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140. UM PASSO ALÉM DO PRECIPICIO


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 140 – UM PASSO ALÉM DO PRECIPICIO


 


 


 


 


 


 


Era insuportável a espera. Aquele homem asqueroso esteve duas vezes vendo-a depois de tê-la deixado-a aprisionada. Na primeira vez, trouxera um prato de comida mal feita e água. Na segunda vez, trouxera-lhe um travesseiro.


Antes de sair havia perguntado se precisava de algo. Humilhada, Hermione pedira uma comadre, afinal, estava grávida e precisava ir ao banheiro com muita freqüência.


Estava cansada de esperar que voltasse. Estava cansada de esperar que fosse encontrada. A noite ia alta quando a porta se abriu. Primeiro o som da fechadura velha sendo forçada, então o som esganiçado da porta rangendo.


Encolheu-se quando aquele homem entrou e fechou a porta. Ele deixou o que lhe pedira sobre o chão e trazia algo mais.


-Um presente - ele respondeu a sua pergunta não feita – A noite escura pode ser assustadora. Mas cuidado, está trancada aqui dentro. – ele colocou um lampião pequeno, movido a querosene.


-Obrigada – respondeu num fio de voz.


-Trouxe mais um lençol. – ele mostrou o velho lençol dobrado – Está confortável?


-Não. Malfoy...


-Draco – ele cortou, olhando fundo em seus olhos.


-Draco... Não posso ficar aqui. Meu filho não pode nascer aqui – ela apelou para seu bom senso.


-Não há risco algum. – ele garantiu – vamos nos certificar que você sobreviva.


-É impossível que o parto corra bem nessas condições – ela apelou para seu suposto afeto – Preciso de uma cama confortável. De uma parteira. Não posso fazer tudo sozinha! Não há higiene, não há... Duvido que haja condições de cuidar de um bebê nesse lugar...


-Não se preocupe meu sonho. – ele a calou, olhando-a com malícia – Esse bastardo não necessitará de sua atenção por muito tempo.


Um arrepio de medo a impediu de perguntar por que, em seu atual estado de nervos, era melhor não perguntar.


-Alguém... Da minha família já sabe que estou... Aqui?


Preferiu não usar a palavra ‘seqüestro’ não o enfurecer.


-Em breve receberão um recado. Não se preocupe, nossos planos são perfeitos – garantiu, olhando para seus tornozelos que apareciam por baixo do vestido.


Estava descalça, pois ele não deixara opção, e seus sapatos ficavam em casa, aos pés da cama.


Apavorada com seu olhar, cobriu os pés e esperou que ele entendesse o recado.


-Eu a desejo – ele se abaixou ficando muito perto dela.


Suas mãos deslizaram por seu braço e ela se encolheu.


-Eu não posso ter um homem nesse estado – defendeu-se.


-Mentira! – ele irritou-se e segurou seu rosto olhando fundo em seus olhos – Eu a vi na beira daquele lago, sendo abusada por aquele desgraçado!


Surpresa, tentou entender como funcionava sua mente doente.


-Isso foi antes, se passou muito tempo. Não posso mais. Vou dar a luz a qualquer momento.


-Está mentindo para mim? Não ousaria mentir para aquele que em breve será seu marido. Mas tem razão, teremos muito tempo para isso.


Malfoy levantou-se e ela o olhava sem compreender.


-Sou casada, não pode ser meu marido! Eu...


-Não se preocupe com isso agora – seu sorriso brilhou, atraindo sua atenção. Não era possível alguém com a mente sã agir e sorrir desse modo, enquanto mantém uma mulher grávida em cativeiro!


A porta foi fechada e Hermione apanhou o lençol. Cobrindo-se. Pela janela entrava uma brisa fria. E sentia frio.


Sua cabeça descansou no colchão velho e fedorento, e ela não conseguiu conter a lágrimas. Queria estar em casa, em sua cama, nos braços de Rony.


Queria estar segura. Em sua barriga, seu filho se mexeu dolorosamente.


Não nasça ainda, rezou Hermione.


Por favor, não nasça ainda.


 


 


................................................................


 


 


 


A fazenda Wesley estava lotada. Era a parada mais próxima entre o bosque e a estrada. Os rastros apontavam em direções opostas, prova que o algoz estivera preparado para não ser seguido.


Na cidade, boa parte dos homens do xerife haviam sido mobilizados e vasculhavam cada canto da cidade. Algumas pessoas se mobilizavam por conta própria.


Vaziam comentários sobre terem visto um homem louro rondando a cidade, com as características de Malfoy.


-É impossível que tenha indo muito longe – Rony seguia dizendo, sem compreender que fim havia sido dado a carroça. – As marcas de ambos os lados, acabam antes de chegar à cidade. E não há nenhum atalho por aqueles lados.


-Eles poderiam ter seguido alguma trilha pelo bosque – Gui sugeriu, observando o mapa que Arthur possuía da região.


-Mas irmão, nesses caminhos não há trilhas – Gina opinou, sendo alvo do olhar de cada homem presente – Hermione e eu brincávamos por esse bosque. Conheço cada palmo. Não há nenhum lugar onde uma mulher grávida possa ser mantida!


-Eles não devem estar se preocupando com o bem estar de Hermione – Rony deduziu – Me conte quais pontos poderiam usar como esconderijo.


-Existem duas cavernas. Mas uma delas é muito estreita. Hermione não conseguiria passar, a menos que... – sua mente divagou – Brincávamos em uma casa abandonada. A casa dos Smarts. Fica do outro lado da cidade. É muito longe e impossível atravessar de charrete, e duvido que Hermione pudesse andar até lá.


-Ensine a Suarez o caminho – Rony mandou – Vamos checar cada possibilidade.


Encurralado, seu olhar acusador recaiu sobre o Conde que adentrava a casa, a passos corridos.


-Acabou de ser entregue no hotel! – ele mostrou uma carta dobrada – É de Malfoy e da minha ex-mulher.


-O que diz? – Rony apanhou de suas mãos, abrindo e lendo avidamente – Eu não acredito! ESSE FILHO DA PUTA! VOU MATÁ-LO!


-Me dê isso – Arthur retirou a carta de suas mãos e leu – é a letra de sua mulher?


O conde concordou.


-Servirá de prova contra ela, quando a pegarmos – ele guardou no bolso do colete. Vamos pensar com calma, Rony.


-PENSAR COM CALMA? VOCE LEU O QUE ESSE DESGRAÇADO QUER?


-Talvez seja melhor assim – Arthur tentou acalmá-lo – Ouça, filho.


-Ouça seu pai, ele tem razão. – O conde disse. Muito pálido e assustado.


-O que ele pede na carta? – Harry, que ouvia calado, perguntou preocupado – Se for dinheiro, podemos levantar o valor e...


-ELE NÃO QUER DINHEIRO! – Rony gritou, fora de si – ELE QUER HERMIONE!


-O que está dizendo? – Gina, que terminava de explicar a Suarez como chegar à casa abandonada que brincavam quando pequenas, ficou assustada ao ouvir isso.


-Malfoy exige que o juiz Digory anule o casamento de Hermione com seu irmão - o conde explicou. – é sua única exigência. Ele devolverá a criança como prova de boa vontade, quando os documentos da anulação lhe forem entregue.


-Ele não vai devolvê-la antes do parto? – Gina que não havia pensado nisso ainda quase desmaiou – Deus do céu! Ele é um monstro!


Harry apoiou-a e ajudou-a a sentar-se.


-O que ele espera com essa anulação? Casar-se com ela? - Harry questionou, já prevendo a resposta.


-Ele avisa que irá registrar a criança antes de devolvê-la. Será seu filho de direito.  Pretende devolver Hermione assim que o casamento for realizado e consumado. Exige que sua integridade seja mantida e garantida formalmente. Fico sem alternativas. – o conde foi sincero – Minha filha e meu neto são mais importantes que qualquer outro apego.


-Mas conde! – Gina alertou-o – em que condições Hermione vai ter a criança? Será que não vê? Nenhum dos dois vai sobreviver!


Era uma verdade incontestável.


-Juanita acredita que ainda demore uns dois dias ou mais. É o tempo que temos para achá-la – Rony concluiu.


-Nesse tempo, vou dar entrada nos papéis da anulação – o conde avisou.


-Faça isso – ele concordou.


Preferia perde-la para sempre e para outro homem, que vê-la morta.


-O conde não poderá matá-lo, mas eu o farei – Gui disse assim que o conde saiu. – Meu irmão não poderá, a lei o impedirá, mas vingarei desse jeito, pela minha família.


-Não haverá vingança – Arthur disse mais alto que as vozes dos homens que apoiavam o irmão Guilherme – Encontraremos Hermione a tempo. Agora, precisamos nos dividir e cobrir cada pedaço desse bosque, e cada pequeno centímetro de terra devem ser revirados!


-Papai – Gina começou a falar pensativa – Estou pensando... Essa carta... Como foi que chegou até o conde? Quem a levou? Malfoy por certo não! Muito menos a ex-mulher do conde. Seria muito ariscado!


-E quem foi que colocou Malfoy dentro de casa? – Rony passou a pensar nisso também – Ele não teria conseguido entrar sem ajuda.


-O menino não foi encontrado – Harry lembrou – Duran. O filho da empregada.


-O menino ficou o dia todo em casa – Rony não concordou com essa possibilidade – Poderia ter facilitado a entrada, embora não entenda por que, mas não haveria meios de ter entregue a carta.


-Tem razão. Sobra apenas Lilá – Harry opinou novamente – Ela odeia Hermione.


-Mathias foi buscá-la – Rony lembrou - Foi a primeira pessoa que eu pensei que poderia ter informações.


-O que vai fazer agora, meu filho? – Arthur pôs a mão em seu ombro tentando achar um modo de acalmá-lo.


-Vou seguir com as buscas, não posso ficar parado esperando pelo pior – respondeu, se afastando. – é preciso que fiquemos um passo a frente deles. A noite pode ajudar a ocultar nossa presença.


 


 


.............................................................


 


 


 


Era exatamente isso que pensava Duran. Escondido no mato, esperou a noite cair pesada e densa. Espiava e calculava o modo de entrar. Pelos vidros velhos e quebrados via vez ou outra um reflexo, de pessoa que ia e vinha.


Há uma hora os movimentos cessaram, e ele tivera tempo para arquitetar seu plano de como entrar na casa sem ser visto.


Finalmente, tantos anos desafiando sua mãe e subindo nas altas e perigosas arvores, teriam alguma serventia.


Silencioso, deu a volta na pequena casa e pelos fundos escalou uma das vigas de sustentação do telhado adjacente, que cobria uma espécie de área. Não demorou nada, estava em pé, sobre o telhadinho quebradiço.  A janela seguinte estava aberta, e mais de uma vez ele vira o reflexo de uma mulher grande e redonda indo e vindo.


Não havia dúvidas que era ali que ela estava presa. Amaldiçoou a maldade humana, ao ver que a janela nem ao menos estava trancada. Quanta crueldade, prender uma mulher que não pode salvar a si mesma.


Seguiu escalando nas tábuas quebradas da parede, e se agarrou a madeira em volta da janela. Num impulso estava com metade do corpo para dentro do cômodo.


Hermione ouvira um som abafado, mas achando ser o som da noite, não levantou. Estava tão cansada, as pernas doloridas. As costas doíam. Sua barriga pesava. Sentia um estranho desconforto no quadril, uma dormência incomoda, e o bebê havia se aquietado a umas duas horas, de um modo assustador.


Erguendo a cabeça do travesseiro, ela arregalou os olhos ao ver metade de um corpo ágil entrando pela janela. Aqueles olhos verdes não enganavam, e nem a escuridão poderiam esconder seu brilho. Precisou sufocar um grito de gratidão quando o menino entrou.


Ele fez sinal para que ela não se mexesse, e como um gato, se moveu na escuridão, chegando até ela sem fazer o mínimo ruído.


-Alguém sabe que estou aqui? - ela perguntou abraçando o menino no mesmo instante em que ele ficou ao seu alcance.


Ele negou com a cabeça.


-Nos seguiu? Foi isso? – sua voz era tão baixa quanto um sussurro.


Ele concordou com um aceno.


-Deve chamar ajuda – ela pediu - Esse homem é louco!


-Eles brigaram – ele falou muito baixo – ouvi quando a mulher disse que prefere matá-la e vender a criança para o conde – ele notou sua palidez, e perguntou – Prefere que procure ajuda, ou quer se arriscar a fugir?


Era uma difícil decisão.


-Fugir – ela decidiu – Não vou arriscar.


O menino olhou em volta. Pensava. Nunca fora de pensar, mas aprendera isso com sua adorável patroa, que insistia para que lesse o tempo todo.


-Pode descer até o telhado de baixo com os lençóis. Depois use as vigas – ele concluiu – Mas espere eu avisar. Como um pássaro. Vai saber que é a hora – ele disse.


-Duran...


-Ele tem uma arma – ele olhou em volta, para a lamparina. – e ela tem um machado.


Hermione quase gritou diante da informação. Para que alguém queria um machado em uma casa abandonada?


-Vou esperar seu sinal – ela segurou a mão do menino e acariciou seu rosto – Não arrisque sua vida, Duran. Por favor, não arrisque sua vida.


-Ele machucou Anna – o menino disse com raiva – E agora, machucou a senhora.


-Mas isso não justifica... – suas palavras se calaram quando o som de passos fortes, soaram no corredor.


O menino se afastou e se perdeu na escuridão. Hermione quase gritou quando a porta foi aberta com força.


-COM QUEM ESTAVA FALANDO? – Malfoy entrou gritando.


-Eu...  – ela saltou. Olhando para ele assustada.


Para a arma em sua mão.


-Estava falando! Ouvi sua voz! – ele aproximou-se e agarrou seu braço quase a levantando de sobre o colchão.


-Um pesadelo! Tive um pesadelo! Por favor, não me machuque! – desesperada cobriu a barriga com os braços, e ele a jogou no chão com toda a sua força, e sua barriga bateu no chão com um som seco.


-Pois fique calada! E durma! – ele ordenou e o cheiro de uísque infestou o quarto.


A porta foi trancada novamente e ela ascendeu à lamparina, vendo que Duran havia conseguido sair antes que ele entrasse. Não se atreveu a ir até a janela. Não podia correr o risco de levantar desconfianças.


Sentia dor. Uma dor afiada abaixo da barriga, sobre a pélvis. O bebê havia voltado a chutar e sentia alívio. Ao menos a queda não o afetara.


Mas a dor continuou o resto da noite.


 


 


 


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-É apenas uma casa abandonada – Suarez contou, na manhã seguinte. Era passado do meio dia, mas ninguém se lembrara de comer – Adolph seguiu a trilha do rio, que passa por trás das duas propriedades. Eu disse que não deve haver nada por lá, mas ele insistiu. Encontrou grama pisada, e acha que pode ser um humano e não algum animal.


-E você?  O que acha? – Rony perguntou, a expressão abatida após tantas horas de busca infrutífera.


-Acho que vale checar. Levou um cavalo, e uma arma.


-Que tenha mais sorte que nós – Rony rogou, esperançoso.


Sabia que estava se enganando, não havia nada naquela região.


De volta a sua fazenda, havia vasculhado toda a redondeza. Haviam muitos homens seguindo a cavalo, e outros a pé por todo o mato.  Rony passara em casa apenas para checar se não havia nenhuma novidade e engolir algo que o mantivesse de pé pelas próximas horas.


Estava de saída quando avistou uma carruagem se aproximando.


  O conde desceu acompanhado por Elly. A moça carregava a menina de Lilá, enquanto esta era tirada da carruagem pelo valete do conde, com o juiz Digory logo atrás.


-Está mulher vendeu as informações sobre essa casa! – o conde adentrou esbaforido, nervoso e angustiado – Passou a Malfoy cada passo, cada informação que pudesse colocá-lo aqui dentro! E foi ela quem entregou a carta!


-Mentira! – Lilá tentou negar – É tudo mentira!


-Foi reconhecida – o conde se aproximou, evidentemente próximo a cometer uma loucura se não fosse impedido – Mais de uma pessoa a viu conversando com o forasteiro misterioso! Sua vadia!


Teria batido em Lilá se Rony não o impedisse.


-Lilá – ele ficou bem perto e olhou em seus olhos – Para onde Malfoy a levou?


-Eu não sei – ela disse, olhando em seus olhos com carinho – Rony, minha vida, eu tentei. Eu juro que tentei ser honesta. Mas é tão difícil! É tão... Malditamente difícil! Mathias... Eu achei que poderia me amar, me trocou por aquela criatura sem graça! Acha justo? O que me sobra? O dinheiro era bom, e eu...


-Queria vingança? – ele perguntou com calma e serenidade.


-Agora é um homem livre, Rony – ela sorriu – Quando a anulação for confirmada, precisamos apenas esperar poucos dias, e poderemos nos casar. Não é maravilhoso?


-Tem razão, Lilá. É maravilhoso – não havia sentido em gritar com uma mulher louca – Confessa um crime na frente de um juiz. – explicou a ela. – Se redima com a lei, e conte o paradeiro de Hermione.


-Prefiro morrer – ela disse, as lágrimas escorrendo em sua bela face – Prefiro morrer a vê-la viva.


-Pois saiba que é exatamente isso que acontecerá se Hermione não sobreviver. – ele ameaçou e Lilá caiu no pranto. – Diga onde é o esconderijo de Malfoy! Diga de uma vez!


-NÃO!  -ela gritou furiosa – Não digo! Não digo!


-Patrão – ao seu lado a voz suave de Suarez não enganava o que se passava em seu olhar – Eu dou um jeito dela falar.


Rony olhou para o juiz Digory, que era à força da lei presente diante deles.


-Uma pena – ele disse olhando para Lilá – Uma jovem tão bonita arruinar a própria vida. Mas pobre daquela criança, grávida e sozinha. Não quero saber o que fará – ele virou as costas, lavando as mãos.


O valete do conde seguiu Suarez para o celeiro, e os homens fizeram questão de ignorar os gritos desesperados de Lilá.


Para Rony não fazia a menor diferença o que fariam com ela, desde que arrancassem a verdade sobre o paradeiro de Hermione.


-Contratei metade dos homens da cidade. Não a um pedaço dessa terra desgraçada que não será revirado – o conde alertou. – Mathias seguiu com um grupo em direção a saída da cidade. Eles podem ter se escondido naquela região.


-Percy, Fred e George seguiram a cavalo até a próxima estação de trem. Podem ter partido sem que ninguém notasse. Pelo que vi, esse homem consegue o que quer! – Rony desabafou.


-Perder a cabeça não levará a nada. – Digory alertou.


-Perder a cabeça? Acha que perdi a cabeça? Qual a possibilidade dos dois sobreviverem a um parto nessa situação? – ele quase gritou, furioso com o juiz, sua raiva fora de foco – Qual a possibilidade que aquela mulher não machuque Hermione?


-Irmão – a voz tremula de Gina, que ouvia seu desabafo o fez se calar – Não perca a esperança. Hermione é forte o bastante para escapar dessa. Apenas não perca a esperança.


Rony não quis ouvir. Estava cansado de todos lhe dizerem isso! Estava farto de tanta esperança!


Deixou a casa com o espírito torturado pelas idéias contraditórias. Não pensaria nos pedidos absurdos de Malfoy. Iam além de sua capacidade.  A probabilidade de aquele parto dar certo nessas condições eram mínimas!


Agonia, medo. Tudo se misturava dentro dele. Selou o cavalo e deixou a propriedade. Havia dado mil voltas por toda aquela região, mas faria isso novamente. Não podia ficar sentado esperando pelo pior.


Com o desespero em seu encalço, ele seguiu a galope rápido mato a dentro.


 


 


.................................................................


 


 


 


A passagem do sol alto da manhã para o sol baixo do entardecer a deixava a cada minuto mais transtornada. Havia comido a lavagem que Malfoy trouxera. Pouca comida. Um gosto terrível. Talvez estivesse podre ou apenas mal feita. Mas a verdade é que aquilo não alimentaria nem a um porco.


A água lhe fora convidativa e ajudava há esconder um pouco a fome. O cansaço a deixava deitada a maior parte do tempo, embora a dor a obrigasse a levantar algumas vezes e andar pelo quarto.


Uma dor incomoda e constante na parte baixa do ventre. O medo havia sido substituído pelo alívio quando a dor se manteve fraca.  Segundo Juanita as dores do parto eram horríveis, e ela saberia reconhecer quando viessem.


Esperava pelo sinal que Duran lhe daria, e rezava para que ele houvesse conseguido cumprir sua meta e não ser apanhando.  Afinal, não era apenas sua vida e do seu filho que estavam em risco. O menino também corria riscos.


Dizendo a si mesma que precisava se acalmar e sentar, ela continuou andando pelo quarto. Depois de uma longa tarde sem ser importunada, ela ficou em pânico quando os passos no corredor indicaram que seria visitada.


Tinha medo de Duran ter sido apanhado. Muito medo. Seria seu fim.


-Como tem passado o dia?


Aquela mulher olhava para ela com tanto desprezo que Hermione andou para o fundo do quarto, bem longe dela.


-Perdeu a língua? Oras. – ela encostou a porta e seguiu olhando para ela com riso e pouco caso – Ouvi dizer que era capaz de matar um homem com apenas um olhar. Que poderia subjugar o mais forte dos homens. E olhe o que encontro? Uma garotinha assustada. – olhou para sua barriga e seu sorriso era quase demente – A maternidade muda uma mulher. É o que dizem. Nunca tive a felicidade de ser mãe – ela se aproximou e Hermione não tinha mais para onde correr.


Baixou os olhos, não querendo irritá-la, caso a considerasse desafiadora.


-Malfoy deseja trocar sua cria por seu passaporte para a fortuna. Ele lhe contou?


-Não – respondeu em voz baixa – Não me contou seus planos.


-A anulação do seu casamento com o fazendeiro ruivo não vai demorar. O conde deve estar preparando tudo – seus olhos brilharam tão magoados que ela riu – Ele vai mandar sua criança como um sinal de boa vontade quando isso acontecer. E claro, o termo onde o conde se responsabiliza em não matá-lo e ainda o reconhece como pai do seu filho.


-Pai do meu filho? – aquela mulher era louca?


-Seu bastardo será registrado como sendo de Malfoy – riu – não é quase poético? Mas não se aflija. A criança vai ter uma ótima vida ao lado do conde, pois acredite, Malfoy não quer seu bastado vivendo perto dele!


-Como assim? Ele é um seqüestrador! – conteve as palavras ao notar seu olhar mudar para algo quase demoníaco.


-Quando parir, levará alguns dias para seu corpo se recuperar. Irão se casar e consumar o casamento. Malfoy a levará para bem longe por alguns anos. Então, quando todos tiverem se esquecido e estiverem ansiosos para tê-la de volta, ele a trará para viver no seio de sua afortunada família.


Margaret riu sem grande humor e alisou uma das mexas de cabelo de Hermione, com algo escuro no olhar.


-Malfoy acha que sou uma tola. Ou louca. Não vejo lugar nesse seu plano para mim. Ou como poderia lucrar.


-Porque diz isso? Ele pode querê-la em sua vida – instigou.


-Não, é claro que não. Acontece, que não estou aqui para ver os planos dele se concretizarem. Estou aqui por razões próprias. – soltou seu cabelo e se afastou, olhando-a com desprezo e rancor – Vou esperar seu corpo estar pronto para o parto. Então, me livrarei do biltre Malfoy, e seremos apenas nós duas, Hermione.


-O que vai fazer comigo? – o desespero a deixava tão pálida quanto um fantasma.


-Vou usar o machado que trouxe. Mas não se preocupe, serei cuidadosa com seu filho. Ele me será muito útil quando o vender ao conde.


Hermione não disse mais nada. Pretendia gritar e talvez jogar-se sobre ela num arrombo de instinto de preservação, e sobrevivência, mas se conteve.


Por hora não precisou se defender, Malfoy abordou-as.


-O que faz aqui em cima? Eu a proibi de subir e perturbá-la! - ele entrou gritando e empurrando Margarite para fora.


Ela saiu gritando e rindo, como a louca que era.


-Ela ousou machucá-la? – Malfoy segurou seu rosto entre as mãos, olhando-a com reverência – Diga se ela a machucou?


Aquele homem era completamente louco, ela descobriu.


-Estou bem. – respondeu, apenas para que ele a soltasse.


-Sim, é claro que está. Ficará feliz em saber que o juiz já assinou o termo da anulação do casamento. Em breve será minha, Hermione!


-Como sabe de tudo isso? – perguntou, querendo arrancar dele a informação que fosse.


-Eles apanharam a meretriz da Lavander, e acham que podem descobrir nosso paradeiro. Mas aquela lá nunca valeu muita coisa e não me serve para nada.


-Lilá lhe contou da anulação?


Malfoy correu uma das mãos por seu rosto, pescoço e colo, acariciando sobre as taças sedutoras se seus seios.


-Não. Tenho minhas outras fontes. – ele olhava para seus seios, para os montes atraentes – Hermione, como sonhei em tê-la sob as minhas mãos. Como sonhei que fosse minha! – ele colocou seus lábios em seu queixo, na curva da orelha e desceu beijando, pelo pescoço.


Aquela boca molhada e gelada, a arrepiou de nojo.


-Minha - ele disse agarrando dolorosamente um seio – Minha e toda minha. Sra. Malfoy. Em breve será a Sra. Malfoy. Sente isso?  O quanto a desejo?


-Sim - ela respondeu indiferente, enquanto ele roçava seu desejo em seu corpo.


Que tipo de doente se roçava desse modo em uma senhora grávida, sem ser seu marido ou seu afetuoso amante?


-Não teremos que esperar muito agora - ele subiu, e soltou o aperto em seu peito, mas o alivio durou pouco.


Malfoy beijou-a. aqueles lábios finos e molhados cobriram os seus, sem margem para escapatória. A língua buscou todos os seus segredos e ela achou que sufocaria. O nojo, asco... Queria vomitar, mas agüentou até o fim.


Quando ele lhe sorriu e olhou em seus olhos não viu nada além de indiferença e dor. Mas não tinha mais juízo para entender isso.


-Muito breve seremos um só, mas por hora deite e durma. Amanha terei a prova da anulação e estaremos um passo mais próximos ao nosso brilhante futuro.


Sozinha e no escuro novamente, Hermione se aproximou do colchão velho e deitou-se.


Aquela mulher a mataria. E quando morresse, não seria mais a Sra. Wesley. Nem mesmo o alento de ter em seu túmulo o nome de seu marido ela teria direito.


-Porque, meu filhote, porque não ficamos em Londres? - ela chorou baixinho.


Rony encontraria uma nova mulher, tinha certeza. Era um bom homem, e era tão educado, tão gentil. Tinha bom humor e ambição. O marido perfeito par qualquer mulher. E era tão bonito. Haveria alguma mulher que pudesse afastar a tristeza pela perca do filho.


Tinha certeza disso.


Uma pena. Nunca lhe dissera o quanto o amava. Esperava apenas que ele fosse capaz de lembrar-se de tantos momentos em que mostrara com atos e carinhos o quanto o amava.


Desiludida e conformada com o próprio fim, Hermione ouviu o assobio de um passarinho em sua janela.


 


 


..............................................................


 


 


 


Duran esperou o dia inteiro. Primeiro esperou que eles comessem e bebessem na esperança que dormissem um pouco durante o dia ou saíssem. Nada.


Para sua sorte, os dois resolveram subir e infernizar a vida de Hermione. Era sua chance. Usando de toda a agilidade que podia provir de sua pouca idade e vida criado solto e ao ar livre, ele entrou pela janela de vidro quebrado, ignorando a dor dos cortes.


A arma foi mais fácil. Estava sobre a mesa. Retirou as balas e guardou no bolso. Recolocou-a exatamente onde estava. O machado estava apoiado longe da lareira e ele apressou-se a colocar o machado perto do fogo. O cabo da ferramenta era de metal, e quando tentasse usar as mãos de quem o apanhasse ficariam queimadas, e talvez com o susto, perdesse a mira ou o derrubasse.


Não podia tirar dali, ou seria pior. Aproveitando que haviam pedaços de madeira ao lado da lareira, acrescentou vários tocos de madeira ao fogo, alimentando-o e esperando gerar muita fumaça.


Talvez alguém os visse a distância.


Correndo, ele saiu da casa, o coração na boca.


Deu a volta e esperou que as vozes dentro do quarto diminuíssem e a conversa morresse.


Foi então, que assobiou.


 


 


 


 


 


 


 


Beta: Ai, to aqui me mordendo de curiosidade, que capítulos mais emocionantes, fiquei completamente em outro mundo lendo isso!!!

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