CAPITULO 143 –O AMOR BASTA
A primeira pessoa que os viu foi Gina. Ela estava na varanda, olhando para longe, rezando por um milagre, enquanto esperava notícias. Ela os viu e entrou na casa aos gritos, antes de voltar e correr ao encontro deles.
Rony não lhe deu atenção. Precisava correr e levar sua família para a segurança de uma cama quente.
O corpo de Hermione tremia de frio e os dois estavam molhados. Queria se apegar a esperança de terem pegado chuva, mas não terem passado a noite toda sob o aguaceiro da noite passada!
Hermione tinha fechado os olhos e sua respiração estava muito calma. Serena. Segura. Não podia saber, mas era isso o que sentia.
Estava em braços seguros e estava salva.
Tudo ficaria bem se apenas pudesse ficar ali, aquecida por seus braços, sentindo seu bebê respirar contra sua pele e sentir o cheiro da fazenda.
Ela gemeu quando ouviu várias vozes a sua volta, e o som de portas sendo batidas e abertas com força.
Quis pedir que parassem, estavam fazendo sua cabeça doer, mas apenas esperou que as vozes fossem embora e ela pudesse se entregar ao sono.
Seus olhos se abriram assustados quando alguém tentou tirar o bebê de seus braços.
Era Molly Wesley. Ela tirou o embrulho de seus braços com toda a gentileza que apenas uma avó poderia ter. Hermione grudou os olhos sobre ela, enquanto era colocada sobre a cama.
Gemeu de contentamento quando ele colocou seu corpo cansado sobre a cama macia e quentinha.
-Hermione... – ele tentou dizer alguma coisa, mas alguém o afastou dela.
-Precisa se secar – Juanita disse, enrolando seu cabelo com uma toalha grossa e indicando que Gina trouxesse mais toalhas.
Anna, que estava relativamente recuperada da agressão, entrou com uma bacia de água morna. Atrás dela um dos meninos de Juanita, carregava outra bacia menor.
As mulheres enxotaram o menino e quando tentaram fazê-lo sair, Rony apenas disse:
-Não vou deixá-la novamente.
Molly olhou para o filho supondo a culpa que sentia. Achava que tinha abandonado-a sozinha em casa, a mercê do perigo, quando na verdade fizera de tudo para garantir sua segurança.
-Fique naquele canto e não interfira – ela ordenou enquanto apanhava a criança e desenrolava o couro revelando seu corpinho.
Imediatamente o bebê começou a chorar e a espernear, se debatendo, conforme as mãos quentes de Molly o tocavam e conferiam se estava bem.
-Não, que pecado, não chore meu amor – ela apanhou o menino no colo e o levou até a bacia maior, com água morninha. Depositou-o ali, falando palavras carinhosas enquanto lavava seu corpinho. Havia muito sangue seco.
Rony olhou do filho para Hermione. Anna secava seus cabelos, enquanto Juanita a despia. Ela tremia de frio, e tentou impedir num reflexo, mas Juanita a acalmou, secando-a o mais rápido que pode.
Com um pano molhado ela limpou sua pele, tirando os restos de folhas, mato, água da chuva e sangue.
Seu corpo não parecia ter mudado nada, mesmo o bebê tendo saído, e ele quis perguntar se era assim mesmo, mas não ousou interferir. Juanita vestiu nela uma camisola limpa e ajudou-a a deitar. Com os cabelos quase secos, Hermione apreciou a maciez dos travesseiros.
-Hermione – Juanita a chamou – Não durma ainda querida. Preciso fazer umas perguntas – ela a sacudiu de leve, para acordá-la. – Preciso ver como ficou aí embaixo – ela disse como quem pede desculpas por invadir sua intimidade.
Rony não ousou olhar. Não tinha coragem de ver o que o parto fizera a ela, e sabia que Hermione preferia assim.
-Me conte, querida, quem fez seu parto. – ela limpou o sangue seco em suas pernas, e avaliou o estado do seu corpo antes de dizer – Um bom trabalho. Sangrou muito?
-Eu... Não. – conseguiu responder – Não vi muito sangue... Até levantar, então comecei a correr por um tempo.
Juanita avaliou o que ela disse antes de perguntar:
-Não havia ninguém para ajudá-la? É isso que está dizendo?
Rony notou a forma como Molly olhou para a nora. Um pavor no olhar que apenas alguém que passara por um parto poderia entender. Até mesmo Juanita parecia desestabilizada, apesar de já ter passado por tudo na vida.
-Duran... Ele me tirou de lá – ela disse como se fizesse sentido.
-O meu filho? Ele também foi seqüestrado?
-Não. – ela olhou para Rony – Ele nos seguiu, esperou uma brecha e me ajudou a fugir. Estava escuro... Ele despistou Malfoy, mas não o vi mais... Alguém precisa socorrê-lo... – lembrou-se disso e foi tomada por uma onda de medo -... Eu deveria ter esperado por ele!
-Não. Não deveria – Juanita assegurou-lhe – Duran já um homem e tomou a decisão certa. Agora, me conte do seu parto. Quem ajudou?
-Não havia ninguém – ela respondeu muito baixo, sentia a garganta dolorida.
-Conseguiu se abrigar da chuva? O parto foi antes ou depois da chuva? – ela insistiu.
Hermione relembrou aqueles momentos e não respondeu nada.
-Alguém precisa encontrá-lo – foi apenas o que pode dizer.
-Anna, avise Suarez para vir até aqui – Rony disse para a menina, enquanto observava atentamente o rosto de Hermione.
-Fez seu próprio parto, durante a chuva? Sozinha? Tem certeza?
-Hum-hum... Achei que conseguia chegar antes... Mas não consegui.
-Fez um bom trabalho – Juanita assegurou – A placenta? Você conseguiu lidar com ela?
-Eu esperei que saísse... Mas não aconteceu. Tive medo de uma raposa aparecer e comecei a andar... – explicou, sentindo o cansaço passar quando ouviu o choro do bebê novamente.
Mais lúcida, acompanhou os movimentos de Molly, vestindo a criança e trazendo-a para perto.
-É um menino, não é? – ela perguntou ansiosa – Mal pude olhar... Eu... Só queria vir embora. – explicou.
-É um menino sim – Molly colocou a criança em seus braços e Hermione mal soube segurá-lo. Vestido e enrolado em um cobertor infantil, era um lindo menino ruivo.
A pele era clarinha, as sobrancelhas ruivinhas assim como os cabelos. Ele resmungou e entreabriu os olhos, e Hermione sorriu diante dos olhos azuis que a fitavam.
-Oi – ela sussurrou para o bebê- Sou sua mamãe...
-Ele sabe – Molly garantiu – É um bom menino, mas precisa se alimentar.
-Eu não sei fazer isso... – explicou, enquanto Molly olhava para o neto com tanto amor que cortou seu coração.
Molly abriu alguns botões de sua camisola e expôs um seio, ajudando-a erguer a criança e oferecer o bico. O menino estranhou, mas em poucos minutos sugava avidamente o leite.
Hermione não disse nada. Quis chorar. Quis rir.
Tentava decidir e definir o que sentia, quando bateram na porta. Anna avisou que Suarez estava esperando, e que tinham ido buscar os demais Wesleys.
-Malfoy me levou para a casa da viúva. É uma casa que fica ao sul. Gina sabe o caminho. – ela contou, sem afastar os olhos do bebê que mamava em seu peito.
-Vou preparar um chá para fazer a placenta descer – Juanita cobriu-a com um lençol até a cintura e levantou-se. Molly olhou para Rony e então para Hermione, e se juntou a Juanita e todas saíram do quarto.
Rony segurava o chapéu entre as mãos, nervoso, sem saber como agir. Sua mulher e seu filho estavam ali, a salvos, e ele estava perdido.
Hermione sorriu e olhou para ele, dizendo:
-O que faz aqui, estranho? - havia um tom de riso em sua voz. Ela recostou a cabeça contra os travesseiros e outro riso baixo o deixou ainda mais nervoso – Não é mais meu marido.
-Hum, tem razão – concordou.
-É o pai do meu filho – ela contou, como se ele não soubesse. – olhou para ele? É um menino. Disse que seria um menino!
Rony se aproximou, ainda sem saber como agir.
-Sempre está certa – ele manteve uma estranha distância - seus sonhos se realizaram, Hermione. Não sou mais seu marido.
-Hum... – ela suspirou profundamente cansada, e gemeu quando o bebê soltou o seio e começou a chorar – Acho que ele quer mais...
Um pouco desajeitada, acalmou o bebê, antes de expor o outro seio e oferecê-lo. O menino se agarrou e sugou com força e ela olhou para Rony, com os olhos cheios de lágrimas.
-Eu tenho novos sonhos – ela respondeu, como se fosse realmente uma resposta.
-A anulação está com seu pai. Esperava não precisar ir tão longe. – ele olhava para o bebê com tanto carinho que ela limpou uma lágrima.
-Rony... – sua voz soou como um suspiro -... Precisamos falar disso?
-Não, não precisamos.
-Algo me diz que vai ignorar esse documento... – os olhos castanhos brilhavam intensamente.
-Não deixarei que nada nem ninguém me diga que não é minha mulher – ele respondeu num tom que não deixava duvidas sobre seu sentimentos.
Hermione tinha certeza disso. O riso morreu em sua face.
-Estou tão cansada – ela confessou, as lágrimas que contivera até ali, escapando.
-Fez tudo sozinha, eu não estava ao seu lado – ele expôs a própria culpa.
-Sim, é verdade. E espero que Malfoy seja punido por isso! – sua voz ganhou força e assustou o bebê. – Shiiiiii – ela tentou acalmá-lo, mas ele estava satisfeito e não queria mais ser alimentado.
Hermione o colocou contra o ombro e esperou que arrotasse. Ela sorriu quando isso aconteceu. Seu bebezinho estava quase adormecido quando ela olhou para Rony.
-Não vai segurá-lo?
-Não sei se devo – ele contou – Não sei se mereço. Não pude protegê-los.
Ela olhou para ele, sem compreender.
Já vira esse homem sobre muitas situações, mas nunca tão humilhado e derrotado.
-Procurou por mim?
-Cada segundo desde que desapareceu – ele confessou, ainda sem olhá-la.
-Acho que foi melhor assim, Rony. Era para ter nascido assim. Só nós dois. – acariciou o bebê, que adormecido ressonava baixinho em seus braços – Quer saber tudo que aconteceu?
-Quero.
-E vai continuar do outro lado do quarto? – ela sorriu.
-Porque está tão calma? – ele estranhou.
-Porque sou mãe. Não sinto mais medo. Ele nasceu – revelou – Havia um casebre. Duran entrou, me contou seu plano. Esperei ontem o dia inteiro, sentindo dor. Mas não notei que era trabalho de parto. Surgiu à oportunidade, eu desci por um lençol, escorreguei por uma viga, e cai em cima dele! – quase riu dessa lembrança – Ouvimos Malfoy se aproximando e corremos para o mato. Eu conhecia o caminho. Caminhei muitas horas, até concluir que não poderia mais andar. Esse apressadinho nasceu embaixo de uma árvore. No meio da chuva. Acho que foi rápido. Eu o enrolei, levantei e continuei andando. Sabia que ficaria bem se chegasse em casa.
-Eu não estava lá para ajudá-la – ele engoliu a emoção, vendo em seus olhos toda a emoção que seu relato provocava, trazendo lembranças de tudo que aconteceu.
-Mas está aqui agora. Encontrou-nos, e estamos seguros. – ela concluiu. – Coloque-o no berço. Não consigo mais segurá-lo – confessou, triste em ter que se separar do bebê.
Rony se aproximou, e deixou o chapéu sobre a cama. Ela estendeu o bebê e ele tentou apanhá-lo da melhor forma possível, com medo de machucá-lo.
-É um menino bem grande, não é? – ele perguntou encantado com a vida que estava em seus braços.
-Sim, e é mais seu filho do que meu. – acusou brandamente, sorrindo para os dois homens da sua vida – Tem seu cabelo, seus olhos, sua expressão. Será alto também.
Ele sorriu encantado com a miniatura de si mesmo em seus braços.
-Rony... Coloque-o no berço – ela pediu mais uma vez, querendo sua atenção antes de adormecer.
Com a garganta apertada de emoção ele colocou o bebê dentro do berço, notando que sua pele não estava tão gelada quanto no momento em que Molly o colocara na água morna. O neném adormeceu imediatamente e ele cobriu-o com um cobertorzinho.
Hermione olhava para ele através dos olhos semi-abertos, e quando ele se aproximou, ela ergueu uma das mãos para que ele segurasse.
-Achei que fosse morrer... – ela disse, engasgada pelo choro que havia segurado por muito tempo -... Que não poderia trazê-lo ao mundo com vida.
-Hermione - ele beijou sua mão e sentou-se ao seu lado. – Sinto não estar ao seu lado. Não tem idéia do que sinto por causa disso!
-Era para ser assim, Rony. Eu precisava viver isso. – acalmou-o, num profundo suspiro, secando as lágrimas – Nosso bebezinho é lindo. E está bem. Você viu como ele é bonitinho?
-Sim, eu vi – ele acariciou seu rosto, pois ela estava quase adormecida.
Seus carinhos a fizeram adormecer pouco depois. Estava tão exausta, tão fraca.
Rony não conseguia desgrudar os olhos de seu rosto adormecido. Mal podia acreditar que ela estava ali, ao seu lado. Que o filho dos dois estava vivo e seguro.
Era pai. Vinha se preparando durante todos aqueles meses de espera, de gestação, mas nada o preparara para a emoção de ver aquele pedacinho de gente nos braços de Hermione.
Jamais em sua vida esqueceria essa emoção.
Assim como jamais se esqueceria do medo de perdê-los. Da vergonhada de não ter conseguido fazer nada para trazê-los de volta. Uma parte racional lhe dizia que fizera mais que o bastante, mas contra o destino ele não podia fazer nada.
Se por um lado sabia disso, por outro ignorava essas mesmas razões, e se culpava por todas as horas de dor e sofrimento que ela passou.
Agoniado, pela primeira vez em sua vida, Rony chorou de felicidade e alívio.
Quando era bem pequeno, lhe disseram que um homem não deve chorar. Ele acreditou. Até chegar ao internato, e numa noite de tristeza, sem sua mãe, e sem amparo de ninguém, havia chorado de saudade e tristeza, e descoberto que um homem pode sim chorar.
E hoje, descobria que um homem podia chorar de tamanha felicidade, que poderia até mesmo sair aos gritos. Era pai. E seu filho dormia calmamente em seu berçinho, depois de passar pelo inferno ao lado da mãe.
Sua corajosa Hermione.
Tão pequena quanto uma fadinha, e tão grande quando o mais corajoso dos homens. Tão forte. Tão inexoravelmente forte.
Contudo, a parte de sua emoção, havia a possibilidade de Malfoy se safar. Esse pensamento foi a única coisa que poderia afastá-lo do quarto onde sua família descansava.
Deixando-os, com a certeza que estavam bem, saiu do quarto, e encontrou sua mãe, Juanita e Gina aos cochichos na cozinha.
-Meu filho! – Molly interceptou - Onde pensa que vai?
-Malfoy não pode escapar! Vou apanhar um cavalo e vou atrás dele antes que seja tarde!
-Suarez e seus homens já fizeram isso. Você precisa ficar com Hermione – ela aconselhou.
-O que sua mãe quer dizer – Juanita decidiu ser mais direta – é que a placenta não desceu, e enquanto isso não acontecer, Hermione pode ter piorar.
-Não, ela está bem. O risco passou – ele se recusou a acreditar.
-É melhor que esteja aqui caso o pior aconteça – Juanita não tinha tempo para convencê-los dos riscos – Fiz um chá que deve ser o bastante para induzir as cólicas. Com sorte, nada de ruim vai acontecer. Mas é certo que ela não vai escapar de uma febre depois de toda essa chuva que tomou. E esta fraca demais para ter febre.
Rony ouviu-a, incrédulo
-Pena Aporah e o marido terem ido embora enquanto estavam em Londres! Ela saberia o que fazer!
-Preciso buscar o médico – ele decidiu, tentando não aparentar o desespero que sentia.
-Harry foi atrás dele – Gina abraçou-o com todo seu carinho de irmã, enquanto lutava contra as lágrimas – Apenas fique ao lado de Hermione, irmão.
Contendo a emoção e o medo ele voltou para o quarto. Juanita estava acordando-a, o que era um pecado.
-Beba isso, querida – ela dizia com tom adocicado – Beba, para que fique boa.
Hermione bebeu o chá e voltou a dormir logo depois. Gina se aproximou do berço e olhou para o bebê. Anna fez o mesmo.
-Como é lindo o meu sobrinho! – ela exclamou chorando.
-É tão parecido com seu irmão! – Molly mal se continha de orgulho! – Mal posso esperar que seu pai veja esse menino!
Rony queria que elas saíssem dali. Queria ficar ao lado de Hermione e ter certeza que ela ficaria bem.
-É melhor sairmos – acabou dizendo Molly ao notar sua expressão. – Tudo ficará bem, meu filho, basta ter esperança.
Ele tinha esperança.
Mas o medo era quase maior que a esperança.
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Hermione havia acordado três vezes durante o dia para amamentar. Na quarta vez que despertou, notou que estava sozinha no quarto. Era bom ter um momento para si mesma, depois de tanta confusão.
Estivera tão cansada. Agora, depois do descanso das últimas horas, sentia-se renovada. Impaciente, olhou para o berço, e notou a ausência do bebê.
Pelas vozes na casa, podia supor que seu neném estava sendo apresentado ao resto da família.
Tranqüila, ela sentiu uma desconfortável pontada sob o ventre. Era de esperar que fosse sentir dores depois do parto.
Por isso quando Juanita entrou no quarto e perguntou se estava tudo bem e ela contou da dor, as duas concluíram que eram cólicas produzidas para expulsar a placenta.
Juanita pareceu tão aliviada com isso, que Hermione concordou apenas para acalmá-la.
-E Duran? Alguma notícia dele? – perguntou enquanto servia-se de um prato de sopa.
-Um dos homes de Suarez nos avisou que foi encontrado. Mas ainda não chegou. Parece que o machucaram. – ela suspirou – Adolph chegou a tempo. Não é irônico? O pai salvando a vida do filho?
-Não, não é. É poético. – ela redefiniu.
-A maternidade a fez engraçadinha – Juanita disse sorrindo, com os olhos cheios de lágrimas – que susto nos deu, menina. Que susto.
Ela não respondeu nada, continuou a comer, sentindo uma fome abusiva.
-Beba um copo de leite – Juanita ofereceu quando terminou – Vai ajudar no seu leite.
-Hum-hum... – ela obedeceu, sentindo o desconforto de uma dor mais forte – Tem certeza que é assim mesmo? Dói como uma contração.
-É assim mesmo, agora descanse mais um pouco.
-E o bebê? Não poso vê-lo um pouco?
-Seus cunhados estão todos lá na sala, tentando escolher um nome apropriado para o seu menino – ela piscou – Deve saber como esses homens ficam quando se juntam.
Hermione ouviu essas palavras e ficou pensativa.
-Diga para Rony trazer meu filho de volta. Ele já tem nome.
-É mesmo? – Juanita sorriu para ela, curiosa.
-Sim! Fui eu quem o carregou por nove meses, então, sou eu quem vai escolher o nome!
-Muito justo. Só não brigue com seu marido, ele passou pelo inferno nesses últimos dois dias enquanto a procuravam. – Juanita recomendou, tirando os pratos e se aproximando dela – Hermione, nossos corações ficaram pequeninos de preocupação...
-Juanita, não diga isso!
As duas trocaram um abraço e Hermione precisou se afastar, reclamando da dor.
-Aposto que não foi tão manhosa na noite passada – Juanita brincou.
-Só porque não havia ninguém para ouvir minhas reclamações – ela acariciou a barriga que agora não tinham mais nada dentro.
-Vou buscar seu filho. Mas fique avisada, é difícil alguém abrir mão daquela coisinha dengosa.
Hermione ainda ria, quando ela saiu e a deixou sozinha.
A dor tinha aumentado quando Rony surgiu carregando o bebe.
Era uma visão incrível. Rony, com expressão encantada, trazendo nos braços um bebezinho cheiroso e acordado, choramingando.
Rony olhou para ela com expressão de profundo amor, e Hermione sentiu isso. Sempre estivera entre os dois, esse olhar, sempre estivera entre eles, mas agora, ela podia ver. Sem dúvidas, sem receios.
-Meus irmãos estão apaixonados pelo novo Wesley – ele contou, entregando o bebê a ela.
-Granger-Wesley – lembrou-o, enquanto fazia um carinho no bebê.
-Escolhemos um nome – ele contou – Meus irmãos e eu. – corou um pouco diante do seu olhar.
-Acontece que eu também escolhi um nome – revelou, notando a forma dele parecer ficar em dúvida.
Como era gracioso seu marido, pensou apaixonada.
-É o primeiro neto homem. Nada mais justo que carregar o nome do meu pai. Arthur – ele explicou como quem pede desculpas.
-Acontece que pensei o mesmo. Nada mais justo que levar o nome do meu pai. Edgar.
-Mas, Hermione... O conde entende que...
-O que? - ela cortou-o – Que é seu filho e você quem escolhe? Preciso lembrá-lo das horas de dor e sofrimento que passei para trazê-lo ao mundo? Será que não tenho direito de escolher o nome do meu próprio filho?
Notando que ela não estava propriamente irritada, achou que podia barganhar.
-Porque não decidimos isso mais tarde? Quando estiver descansada?
Hermione lutou contra a vontade de revirar os olhos e jogar na cara dele que não se deixaria enganar por sua voz mansa. No entanto, não queria discutir.
-Mais tarde, então.
Era maravilhoso ter seu filho nos braços, ela pensou. Aquela coisinha gostosa, e cheirando a talco, que se movia em seus braços, pedindo atenção. Era um menino cheio de vontades.
-Estava chorando na sala, acho que sentia falta da mamãe – ele contou, olhando para os dois com muito amor na face.
-E a mamãe sentiu falta dele – ela confessou, acariciando o menino e decorando cada traço. – Como pode ser tão parecido com você, e não me lembrar em nada? – reclamou.
-Deve ser um complô para fazê-la se apaixonar por mim – ele respondeu.
Hermione estava prestes a dizer que não era necessário nenhum plano mirabolante, pois já estava perdidamente apaixonada, quando o bebe começou a chorar.
Os dois riram, desse som tão novo e maravilhoso e Hermione pediu sua ajuda, deixando de lado as declaração de amor que precisava tanto fazer, em nome de dar atenção ao filho.
-Segure-o um momento – pediu.
A dor havia voltado mais forte e ela precisou esperar passar. Explicou a razão da dor e ele pareceu se acalmar um pouco. Segurava o bebê com as mãos enormes, tão masculino e ao mesmo tempo vulnerável diante do filho.
Passada a dor, ela abriu a camisola e recebeu o filho no colo outra vez.
-Estou tão feliz – ela confessou, enquanto observava-o mamar calmamente. Aqueles olhos azuis tão suaves, tão doces. Tão parecidos com Rony – Uma vez eu pensei que teria um filho seu, e seria assim, parecido com você.
-E quando foi que pensou isso? – ela instigou, surpreso pela revelação.
-Na manhã seguinte, da vez que consumamos o casamento – confessou sem afastar os olhos do filho.
-Mesmo quando dizia que não queria um filho meu? – provocou.
-Eu disse muitas coisas que não diria novamente – explicou calmamente – Assim como você disse muitas coisas, que não repetiria agora – ela tinha os olhos brilhantes, e quase riu de sua indignação.
-Nunca disse nadas que pudesse ofendê-la!
-Não? Não me chamou de louca, megera... – deu de ombros.
-Poso ter feito isso, mas também a chamei de outras coisas, de minha fada, meu amor...
Ela riu baixinho acariciando o rostinho do bebê, pensativa.
Muito pensativa.
-Juanita acha que as dores são por causa da placenta – começou a dizer.
-E você acha que tem outra razão? – ele sentiu o frio do medo percorrê-lo da cabeça aos pés.
-Minha barriga não murchou, na verdade, está como antes. E a dor que sinto é a mesma de antes, quando estava em trabalho de parto.
-Hermione, o bebê nasceu. – ele tentou entender. – O que está acontecendo?
-Se eu soubesse não estaria tão confusa – respondeu sorrindo. – Juanita acha que eu irei finalmente me livrar na placenta, e estou torcendo para acontecer logo.
Quando o bebê terminou de mamar, Rony o segurou, sem a insegurança de antes, quando o fizera a primeira vez.
-Ele gosta de mim - Ele não pode evitar dizer.
-Ele não tem escolha. É o pai que Deus lhe deu – desaforou, se ajeitando na cama, e suspirando pelo prazer de poder descansar.
Rony esperou que adormecesse para se aproximar. Com cuidado, para não machucar o bebê, se inclinou e beijou os lábios de Hermione.
Um carinho, apenas isso.
Autora: Anda não tecerei comentários.
(gargalhada maquiavélica)
Recadinhos:
Andréia Granger: ainda não terminou.
Todas as meninas: desculpe. Só deu tempo de postar agora.
P.S: eu no lugar de vocês, ficaria ansiosa pelo capitulo 144.
(mais gargalhada maquiavélica)