Hermione seguiu para o interior da toca tentando saber o que fazer. Estava um tanto quanto aflita, tinha finalmente conseguido se acertar com Rony. Tudo bem que ela estava tão nervosa que nem conseguiu aproveitar direito o momento, mas sabia que queria estar para sempre ao lado dele. Não tinha idéia de como seria o futuro, mas as vezes os sonhos secretos de seu coração lhe mostravam uma versão menor da toca e um pequeno ruivo nos braços de Ronald Weasley.
A garota sorriu enquanto subia as escadas, precisava estar um pouco sozinha e assimilar a reviravolta daquela manhã. Sabia que logo a Senhora Weasley a chamaria para almoçar e precisava deste tempo só, ou sabia, não conseguiria acalmar seus sentimentos para estar na frente de todos.
O que mais desejava agora era falar com Gina, a quem aprendeu a ver como sua melhor amiga, quase irmã. Mas já sabia que a ruiva não estava na casa.
Sentia-se a pessoa mais egoísta, pois sabia que a fuga de Gina significava uma tristeza além do que se poderia suportar.
Decidiu que a tarde escreveria uma carta ou talvez fosse a casa das conchas falar com a amiga. Ficou ali no quarto por longos minutos, olhando pela janela e pensando em tudo o que viveu, em quanto foi difícil aceitar algumas das perdas que tiveram. Ansiava pelo reencontro com seus pais, mas sabia que ainda não era seguro, Kim estava certo, eles só deveriam retornar depois que todos os comensais da morte fossem presos. Seu consola era o fato de já ter sido informada que os dois estavam bem e sendo monitorados pelo ministério da magia australiano.
Foi em meio a estes pensamentos que ouviu seu nome ser chamado para o almoço. Desceu pensando em como deveria se comportar com Rony agora, quando chegou à cozinha estava completamente corada. Olhou para o ruivo com um breve sorriso e foi se sentar a seu lado. Os dois ainda não tinham conversado sobre como contar a todos sobre os sentimentos que tinham um pelo outro, não que a família já não soubesse, nem das recentes mudanças.
O turbilhão de sua mente parou quando olhou para frente e seus olhos encontraram a expressão de desespero de Harry Potter. Ele olhava para Hermione como se esperasse um consolo, uma respostas.
Foi com a expressão mais dura do que pretendia que ela disse ao garoto:
_ Harry a culpa foi sua, eu disse que ela não ia esperar para sempre. Ma verdade eu mesma não agüentava mais esperar.
O senhor weasley que estava intrigado com a reação dos jovens perguntou a Hermione.
_ O que você não podia mais esperar Hermione?
A garota parou de comer, percebeu que sua face estava mais corada do que nunca, não sabia o que responder, olhava de um para o outro buscando uma resposta. Foi salva por Molly que finalizou a discussão trazendo a sobremesa.
Harry não comeu quase nada e assim que pode foi para o quarto com a desculpa de ter algo para fazer lá.
Hermione permaneceu na sala com um livro bem grosso, onde pesquisava a historia dos Elfos. Estava decidida a trabalhar no ministério e melhorar a legislação bruxa quanto aos Elfos domésticos e outras criaturas mágicas. A leitura lhe tomou toda a tarde, o que foi bom, pois Rony tinha saído para ajudar George com a loja e Harry não desceu desde o almoço. Ela sabia que deveria conversar com Harry, mas achou melhor deixá-lo pensar um pouco.
Resolveu tomar um banho para relaxar e depois conversaria com seu melhor amigo, o expulsaria da Toca se preciso, mas faria com que ele tomasse uma atitude. Foi somente quando retornou ao quarto e se sentou na cama para retirar os sapatos que percebeu a existência de um pergaminho em cima do travesseiro. Uma carta de Gina.
Hermione,
Decidi ficar uns dias longe da toca. Não agüento mais essa espera e sabe, acho que o que imaginávamos ser real era mesmo só minha imaginação. Eu queria que tudo tivesse sido diferente.
Estou aqui na janela, vendo você e o Rony e só consigo pensar que o lerdo do meu irmão é mais esperto que o Harry. Bom Mione, mas o Rony te ama né? E eu sei que vocês serão muito felizes, sempre torci e acreditei nisso. Você é a melhor cunhada!
Só sinto mesmo não compartilhar este momento com você! Decidi ficar uns dias na Casa das Conchas. Preciso fechar esta ferida para seguir com a minha vida. Não vou mais alimentar esperanças, não posso mais.
Gina.
A carta estava borrada com as lágrimas da ruiva e a letra era tremula,
Hermione se encheu de tristeza, sabia como era se sentir assim, sozinha e rejeitada. Foi direto ao quarto de Harry onde o encontrou perdido olhando o nada.
O garoto ocupava agora o quarto que George dividia com Fred, já que agora o ruivo morava num apartamento em cima das Geminialidades Weasleys no Beco Diagonal.
O quarto era pequeno, mas aconchegante. Estava completamente bagunçado e refletia a confusão de seu novo dono, que se virou ao sentir a presença da Amiga.
_ Hermione eu não entendo por que ela se foi. Eu tentei dar tempo para ela pensar, para as coisas se acalmarem e quando eu finalmente decidi conversar com ela, ela se foi.
_ Harry não acredito que você também pode ser um trasgo. Ela não precisava de tempo, precisava de você. Leia.
Hermione entregou a carta ao amigo que leu e permaneceu sem saber o que dizer.
_ E agora o que vai fazer? Perguntou a garota.
_ Eu não sei, bem, será que ela vai me perdoar?
_ HARRY COMO VOCÊ É IDIOTA! SUMA DA MINHA FRENTE E VAI LOGO FALAR COM ELA, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS. POR MÁRLIN VOCÊ É CAPAZ DE ACEITAR A MORTE, MAIS TRAVA NUMA HORA DESSAS? FRANCAMENTE!
O garoto abraçou a amiga e sorrindo disse que ela tinha razão. Sem mais uma palavra saiu em direção ao seu destino.