony a colocou gentilmente sentada ao lado de Gina, no sofá maior.
-Tenho que parabenizá-la, minha filha, mas não consigo soltar meu neto – o conde brincou ganhando seu sorriso. Um riso de emoção – Nunca poderia esperar um presente desses na minha vida. Olhe esses dois meninos, são incríveis. Serão meus sucessores.
-Não fale como se fosse viver pouco – Elly interferiu – Parabéns Hermione, seus filhos são lindos.
Havia um pouco de tristeza em Elly, e ela não tocou no que poderia estar incomodando-a, mas faria isso, quando o momento fosse mais propício.
-São bebês muito bonzinhos - ela concordou.
-Hermione, deveria estar descansando – Rony tinha os braços cruzados e olhava para ela com repreensão.
-E por acaso, algum de vocês se dará ao trabalho de ir até o quarto conversar comigo? Não. – ela desafiou.
-Não seja brigona – Mathias pediu, sorrindo para ela com aquele sentimento de irmão mais velho – Não contar-lhe certas coisas é um modo de protegê-la.
-Não quero ser protegida! Quero a verdade, como posso lidar com minha própria vida, se não sei o que acontece ao meu redor?
-Quer saber tudo que aconteceu? Tem certeza? – Disse Rony
-E porque não iria querer saber? – ela desafiou-o novamente.
-Porque pode ficar impressionada, talvez perder o sono e ficar nervosa. É só por isso que não queremos lhe contar, esposa. – ele alfinetou nem um pouco feliz em ter Hermione de pé, andando pela casa.
-Esposa não. Não sou mais nada sua. Nem amiga, se quer saber – alfinetou de volta – Posso ouvir o que aconteceu sem me impressionar. Depois de tudo que já vi e vivi na minha vida, uma história triste não tem o poder me chocar.
-Assim sendo, nos resta apenas contar – concluiu o conde, orgulhoso da filha.
-De qualquer forma. – Gina não ficou nada feliz com isso - Não é um assunto para se falar na frente de bebezinhos inocentes.
-Como se eles pudessem entender, Gina – Hermione fez troça.
-Entendem mais que você – ela reclamou, com razão – Hermione, volte para o quarto. Não quer ter uma recaída, quer? Mamãe disse que estava voltando para casa, desde que eu assumisse a responsabilidade de cuidar de você! Não posso deixá-la sentada aqui, se cansando a toa. Entendo que queira saber tudo que passou, mas não precisa de tantas pessoas para lhe contar! Por favor, Hermione, seja sensata e volte para o quarto e cumpra seu repouso.
Rony se preparou para ouvir um sermão. Hermione nunca deixaria passar uma chamada dessas. Gina, dando ordens em sua casa? Jamais!
-Me ajude a voltar para o quarto, estranho? - ela perguntou amável, surpreendendo-o. – Quero saber tudo que aconteceu!
Mathias levantou antes que Rony a tirasse da sala e abraçou-a.
-Deve saber que me casei - ele disse em seu ouvido.
-Na Igreja? - ela perguntou de volta, adorando o seu abraço.
-Não houve tempo.
-Pretendem marcar a cerimônia? – insistiu.
-Agora que o juiz concordou, sim, pretendemos marcar a cerimônia.
-Então, lhe darei parabéns quando marcarem a cerimônia - ela beijou-o afetuosamente no rosto e sorriu para Lily, sempre tão tímida, mas que tinha um brilho perolado nos olhos, um brilho de felicidade.
Elly apenas acenou, ocupada em olhar o menino no colo do conde. Seu pai a olhou com a promessa de uma longa conversa depois.
Hermione só deu razão a Gina e Rony quando ele a colocou de volta na cama. Estava tão cansada...
Rony sentou-se na beira da cama, e se inclinou sobre ela, mantendo um braço sobre sua barriga, apoiando a mão no colchão, de modo a ficar cara a cara com Hermione.
-Não me chame mais de estranho. – seu tom não deixava margens para discussão.
-Enquanto não formos casados, será um estranho para mim – ela desafiou, não para magoá-lo ou afastá-lo, mas sim para brincar com ele, e ver seus olhos azuis soltarem chispas de fúria.
-Porque não pode apenas aceitar o meu pedido e acabar logo com isso! Temos dois filhos, Hermione! O que mais você quer para se conformar que sou seu marido?
Ele estava irritado.
Conformar?
-Estou cansada. Porque não me conta o que de fato aconteceu e para de me enrolar?
Rony quis questioná-la sobre por que tanta hesitação em responder-lhe um simples ‘sim’. Será que andava pensando em arrumar outro marido? Impossível! Hermione o queria. Sentia paixão e simpatia com ele. E ciúmes. Porque sentir ciúmes de um homem por quem não sente nada?
-Gosto de ser casado, Hermione, então pense bem antes de me recusar como marido – ele avisou, para despertar seu ciúme.
-Quer dizer que vai se casar novamente? – ela perguntou, acariciando o antebraço de Rony que estava perto de suas mãos.
-Sim. – olhos nos olhos, e ela não pareceu incomodada, muito menos ciumenta.
Pelo contrário, parecia rir dele. Se divertir com sua tentativa de enciumá-la.
Não sabia que a reação de Hermione se devia ao simples fato de ter a certeza que não se separariam jamais. É claro que diria sim, na hora certa, diante do pedido certo de casamento, diria sim.
-Bom. Também devo me casar novamente. – ela respondeu num tom condescendente.
-É isso que você quer? - ele perguntou, engolindo em seco.
Hermione não notou que para ele, essa era a resposta definitiva. Não haveriam mais pedidos.
-Sim – ela suspirou, cansada e satisfeita em desestruturar sua auto-confiança.
Só não sabia que não haveriam mais pedidos de casamento.
-É melhor que descanse um pouco – ele se afastou, fugindo de sua caricia.
Se Hermione não o queria de verdade, e estivera enganado quanto aos seus sentimentos por tanto tempo, não havia porque se humilhar.
-Prometeu que me contaria tudo – ela lembrou-o.
Rony sentiu a incontrolável vontade de brigar. Ela queria conversar como se nada houvesse acontecido? Como se não houvesse quebrado seu coração com sua recusa final?
-O que quer saber exatamente? – ele ficou de pé, longe dela.
Tinha que administrar a rejeição e achar um modo de impedi-la de deixá-lo. Ser pai dos seus filhos deveria conseguir alguma influencia sobre o conde, e com ele ao seu lado, nada Hermione poderia fazer para recusá-lo formalmente.
-Rony – ela chamou uma segunda vez – Está me ouvindo?
-Desculpe, estava pensando - ele disse um pouco sem graça.
Pensando em algo mais importante que ela? Esse pensamento martelou na mente de Hermione.
-Eu disse que pretendo saber o que aconteceu após o meu seqüestro. – repetiu-se, esperando que dessa vez ele ao menos se dignasse a ouvir e prestar atenção.
-Aconteceram muitas coisas. A maior parte não é agradável de ouvir, muito menos foi agradável de ver – ele contou, ainda muito longe dela.
-Estou cansada demais para ficar olhando para você aí do outro lado do quarto - ela reclamou.
-E onde quer que eu fique? – era um desafio.
-Pode ficar ao meu lado, se quiser. – notando sua expressão ela quase riu – Mas, por alguma razão, não quer.
-Um dia eu sei que alguém irá arrancar sua língua, Hermione. – ele não pode evitar sorrir diante de sua audácia – E não poderei culpar essa pessoa!
-Mesmo? E essa pessoa não será você, suponho?
-Quer ouvir a história, ou não?
-Quero, mas terá que fazer o sacrifico de se aproximar – teria batido o pé, se não estivesse deitada.
-Já deve saber de todos os esforços para encontrá-la, muitas buscas na região, na cidade e até mesmo em outras cidades da região.
-Sim, sei de tudo isso – estava impaciente.
-Adolph seguiu naquela direção, guiado por um palpite. Ele encontrou Malfoy e a ex-mulher do conde, naquele casebre. Deveras, estavam tramando alguma coisa. Ele os atacou e resgatou Duran. Nesse processo, Malfoy foi morto.
-Eu quero os detalhes. – ela exigiu, sabendo muito bem que ele estava sendo vago.
-O garoto é esperto. Antes de ajudá-la a fugir, ele entrou na casa, e roubou as balas da arma de Malfoy. Boicotou o machado que aquela mulher tinha preparado para usar contra você – esperou pelo choque, mas ela apenas concordou. – Ela falou sobre isso não é?
-Sim. Ia vender o bebê para o conde.
-Um belo conto de fadas aquela mulher criou para si mesma. O que acha que o conde faria com ela quando a apanhasse? – ele mesmo deu de ombros, evitando aquele ponto da conversa – Malfoy tentou matar Adolph. O homem é grande, Hermione. Mas não daria conta de uma arma. A arma falhou, sem balas e digamos apenas... Que o machado foi usado.
-Exatamente como ele foi usado? - ela ficou terrivelmente interessada e talvez deduzindo algumas possibilidades.
-Como eu disse, Adolph é um homem forte. – ele procurou as palavras certas – não quero chocá-la, mas Malfoy... Finalmente perdeu a cabeça por você. – ele procurou dar um ar mais alegre, como uma piada.
É claro, não surtiu efeito.
-Bem feito – ela disse rancorosa – não que deseje o mal a quem quer que seja, mas eu passei o inferno por causa dele! Quando me lembro das coisas que ele fazia... - ela sentiu um arrepiou de nojo.
-É a pessoa mais doce desse mundo, Hermione. Não seria capaz de desejar o mal de outro ser humano, que não o merecesse. Conte-me o que ele fazia. – tentou um ar displicente, mas ela sabia muito bem que sua gravidez avançada o impedira de supor que ele a tivesse violado.
Pobrezinho, não tinha idéia de como a mente de Malfoy era terrível!
-Ele queria fazer amor - foi absolutamente sincera. – Como o convenci que não podia, ele se acalmou. Deve saber que ele nos espiou no lago... – não deveria, mas corou um pouco – Achava que não teria problema. No entanto, não escapei de um beijo. E ele realmente passou aquelas mãos asquerosas em mim.
-Está morto - ele tentou não demonstrar o que sentia.
Para Hermione que o conhecia como a palma de sua mão, era possível compreender a razão de o seu pescoço estar vermelho e seu semblante pesado.
-Não se preocupe, eu não gostei – havia algo risonho em sua voz.
-Continuando a história – ele precisou se esforçar para ignorar o quanto ela se importava por ter sido beijada e tocada por outro. – O corpo foi enterrado, junto com sua cabeça - por alguma razão ela conteve um sorriso – e foi taxado como desconhecido. Não preciso dizer que seu pai, Lucius Malfoy, jamais acreditaria que o filho fez tudo isso.
-É possível? Esconder tal fato?
-Não fique mais surpresa do que eu fiquei, quando o próprio juiz Digory e o Sr. Loren sugeriram isso. Pelo que sei Malfoy aprontou para eles também, e muitas vezes. Acho que ninguém se importará por Lucius Malfoy ficar sem saber do paradeiro do filho, se é que ele realmente se importa com isso!
-Mas e aquela mulher? Quando for julgada, de certo vai contar o que viu!
-Acontece que ela também morreu – ele explicou sem saber como abordar aquele tema.
-Gina me disse que ela e sua amante haviam sido levadas para a cadeia! Estavam presas!- surpreendeu-se.
-Ex-amante. – ele achava que jamais ela iria entender isso – Lilá seduziu o assistente do juiz Simmos. O rapaz asfixiou Margarite e ela está morta. Lilá fugiu com ele.
-Fugiu? Não é possível uma coisa dessas! Como pode essa mulher conseguir esse efeito sobre os homens! Será que todos são cegos! Eu...
-Acalme-se, ela foi encontrada - ele disse mais alto que a sua voz.
-E onde ela estava? Posso saber? – ela perguntou furiosa.
-Estava na estação de trem. – ele contou – O assistente do juiz foi interceptado e reconhecido, e contou tudo. Ela estava confortavelmente sentada no trem, como uma dama, quando a encontraram. – ironizou – Ficará feliz de saber que será levada a Londres.
-E para que? Não vai haver punição! - ela sentiu os olhos arderem de raiva.
-O conde está de partida para Londres. Tem tudo acertado para levá-la para a América. Sabe onde fica a América do Sul? Pois é. Muito longe. Tem um convento, onde ela será colocará para o resto de sua vida. Para Lilá, é pior que a morte!
-Pouco. Muito pouco. Mas se é apenas isso que pode ser feito...
Havia tanta mágoa em sua face, que Rony deixou o rancor pela rejeição de lado e sentou-se pertinho dela. Hermione sentou-se e inclinou-se em sua direção. Queria um abraço.
-Lilá saiu de nossas vidas, Hermione. É o que importa. Nunca mais teremos que vê-la – ele beijou sua orelha, acariciando seus cabelos – Deve saber que seu pai está apegado à menina. Como sabe, a criança está sozinha no mundo agora.
-Não quero pensar nisso agora – confessou, duvidando que deixaria aquele abraço espontaneamente.
-Eu preciso saber, Hermione, até onde essa história toda te machucou – ele pediu, e sua voz suave não amenizou a dor que ela sentia.
-Ter tido Arthur sozinha, foi uma lembrança que nunca vou poder apagar. Posso esquecer tudo, Rony. A dor, a privação, o medo de morrer nas mãos de Malfoy. Mas não posso esquecer o medo de perder o bebê. De não poder protegê-lo. Principalmente agora que sei que a dor seria dobrada. Quanto a qualquer outra cosia, estou disposta a esquecer.
-De verdade? Não vai ser uma sombra a mais em você? - ele não podia afastar esse secreto medo.
-Como se houvesse tempo para sombras - ela procurou acalmá-lo – tenho dois meninos, e não sei se posso perdoar a você e a Juanita por isso!
-Juanita? Não me lembro dela ter participado? – Rony precisou sorrir, agora ela tirava esse peso de suas costas.
-Como não? Aqueles chás deveriam me proteger! E você, não deveria me engravidar de gêmeos!
-Desculpe, foi incontrolável – ele respondeu, beijando-a suavemente.
O beijo cresceu e ele desceu os lábios por seu pescoço. Teria ficado horas acariciando-a, ainda mais ao ser aceito tão plenamente, mas ela cochichou em seu ouvido, e tiveram que parar:
-Preciso de quarenta dias para... Me curar.
-Eu sei. Nem um dia a menos e nem um dia a mais – ele acariciou seu rosto com tanta paixão que Hermione corou.
-Não pode me desejar. Não assim... – ela desdenhou de si mesma.
-Nunca esteve tão bonita. – era verdade. Seu rosto tão alegre, seus olhos tão brilhantes...
-Sempre mentiroso. Só espero que não seja um traço hereditário, ou terei três mentirosos em casa.
-Ou quatro, ou cinco... – ele beijou suavemente seu queixo.
-Não vou mais ter filhos - ela o empurrou nada gentil. – Não passarei por um parto novamente! Nunca mais!
-Certo, nem poderia, afinal, não quer um marido. Nem mesmo eu sirvo.
-Outro marido, talvez. Eu não disse que estou declinando de todas as minhas possibilidades! – provocou, beijando-o.
Rony afastou-se nada discreto. Outro marido.
-Fez sua opção - ele definiu irritado – Não vou tentar impedi-la.
-Impedir? – Do que aquele homem estava falando?
Antes que Rony respondesse o choro irrompeu pela casa.
-Arthur ou Edgar? – ele desconversou.
-Edgar – ela reconheceu na mesma hora – Se apresse, ou Arthur vai começar a gritar em seguida.
Rony saiu atrás do filho, mas era tarde. Arthur já acompanhava o irmão num berreiro sem fim quando Rony trouxe-os para o quarto.
Ela ficou sem fôlego por um instante vendo-o carregar os dois bebês, um em cada braço. Era uma imagem tão linda, que ela estava a beira das lágrimas quando tirou Edgar do braço dele...
AUTORA: último capitulo da fase ‘parto’. Agora virão os capítulos antecessores aos finais. Mas sem tristeza, meninas, será um fim lindo! Hehe
Beijos