Harry mal conseguia manter as mãos longe do corpo de Gina, mas conteve-se imaginando que a antecipação valeria a pena.
Ela morava num apartamento que ficava no porão de um edifício de tijolinhos, estilo eduardiano, notoriamente a casa de uma família nobre tempos atrás, e que fora transformada em um prédio de apartamentos. Gina pegou a mão de Harry e conduziu-o escadaria abaixo até a porta da frente.
- Oh - disse ela antes de girar a chave da fechadura -, você está com fome? Porque não tenho comida em casa.
- Comida não é a minha prioridade no momento.
- Nem a minha - disse ela rindo e abrindo a porta.
A sala de estar era grande, dominada por uma imensa lareira com um espelho sobre ela. As paredes tinham prateleiras com livros, e ele viu pelo menos seis exemplares virados para baixo sobre a mobília. Pegou um sobre a poltrona mais próxima: uma antiga tragédia de Sófocles. O último best-seller estava sobre o outro braço da poltrona.
- Você tem um livro para cada cadeira - comentou, divertido.
- Gosto de ler conforme meu estado de espírito. -Ela tirou os sapatos e colocou-os num canto da sala. -Ah, isto é o paraíso.
Ele passou a mão pelo manto trançado sobre o espaldar da poltrona, que também tinha uma almofada de seda pura. Ela era tanto sensual quanto intelectual. Apesar de ter feito sexo numa despensa de museu de arte, ela era, sem sombra de dúvida, uma mulher refinada.
- Quero que você me toque como está tocando esta manta.
Gina o olhava com intensidade, excitando-o ainda mais. Já tinha ficado excitado no táxi e no bar. Na verdade, desde que pusera os olhos nela. Como se seu corpo estivesse querendo tirar o atraso de sete meses de abstinência.
Harry afastou-se da poltrona e aproximou-se de Gina, o suficiente para sentir o aroma de maçã fresca. Tocou-lhe os cabelos. Experimentou a textura macia e depois acariciou a elegante linha do pescoço. A pele dela era dourada e incrivelmente macia.
- Basta você me tocar e me sinto como que incendiada - disse ela.
- Quero fazer mais do que isso - murmurou ele. -Estou tentando decidir se jogo você sobre o sofá e a tomo de imediato, ou se a levo para o seu quarto e faço amor tão lentamente quanto sei.
- E qual é a escolha?
Harry podia sentir o coração dela acelerado, como se suas palavras tivessem sido uma injeção de adrenalina. Seu próprio coração batia descompassado.
- Lentamente.
A maneira como Gina umedeceu os lábios com a língua o informou que ela havia gostado da decisão.
- Onde fica seu quarto? - perguntou ele.
- Lá.
Mas ela não se mexeu, continuando a fitá-lo com aqueles olhos castanhos, enquanto ambos sentiam que o ar ficava cada vez mais carregado de desejo.
Harry lembrou-se de como a agradecera depois que fizeram amor na despensa, e o quanto se sentira inacreditavelmente feliz.
- Leve-me para lá.
Gina sorriu, pegou-lhe a mão e conduziu-o ao longo de um pequeno corredor. Gravuras coloridas emolduradas cobriam as paredes. Apesar de Harry estar ansioso para alcançar o quarto, parou para ver as figuras. Eram cartazes e sinopses de peças, com assinaturas e dedicatórias rabiscadas sobre o papel. "Obrigado. Eu não poderia ter feito isso sem você, srta. Weasley."
- Humm, devem ser de todas as peças que você fez na escola.
- Sim, é uma tradição.
"Srta. Weasley, você é sensacional!", estava rabiscado em estilo grafite na frente de uma sinopse de West Side Stoty.
- Você deve ser uma excelente professora - comentou Harry.
- Gosto de arte dramática - respondeu ela, puxando-o pela mão. - O quarto fica ali.
Embora parecesse autoconfiante, Gina continuava negando ser uma boa professora.
As curvas do corpo delicado e o meneio do vestido à sua frente fizeram-no sentir a ereção pulsar dentro da calça jeans.
O quarto estava inundado da luz do sol da tarde de verão.
As paredes eram pintadas de amarelo-clarinho e a cama estava coberta com lençóis de linho branco. Como ela, tudo era brilhante e cheio de vida. Uma grande mala cor-de-rosa jazia no meio do quarto.
- Indo para algum lugar? - perguntou ele.
- Meus planos de viagem foram cancelados quando recusei a proposta de casamento.
Ele a provocara a esse respeito antes, mas ali, no apartamento de Gina, onde estava rodeado de sua personalidade, aquilo parecia mais real.
- Você está bem?
- Sim, estou bem. Eu já sabia que o relacionamento estava fadado ao fracasso. Mesmo antes da proposta. - Ela suspirou. - Somente fiquei triste por decepcioná-lo.
- Venha aqui. - Harry a puxou para os seus braços.- Você não vai me decepcionar - murmurou, beijando-a na testa enquanto o corpo de Gina fundia-se no seu. - Você vai me dar exatamente o que quero.
-É exatamente isso que eu desejo. - Ela deu-lhe um beijo rápido nos lábios, uma promessa de prazer. - Primeiro, quero vê-lo sem roupa alguma, o que não foi possível na despensa da galeria.
Afastando-se, sentou-se na cama, e o encarou.
Ele sorriu, então tirou a camiseta e jogou-a sobre a mala de Gina. O rosto dela adquiriu uma expressão felina de prazer sensual. Harry observou aquele olhar, passando a mão pelo seu peito e barriga, depois descendo para onde sua excitação era óbvia dentro da calça jeans.
Sentiu o corpo em chamas. Geralmente, preferia despir a mulher. Tirar as próprias roupas era definitivamente secundário. Mas a admiração de Gina em relação ao seu corpo era pura sedução. Desamarrou as botas lentamente porque estava se deliciando em ser observado por aqueles olhos sedentos.
- Adoro a maneira como você se move - murmurou ela. - Não pude tirar os olhos de você na galeria.
Harry desafivelou o cinto e tirou a calça jeans, ficando de pé diante dela, enquanto Gina mordiscava os lábios com o semblante perverso.
- Venha aqui - convidou ele, estendendo-lhe a mão. Ela o abraçou tão apertado que pôde sentir, através do vestido, a excitação dele. Ele acariciou-lhe as laterais do corpo, avaliando as curvas por baixo do vestido e imaginando como seriam. Nesse meio tempo, Gina estava explorando seu peito, brincando com os pêlos sedosos, produzindo calor onde quer que tocava.
Harry a beijou. Dessa vez foi um beijo plácido, em contraste com os beijos frenéticos que haviam trocado na galeria. Os lábios femininos eram carnudos e luxuriosos, e tinham gosto de maçã madura. Beijá-la seria algo mais que perfeito quando suas peles se tocassem.
Gentilmente, Harry tirou-lhe o vestido por sobre a cabeça. Então, Gina ficou nua, como viera ao mundo. Ele a olhou, encantado com a pele dourada, os seios firmes e perfeitos. As pernas eram bem torneadas, e os quadris, curvilíneos. Os olhos castanhos brilhavam, cheios de desejo.
- Gina, você é linda - sussurrou ele, sentindo que a palavra não podia descrever seus sentimentos. Porque ela não era somente bonita, era um milagre, quase uma deusa.
- Harry, você ainda está vestido.
Ela removeu-lhe a cueca, ajoelhando-se enquanto fazia isso. A leve fricção das mãos delicadas sobre a sua pele era incrível.
- Estou tão feliz por ter ido à National Gallery, e não ao Museu Tate.
Ele não pôde deixar de rir. Mas o riso cessou quando sentiu as mãos de Gina brincando com sua masculinidade enrijecida.
- Oh, Gina. - Harry fechou os olhos, lutando para se controlar. - Assim você me mata. Não se esqueça de que estou há meses em abstinência.
Então abriu os olhos e a viu ajoelhada diante de si, o corpo nu e delgado, a língua rosada lambendo seu baixo-ventre. Sabia que não era a abstinência. Era aquela mulher. Ela o excitava mais do que qualquer outra mulher que conhecera.
- Gina - suspirou ele, segurando-a pelos ombros. - Você tem de parar com isso ou subirei pelas paredes.
Ela riu e lambeu-o uma vez mais.
- Então venha aqui, meu menino. - Gina caiu de costas na cama, o belo corpo espalhado sobre os lençóis de linho.
Harry deitou-se a seu lado, e começou a acariciá-la com mãos hábeis. Quando tocou seus seios, ela gemeu e sorriu, sabendo que ele não era o único que estava à beira da paixão. Ele afagou os seios, depois baixou a cabeça e beijou um dos mamilos. Sugou-o gentilmente, enquanto Gina enterrava as mãos nos cabelos dele e gemia de modo descontrolado.
- Harry - sussurrou, olhando-o fixamente.
- Aqui você pode até gritar se quiser, a menos que tenha vizinhos puritanos.
- Meus vizinhos vão ter de se acostumar com isso - disse ela, puxando-o pelos ombros para beijá-lo.
- Assim eles terão o que falar - concordou ele, começando a beijar todo o seu corpo.
As pernas de Gina apartaram-se e, com cuidado e gentileza, Harry tocou-a com a ponta da língua. O gosto dela era precioso.
Gina emitiu um gemido rouco de prazer, e arqueou os quadris em direção a ele.
- Harry - implorou. - Pare de me torturar.
- Grite mais alto. Acho que os vizinhos ainda não estão te ouvindo.
- Você está me deixando louca! - gritou ela.
- Assim está melhor. - Ele a recompensou com uma incrível carícia da língua no centro da feminilidade.
- Sim! - gritou ela novamente. - Sim! Mais!
A paixão nas palavras e a agitação do seu próprio corpo o informavam que ela estava perto de atingir o clímax. Ele sorriu e continuou com as carícias.
Gina atirou a cabeça para trás e segurou o edredom, torcendo-o, enquanto tremia em espasmos num poderoso orgasmo.
E então, puxou-o para beijá-lo, o rosto corado e os olhos brilhando pela risada.
- Não acredito que você realmente me fez gritar - murmurou ela, rindo.
- Você adorou isso.
- Sim. Adorei. Eu disse que lhe daria qualquer coisa se você me proporcionasse orgasmos múltiplos.
- Você deveria começar a fazer uma lista - provocou ele.
Ela afastou-se, rolou na cama e pegou um preservativo na gaveta do criado-mudo.
- Deite-se enquanto eu coloco e prometo que isto não doerá nem um pouco.
- Você é magnífica - elogiou ele. - Não é tímida para nada?
- Perda de tempo ser envergonhada. Se quero uma coisa, luto por isso. O mesmo quando quero uma pessoa. - Ela piscou e segurou-lhe o sexo nas mãos.
Havia mais coisas que Harry queria perguntar. Queria saber se ela lidava com tudo na vida da mesma maneira que lidava com sexo. Todavia, com aquele corpo sensacional posicionado sobre o seu, os seios firmes em suas mãos, não podia se concentrar em nada, exceto em Gina e no presente.
Ela mudou de posição e, sem tirar os olhos dele, guiou-o para o seu interior. Bem devagar, permitiu-se ser penetrada, enquanto o prazer crescia em ondas alucinantes, até que ele estivesse nela completamente.
A visão de Harry ficou difusa. Era bom demais, melhor ainda que da primeira vez.
- Gina, isto é maravilhoso - sussurrou.
Ela fechou as pernas, comprimindo-o dentro de si. Harry pensou que tinha valido a pena esperar sete meses sem sexo. Não tinha dúvida de que aquela era a experiência mais fantástica que já tivera na vida.
Então Gina sorriu e o prazer se intensificou ainda mais. Por um momento, ela ficou quieta, deixando seus corpos suados se acostumarem com a posição excitante.
- Estas férias estão sendo melhores do que esperei - comentou ela, começando a se mover sobre ele num ritmo absolutamente erótico e delicioso.
Harry pensou que enlouqueceria com tamanho prazer. Como aquele ato podia ser tão intenso?, perguntou-se, atordoado.
- Você deveria ver seu rosto agora - disse ela, acelerando o ritmo dos movimentos.
- Por quê?
- Você parece um homem no paraíso.
- Estou no céu e vejo um anjo endiabrado me suspendendo no infinito com suave ternura e sensualidade.
Ele segurou-lhe os quadris para apressar os movimentos, porque, pela respiração de Gina, sabia que ela estava próxima de outro clímax, e dessa vez queria acompanhá-la.
- Você é terrivelmente sexy - sussurrou Gina, jogando a cabeça para trás. Ele sentiu o primeiro espasmo do clímax feminino, e então ela caiu sobre o corpo dele, agarrando-lhe os cabelos com desespero e beijando-o com paixão.
Harry atingiu o próprio orgasmo em seguida, e mal pôde conter um grito gutural. Então, passou os braços em volta de Gina e segurou-a forte. Fechou os olhos e sentiu as batidas do coração de ambos em harmonia.
Ela se aninhou em seus braços. O momento era perfeito. Gina era a mulher perfeita, parecendo ter sido feita para ele. E Harry nunca se sentira tão pleno antes.
Nunca sentira nada nem mesmo remotamente parecido, e sabia o que aquilo significava. Aquela mulher, Gina Weasley, que havia aparecido na sua vida ao acaso, era alguém por quem poderia se apaixonar. Perdidamente.
- Foi sensacional. - Gina suspirou feliz, deitada agora a seu lado, alisando-lhe o peito e brincando com seus pêlos. - Você é muito bom neste departamento. Aposto que já teve algumas mulheres.
- Muito mais do que algumas. E nenhuma delas foi como você.
- E nunca ficou tentado a ter um relacionamento permanente com alguém?
Ele levantou e se recostou na cabeceira da cama.
-Não. Nunca fiquei tentado. Perdi todos que amei.
Apaixonar-se por alguém seria como pedir para ser machucado repetidas vezes.
- Então você prefere não se apaixonar para não perdê-la?
- Exatamente.
- Isso faz sentido. Ouça, está com fome?
Harry riu.
- Você é a pessoa mais imprevisível que já conheci.
- Isto é porque não me conhece muito bem ainda. Sou dada a gratificações físicas. Totalmente previsível. Quer sair para comer ou prefere pedir alguma coisa por telefone?
Harry aninhou-a contra o seu corpo. Não era boa idéia passar muito tempo na companhia de Gina. A cada momento, gostava mais dela.
Lembrou-se do que ela havia falado de "compromisso perigoso". A idéia parecia absurda. Entretanto, muitas coisas do que vinha vivendo nos últimos sete meses pareciam absurdas. Vender os negócios que havia, juntamente com Cedrico, trabalhado tão duro para estabelecer. Mudar-se para a Inglaterra por causa do bebê. Não se interessar em absoluto por sexo até ver Gina em frente a um Botticelli.
Era absurdo, mas era verdade. E esta era a razão pela qual precisava se afastar daquela mulher, antes que ficasse "perigosamente compromissado".
- Gina, sinto muito, mas...
Ela se esticou na cama, como uma gata, e bocejou.
- Desculpe - disse, sorrindo. - Você me desgastou, menino.
- Vamos pedir algo aqui. Gosta de comida chinesa? - perguntou ele. - Podemos comer na cama. Há muitas coisas que ainda quero fazer com você.
Uma noite a mais de prazer total, e então, na manhã seguinte, Harry partiria.