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142. POR TUDO QUE O AMOR NOS TRÁS


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 142 – POR TUDO QUE O AMOR NOS TRÁS


 


 


 


 


 


 


Malfoy quase não acreditou quando um gigante entrou no casebre. Passado o susto inicial ele empunhou a arma, notando que o gigante empunhava a sua.


Espertou por natureza, agarrou o menino inconsciente em um dos braços e colocou a arma na cabeça de Duran.


-Afaste-se ou mato o garoto!


-Onde está a Sra.Wesley? – Adolph perguntou, tentando não olhar para o menino.


-Ela fugiu – ele respondeu – A diabinha fugiu, deve estar no meio do mato, morta em algum lugar! E você o que quer? Levá-la de volta? – ironizou, se perguntando onde estaria Margaret para ajudá-lo.


-Não. Se o que diz é verdade, a única coisa que desejo e vou fazer é matá-lo – avisou engatilhando arma.


-De mais um passo e eu mato o garoto. Duvida?


-Não. E não me importo. Minas ordens eram trazer a Sra. Wesley com vida para casa. Se não posso cumprir minhas ordens, irei matá-lo e levar sua cabeça para meu patrão.


-O menino... – a voz de Malfoy quase fraquejou, usando o garoto como escudo.


-Não me interessa. Minhas ordens são levar a Sra. Wesley para casa.


Aquele monstro repetiu e sequer olhou para o garoto. Malfoy jogou Duran, diante de sua inutilidade, num canto e agilmente apontou a arma para o gigante que se atrevia a ameaçá-lo.


Aliviado em ver o filho longe da mira daquele homem sem graça e com expressão escorrida, estava pronto para atirar e pagar para ver se ele seria mais rápido quando algo o acertou por trás. Com o susto derrubou a arma.


Mas não foi um golpe que pudesse abalar suas estruturas poderosas.


Foi um momento tenso, onde Malfoy puxou o gatilho. Nada aconteceu. Adolph girou o corpo e agarrou a mulher pelos cabelos, atirando-a contra a parede. Margaret escorregou no chão, atordoada.


Malfoy não tinha como passar por ele, por isso investiu. Apanhou o machado ao lado da lareira e pretendia ergue-lo acima da cabeça e acertar aquele homem enquanto ele estivesse distraído com Margaret.


Foi pego de surpresa quando o cabo de metal queimou sua mão. A dor o fez soltar e pular para trás. Ambas as palmas das mãos queimadas.


Seu grito de dor não apaziguou a luta, e no mesmo momento em que a chuva começou a cair do céu, numa tempestade aguda e intensa, Adolph o derrubou no chão.


Acabaria com a vida daquele almofadinhas que ousara agredir mulheres grávidas e crianças indefesas, e faria isso com as próprias mãos. Malfoy era ágil, para alguém tão covarde, e empunhou a arma que achou no chão.


No calor da briga, não era possível saber se era a arma sem balas ou a arma de Adolph que também havia caído no chão. Adolph apanhou o machado, sem nem ao menos se abalar com a dor nas mãos.


Os calos do árduo trabalho braçal de anos como escravo, haviam tornado sua pele um couro grosso e insensível ao calor. Ergueu o machado acima da cabeça e foi uma curta troca de olhares.


O olhar acinzentado de um homem louro e que nascera na riqueza e no glamour, em meio ao luxo e ao poder, e o olhar verde de um homem da cor da terra, que conhecera durante toda sua vida apenas o sofrimento e a privação.


Malfoy engatilhou e Adolph pagou para ver.


Sempre em sua vida, ele pagou para ver.


E como agora, ele estava certo.


O gatilho funcionou, mas a bala não saiu. Malfoy não gritou quando o machado desceu sobre ele.


E se tivesse gritado, Adolph não teria se dado ao trabalho de ouvir.


Margaret, no entanto, gritou com voz aguda e horripilantemente horrorizada, quando a cabeça correu pelo chão de madeira.


Adolph olhou para ela e largou o machado.


Não gostava de matar, mas não ia mentir que sentia prazer na morte daquele demônio.


-NÃO SE APROXIME! – Ela gritou desesperada – NÃOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


 


 


.............................................................


 


 


Chovia.


Durante todo o ano, não havia chovido daquele modo.


Andando a esmo, sempre em linha reta, Hermione riu. Deveria estar histérica, mas ela riu no silêncio da escuridão a sua volta.


Como Juanita diria, seu azar tinha que tornar tudo pior.


Caminhar quilômetros a beira de dar a luz depois de fugir de ser morta ou desposada por Malfoy, não era o bastante.


Imagine.


Alguém, em algum lugar do universo a odiava, e se ela pudesse encontrar seu criador, com toda certeza, ela diria poucas e boas.


-Eu te amo, mas nunca disse – ela começou a falar sozinha, enquanto andava, os passos dificultados pelas poças de água. A terra que antes era dura, agora estava macia demais e precisava pisar devagar para não afundar em alguns trechos de barro – Mas vou dizer. juro que vou. Se eu conseguir eu vou dizer. Vou gritar, Rony, eu juro que vou contar para todo mundo. Vou bater de porta em porta e contar para todas as pessoas desse mundo que eu te amo. Apenas, Deus me deixe ter a oportunidade de fazer isso!


Suas palavras se perderam dentro do som de um trovão e ela acelerou o passo. Há algum tempo deixara de sentir a dor nos pés, e embora isso aliviasse a caminhada, sabia que era um péssimo sinal.


Estava descalça; o chão irregular, cheio de pedregulhos. Não queria olhar para baixo e confirmar o estado em que deveriam estar. No mínimo, em carne viva.


A dor havia ido embora, e era nisso que se apegaria no momento. O depois, só existiria, se conseguisse chegar a tempo.


-Oh, não... – ela choramingou quando a dor voltou.


Não podia continuar se enganando. Era uma contração. E mais forte e rápida que qualquer outra que tivera antes. Feliz por ter passado em segundos, logo se desesperou ao voltar a andar e a dor retornar com um espaço de menos de cinco minutos.


Não ia conseguir.


Era fato.


Tinha que encarar a realidade. As contrações seguiam de cinco em cinco minutos.


-Oh, Droga, Juanita. Porque me enganou? Disse que levam dias os trabalhos de parto!


Sua mente confusa pela exaustão captou alguns fatos, como o fato de desde o dia anterior sentir uma dor fraquinha e pedante. Era o começo e ela não percebera.


Estava em trabalho de parto há quase dois dias!


Essa conclusão a deixou sem fôlego, completamente em pânico.


A chuva não perdoava. Caia em pencas, machucando sua pele e principalmente seus olhos. Os cabelos estavam encharcados, as roupas pesadas com o peso extra da água. Não havia nem um centímetro de seu corpo que estivesse seco.


Ou que não estivesse dolorido.


Seu coração batia acelerado a cada contração. Não parava. Não parava. Não parava mais de doer. Nenhuma dor que sentira em toda sua vida se comparava a isso!


Uma contração em particular tirou todas as suas forças, que a essa altura não eram quase nenhuma. Ele segurou-se em um tronco de árvore para não cair. Era uma árvore gigantesca, muito antiga, e sua copa era muito larga e fechada, e ajudava a bloquear um pouco da chuva, por isso aos seus pés a grama estava molhada, mas não havia barro.


Hermione tentou ficar de pé, mas não conseguiu. Seu braço se apoiou na árvore, enquanto seu corpo tombava para frente, sua face contraída de dor.


Coberta pelos cabelos molhados, ela aspirou fundo diversas vezes tentando respirar. Oh, ela ia morrer se essa dor continuasse!


Não havia escapatória. Nenhuma mulher poderia passar por isso e sobreviver! Completamente tensa, seu corpo relaxou por breves momentos, antes da dor retornar. Seus joelhos tombaram no chão e ela soube que não poderia mais levantar.


Como um cavalo que se entrega e não poderá mais voltar a se erguer, ela desistiu de andar e acreditar que chegaria em casa  a tempo.


Fechou os olhos, quando a dor obrigou-a a agarrar a barriga como se estivesse se defendendo.


Ia ser assim. Ou ela aceitava, ou o pior aconteceria.


A dor passou e ela pensou com clareza. Era mulher. Mas antes de ser mulher, era animal. E como todas as fêmeas, podia fazer isso sob quais queres situações. Sob o sol, ou sob a chuva.


Com ou sem ajuda.


As lágrimas correram em sua face, misturadas a chuva quando ela decidiu que faria sob a chuva e sem ajuda. Tinha que agir, chorar não adiantaria.


O pânico a fez se desesperar, sentindo as mudanças em seu corpo. Sentiu correr por entre suas pernas um líquido viscoso, e se sentou aos pés da árvore, erguendo o vestido e investigando uma gosma transparente. Era uma água diferente da água da chuva.


Sua bolsa havia estourado e a natureza decidia por ela.


Danem-se suas decisões, ia ser ali e ia ser agora, com ou sem choro. Com ou sem desespero. Com ou sem Rony.


Sem Rony.


Ela afastou os cabelos do rosto, e lutou contra a próxima contração, esperando-a passar. Sua mente clareou quando a dor passou, e sabia que teria poucos minutos para agir racionalmente.


Com as mãos doloridas pelo frio e arranhadas de vários galhos de árvores, ela tentou desabotoar o vestido encharcado. A fibra molhada impedia que soltasse os botões com a mesma rapidez de outrora, e ela deu vários puxões desesperados, arfando em busca de ar, e quase gritando de alegria quando os botões cederam.


Pense, Hermione. Ordenou-se, lutando para ignorar a dor da próxima contração que a corria da cabeça aos pés.


Desceu o vestido pelos ombros molhados e tirou o avental de couro que o cobria. Lutou contra o tecido e passou pelas pernas, achando desconfortável fechar as pernas, mesmo que por breves momentos.


O desespero cresceu e ela começou a chorar copiosamente ao notar que seu sexo se alargava e se preparava para o nascimento. Usando o tecido como cama, avolumou-o embaixo de si, de modo que sua ampla saia forrasse o chão entre suas pernas.


Seria ali que o bebê iria ser expelido. Não haveria ninguém para segurá-lo. Ainda chorando, ela subiu a camisa intima, encharcada pelas penas e a deixou acima da barriga. Precisava ver tudo que aconteceria.


Mas como? Juanita dissera uma vez que o parto de cócoras era mais rápido. Mas impossível, a criança cairia no chão. Deitada, era impossível ver o bebê. Lutando contra a dor, ela se ajeitou contra o tronco de árvore até estar recostada contra ele.


Seu quadril ficou inclinado, e ela esperou. Não havia nada que pudesse fazer além de esperar. Lembrou-se na última hora da lamparina que guardara no bolso do avental de couro, e apanhou-a.


Não havia como ligá-la, pois a chuva a tornara inútil. Mas podia usar seu enfeite, uma ponta saliente para cortar o cordão umbilical.


O choro voltou, quando se lembrou do dia em que Arthur Wesley estivera na fazenda trazendo uma adaga pequena e delicada, feita em osso de marfim, lapidada por ele mesmo. Era um entalhe perfeito e mostrava toda a emoção de avô. Era para ser usado especialmente para cortar o cordão umbilical.


Seu enxovalzinho todo azul e branco, o berçinho que Gui Wesley trouxera a alguns dias atrás, feito pelos irmãos... Queria tudo aquilo que tinha direito e queria agora!


Rony, onde estaria ele? Porque não a encontrava a tempo? Por quê?


Sua resposta foi uma contração tão forte que a fez esquecer-se de tudo. Sua cabeça tombou para trás e ela gritou. A dor corria cada célula, cada músculo, e ela ordenou a si mesma para empurrar.


A primeira tentativa resultou numa dor tão forte que ela desistiu. O medo a paralisou. Isso até a próxima dor cair sobre ela. Empurrou com força, esperando agüentar o suficiente para o bebê nascer.


Ah, se fosse tão fácil. A contração passou antes que ela tivesse tempo de forçar o bastante.


 Entre suas pernas sentia as mudanças, sentia que estava se astirando para a passagem. Chulamente, havia algo entalando entre suas pernas, e ela era consciente que tinha que agüentar mais e dar tudo de si.


Por isso quando a contração voltou, ela empurrou tão forte que uma de suas mãos agarrou o tronco atrás de si a ponto dos dedos sangrarem.


Seu grito foi tão alto, que assustou a ela mesma. Sem tempo para pensar tentou ver entre as pernas.


Havia algo saindo. Uma cabeça. A emoção não teve lugar naquele momento, mas ela chorava. De dor, de carinho, de medo, ela chorava enquanto empurrava. Mais um pouco e a dor parecia crescer de tal modo que não suportaria.


Foi numa contração mais leve que ela empurrou com mais força e algo passou entre suas pernas.


Espiando, ela viu uma cabeça ensangüentada completamente fora. Em pânico por não ter saído tudo, e achando que poderia sufocar a criança, ela tentou puxar.


Não sentiu dor, não sentiu nada, mas sabia que estava errado. A contração voltava e ela teve a idéia de tentar empurrar novamente.


Deus, como queria saber o que fazer!


Agarrou os próprios joelhos, abrindo tanto as pernas quanto era humanamente possível, e ignorando totalmente a dor, empurrando até as juntas ficarem brancas e sua face roxa.


A dor que a rasgou jamais seria esquecida. Seu grito foi nada comparado ao sofrimento que seu corpo passava.  Mas ela não parou de forçar. Não parou até sentir algo realmente grande passar.


Relaxando, ela olhou para baixo e viu o bebê. Do umbigo para cima ele estava livre da prisão que seu ventre representava. A dor parecia ter ido embora, e ela segurou o bebê decidindo por puxá-lo definitivamente.


Os quadris passaram e as pernas, e          quando os pezinhos saíram, ela esqueceu que havia saído dela, e segurou a criança, trazendo para seus braços. Segurou junto ao peito, como se algo ou alguém pudesse tirá-lo dela.


A chuva ainda caia sobre eles, e ela olhou em volta desejando ter algo para protegê-lo da água e do frio.


O cordão umbilical os unia, e ela tinha as mãos completamente trêmulas ao se inclinar para frente. Segurou o avental de couro que Adolph fizera para ela e enrolou o bebê, deixando-o de lado.


Colocou o cordão bem rente ao seu sexo, definitivamente, não o reconhecendo.  Não havia mais nenhuma contração e ela esperava que a placenta saísse.


Nada.


Desenrolou o bebê e cortou o cordão umbilical de forma a poder enrolar. Rasgou com os dentes um pedaço da camisa intima e enrolou em sua barriguinha.


Quando fez isso, segurou-o nos braços e limpou seu rostinho do sangue e de algo esbranquiçado que provavelmente o mantinha aquecido dentro de seu ventre. A criança tremia, mas se acalmou quando ela segurou de pé e colocou contra seu peito. Sua cabeça se acomodou abaixo do seu pescoço e o bebezinho explodiu num choro compulsivo.


Ela também chorava e entendia perfeitamente seu desespero.


Haviam conseguido. Trouxera seu filho ao mundo e estava vivo.


Agora precisava garantir que o bebezinho permanecesse vivo.


Catou o avental de couro no chão e colocou-o em volta do recém nascido que chorava desamparado, e para esse desamparo nem sua mãe tinha resposta. Precisava ser aquecido e alimentado, mas ela não podia fazê-lo. Não sabia como, e não tinha condições para cuidar dele.


Hermione apanhou o vestido manchado e descartou-o. Com muita dificuldade levantou-se.


O mundo rodou a sua volta e ela manteve-se imóvel, rezando para não desmaiar. Não podia desmaiar.


Haviam raposas no mato e seu filho era um filhotinho, não podia esquecer disso. Não poderia se defender se ela sucumbisse ao cansaço que a tomava e atacava sem dó.


A chuva seguia e ela sentia o sangue correndo por suas pernas.


Mas nada mais importava. O frio, a chuva, a dor, ela esqueceu tudo e se concentrou no choro.


Enquanto ouvisse seu choro e sentisse seus movimentos contra seu peito, mantendo-o grudado em seu peito, como uma canguruzinho, ela estar certa que tudo ia acabar bem.


Precisava andar.


Era apenas isso que precisava fazer.


Cerca de uma hora depois, ela ainda andava quando a chuva se acalmou. O choro do neném havia acabado, mas ela sabia que estava bem, pois vez ou outra choramingava.


Sentia o calor do seu corpinho inocente contra ele, e esse calor era o bastante para aliviar o frio intenso que a consumia.


O dia começava a clarear, e quando ela olhou para cima notou que as pesadas nuvens de chuva haviam encoberto o nascer do dia.


Tudo ficaria bem, decidiu.


Bastava que conseguisse seguir andando.


 


 


 


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Rony havia atravessado a noite montado em seu cavalo, procurando por alguma pista. Era manhãzinha quando desistiu de voltar para casa e decidiu passar pelo lago, e fazer a volta pelo bosque, pois seus instintos pediam que fizesse isso.


Pedia um milagre que a trouxesse de volta. Mesmo que fosse impossível, era o único pensamento que o possuía.


Estava quase indo embora, para fiscalizar a evolução das buscas quando ouviu o som de passos. Deveria ser um dos homens que faziam as rondas.


Haviam muitos espalhados.


Seguiu olhando na direção das árvores, esperando ver um deles com alguma notícia concreta.


Seu coração estava acelerado, e mais tarde ele teria certeza, que nesse momento já sabia que não era um dos homens de Suarez. Não ouvia nada a sua volta, seus ouvidos estavam surdos para qualquer som, o coração batendo tão rápido no peito que abafava qualquer outro som ou sensação.


Sua expectativa foi recompensada quando avistou primeiramente um vulto saindo de entre as árvores.


Aos poucos esse vulto branco e pequeno se mostrou ser um vestido branco, ou uma camisa branca longa, e aquilo que deveria ser um homem, se mostrou ser uma pequena mulher.


Tinha certeza que seu coração tinha parado dentro de seu peito.


-HERMIONE!!!!!!!!!!!!


 


 


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Hermione seguiu andando. Não via nada a sua frente. Deveria ficar feliz ao ouvir o som da água, e deduzir que era o som do lago, e que isso queria dizer que havia conseguido chegar em casa, mas a única reação fora virar a direita e seguir andando.


Um choramingo tão esperado contra sua pele a fez criar mais forças para andar.


Tinha que chegar a tempo. O bebê tinha fome, ela também. Estava cansada. Estava se agarrando num fio imaginário que a obrigava a ficar de pé.


O sangramento havia passado, mas ela sentia-se tão fraca... Tão fraca...


Confundiu o grito que chamava seu nome com o som do bebê e seguiu andando, sem ver nada através dos olhos embaçados.


Nem mesmo quando Rony apeou do cavalo e correu em sua direção, ela notou o que acontecia.


Chegando até ela, Rony viu o sangue em sua roupa. Usava apenas a camisa intima, ensangüentada. Havia sangue seco em suas roupas e seus pés estavam em carne viva.


Com medo de machucá-la, esperou que o notasse, e como isso não aconteceu, tentou tocá-la.


Hermione tentou se afastar, virando-se de lado, como se protegesse algo.


 Ele segurou-a, pois parecia prestes a cair.


-Hermione, sou eu. Hermione, sou eu – repetiu sem parar, e quando ela começou a tremer em seus braços, soube que reconhecera sua voz.


-Eu consegui chegar – sua voz era tão baixa que ele mal ouviu – Eu consegui chegar.


-Sim, você chegou em casa – olhou para ela. Procurando pela ferida que poderia ter causado tanta perca de sangue.


-Não posso mais andar... – ela disse como quem se explica, a voz tão fininha....


-Eu a carrego. – não parecia que ela pudesse entender que estava em casa de verdade. Deveria ser febre. Um delírio de febre.


-O bebê... – ela tentou explicar, mas não tinha forças.


Rony olhou para onde ela olhava. A princípio teve a impressão que ela segurava uma trouxa de roupas, ou se apegava ao calor do couro que carregava entre os braços.


Olhando por entre o tecido viu que estava completamente enganado.


O mundo parou por um segundo, e no momento seguinte ele a erguia nos braços e seguia para casa.


 


 


 


 


 


 


Beta: Meu Deus, que agonia, caramba, to com o coração apertado até agora, como você pode fazer algo assim, to com o coração na boca! Você é definitivamente cruel!!! Mas eu adoro essa emoção toda!!! Amei!!!


Autora: eu só comento quando tudo acabar...

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Comentários: 1

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Enviado por JOSY CHOCOLATE em 07/09/2011

Matando saudades

Nota: 5

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