No fim da manhã de domingo, a escadaria do Metropolitan Museum of Art estava abarrotada de gente. Turistas, principalmente, e moradores que tinham vindo em uma breve visita para poder se gabar com os amigos e aparentar cultura.
Dentro do museu, estavam servindo um brunch na ala egípcia para todos os membros do museu e suas famílias. A ala egípcia era um cenário soberbo para festas noturnas – em ouro brilhante e exótica, com o luar brilhando dramaticamente em todas as modernas paredes de vidro. Mas era totalmente inadequada para um brunch. Salmão defumado, ovos e faraós egípcios mumificados realmente não combinavam. Alem disso, o sol da manhã brilhava tão forte pelas paredes de vidro obliquas que até a mais leve ressaca parecia dez vezes pior.
Quem foi o idiota que inventou o brunch? O único lugar decente para ele nas manhãs de domingo era a cama.
A sala estava cheia de mesas redondas e moradores recém-lavados do Upper West Side, Eleanor Granger, Cyrus Rose, os Weasley , os Malfoy, os Potter e seus filhos estavam ali, todos sentados em volta de uma mesa. Hermione sentou–se entre Cyrus Rose e a mãe, mal humorada. Harry andou intermitentemente chapado, bêbado ou inconsciente desde sexta-feira, e parecia tonto e amarrotado, como se tivesse acabado de acordar. Gina usava uma das roupas novas que tinha comprado com a mãe na véspera e estava com um novo corte de cabelo, com camadas suaves emoldurando o rosto. Estava ainda mais bonita do que nunca, mas nervosa e quicando depois de beber seis xícaras de café. Só Draco parecia tranqüilo, bebericando satisfeito seu Bloody Mary.
Cyrus Rose cortou o omelete de salmão e alho-poró ao meio e a enfiou em um pão de centeio.
- Estou louco para comer ovo. – disse ele para ninguém em particular, dando uma mordida faminta – Sabe quando seu corpo diz que você precisa de alguma coisa? O meu esta gritando: "Ovo,ovo,ovo!"
E o meu está gritando: "Cala a boca da porra!" pensou Hermione.
Hermione empurrou seu prato para ele:
- Toma, fica com o meu. Eu detesto ovo.
Cyrus empurrou o prato de volta.
- Não, você esta em frase de crescimento. Precisa dele mais do que eu.
- Ele tem razão, Hermione. – concordou a mãe dela - Coma seu ovo. Vai fazer bem a você.
- Ouvi dizer que ovo da brilho aos cabelos. - acrescentou Misty Malfoy.
Hermione sacudiu a cabeça.
- Eu não como aborto de galinha. – disse ela, obstinada – Me da enjôo.
Draco estendeu o braço por sobre a mesa.
- Eu como, já que você não quer.
- Ah, agora essa, Draco – cacarejou a sra. Malfoy – Não seja porco.
- Ela disse que não quer. Não é, Mione ?
Hermione entregou–lhe o prato, com o cuidado de não olhar para Gina nem para Harry, sentados ao lado de Draco.
Gina estava ocupada cortando sua omelete em quadradinhos, como peças de palavras cruzadas. Começou a construir torres altas com ela.
Pelo canto do olho, Harry a observava. Ele também observava as mãos de Draco. Toda vez que elas se enfiavam por sob a toalha da mesa e saiam de vista, Harry imaginava que estavam na perna de Gina.
- Alguém viu a seção Styles no Times hoje ? – perguntou Cryus, olhando para todos da mesa.
Gina teve um estalo. Sua foto com os irmãos Remi. Tinha se esquecido disso.
Franziu os lábios e afundou na cadeira, esperando por uma inquisição de seus pais e de todos outros na mesa. Mas não teve nenhuma. Era parte do código social não insistir no que fosse constrangedor.
- Me passa o creme, Harry querido? – pediu a mãe de Hermione, enquanto sorria para Gina.
Então fica combinado assim.
A mãe de Harry limpou a garganta.
- Como esta indo a festa do Beijo na Boca, Hermione? Vocês garotas estão prontas? – perguntou ela, balançando seu Seven-and–Seven.
- Sim,estamos preparadas. – respondeu Hermione com educação. – Finalmente , conseguimos enviar todos os convites. E Kate Spade vai mandar as bolsas de brinde depois da aula de quinta.
- Eu me lembro dos bailes que costumava organizar. – disse a sra. Weasley, com uma expressão sonhadora. – Mas o que me preocupava neles eram se os meninos iam aparecer. – Ela sorriu para Harry e Draco. - Não precisamos nos preocupar com vocês dois, não é ?
- Eu estou totalmente nessa. – confirmou Draco esquartejando a omelete de Hermione.
- Eu vou. - disse Harry, olhando para Hermione, que agora o encarava.
Harry estava usando o mesmo suéter de cashmere que ela lhe dera em Sun Valley. Aquele com o coração de ouro.
- Com licença. – Hermione se levantou de repente e deixou a mesa.
Harry a seguiu.
- Hermione! – gritou ele, serpenteando pelas mesas, ignorando o amigo Jeremy, que acenava para ele do outro lado da sala. - Espera.
Sem se virar, Hermione começou a andar mais rápido, os saltos martelando o piso de mármore branco.
Eles chegaram ao corredor para os toaletes.
- Qual é, Hermione. Desculpa, ta bem? Será que a gente pode conversar? – gritou Harry
Hermione chegou a porta do banheiro das mulheres e se virou, empurrando–a pela metade com o traseiro.
- Me deixa em paz, ta bom ? – disse ela, ríspida e entrou.
Harry ficou do lado de fora da porta por algum tempo com as mãos no bolso, pensando. Naquela manha, quando colocou o suéter verde que Hermione lhe dera, encontrou um coraçãozinho de ouro costurando na manga. Nunca o tinha percebido antes, mas era obvio que foi Hermione quem o colocou ali. Pela primeira vez ele percebeu o que ela quis dizer quando falou que o amava.
Foi muito intenso. E muito lisonjeiro. E meio que o fez querê-la novamente. Não era qualquer garota que costurava um coração de ouro nas roupas.
Ele tinha esse direito.
Gina precisava desesperadamente fazer xixi, mas era demais para ela ficar no mesmo banheiro que Hermione. Mas, passados cinco minutos desde que Hermione e Harry tinham saído, Gina não agüentou esperar mais. Levantou-se e foi para o toalete das senhoras.
Rostos conhecidos olharam Gina enquanto ela passava pelas mesas. Uma garçonete ofereceu-lhe uma taça de champanha. Mas Gina sacudiu a cabeça e correu pelo corredor de mármore para os banheiros. Passos rápidos e pesados martelavam o chão atrás dela, e ela se virou. Era Cyrus Rose.
- Diz a Hermione para se apressar se ela quiser a sobremesa, está bem?
Gina assentiu e empurrou a porta do toalete das senhoras. Hermione estava lavando as mãos. Ela olhou para cima, viu o reflexo de Gina no espelho sobre a pia.
- Cyrus disse para você se apressar se quiser a sobremesa - disse Gina abruptamente, andando para um reservado e batendo a porta. Ela puxou a calcinha e tentou fazer xixi, mas não conseguiu, não com Hermione por ali.
Gina não conseguia acreditar. Quantas vezes no passado ela e Hermione foram ao banheiro juntas, conversando e rindo enquanto ela fazia xixi? Ela perdeu a conta. E agora Gina se sentia tão nervosa na presença de Hermione que não conseguia? Era de ferrar totalmente a cabeça.
House uma pausa silenciosa e estranha.
Você não odeia pausas estranhas?
- Tudo bem. - Gina ouviu Hermione dizer antes de sair do banheiro.
A porta se fechou, Gina relaxou e começou a fazer xixi.
Cyrus pegou Harry no banheiro dos homens.
- Você e Hermione brigaram? - perguntou Cyrus. Ele abriu o fecho da calça e parou no mictório.
Mas que sorte, Harry.
Harry deu de ombros enquanto lavava as mãos.
- Mais ou menos.
- Deixe-me adivinhar, foi por causa do sexo, não é? - insistiu Cyrus.
Harry corou e puxou uma toalha de papel do suporte.
- Bom, meio que... - Ele realmente não queria entrar nessa.
Cyrus deu a descarga no mictório e se juntou a Harry nas pias. Lavou as mãos e começou a remexer na gravata cor-de-rosa brilhante com cabeças de leão em amarelo. Muito Versace.
Leia-se brega.
- As únicas coisas que levam os casais a brigar são sexo e dinheiro - observou Cyrus.
Harry ficou parado ali, as mãos no bolso.
- Tudo bem, garoto. Não vou dar nenhum sermão nem nada disso. É da minha futura enteada que estamos falando. De jeito nenhum vou dizer a você como entrar nas calças dela.
Cyrus deu uma risadinha para si mesmo e saiu do banheiro, dando as costas para Harry, que se perguntava se Hermione sabia que Cyrus estava planejando se casar com a mãe dela.
Harry abriu a torneira e jogou água fria no rosto. Olhou-se no espelho. Ficara acordado até tarde com os garotos, brincando de jogos de bebida idiotas com Tomb Raider. Toda vez que vissem os mamilos de Angelina Jolie, tinham de beber. Ele tentou afogar os pensamentos sobre Hermione e Gina no máximo de álcool que conseguiu engolir, e agora estava pagando por isso. Seu rosto estava pálido, tinha círculos marrons-arroxeados sob os olhos e as bochechas estavam encovadas. Ele se sentia uma merda.
Assim que o maldito brunch terminasse, ele iria direto para o parque, para fumar ao spç e dar uns tapas. A cura perfeita.
Mas antes tinha de azarar Hermione um pouquinho. Só o bastante para ela querê-lo de novo.
Esse é o cara!
Em vez de voltar para a mesa quando saiu do banheiro das mulheres, Hermione atravessou a sala, procurando pela mesa de Parvati e Fleur.
- Mone! Aqui! - gritou Parvati, batendo na cadeira vazia ao lado dela. Seus pais e os amigos estavam trabalhando na sala, fazendo a social, então as meninas tinham uma mesa só para elas.
- Toma - disse Fleur, entregando a Hermione uma taça da champanha e suco de laranja.
- Obrigada. - Hermione tomou um gole.
- Jeremy Scott Tompkinson acabou de sair daqui e tentou levar a gente ao parque com ele - disse Parvati. Ela riu. - Ele é meio bonitinho, sabe, de um jeito assim meio mauricinóide.
Ei, que palavra legal!
Fleur se virou para Hermione, revirando os olhos.
- Que chatura, né? E a sua mesa?
- Nem pergunte. Adivinha com quem eu estou sentada?
As duas meninas abafarm o riso. Elas não precisavam adivinhar.
- Viu aquele cartaz dela? - perguntou Fleur a Hermione.
Hermione assentiu e revirou os olhos.
- O que é aquilo afinal ?- disse Parvati.- O umbigo dela?
Hermione não tinha idéia.
- Quem liga?
- Ela não tem vergonha - arriscou Fleur. - Eu realmente meio que lamento por ela.
- Eu também - concordou Parvati.
- Bem, eu não - disse Hermione, irritada.
Grrr.
Harry empurrou a porta do banheiro dos homens no momento exato em que Gina empurrou o das mulheres. Juntos, eles foram pelo corredor de volta à mesa.
- Harry - disse Gina, ajeitando a saia de camurça marrom sobre as pernas.- Pode me explicar por que não está falando comigo, por favor?
- Eu não deixei de falar com você. Tá vendo, eu estou falando com você agora.
- Quase nada.- disse Gina.- O que aconteceu? Qual é o problema? Hermione disse alguma coisa sobre mim?
Instintivamente, Harry pegou um frasco de uísque que estava escondido no bolso do casaco. Olhou para o piso de mármore, evitando os belos olhos tristes de Gina.
- A gente devia voltar - sugeriu Harry, acelerando o passo.
- Legal - respondeu Gina, seguindo-o lentamente.
Ela estava com aquele gosto amargo de sal no fundo da garganta de novo, o gosto de lágrimas. Tinha segurado o choro por dois dias e podia sentir uma maré chegando. De uma hora para a outra, podia começar a soluçar, e não seria capaz de parar.
Quando Harry e Gina assumiram seus lugares à mesa, Draco deu uma risadinha para eles como se soubesse de alguma coisa. Como é que foi?, seu rosto parecia dizer. Gina teve vontade de bater nele.
Ela pediu outra xícara de café e colocou quatro colheres de açúcar nele, mexendo e mexendo, como se tentasse abrir um buraco na xícara, no pires, na mesa e no chão, entocando-se em alguma tumba de faraó onde podia chorar o quanto quisesse e ninguém iria encontrá-la.
Harry pediu um Bloody Mary.
- Vamos virar! - declarou Draco alegremente, batendo seu copo no de Harry e tomando um grande gole.
Hermione estava de volta à mesa. Já havia devorado seu crème brulée e estava comendo o da sua mãe. Estava cheio de aborto de galinha, mas ela não ligou - ia vomitar tudo um minuto depois, de qualquer forma.
- Ei, Hermione - disse Harry delicadamente, fazendo com que Hermione deixasse cair a colher com estrondo. Ela sorriu e se inclinou na mesa. - Isso parece bom. Me dá um pouquinho?
A mão de Hermione agitou-se nervosamente para o coração. Harry sexy. Seu Harry. Meu Deus, ela o queria. Mas não ia se entregar com tanta facilidade. Tinha seu orgulho.
Hermione recuperou a compostura e empurrou o prato para ele, pegando uma bebida e entornando o que estava dela em um gole só.
- Pode ficar com o resto - disse ela e se levantou - Com licença. - Depois saiu batendo os saltos para enfiar a garganta dentos do banheiro das senhoras.
Algumas senhoras.