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125. AS VOLTAS QUE A VIDA DÁ


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 125 – AS VOLTAS QUE A VIDA DÁ


 


 


 


 


 


 


Roxinne Lammer poderia levitar de tanto contentamento enquanto guiava o conde de Valença pelas salas e cômodos do Rosie Nell.  Ele viera acompanhar sua filha, na secreta esperança de tirar uma dúvida que permeava sua mente desde que Hermione lhe mostrara o envelope com o brasão de sua família.


Há oito anos, negociara seu casamento com uma jovem de vinte e dois anos, solteira e sem dote. Era uma moça gentil e de escrita suave, que escrevia cartas meigas e singelas, falando uma língua que lhe tocava o coração.


Uma jovem que ao chegar arruinara todas as suas esperanças de ser feliz. Era uma mulher experiente, confessara ser viúva, embora não trouxera consigo nenhuma documentação desse fato. Na ocasião, ele achava ser apenas um artifício de uma jovem honesta para não confessar que vivera outros romances.


Porém, o que mais o impressionara, era o fato da doce jovem de palavras meigas ser tão ácida e maliciosa. Indiferente e seca, sempre interessada em roupas e jóias.


Para sua sorte, seu administrador lhe enviara uma pasta com toda a correspondência da época, que estava esquecida em outra propriedade. Lembrava-se vagamente dela ter lhe enviado um desenho seu, feito por ela mesma, para mostrar a ele como eram suas feições.


Na ocasião, não estivera muito interessado, e não se ativera a olhar para ela por muito tempo. Queria uma esposa, qualquer uma servia.


Uma mulher que pudesse apagar as sombras do passado, e quem sabe lhe dar um herdeiro.


Com esse desenho em mãos, esperava ansioso para confirmar o inevitável. Michelle chegara a Londres na companhia de sua dama de honra. Essa mulher desaparecera misteriosamente, e na época não se importou, pois segundo Michelle, ela era uma pessoa muito desagradável.


Agora, depois de saber a índole da mulher com quem vivera nos últimos anos, se perguntava se não havia casado com a mulher errada.


Ansioso para confirmar suas suspeitas e esperanças, acompanhou Roxinne por um tour pela construção.


Nunca perdera muito tempo pensando em projetos sociais com o intuito de ajudar as mulheres menos afortunadas, mas agora, ouvindo a empolgação de sua filha ao falar das proezas do Rosie Nell, ele começava a se interessar.


-O que me diz, Lilly? – Hermione vinha perguntando logo atrás deles.


Há duas semanas ela circulava com a jovem por Londres.


-Não é um ótimo lugar para se investir?


Edgar de Valença parou no amplo corredor e sorriu para a filha.


-Acho que minha filha deseja que invista em sua escola, madame Lammer. – ele disse sempre sorrindo.


-Tem uma filha muito especial, conde – ela disse olhando para Hermione com afeição quase de mãe.


-Especial e voluntariosa – ele observou. – Conversarei com meu administrador sobre uma possível participação – ele prometeu, notando sua expressão murchar – Não é o suficiente, minha filha?


-Não. Seu administrador é homem, e não vai entender as necessidades do Rosie Nell. Achará uma desculpa qualquer para desvitalizar o investimento.


-E o que sugere? O que devo fazer para ludibriar meu administrador? – ele perguntou com a sombra de um sorriso nos lábios.


-Use sua presença para elogiar o Rosie Nell a outros homens de posse, e se possível, ofereça ajuda de seus agregados. Já será o suficiente se insiste em ser mão de vaca com os mais necessitados!


As moças que ajudavam no funcionamento do instituto abafaram o riso, e o conde segurou a filha pela mão, se negando a rir de sua mal criação. Nunca era tarde para tentar consertar seus erros de criação, embora parte do charme de Hermione fosse sua franqueza absoluta.


-Mostre-me onde encontrar sua dama misteriosa, Hermione – ele pediu, colocando sua mão em seu braço, ignorando seu suspiro exasperado.


Ignorando a fuga de seu pai, ela guiou-o até o segundo andar, onde Elly passava suas tardes pintando. Por acidente, Roxinne havia descoberto que a moça era talentosa e sabia pintar.


Havia uma janela aberta no pequeno quarto. Um cavalete e um banquinho perto das cortinas, onde a jovem estava sentada pintando tranquilamente.


Hermione entrou silenciosa, observando a graça das pinceladas. O conde observou a elegância das costas retas, do pescoço altivo, dos braços finos e das mãos delicadas. Seu perfil era encantador.


-Elly? – Hermione chamou baixo e ela parou de pintar.


Um sorriso se formou em seus lábios antes que ela se virasse. O conde reteve a respiração diante daquele rosto formoso. Olhos cor violeta que pareciam ver através dele.


-Esse é meu pai, Elly. Quero que o conheça – ela disse imediatamente, talvez temendo assustá-la.


Com uma educada mesura, aquela mulher de cabelos negros cativou-o.


-Já nos conhecemos – ele disse surpreendendo Hermione – Não pessoalmente, mas nos correspondemos.


-Papai? – ela fitou-o intrigada.


-Precisava confirmar o fato, mas agora não há mais dúvidas – ele tirou o retrato do bolso e mostrou a Hermione – Há oito anos negociei meu casamento com uma dama francesa. Seu nome era Michelle. O apelido de infância era Elly. Desembargou no porto, na companhia de sua dama de honra. Esta mulher nunca apareceu. Casei-me com uma mulher que se dizia chamar Michelle, mas que se mostrou ser uma cobra. Muito diferente da jovem com quem me correspondi. – ele estendeu o papel dobrado em direção a mulher.


Ela apanhou e desdobrou reconhecendo a si mesma desenhada no papel.


-Lembra-se disso? – ele perguntou.


-Não. – ela disse sincera.


-Elly, um casamento de sonhos, você disse que vinha a Londres para um casamento de sonhos. O seu casamento.


-Acho que sim – Ela se afastou.


-O que está pintando? – o conde perguntou, para ouvi-la falar, pois sua voz era música em seus ouvidos.


-É um presente - ela disse olhando para ele com encantamento.


-Um presente para quem?


-Para um anjo de Deus, que veio me ajudar – ela disse corando. Aproximou-se do cavalete e virou a peça, para que vissem o que pitava.


-Oh, mas sou eu! – Hermione ficou espantadíssima olhando para a tela mais de perto.


Era ela. Pintada em tons claros, era sua imagem. Nunca imaginou se ver numa imagem pintada.


-Está perfeito – o conde disse – Hermione está linda nesse retrato.


-Ah, mas não pode ser eu – ela disse sorrindo.


A moça bonita, radiante e sorridente do retrato não podia ser ela.


-É como eu a vejo – Elly explicou.


-É lindo! – emocionada, abraçou Elly. – Precisa pintar um retrato desses do meu pai, para que leve comigo quando for embora de Londres – ela disse quase as lágrimas – Faria isso?


-É claro que sim! – Elly concordou, feliz em ser útil.


-Talvez seja esse o começo da sua carreira. Todos que virem esse lindo retrato irão querer ter um para si!


-A senhora é muito boa para mim – Elly agradeceu.


-Meu pai, me responda uma coisa. Casou-se com uma mulher que mentia o próprio nome. Então, esse casamento não tem valor? Não é?


-Esta coberta de razão. Posso anular esse casamento – havia alívio em sua voz.


Embora Hermione não conhecesse os detalhes do casamento de seu pai, sabia que lhe causava sofrimento e dor.


-E o compromisso que firmou com Elly? O que acontece? Ela deveria ser sua esposa!


-Tem razão – a idéia era tão encantadora que ele olhou para a moça da cabeça aos pés.


Hermione corou, e chegou a abrir a boca para protestar, mas se conteve. Fingiu interesse no quadro para deixá-los à vontade.


-Vou me deitar um minuto, porque não seguem conversando – ela sugeriu, alcoviteira – Elly, me ajude com os sapatos? Quase não alcanço meus pés!


Era verdade, quase fechando seis meses, não via seus pés com muita freqüência. Pretendia deitar um minuto, e descansar as costas doloridas. Mas quando notou, adormeceu profundamente.


 


 


..........................................................


 


 


Braços fortes a ergueram no ar. Hermione se moveu, mas não acordou. Recostou-se contra o peito masculino e fechou novamente os olhos. Rony a colocou na cama, e a cobriu com o lençol.


Havia ido ao Rosie Nell buscar Hermione e o conde, e a descobriram dormindo.


Deveria saber que tantas horas cozinhando para a doçaria lhe causariam uma completa exaustão. Não queria brigar com ela, mas tinha que limitar suas visitas a Roxanne.


-Hum... Rony? – ela chamou meio adormecida, meio acordada.


-Estou aqui, Sra. Wesley.  – ele sentou-se ao seu lado chateado.


-Como vim parar em casa? – estranhou se movendo na cama e espreguiçando-se.


-Eu te trouxe – contou, sorrindo ao notar sua surpresa – Veio o caminho todo no meu colo, dentro da carruagem, como uma menininha de cinto anos – brincou em ela.


-Sinto tanto sono – ela virou de lado – Minhas cotas doem tanto...


-Quer uma massagem – ofereceu preocupado com ela.


-Não. Mas quero uma bolsa de água quente. Anna sabe a que me refiro.


-Não quero mais que trabalhe na doçaria – ele disse de repente - Não me obrigue a proibi-la de ir até lá.


-Mas eu gosto de...


-Está exausta. Vá como visita, não empregada. Ensine, não faça.  – mandou irritado


-Aonde vai? – perguntou tensa.


-Buscar sua água – ele respondeu antes de sair.


Na sala, ele abordou Anna que olhava atentamente para um quadro.


-Não é lindo, Sr. Wesley? – ela perguntou.


Rony olhou para o quadro e sentiu o coração trasbordar de emoção. Sua Hermione retratada em todo o esplendor de sua beleza.


Exatamente do modo que a via.


-A Sra. Hermione está tão bonita, tão feliz – ela completou.


-Quando voltarmos para a fazenda talvez tudo mude – ele disse pensativo – Precisará estar ao lado de Hermione, e ajudá-la a lembrar de Londres e dos tempos felizes. Fará isso, Anna?


-Por que...? – ela não entendeu.


-Verá quando voltarmos, a vida de Hermione nem sempre foi bonita. Muitas lembranças e tristezas, tenho receio que a melancolia volte com nosso retorno.


-Será impossível, Sr. Wesley. Vejo alegria de viver no olhar da Sra. Hermione, e acredite, poucas mulheres casadas para quem trabalhei exibiam esse olhar – ela tentou sorrir e Rony correspondeu.


-Diga-me, Anna, tem alguma peça para seu enxoval? – viu a menina corar e negar. – imaginei isso. Tome – ele tirou algumas notas do bolso – Compre tecidos ou algo pronto, e faça algumas coisas que vá precisar. Só não conte a Hermione, ela dirá que estou esmorecendo.


Anna agradeceu emocionada e se afastou.


Rony ergueu aquele quadro diante de si, sentindo uma emoção enorme dentro do peito.


Sua Hermione.


Apenas sua, de mais ninguém. Lhe dera prazer e felicidade, e até mesmo um pintor pudera ver isso. Não era possível haver felicidade maior que essa podia?


Saber que faz feliz a mulher que ama?


Entretido, esperava Anna voltar da cozinha com a água quente, quando ouviu o barulho de uma carruagem chegando barulhentamente.


Antes que abrisse a porta de todo, Harry já havia invadido a sala.


-Ela me deixou – ele disse suado, nervoso e parecendo prestes a perder o controle – sua irmã me deixou!


-Gina? Ela deve ter saído. Ido passear e não lhe contou – ele deu de ombros, achando aquilo um exagero.


-Você não entende! Ontem, nós discutimos de novo. Ela disse que voltaria para casa, que me deixaria, e procuraria a felicidade com um homem que a quisesse, e eu mandei que fosse. Ronald, eu gritei que não me importava! E agora... Suas roupas, as roupas que ela trouxe de casa, sumiram. Gina me deixou.


Rony observou o imponente Harry Potter sempre controlado, com suas emoções sobre controle, andar pela sala, como um leão enjaulado.


-Minha culpa. Não soube dar a ela o que esperava de mim! Eu a perdi! Nunca vai me aceitar de volta!


-E você a quer de volta? – ele perguntou surpreso – Depois de ter fugido de você? Sozinha?


-Ela levou a governanta. – Rony deu uma gargalhada nervosa – A Sra. Gertrudes deve estar amaldiçoando a todos nós por ter sido obrigada a seguir sua patroa.  Elas se odeiam!


-Ao menos não viajara sozinha – Rony disse mais calmo – Sente e se acalme, Harry. Vamos atrás dela e tudo ficará bem...


-ISSO! – ele gritou, num arrombo – Preciso ir atrás dela! Preciso trazê-la de volta!


-Harry! – Rony tentou detê-lo, mas ele estava possuído – HARRY! Ainda gritou, mas não teve resposta.


Preocupado, ele suspirou.


-Foi melhor assim – Hermione disse.


Ela havia descido com o susto dos gritos, e havia parado no topo da escada observando o que se passava sem interferir.


-Melhor para quem? – ele perguntou incrédulo.


-Para os dois. Suponho que agora, eles possam ver as coisas com clareza.


-O que está dizendo, mulher? Enlouqueceu? Gina fugiu do próprio marido!


-Sim, e agora, ele sabe a dor de perdê-la e fará tudo para compensar o sofrimento que lhe causou. – sorriu para acalmá-lo – Deixe que os dois se entendam. Está tarde, vamos dormir.


Serena, lhe passava serenidade.


-Tenho que cuidar a procurar minha irmã...


-Não, não tem. Ela pegou o trem, e levou a governanta. Está segura. Deixe que Harry vá atrás dela. Ele tem obrigação e recursos para isso. – lembrou-o desse detalhe.


-Talvez tenha razão.


-Vem, vamos dormir cedo hoje. Algo me diz que amanha será um longo dia...


Rony aceitou seu convite, desconfiado que ela sabia mais do que dizia.


Seu sorriso era tranqüilizador, e apenas por ter confiança em Hermione, se permitiu aceitar essa sugestão.


E que viesse o dia seguinte.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


         Autora: tadinho do Harry, no entanto, eu apoio totalmente a Gina. Tava na hora dela mostrar seu valor. Se ele não quer, tem quem queira!

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