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15. Capítulo 15


Fic: Cliché Love Story


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Eu aprendi que conhecendo e aceitando a realidade, você pode realizar todas as fantasias com as quais sempre sonhou.” – Life Unexpected

Capítulo 15


Passar uma tarde inteira em um hospital não é algo fácil, mesmo quando você conversa com duas pessoas que não aparentam estarem tão mal quanto estão.

Eu me pergunto como os médicos agüentam isso. Eu me pergunto como, por exemplo, os oncologistas conseguem trabalhar com isso. São tantos pacientes que passam por eles, que simplesmente não têm altas expectativas, que vão sobrevivendo, mas nunca são curados... Parece muito difícil de lidar. Eu não sei se conseguiria dizer para uma pessoa que a expectativa de vida dela eram três meses, seis meses, um ano...


Então, bem. Era por isso que eu considerava os médicos como a coisa mais próxima de super heróis que existiam. Tudo bem que o normal não era que todos eles lidassem a todo com situações de vida ou morte, mas eles lidavam sempre com vidas. Certo? Mesmo que fosse o pediatra da minha prima.


Bom, é claro que se eu fosse mesmo fazer uma lista de super-heróis, ia ter que colocar os bombeiros ou os policias bem lá em cima.


E os voluntários, que davam seu tempo, seu dinheiro e sua atenção para causas que geralmente nem os afetavam diretamente, sem esperar nada em troca. Fiquei muito admirada quando fui conhecer a casa de reabilitação de crianças e jovens que sofreram abusos (qualquer tipo de abuso) em que a minha professora era voluntária. A fundadora da instituição tinha uma das histórias de vida mais bonitas de que eu já tinha ouvido falar. Ela tinha passado por tanta, mas tanta coisa quando jovem. Graças a uma professora de matemática e sua família, ela tinha conseguido deixar a vida que levava para trás, inclusive drogas. E aí foi estudar, trabalhar, conheceu o marido... Ela entrou com as idéias e a força de vontade, o marido entrou com a grana e contatos aos montes que ele tinha, e eles criaram um lugar super bacana, um lugar que, ao meu ver, podia fazer muito bem a esses jovens e crianças com histórias complicadas marcando seu passado.


Eu conheci alguns garotos e garotas, já mais velhos que eu, que passaram por lá. Eles tinham se fortalecido muito lá dentro, e acabaram se tornando eles mesmos voluntários. Era a forma de agradecerem por tudo, eles me explicaram.


Posso dizer que nessa tarde em que a minha professora me levou à instituição conheci belas histórias de superação e força de vontade.


Só que eu estava procurando por inspiração em todos os lados, então decidi encarar e ir até o hospital pelo menos tentar conhecer alguma história de vida por lá.


O meu “disfarce” era um artigo para o jornal da Marion Collins, o
Collins News. Fui até a professora Rolland perguntar se eu poderia fazer uma reportagem especial, e ela concordou na hora, é claro. Eu sabia (porque ela tinha me contado) que ela me queria no jornal faz tempo. Eu disse que não era definitivo, era um teste. Mas mesmo assim ela concordou.

Então, agora eu tinha um artigo de meia página para escrever. Sobre as histórias que eu tinha conhecido na ONG, e sobre as duas histórias que eu conhecera no hospital. E, talvez, eu ainda usasse a história do Evan (aquele que ainda precisava de um transplante de rim), porque a história dele era bonita e a frase que ele costumava dizer era perfeita para fechar o artigo: “A cruz que recebemos só tem o peso que podemos carregar”. Porque você pode dizer isso quando precisa estudar muito para passar de ano, ou quando você passa por uma situação difícil na família, ou quando problemas surgem na sua frente. Só que quando você está lidando com a sua saúde, com a sua
vida, o significado é muito maior.

Acontece que no final do dia, pensar em tudo isso estava deixando minha cabeça pesada, então eu decidi que precisava fazer alguma coisa para dar uma escapada daquilo.


Apenas anotei o que todo mundo com quem eu tinha falado tinha pedido: que, quando o artigo fosse publicado, eu levasse o jornal para que eles vissem. Isso aconteceu todas as vezes quando eu perguntava se eles gostariam que seus nomes não fossem publicados. Ninguém se importou, mas todos queriam ver o resultado. Anotei em outro
post it amarelo: telefonar para Evan, e o colei ao lado do primeiro no monitor do meu computador. Havia muito tempo que eu não falava com ele, mas esperava sinceramente que, se eu decidisse ligar, recebesse uma boa notícia, como terem achado um doador para ele.

Fui então tomar um banho quente e depois que estava pronta, quando olhei no relógio e constatei que era cedo, resolvi telefonar para James e encontrar alguma coisa para fazer. Eu sabia que ficar com ele ia deixar minha cabeça mais leve.


James atendeu só depois de uns quatro ou cinco toques, e o “alô” dele soou extremamente sonolento. Legal, eu tinha acabado de acordá-lo.


- Você estava dormindo? – perguntei, super estúpida.


- Não – James negou, depois de limpar a garganta. Até parece que ele ia conseguir me enganar. – Fala.


- Hum, vai fazer alguma coisa hoje? – perguntei. Era sexta à noite, então ele provavelmente já tinha planos e era por isso que estava dormindo. Para não ter sono mais tarde. Ou não?


- Não – ele negou. – Vou ficar em casa.


- É mesmo? – me admirei. Ele não ficava muito em casa nos finais de semana. Pelo menos, não desde a época em que começamos a nos falar. – Não tinha uma festa hoje em que todo mundo queria ir? Uns garotos estavam distribuindo uns flyers na frente da escola no início da semana e tudo...


- É, vai ter essa. Mas eu não tenho ingresso e não estou nem um pouco a fim de ficar quase uma hora numa fila para ouvir música ruim e pagar uma facada no rim pela bebida... Enfim. Fora que, conhecendo você, sei que não ia querer ir comigo e nem ficaria muito feliz se eu fosse com os caras, então... Bem, Evans, provavelmente o negócio todo é que a convivência com você está me levando direto para a melhor idade e daí tudo o que eu quero hoje é ficar em casa com um aquecedor e uma noite de paz e tranqüilidade.


Depois de ouvir essa constatação, tudo o que eu consegui dizer foi:


- O que fizeram com James Potter?


James riu do outro lado da linha. A risada dele soava tão bem aos ouvidos... Eu me perguntei quando foi que comecei a achar isso. Eu estava virada em uma adolescente apaixonada.


Só que eu não estava apaixonada por James, estava?


É claro que não estava, isso era ridículo. As pessoas deveriam demorar mais que dois meses para se apaixonar. Ainda mais pessoas que tinham um coração de gelo e precisavam de um intervalo de tempo a mais só para derreter a camada gelada o envolvendo.


- Quer fazer alguma coisa hoje? Comigo? Você sabe que eu sou a rainha da paz e tranqüilidade. – Tentei fazer piada, mas foi simplesmente péssima. Eu devia desistir de tentar.


- Fazer o quê? – ele perguntou, e depois bocejou do outro lado da linha. Se antes restava alguma dúvida de que eu tinha feito o favor de acordá-lo, agora ela não existia mais. Bem, eu tinha mesmo feito um favor. Se ele não ia sair à noite, não iria querer ir dormir tão tarde assim, certo? Mas se ele dormisse até as quase sete da noite (e além), não iria conseguir dormir na hora certa.


Uau, mas que interessante. Estou pensando,
realmente pensando, nos horários de sono de James. Sério. Eu devia me atirar de uma ponte em um rio de água bem, bem gelada.

- Qualquer coisa – eu respondi, pensando. Até que uma idéia surgiu na minha cabeça. Foi quase como uma daquelas cenas de quadrinhos, quando um balão de pensamento com uma lâmpada amarela acesa surge do nada, piscando. – Jantar comigo. Aqui em casa – sugeri.


- Jan... – ele começou a repetir. É claro que ele iria repetir, para entender melhor. Ninguém compreende nada muito bem quando acabou de ser acordado por um telefonema. Mas parou abruptamente – Jantar na sua casa... Com a sua família, você quer dizer – ele falou, sacando tudo.


Não é que eu quisesse apressar as coisas nem nada. Não é como se nós estivéssemos
namorando ou alguma coisa assim. Mas é que depois que eu comecei a sair com James toda hora (sair literalmente, quero dizer. Nos finais de semana ou à tarde), minha mãe veio com um monte de perguntas para mim e eu me vi encurralada e contei as coisas para ela. Menos a parte de eu ter enganado ele e tudo o mais. De qualquer maneira, ela ficou exultante. Eu acho que ela ainda se preocupava demais com aquela história toda de Sev, o que era irracional, já que eu já tinha dito a ela que aquela história estava cem por cento superada.

Mas de qualquer maneira, desde que eu contara a ela, ela vinha me infernizando para chamar James para vir aqui porque ela queria muito conhecê-lo. Apesar de eu ter explicado que, tecnicamente, nós não estávamos namorando. E apesar de ela nem ter ficado confusa com os termos da juventude dos dias atuais (não teria como, tendo uma filha como Petúnia), ela insistiu para eu chamá-lo. Ela sabia que acabava me vencendo quando me pegava pelo cansaço de ouvir a mesma coisa muitas vezes.


- É – finalmente respondi à pergunta de James, pensando que mesmo que minha mãe estivesse me incomodando muito com a história, não era uma idéia tão boa assim. – Ou não, se não quiser. Podemos fazer qualquer outra coisa. É só dar uma idéia – em apressei em acrescentar. Em menos de um minuto, eu já estava quase torcendo para que ele desse uma desculpa e dissesse não.


- Não, tudo bem – ele respondeu depois de passados uns quinze segundos de silêncio. – Eu vou.


- Sério? – perguntei, surpresa. E acabei ficando feliz com a resposta, quando ela finalmente veio. É por isso que é complicado ser Lily Evans.


- Sério – ele confirmou. – Que horas eu devo aparecer? Tem algum assunto de que eu não posso falar? Preferência políticas? Hum, esqueça. Só me diga se tem algum problema em falar mal de George Bush.


Eu ri do outro lado da linha. Isso era exatamente ele. Sempre confiante, nada o abalava.


x


James apareceu aqui logo depois das sete e meia Eu estava deitada no sofá da sala, em frente à lareira, com Lennon aos meus pés; era tão, tão bom não precisar vestir milhares de casacos dentro de casa, graças aos caras que resolveram atritar um par de pedras e descobriram o fogo. E graças a quem, mais tarde, foi inteligente o suficiente para criar coisas maravilhosas como lareira e aquecedor. Levantei preguiçosamente e fui abrir a porta. James estava adoravelmente desarrumado. O cabelo estava todo bagunçado e ele estava cheio de roupas por causa do frio da rua. Ele sorriu para mim assim que abri a porta. E como ele era lindo.

- Ei... – eu sorri abobadamente. Ele se inclinou e me cumprimentou com um selinho. Seus lábios estavam gelados. – Entra – eu convidei e dei espaço para que ele passasse pela porta. James entrou e tirou seu casaco, deixando-o pendurado ali no vestíbulo. Nós não chegamos a ir para sala de estar quando ele perguntou:


- Então? Tem algum aviso de última hora?


Ele parecia realmente tranqüilo, como se estivesse apenas checando.


- Meus pais não estão em casa – respondi, indo para a sala e o chamando para ir comigo.


- Não? – ele parecia confuso, mas me seguiu mesmo assim. – Mas você não tinha dito...?


- Sim – interrompi. – Eles não estão
agora. Eles estão distribuindo comida no sopão, sabe, porque eles fazem isso todo mês. Mas eles chegam perto das nove – expliquei. Meus pais eram voluntários nisso e em mais algumas coisas, o que me deixava orgulhosa.

Agora que eu parei para pensar, parece que todo mundo ao meu redor faz alguma coisa pelos outros sem nunca esperar nada em troca. Até mesmo James, com a história do
Habitat for Humanity. Parece que só eu sou uma má pessoa em toda a cidade de Londres.

- Certo – James concordou, dando uma olhada em volta. Eu disse a ele que sentasse, e ele fez isso, indo brincar com Lennon, mas eu mesma fiquei em pé na frente da lareira. Só aquele minuto com a porta aberta já tinha me deixado gelada e eu precisava me aquecer e descongelar as entranhas. – Então, tenho uma idéia do que podemos fazer enquanto esperamos eles chegarem – James disse, quando finalmente cansou do cachorro. Que tinha adorado ele, na verdade. Achei que machos não gostavam de machos assim de primeira. Pode ser que meu cachorro ainda seja muito criança para ser bobo dessa maneira, ou talvez ele seja gay. Ou talvez eu não saiba nada sobre animais de estimação.


Eu me virei para olhar para James. Ele me disse para sentar a seu lado no sofá.


- O que é? – perguntei de maneira suspeita, mas me sentei ao seu lado mesmo assim.


James, ao invés de responder, se inclinou sobre mim e me beijou. E mais rápido do que você pensaria, seus braços já estavam prendendo minha cintura e ele estava me deitando no sofá e deitando por cima de mim...


- James – eu disse com um fio de voz, depois de aproveitar muito por alguns minutos, quando eu sentia os lábios dele no meu pescoço. Limpei a garganta. – James. – Dessa vez saiu em um tom decente.


- Hum? – ele murmurou sem levantar o rosto para me olhar.


- Meus pais...


Ele se endireitou tão rapidamente no sofá que eu quase não consegui perceber a mudança de posição. Ele olhou para os lados parecendo confuso.


- Onde? – perguntou.


- Não, eles não estão aqui. Eu ia dizer que eles podem chegar a qualquer momento. E se você preza pela sua vida, é bom você se comportar.


James relaxou e quase sorriu.


- Tudo bem, Evans. Qual é a sua idéia, então? – ele se encostou no sofá e pôs os olhos na televisão. – Ficar vendo essa merda? – ele se referia ao programa que estava passando:
Extreme Makeover. Acho muito difícil que James realmente ache que é ruim; ele provavelmente só está chateado porque eu acabei de cortar seus planos impuros pela raiz.

- Você deveria assistir. Talvez aprenda a pintar as paredes nas cores certas. – Eu me referia à história que ele me contou, sobre ter pintado as paredes e portas e janelas todas nas cores erradas quando estava trabalhando no
Habitat.

- Ha, como você é engraçada.


- Sim, eu sei disso. Mas vai ter que deixar para assistir mais tarde. Nesse exato momento, preciso fazer o jantar.


Ele olhou para mim demonstrando surpresa.


-
Você vai fazer a janta? – O tom de surpresa dele foi bastante ofensivo, para falar a verdade. Eu sabia
cozinhar. Algumas coisas, pelo menos. E tenho certeza de que eu vou dar uma ótima esposa um dia.
É uma pena que eu vá ser uma ótima esposa que tem uma empregada em casa para fazer o trabalho braçal. É realmente um desperdício de talento.

- É. Isso aí. E vai ser o melhor macarrão ao pesto que você já comeu... Hum, você gosta de manjericão, James?


- Sei lá. O que é manjericão? – James perguntou, confuso. Ele nem estava prestando atenção em mim. Ele estava assistindo à TV.

 
- Sério que você não sabe? É um tempero, super popular. Tem folhas de manjericão na Marguerita... A pizza, quero dizer.

- Hum, beleza. – Ele deu de ombros. – Mas você, cozinhando? É sério?


- Meu Deus, James, por que isso é tão difícil de acreditar? – perguntei, me levantando do sofá. – Vem, vamos para a cozinha – eu o chamei.


James desligou a televisão sem fazer nenhuma objeção e me seguiu.


- Você, por acaso, está tentando arranjar um pedido de casamento? – ele perguntou com um sorriso.


- Não, não se preocupe com isso. Só estou deixando a minha alma de meia idade atuar livremente.


Acendi as luzes da cozinha. Ela ainda parecia inofensiva. Estava rezando para não dar tudo errado e precisar ligar para os meus pais para pedir que eles passassem numa filial da Domino’s no caminho de casa.


Por falar em meus pais, minha mãe ficou completamente chateada comigo por convidar James para jantar quando ela nem podia estar em casa para cozinhar a comida... E ouvi meu pai perguntando se eu estava sozinha em casa, o que minha mãe ignorou. Quer dizer, até parece que ele precisava realmente se preocupar com isso. James sabia bem que meu pai não precisava se preocupar comigo. Haha.


- Assista meu show – eu disse a James, indicando um dos bancos da mesa da cozinha. Ele sentou, encostando-se contra a parede e eu comecei a trabalhar.


Tudo bem, ferver água é sempre a primeira coisa a se fazer. Inspirar, expirar. Eu sei cozinhar. Só nunca fiz isso antes.


- Então, James... – puxei assunto, já que eu tinha que esperar que a água fervesse no fogão. Até agora parecia estar tudo certo com o projeto de jantar. – Como Remus está levando? Ter sido largado pela Dorcas, quero dizer.


Obviamente, eu não tinha discutido isso com Remus, mas tenho certeza de que James o fez, já que eles são melhores amigos desde criança e tudo o mais.


Dorcas parecia bem. Ela tinha convencido a si mesma que estava fazendo a coisa certa, já que Remus não poderia realmente gostar dela se também precisava de outra garota para se sentir feliz. Eu concordava com isso. Se bem que Remus parecia bastante desanimado nas últimas semanas, e era por isso que eu queria saber como ele estava.


- Tranqüilo – James respondeu, indiferente. Eu sabia que ele não gostava nada do que Lupin estava fazendo com Dorcas. – O problema é dele se quer continuar com a namorada que nem mora aqui. Não tem motivos para ele ficar realmente chateado com isso. Ele sabe o que tem que fazer para conseguir a Dorcas de volta, se quiser, e ele sabe que as chances de dar errado são menores do que as chances de chegarmos à final do campeonato de futebol.


- Você foi realmente imparcial nesse comentário, James. – eu brinquei. James deu de ombros. Tudo bem, sem brincadeiras nesse assunto.  – Bom, de qualquer maneira, acho que Dorcas está fazendo a coisa certa. Você sabe, eu concordo com a monogamia. Totalmente.


- Acho que se você quer entrar num relacionamento, é porque gosta da pessoa com quem está. E, pelo menos no meu ponto de vista, se você gosta dessa pessoa, não precisa de outras. – Isso soou tão sério. Não era comum para James, e nós nunca conversávamos sobre esse assunto.


- É... mesmo? Eu sempre achei que você não concordasse com isso.


No momento em que eu disse essas palavras, desejei poder pegá-las de volta. Mas não podia, é claro, de modo que James deu uma resposta:


- Acho que se o cara, ou a garota, o que quer que seja, quer aproveitar a vida e tudo mais, vá em frente. Você sabe que eu fiz muito... Isso. Na verdade, sei que você acha isso lamentável, Lily, mas você já deve ter ouvido algum homem falando “enquanto eu não acho a certa, eu me divirto com as erradas”? – James perguntou, de maneira confusa. Mas eu consegui entender.


- Eu diria que essa uma visão machista e frívola, mas a verdade é que machista ela não é mais. As garotas se comportam da mesma forma – eu respondi, dando de ombros. – Bem, mas mantenho a opinião quanto a ser um pensamento frívolo.


- Não tem nada de errado em aproveitar a juventude e não levar tudo tão a sério – ele declarou. – Só que se você se decidir por começar um relacionamento, o que é algo sério por definição, você tem que levar aquilo a sério mesmo. Não é? Todo esse tempo em que eu fiquei com todas essas garotas que você tanto despreza, é porque a garota certa não estava nem um pouco a fim de mim. O negócio é que agora eu não preciso mais delas. Porque eu tenho a garota certa.


Tudo bem, isso me pegou de surpresa. O que eu deveria fazer ou dizer agora? Socorro? Ajuda? Ou suspirar?


- Você está dizendo que... Veja bem, essa foi a minha interpretação porque soou tudo meio confuso. Mas você está dizendo que eu sou a garota certa para você? Que quer ficar comigo
e só comigo? – Falei sem muitos rodeios, o que era uma coisa boa e não muito comum.

- É, é mais ou menos isso – ele concordou, sorrindo travessamente para mim.


- Nós estamos em um relacionamento? – perguntei, genuinamente confusa. Era como eu me sentia e deixei isso transparecer.


- Bem, eu vim conhecer seus pais, não vim? Eu gosto de ter você por perto... Por que eu deveria fingir que não sei qual direção tomar? – James deu de ombros e levantou para andar na minha direção. Eu estava encostada na bancada. Como eu não disse simplesmente nada, James continuou. Ele tinha um braço de cada lado do meu corpo e seu rosto estava a centímetros do meu. – Vou ser bem claro agora. Eu gosto de você, Evans, e eu quero fazer isso funcionar.


- Hmmm, certo. Certo – eu murmurei. Não sei o que estava pensando em falar depois disso, mas James me poupou o esforço quando, finalmente, me beijou. Isso estava ficando a melhor a cada momento.


Até que o barulho da água fervendo começou a ficar insistente um pouco cedo demais, de modo que eu fui obrigada a afastá-lo para continuar com os trabalhos.


Foi assim que eu gastei o tempo até meus pais aparecerem: cuidando da comida, conversando, beijando, rindo, sendo fotografada pelo iPhone de James (e apesar de ele ter ficado tirando fotos horrorosas minhas, o que é muito inconveniente, seus comentários fofos tipo “ah, eu estava mesmo precisando de um papel de parede novo” fizeram com que eu nem ligasse). E, obviamente, também gastei meu tempo cozinhando. E mesmo que fosse minha primeira vez fazendo aquele gênero de macarrão, pelo menos o cheiro estava adorável. Tão adorável que me deixou com mais fome.


James, conforme o esperado, tinha se oferecido para pôr a mesa para mim. É algo tão reconfortante perceber que mesmo vindo de uma família obviamente abastada, ele sabe ser humilde. Eu já tinha tido uma prova antes, quando ele me disse que em Liverpool estudava na escola particular, e que ele preferia a escola pública. Ele já tinha comentado comigo. Os Potter eram tradicionalmente uma família com dinheiro por causa dos negócios da família, mas o pai de James (e seus antecessores) acordava cedo todos os dias e ia para o escritório. Assim como a mãe de James continuava trabalhando até hoje, casada com um cara que poderia sustentá-la. Então James não tinha como ter se transformado num daqueles playbozinhos estragados pelo dinheiro, de qualquer maneira.


Nós estávamos no sofá conversando civilizadamente e fingindo assistir à televisão quando meus pais apareceram, trazendo Petúnia junto com eles. Petúnia não estava fazendo trabalho voluntário (eu sei,
que surpresa), mas provavelmente precisou de uma carona. O namorado dela não dirigia. Não porque não podia comprar um carro, mas porque ele ainda não tinha conseguido tirar a carteira de motorista. Não tem absolutamente nada de errado com isso, mas o fato é que Válter não conseguiu depois de várias tentativas porque ele é preguiçoso demais para prestar atenção nas aulas teóricas da auto-escola. Sério. Ele provavelmente só achava que era bom demais para aquilo.

Quando ouviu a porta, James levantou do sofá. Eu levantei também. Meus pais apareceram, parecendo um tanto exaustos. Mas ainda assim, sorriram.


- Hey, mãe, pai, Túnia – eu os cumprimentei, com um sorriso também. Mesmo Petúnia sorriu de volta, o que pode não parecer grande coisa, mas era, se tratando de Petúnia. – Este é James. James: minha mãe, meu pai, e minha irmã, que você já conhece.


- Boa noite – James os cumprimentou educadamente e estendeu a mão direita, primeiro para meu pai, depois para minha mãe. Com Túnia foi mais informal. Eles se conheciam, afinal. – Obrigado pelo convite.


- Claro, querido – minha mãe respondeu, mesmo que o convite tivesse sido meu, e não dela. – Sentem-se, os dois; sem cerimônias, por favor.


Certo, mamãe. Há menos de duas horas, nós estávamos dando uns amassos nesse mesmo sofá, mas tudo bem. Nós nos sentamos e Petúnia se atirou numa das poltronas.


- Lily, meu bem, eu só vou lá em cima por uns minutos trocar de roupa, certo? – minha mãe disse. Eu concordei, e ela e meu pai subiram as escadas. Ok. Isso tinha sido fácil. É claro que talvez o que não fosse fácil seria a parte em que meus pais conversariam com James. Mas eu não estava realmente preocupada. Quando Petúnia trouxe Válter aqui, há alguns anos, foi inacreditavelmente tranqüilo. Talvez todos aqueles filmes que passam à tarde na televisão só gostem de atormentar as pessoas. Bom, é claro que levar
Entrando Numa Fria a sério não é algo exatamente racional.

- Vocês ficam bonitinhos juntos – Petúnia disse. Não de uma forma má ou desagradável, mas como se realmente achasse isso. Talvez eu devesse dar mais crédito a ela. – Acha que alguém vai acreditar quando eu contar que minha irmãzinha Lily trouxe James Potter para jantar em casa? Quer dizer, não tem ninguém que não saiba dos foras que ela deu em você, certo, James?


Eu lancei meu olhar assassino para Petúnia. Justo quando eu achava que ela podia ser legal, ela me saía com uma dessas. Que necessidade de ser desagradável.


- É, certo. Eu mesmo acho difícil acreditar nisso – James respondeu com um sorriso, sem se abalar. O que provavelmente só me fez achar que ele era ainda melhor do que antes. Reflexo rápido para responder às provocações da minha irmã como se nem as tivessem percebido contava muitos pontos.


Não demorou muito para que meus pais voltassem a descer as escadas, parecendo mais saudáveis e menos cansados. Provavelmente um pouco de água quente no rosto. Eles sentaram-se no outro sofá.


- Então, James – meu pai começou, no tom de voz mais malvado que ele era capaz de fazer. – Lily nos contou que você é entusiasta do futebol. Liverpool, certo?


Eu quase não acreditei. Como assim, a primeira coisa que meu pai perguntou para James foi sobre
futebol? Olá? Ele não deveria, por mais constrangedor e idiota que isso seja, estar preocupado com as intenções de James ou qualquer outra coisa dessas?

- Liverpool, isso. Desde que eu me conheço por gente.


- Não vamos discutir a respeito de seu time não se comparar ao Arsenal – meu pai disse, completamente sério, e eu sabia que James queria muito, muito rir. Assim como meu pai. – Você é de Liverpool, então, presumo.


James concordou.


- Ah, mas que cidade adorável é Liverpool – minha mãe falou. – Há quanto tempo não visitamos... Lily nunca esteve lá.


James pareceu realmente surpreso. Ele olhou para mim.


- Sério?


- É, sério. Por que tanta descrença?


- Eu só presumi que como você é muito fã dos Beatles, teria aparecido lá algum dia. – Ele deu de ombros. Eu dei de ombros de volta. – Você devia ir algum dia, fazer o tour Beatles da cidade. É tipo uma Meca. Só que de fãs dos Beatles. Na verdade, como você é toda intelectual e adoradora de cultura em geral, tem centenas de lugares de que você ia gostar lá.


- Não é minha culpa. Pergunte a eles por que é que nunca me levaram – eu disse, indicando meus pais.


- Ah, querida, nós devíamos mesmo ir qualquer dia desses. James tem razão, você vai mesmo adorar a cidade – mamãe concluiu.


- É, provavelmente. Certo, está anotado. Vou cobrar.


Minha mãe riu para mim.


- Então, conte-nos, James... Já sabe o que pretende estudar na faculdade?


Acho que pais de adolescentes fazem essa pergunta no modo automático, já que se preocupam tanto com o futuro dos filhos... Não é bom. Não é bom ter seus pais, a sua família, os pais dos seus amigos, seus professores e o caixa do supermercado perguntando se você já sabe o que quer fazer da vida no futuro. Pelo menos não quando a resposta é “não, ainda não decidi”. Mas James ainda parecia muito tranqüilo: provavelmente porque ele não era complexado com isso como eu.


- Ah... Não, na verdade. Sei que não quero trabalhar com os negócios da família, meu pai nunca conseguiu me influenciar para ir para os lados dele... Mas talvez siga o lado da minha mãe; ela fez direito, que é a minha opção mais concreta agora. Mas ainda não decidi.


- Sua mãe é advogada? – papai perguntou, desgrudando os olhos da televisão, que parecia muito mais interessante para ele naquele momento. Pelo menos ele estava sendo legal.


- Ela é promotora pública, na verdade. Que não é o que eu pretendo fazer, se resolver ir estudar direito. – James explicou. Eu nunca tinha perguntado a ele o que é que interessava a ele na carreira do direito, então perguntei, ao que ele respondeu: – Defensoria pública, de preferência direito penal.
Se eu me decidir por isso.


- Quer defender os interesses do povo, garoto? Tinha um amigo meu na época da faculdade que queria fazer isso também. Até o dia em que roubaram o carro dele numa viela. Desistiu e foi estudar para trabalhar para a elite – meu pai contou.

- Faz sentido – James respondeu. Quando a sala começou a ficar em silêncio, foi ele quem puxou assunto. – Então, Lily disse que vocês estavam no sopão hoje. Cara, isso é legal. A caridade que meus pais fazem é sempre relacionada com bailes de gala, geralmente para levantar fundos para espécies animais ou coisas assim.


- Isso é importante também, não é? Principalmente com todo mundo falando sobre meio ambiente – respondeu minha mãe, que é sempre muito, muito fofa.


- É, claro. Eu só acho mais bacana quando é para ajudar
pessoas com necessidades antes de tudo.

- É, mãe. James pode falar dos outros porque esteve no Habitat for Humanity no ano passado. O que basicamente quer dizer que todo mundo faz um pouquinho de trabalho voluntário de vez em quando. Menos eu.


- Não se preocupe,
sis. Eu também nunca faço – Petúnia me confortou, piscando o olho direito. Não sei s e é mesmo preciso dizer que não foi reconfortante.

- Bom – eu disse para Petúnia. – Odeio interromper a conversa, mas meu macarrão vai ficar muito frio daqui a pouco, e se eu tiver que requentar no microondas vai perder toda a magia... E daí James vai achar que eu não sei cozinhar, o que todo mundo sabe que não é verdade. Então, podemos?


Acho que todo mundo estava com fome, porque todos se prontificaram no exato momento em que eu parei de falar.


As coisas funcionaram bem. Eu
sabia cozinhar macarrão ao pesto, meus pais estavam sendo completamente agradáveis e não-intrometidos, e James estava fazendo muito bem o papel de genro-que-toda-sogra-quer-ter. Quer dizer, ele parecia perfeito: educação, bom humor para rir das piadas sem graça do meu pai, atleta, conhecedor de filmes Cult dos quais meu pai gosta e até já tentou me fazer assistir... Mesmo quando Petúnia perguntou quando é que ele tinha deixado de ser o garoto baladeiro para virar um pacato cidadão como era agora, ela não conseguiu estragar as coisas. Quer dizer, James disse que ele ainda gostava das festas, mas que ele nunca tinha vivido para isso. E a minha mãe gostava muito de me dizer para sair, ficava contente quando eu anunciava que ia a uma festa da turma ou qualquer coisa assim, então ela jamais ia se importar.

É claro que não havia necessidade de contar a James histórias embaraçosas da minha infância, como quando eu tentava achar Nárnia no fundo do armário todos os dias depois da escola, ou sobre quando eu adorava os Backstreet Boys (o que não é algo que eu queria que
ninguém ficasse sabendo) e tinha chorado muito quando minha mãe não me deixou ir ao show deles, ou sobre quando nós estávamos no circo e um palhaço veio me entregar um doce e eu disse que ele era horrível e que eu tinha medo. Ou sobre como eu fui tosca e caí numa poça de lama numa viagem de família. Coisas assim. Não era nada demais, mas era assunto desnecessário. Pelo menos eles não falaram sobre coisas que eu fiz com Severus quando ainda éramos amigos. Não sei como James ia responder a isso.

Mas correu tudo bem. Tanto que quando eu e James estávamos deixando a louça na máquina de lavar, mais tarde, ele comentou:


- Não foi tão ruim assim. Certo?


- Está brincando? Foi ótimo. Eles amaram você. Minha mãe devia estar até pensando que gostaria que
você fosse o filho dela, e não eu.

James revirou os olhos e não respondeu a essa.


Quando terminamos e ele disse que ia embora, eu disse que ainda era cedo e o convidei para subir e assistir um filme comigo. James disse imediatamente que sim.


- Garotos são permitidos no andar de cima aqui? – ele perguntou, sorrindo, quando já estávamos no andar de cima.


- Sim, garotos são permitidos – eu respondi, entrando no meu quarto e acendendo a luz. – Desde que a porta fique aberta.


- Parece muito razoável – James falou, se aproximando. – É bom nós sermos silenciosos, então – ele sussurrou, antes de me beijar. O que eu não deveria estar correspondendo, já que meus pais podem aparecer a qualquer momento e isso seria muito embaraçoso. Mas não é como se eu tivesse realmente uma escolha, eu não era tão forte assim.


Eu senti as patas do meu cachorro nas minhas pernas e ele começou a latir, um latido bem fino, mas desagradável por ser um tanto estridente. Ele estava pulando em nós.


James afastou o rosto do meu e começou a rir, ainda me abraçando. Eu encostei meu rosto em seu ombro e inspirei profundamente.


- Seu pai está treinando o cachorro – ele disse com um sorriso. Eu mesma sorri com isso.


- O que é que você quer, Lennon? – perguntei a ele, como se o cachorro fosse mesmo responder. Por que as pessoas falam com seus animais de estimação? Por que eu estou falando com meu cachorro?


James me soltou e foi se estender confortavelmente na minha cama, puxando Lennon para cima. Os dois pareciam muito entretidos um com o outro.


- Então, – James começou, enquanto meu yorkshire rosnava, divertindo-se na brincadeira – o que é nós vamos assistir?


- Já assistiu esse? – perguntei, pegando um DVD que estava em cima da minha escrivaninha e mostrando a capa a ele. Eu precisava devolver o DVD para a locadora e provavelmente tinha perdido o prazo. Ótimo. Quem gosta de pagar diária extra?


-
Quebrando a Banca? É aquele sobre um grupo de nerds do MIT que aprende a contar cartas para enriquecer jogando Blackjack em Vegas, não?

- Sim.


- Já tinha visto parecidos antes, mas de qualquer maneira, esse é bom. – Ele deu de ombros.


- Não te faz achar que contar cartas é a coisa mais simples do mundo? Além de fazer parecer que matemática pode ser divertida, é claro – eu disse. Não sei como é possível, mas às vezes a ficção faz coisas completamente irracionais como essa.


- Pode acreditar, contar cartas não é fácil como faz parecer. Nós tentamos uma vez.


- Sério? – eu me admirei. – Nós quem?


- Eu, Sirius, Jane, Emmeline, Peter... Para o Cassino Night do Liam Johnson, ano passado. Nós realmente nos dedicamos ao negócio, Emmeline é genial em matemática, mas não rolou. A gente só perdeu dinheiro naquela noite – ele terminou, pesaroso, como se estivesse muito arrependido do dinheiro que tinha gastado.


- Liam Johnson da escola deu uma festa do Cassino e eu nem fiquei sabendo? – perguntei, chateada. Bom, isso é para eu aprender a não ficar me achando melhor do que todo mundo.


- Ele e o irmão dão uma festa dessa todo ano. Por que, Evans? Você se interessa por esse tipo de coisa? – ele arqueou uma sobrancelha, como se a última coisa que pudesse imaginar fosse eu querendo jogar cartas. Bem... É compreensível.


- Eu sei, não dá para imaginar. Meu primo Brian me ensinou a jogar pôquer há uns dois anos, depois blackjack. Minha mãe morria de medo disso, mas como nós nunca apostamos dinheiro... Bem, era quase como jogar canastra ou copas.


- Certo, eu tenho que ver isso um dia – James parecia extremamente divertido com aquilo. – Nós deveríamos ir para Las Vegas um dia, quando pudermos entrar nos cassinos. E ganhar montanhas de dinheiro sendo mais espertos do que os outros.


- Certo, parece muito verossímil... – Eu ri. – Será nossa primeira viagem, então. Vegas. Mas pelo amor de Deus, James, não me alcoolize e me induza a aceitar um casamento daqueles de drive-thru.


- Certo. Combinado. Embora eu precise dizer que você vai ser a sóbria da viagem.


- Tudo bem. Planos para o futuro anotados... – Eu sorri com o tamanho das bobagens que estávamos dizendo, e James riu de volta. – Então, continuando... – Levantei da minha cadeira, onde eu tinha sentado. – Filme. Já viu esse?


Estendi a caixa do DVD para ele:
Diário de Uma Paixão. Um dos milhares de romances melosos e dramáticos de Nicholas Sparks adaptado para o cinema. E a coisa mais linda do mundo.

- Parece um ótimo filme – ele disse de maneira irônica.


- Porque é – respondi, ignorando seu sarcasmo. Peguei o DVD das mãos dele. – E é esse que vamos assistir – declarei, colocando o DVD na bandeja. Fui até o armário e peguei uma manta de lã daquelas xadrez e bem velhas, e depois fui para minha cama, onde James descansava muito confortavelmente encostado na almofada da cabeceira. Lennon estava ao pé da cama. Eu me sentei ao lado de James, me encostando na cabeceira, mas ele passou um braço ao redor dos meus ombros e eu me encostei ali. A manta xadrez e velha era muito, muito quente.


- Tenho certeza de que vai ser um ótimo filme – James disse, se inclinando sobre mim para me beijar. Eu correspondi. Era tudo tão confortável. Quase como um sonho.


- Você deveria prestar atenção, James. É
realmente bom, não estou brincando – falei, porque ele não estava prestando atenção no filme, mas estava beijando meu rosto, meu queixo, meu pescoço...

- Tudo bem. – James suspirou e voltou a recostar a cabeça à almofada. – Já que você insiste...


Ele ficou em silêncio e ouvi as primeiras palavras do filme.


- James? – eu chamei muito baixinho, mas ele virou para mim de qualquer maneira. – Obrigada por estar aqui comigo esta noite. Eu realmente, realmente gosto de você.
Muito.

Eu o beijei depois disso, feliz por tudo o que estava acontecendo comigo. Eu nem sabia se merecia isso. Senti os lábios de James beijando o topo da minha cabeça, e depois ficamos em silêncio, assistindo ao filme de romance do qual eu mais gostava.


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N/A:
OMG, eu sei: parecia que não ia acabar nunca, né? HAHA Vou começar pedindo desculpa pela demora. Sinceramente, não era para ter demorado tanto mas eu simplesmente não estou tendo tanto tempo assim para fazer as coisas de que eu gosto. O tempo que me sobra durante a semana eu gasto vendo House, Vampire Diaries, Supernatural e Glee (e recentemente assisti à temporada de uma série nova chamada Life Unexpected... É fofíssima e passa no antigo People+Arts toda segunda à noite. Assistam!). E isso já é muito. Até meu twitter anda às moscas e se vocês forem ler minha página, eu praticamente só falo de trabalho, de provas, de dúvidas da escola e estudar ou precisar estudar ou odiar estudar ou então sobre como eu quero Damon Salvatore para mim, já que a Elena finge que não quer.

E vamos falar sobre o capítulo agora. Bom, não era para esse capítulo ter existido. Era para ele ser completamente diferente, mas eu precisava fazer pesquisa para ele e não consegui. Então vim escrever uma coisa melosa, casta e fofa, como eu adoro escrever (hahaha) já que vocês mereciam um capítulo fofinho. Porque o 16 vai ser tenso. Só estou avisando.


Acho que todo mundo já viu Diário de Uma Paixão, então nem preciso indicar, mas assistam Quebrando a Banca. É super cool. Adoro ver nerds sendo super foda. E caso alguém esteja curioso: não, eu não gosto de pôquer ou blackjack ou qualquer desses jogos. Eu não sei jogar e nem me interesso por aprender. Jogos de cartas para mim é igual a
truco! #MesaDeBarFeelings Aliás, nunca mais joguei e a-do-ro, alguém quer jogar uma partida?

Acho que era isso. Desculpem mesmo pela demora, gente. Obrigada mesmo pelos comentários, sempre me deixam
super feliz.

Fernanda M.

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