CAPITULO 128 – SOB OS OLHOS DIVINOS
A cerimônia era muito bonita. Hermione observava tudo com curiosidade e emoção. O ponto alto foi a entrada de Luna na Igreja.
Vestia um pueril vestido de seda e rendas, num tom muito claro, róseo. O véu de rendas cobria seu rosto, mas era possível ver a beleza de suas formas e dos cabelos louros caindo pelas costas em delicados cachos.
Conduzida por seu pai, foi entregue ao nervoso Neville, que Hermione ainda não tivera o prazer de conhecer, apesar de Rony ter lhe contado sobre ele.
Prestando atenção na cerimônia, não percebeu que era alvo do olhar de Rony. Ele analisava cada pequena reação, desde o suave suspiro quando o padre começou seu discurso, até a retenção do ar quando ele proferiu a clássica pergunta, pedindo a quem tivesse algo contra a união, se manifestar.
Ela sorriu quando o casal trocou o ‘sim’ com vozes de choro, e sorriu quando trocaram um beijo carinhoso e sorriram um para o outro.
Gina estava mais emocionada e limpava as lágrimas com um lencinho. Hermione não queria chorar, não mesmo. Achara tão linda a cerimônia!
Quando os convidados começaram a se retirar da Igreja acompanhados dos noivos que corriam felizes em direção às escadarias, talvez apressados para começarem a vida de casados, Rony segurou sua mão com carinho e perguntou em tom baixo:
-Quer ir para casa, ou prefere ir para a festa?
-Estou cansada de tantas festas – ela confidenciou, notando que eram os últimos na Igreja.
-Eu também. Me espere, vou dar uma desculpa qualquer e despachar Gina junto com o conde – ele sorriu de orelha a orelha.
-Vou aproveitar e me confessar – ela concordou, levantando-se e dirigindo-se ao confessionário.
-Cuidado, Hermione. Não vá chocar ao padre. – ele provocou.
-Tenho que confessar todos os meus pecados, nem que isso o mate de desgosto – ela revidou, cobrindo a cabeça com o véu de rendas.
-Sim, mas lembre-se que certas práticas entre um casal, devem ser resumidas. Deus entende, mas os padres não – ele não parecia tão brincalhão ao se referir obviamente ao modo como faziam amor as vezes.
Não era por procriação como pedia a Bíblia!
Ah, mas não era mesmo!
-O que foi, Ronald? Está com medo por sua alma? - ela não resistiu a instigá-lo.
-Não. Meu medo é que algum padre abelhudo a convença a não... Bem, se meta na nossa vida íntima – ele pareceu quase corar.
-Não se preocupe, não sou facilmente influenciável, nem mesmo por um padre. Se for sincera, vou ter que admitir que me confesso, pelo hábito que mamãe tinha, e não por gosto.
-Nunca me confessei depois que sai do Colégio interno – ele disse pensativo – Se bem que não devo ter pecado depois dessa época.
Hermione segurou o riso. Não podia gargalhar dentro de uma Igreja!
Ainda contendo o impulso de rir dele, se afastou.
Rony esperou vê-la passar pela porta que dava diretamente para os confessionários, e saiu da Igreja para avisar que não iriam a festa e desejar felicidades ao casal.
Não foi difícil explicar-lhes que Hermione estava indisposta. As pessoas eram muito compreensivas quando uma mulher esta grávida. Apesar disso, o olhar de repreensão do conde avisou-o que não acreditava nessa mentirinha.
Hermione havia avistado o padre entrando por aquela porta, e seguiu em direção ao confessionário.
Um mulher esperava sua vez, sentada em um banco. Era muito bonita e bem vestida. Tinha lábios cheios e vermelhos, e olhos sagazes. Com um gesto elegante, ela passou a vez, sorrindo para sua generosa barriga.
Hermione sorriu em agradecimento, e se aproximou do confessionário, sentindo em suas costas os olhos daquela mulher.
Se ajoelhando com dificuldade, ela ouviu e assistiu a janelinha de madeira ser aberta, e piscou achando graça nos confessionários de Londres terem uma cortina de madeira que impedia que o padre e a consente se enxergassem nitidamente.
De onde viera, não haviam confessionários modernos. Apenas um banquinho e um cortina sempre aberta, por onde o padre fingiu não saber quem era a pecadora arrependida.
-Perdoai, padre, porque pequei – ela disse fazendo o sinal da cruz.
-Confessai seus pecados, minha filha – a voz do outro lado tinha um que de jovialidade, e Hermione se arrepiou de forma desagradável.
Seria um toque de deboche que ouvira em sua voz?
Impossível, era um padre.
Ela suspirou, criando coragem para contar seus mais terríveis pecados.
-Sou casada – ela disse em voz hesitante – Conheci meu marido no pior momento da minha vida. E não soube lhe dar valor, padre. Tenho tratado-o muito mal desde que nos conhecemos – confessou.
-O que quer dizer, minha filha?
-No começo, seria capaz de atirar nele se ficasse muito próximo. Depois, eu percebi que não poderia viver assim para sempre, mesmo assim, não o trato com o carinho que merece.
-E acaso, seu marido não merece o tratamento que lhe dá? – havia ironia em sua voz.
-Não. Ele... Salvou-me de mim mesma. Me destruiria. Não havia outro caminho para mim além da destruição. Quando... Minha família morreu, desejei morrer também. Sei que é um pecado grave, mas lamentei ter sobrevivido. Desejei a morte e talvez... Não posso pensar nisso, mas talvez chegasse a provocá-la em algum momento. Quis morrer, padre. Morrer!
-Tem razão, minha filha, é um pecado grave.
Hermione esperava uma repreensão mais enérgica, mas não se importou, afinal, queria desabafar.
As palavras fluíam de sua boca, como se esperassem a muito tempo para serem ditas.
-Sei que espera que eu lhe de valor. Deveria amá-lo. E eu... Ele quer ouvir, padre. Mas não posso dizer. Não consigo confessar o que sinto. É vergonhosa a minha fraqueza. Todo marido tem o direito de saber os sentimentos de sua mulher. Eu deveria falar! Mas não consigo!
-E o que sente por seu marido?
A voz do outro lado do confessionário era séria, e Hermione fechou os olhos com força.
-Não posso mentir a Deus. Não posso esconder o que sinto de mim mesma. Eu o amo, padre. O amo. Nego o amor que sinto, mas o amo, tanto que tenho medo de perde-lo! Tenho tanto medo de ser infeliz outra vez! Tanto medo!
-Não deve ter medo – a voz tinha um toque de rispidez e Hermione se afastou do confessionário.
Esperava sua punição, mas ele não disse mais anda.
-Padre? Qual é a minha punição?
-Punição?
-Sim, padre. Tenho sido relapsa com minhas orações. Amaldiçoei minha própria vida quando deveria estar feliz em viver. Nego a meu marido o direito a conhecer meus sentimentos, e ainda... Oh padre, tornei-me uma mulher de desejos tão fortes. Tão... Tão... Vergonhosos!
-Desejos? Que desejos?
-Meu corpo queima, padre. Apesar do filho que carrego, meu corpo queima. Sinto-me devassa. Permito que meu marido faça coisas comigo que não são apropriadas a uma senhora casada e de moral incontestável!
-Seu marido usa de seu corpo para saciar seus desejos pecaminosos?
-Não exatamente – ela não compreendeu o exato sentido daquela frase – É meu marido, tem seus direitos.
-E a senhora gosta? – a raiva impressa nessa frase quase a desconcertou.
-É meu marido, o amo. E gosto de estar com ele. Tenho medo do quanto eu gosto. Dizem que é pecado, não é?
O silêncio do outro lado do confessionário tornou-se maior, e Hermione ouviu passos.
Nervosa, observou que Rony a esperava a uma curta distância.
-Por favor, padre, me dê a punição para que me sinta absorvida dos meus pecados. – nada.
Apenas um gigantesco silêncio do outro lado. O som de farfalhar de roupas e de algo se movendo rápido.
-Padre?
Novamente um silêncio se abateu, e a seguir o barulho de alguém farto e pesado, sentando-se dentro do confessionário a deixou curiosa. Uma tosse seca, de homem velho a intrigou ainda mais.
-Comece, filha. Conte-me seus pecados.
A voz era rouca e envelhecida.
Será que o padre estava esclerosado?
Olhou para trás e notou a impaciência de Rony.
Por dentro, seu corpo também queimava, e estava impaciente também.
-Desculpe padre, volto outro dia!
Levantou-se o mais rápido que pode e se aproximou de Rony.
-Podemos ir? - ele perguntou sem ver nada a sua volta.
-Sim, podemos – ela ofereceu a mão para que ele a levasse.
Os dois saíram da Igreja sem notar que eram observados pela bela mulher e Draco Malfoy que ouvira suas confissões, se fazendo passar pelo padre.
Eles conversaram entre si, conspirando, e seguiram outro rumo.
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Seu coração batia descompassado, num ritmo alucinante. A carruagem seguia pelo centro de Londres num ritmo vagaroso, pois o movimento era muito grande.
Hermione mantinha os olhos fixos no chão da carruagem, corada.
-Pedi a Adolph que não abra a porta da carruagem quando parar. Eu mesmo o farei – ele disse num tom rouco, que a queimou por dentro.
-Porque? – teve que perguntar.
-Vai demorar até chegarmos em casa – ele desculpou-se.
-Não, não demora muito – ela negou, amedrontada talvez.
Não podia fingir que não sabia o que ele pensava.
-Não quer? – ele provocou, sabendo o quanto sensível ela estava por causa dos hormônios.
-Não aqui – ela olhou para ele decidida – Não posso passar desconforto – não entrou em detalhes, mas seu olhar dizia tudo.
-Não entendeu o que tenho em mente, Hermione – ele sorriu e passou a língua pelos lábios.
Paralisada, observou-o tirar o casaco e abrir os punhos da camisa, dobrando as mangas.
-O que vai fazer? – assustada, segurou mais firme o leque e a bolsa que estava em suas mãos. As luvas estavam molhadas, pelo suor nas palmas das mãos.
-Tem coisas que não podem esperar, Hermione – ele sorriu tão sem vergonha que ela olhou em volta pensando em como escapar dele.
-Tire as luvas – ele mandou e ela obedeceu engolindo em seco.
-Porque devo tirar as luvas? – perguntou só de boba, pois sabia muito bem o que aconteceria ali!
-Porque gosto de sentir as suas unhas.
Um arrepiou correu sua espinha, e ela arrancou as luvas correndo.
-Sobe o vestido – ele mandou.
Ela arfou, pega de surpresa, pois achou que ele a possuiria e não... Quase correndo, e denunciando sua necessidade avassaladora, puxou o vestido para cima.
Hermione usava as meias, as ligas, e aqueles calções gigantes que as moçam usavam em Londres, e ele passou as mãos em seu quadril, por baixo das camadas de tecido, e puxou-o para baixo, deixando as meias intocadas e os sapatos calçados.
Hermione apoiou as costas contra a parede estofada da carruagem, mantendo as muitas camadas do vestido erguidas contra o peito, sem poder ver direito o que ele fazia, pois a barriga e o tecido estavam entre ela e a imagem de Rony.
Agitada moveu o quadril, como quem implora.
Rony olhou para cima, analisando sua expressão de expectativa. Sorriu sem vergonha, sabendo que ela não poderia ver. Suas mãos grandes seguraram seu quadril no lugar, e ele se ajoelhou no chão da carruagem.
Esta por sua vez sacolejou, e ele se inclinou enquanto Hermione soltava um palavrão por ter se desequilibrado.
Afastando sua perna, Rony procurou uma posição confortável para ela. Não podia simplesmente escancarar suas pernas. Tinha que ser cuidadoso. Hermione decidiu por ele, e passou a perna sobre seu ombro, não lhe dando outra alternativa a não ser baixar a cabeça e ir ao ataque.
Molhada, ela estava tão molhada que o surpreendeu. Não estava brincando quando lhe dissera que estava em fogo puro, o desejo tirando seu juízo.
-Não demore, não demore – ela disse num tom aflito e Rony obedeceu.
Sua língua saiu de sua boca, para desaparecer entre suas dobras. Ela tinha pressa, e ele daria a ela exatamente o que queria.
-Santo Deus! – ela exclamou, fechando os olhos com força, gemendo.
Não que precisasse fazer muita coisa, no estado de excitação que estava, qualquer toque seria o suficiente para quebrá-la, mas ele se esforçou.
Chupou aquele recanto com toda sua dedicação, enquanto ela se contorcia. Demorou pouco, uns cinco minutos até sentir seu estremecimento.
Sua intimidade estava tão rosada e perfumada que ele esfregou os dedos, antes de lamber mais um pouco, devorando aquela flor aberta para ele.
Hermione tremeu da cabeça aos pés e sentiu que estava prestes a chegar a um lugar muito quente. Óbvio, sempre chegava a esse lugar nos braços de Rony, mas hoje era diferente. Ela estava queimando, e para ser bem franca, nem tinha nada a ver com ele.
Até mesmo o toque da seda da roupa de baixo a deixou em ponto de bala.
-Isso, isso, isso, isso... Não pare, não pare, não pare, não pare... Oh, Rony, não pare... – seu choramingo desesperado transformou-se num pequeno gritinho de prazer quando chegou lá.
Rony continuou acariciando-a lentamente, esperando seu corpo se acalmar. Ela soltou um inconfundível suspiro de felicidade e saciedade quando se aquietou.
-É linda quando goza – ele disse, endireitando o corpo e sentando-se ao seu lado.
Hermione não respondeu nada, apenas recostou a cabeça em seu ombro e relaxou.
O vestido foi arrumado, as vestes estavam no lugar. Hermione acreditou fervorosamente que não havia nada mais delicioso que aquela calmaria dos sentidos, depois de explodir de prazer.
Mas estava enganada.
A carne quente do ombro de Rony sob sua cabeça, o vai e vem de sua respiração. Aquelas mãos grandes e fortes que acariciavam sua barriga e seus cabelos.
A voz rouca sussurrando em seu ouvido...
Quando Hermione se afastou um pouco para olhá-lo, ele achou que veria uma mulher calma e serena.
Mas não. Seus olhos brilhavam como dois rubis em chamas.
-Eu quero de novo – ela disse muito baixo, antes de puxá-lo pela gola da camisa com as duas mãos e beijá-lo.
Autora: HEHEHEHEHEHEHEHEH....
Beta: Que fogo é esse hein!!!