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2. Abandoned Fate


Fic: Elixir da Vida - shortfic


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Capítulo II – Abandoned Fate


Para Severus, nenhum lugar que não fosse sua antiga habitação na Rua da Fiação parecia combinar mais, naquele momento, com sua condição interior, e – como o primeiro destino que lhe veio à cabeça – foi para lá que a aparatação o levou.


Ao abrir a porta dos fundos, sutil e ruidosamente, Snape não se espantou ao encontrar o local diametralmente denegrido; pouco iluminado; sujo; com teias de aranha nas estantes lotadas de ultrapassados exemplares de Poções, nos rodapés de madeira e nos vãos entre as paredes; poltronas e sofás puídos; nas paredes quadros tortos e arruinados; corredores sombrios; algumas caixas com bugigangas quaisquer; além de móveis e piso fartamente cobertos de pó – claros sinônimos da desordem e do abandono que também o arrasavam.


Poderia resolver boa parte do problema com um simples menear de sua varinha, preferiu deixar tudo como estava, entretanto; sendo aquele cenário indiscutível e coincidentemente espelhado em si mesmo e – apesar dos pesares – extraordinariamente acolhedor. A casa como reflexo de seu dono era o que, de certo modo, aparentava consolá-lo. Um ambiente efusivo e iluminado seguramente só pioraria as coisas.


O piso de madeira rangia e os sapatos do homem tocavam estrepitosamente a superfície a cada passo que ele desempenhava, de modo instintivo, até a derradeira porta do corredor principal. Respirou fundo ao associar, no meio do percurso, seu cômodo de destino ao primeiro e único quarto que compartilhou com Hermione antes de se mudarem para a nova casa em Hogsmeade, há quase quatro anos. Quem sabe o melhor seja dar meia-volta e abdicar da idéia de abrir aquela porta, pensou. E foi o que fez.


Na dobra do corredor que o guiava até a sala, seu pé direito encontrou dolorosamente um artefato metálico, que por causa da escuridão ele não pôde bem compreender do que se tratava (mas julgou logicamente ser um caldeirão velho), lançando-o longe, e disparou uma palavra não muito elegante em resposta. Aquele, terminantemente, não era o seu dia.


Ao voltar à sala de estar, retangular e – como todo o restante da casa – debilmente iluminada, o ex-Professor, ainda de pé, acendeu a lareira, abriu os dois botões de cima da camisa, folgou o laço da gravata grafite que usava, a retirou do pescoço furiosamente, avermelhando um pouco a pele do local, e lançou distraidamente a peça no piso empoeirado.


 


This constant longing for your touch


(Este constante anseio por seu toque)


This bitter ocean of hatred and pain


(Este amargo oceano de ódio e dor)


This loneliness I need to be who I am


(Desta solidão eu preciso para ser quem eu sou) [1]


 


No mesmo instante censurou-se internamente, mas não pôde evitar a lembrança de mãos pequenas e delicadas, que não poderiam ser outras que não as de Hermione, retirando sensualmente a gravata de seu pescoço no dia anterior enquanto ambos se encaravam com paixão e brasa, gestos esses que seriam o marco inicial de uma intensa e tórrida noite de amor. De maneira inevitável suas pálpebras pesaram, ele manteve os olhos fechados por alguns segundos e suspirou pesadamente antes de reabri-los, desejando imensamente que, quando enxergasse outra vez as chamas da lareira, a figura do corpo esguio da esposa colado ao seu já fosse remota em seus pensamentos; o que não tão espontaneamente ocorreu.


O asco que experimentava por Krum e pela esposa por causa da traição transferiu-se para si, por encontrar-se tão fraco diante do amor por uma mulher, talvez o único fator apto de fazê-lo desmoronar tão depressa. Ainda não compreendia como raios, presenciando o que presenciou, sua mente persistentemente migrava para um lado que ele não queria – ou, por questão de honra, pelo menos não deveria – considerar.


Rendido e impaciente, Snape afundou na puída poltrona diante da lareira e descalçou os sapatos de couro negro unicamente com o auxílio dos pés, permanecendo apenas com as meias.


Ele ouvia o estalar da madeira sendo irremediavelmente consumida pelo fogo e via as chamas dançarem inspiradora e aleatoriamente. Ainda que não possuísse aptidão para a poesia, na presença de uma pena, de tinta e de um rolo de pergaminho certamente inúmeros poemas, ainda que dantescos, ele seria capaz de idealizar, comprovando o fato de que a dor, no caso dele aliada ao ódio, desperta enormemente a criatividade do ser humano. As labaredas que o fogo formava eram um espetáculo à parte que, por mais espantoso que possa parecer, o prendeu intimamente; tanto que era possível enxergar a mesma intensidade e fulgor em pretos ao contemplarem-nas.


Seus olhos inflamavam em animosidade enquanto seu coração, todavia, parecia em apuros, a congelar, como se necessitasse de algo que o reavivasse, que o derretesse... Por Salazar, só as chamas da lareira não lhe eram suficientes! A quem estava tentando enganar? Havia somente uma fonte de calor capaz de lhe curar aquele câncer, mas esta mesma fonte – figurativamente – havia feito as malas e saído de férias com rumo a nightmareland, ou ainda se tornado um criadouro de veneno, não de bálsamo.


Simultânea a um estalo mais contundente por parte das chamas lhe veio uma vontade à qual há algum tempo não cedia – “Accio.” – murmurou, apontando a varinha para uma direção qualquer. Em menos de dez segundos um pequeno copo de cristal veio acompanhado de uma garrafa perdida de Whisky de Fogo ali conservada sabe Deus onde. Não que fosse de beber, aquela ocasião é que lhe parecia tentadoramente propícia para tal.


Abriu a garrafa e serviu-se de uma primeira dose, sorvendo-a num só gole, sendo essa acompanhada de uma segunda em menos de três minutos, queimando-lhe a garganta. O ritual perdurou em intervalos, que variavam de cinco a dez minutos entre cada uma das doses, atestados de reflexões alucinadas (sendo as últimas fatalmente com bem menos nexo que as anteriores). Severus confiava, incoerentemente, que cada gole da bebida âmbar que lhe atravessava a boca dissolveria um pouco de sua dor.


Impressionante como jogadores de Quadribol pareciam persegui-lo. Primeiro o glorioso Potter-pai – ele não pôde evitar uma gutural e debochada risada ao lembrar-se da feição arrogante de seu, até o início de sua vida adulta, maior inimigo –, que lhe privara de Lily; depois o paspalhão do Weasley, que resolveu investir em Hermione por algum tempo; por último o famigerado Viktor Krum, que sua esposa havia conhecido melhor em seu quarto ano, durante o Torneio Tribruxo, e agora reapareceu para arruinar seu casamento. Só faltava o jovem Potter, acrescentou ironicamente.


Severus, embriagado diante de tantas doses do mais barato e vagabundo Whisky de Fogo – e já não raciocinando muito propiciamente –, viu uma coruja maldita de penugem alaranjada, que ele reconheceria até no inferno, bicando insistentemente a vidraça de sua janela e não dando sinais de desistência ou de que estaria disposta a deixar o local sem antes entregar em mãos a correspondência que lhe havia sido confiada.


Sem saber de onde tirou forças, paciência e coordenação motora, Snape levantou-se, ainda que lutasse para manter-se em pé. Ao se aproximar, quase perdeu definitivamente o equilíbrio, apoiando-se no parapeito para conseguir conservar sua postura ereta. Abriu a janela com dedos trêmulos e vacilantes, lançou um olhar de desprezo à ave ao vê-la empoleirando-se exibidamente na superfície lisa de mármore e desatou o leve nó duplo do rústico barbante que amarrava o recado à pata esticada do animal, que, por não ter recebido um mimo ou petisco qualquer para compensar a viagem que fizera, piou em protesto e tentou bicá-lo (dessa vez a correnteza estava a seu favor e a ave não o atingiu; deixando claro que por bem pouco). Até que os seus reflexos não estavam tão ruins para alguém que praticamente secou, sem ajuda, uma garrafa inteira de Whisky de Fogo.


Após espantar a coruja como quem deseja afastar um mau-agouro ou uma praga, Snape fecha a janela carregando o pergaminho com a palma da mão úmida de suor, não tendo compreendido ainda o porquê de ter deixado sua, na medida do possível, confortável poltrona e outra dose da bebida âmbar.


 


What if I read it and it is full of love?


(E se eu ler e isto estiver cheio de amor?)


How can I face it if I am wrong?


(Como poderia encarar a situação caso eu esteja errado?) [2]


 


Depois de, com algum esforço, voltar ao seu assento, Severus olhou para a lareira, e as tremeluzentes labaredas corresponderam seu olhar, atraindo-o. Negros voaram das chamas para a mensagem que ele possuía em mãos. Quem ela pensa que é por achar que ele leria aquilo? Quanta estupidez! Mas é claro que ele não leria... Ou será que sim?


Aquela sangue-ruim, dessa vez não sentiu o menor remorso por ‘apelidar’ alguém daquela forma, ainda que o remetesse a uma trágica passagem, poderia implorar de joelhos e/ou prometer atravessar o Atlântico a nado que ainda não seria o suficiente para compensar um terço da frustração pela qual o fez passar. Para não proporcionar nova margem à incerteza e à fraqueza, amassou furiosamente o pergaminho, sem sequer lê-lo, entre os dedos e, sem titubear, lançou-o ao fogo, exibindo na expressão orgulho, satisfação e uma pitada de sadismo pelo que fez.


“Pro diabo com suas cartinhas patéticas, Granger!” – disparou pouco depois, como se Hermione estivesse em sua presença, ao mesmo tempo em que jogava na lareira uma última dose do Whisky de Fogo com copo e tudo, sendo o vidro despedaçado com um baque estridente e aumentada temporariamente a altura das chamas por causa da bebida, o que seria o golpe de misericórdia contra os 'restos mortais' do que um dia foi um pergaminho.


A satisfação naquele ato logo se esvaiu, e o vazio e o silêncio da noite voltaram a engoli-lo, entretanto.


Fechar os olhos e descansar a cabeça contra o encosto da poltrona passou a ser o único consolo que lhe restava. Por sorte o dia seguinte era Sábado e ele não precisaria comparecer ao Ministério da Magia nem dar satisfações a quem quer que fosse. Talvez sumir do mapa e ficar sem dar sinal de vida fosse o melhor a ser feito; isso se alguém sentir sua falta, o que ele asseverava ser pouco provável.


Aquele dia, que começara como outro qualquer nos últimos anos, não terminou nos prévios conformes, tampouco tomara o caminho que Severus desejava que tivesse tomado. Naquele segundo, a vida pareceu-lhe injusta, mas sua mente também vagava pelos rumos conceituais de que ela nada mais é do que o reflexo daquilo que você escolhe, da semente que planta e das lições que precisa aprender. Snape nunca fora um santo, sabia disso, mas por que a vida aparenta ser injusta apenas para aqueles com boas intenções e não para as pessoas ruins?


O tempo passou, o sono lhe ateve, enfim, e nenhuma resposta – ainda que vã – lhe nasceu para aquela pergunta tão complexa.


 


·٠•●♣●•٠·


 


Oh yeah, eu amo essas ceninhas com reflexões Severísticas, ainda mais por o Snape ser uma personagem tão complexa e desafiadora de se escrever sobre; razão pela qual eu, a cada dia, o amo mais.


Nightmareland = Terra dos Pesadelos.


Esse capítulo II (Abandoned Fate), só por curiosidade, leva esse nome por causa de uma música do Angra (:


 


≈ Referências Musicais:


[1] Nightwish ft. Tony Kakko – Astral Romance (2001).


[2] Sonata Arctica – Unopened.



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