CAPITULO 132 – ADEUS AO FUTURO
A manhã de quarta-feira nasceu cinzenta.
Rony abriu os olhos e procurou por Hermione ao seu lado da cama, não encontrando nada além de lençóis vazios.
Um princípio de pânico alarmou-se dentro dele. Olhou em volta, até avistar a imagem adorável de um traseiro aparecendo por de trás do tecido quase transparente contra a luz.
Ela estava de pé, olhando através da cortina da varanda, por onde os primeiros raios do sol entravam e ardiam sobre seus cabelos castanhos. E sua camisola, transformando o tecido em algo muito fino.
Admirou os cabelos soltos, tão macios e sedutores. Admirou o contorno das costas, dos quadris, e quando ela se voltou, talvez atraída pelo seu olhar, admirou o contorno forte do seu queixo, onde havia uma sombra de teimosia nas curvas e, sobretudo admirou o trabalho de Deus ao mudar suas curvas, sua barriga que crescia, e seus seios que se enchiam de leite, para alimenta o filho que nasceria.
-Acha que a viagem será tão boa quanto a que fizemos? – ela perguntou com voz mansa, soltando a cortina e deixando uma agradável penumbra em todo o quarto.
-Hermione...
-Apenas não fale sobre isso – ela disse rápida. – Tinha razão, não era algo que deveria saber nesse momento – ela tocou a barriga olhando para ela, como quem vê algo muito bonito e precioso. – Preciso saber se corro algum risco na fazenda. Se estou protegida ou não.
-Estará protegida – garantiu sentando na cama, fitando-a com profundidade. – Adolph fará sua segurança pessoal. Haverá outros protegendo a casa, e não sairá sozinha, ao menos enquanto não puder se proteger sozinha.
Ela concordou com um movimento da cabeça.
-Meu pai falou sobre... Sair do país? – angustia estava estampada em sua face, e ele queria poder tranqüilizá-la.
-É uma possibilidade. – assegurou – Não me agrada, e sei que a desgosta. Mas pense na criança.
-Eu penso. – admitiu.
-Nada é tão terrível que possa causar sua tristeza, Hermione. – ele procurou animá-la – Voltaremos para casa. Daremos um jeito de superar tudo isso.
-Simples assim?
-Nada é simples na vida, Hermione. Mas não podemos nos entregar ao desespero diante de cada problema ou sofrimento. A vida é cheia de momentos difíceis. Temos que enfrentar.
-E se ela conseguir? – perguntou.
-Não vai conseguir. – garantiu.
-Conseguiu uma vez. Não morri por sorte! – exasperou-se.
-Sim, mas naquela ocasião não havia ninguém por você. Estava sozinha no mundo, cuidando de toda uma família! Não havia apoio ou dinheiro. Hoje, não será tão fácil atingi-la.
-Promete? – a pergunta escapou, e ela mesma maneou a cabeça – Não, não prometa. Não pode prometer algo assim!
-Deveria prometer – ele se aproximou puxando-a para a cama, sentada pertinho dele. – Ao menos para aliviar o peso no seu coração.
-Nada pode aliviar o peso que está no meu coração – foi sincera – tudo seria tão diferente se o conde houvesse recebido a carta da minha mãe...
-Sim, tudo seria diferente. – envolveu seus ombros com seus braços e beijou-a várias vezes no rosto, na testa e no pescoço, fazendo-a rir mesmo sem querer. Hermione estava recostada contra seu peito, e acariciou seu braço. Sua outra mão circulava a barriga numa carinhosa massagem, enquanto mantinha a cabeça contra seu peito. – Teríamos nos conhecido quando o conde a trouxesse para Londres, como era vontade do seu pai. Teríamos nos apaixonado, mas ele não iria querer um pé rapado de genro, então, teríamos que fugir e nos casar escondidos. Já imaginou?
-E porque eu me apaixonaria por você? Poderia me apaixonar por outro! Harry, por exemplo.
-Porque se lembrou de Harry? – uma ruga de preocupação a fez rir.
-Porque estou gigante e quero sua atenção.
Seu risonho não poderia ser mais doce e mais bem vindo no coração de Rony. Tinha o secreto medo, que desabasse com a revelação sobre a morte da sua família.
-Tem toda a minha atenção – ele mordeu sua orelha e ela gemeu baixinho – Tanto, que se não levantarmos agorinha, ficaremos presos aqui e perderemos o trem...
-É mesmo? – ela correu as unhas pelo braço dele, e Rony se arrepiou.
Passos no corredor, atraíram a atenção dos dois, e ele foi o primeiro a rir.
-Estamos indo! - ele gritou.
Era óbvio que era o valete do conde, indeciso sobre atrapalhá-los.
-A vida nos chama – ela disse pensativa.
-Sim, a vida nos chama.
-Sabe o que estava pensando? – perguntou a ele, quando ele a deixou e levantou, procurando pelas roupas que estavam separadas, para serem vestidas para a viagem. – Lembrando, na verdade.
-Não, mas aposto que quer me contar! – ele puxou a tina de porcelana da melhor qualidade para o centro do quarto e entregou-lhe um penhoar – Me conte rápido, antes que eu saia e tome meu banho no outro quarto. Não há a menor possibilidade de entrarmos juntos nessa banheira e não nos atrasarmos!
Ela sorriu, pois tinha razão.
-Estava lembrando-me do trem... Quando me amarrou e amordaçou.
Rony sentiu o sexo pulsar diante dessa lembrança. Iria enrijecer e atrasar a todos eles.
-Não toque nesse assunto, diabinha. Não até o bebe nascer.
-É uma ordem? – seu sorriso aumentou.
-Sim! – apressado ele apanhou as roupas que usaria e disse irritado – Por via das dúvidas, também vou me vestir no outro quarto!
Ele saiu, e um minuto depois uma das empregadas entrava com água para o seu banho. Hermione ainda ria. E quando Gina surgiu no quarto, para ajudá-la no banho, as duas dividiram um momento único.
Gina ajudou a lavar seus cabelos, encantada com suas novas formas.
Imersa em água, sua barriga atraia o olhar de Gina que em dado momento parou de ensaboar suas costas e colocou uma das mãos dentro da água, sobre a barriga, lágrimas nos olhos azuis.
-Gina... - Hermione acariciou seu rosto. – O que foi?
-Eu... Estou grávida. – ela disse, as lágrimas correndo em seu rosto ao dizer isso – Chamei um medico que confirmou. Estou esperando um filho.
-Isso é maravilhoso! – Hermione abraçou-a, e as duas riram, pois a molhou.
-Vou ficar assim – ela dizia encantada, enxugando as lágrimas – redonda desse jeito... Olhava reverentemente para sua barriga, e Hermione tentou não se irritar.
-Obrigada por dizer que estou redonda – disse em tom de riso e Gina ficou envergonhada – Não ser preocupe, estou redonda mesmo.
-Está sim! – Gina confirmou.
As duas riam tanto, quando Rony saiu do quarto de vestir e andou pelo corredor que não teve coragem de entrar e acabar com a festa das duas.
Fosse qual fosse o assunto, era bom que outras coisas ocupassem a mente de Hermione.
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Duas horas depois, finalmente estavam na estação. Um pequena confusão de pessoas tão diferentes quanto água e vinho.
Adolph e Duran dividiriam uma mesma cabine, enquanto Gina fez questão que Anna ficasse com ela na elegantíssima cabine. Era muito grande para alguém solitário, dissera ela.
Depois de algum constrangimento, finamente o conde perguntara se Hermione se ofenderia se ele e Elly dividissem a mesma cabine.
Hermione nem se dera ao trabalho de responder. O valete do conde, completamente deslocado, sem saber ainda porque se fizera necessária sua companhia nessa viagem, surgiu esbaforido e pálido.
Depois de cochichar algo ao conde, eles avistaram um conjunto de pessoas se aproximando a passos rápidos.
-Era só o que e faltava – Rony lamentou.
Correndo na direção deles, no melhor passo que alguém de duzentos quilos e um metro e poucos conseguiria; o Juiz Digory e o Sr. Loren vinham a passadas rápidas, arrastando a pobre Srta. Lily com eles.
-Não me diga que eles... - Hermione nem se deu ao trabalho de esconder o desagrado.
-Quanta sorte! – Digory chegou aos gritos – Quanta sorte! Não nos atrasamos! Quanta sorte!
-Sim, quanta sorte – Rony concordou – Se me permite, para onde vão?
-Ora, meu rapaz! – O Sr. Loren disse em tom de riso, como se achasse ser uma piada.
-Iremos com vocês! Imagem! Preciso dar um corretivo pessoalmente no Juiz Simmos. Não me desceu suas justificativas sobre suas causas em aceitar a falsa denúncia de Lavander Brown!
-Pretende punir o Juiz Simmos? – Hermione perguntou, com algo de feliz na voz, sorrindo tão simpática para o homem, como se visse uma aparição de um anjo ou algo assim – Punição financeira ou fala de...?
-Repreensão formal. Ele responderá a um longo processo. Além claro de pagar por todos os danos causados.
-É mesmo? - ela se apoiou no braço do homem, tão doce quanto alguém muito feliz poderia ser – que agradável que esteja indo conosco! Teremos o maior prazer em recebê-los! Lily! Que bom que estará conosco nessa viagem. Mas conte-me juiz, como exatamente será a punição...
Gina revirou os olhos, achando-a patética.
-Nunca subestime a capacidade de Hermione em nutrir uma boa vingança – Rony disse sem se importar muito
Adolph estava por perto, mas Hermione fingia não notar, enquanto bajulava o juiz.
-Não sei como pude pensar que sua esposa era voluntariosa – O Sr. Loren comentou, encantando com sua candura.
-Sim, impossível – Rony poderia rir a qualquer momento – As vezes, age precipitadamente, mas algo induzido pela gravidez. Acredite no que digo, Hermione é um cordeiro!
-Tenho certeza disso! – ele se envolveu numa animada conversa sobre as multas a juízes que se excediam nos cargos, e quando Rony se deu conta, Hermione já insinuava delicadamente, com ares de boba, que a cidade andava em más condições desde que a prefeitura passara a ser administrada pelo irmão do juiz.
A palavra ‘prefeitura’ e ‘administrada’ numa mesma frase fizeram os olhos de peixe do juiz brilharem ao imaginar os possíveis roubos.
Meia hora depois, Rony achou que bastava de insinuações contra o pai de Susan, e disfarçadamente a afastou deles, aliviado pelo trem estar partindo.
Feliz com sua vingança, ela nem percebera que esse mundo de gente esperava ficar em sua casa. Ô destino!
-O juiz Simmos tem uma casa divina – ela disse antes que ele pudesse conter sua língua – Creio eu, mantida pela prefeitura, e tem uma adorável filha para casar também – ela notou o modo como o viúvo Sr. Loren olhou para ela com atenção e continuou – Um doce de jovem. Não fosse o pai ansioso para casá-la...
A insinuação ficou no ar, e quanto o trem apitou ela olhou para Rony.
Conversar com eles a fizera esquecer um pouco o nervoso e a tensão. Mas agora, ela olhava em volta, apreciando pela última vez as pessoas que iam e vinham.
Já não os via do mesmo modo de antes, quando chegara. As roupas, as cores. O brilho de Londres parecia menos vivo. Mais apagado, diante de todas as injustiças que encontrara ali.
Mesmo assim, seu coração estava partido de deixar Londres para trás.
Rony abraçou-a por trás, ignorando os olhares repreensivos das pessoas que passavam por eles. Beijou sua nuca e sussurrou:
-Londres sempre estará aqui.
-Eu sei disso. – concordou – Não estou mais triste em partir – contou – Estou ansiosa para chegar em casa e ver como tudo está. Quero ver Juanita, os meninos... Ruanzito! Que saudades tenho dele! Quero andar a cavalo e ler a margem do lago. Quero...
-Descansar muito e esperar seu filhote nascer? – sugeriu.
-Sim – virou-se em seus braços, olhando para ele com olhos adocicados – Me trará um dia a Londres? É uma promessa verdadeira?
-Sim, é uma promessa verdadeira – ele lutou contra o impulso de beijá-la.
O terceiro e último apito do trem soou e eles não ouviram.
-Pode ser feliz em qualquer lugar, Hermione. Desde que esteja ao meu lado. – assegurou-lhe.
-E sempre vai estar ao meu lado?
Por trás do seu sorriso de provocação havia fragilidade.
-Sempre que depender de mim estarei ao seu lado, mesmo que não me queira – ele beijou a pontinha do seu nariz arrebitado, e ela o beijou.
No meio da estação, sob os olhares chocados das matronas e cavaleiros antiquados, ela beijou seu marido, escandalizando pela última vez aquela cidade fantástica.
Entretidos naquele beijo, teriam perdido o trem, caso Duran não houvesse colocado a cabeça para fora da janela do trem e gritado seus nomes.
Rony segurou sua mão e a levou apressadamente para dentro do trem. Hermione nem chegou a olhar para trás.
Só tinha olhos para Rony.
Beta: Que coisa mais cute cute. Esse capítulo tá escorrendo mel!!!