Capitulo 2
Eu fiquei-me perguntando se ele diria alguma coisa, mas não era nada. Apenas me comia com os olhos e me devoravam as palavras. Palavras malditas que saiam da boca e estrangulavam os pés, fincando-os no chão e zombando de toda sua fraqueza. Tinha dias que acordava com a boca seca, os olhos pregados e ia se arrastando pelos corredores.
Todas as vezes que ela o via, ela pensava em mil formas de matá-lo. Seria pra ele deixar de ser tão confiante. Que deixasse de maltratá-la e que esquecesse que ela existia. Ele podia passar direto. Que continuasse com as suas, com os seus e todos seus cacos de vidro quebrado. Porque ela não iria pisar em cima, porque sabia que iria doer e iria sangrar e lá estaria ele, ainda rindo dela, zombando de toda a sua insignificância e seus papos manjados de como ela era uma sangue-ruim.
Era tudo tão igual que Hermione bufou exasperada. Existiam tantas palavras e ele diria as mesmas porque sabia que aquilo a machucava. Não era pelo significado. Não mesmo. Poderia haver diálogo, não de palavras hostis, mas de palavras que rimassem. E ela cantaria teu riso. Soaria belo se o que ele lhe dirigisse fosse sincero e lhe desse seu melhor sorriso. Rimaria medo com fogo e ela o consumiria com a boca.
Mas era assim. Hermione odiava amar. E ela se odiou quando acordou pela manha e pensou em Malfoy. Ele tirando a gravata. Seus músculos se movendo graciosos por debaixo da pele. E ela salivou. Queria morder. Provaria tudo se ele não tivesse rido dela novamente. Se ele ainda não zombasse. E se ela não fugisse como uma tola sem palavras na boca, com o coração na mão.
E eu só queria ser grande. Mas não agüentaria segurar o mundo com as mãos. O sangue subiria a cabeça e eu o amassaria com uma bola de papel... Hermione sabia que se pudesse moveria o mundo. Sentido anti-horário.
Caminhou para o jardim e se sentou em um banco de frente para o lago. O azul invadia seus olhos, pensamentos e revirava sua mente. Era imenso, era frio e queria se lavar. Olhou os pés e viu as meias sujas. Odiava se sentir suja. Era tão metódica que aquilo arruinava seu dia. Desabaria se hoje fosse um dia qualquer, mas hoje era o dia seguinte.
Caminhou em direção a uma árvore a margem do lago. Era sombra para um dia ensolarado e talvez não derretesse. Deitou-se no chão e esvaziou a mente. Era bom respirar de vez em quando.
Mas pensando em Malfoy ela queria derreter. Desmanchar em flor e exalar seu perfume. Ficariam dias de pensamento e águas passadas e ainda a vontade de o querer. Há dias não dormia bem e pensava se não tivesse fugido das coisas que poderiam ter acontecido no banheiro dos monitores. Mas não lamentaria mais, por que se fosse se desmancharia. Não se preocupava tanto porque não o veria mais. Era sua ultima semana de aula, sua ultima semana em Hogwarts. Sentiria falta daquele mundo, daquelas paredes frias e de toda a magia que circundava a escola. Mas não lamentaria as pessoas. Pessoas são intransigentes e insignificantes em sua vaidade. Queria acreditar quão insignificante Malfoy era em sua vida.
Virou a cabeça para o lado e viu Malfoy se aproximar com a Parkinson. Eram perfeitos um para o outro. Tão cheios de si e sangues-puros. Perdeu-se em pensamentos e não percebeu que o loiro a encarava enquanto ignorava a sonserina ao seu lado. Eram os olhos que a avaliavam e a desnudavam. Sentiu um frio percorrer a espinha. Ele sempre a provocava. Sempre provocaria reações.
Flashback*
Malfoy a encarava e queria devorá-la. Devorar as palavras rasgadas que queriam sair de sua boca e a boca de Hermione. Ela estava ali, na sua frente e quase nua. Não conseguiu evitar um sorriso travesso. Daqueles que só quem apronta sabe o que está por vir e se glorifica. Aquele sorriso muitas vezes dito por irritantes, mas sabia que adoravam. Era assim mesmo, se achando e zombando do mundo. Era sim menino travesso, sarcástico e imprestável.
Fazia questão de incomodar. Incomodavam-lhe; o mundo não era redondo em sua superfície. Era asqueroso, sujo de barro e corpos moídos caídos ao chão. Era tudo lama e jogava na cara de quem o incomodava. E incomodava também porque a vontade da mordida era forte. De querer rasgar o mundo e quando olhava Hermione tinha vontade de rasgar-lhe as roupas. Vê-la nua de corpo e alma por debaixo daquela fachada de boa moça. Mas sabia que de boa moça não havia nada. Percebia seus olhos assustados o percorrendo de cima a baixo. Desnudando e revelando-lhe a alma. Era de se revelar seus desejos e ela ainda o olhava quando tirava a camisa com vagareza desnecessária. Mas era para provocar e ela o provocava a fazer coisas irracionais. Eram atos, mas sabia que a razão que provem dos hormônios tem seus próprios motivos. Paixão irracional. Eram fatos de amores.
- Eu não esperava encontrá-la aqui Granger. - disse zombeteiro enquanto inclinava a cabeça. Hermione rezou para que não estivesse procurando brechas por sua toalha. Sentiu um aperto no baixo ventre, e sentiu confusão. Balançou a cabeça. A situação era humilhante demais.
- Eu também sinto muito por isso Malfoy, mas será que dá pra cair o fora pra mim me vestir, daí você ter o banheiro só pra você.
Viu quando a garota a sua frente pegou a varinha e se afastou. Não queria assustá-la. Não queria um duelo no momento, não de varinhas, que fosse uma guerra. A guerra maior travava em seu interior por querer uma sangue-ruim. Desejá-la tanto que parecia querer rasgar-lhe o peito. Desejo demais que o atormentava em noites de insônia e o levava a cama de outras. Mas nunca eram castanhos. Nunca os olhos eram os mesmos.
- Wow, eu não penso em sair agora. – disse se aproximando perigosamente em passos lentos. Parecia um predador e Hermione se sentiu a presa. Acuada, pronta pra fugir, mas as pernas não reagiam. O sonserino tirou a camisa de dentro das calças enquanto afrouxava a gravata. Hermione estremeceu em antecipação. – Não quando seu cheiro é tão delicioso Granger. Picante, erótico como o sexo. – disse próximo demais. Hermione sentiu o hálito quente em seu pescoço enquanto sentia derreter. Ele era todo quente. Pronto para pega-la e fazê-la derreter.
Rui para si mesmo, quando se aproximou mais da morena e esta parecia querer fugir como animal acuado prestes a ser devorado. Ele iria devorá-la. Mas seria lentamente. E ela lamentaria. Desceu a mão pelo tórax e Hermione acompanhou o caminho com os olhos. Era um diálogo sem palavras, era uma dança erótica. Apenas gestos. E aquilo o excitava tanto quanto o estava matando. Parou no cós da calça e começou a desabotoar. Queria se libertar e levá-la junto. Mas Hermione apenas dificultava.
Quando o reconhecimento de que o loiro estava se desnudando a sua frente se tornou quase palpável desviou o olhar como saído de um transe e se virou de costas bruscamente quase derrubando a sua toalha.
Suas mãos suavam e a varinha ameaçava deslizar de sua mão. Deus, ela queria tocá-lo sua boca salivava e sentia se quente e úmida. Queria gritar. Seu sexo pulsava de necessidade. Sentiu quando o sonserino se aproximou e colou seu corpo junto ao seu. Hermione percebeu sua excitação e levou a mão à boca evitando um gemido. Suas pernas quase falharam e ele a apertou mais. Aquilo a estava matando.
- Isso está me matando Granger.
Por Merlim, ele mataria os dois juntos se pudesse. Draco apertou a morena contra si. Queria sentir seu corpo. Descobrir se ela fervia como ele. Provar sua pele e descobrir seu gosto. Hermione tencionou se afastar, mas o loiro a apertou mais contra si, fazendo desaparecer o espaço que antes havia entre eles.
- Não adianta fugir Granger, e não adianta gritar. Tenho certeza de que ninguém vai sentir sua falta.
- Não teria tanta certeza Dr...
Hermione perdeu o sentido das palavras quando o loiro lambeu o lóbulo de sua orelha. Ele brincava com os seus sentidos e os inebriavam. Ele tinha uma mão em sua cintura apertando possessivamente enquanto a outra brincava com a barra superior de sua toalha. Queria sentir, mas a razão ainda procurava ocupar seus pensamentos. Tentou se afastar novamente e outra vez em vão. Perdeu os sentidos quando o loiro puxou a toalha para baixo e desnudou seus seios. Não tinha forças para reclamar ou sequer puxar a toalha para cima e se recompor. Gemeu quando ele apertou um seio e brincava com seu mamilo e dava mordidas em seu pescoço. Era excitante demais sentir o corpo rijo contra si. Perdia o rumo e a razão.
Draco a apertou enquanto ouvia a morena gemer. Queria desnudá-la e tomar ali mesmo no chão do banheiro, mas iria fazê-la implorar por ele, iria fazê-la gemer seu nome. Desceu a outra mão e apertou a coxa macia. Fazia círculos com os dedos ignorando a tensão de querer tocar sua intimidade. Quando apertou mais o bico intumescido e a garota gemeu esqueceu todo o comportamento previamente antecipado e a tocou. Ele era quente, fervia e lava escorria por suas dobras. Queria beijar sua boca, sentir seu gosto, mas acreditava que era intimo demais. Ficou sondando sua intimidade enquanto a morena gemia mais alto em seu ouvido. Sentia-se apertado e dolorido, nunca havia ficado tão duro em sua vida e a brincadeira o mataria a qualquer momento. Percorreu sua intimidade de cima a baixo. Queria estar dentro dela. Se estivesse poderia morrer depois. Morreria feliz.
Hermione quase gozou quando Draco a tocou. Nunca a haviam tocado tão intimamente e quase se perdeu sentindo um redemoinho de sensações se instalarem no baixo ventre. Queria a libertação. Queria a plenitude. Ela o queria dentro dela, a tomando duro e a deixando sem ar. Quase ficou sem ar, quando ele forçou um dedo em seu interior. O pânico tomou conta de si e desejou se libertar. Ela não queria sentir dor e ele provavelmente a machucaria.
Draco tentou forçar um dedo, ou dois, e tomá-la. Queria sentir se ela era tão quente quanto à excitação que escorria por suas pernas. Forçou e nada. Não estava sendo racional, quando forçou novamente e Hermione gemeu em protesto. Ele o queria dentro dela, só parou quando a ouviu gemer seu nome.
- Dra.. Draco, por favor, está me machucando.
Tirou a mão e levou a boca, sentindo seu gosto. Era delicioso. Ele ainda a apertava contra si quando seus olhos se esbugalharam em entendimento. Está me machucando...Como ele era um animal idiota e sem escrúpulos. Ele não queria machucá-la. Não queria tomá-la daquela maneira, ele seria o primeiro e estaria dentro dela quando ela o sentisse feito brasa perfurando seu interior. Quão estúpido um Malfoy poderia ser? Muito estúpido para machucar a garota com palavras. Muito errado para fechar a boca e perder a única garota que o fazia se sentir paz quando sua vida estava em guerra. Mas ele ainda o faria. Mais uma vez e mil e uma outras.
- Você é virgem sangue-ruim? Uma imunda e intocada. Eu esperava qualquer coisa de você, mas isso? Você ferve sabe Granger, o pobretão ou o cicatriz nunca daria conta de consumir todo esse fogo que você tem. Mas você ser o que é explica muita coisa sabe? Você deve ser a frigida louca sabe-tudo. Mas você ferve em minhas mãos. – disse lambendo novamente os dedos. O sorriso cínico ainda estampado na cara. Os olhos brilhando de luxúria quente e perigosa. E o coração ardendo e sangrando por saber que nunca a teria como seus amigos um dia a teriam. – Será que sou o primeiro a te provar, hum?
Hermione sentia o rosto corar. Esquentar e querer explodir. A raiva corroia a alma e teve vontade de matá-lo, ver o sangue escorrer e se inundar. Mostraria que eram da mesma cor. Vermelho escarlate, sangue que pulsava e os mantinha respirando. Ele provocava sempre esses rompantes de fúria e desejo de morte, desejo de matar. Apertou a varinha em suas mãos e desejou mandar um Crucius, porque ela não o mataria de imediato. Queria vê-lo morrer aos poucos e fincar as unhas na carne.
- Que foi Granger, o gato comeu sua língua? Eu nem provei ela ainda. Será que o gosto é bom também. – Draco estava se odiando por fazê-la sofrer, mas não queria mostrar sua fraqueza pela garota. Morreria para tê-la e se odiou ainda mais por tal desejo. Ela era imunda. – Você é imunda Granger.
Foi à agulha para explodir a bolha de paciência de Hermione. Avançou para cima do loiro com o intuito de socá-lo. Draco se assustou com o rompante de Hermione e tentou se afastar. Chutou com toda sua força a virilha do loiro a sua frente. Chutou com força, porque sabia que aquilo o machucaria. Ele a odiaria ainda mais, mas era dor que ela sentia e ele iria sentir também, porque nada que ela dissesse o machucaria com palavras como ele era perito em fazer.
Gargalhou enquanto as lágrimas lhe inundavam. Era infantil, era tão besta que diria ao mundo se também não fosse tão vergonhoso. E ele se contorcia e ela vibrava. Mas não se sentia feliz. O buraco foi cavado mais fundo e lhe empurraram dentro. Cairia de dor. E morreria com a fome dele.
- Você é imundo Malfoy. Imundo, infantil e, e..., e uma merda garoto. – Draco ainda tentou rir em meio à dor que sentia. Ele tava duro por ela e ela quase o matou. Ele se mataria por fazê-la sofrer como ele fazia. Mas ele a deixava sem palavras e a inconsciência de menino ainda assombrava. – Você é um problema garoto que eu não quero ter. Você não sabe terminar o que começa. Você não tem fogo. – riu entre os dentes. Que ironia, ele quase a fez queimar. Sentia a bílis na garganta. Não queria ser amargurada.
- Você ainda vai implorar pra ser minha Granger. – disse com a voz falha enquanto tentava se apoiar na parede para se levantar. Aquilo doía e muito.
Hermione o olhou de cima a baixo. O estado que um Malfoy se encontrava por sua causa, era pra fazer se sentir orgulhosa consigo mesma, mas aquilo afundava cada vez mais em seu estômago e a mataria se não se distanciasse dele.
- Só em seus sonhos Malfoy, só em seus sonhos. – pegou suas roupas e saiu. Era tarde da noite e ninguém a veria. Desejava que não. Porque se pudesse explodiria o mundo com as mãos ou quem aparecesse à sua frente.
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