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131. REVELANDO O PASSADO


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 131 – REVELANDO O PASSADO


 


 


 


 


 


 


 


A terça feira nasceu nublada. Hermione voltou para casa com o coração apertado. Rony ajudou-a a descer da carruagem, dispensando as gentilezas de Adolph.


Ele teria muito trabalho para trazer todos os pertences para dentro da pequena casa dos Lovegood.


Hermione olhou para a casinha e sentiu um aperto no coração.


Demoraria meses até poder voltar a Londres. Sentiria falta do seu canteiro de rosas. Sentiria falta das cortinas de renda. Sentiria muita falta de dar bom dia para os Lovegood todos os dias de manhã através da pequena cerca que delimitava as duas residências.


Sem bem que, atualmente, Luna estava viajando de lua-de-mel.


Seguiu pelo jardinzinho segurando as lágrimas. Eram seus últimos momentos ali. Prometera passar sua última noite em Londres na casa do conde, e fazer-lhe esse pequeno gosto.


 Todos os pertences haviam sido embrulhados e já se encontravam na mansão Valença.


Mais cedo, haviam estado com Gina para ter certeza que ela estava preparada para a viagem, e que não esquecera nada. Roupas para ela e Harry, afinal, o pobre homem havia viajado só com a roupa do corpo.


Um pequeno sorriso nasceu na sua face ao pensar nos apuros que Harry deveria ter passado, e ainda estar passando com a família Wesley.


Sorriso que não sobreviveu ao entrar na casa e esperar por Rony na sala. Restara apanhar os poucos pertences de Anna e Duran.


Sentia uma dor horrível no peito, ao pensar que talvez nunca mais visse essa casa. Era uma dramatização, um apego exagerado, mas era infantilmente doloroso partir.


No fundo, era consciente que sua dor e seu medo se deviam a essa ter sido uma das fases mais felizes da sua vida. Aprendera a confiar em si mesma. A confiar nas pessoas. Redescobrira seu corpo e sua paixão como algo vital em sua vida. Sobretudo, aprendera a se controlar.


Ou ao menos, vinha tentando.


Fechou os olhos lembrando-se das noites de prazer, dos carinhos trocados, das conversas... Sentiria tanta falta daquelas paredes amarelas!


-Vai chorar outra vez?


A voz paciente de Rony a fez erguer o rosto e concordar com a cabeça. Não conseguia se fazer de forte como antigamente. Roxinne lhe dissera que era assim mesmo na gravidez. Muito choro. Muita emoção.


Esperava voltar a ser a Hermione de sempre quando o bebê nascesse, embora algo lhe dissesse dentro de si, que nada em sua vida seria igual após o nascimento de seu filho.


-Preciso ir ao Rosie Nell. Roxinne pediu que a visse antes de ir embora – ela tentou ostentar um ar de autoridade, mas estava completamente patética.


-Se quiser chorar, não se envergonhe, podemos ficar um pouco aqui – ele sentou-se ao seu lado, paciente e compreensivo.


-Eu gosto de amarelo – ela disse em tom de desculpas, esperando que ele entendesse o que a magoava.


-Vou lembrar-me disso no futuro – passou o braço por seus ombros e ela descansou a cabeça e seu ombro, na curva do pescoço.


-Sentirá falta de Londres? – perguntou após um momento de silêncio.


-Claro que sim. – afirmou – Mas não tanto quanto você. Londres para mim não é uma novidade, e apesar de gostar daqui, essa cidade sempre foi ingrata comigo. Ao contrário do que aconteceu com você. Foi recebida com os braços abertos, Hermione, e acredite que desfrutou do melhor que Londres pode oferecer.


-Mas eu sentirei falta das pessoas – ela defende-se.


-Sim, o que prova o quanto é doce. Atraiu apenas as boas pessoas.


-Não se esqueça do episodio lamentável daquele baile... – ela tentou sorrir e acabar com as próprias lágrimas.


-Malfoy não conta. É um rato. – garantiu.


-Acha que estará tudo bem em casa quando chegarmos?


-Claro que sim. Suarez me escreveu algumas vezes, contando que tudo está em paz. Além disso, passaram-se dois meses, Hermione. Apenas isso.


-Dois meses? Tem certeza? Não foi uma vida toda?


Rony achou graça, e levantou-se.


-Venha, temos muita coisa a fazer ainda hoje. Sei que quer fazer compras.


-Não precisa me acompanhar – se deixou ser conduzida pelo braço até a rua, mas não olhou enquanto ele trancava a casa.


-Não a deixarei sozinha, Hermione.


-Adolph...


-Adolph carrega suas sacolas. Mas quem irá segurar seu braço? Ou dar opiniões?


-Ou atazanar minha vida? - ela sugeriu em resposta a seu excesso de cuidado.


-Isso mesmo – ele sorriu-lhe, causando um arrepiou em sua espinha.


Afastou o olhar para que ele não visse o brilho apaixonado que sabia estar em seus olhos.


Os dois se encararam com iguais sentimentos e paixão no olhar, quando sentaram dentro da carruagem. Hermione foi a primeira a desviar o olhar. Queria olhar para Londres, e não havia melhor oportunidade do que de dentro da carruagem.


Rony não tentou chamar sua atenção, respeitando seu apego a cidade.


 


 


 


Estavam surpresos. Muito surpresos; jamais Hermione imaginaria que a visita ao Rosie Nell terminaria em uma grande reunião. Várias mulheres haviam se mobilizado para dizer adeus.


Eram mulheres simples, que haviam se mobilizado até mesmo para pequenas lembrancinhas. Desde pequenos sapatinhos de bebê tricotados, até um lindo chalé comprado por Roxinne.


-Será difícil esquecermos-nos de você – Roxinne disse quando ficaram sozinhas – Suas opiniões, seus truques na cozinha... – as duas riram – Não achei que fosse possível uma mulher conciliar o amor e a independência, me mostrou que é possível. Estou até pensando em encontrar um namorado.


Hermione conteve as lágrimas e incentivou:


-Precisa ser alguém altivo e orgulhoso. Não vá se apaixonar por um homem submisso. Será um desastre!


-Seguirei seu conselho – ela sorriu com algo triste no olhar – Não se esqueça de nós, Hermione. Escreva quando seu bebê nascer. Escreva sempre, esperarei notícias suas e de sua família. Todas nós esperaremos.


-Sim, escreverei. Mas também quero noticias do Rosie Nell. Não sabe como é triste e solitária a vida... - de repente ela parou, ao notar que falava como se ainda vivesse no passado -... Como era triste minha vida. Tenho receio de voltar a ser infeliz.


-E como poderia? Tem seu marido e terá seu filho. Não há lugar para infelicidades, a menos, que procure por elas.


-E como evitar procurar pela infelicidade? É só o que conheci minha vida toda – foi sincera.


-Tem certeza? – ela perguntou sorrindo diante de sua confusão.


-Eu... - não ousou responder.


Seria felicidade o que sentia em sua nova vida, a vida de casada?


Estava preparada para abrir seu coração quando a interrupção de Rony a calou.


-Precisamos ir. O conde deseja sua presença para o jantar – lembrou-a, cumprimentando educadamente Roxinne.


Hermione sempre estranhava vê-los próximos, como conhecidos, sabendo que haviam sido amantes.


-Sentirei muita falta do Rosie Nell. – Hermione disse ao se despedir.


Roxinne era uma mulher expansiva, e Hermione achou que sufocaria em seu apertado abraço.


Rony se apressou a conduzi-la para fora, em direção as lojas, onde ela desejava fazer compras. Não que desagradasse de seu apego ao Rosie Nell, mas sentia um pouco de ciúmes de sua atenção e esmero pelo lugar.


Infantilidade, mas sentia-se excluído.


Eles percorreram diversas lojas, olhando produtos e presentes. Hermione era mão fechada e não se intimidava em reclamar se os preços estivessem abusivos.


Em dado momento, Rony achou que viu a dona de uma loja sair para chorar, intimidada. Mas não disse nada a Hermione.


As mocinhas de Londres não tiveram tempo suficiente para se habituar a sua impertinência e decisão.


Ele mesmo tremia nas bases quando ela lhe dirigia aquele olhar sujo. Como agora, vendo-o passar os dedos sobre uma roupa de bebê. Era cor de rosa.


-Espero que não esteja pensando em levar presentes para a filha daquela mulher – sua voz soou normal, mas seu olhar... Revelava toda sua indignação.


-Lilá? Não mesmo. Quero que aquela cobra morda o próprio rabo e se exploda – disse convicto – Penso se for uma menina, não terá nenhuma peça cor de rosa.


-Não será uma menina – olhou para ele, como se duvidasse do seu juízo – Eu sei que é um menino.


-Sabe? – ele duvidou. – É uma certeza ou uma esperança?


-Nem uma coisa nem outra. Eu sonhei que era um menino. Pronto.


-Sonhou? E desde quando esse é um argumento lógico?


-Minha mãe sempre sabia o sexo dos bebês. Sempre! – frisou a última palavra – e nunca se enganou.


-E por isso correrei o risco de ver minha filha usando esporas e calças?


-Se for menina - ela revirou os olhos – teremos bastante tempo para nos preocuparmos com vestidos!


-Todas as peças que comprou são azuis, Hermione!


-Sim, e acha que para um bebê isso faz diferença? Além disso, comprei amarelo, branco, verde... Tem muitas outras cores.


-Eu quero levar esse xale cor de rosa. Só por garantia.


-O dinheiro é seu. Faça como quiser – ela disse rancorosa. Principalmente quando ele pagou pela peça e esta foi embalada e entregue aos seus braços.


-Ser for uma menina, vai rejeitá-la? - ele perguntou quando finalmente terminaram as compras e descansaram dentro da carruagem.


-Que pensamento! É claro que não! – ficou arisca.


-Seja sincera – ele mandou, com repreensão na voz.


-Uma mulher é tão mais frágil que um homem. Eu sei, terá muitas pessoas para protegê-la caso... Algo acontecesse. Mesmo assim, sempre seria frágil perante a sociedade.


-Se nascer uma menina, irei me certificar que ela tenha bens em seu nome, e apenas em seu nome, para que ninguém jamais possa atormentá-la. Isso a acalmara?


-Sim – aliviada, sorriu para ele – De qualquer forma, continuo tendo certeza que é um menino.


-Que seja um menino então!


Hermione nem se deu ao trabalho de responder. Seu bebê chutava com força, e ela às vezes ficava indisposta quando isso acontecia.


Aquele bebezinho seria uma centopéia. E tinha chutes poderosos, principalmente quando se movia, e ficava sobre sua bexiga. Como agora.


-O que foi? – ele preocupou-se diante do seu silêncio.


-Seu filho está comodamente sentado sobe minha bexiga, e preciso urgentemente ir ao banheiro – acusou sorrindo.


-Chegaremos em poucos minutos – garantiu-lhe achando graça.


-Não ria de mim – pediu apenas para incentivá-lo a sorrir.


Rony tinha um sorriso tão vivo e bonito que a fazia suspirar. Tímida, ela afastou o olhar, esperando que não notasse sua emoção sempre que sorria para ela daquele jeito vivo e apaixonado.


Em momentos como aquele, sentia uma compulsão de dizer-lhe como se sentia. Uma vontade quase incontrolável de dizer ‘eu te amo’.


A garganta se fechou, quando e emoção dessa constatação a pegou de surpresa. Não tinha dúvidas do sentimento dele. Ou tinha?


Às vezes achava que sim. Se não estivesse grávida, talvez não se emocionasse tanto com um simples pensamento!


Estava completamente perdida em seus pensamentos quando aconteceu.


Um barulho ensurdecedor e a carruagem se descontrolou. Hermione foi jogada do banco e caiu no chão da carruagem. Rony imediatamente se colocou entre ela e a porta, quando a carruagem tombou.


O som não acabava nunca, e os gritos de Adolph tentando controlar os cavalos eram misturados aos gritos de outras pessoas na rua.


Estavam sendo arrastados ladeira abaixo, pelos cavalos descontrolados.


Hermione não gritou, completamente em pânico, as mãos tentando proteger a barriga de qualquer batida. Quando um dos bancos da carruagem soltou-se e caiu sobre eles, ela achou ter ouvido um ganido de dor, mas não se preocupou, o instinto obrigando-a a cuidar e proteger seu bebê.


Suas costas estavam doendo, batendo com força contra a porta da carruagem, e que a essa altura era arrastada contra o chão. Aos poucos foram parando, e com um gemido de dor, Rony sentiu que finalmente estavam em segurança.


Lá fora, Adolph livrou a carruagem dos cavalos, em pânico deles seguirem arrastando-os rua a fora. Com toda sua impressionante força, arrancou a porta da carruagem, e a seguir o banco de metal que estava retorcido sobre Rony.


Seus olhos verdes procuraram pela patroa, a doce mulher que o tirara da pobreza e mendicância, e a encontraram protegida num cantinho, nos braços do marido.


Livre para se mover, Rony saiu de sobre Hermione e não impediu Adolph de tirá-la de dentro da carruagem antes dele.


Uma dor afiada corria suas costas, onde o banco de metal havia acertado com força e precisão.


Adolph deixou-a nos braços de uma velha senhora que correra para acudir, e que apoiava a trêmula jovem grávida, enquanto o homem gigantesco ajudava a rapaz a sair da carruagem destruída.


Hermione segurava sua barriga apavorada. Olhava para Rony enquanto este firmava as pernas, achando que a dor não era tão forte assim, agora que estava se movendo. Ele se recuperou, a cabeça doendo de uma batida que nem percebera na confusão toda.


-Está sangrando... – ela disse, uma das mãos trêmulas, tocando sua testa, onde um filete de sangue corria por entre os cabelos vermelhos.


-Não é nada. Como está? – ele olhou para sua barriga e então para seu rosto.


-Assustada – ela confessou a beira das lágrimas.


Não era fato comum confessar a própria fragilidade, e Rony abraçou-a beijando sua testa.


-Sente alguma dor?


-Não – ela se agarrou a sua camisa, escondendo o rosto em seu pescoço.


-Vamos sair daqui - ele disse apreensivo – O que aconteceu, Adolph?


-Uma pedra senhor – ele disse confiante, apesar de pálido – Uma pedra foi arremessada por um garoto. Uma pedra muito grande, foi só o que vi. Quebrou a roda, e estávamos descendo a ladeira...


-Uma pedra. Um acidente? – Rony perguntou a si mesmo, mas a resposta era verdadeiramente óbvia.


-Vou buscar uma carruagem - Rony disse soltando Hermione.


-Mas senhor... – Adolph não compreendeu.


-Não deixe nada nem ninguém se aproximar de Hermione. Leve-a até a casa de chás – ele apontou a refinada casa de chás do outro lado da rua.


-Vai me deixar? – ela perguntou chocada demais para dizer qualquer outra coisa.


-Por uns instantes – ele beijou novamente sua testa. - Apenas por alguns instantes.


Hermione o viu se afastar a passos rápidos, e foi guiada por Adolph até a casa de chás, recebendo uma xícara de chá, para se acalmar.


-A senhora me perdoe pela ousadia – Adolph disse, sentando junto à mesa, completamente desconfortável naquele ambiente delicado e feminino. – Mas posso proteger a senhora mais facilmente que seu marido.


-Me proteger? Contra o que?


-Pode ter sido um acidente. Ou não – ele apenas concluiu.


Trêmula ainda, ela bebeu um gole do chá.


-Podia ter ferido meu bebê – ela disse com a voz tremendo.  – Rony não deixou que nada me atingisse...


-Sim – ele concordou – bom homem seu marido.


-Sim. – ela precisou engolir mais chá para engolir o choro, enquanto a dona do lugar a enchia de paparicos, pois era a filha do conde.


Meia hora depois, mais calma, embora ainda controlasse o choro, a imagem do conde entrando pelo estabelecimento acabou com sua resistência.


Levantou-se e se atirou em seus braços, chorando.


 


 


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-Não há indícios ou testemunhas de não ter sido um acidente – Rony falava em tom baixo quando Hermione desceu do quarto e encontrou-se com eles na saleta íntima, a preferida do conde.


Espertamente, ficou ouvindo atrás da porta.


-É claro que não foi um acidente – o conde parecia transtornado.


Não era seu feitio ouvir atrás das portas, mesmo que esta estivesse parcialmente aberta, esperando por ela. Mas dada as circunstâncias...


-Sim, do mesmo modo que a surra de Hermione e a sua queda da escada, também não foram acidentes – Rony concluiu.


-Para o bem de todos, é melhor sairmos de Londres o quanto antes – o conde virou uma taça de vinho de uma vez só, e fez sinal para seu fiel valete trazer mais.


-A única coisa que dará fim a essa agonia, será colocar as mãos sobre essa mulher! As autoridades não têm noticias dela, e nem os investigadores particulares – Rony bebeu seu uísque nervoso – Ao menos na fazenda tenho como protegê-la! Saímos pouco de casa, e meus empregados serão bons seguranças, estão acostumados a usar armas. – sua expressão detonava sua impaciência com essa situação – Não é uma situação que possa perdurar. Se não apanharmos essa mulher...


-Eu sei – o conde entendeu onde ele iria chegar – Teremos que levar Hermione para outro país. Não há outro modo de garantir sua segurança, e a segurança do meu neto.


Rony riu com ironia.


-Acha que irei tirar de Hermione tudo que ela ama? Eu mesmo vou procurar essa mulher!


-Sim, e minha filha ficará muito feliz em permanecer onde ama, com o marido morto. – o conde ironizou.


Os dois estavam prestes a entrar em uma discussão sobre o que era melhor para ela, quando Hermione abriu toda a porta e entrou.


-Do que estão falando? – perguntou direta; os olhos fixos em Rony.


-Nada que deva saber nesse momento – ele disse com seriedade.


-Por causa da gravidez? – ela o enfrentou – Saber pode me afetar? Afetar mais do que ser jogada de um lado para o outro dentro de uma carruagem desgovernada?


O conde e Rony trocaram um olhar que a enfureceu. Fervendo, se aproximou de Rony e segurou seu rosto, fazendo–o olhar em seus olhos.


-O conde pode mentir para mim. Você não.


Essa verdade o quebrou. Ela estava coberta de razão. Segurou a mão que o tocava, quase como se o agredisse e segurou entre suas mãos, perguntando diretamente, sem rodeios:


-É capaz de enfrentar seu passado e não se abalar?


-Sou – admitiu, preocupada.


-E é capaz de não abalar seu filho? – baixou os olhos para sua barriga.


-É tão sério assim? Quem pode ter interesse em me matar? – horror transbordou em sua voz.


-Minha ex-mulher - foi o conde quem respondeu.


-Eu nem a conheço! – encarou o pai com surpresa.


-Nosso casamento já havia acabado a muito tempo, ela esperava apenas a minha morte para ser herdeira. Ou talvez, apressasse a natureza, quando descobriu que eu tenho uma filha. – ele contou.


A expressão de Hermione era muito clara. Rony a conhecia bem o bastante para saber que era inteligente demais para não entender o que se passava.


-Quando Elly chegou a Londres, sua dama de honra a atacou, ainda no porto e se fez passar por ela. É uma longa história, teremos tempo para falar disso mais tarde, quando estivermos mais calmos. Margarite De Hart assumiu o lugar de Michelle. Foi ela quem recebeu a carta que sua mãe me escreveu.


A essa altura Hermione havia deduzido todo o resto. Notando sua palidez, Rony enlaçou sua cintura.


-Conde – ele disse em tom de aviso – Hermione já entendeu.


-Entendeu?


-Ela mandou matar a minha família – ela não tinha quase voz.


-Não. Ela mandou assassinar a minha filha, e quem mais fosse preciso – agora que começara iria até o fim – Sua irmãzinha, acreditou que era você.


-Eu não acredito nisso...


-Quando a vi, tive a certeza que era um milagre – ele tentou se aproximar, mas ela se afastou, soltando-se das mãos de Rony também.


-Há quanto tempo sabe? – ela perguntou em tom de acusação para Rony.


-Desde a chegada do conde a fazenda – foi sincero – não podia lhe contar. Não com uma gravidez no começo. Hermione, sabe muito bem porque não contei antes!


-É claro que sei – havia tanta mágoa em sua voz, e seus olhos brilhavam com tanta dor que ele sentiu-se inútil. – Falavam sobre o homem que me atacou. Era apenas um bandido. Um ladrão!


-Margarite contratou dois assassinos. Um achou seu destino quando o matou. O outro fugiu.  – Rony explicou tentando se aproximar, e ela se afastando.


-Acha que ele ficou na cidade? Que descobriu que eu estava viva? – incrédula, olhava para seus olhos compadecidos.


-É possível. Ou não. Talvez tenha sido apenas uma coincidência. – ele admitiu. – Hermione, não se afaste.


-Não quero ser consolada! Quero a verdade! – ela jogou em sua cara, o peito oprimido por descobrir essas coisas terríveis.


-A verdade é que ela foi atrás de mim - o conde disse com a voz triste – Por isso tive que partir daquele modo. Levei-a comigo, mantive-a cativa durante vários dias, procurando um hospício para enfurnar aquela demônia! Não tinha provas de seus crimes. Mas ela fugiu. Conseguiu escapar e me atacou. Por sorte, torci o tornozelo apenas. Desde então, tenho procurado-a incansavelmente!


-Quando chegamos, e passou dias fora de casa... Foi procurando-a? – havia acusação quando perguntou a Rony.


-Sim. Não havia mais ninguém de confiança para fazê-lo, infelizmente, ela escondeu muito bem seu rastro.


-Seu rastro... – sentindo uma súbita fraqueza, ela estendeu os braços em direção a Rony como quem pede apoio e se deixou conduzir até o sofá, desabando sobre ele.


-Hermione, estamos fazendo de tudo para encontrá-la.


-E isso é o bastante? – fitou seus olhos em busca de respostas – Poderíamos ter morrido! Era isso que ela queria? Me matar?


-A essa altura, acreditamos que ela queira matar a nos três – ele pousou sua mão sobre o ventre, incluindo o bebe nessa perversa conta.


-Eu não entendo...


-Se eu morrer herdará minha fortuna. Meu casamento com essa cobra não é legitimo. Como minha filha será minha herdeira. Se eu morrer antes de você, Rony será seu herdeiro, assim como seu filho. Por isso, ela precisa eliminar os herdeiros antes de me matar. – racionalizou com um forte amargor em sua voz.


-Minha família estaria viva se eu não existisse...


As palavras mal saíram de sua boca, Rony abraçou-a.


-Não diga isso! Não se culpe por algo que outra pessoa é responsável!


-Mas é verdade! Se eu tivesse morrido primeiro... Todos estariam vivos!


-Santo Deus! – o conde amaldiçoou bebendo mais vinho, inconformado – Quando puser minhas mãos sobre essa mulher, eu a mato! Quanto dor causar a minha filha! Quanta dor!


-Hermione, olhe para mim – Rony pediu, segurando seu rosto e fitando seus olhos, por onde pesadas lágrimas corriam – Não pode se culpar pelas atitudes das outras pessoas. Não é responsável pelas decisões e ambições de pessoas as quais sequer conhece! Sua família foi vítima de uma pessoa perturbada pela ambição desmedida, ou até mesmo a loucura. Está me entendendo?


-E porque não me contaram antes? - ela perguntou, sem afastar os olhos dos dede.


-Porque iria te magoar. Ferir. – acariciou seus cabelos e sua face, querendo achar um modo de explicar – É tão bonito vê-la florescendo, Hermione. Não quero que essa confiança, que essa felicidade morra com suas sombras do passado.


-Eu...


Seus olhos brilhavam intensamente, e ela baixou o rosto, chorando. Ele tinha razão. Toda a razão do mundo.


-Diga que entende nossa decisão de não lhe contar nada – ele pediu, apavorado com a idéia de Hermione se recolher naquele seu mundinho de dor e sofrimento, e o excluir de sua vida novamente.


-Eu não quero mais ouvir – ela tentou se afastar, agoniada.


-Hermione! – segurou-a pelos braços, obrigando-a a encostar a cabeça em seu peito.


-Minha família! Minha família não devia ter morrido! – agarrou-se a sua camisa, apertando o tecido enquanto chorava – Tudo por causa de dinheiro! De poder! Eu não queria nada! Não quero nada disso! Ela que fique com tudo! Eu só queria a minha família de volta!


-Não diga isso, Hermione. Eles partiram, mas seu pai está aqui. Está vivo, e não merece ser magoado ainda mais.


-Eu sei – murmurou fechando os olhos para não ver mais nada.


Por algum tempo ele a manteve abraçada ao seu peito, consolando-a com palavras doces, enquanto o conde bebia em seu canto, tão ferido quanto é possível um homem estar.


Rony tinha que ser calmo e forte, para amparar seu pequeno passarinho que estava chorando em seu colo. Tinha que apoiá-la e mantê-la inteira, mesmo que isso cortasse seu coração.


Hermione foi se acalmando aos poucos, e suas mãos que o abraçaram subiram, com isso tocando suas costas. Ele não conseguiu esconder um gemido.


-Está machucado? - ela perguntou se afastando um pouco, para olhar para ele.


-Nada sério, foi só uma batida.


-Mas está doendo – ela subiu uma das mãos pelo seu peito, pensativa.


-Sim, está doendo. – tinha um duplo sentindo, quando os olhos castanhos fitaram os seus. – Está doendo, mas vai passar.


-Vai passar – ela repetiu com voz incerta, deixando-o cobrir sua mão com a sua – Precisa descansar um pouco. – ela recomendou, preocupada.


-Sim, e você também precisa – ele sugeriu – Vou levá-la para a cama, e vai se deitar um pouco. Vou buscar Gina para lhe fazer companhia.


-Não – ela disse baixo, a voz triste – Quero ficar sozinha.


-Não, não quer...


-Quero. Quero ficar sozinha.


Era um pedido que ele não podia negar.


Quando ele se levantou junto com ela, ela negou e se afastou.


-Sr. Harold, pode me acompanhar até meu quarto? – ela perguntou ao valete do conde, deixando claro que precisava mesmo ficar só.


Conduzindo-a com todo o cuidado com que conduziria um animalzinho ferido, ele a levou para fora da saleta.


Rony e o conde se olharam desolados.


Tinham que decidir o que fazer.


Pouco tempo depois, Rony subiu, mas ela não quis conversar. Havia se deitado para dormir, apesar de ser cedo, e virou para o lado, afastando-o.


Não podia pressioná-la agora.


Não podia.


 


 


 


 


 


 


 


            Beta: Ai que tristeza, deu um aperto no coração isso! Tadinha da Mione, imagino a culpa que ela deve estar sentindo, e a pior das culpas é essa, se sentir culpada por algo que não é culpa sua! Marja malvada, só maltrata a Mione!

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