- Eu sempre bebo rum e Coca-Cola – disse Lila a Gina. – A não ser que eu esteja filmando. Mas você bebe o que quiser. Eles têm de tudo por aqui.
Ruby estava pedindo as bebidas. Como era da banda, podia beber de graça.
- Acho que quero uma coisa diferente – refletiu Gina. – Posso tomar uma Stoli e uma Coca separada? – perguntou ela a Ruby.
- Boa pedida - aprovou Ruby, que tinha cabelo preto bacana com fios curtos e estava usando calça de couro verde-escuro. Ela parecia o tipo de garota que podia se virar sozinha em qualquer lugar, a qualquer hora. O nome de sua banda era SugarDaddy, e ela era a única garota nela. Ruby tocava baixo.
- E não se esqueça da minha cerveja! – gritou Lila depois de Ruby ter saído para pegar os drinques.
- Sua irmã é incrível – disse Gina.
Lila deu de ombros.
- É. Mas ela é um pé o saco pra mim. Quer dizer, todo mundo sempre diz “Ruby é tão legal!” e, para mim, “Se liga!”.
Gina riu.
- Sei o que quer dizer. Meu irmão mais velho... ele foi para a Brown, e todo mundo gosta dele. Meus pais sempre estão presentes em tudo o que ele faz; agora que voltei do internato é tipo assim: “Oh, nós temos uma filha?"
- É isso aí – concordou Lila. Não conseguia acreditar que estava tendo essa conversa ridicularmente normal com Gina Weasley.
Ruby trouxe as bebidas.
- Desculpe, meninas, tenho de ir.
- Boa sorte – disse Gina.
- Obrigada, docinho. Ruby pegou o estojo do baixo e foi se encontrar com os companheiros da banda.
Lila não acreditou. Ruby nunca chamava ninguém de docinho, só Tofu, o periquito dela. Gina certamente tinha um jeitinho especial de derreter o coração das pessoas. Lila até já estava começando a gostar dela um pouco. Ela pegou seu drinque e brindou com Gina.
- Às gatas supermaneiras – disse ela, sabendo que parecia seriamente gay, mas sem dar a mínima para isso.
Gina riu e bebeu seu gole da Stoli. Enxugou os olhos e piscou algumas vezes. Um cara meio desgrenhado usando um smoking grande demais estava entrando no bar. Ele parou na soleira da porta e olhou para Gina como se tivesse visto um fantasma.
- Ei, não é o seu amigo Dan? – perguntou Gina a Lila, apontando para ele.
Dan estava usando smoking pela primeira vez na vida. Ele se sentiu elegante quando o colocou, mas ainda assim não conseguiu lidar com a festa Beijo na Boca. Então, quando Luna deixou que ele matasse a festa, ele veio par ao Five and Dime para se desculpar com Lila por ter sido um mala com a história da Marjorie.
Ele tentou se convencer de que não se importava de nunca mais ver Gina Weasley na vida. Afinal, disse ele a si mesmo, a vida era frágil e absurda.
A vida era mesmo frágil e absurda. Porque Gina estava ali. De todos os lugares do mundo, estava em Williamsburg. A garota dos sonhos dele.
Dan se sentia a Cinderela. Enfiou as mãos no bolso para evitar que tremessem e tentou planejar o próximo movimento. Ele iria até lá e ofereceria um drinque a Gina com a maior elegância. O pior é que a única coisa elegante nele era a roupa. Mesmo que tivesse só metade da elegância que teria se tivesse comprado o smoking Armani na Barneys.
- Oi – disse Dan quando chegou à mesa, a voz falhando.
- O que está fazendo aqui? – perguntou Lila. Não conseguia acreditar em sua sorte. Tinha de ficar ruim desse jeito? Então ela ia ter de ficar sentada ali pelo resto da noite vendo Dan babar para Gina?
Desculpe, meu bem.
- Caí fora da festa Beijo na Boca. Não é a minha – respondeu Dan.
- Eu também – disse Gina, sorrindo para Dan como ele nunca vira antes.
Dan se apoiou nas costas da cadeira de Lila para recuperar o equilíbrio.
- Oi – disse ele tímido.
- Você se lembra de Gina – afirmou Lila. – Ela é da minha turma na Beauxbatons.
- Oi, Dan. Belo smoking.
Dan corou e olhou para si mesmo.
- Obrigado. – Olhou para cima novamente. – E esse vetido... é... bonito também – gaguejou ele. Nunca pensou que seria possível ficar tão retardado.
- E a minha blusa? – perguntou Lila em voz alta. – Já me viu assim tão gostosa?
Dan olhou para a blusa de Lila. Era uma camiseta vermelha. Não era muito excitante.
- É nova? – sugeriu ele, confuso.
- Deixa pra lá – suspirou Lila, girando impacientemente a cereja em seu copo.
- Puxa uma cadeira – disse Gina, afastando-se para abrir espaço para ele. – A banda de Ruby vai tocar daqui a pouco.
Os boatos não podiam ser verdadeiros. Gina não parecia uma maníaca doida por sexo e viciada em drogas. Ela parecia delicada e perfeita e excitante, como uma flor silvestre com que a gente topa inesperadamente no Central Park. Dan queria pegar as mãos dle ae trocar sussurros com ela a noite toda.
Ele se sentou ao lado dela. Suas mãos tremiam tanto que ele teve de se sentar em cima delas para mantê-las paradas. Ele a queria loucamente.
A banda começou a tocar.
Gina terminou a vodca.
- Quer outra? – ofereceu Dan, ansioso.
Gina sacudiu a cabeça.
- Eu tô legal – disse ela, encostando-se novamente na cadeira. – Vamos ouvira a música um pouco.
- Tudo bem – disse Dan. Desde que ficasse perto dela, ele faria qualquer coisa.