Percepções
Há muito tempo que eu a observava. Na verdade sempre foi um mistério para mim o fato de ela não perceber, mas eu sabia que isso aconteceria e no fundo eu aguardava isso, mesmo que torcesse para que não acontecesse. Um dia ela ia perceber que eu era dela. Gina sempre foi minha perdição, meu fruto proibido, e isso pode soar o quanto cliché quiser, é a mais pura verdade.
Eu não me lembro bem quando isso começou, eu nunca percebi essas coisas muito bem. Mas em algum ponto da minha vida eu comecei a ficar inebriada com a presença dela, com os cabelos ofuscantes dela, os olhos cor de avelã que sorriam antes dos lábios, o cheiro floral único... E era ela, apenas ela. No começo eu admito que foi um pouco obsessivo, e talvez ainda seja um pouco. É muito estranho, por que eu sou uma pessoa totalmente equilibrada, essas coisas geralmente não acontecem comigo. Ela me tirou dos eixos. Quando ela estava perto de mim era como se houvesse fogo constantemente do meu lado. Às vezes uma brasa acolhedora, às vezes uma chama inconsequente... Gina é o meu fogo.
Mas havia outras coisas na minha vida. Havia um ruivo que foi meu primeiro tudo. E vieram horcruxes e guerras e aquilo foi simplesmente sufocado. Quando tudo acabou ela voltou como uma onda. Toda a sua força, perseverança, loucura, amabilidade. Nos dias em que éramos apenas nós duas, eu vi cada pedacinho da alma dela, e não havia nada que me interessasse mais. Mas havia o Rony, a família dela... E havia o pior de tudo. Havia a mim, eu Hermione Jane Granger, campeã das confusões amorosas.
Já sentiu seu coração dividido? Eu sentia o meu assim. Embora eu percebesse meu sentimento por Rony esfriar a cada segundo sufocado pelas doses diárias do sorriso dela, eu sabia que ainda havia algo. E eu devia esse algo a ele. Decidi pelo que era certo. Ignorar. Eu a tinha perto de mim. Era tudo que eu precisava. Até o dia em que ela percebeu.
Os pesadelos foram um ótimo pretexto para que eu fosse para a cama dela. Ela tinha pesadelos terríveis, com Fred eu acho. E depois de entender que tudo em mim estava sobre controle eu quis o máximo que podia ter, e isso claro, envolvia eu estar na cama dela. Estar na cama dela abraçada à ela foi inexplicável. Nas duas primeiras noites não dormi, apenas inalando o máximo possível do cheiro dela, do calor da pele dela... Cada noite era um presente bem vindo. Mas então aconteceu algo que me preocupou.
Um som me despertou de madrugada. Não faço idéia de que horas eram, eu procurei pelo ruído mas não vi nada anômalo. Gina dormia tão próxima a mim que eu podia sentir o calor que emanava da boca dela. Era entorpecente. E então ela murmurou durante o sono, o mesmo som que me despertara.
– Hermione... – ela chamou meu nome tão baixinho que não entendo como ouvi. De início imaginei que estivesse me chamando, mas ela estava muito adormecida. Estava sonhando...comigo.
Num gesto quase incontrolável eu levei minha mão ao rosto dela e o ergui deixando nossas bocas alinhadas. Eu queria tanto beijá-la! Sentir o gosto dela, saber se era cereja, como eu imaginava.
– Hermione... – ela chamou de novo – amo você. – ela murmurou. Ela me abraçou aconchegando seu corpo ao meu. Apoiou a cabeça no meu peito, o braço nas minhas costas. Eu a envolvi com meus braços, a minha mão na sua cintura nua, o cheiro de flores invadindo meus pulmões. De repente uma dor estranha, gelada surgiu na minha garganta, por que ela não se lembraria que havíamos dormido abraçadas, por que talvez ela nem lembrasse do sonho, fosse qual fosse, e por que eu não poderia tê-la. Não dormi aquela noite. Ela estava começando a perceber e isso me alertou, estava na hora de eu começar a pensar no que fazer. Para comprovar...Dois dias depois tudo começou a complicar.
Estávamos subindo a colina, isso havia se tornado um hábito. Era bom estar com ela no silêncio, embaixo de um magnífico carvalho, apenas vendo o tempo passar. Ultimamente seus olhos pareciam atentos a cada movimento meu, e embora eu tomasse cuidado, a maioria deles era involuntário.
Estávamos falando sobre como tudo estava incômodo n'A Toca, uma tristeza e vazio enormes, na casa, nas nossas vidas. Foi quando pensei em algo.
– Ginny... – eu perguntei levemente ofegante por causa da subida – Como...foi ficar sem nós?
Ela olhou para mim e a sombra que perpassou seus olhos pareceu arrancar a unha as veias no meu coração.
– Foi...horrível. – ela disse simplesmente – Acho que nunca me senti tão sozinha.
– Pensei em você, sempre. – eu confessei. Não queria que ela pensasse que a havíamos deixado para trás.
– Sei que sim. – ela sorriu. Desafio qualquer um a não sorrir de volta quando Gina Weasley o faz.
No topo da colina falamos de tudo um pouco, mas principalmente do que o retorno à Hogwarts faria com todos. Seria bom? Ruim?
– Eu me preocupo um pouco com Harry, sabe? De que talvez ele vá ver tantas ausências... Ele tem uma enorme tendência a se culpar, você sabe. Mas ficaremos todos na mesma sala e eu mal posso esperar para ver Luna e Neville... – Eu percebi de repente estar falando para o nada. Eu percebi que estávamos deitadas e que minha cabeça estava apoiada no peito dela. Eu tinha uma das suas mãos nas minhas brincando com seus dedos. Eu não havia percebido tudo isso. – Gina você está me ouvindo? – chamei ainda tentando entender como eu havia pego a mão dela sem perceber.
– Ahm? – ela perguntou soando realmente distraída. Eu ergui o rosto para ver os olhos dela e tive medo do que vi. Mas se eu tivesse levantado e me afastado eu teria chamado atenção demais ao fato. Não. Eu tinha que fingir que aquilo ela natural.
– Eu aqui discursando duas horas sobre o retorno à Hogwarts e você voando sem vassoura. No que está pensando, heim? – eu coloquei minha perna sobre a dela, virando-me em sua direção. Coloquei a mão na sua cintura, sua pele para mim era como seu cabelo, sempre em brasas. E em dois segundos era eu que voava, sem vassouras, nem trestálios, e sem medo.
– Nada. – ela riu e eu fiquei um pouco mais relaxada. Deitei novamente sentindo o coração dela bater levemente alterado. Mesmo ritmo que o meu. Olhei para o sol alcançando a linha do horizonte, tão lindo! As tardes eram lindas ali na colina. Eram lindas com ela.
– A tarde está linda. – eu constatei quase sem perceber, murmurando para mim mesmo.
– Sim está. Hermione, como você percebeu que estava apaixonada pelo Rony? – ela perguntou de um supetão. Ela estava pensando sobre essas coisas?
– Eu não sei. – meu cérebro trabalhava furiosamente em tentar me lembrar de como foi, mas tudo que eu conseguia pensar era em como foi com ela. E no fundo da minha alma soava uma voz me perguntando se eu ainda amava o irmão dela. – Eu queria sempre estar perto dele. O cheiro dele era bom...algo assim. – eu respondi pensando nela.
– Se apaixonou pelo meu irmão pelo cheiro dele? – ela perguntou achando graça. Sim, Gina seu cheiro é incrível. Pensei.
– Ah, sei lá. É uma pergunta difícil. E você? Como se descobriu apaixonada pelo Harry? – passei a bola.
– Não me lembro. Eu devia ter uns cinco anos. Me encantei com a história. – ela respondeu. Isso era tão ingênuo vindo dela que senti um ímpeto de apertá-la.
– Depois eu que sou estranha. Pelo menos os ferormônios explicam meu caso. – brinquei. Mas na verdade não explicavam. Por que uma garota se apaixona por outra?
– Você acha que o amor é uma coisa química? Tipo você sente o cheiro de um parceiro ideal e pronto é ele. Vamos procriar e perpetuar a espécie. – ela parecia pasma – Então como você explica duas garotas se apaixonarem? – foi engraçado vê-la se arrepender do que disse instantaneamente. Eu fiquei momentaneamente sem palavras.
– Ah, sei lá. – eu disse vagamente – E Você o que acha que faz uma garota se apaixonar por outra? – Pare de brincar com fogo, Granger. Pensei comigo mesma.
– Sei lá. – ela deu de ombros. – Nunca aconteceu comigo para que eu saiba.
Diga: “Nem comigo.” Hermione. Diga. Não consegui. Apenas sorri. Silêncio.
– Mas então o que faz você se apaixonar? – ela perguntou sabia que estava sorrindo sem ver seus lábios. Ri involuntariamente.
– Sinceramente não sei mais. Seu irmão quebrou todos os meus preceitos. Mas tem algo primordial: a pessoa tem que ser diferente de mim, tem que me causar um friozinho na barriga, fazendo coisas inesperadas. – meio verdade, meio mentira. O que era verdade e o que era mentira? – Mas e você?
– Carinho. Adoro carinho. – Ela disse suavemente, como só ela poderia fazer. Eu quis ver seu rosto. Ergui o meu e nossas bocas ficaram muito próximas. Nada saudável.
– Porra! – ela exclamou e eu me sobressaltei. – Que merda! Caralho! – eu tentava entender o que havia acontecido até ver a mancha vermelha na mão dela. Uma formiga a havia picado.
– Pára! Isso lá é linguagem? – tentei ficar aborrecida. Mas era impossível, ela estava hilária.
– Falar palavrões é psicologicamente saudável. – Gina disse – Você devia experimentar.
– Nunca falei um palavrão e não vai ser agora. – eu falei. Um hábito vulgar, minha mãe sempre me dissera. Embora nela ficasse...bonitinho.
– Nunca? Nem um “porra” quando dá uma topada? – ela debochou – Experimenta! É ótimo. Vamos lá: comece com “porra”.
– Não. – eu disse. Ela se levantou e eu com ela.
– Vamos Hermione. Só um. – ela insistiu. Por que diabos Gina Weasley estava tentando me fazer usar linguagem imprópria? Por que ela estava tentando me convencer com aquele sorriso lindo?
– Não. – eu não mudo de idéia muito facilmente, vocês sabem.
– Você vai se arrepender. – ela fingiu fazer garras com as mãos e eu quase comecei a rir involuntariamente. Sério, detesto cócegas. Você finge que vai fazer eu já começo a rir. É horrível, usar isso como arma é uma crueldade sem igual.
– Não se atreva! – aconselhei.
– Diga: Porra. – por que isso era tão importante?
– Não.
– Hermione.
– Você não vai me fazer falar palavrões. – cruzei os braços como forma de proteção.
– Você pediu. – eu gritei antes que ela se jogasse em cima de mim. Não conseguia parar de rir nem raciocinar. Embora isso provavelmente se devesse mais ao fato de que ela estava entre as minhas pernas do que às cócegas.
– Pára Ginevra! Pára! – eu já não conseguia respirar. Sabe o que é pior de cócegas? Você fica aborrecida e continua rindo infeliz. Isso é muito estranho. Detesto.
– Diga: Pára porra! – Ela mandou e prendeu meus pulsos no chão. Acho que ela não percebeu que eu arfei. Ela estava entre as minhas pernas, com a boca parada há dez centímetros da minha, seu corpo encaixado perfeitamente no meu, como o de ninguém mais havia encaixado. Eu não era mais eu.
– Desista. – eu sorri e ela parou a observar meu sorriso. Seu sorriso foi se dissolvendo enquanto ela fitava a minha boca. Eu não consegui respirar. Tinha que interromper aquilo. – Gina o que foi?
Ela saiu de cima de mim. E parecia desconcertada.
– Nada. Fiquei tonta por um momento. – eu vi a mentira nos olhos dela.
Ficamos mais alguns minutos conversando. Eu estava apavorada. A pessoa que eu mais desejava, me queria. Eu nunca estive com tanto medo. Preferia um outro Godric's Hollow, a ter que lidar com isso. Eu não queria que ela sofresse. Eu só queria abraçá-la e dizer: “Está tudo bem. Eu também te quero” deitar com ela na grama e poder usufruir de tudo aquilo. O cheiro dela, os lábios dela, o corpo dela. Meus pensamentos estavam descoordenados e rápidos. Eu via flashs em que eu a agarrava em todos os cômodos da casa. No banheiro, na nossa cama. Me peguei imaginando ela gemendo... Mal consegui comer no jantar àquela noite. Subi logo depois sem dar margem para Rony se aproximar. Me deitei e fiquei pensando, pensando até dormir. Ela deve ter subido tarde, eu não a vi chegar.
Os dias a seguir foram perturbadores. Eu podia ver coisas se formando na cabeça da minha garota, eu podia ver conclusões através das minhas janelas favoritas. Janelas cor de avelã. Eu tinha que saber o que fazer, mas eu não sabia. Nesse meio tempo, Rony veio com a história de que era necessário comunicar seus pais de que estávamos namorando. Desnecessário eu repeti milhões de vezes, mas ele parecia querer aquilo mais que tudo. Enfim ele resolveu que o faria naquela noite. Eu temi por ela, mas talvez eu estivesse imaginando coisas. Afinal, de repente ela nem havia percebido nada.
Jantávamos todos juntos. Eu comia devagar enquanto brincava com o tornozelo dela embaixo da mesa, sabe rodar o pé pelo tornozelo? Sei lá, eu gosto. Eu estava nervosa então meus movimentos não eram muito calculados. Registrei as orelhas muito vermelhas de Rony, o sorriso sarcástico no rosto de Harry que lançava olhares para mim e para o Rony, e a indiferença dela para com a comida. Ela não havia olhado para o meu rosto nem uma vez durante o jantar. De repente Rony pigarreou e eu parei para observá-lo.
– Pai, mãe. – a atenção de todos voltou-se para ele – Eu quero dizer algo, bom na verdade eu imagino que todos já saibam...
– Todos já sabem Rony. – Harry era realmente muito engraçadinho. Fiz uma careta para ele que ninguém viu e Rony tentou desintegrá-lo com o olhar. Eu precisava lembra-lo mais tarde que “cruciatus” é ilegal. Acho que ele havia esquecido.
– Continue filho. – falou o Sr° Weasley.
Eu observei a expressão singular dela. Seria possível que ela sequer imaginasse qual o assunto? Ela tinha um olhar curioso. O único olhar assim na mesa.
– Hermione e eu, estamos namorando. É oficial. – Rony segurou a minha mão que estava apoiada ao lado do copo na mesa. Eu sorri para ele e para o Sr° e a Srª Weasley.
– Parabéns, filho! – alguém disse.
– Minha nora! – alguém acariciou o topo da minha cabeça.
Eu não conseguia pensar muito bem, por que tudo que havia em meus olhos era o rosto dela. Os olhos escurecidos e amedrontados, a boca levemente aberta. Ela realmente não fazia idéia. Ela me fitou e eu senti uma enorme tristeza. Eu não queria causar isso à ela. Eu juro. A pontinha do nariz dela havia ficado avermelhada. Isso só acontecia quando ela estava com falta de ar.
– Desculpe não te contar. Foi hoje à tarde. – minha voz soou fraca mas eu tentei sorrir. Ela não deu sinal de que havia me escutado. – Ginny? Ginny? Tudo bem? – eu chamei.
– Tudo bem. – ela pareceu sair de um transe, seus olhos focaram em algum ponto da minha bochecha evitando os meus. – Parabéns. – soou dolorida a voz dela e eu me odiei. Mal tive tempo, porém, de falar algo pois Rony me beijou.
Eu observei todos os movimentos dela durante o resto do jantar. Eu queria conversar com ela, me explicar. Enquanto isso a felicidade de Rony, de Harry e dos Weasleys (com exceção de uma) caía sobre mim. E eu era obrigada a responder a comentário carinhosos e a sorrir para eles. Algum tempo depois ela subiu. Esperei algum tempo e por fim, a Srª Weasley disse que iria se recolher e pediu que Rony e eu fossemos para nossos quartos. Como ela explicou, ela devia aos meus pais o zelo pela minha pureza. Rony subiu mal-humorado e eu me apressei para o nosso refúgio. Meu e dela.
Parei um segundo do lado de fora da porta e depois a abri suavemente. Ela estava virada para a parede. Eu me deitei do lado dela sabendo que ela não estava dormindo pelo ritmo da sua respiração.
– Pode parar Weasley você finge muito mal. – brinquei.
– Você não tem uma cama Granger? – ela virou-se e sorriu. Lindo. Eu considerei a pergunta dela. Nada, mas nada, me tiraria da cama dela. Era o que eu tinha e eu manteria.
– Sem graça, aquela lá... – eu sorri. Pensando no que dizer. – Ginny precisamos conversar. – ela me fitou estranhamente. Eu tinha que saber. – Diga o que está te incomodando.
Ela continuou me fitando por uns cinco segundos. E eu daria tudo para saber o que se passava na cabeça dela.
– Não há nada me incomodando. – ela respondeu vagamente. Eu resolvi tentar uma abordagem mais suave. “Você está apaixonada por mim?” talvez assustasse ela.
– Ginny é totalmente normal se sentir como está se sentindo. – eu disse tentando bancar a amiga compreensiva.
– Não sinto nada. – ela respondeu. Senti que ela protegia com vontade o que quer que fosse.
– Tem medo de me perder. – eu deduzi. Afinal, meu maior medo era perde-la.
– Convencida. – ela falou tentando soar rude. Eu ri.
– Estou certa. – eu disse ainda sorrindo.
– Por que acha isso? – ela perguntou.
– Sempre estou certa. – eu disse. E não é verdade?
– E daí? – ela ficou um tanto temerosa.
– Não precisa ter medo. – eu comecei. Estendi as mãos para o cabelo dela e toquei os fios vermelhos. Era quase um choque que eles não queimassem as pontas dos meus dedos. Ela inclinou a cabeça fugindo de minha mão. – Ginevra, você é minha melhor amiga, isso não vai mudar. – eu disse. Eu tinha esperança disso, eu precisava dela.
– E se eu te contasse um segredo? – ela perguntou, virando-se para a parede. Me deitei de novo.
– Que segredo? – eu perguntei com medo do que poderia ouvir.
– Um daqueles que tornam um pessoa, em uma pessoa ruim. – ela suspirou e eu quis virá-la a força e dizer que nada a tornaria uma má pessoa.
– Você matou alguém? – eu perguntei.
– Não.
– Roubou?
– Não. – a voz dela vacilou e eu me perguntei o que ela tinha ocultado da frase.
– Estuprou alguém? Isto é, contra a vontade da pessoa, por que duvido quem não queira ser estuprado por você. – eu ri. Piada interna. Eu queria.
– Não. – pelo tom da voz dela ela parecia estar sorrindo.
– Fala. – pedi, tentando ser corajosa..
– Pare de mandar em mim. – ela reclamou. Tão bonitinha.
– Como se você não gostasse... – eu brinquei. Ela se virou irritada.
– Pare. – ordenou.
– Ok. Fale.
– Eu gosto de garotas. – Ela falou rapidamente, como se sua língua fosse travar. Eu vi os olhos dela escrutinarem meu rosto. Eu Aguardei até meu cérebro ficar normal. Ela gostava de garotas. Eu amava uma. Uma barreira havia caído, e apesar de que isso devesse ser motivo de alegria para mim eu me apavorei. Quanto mais barreiras melhor. Eu me recuperei a tempo.
– Combina com você. – eu disse debilmente. Que coisa idiota para se dizer! Mas combinava.
– O quê? Herms eu acabei de dizer que eu sou...sou... – ela não conseguiu terminar. Eu vi seu rosto ficando vermelho lentamente.
– Lésbica? – ela pareceu chocada. Só uma palavra. Não sei qual o problema das pessoas com ela.
– Isso não...não te incomoda? – ela perguntou ainda pasma.
Eu ri. Piada interna de novo. A razão da minha existência, uma garota, uma mulher, estava me perguntando se eu me incomodava que ela fosse lésbica.
– Não era algo impossível de se imaginar. Tudo bem, Ginny. As pessoas são do jeito que são. Bom, talvez isso não seja legal para o Harry. – eu precisava levar a conversa o mais normal possível, precisava acalmar o turbilhão dentro de mim.
– Não quero ser assim. – meu rosto se fechou.
– Não seja. – eu falei suavemente.
– Como? – pois é, meu amor, como?
– Ignore. Ignore o que você sente. – ela tinha que tentar.
– Você parece falar com conhecimento de causa... – ela disse. Não pude evitar sorrir.
– Amamos as pessoas Ginny, pelo que são, pelo que fazem. Muitas vezes, na maioria delas, isso não tem nada a ver com o que estas têm entre as pernas. – uma verdade. Mas eu não deveria ter dito isso.
– Você já amou uma mulher! – ela acusou.
– Não. – eu tremi de medo. Não que ela descobrisse. Acho que não era medo disso, ou era?
– Bom...acho que sua cama vai parecer mais convidativa agora. – ela disse triste. Eu quis abraçá-la, mas não achei que meu cérebro aguentaria isso no momento. Eu nunca, nunca vou sair da sua cama, Gina. Pensei comigo.
– Não. – me cobri tentando fazer minhas mãos pararem de tremer, embora soubesse que não era frio. – Vamos dormir.
Ela continuou me olhando. Seu rosto contido. Mordendo o lábio inferior. Senti meu corpo reagir à ela.
– Herms... eu acho...eu sinto atração por você... – ela falou baixinho. Meu corpo retesou-se.
– Não cometa esse erro. – eu apertei os olhos para me controlar.
Ela não disse nada. Eu tinha tanto medo!
– Prometa, que não vai deixar acontecer o que está acontecendo. – eu aconselhei.
– Não posso. – havia dor na voz dela. Não deveria haver dor naquela voz tão linda.
– Prometa.
– Sinto muito... – ela se virou – Não faço promessas que não posso cumprir, Hermione.
Meu coração doía desesperadamente. Uma parte bizarra de mim vibrava de alegria e dizia para eu pegá-la e fugir dali. Juro que quase levantei arrumei minhas malas peguei ela pela mão e fui para qualquer lugar. Quase mesmo. Mas e o Rony... Nós tínhamos passado por tantas coisas juntos! Doía pensar em nunca mais vê-lo. E eu não poderia vê-lo se fugisse com sua irmã. Eu precisava de um tempo. Um tempo com ela ou sem ela? Decidi que precisava de um tempo com ela. Para explicar tudo, fazê-la entender. Impedir que ela sofresse. A viagem à Austrália! Aquela era a resposta. Eu proporia a viagem à ela. Longe de tudo talvez pudéssemos resolver as coisas. Embora eu não soubesse identificar exatamente o que tinha para ser resolvido. Nenhuma de nós duas parecia ter dormido. E só depois de muito tempo finalmente eu a ouvi ressonar e caí em um sono lento e cheio de pesadelos onde o Rony me matava com Avada Kedrava.
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N/A: Pois é. Mais uma fic! Eu queria mostrar o lado da Hermione. As duas fics vão ser bem diferentes, elas vão se lembrar de coisas diferentes, e o sentimento de ambas também é bem distinto. A Sweet Friend fala de amor, um amor súbito, intenso e dolorido, e fala sobre se descobrir e estar satisfeito consigo mesmo. Já a My fire, falará sobre um amor obsessivo mas controlado que já não é o foco. (se perceberam a Hermione é apaixonada pela Gina desde o quinto ano dela OO). E sobre desejo desesperado. Vai falar também sobre carregar o fardo de influenciar os sentimentos de muitas pessoas ao mesmo tempo. Hermione pensa muito mais no que isso causará à todos do que Gina. Talvez vocês odeiem menos a Hermione de SF quando lerem essa, ou talvez a odeiem mais. O fato é que ela será odiável. Rsrs Talvez seja meio chato acompanhar as duas já que os acontecimentos serão os mesmos, então fiquem à vontade para escolher uma das duas se desejarem. Amo vocês, peço desculpas pela demora! Estou indo agora terminar o capítulo 3 de SF. E escrever a S/B!
Ps: N/A longa e chata, sorry :X
*calça o All Star, ajeita o cabelo, veste a capa roxa, joga um beijinho e... crack!*