CAPITULO 123 – CADA VEZ MAIS APAIXONADA
A apatia de Gina fez Hermione olhar para Harry com raiva. Será que ele não notava que sua ausência e indiferença estavam acabando com o amor tão frágil e inexperiente que Gina sentia?
Uma fragilidade que provinha de sua imaturidade.
Discretamente, para não chamar atenção de Rony, que conversava com o conde, ela se aproximou de Harry, enquanto fingia observar os livros na estante, livros que recobriam toda uma parede, desde o chão até o teto.
-Porque Gina está sempre triste, Harry? – ela perguntou suavemente, olhando para ele com segundas intenções.
Quem os visse, diria falavam do tempo ou dos livros. Nunca assuntos profundos.
-Não se adaptou a Londres – ele disse apreensivo por ter que responder a ela sobre esse assunto.
-É mesmo? – ela fingiu surpresa – Fico surpresa em saber, pois temos saído bastante para passear, e Gina parece muito contente com a cidade.
-Não sei o que lhe dizer – ele tencionava se afastar, mas o olhar que Hermione lançou sobre ele o fez mudar de idéia imediatamente.
-Seja franco, ao menos seja franco consigo mesmo – ela desafiou-o.
-É o riso – ele disse depois de um instante de silêncio.
-O que há de errado com o riso de Gina? – virou-se para ele, esquecida de parecer casual.
-Não há nada errado. É simplesmente divino. Alegra cada pedacinho da casa. Faz meu dia parecer formidável, e me faz sentir como se o mundo fosse absurdamente feliz.
Hermione olhou para ele esperando mais. Sempre havia mais.
-Achei que estivesse pronto para enterrar o passado e esquecer a dor de crescer sem meus pais. Mas estava errado. Dessa vez, se perder Gina, será ainda pior. Terei perdido tudo.
-Entendo.
Ela quis reclamar ou brigar com ele, mas não pode. Era exatamente isso que sentia às vezes. Pousou uma das mãos sobre o ventre, pensativa.
Olhou para Gina, apenas para encontrar seu olhar ressentido sobre eles. Sorriu para ela, e se afastou de Harry, aproximando-se da amiga para distrair sua mente das besteiras que pensava. Apertava-lhe o coração imaginar que em poucos dias iria embora, e não veria Gina por longos períodos.
As duas permaneceram sentadas, de mãos dadas, conversando sobe o bebê por mais de uma hora, até que o conde retornasse com Rony de uma conversa particular.
-Minha filha, tenho que dizer que está linda essa manhã – ele elogiou, aproximando-se e a tomando pelas mãos.
-Obrigada – ela aceitou o elogio, e apertou suas mãos com carinho.
A cada dia aquele homem conquistava um lugarzinho em seu coração. Sorriu para ele, e olhou para Rony. Ele parecia ligeiramente preocupado.
-Conversamos sobre sua recente amiga – o conde explicou, ajudando-a a retornar ao seu lugar no sofá e sentando-se ao seu lado.
-Reconheceu o envelope? O timbre de sua família? – ela perguntou ansiosa.
-Nossa família. – corrigiu-a – o brasão de nossa família. Sim, reconheci. Confesso, tenho muitos negócios na França. Mas poucos deles me ocupo pessoalmente, e a caligrafia no envelope é minha. Lembro de apenas uma ocasião há oito anos em que tenha escrito pessoalmente para meu administrador em Paris.
-Essa carta foi endereçada a quem? – perguntou ansiosa por desvendar esse mistério.
-Como disse, foi endereçada ao meu administrador na França. Era uma carta que se referia ao meu casamento. Minha esposa foi trazida da França para nos casarmos. Não foi algo romântico. Michelle era uma jovem solteira, sem filhos, numa situação pouco feliz financeiramente, e tinha interesse com esse casamento. Poucos meses após essa carta, ela chegou.
-Veio por navio? – começava a fazer sentido – é claro que veio por navio! Que outro modo haveria? – ela falou consigo mesma – Diga, mais alguém veio com ela da França?
-Na ocasião recordo-me de Michelle ter vindo com sua dama de companhia. Ela deixou-a antes de chegarem a minha casa, lembro-me que Michelle reclamou muito por causa de sua fuga.
-Sabe o nome dessa mulher? Se tem família em Londres? Sabe por que ela fugiu?
-Hermione – Rony chamou-a para conter sua empolgação – Sabemos por enquanto que se chama Margaret De Hart. Trinta anos, professora de letras. Apenas informações vagas.
-Margaret? Não, ela disse que se lembra de ser chamada de Elly. Uma lembrança de infância. Dizem que são as únicas que perduram até mesmo na loucura. Não é o que dizem?
-Ela deve estar confusa, minha querida, pois Elly era o apelido de infância de minha esposa. Na ocasião, trocamos algumas cartas, tenho algumas guardadas, mas estão em outra propriedade. Mandarei meu valete buscá-las ainda hoje. Escreverei para meu administrador em Paris, e pedirei que envie um retrato da dama de companhia que acompanhava Michelle. Isso a acalmará?
-Sim - ela sorriu mais tranqüila – Quero muito ajudá-la, papai.
-Deus abençoe seu coração generoso – ele disse beijando suas mãos e Hermione maneou a cabeça.
-Minha motivação é mais egoísta. Devolvê-la a sua família, me faria esquecer que não posso encontrar a minha - confessou humilde.
O conde apenas concordou, lembrando-se de Madeleine e compartilhando com ela essa dor profunda da perca.
-Hermione tem um pedido a lhe fazer, conde – Rony falou, para que o sentimento de melancolia não estragasse aquela bela manhã de bom humor.
Hermione estava radiante desde que levantara, e depois da noite passada, ele também estava em estado de graça. Ela olhou para ele com verdadeira adoração antes de sorrir.
-É um pedido estranho, e estou envergonhada de fazê-lo – contou.
-Não há razão para vergonha – ele garantiu, piscando para Rony sem que ela visse. Claro, já havia discutido a situação com o sogro.
-Preciso oferecer um baile – ela corou – Depois do que fiz, não deveria sequer tocar nesse assunto, mas me comprometi com o juiz Digory e o Sr.Loren – suspirou – Eu os conheci no mercado e deixei uma péssima primeira impressão, e só me restou bajulá-los. Eu... Prometo que serei educada e gentil dessa vez.
-Um baile? – Gina choramingou ao seu lado – Outro baile?
-Esse baile será diferente, Gina – ela incentivou – Não será mais o primeiro. Já sabemos o que nos espera.
-E minha filha promete que não haverá rompantes ou gritos? - o conde fingiu severidade.
-Prometo. Serei uma verdadeira dama. – sorriu – Não poderia ter um rompante de qualquer modo, estou grande demais para isso.
O conde tocou sua barriga, como fazia sempre. Rony desviou o olhar para ver Harry olhando para aquela barriguinha com algo estranho na face. Não tinha como saber os sentimentos que o faziam covarde.
Ter um filho seria uma bênção e ao mesmo tempo uma maldição, pois a dor seria terrível ao perdê-lo. Era nisso que Harry pensava, mas tanto Gina quando Rony interpretavam-no de modo errado.
-Redonda, eu diria – conde provocou-a, e Hermione riu.
-Não diga isso. – Gina pediu compadecida – não sabe que para uma mulher sua vaidade é tão importante quanto o ar que respira?
O conde seguiu provocando-as por um bom tempo, num animado debate sobre a futilidade feminina, e Rony se manteve a distância, permitindo que Hermione estreitasse cada vez mais os laços que a unia ao conde.
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Cinco dias depois e o baile aconteceu. Dessa vez, Hermione preferiu chegar bem cedo, junto com Gina e Harry, e esperar os convidados ao lado do conde. Nada de desfilar em meio a todos atraindo demasiada atenção para si mesma.
-Vê? – Rony cochichou em seu ouvido, estavam sentados lado a lado – Vejo Hermiones por todo o salão – era uma brincadeira e ela sorriu.
Vinha sorrindo muito, aliás.
Ele tinha razão. Uma em cada três jovens vestia vermelho, e tinha os cabelos penteados de um modo muito parecido com ela.
-Uma pena que escolhi uma cor tão banal essa noite – ela devolveu a piada, olhando para seu vestido lilás.
-Um alívio para os pais aqui presentes – ele revidou. – embora que essa cor ressalte sua pele e seus olhos, e fazem seus cabelos parecerem ainda mais brilhantes – era um gracejo apaixonado, e provavelmente apenas seus olhos viam esses detalhes. – cachos delicados e suaves... – enroscou os dedos nas mexas que caiam em seus ombros, e seus olhos se encontraram.
Hermione escolhera um vestido lilás, novo, que era realmente adorável. O decote era ousado, destacando os seios, que em dois montes generosos se agitavam a cada respiração e segundo ela, deveriam ser ressaltados, pois eram passageiros e quando seu corpo voltasse ao normal depois do parto, iriam diminuir. As mangas eram curtas, bordadas em fios de ouro que se estendiam sobre o busto e caiam pela ampla saia.
Era um vestido que pouco acentuava, evidenciando ainda mais a gravidez. Hermione estava cheia dos corpetes e fitas que a apertavam. Queria a libertada de um tecido solto, que a permitisse se mover.
Seus cabelos estavam presos por duas mexas no alto da cabeça, caindo o restante solto, numa cascata de cachinhos naturais.
Tão bem humorada estava, que até fizera o gosto do conde, de vê-la usando uma das tiaras de sua mãe falecida, a condessa de Valença. Espanhola, era uma tiara quadrara e estreita, que enfeitou plenamente o penteado escolhido por Hermione.
Olhando nos olhos azuis, Hermione se esqueceu do baile. Talvez ele visse algo de bonito nela, para estar sempre a olhando, pensou. Do mesmo modo que ela o achava o homem mais bonito do mundo.
Do mundo não. Do SEU mundo.
-Ora, vejam!
O nada discreto grito empolgado quebrou o clima entre eles, e Hermione precisou de um segundo para lembrar onde estava antes de olhar para quem os interrompia.
Diggory e sua robusta esposa estavam bem na frente de ambos, e Rony levantou imediatamente.
-Com tem passado, Sr. Diggory?
-Imensamente bem! Deus é testemunha de como tenho sido feliz desde que recebi o convite para esse baile! Um belíssimo baile! Belíssimo baile!
Hermione sorriu simpática para a senhora que apenas revirou os olhos. Parecia acostumada ao enfado que era seu marido.
-Minha esposa e eu mal podíamos esperar pela oportunidade de agradecer-lhe pela ajuda. Esclarecer os fatos sobre nossa situação é... – Rony tentou bajular um pouco, para que ele não voltasse atrás.
-Mil perdões meu marido, mas tenho certeza que meu pai está ansioso para conhecer o Sr. Diggory. Têm falado muito em ser apresentado ao senhor, e acabo de vê-lo olhando para cá – Hermione disse sorrindo;
-É mesmo? – o juiz virou-se na direção do conde com tanta velocidade que a senhora ao seu lado suspirou ruidosamente, acostumada com sua falta de modos e agilidade. – Devo me apresentar? Será?
-Meu pai não é de cerimônias, e já falamos tanto do senhor, que o tem por um amigo próximo – incentivou, achando que se tivesse uma vassoura em mãos o enxotaria dali a vassouradas.
-Sendo assim... - ele fez um cumprimento rápido, arrastando a pobre mulher com ele pelo salão.
-Quanta crueldade, Hermione. Seu pai não merece essa cruz – Rony brincou, sentando-se ao seu lado novamente.
-Sei disso, mas não me acho capaz de suportar ser bajuladora essa noite. – passou uma das mãos no ventre – além disso, quero aproveitar meu baile, como não fiz da primeira vez.
-Podemos dançar um pouco – ele ofereceu acariciando sua mão, que corria sobre o ventre.
-Gostaria de dançar uma música com Harry – ela disse pensativa, sem notar que o ciúme o fez se retesar e se afastar – Ele precisa ouvir umas poucas e boas pela insensibilidade com Gina – seguiu contando – Entendo que tenha medo de sofrer, mas deveria ter pensado nisso antes de casar-se com ela!
Sua indignação o acalmou um pouco, e Rony maneou a cabeça negando.
-Eu falarei com ele, Hermione. Essa noite, não quero que dance com nenhum homem além de mim – disse possessivo.
-Prometi uma dança ao meu pai – ela retrucou.
-Um dança? Posso sobreviver a isso – ele segurou sua mão e ela tentou não rir dele.
-Não precisa sentar e ficar ao meu lado a noite toda. Tem seus assuntos a discutir com outros cavalheiros presentes. E, além disso, gostaria de conversar com Gina, Luna, Roxinne...
-Está cansada da minha companhia? – provocou.
-Apenas considero que a distância aumentaria a saudade – ela respondeu no mesmo tom.
-Hum, sinto-me tentado a me sentir lisonjeado. Mas não ouso tanto – ele piscou para ela. – Venha, vamos dançar uma música, depois prometo que a deixo em paz por algum tempo.
Hermione seguiu-o até a pista de dança, ocultando um sorriso. Sentia-se orgulhosa por não temer aquele baile. Orgulhosa por estar ali, fazendo parte da vida do conde. Por ter um marido tão gentil, e por saber que sua vida estaria completa quando seu filho nascesse.
Sentia tanto orgulho!
Os olhares não a incomodavam mais, eram olhares de curiosidade ou admiração, ou então, de desprezo. Mas os sentimentos bons compensavam aquelas pessoas mesquinhas que lhe tinham péssimos sentimentos mesmo sem conhecê-la.
-Está adorável essa noite, Hermione – ele elogiou depois de alguns rodopios.
-Não se atreva a me soltar – ela disse um pouco apavorada, pois não sabia dançar.
-Não corre perigos em meus braços – ele garantiu, rindo de sua própria bobeira – Somos dois tolos apaixonados, já percebeu?
-É claro que não – ela desconversou. – Embora, que a afirmação tem seu fundo de verdade. Que é um tolo, ninguém nega.
-Não seja ranzinza, Hermione – ele provocou, girando-a pelo amplo salão.
-Tenho medo de tropeçar – confidenciou, olhando para os pés, enquanto eles seguiam dançando em perfeita harmonia.
-Seu corpo foi feito para acompanhar o meu, não se preocupe – ele garantiu.
Seus olhos se encontraram, e Hermione subiu uma das mãos que estava em seu ombro, seguindo as regras impostas pela sociedade, e deixou os dedos entrarem entre seus cabelos ruivos, acariciando-os quase inconscientemente, tentada a beijá-lo.
-O que aconteceria se me beijasse aqui? No meio dos convidados? – ela perguntou maliciosa.
-Seria um escândalo – ele respondeu no mesmo tom, beijando sua testa. – Tenho certeza que a saleta do conde está vazia. – sugestionou.
Hermione estava tentada a aceitar, quando a música parou.
O conde atraia a atenção de todos, a voz elevada acima do burburinho agitado dos convidados.
-Esta noite é especial para mim – ele disse, estendendo uma das mãos em direção a Hermione – Apresento formalmente, minha querida filha a todos os meus amigos e colaboradores, pessoas queridas que me acompanham durante toda a vida. Hermione, uma flor que veio embelezar minha vida, e me trouxe de presente um neto, que será minha razão de viver, e um genro, que temo se tornará como um filho para mim. - a emoção do conde era visível, esperando por ela.
Hermione gelou, imóvel. Não esperava por isso.
Rony colocou sua mão em seu braço, num gesto de pura elegância, que condizia com a ocasião. Dando-lhe o apoio necessário, levou-a pelo amplo salão, desfilando com Hermione e expondo-a a todos os olhares.
Não era sua intenção constrange-la, mas sim, enaltecê-la e expor orgulhosamente sua esposa.
Heroicamente, ela andou ao seu lado, de cabeça erguida, os olhos fixos em seu pai. A imagem do pai doente, amargo e deitado numa cama, ensinando-a a repudiar a generosidade alheia e a bondade, se tornando cada vez mais distante.
Amava aquele homem que a criara. Esse amor estaria sempre em seu coração. Um amor, porém, que não regia mais seus atos, muito menos ocupava seu coração nesse momento.
Seu marido, seu filho e seu pai. Eram as únicas pessoas que tinham um lugar cativo em seu coração. Seus amigos, seus tão bons amigos faziam parte daquele lugar especial que as pessoas conservam em seu peito, para aqueles que se fazem importante, mesmo sem laços de sangue.
Rony entregou-a ao conde, que beijou sua mão com verdadeira adoração.
-Não faça isso comigo – ela pediu muito baixo, contendo as lágrimas de emoção, com seu sorriso desmentindo suas palavras.
-Não farei – ele beijou-a na testa também fazendo um sinal para a orquestra que retornou a tocar uma bela valsa.
A guiou em direção ao salão, para valsarem, três gerações unidas naquela noite. Pai, filha, e neto. Em poucos meses, aquele bebê estaria naquela casa, mesmo que em visita, marcando aquele lugar como seu.
O conde conduziu-a por todo o salão, orgulhoso, ensinando-a os passos que não conhecia e conversando sobre assuntos que a deixavam menos tensa e receosa de tropeçar.
Observando-os de longe, Rony cercou-se de uma taça de vinho, observando o magnífico tecido lilás rodopiando pelo salão, engrandecendo a beleza de Hermione e tornando seu rosto radiante ainda mais bonito.
-Hermione está linda essa noite, irmão – Gina aproximou-se dele, timidamente.
-Onde está Harry? – ele perguntou olhando me volta.
-Conversando com alguns conhecidos. – ela desconversou, sempre olhando para a amiga. – Hermione está tão feliz. Tão diferente do que era. Quando pequenas, sempre era sorridente e feliz. Depois a alegria a abandonou, conforme a vida endureceu seu coração. Mas agora, parece que a alegria voltou a reinar em sua vida. Tudo graças a você, meu irmão.
-Não, a felicidade de Hermione vem do fato de ter aberto seu coração para as mudanças em sua vida. Acredito que quando deixamos a fazenda, ela pode deixar para trás o medo de se perder de tudo que conhece como seguro. Aqui, sente-se livre. Descobriu que a felicidade está junto daqueles que a amam, e não preso a um pedaço de terra.
-Acha mesmo que a felicidade está junto daqueles que nos amam? – Gina perguntou, olhando para ele com pura fragilidade.
Rony abandonou seu copo e ergueu o queixo de sua irmã olhando em seus olhos.
-O que a deixa tão infeliz, Gina? Saudades de casa? – perguntou tentando entender.
-E o que me sobra além da saudade e do arrependimento? - ela se afastou, lutando contra as lágrimas.
-Harry não a trata bem? – estava surpreso, subestimara as mágoas que havia entre o casal.
-Sim, me trata muitíssimo bem, como trataria um desembargador ou administrador de suas propriedades. Até mesmo me concede alguns minutos de seu dia, para dizer-me bom dia ou boa noite, depois de despencar exausto ao meu lado! – corou ao notar a própria indiscrição – Eu poderia ter me casado com um homem que não amasse, mas ao menos não conheceria a dor da indiferença e do descaso! – ela desabafou - Irmão, como lamento não ter me casado antes de conhecer Harry! Lamento tanto! Hoje, poderia ser feliz.
Suas palavras soaram pesadamente em volta dos dois, e Rony olhou além de Gina, avistando Harry que se aproximava. Pela sua expressão tinha certeza que ouvira apenas a última parte.
Gina olhou para trás, mas não se abalou ao vê-lo. Apenas olhou para outro lado, evitando contato visual.
-O Sr.Digory pede uma minuto de sua atenção, Rony – ele disse friamente – gostaria de lhe apresentar sua enteada.
Gina olhou para Rony com um meio sorriso, talvez por achar graça, talvez por pirraça a Harry, ao mostrar-lhe ser indiferente a sua mágoa.
-Cuidado meu irmão, ainda não está livre de uma Suzan. Não precisa de outra!
-Tenho certeza que não é essa a intenção do Sr.Digory – ele sorriu ternamente, temendo pelo coração de sua irmã.
-É uma boa moça, mas já passou da idade e da beleza para se casar. Não tem um bom dote, nem ao menos tem bons assuntos. Creio que ele pedirá um favor em nome da pobre jovem.
-Um favor? – Gina olhou para o marido com desafio no olhar. – Que tipo de favor?
-Pedir a filha do conde, e suas belas e educadas amigas que circulem com a moça por alguns dias, para quem sabe, despertar o interesse de algum jovem interessado em casar-se – Harry respondeu em tom de desafio.
-E quem seriam as belas e educadas amigas de Hermione? – Gina ironizou – Luna Lovegood? – ela chegou a fazer uma careta diante da pergunta. Uma travessura de criança que fez Harry desanuviar a expressão e responder num tom de provocação.
-Bem, o noivo da Srt.Lovegood está de volta, e parece ver muitos encantos em sua noiva, pois está apressando o casamento. Quanto a sua amiga mais antiga, sem dúvidas possui encantos suficientes para conquistar qualquer homem que deseje. Embora, sua educação seja considerável.
-Qualquer homem? Duvido. – ela respondeu, seu sangue queimando e corando sua face – Estou longe de ser capaz de conquistar um homem.
-Se me derem licença, preciso bajular o juiz Diggory – Rony disse querendo se livrar daquela situação.
Deixou-os sozinhos, notando, mesmo que a distância que a discussão prosseguia. Infelizmente não podia controlar a vida da irmã, não tinha mais esse poder.
Desviou o olhar e ficou olhando para Hermione que dançava com um senhor de cabelos brancos, era um coronel do exército, parceiro do conde em vários negócios.
Não teria ciúmes dele, mas por via das dúvidas, manteve os dois olhos em ambos. Hermione sorriu simpática para ele, e conversavam. Em dado momento ela olhou em volta, obviamente entediada, e achou-o em meio à multidão.
Procurava por ele.
Ela esquivou o olhar, disfarçando, e ele retornou sua missão, paparicando Diggory.
Não havia maior satisfação do que descobrir que Hermione procurava por ele.
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A noite prosseguiu mesmo após a partida dos convidados e o encerramento oficial do baile. Hermione não imaginava que fosse tão cansativo ser uma dama da sociedade.
Seus pés doíam, seus ouvidos latejavam pela música alta e constante. Seus lábios estavam secos, pois o vinho era abundante, e a água escassa. Afinal, quem beberia água em um baile regado a champanha importado?
Esfomeada e cansada, ela acompanhava o jogo de cartas entre o Conde, Digory, Loren, Rony, Harry e o Coronel Staub, um velho amigo do conde.
As mulheres estavam à parte, embora Hermione sentisse vontade de jogar. Tinha como companhia Gina, a esposa de Digory, a enteada do mesmo, a tímida Lily. Do outro lado da saleta íntima do conde, a filha do Sr.Loren, Amanda Loren, observava os enfeites e bibelôs caros.
Hermione não havia simpatizado com a moça, embora se esforçasse para retribuir sua simpatia. Lily pelo contrário, era tímida e calada, mas nada que a incomodasse, pois até bem pouco tempo, a própria Hermione não era de falar muito.
-Hum, que enfadonho que os cavalheiros tenham abdicado de nossas companhias em nome das cartas – Amanda disse naquele seu tom jocoso que deixava Hermione irritada.
-Um bom jogo de cartas pode renovar um homem – o conde disse sorrindo para a moça, sem desviar a atenção das cartas.
-Sim, e entediar uma mulher. – ela disse impertinente.
-Não a nada de interessante em homens velhos e casados, principalmente para uma moça solteira – o Sr.Loren disse olhando para a filha com repreensão.
-Papai. – ela pareceu se aprumar, sendo cutucada daquele modo – Sabe que adoro uma boa conversa!
-Ora, mas porque tanto silêncio? – Rony brincou – Onde já se viu tantas mulheres silenciosas?
Hermione olhou para ele, contendo a vontade de responder-lhe algo que o faria se irritar. Quanto machismo!
-Estamos cansadas, meu irmão – Gina reclamou – e como disse a Srta.Loren, entediadas sem nossos maridos, pais e irmãos.
-Não seja estraga prazeres, Gina. As cartas são mais interessantes do que suas reclamações – Rony provocou-a.
-Quanta consideração, Ronald – Hermione olhou para ele, instigando-o a desafiá-la.
Amanda olhou de um para o outro, e se aproximou da mesa onde o jogo continuava.
-Acredito que seja um bom jogador, Sr.Wesley. - ela disse observando seu jogo. Ele pareceu incomodado com a indiscrição, mas não se afetou demais.
Hermione olhou para a jovem que apoiava uma das mãos no encosto da alta cadeira que ele ocupava e curvava o corpo em sua direção, com o falso intento de espiar suas cartas.
Ela era ruiva e alta. Ele não se interessaria por uma mulher que lembrasse sua mãe e sua irmã, pensou. Não precisava se preocupar.
-Não tenho o hábito, e acredito que apenas a prática garante a perfeição – ele respondeu com a sombra de humor na voz.
-Porque não joga, Srt.Loren ? – Hermione sugeriu para ver se ela se intimidava e se afastava.
-Que idéia esplêndida! – Amanda bateu palmas frivolamente – Sou uma exímia jogadora! Por favor, senhores, me permitam jogar um pouco!
Eles se entreolharam e o Sr.Loren foi o primeiro a ter um pouco de prudência.
-Baralho não é um divertimento a altura de uma dama. Sente-se e converse sobre bordados – ele resmungou.
Irritada, Amanda fez uma expressão de criança contrariada e inclinou-se um pouco mais em direção ao baralho, oferecendo uma visão privilegiada para Rony.
Ameaça ou não, aquela mulher era uma sem vergonha, pensou Hermione.
-Sinto tanto calor – Gina resmungou – Não deveria ter vestido veludo.
-Está completamente enganada – Hermione corrigiu-a – Está linda e foi sem dúvidas a mulher mais bonita de todo o baile. Não acha, Srta. Diggory? – tentou incluir a tímida enteada do juiz.
-Sim. – ela baixou a cabeça, constrangida.
Era da altura de Hermione, um pouco mais cheinha. Tinha um rosto simpático com delicadas covinhas nas bochechas quando sorria. O problema é que não sorria. Seus olhos eram castanhos e sua pele corada, pois estava sempre envergonhada. Poderia ser muito bonita se não se escondesse em roupas quase fúnebres.
-São seus olhos, Srta. Diggory – Gina brincou com ela – Sinto-me ainda mais tola do que Hermione naquele vestido vermelho – fez um gesto de descaso com a saia de seu vestido verde.
-Cuidado, irmã. Soa como uma debutante irritante e infantil – Rony alertou-a de seu lugar, querendo instigá-la.
-Acha que todas as debutantes são irritantes e infantis, Sr.Wesley? – Feliz em voltar ao assunto, Amanda andou pela sala, atraindo a atenção de todos.
-Preciso confessar que algumas são irritantes – ele deu de ombros.
-Mas não sua esposa, suponho? – ela entrou finalmente no assunto que lhe interessava.
-Hermione nunca debutou. Mas poderia ter sido irritante e infantil se o fizesse – piscou para Hermione que não gostou nada do comentário.
Na verdade não gostava da atenção demasiada daquela coisinha sem graça!
-Nunca debutou? Como é possível? Casar-se sem ter debutado? –ela fez ares de ofensa – Acaso havia alguma imperfeição que a impedisse de ser apresentada a sociedade?
Hermione olhou para Rony esperando sua defesa. O conde olhou para ele com o mesmo intento.
Rony olhou para o jogo, depois para Hermione e por fim para Amanda, baixando as cartas antes de dizer em tom de conspiração.
-Hermione tem um grande defeito, Srta. Loren. Um defeito imperdoável e que a impediu de debutar.
-E qual seria esse defeito? – ela perguntou encantada, achando dividir um segredo com ele.
-Eu a conheci antes dela debutar. E uma vez tendo a conhecido, não a permitira dividir suas intenções com outros cavalheiros. É esse seu grande defeito. Um marido ciumento e possessivo.
Decepcionada, ela olhou para Hermione que declinou do direito de resposta, pois ele não merecia ser lembrado que não deveria flertar com outras mulheres, mesmo que de brincadeira!
-É um homem de fortes paixões, Sr.Wesley? - ela insistiu.
Seu pai chegou a pigarrear como quem pede moderação. Se ela ouviu, ignorou, com seu sorriso de pura malícia.
-Porque não pergunta a mim, Srta. Loren? – Hermione interferiu, o sangue subindo a cabeça mais rápido do que previra.
-E porque o faria? Os homens não costumam revelar suas verdadeiras paixões a suas esposas! – ela jogou seu veneno sobre Hermione.
-E suponho que conheça muitos homens, para ter tal certeza!
Hermione sabia que deveria ter mordido a língua antes de chamar a ‘donzela’ em questão de vadia.
O sangue também pareceu subir a cabeça do Sr.Loren, mas ele olhou para o conde e perdeu a vontade de responder. Estreitar laços com o conde de Valença fazia aceitável ate mesmo agüentar as malcriações de sua intolerável filha caipira!
-Hermione – o Conde disse em tom baixo, e isso a enfureceu.
-O que foi conde? Disse algo que não estivesse na mente de todos desde que a Srta. Loren começou a flertar abertamente com meu marido?
-Chega Hermione – Rony pediu abandonando as cartas.
-Não se meta meu irmão – Gina pediu em tom de riso – algumas pessoas precisam ouvir certas coisas para mudarem seu comportamento!
-É mesmo? – Harry perguntou de seu canto.
Mantivera-se calado durante toda a noite, depois de ouvir que sua mulher lamentava se casar com ele. E agora, mais uma alfinetada. Ele abandonou as cartas e levantou-se.
-Acredito que a noite tenha acabado para mim. Com sua licença, conde – com uma mesura ele olhou para Gina desafiando-a não obedecê-lo.
Fechando o leque com raiva, e batendo-o em sua mão ela levantou-se e sem dizer nada, muito menos se despedir, passou por ele, saindo emburrada. Harry a seguiu logo a seguir.
Nem mesmo a interrupção pode calar os protestos de Amanda.
-Papai, quero ir embora daqui! Nunca fui tão ofendida em toda a minha vida! - ela bateu o pé no chão, irritada.
-Ofendida? – Hermione levantou-se em postura de combate – Arrume um marido se tem pressa para casar, mas não tem o direito de flertar com o marido alheio, ainda mais em público! Estou errada, Srta. Diggory?
Em sua raiva queria um apoio. A jovem não era acostumada a tomar partido sobre nada, mas dessa vez apenas achou melhor ir para o lado mais interessante.
-Uma dama não deve chamar atenção sobre si, ainda mais de um cavalheiro comprometido.
-Viu! – Hermione deu um passo a frente, e Rony levantou-se.
-Chega. Essa bobagem ultrapassou os limites. Conde, receio ter que levar sua filha imediatamente para o quarto.
-Tenham uma boa noite – ele disse prosseguindo com o jogo, como se nada estivesse acontecendo.
Hermione deixou-os falando sozinha, e se apressou para seu quarto. Quando bateu a porta atrás de si notou que havia repetido o mesmo comportamento de sempre.
Como podia ter sido novamente irritada e de pavio curto?!!!!!
Rony não fizera nada, a não ser escapar dos flertes!
Arrependida, sentou-se na cama, tirou os sapatos e a tiara que o conde lhe presenteara.
Enterrou o rosto nas mãos, humilhada.
-Foi extremamente desagradável de sua parte ofender uma pessoa tão dispensável quanto ela! – ele disse ao entrar a fechar a porta atrás de si. – Por que se rebaixou a isso?
-Eu me rebaixei? – encarou-o com dó de si mesma.
-Sim. Rebaixou-se a um ponto indigno. Pior que o comportamento daquela moça! Sou seu marido, e sou em que usa calças!
-Não me pareceu que ela quisesse que as usasse por muito tempo – revidou com raiva de si mesma.
-Porque esse escândalo todo? Essa moça não faz parte da nossa vida! Acha que sentiria desejo por uma mulher que se parece com a minha mãe? – havia horror em sua voz.
-É claro que não! Sei que não gosta de ruivas. – afirmou com prioridade.
-Então, porque em nome de Cristo, chamou a pobre infeliz encalhada de oferecida na frente de todos?
-Eu não a chamei de oferecida! – tentou se defender, mesmo sabendo que estava errada.
-Faltou apenas usar a palavra! Porque, Hermione? Porque esse papelão todo?
Ele realmente estava com raiva.
E não era para menos.
-Estou cansada e não estou pensando direito. Foi por isso que...
-Não minta! Admita! Porque fez essa cena? - exigiu com olhar autoritário.
-Estou com ciúmes! – ela gritou com ódio – Satisfeito!???????
Louca de vergonha, enterrou o rosto novamente nas mãos, querendo desaparecer dentro de um buraco.
-Não. Não estou nem um pouco satisfeito. Quero saber por que sente ciúmes. – havia ordem em sua voz.
Hermione pensou em mandá-lo para o inferno.
-Está aborrecido com a cena que fiz. Não é? – perguntou engolindo um choro de vergonha.
-Sim, estou. Porque sente ciúmes?
-E a caso você não sente ciúmes? – tentou fugir da pergunta.
-Sinto, mas sei por que sinto. Sou possessivo porque a amo. E você? Porque sente ciúmes?
-Eu não posso falar disso – desconversou rapidamente, apavorada.
-Não sabe a razão? Hermione olhe para mim!
Ela o fez. Olhou em seus olhos e não pode mentir.
-Eu sei a razão. É o que quer ouvir? Sim, eu sei a razão! – a vergonha havia ido embora, mas um sentimento de pesar a sufocava – Por favor, não me obrigue a dizer. Eu não posso dizer!
-Porque não?
Ela não respondeu. Baixou os olhos e não respondeu nada.
-Hermione?
-Seja paciente comigo. Não me obrigue a dizer.
Havia choro em sua voz, e ele sentiu a raiva passar. O conde tinha razão, isso causava dor em seu pequeno passarinho.
-Não é que ela não tenha merecido ser chamada de oferecida – ele mudou o assunto e ela riu.
Um riso triste, olhando para ele agradecida.
Tão agradecida por ter deixado o assunto morrer por hora, que levantou-se e o abraçou.
Descansou o rosto em seu peito e enlaçou-o pela cintura.
Rony abraçou-a de volta, acariciando seus cabelos e procurando os botões de seu vestido. Quando Hermione ergueu o rosto, suas bocas se encontraram ávidas e desejosas de mais.
E os desentendimentos foram esquecidos completamente por aquela noite.
Autora: E aí, Bruna? O que achou? Hehe....viu, eu leio tudo que escreve, embora não tenha tempo para responder. Meninas, a idéia final desse capitulo foi da Bruna. Dei uma adaptada para a fic, e mudei umas coisas, mas o conceito é todo dela. O que acharam? Profundo não é?
Beijos!!!!!
Recadinho para Disomers: menina não liga para a Mi, ela tem alguns parafusos a menos, onde já se viu, ela implica até quando eu Beto a minha própria fic! Não tinha erro nenhum, ela é que é ciumenta. E quando a plantar discórdia, é bom, assim ela fica sabendo que não é a rainha do pedaço, não andou miudinho comigo, perde o lugar!
Heheh
Recadinho para a Perséfone: Teu nome ta na lista, querida. Se a Mi pisar fora da faixa já sabe....
Recadinho para a Mi: respira, inspira...respira, inspira...conta até dez...isso aí...heheheheheheheh!
Meninas queria falar de todas, mas não dá tempo! Essa fic não para de crescer e estou escrevendo como doida!
Tchau