Título: E O FUTURO NÃO VEIO
Autor: Diadorim/Bellatrix
Beta: Sara
Personagens: Harry Potter, Ava, Sirius, Remus, Tonks e grande elenco! rs
Resumo: Harry tem uma madrinha e sente que, finalmente, terá um lar. Mas há muitos obstáculos no caminho desta misteriosa bruxa.
Disclaimer: Apenas Ava Wezen Sheppard é criação minha. De resto, infelizmente, é da Rowling! FIC SEM FINS LUCRATIVOS! Apenas fins puramente divertidos... rs
Notas: é minha primeira fic... preciso de reviews desesperadamente!rsrs
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“A coragem alimenta as guerras, mas é o medo que as faz nascer."
E.A.C.
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“-E tem mais: eles pretendem atacar logo.”
Um silêncio sombrio tomou conta da biblioteca. O desânimo transbordava nos olhares: mais inimigos a tratar, mais problemas. Como Voldemort podia atrair tantos aliados? O que esses aliados estavam esperando? Muitas riquezas? Reconhecimento? Era o que Ava refletia, atônita com uma guerra tão próxima. A paz, a esperada e acalentada paz havia durado por pouco tempo. Olhou Sirius que, atento, escutava as palavras do diretor. As mãos dele seguravam com força a varinha, como se estivesse prestes a lutar.
-Tem ideia de quando? – perguntou ele.
-No começo do ano novo, talvez meados de janeiro. – respondeu o diretor. -Mas pode ser antes. Estão arregimentando o maior número possível. Para ser invencíveis, claro – e ele fez uma pausa: - Moody, em seu último relato sobre os Imortais, havia nos informado que o líder deles, Uther MacLean, não era favorável a Voldemort. Mas o que mudou em relação a isso é que... Ele não é mais o líder. Parece que houve desavenças sérias entre eles e que MacLean e um número ínfimo de seus fiéis foram expulsos do bando. Um novo líder comanda e ele e seus seguidores são agora aliados de Voldemort.
-Qual o nome desse novo líder? - perguntou Snape.
-Ian Kilpatrick. Moody não o conheceu pessoalmente e, com a guerra entre eles declarada, não era mais seguro que permanecesse próximo as tribos.
-O que eles querem com ele, Dumbledore? – perguntou Sirius – O que Voldemort pode oferecer? O quão perigosos eles são?
-Tanto quanto um vampiro possa ser, Sirius. E são muitos. Quanto ao que eles querem, eu não sei com certeza... – e o diretor franziu o cenho, hesitante. – Parece que Voldemort apóia, obviamente, Kilpatrick no comando dos Imortais. E esse apoio redunda em aliança contra MacLean.
-Uma guerra pelo poder entre eles, então? – perguntou Sirius.
-Sim. - Dumbledore continuou: - E também, segundo investigações de Moody, eles não pretendem atacar somente alguns bruxos. Estão pensando em algo maior, que também atinja os trouxas.
-O quê? – disse Tonks, boquiaberta.
-Isso nunca aconteceu! – falou Weasley, erguendo-se. – Será um massacre!
-O mundo bruxo não pode interferir no mundo dos trouxas! – afirmou Molly. – Por que os atacarão?
O diretor meneou a cabeça, incrédulo: - Suspeitamos que isso forçará a sociedade bruxa a aceitar a “salvação” Voldemort. Sim, ele virá, após o ataque, como o libertador – e ele deu um sorriso triste. – Será muito fácil convencer a todos sobre isso...
Molly colocou a mão no rosto, em choque, tentando por em ordem os pensamentos. – Os pactos de paz, todos serão rompidos... pactos seculares... Vampiros atacando bruxos, vampiros atacando trouxas... será um caos!
Tonks levantou-se, andando de um lado para outro: - Temos que detê-los já! O Ministério deve ser avisado!
-Mas Fudge não gostará nada disso... Dessa surpresa – murmurou Lupin, balançando a cabeça.
-O Ministério, Srta. Tonks? – disse Snape – O que diremos a eles? Que Moody, em segredo, investigou os Imortais, os quais Fudge ignora a existência, e que esses preparam um ataque surpresa? Mandará nos prender, é óbvio, por perturbação da ordem e motim.
-Por isso não gosto dessa clandestinidade! – disse Molly, desolada – Se agíssemos em consonância com Fudge, se ele não fosse tão teimoso...!
-Ele deveria ser informado, mesmo que não acredite – disse Ava. – Ele tem contato com o Ministro trouxa, deve haver um alerta geral!
Snape deu um sorriso sarcástico: - Para a partir daí eles fazerem o que, exatamente? Se esconderem em tocas? Colocarem alhos em suas portas?
-Ava tem razão, Snape - falou Dumbledore. –Mas como diremos isso é o que me preocupa. Ele não acreditará, como falou Severus, e pode nos prender por traição. Creio que devemos nos preparar para uma defesa, e sozinhos.
Sirius propôs uma alternativa: - Eu posso dizer a ele que, em minhas incursões pelo país em busca de uma casa para morar, encontrei um deles. Digo que lutei e soube de umas histórias pela criatura. Só jogarei no ar e, quem sabe, ele morde a isca.
Snape deu risada: - Falará que lutou com um Imortal e que saiu ileso disso? –e ele riu mais ainda – É óbvio que Fudge, mesmo sendo tão tolo, não acreditará.
-Você tem uma ideia melhor?
-Não tenho, muito menos idiotices.
-Há como lutar com um Imortal e vencê-lo, Severus! – disse Ava. – Pela força física, numa briga corporal, usando com inteligência nossa magia.
-Inteligência? Logo, está descartada a idéia do Black – concluiu Severus.
Sirius avançou contra ele e Lupin se interpôs entre os dois.
-Severus! – exclamou a loira muito aborrecida. – Sistematicamente você tem desrespeitado o dono desta casa! Peço que abandone essa postura ou terei que pedir que saia.
O professor suspirou e assentiu discretamente com a cabeça.
-Talvez – disse Dumbledore após os ânimos se acalmarem – a opinião de Sirius não seja perfeita, mas é a única no momento. Fudge necessita saber que essas criaturas irão atacar. Que ele tenha dúvida, mas pelo que conheço dele, uma investigação oculta será iniciada. Mas... Não sei se haverá tempo.
-Portanto, enquanto não há um plano melhor – disse Sirius, – eu farei isso na segunda. Irei visitar nosso amigo Fudge com intuito de alertá-lo para o bem dele.
Snape suspirou sonoramente, mas manteve-se calado. Ava agradeceu aos deuses. – Se ninguém tem opinião melhor... Mas ainda temos problemas: se agirmos com Fudge agindo, haverá três grupos em guerra! Ele com certeza nos tomará como inimigos!
-Eu me apresentarei como voluntário nessa batalha, Ava – disse Sirius. – E vou sugerir mais nomes, se me permitem. Lupin, Ran... Er, Snape. Tonks, Arthur, vocês já são do Ministério. Dumbledore... bom, o seu nome não é benquisto por ele. Molly...
-Não vai dizer que eu não saberia lutar! – e a matriarca levantou-se, indignada.
-Seria bom ter alguém cuidando de Ron e Ginny.
-Oh... verdade. Meus filhos podem ajudar, então, os mais velhos. Tenho certeza que não se oporão.
-Bill e Charlie? [1] Onde eles estão? – perguntou Sirius.
-Bill está no Egito, trabalhando no Banco Gringotes e Charlie está na Romênia – e ela estremeceu – cuidando de dragões.
-Se eles puderem vir seria muito bom. – disse Dumbledore. – Seria uma excelente ajuda.
-Precisamos saber da opinião de outros membros da Ordem – disse Snape. – Minerva, Alastor, Kingsley...
-Tem razão, falem com seus filhos hoje, se possível – falou o diretor ao casal Weasley. – Não encerremos as discussões. Reunião da Ordem amanhã à noite, na nossa Sede.
E a pequena reunião encerrou-se. Dumbledore, Snape, Lupin e Tonks se despediram de todos. Os Weasley ficariam o resto do fim de semana.
-Não sei como escaparemos disso – comentou Molly desolada ao marido.
>>.<<
A noite foi cansativa para Ava, cheia de pesadelos e vozes do passado. De sua cama olhava para Sirius, que estava em pé próximo a janela, como em guarda. Ele estava só com a calça do pijama e com os cabelos em desalinho, o que, para ela, dava ao noivo um charme irresistível. Que vontade de sair de lá com ele e levando Harry! Que fugissem para bem longe, ocultos dos vigias do Ministério ou de Voldemort. Ocultos de todos.
Ava suspirou pesadamente, voltando seu rosto para o travesseiro. Não, não era covarde. Nunca temeu por si própria nas batalhas. Mas um velho e conhecido cansaço a tomava, todas as coisas más outrora sofridas novamente no presente, rodeando-a e em volta de todos que amava. Sirius iria ter que lutar, Lupin, Tonks, os Weasley... todos teriam que lutar, até Harry. E se ela tentasse frear o ímpeto destrutivo de Voldemort, num acordo obscuro? Havia pensado nisso várias vezes desde que soube de toda verdade, quando adolescente. Iria até ele, tentaria outro pacto mágico e livraria o máximo de pessoas com isso. Mas o óbvio sempre vinha destruir seus planos: Voldemort quer, além de poder, é justamente destruir as pessoas que ela queria preservar. E para isso ele contará com os poderes dela.
Sirius se aproximou dela e, sentando-se na beirada da cama, tentou sorrir: - Dorme, querida. Amanhã será um dia cansativo. Contaremos para o Harry amanhã. Tudo.
Ava se virou e colocou a mão no rosto dele, numa carícia suave e terna. –Sim... venha dormir também, nós dois precisamos de um pouco de paz.
Ele se deitou, puxando-a para si. Ela se aninhou nos braços dele, recebendo vários beijos. – Meu amor, vai dar tudo certo – ele disse. - No fim superaremos tudo isso. Eu prometo.
“-Garota, como dizem... tudo dá certo no final e, se não deu, é porque não é o final ainda - e o garoto sorria para a aluna sonserina.
-Essa foi a frase mais idiota que já ouvi, Black.”
Pela manhã, enquanto todos tomavam café, um nervosismo pairava a mesa. Os mais jovens estranharam o clima, com Sirius mal tocando na comida, Ava mordiscando a mesma torrada por meia hora, Molly e Arthur se satisfazendo com apenas chá. Mas os garotos comiam fartamente os itens do desjejum mesmo sentindo essa atmosfera.
Logo Sirius sugeriu que todos fossem explorar os arredores, como o lago e o riacho, e que ele, Harry e Ava logo iriam atrás. – Precisamos conversar algo com ele, não vai demorar – informou o animago, deixando Harry apreensivo.
-Mas está tudo congelado! – disse Ginny fazendo bico.
-Ótimo! – disse Molly rapidamente. - Vejamos se está congelado o suficiente para patinar e, se estiver, todos nós iremos!
-Patinar! - e os olhos de Fred brilharam.
-Ontem utilizamos a rede Floo e conversamos com nossos filhos – disse Arthur para o dono da casa. – Eles estão bem e com saudades. Acho que virão logo.
-Charlie? Bill? – perguntou os jovens Weasleys entusiasmados.
Sirius assentiu com a cabeça para Arthur. Era a convocação para a guerra. – Sim, que bom! Então logo os conhecerei.
-Só falta o Percy, - disse Ron – quando deixar de ser idiota...
-Shh! Mantenha essa boca fechada! – repreendeu Fred, vendo o olhar triste da mãe.
Quando o grupo saiu, Ava sentou-se na sala, olhando para Sirius e Harry.
-Sirius, comece – pediu ela, torcendo as mãos.
Então o padrinho dele contou tudo a ele, hesitando em algumas partes, mas o olhar de Ava o incentivava a prosseguir. E Harry ouviu com atenção todos os detalhes a ele apresentado. Ouviu da maldição de Ava, ouviu sobre os poderes dela. Em como seus pais se aliaram a Voldemort, e sua vida com Sirius não realizada plenamente. O exílio, a prisão de Sirius, a ida do garoto para casa dos tios.
“... foi necessário que você ficasse lá...”
Entendeu sobre a própria situação, da profecia. Ele teria que matar Voldemort. Ou aquele bruxo o mataria. Ou um ou outro. E o que isso implicaria para sua madrinha.
“... tente entender que não podíamos contar...”
Ouviu sobre a morte de Hagrid e o garoto sentiu que choraria, mas a raiva sobrepujou a tudo. Deixou que o ódio se alimentasse das palavras do padrinho, como algo jorrando para dentro de si. Algo venenoso.
“... não havia mais nada que fazer. Soubemos por um dos Comensais...”
Um sentimento se instalou nele, uma raiva, ora aborrecido com os padrinhos, ora com Voldemort. E muitas vezes com ódio de todos. Por que aquilo tudo existia? Por que não era mais simples, como na família Weasley? Lembrou-se que diversas vezes teve inveja de Ron: era pobre, mas os pais ainda eram vivos. Era uma família simples, mas ninguém era amaldiçoado, como sua madrinha. Como ele.
“... uma situação crítica se apresenta agora...”
O garoto via Ava andando de um lado para outro, tentando complementar alguma informação dada por Sirius. Harry deixou a raiva por ela fluir. Droga, por que ela tinha que ser assim, diferente? Por que não podia ser como qualquer madrinha? Pais assassinados, padrinhos encrencados... O garoto ruminava interiormente seu infortúnio, tudo de ruim era pra ele? Via que eles ainda falavam qualquer coisa sobre vampiros, mas Harry já não prestava atenção. Sua raiva se estendeu a sorte de seus pais: eles deviam ter se cuidado melhor! Aí, estariam vivos ainda e com ele. E, então, poderia ter tido uma infância bem tranqüila, sem Voldemort no encalço. Teria tido seu quarto bruxo, um elfo doméstico para servi-lo, livros engraçados, como todo aluno normal de Hogwarts, ninguém ficaria apontando para ele, não seria a “celebridade”, aquele-que-não-morreu. “Droga, droga”.
Ele viu que sua madrinha continuava a falar. Ela era tão bonita, com um olhar tão meigo para ele! Harry sabia que gostava dela, apesar da zanga. Imaginou o quanto devia sofrer com tudo aquilo. Se fosse com ele, talvez tivesse fugido, ido embora do mundo, de alguma forma. Não gostaria de ficar ainda por aqui, como se esperasse a morte chegar, ou que aquele bruxo a pegasse antes. Mas ela ficava. E cuidava de coisas triviais como o uniforme dele, roupas, as lições dele, se estava bem. Dava aulas em Hogwarts. E era uma boa esposa para Sirius, na opinião do garoto. “Agora sei que não podem se casar realmente... que droga.” Mas era como se fossem. Nunca viu o padrinho tão feliz como naqueles dias e percebia que ele rejuvenescia perto dela. Apesar de tudo. Pensou nele também, que sempre se preocupava com Harry, como se fosse um pai de verdade.
Os padrinhos havia se calado e esperavam alguma manifestação dele. O grifinório percebeu que eles estavam aflitos, como se aguardassem algum veredito e, diante disso, teve o único gesto possível: sorriu, mas um sorriso triste.
-Eu sinto muito – disse por fim. – Não acabaremos bem... não é?
-Oh, Harry! – disse Sirius, o abraçando – Estamos trabalhando para que consigamos e... vamos ter pensamento positivo!
-O tal do pensamento positivo não ajudou em nada desde o começo até agora, por que só na conclusão? – e ele se desvencilhou do padrinho, tentando manter uma resolução interior. – Como estou diretamente ligado ao fim de Voldemort e ao seu também, - disse olhando para a madrinha – vou pedir algo.
-O que seria? – perguntou Sirius, espantado com a frieza de Harry.
-Quero participar da Ordem da Fênix.
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-Anda logo, Ginny! – disse Fred que andava a passos largos, formando um caminho sobre a neve no bosque atrás do Recanto Black – Vou transformar minhas botas em patins e vou andar nesse lago!
-Será que tem aquele monstro, igual ao do Lago Ness? Seria irado!
Ginny sentiu seu coração bater mais forte. – Parem com isso! Fred, não existe esse monstro, não como dizem...
-Eu sou o George! – e ele rolou os olhos e observou o irmão teatralmente – Ei, acho que sou o Fred mesmo!
-Shh, crianças! – repreendeu a Sra. Weasley enquanto recolhia um pouco de neve – Acho que o inverno será muito rigoroso esse ano... – disse para si mesma.
A garota suspirou, tomando a frente entre os arbustos salpicados de branco. – Mãe, papai foi pro outro lado?
-Ah, foi olhar um Salgueiro que Sirius falou que era igual à de Hogwarts. – respondeu a matriarca, dando uma minuciosa olhada para os lados. - Ron e Hermione foram... para onde foram?
-O Roniquito com Mionezinha?– e risadas dos gêmeos. -Tem uma espécie de árvore que dá fruto em minutos, mesmo com essa neve toda, e ficaram curiosos, mamãe.
-Oh! Estão os dois, por aí, sozinhos? – e ela bufou – Vou lá imediatamente... Er... É perigoso! Fred, George, tomem conta de Ginny! Já volto! – e ela correu com dificuldade, afundando na neve.
Quando a sós, os irmãos se entreolharam e gargalharam – Você é terrível, Fred! – disse George.
-Você é mais! – disse o outro, piscando marotamente.
Ginny andou mais um pouco. -Olhem, que legal!
Uma grande clareira apareceu para eles, lisa e de um branco luminoso. George se adiantou, pisando com cuidado na borda. – Está firme, eu acho.
-Vá, qualquer coisa convoco um Accio! – disse Fred, com expressão maldosa.
Após transformar suas botas em patins, George deslizou pela superfície gelada, imitando uma dançarina veela. – Olha como sou bonita, rá!
-Ex-plên-di-da! – e Ginny ria.
Um segundo depois e zás! O Weasley caiu pesadamente. – Mas que droga, acabou-se minha carreira?
-Que inútil! – disse Fred indo ao encontro do irmão – Dá licença, mostro como se faz! – e tentou alguns movimentos difíceis para exibição, o que acabou no mesmo destino que o outro gêmeo.
-Hahahahahahaha – Ginny se contorcia de rir – O Ron precisava ver isso!
Os gêmeos tentaram outra vez, fazendo graça para a irmã. Depois foi a vez dela tentar alguns passos e, sem saber como, fez com perfeição, e sempre que pensava que iria cair, ela conseguia se firmar. – Isso não é o máximo? Ser melhor que meus irmãos? – e rodopiou escorregando pelo gelo. E não viu Fred balançar sua varinha discretamente.
-Quem ensinou isso a você? – indagou o irmão fingindo orgulho ferido – Dean?
-Se ele tivesse me ensinado não sairia tão bem. Maninhos, é um dom natural! – e ela fez mais um rodopio, e deslizou rapidamente para longe.
E um barulho se fez. Um ronco.
-Fred, aqui não! – reclamou George.
-Não fui eu! – e o gêmeo olhava para os lados, para cima e para o chão.
Ginny, sem notar, ainda escorregava com velocidade até toda extensão do lago, vendo ao longe duas figuras que gesticulavam para ela. – Bobões... pensam que irei cair nessa? – e mais execuções, agora não tão perfeitas. Chegou a cair muitas vezes – Devem ter me azarado, droga!
E o barulho novamente. Agora alto.
-FRED, GEORGE, SERÁ O MONSTRO? – gritou Ginny saindo do lago e ficando na margem. Uma névoa começou a se formar naquela região, impedindo que enxergasse o outro lado. Pegou sua varinha e rapidamente transformou seus patins em botas novamente. Ficou em alerta, olhando para todos os lados. – Impossível ter algo aqui! O Sirius deve ter revisto tudo!
Algo se mexeu e ela rapidamente efetuou um feitiço, acertando um arbusto que ficou em chamas na neve. –Ah, não é nada! - e fez outro feitiço apagando rapidamente as chamas. – GEORGE! FRED!
Agora a névoa era mais espessa, cobrindo toda região. Ginny girou tentando perceber onde era o caminho de volta. –Lumus Maxima! – mas o sol negou-se a aparecer, ou qualquer luz.
-GEORGE! FRED!
E, ao longe, ela ouviu os gritos de seus irmãos: GINNY! GINNY!
-É por ali! – disse a si mesma, tentando dominar o pânico. –Vai dar tudo certo, é só uma névoa idiota. – e empunhava a varinha com força.
Andou por uns minutos e a névoa, aos poucos, se dissipou. Olhou em volta e viu que estava novamente no bosque. –Oh... Não é o mesmo bosque! Tsc. Grande Ginny, vai ser o motivo de chacota pro resto da vida!
Tentou retornar por onde viera, mas o bosque não terminava nunca. Nem para o oeste, leste, norte ou sul. –Não é possível, caramba! Eu vim de algum lugar! – e andou em frente, sem saber para onde. –Vou ser motivo de piada – e pisava duro no gelo – outra vez! Que nem naquela vez, do diário de Riddle! Saco!
Vislumbrou novamente uma faixa de névoa mais a frente e suspirou aliviada. – Olha, achei! Rá, Ginny, deixa de ser chorona. Tá tudo certo. – e andou alegremente para a fumaça branca. Chegando nela ela correu, ansiosa por voltar para a mãe – Que mãe o quê! Só estou com saudades... – e correu. Correu. E a névoa se dissipou.
-Oh!
E nada havia. Só mais bosque.
-Socorro! – gritou em desespero. – FRED! GEORGE!
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-Você está vendo ela, Fred?
O ruivo balançou a cabeça, tentando avançar pelo gelo o mais veloz possível, sendo acompanhando por seu irmão. Na outra margem, não havia mais ninguém.
-Ela deve ter contornado – disse Fred. – Vamos retornar!
-Então vamos pelo meio do gelo, é mais rápido! – e George tomou a dianteira, sem esperar pela resposta do irmão.
Segundos depois eles sentem outro ronco. Desta vez muito alto, e perceberam que o gelo estava se rompendo. – Caramba, vamos sair daqui já! Não quero congelar! – gritou Fred.
-Merda, eu não quero é virar comida de monstro! Fora que a nossa irmãzinha vai rir da gente! – e ele patinou mais veloz.
-Então disfarça essa cara de medo!
Mais um ronco e, atrás deles, viram o gelo trincar e abrir pequenas crateras. – Corre! – gritaram um para o outro.
Logo alcançaram a margem, caindo sobre ela arfando. Olharam para o lago congelado e viram que, ao centro, dezenas de pedrinhas de gelo eram atiradas para o alto, criando cascatas cristalizadas. Fred gaguejou: - Por Merlim! Deve ter um monstro aqui mesmo! Putz!
Seu irmão sacou a varinha, conjurando um feitiço para o que quer que fosse. – Para prevenir. – explicou.
Um urro feroz ecoou pelo local e ambos viram uma pata surgindo de uma das crateras. George foi o primeiro a correr, logo alcançado pelo irmão. – Vamos chamar Sirius! Pô, ele disse que não tinha esse bicho aqui! – mas viu que o outro estancou de repente.
-E onde está Ginny? – disse. – Ela pode ser atacada!
-Ah, aí eu tenho é pena do monstro!
-Fred, é sério! Vamos chamar papai e Sirius, rápido! - e voltaram a correr.
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Ginny sentou-se numa raiz de árvore, colocando as mãos na cabeça em abatimento. “Não há lógica, não em uma névoa sinistra que fez de tudo para me tirar de perto dos meus irmãos! Sacana!”. E ela socou a árvore, descarregando a tensão. “Se é alguém tentando algo vai se arrepender! Ginevra Weasley não tem medo de nada!” Como para provar esse pensamento, ela levantou-se com determinação e caminhou em frente, varinha erguida e lábios crispados. – VÃO SE ARREPENDER! – gritou ela para o nada, espantando alguns bichos do bosque.
“Como era mesmo aquela magia que Harry usou no torneio? Tsc...” E sentiu falta de Hermione, para lembrá-la de feitiços. “Se eu parasse de pensar em Ha.... Er, em outras coisas e estudasse mais! Quadribol anda me tomando muito tempo!”
Naquele momento ela ouve um barulho vindo a sua esquerda e Ginny virou-se rapidamente, mas nada encontra. Outro barulho, agora à direita, e novamente nada. “Está andando em círculos... Por Merlim, alguém me cerca!”
-Quem está aí? – tentou gritar, mas a voz saíra fraca.
-Olá, pequena.
Onde? Onde? A voz parecia que vinha de todos os lugares, uma voz aveludada, e Ginny girava, tentando localizá-la.
-Estou aqui.
A garota se virou mais uma vez e se deparou com um jovem muito bonito, de traços delicados, muito pálido e de cabelos negros. Ele sorriu o sorriso mais atraente que Ginny já vira em sua vida. Quando suas mãos se estenderam para ela, a grifinória não teve dúvidas em estender as suas também. Seu coração não alertou de perigo algum, embalado por alguma fragrância que o rapaz exalava.
-Jovem... está perdida? – perguntou após beijar delicadamente a ponta dos dedos dela.
-Sim – respondeu sem pensar, esquecida de sua varinha em sua mão. Seu foco agora era os olhos dele, negros, com alguns traços em fogo. Ou assim pareceu a ela.
-Será que poderia ajudá-la? Garotas bonitas não devem andar por aí. É perigoso.
Ela observava os trajes dele. Roupa de veludo vermelha e preta, algumas jóias douradas adornando as mãos e o pescoço. O estranho e belo rapaz também tinha uma argola em ouro pendente próxima aos seus olhos. Usava belas botas de cano alto que cobriam parte de sua apertada calça preta.
-Eu me perdi e não sei como voltar – falou mecanicamente. - Aqui ainda é o Recanto Black?
O jovem sorriu mais ainda e passou despercebido a Ginny a ansiedade que ele abafava. – Não... Acho que você, sem querer, saiu desse lugar. Diga-me... Esse Black é de Sirius Black?
-Sim... – e ela tentou resistir, mas as palavras saíam antes do pensamento. “Ginny, sua burra, o que está fazendo?”
-E aqui estão também Ava Wezen Sheppard e Harry James Potter?
Ela fechou os olhos, tentando reprimir qualquer resposta e seu corpo reagiu com violência, o coração acelerado e um suor repentino. – S...sim! – e caiu ao chão, exausta.
O rapaz olhava e sorria. Inclinou-se com interesse sobre ela, analisando com atenção o rosto da garota. – Você é bonita... – e, acariciando o rosto de Ginny, afastou com delicadeza os cabelos dela do pescoço. – Quem sabe você precisa é de um incentivo para lembrar onde é o caminho para lá?
-NÃO! –o grito da garota saiu mais como um uivo pelo bosque, afastando o jovem por uns momentos.
-Tola! Vai chamar quem, os esquilos? – ele riu, e sua risada atravessou o corpo da Weasley como faca.
-Me deixa em paz! – e ela sentiu que chorava. – Eu não sei voltar... Se soubesse não estaria aqui! Por favor! Por favor! Não faça nada comigo!
Ginny se sentiu muito estúpida ao implorar e todo seu orgulho se esvaiu, todo seu desejo enfocado em sair de lá com vida. Um medo agudo a alertava, finalmente.
O rapaz já não sorria. Olhava sério para ela e a garota percebeu que a aparência dele aos poucos foi se modificando, os olhos adquiriam uma coloração avermelhada e ela percebeu que suas mãos eram garras.
-Não! – ela tentou gritar, mas vozes ao longe vieram em seu auxílio.
-GINNY! GINNY!
-Demônios! – disse o rapaz, levantando-se e olhando para os lados. – Nossa conversa continuará depois, minha querida. – e completou, enigmático: - Talvez possa me perdoar, em uma próxima vez.
-SOCORRO! – gritou ela de volta, arrastando-se para longe do estranho. – AQUI! AQUI! – e, erguendo sua varinha, tentou atirar fagulhas no céu, o que fez com sucesso. Apontou agora para o rapaz, que não estava mais lá. – Merlim... Onde ele está? – e percebeu que tremia.
Logo ela sentiu os braços de seu pai a envolverem, sua mãe chegando logo em seguida e outros e outros a cercando. Enquanto balbuciava as palavras “monstro, garras, estranho”, uma negridão baixou em seus olhos.
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Alguns bruxos escolhidos por Moody, experientes em vigília, circulavam pelo Recanto Black, observando cada centímetro da propriedade, atentos a qualquer alteração ou algo suspeito. A neve que caía em quantidade atrapalhava um pouco a sentinela, mas acreditavam que isso também era um problema para os Imortais.
Ginny estava no quarto, deitada na cama, com Hermione, Harry e Ron próximos a ela. A ruiva olhava para o teto, um pouco envergonhada por ter sido outra vez uma vítima. Uma vontade de voltar no tempo e ter acabado com o vampiro a assaltava. Sim, lançaria feitiços e mais feitiços, o deixaria tonto e, quem sabe, o trazia como recompensa para Sirius e Ava. Seus pais ficariam orgulhosos. Agora a garota sorria para si mesma.
-Ginny? – chamou Hermione – Está com um sorriso estranho.
E a realidade retornou rapidamente. Ainda era a vítima. Tsc. – Nada, só pensava em algumas coisas – e ela se ergueu, ficando sentada. – Gente, conseguiram pegar ele?
-Não – respondeu Harry, com um olhar furioso. – Nem me deixaram ir às buscas, droga! Isso é um absurdo, eu posso ajudar!
-Eu também posso! – falou Hermione, também enraivecida – Mas... são vampiros, não são? Lembro que nos livros diz que não se mata vampiros com magia! Eles são imunes... Como o pegaríamos?
-S-são imunes? – Ron engoliu em seco. – Como se mata, então?
-Com adagas de prata, coisas assim... – a grifinória franziu o cenho – Eu preciso estudar mais... Amanhã sem falta farei isso, em Hogwarts!
-Eu ajudo, Mione – falou Ginny determinada. – Não quero estar despreparada pois, pelo jeito, o perigo me adora.
-Ah, tem outra... – comentou Ron – parece que você escapou de outro perigo. – e ele deu uma risadinha – Fred e George escaparam por pouco do monstro do lago. Você precisava ver a cara pálida deles!
-Tinha mesmo um?!
Ron afirmou com a cabeça. – Mas Sirius não quer que ele morra. Disse que é de estimação – e riu.
Ginny coçou a cabeça – Olha... Tinha aquela névoa estranha. Alguém sabe o que era aquilo? Ela estava me levando para o boni... Er... Pro vampiro.
-Hum... Ele é bonito mesmo, como dizem? – perguntou a outra amiga.
-A névoa é algo que a Ordem está debatendo nesse momento – cortou Ron, de mau humor. – Eles estão na biblioteca.
Ginny tentou sair da cama, mas sentiu uma leve tontura. – Não saia ainda! – pediu Harry – Vamos ficar aqui com você! – e isso a fez sorrir: – Tudo bem – e a garota passou a mão nos cabelos nervosamente.
-Preciso contar algo a vocês, incluindo Ginny – disse Harry, um pouco apreensivo. – É muito sério e vou precisar de ajuda.
Hermione aproximou-se dele – Você sempre pode contar com a gente. Pode falar!
Ele pigarreou enquanto Ron e a amiga se acomodavam nas poltronas próximas a cama. – É a respeito de muita coisa. Sobre Hagrid. Sobre o fato de Voldemort me perseguir e... A ligação dele com minha madrinha.
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Duas longas horas. Debates, discordâncias, suspiros desanimados. Esse era o resumo da reunião da Ordem que ocorreu na biblioteca do Recanto Black, com o medo embalando todas as coisas. Sirius e Ava acharam melhor ali mesmo, em vez de abandonar a casa a mercê dos invasores. Esperavam, a qualquer momento, o soar do alerta dos aurores. O soar que alertaria a presença dos inimigos.
-Eles já sabem onde é o Recanto! Onde estão Ava, Sirius e Harry! – disse Molly fungando.
-Devíamos ter feito essa reuniãozinha em Grimmauld Place. – disse Snape friamente – Lá, pelo menos, não nos descobririam tão facilmente.
-Aqui ainda protegemos o local, Snape – rebateu Lupin, pálido. Ele pensava em sua casa já pronta, em seu casamento, na sua vida que teria com Tonks. Tudo adiado.
-E-eu se soubesse desses Imortais aqui, nem teria vindo! – queixou-se Mundungus Fletcher, analisando atentamente os objetos da sala enquanto tamborilava os dedos.
Moody tomou a palavra: - Você-Sabe-Quem não iria querer que eles pegassem Ava agora. Ele não deixaria seu prêmio nas mãos de outros. – e pigarreou fortemente – Acho que temos duas suposições: ou vieram mostrar que existem, uma provocação mesmo. Ou... Não eram os inimigos. Sim, podia ser o vampiro do bando MacLean.
-Querendo o sangue de minha filha? Vocês não ouviram as palavras dela? – exaltou-se Weasley.
-Ora... - e Alastor deu de ombros – Vampiros são sempre vampiros.
E a essa altura se perguntavam como descobriram a localização do Recanto, quem havia dado alguma dica, ainda mais que existe o feitiço do Fiel do Segredo.
-Ninguém consegue romper esse feitiço! – argumentou Minerva, que torcia as mãos.
-Nossos poderes não o afetam, como já disse. – falou Moody. - E também há algumas coisas que não podemos deter, como o faro notável dessa raça – e o auror olhou para todos os presentes. – Aquele em especial, que encontrou a jovem Weasley, seguia o rastro do Black. Pelo cheiro.
-Como? – indagou Sirius – A Ginny com meu cheiro?
Alastor rolou os olhos: - Os Imortais têm um olfato notável, como eu disse. O cheiro que está no Recanto Black deveria estar impregnado na garota.
-Eles podem... podem ter achado agora, o local? Enquanto estamos aqui? – perguntou Tonks pálida, não conseguindo evitar o pensamento em sua futura casa. Lupin a observava, como se lesse os pensamentos da noiva.
-Sim – disse Moody. – Mas não creio que é para um ataque agora. Se assim fosse, viriam todos eles, sem perda de tempo.
Ava segurou a respiração, entendendo toda situação. – Minha casa...!
Dumbledore aproximou-se dela: - Vocês terão que sair daqui. Precisam se esconder.
-Não... – e ela sentiu o pânico se manifestar. – É minha casa! Meu lar!
-É muito perigoso – opinou Shacklebolt, em silêncio até aquele momento. – Sirius... Cuide disso.
Ava olhou para o noivo, atônita – Não, não sairemos! Não permito isso, Sirius! Não quero viver novamente como fugitiva!
Ele olhou gravemente para ela, como se ponderasse. Mas a bruxa entendeu que o noivo aceitava a decisão do diretor. – Sirius, sempre será assim? Senhores, – disse se voltando para o grupo – sempre fugiremos? Eu sugiro outra coisa: que nós ataquemos os Imortais, que nós o afugentemos. Eles têm que saber com quem estão lidando!
-Nós só queremos protegê-la... – argumentou Dumbledore.
-Não preciso ser protegida mais do que qualquer um nessa sala. E tenho uma vantagem de ter esses poderes extras. Sim, não adiantará diretamente contra eles, mas devem ser úteis. E essa é minha postura em relação a tudo isso: devemos mostrar força ao invés de fugir, de se proteger. – e ela tomou fôlego, observando a reação de cada um – Se não fizermos isso, atacarão não só meu lar, como o lar de todos aqui. E vocês sabem que estou certa!
O silêncio dos presentes encorajou a bruxa a continuar: - E também percebemos algo muito bom aqui: essa casa tem vida própria. É de consenso que a névoa foi, de certa forma, providencial. A névoa produzida somente NESTE terreno. A casa “sabia” do invasor e tratou de confundi-lo.
-E Black tinha eliminado todos os feitiços estranhos... – acusou Snape, soturno.
-Eu pensei que sim... – Sirius estava pensativo.
-Black e seu ímã para encrencas... – resmungou o professor de poções.
-Mas o Snape simplesmente não se contém! – murmurou Molly para Arthur.
Black se defendeu: - Mas esses feitiços nos ajudaram, não?
-Quase a Srta. Weasley foi morta – disse Snape. – A quem você se refere ao “nos ajudaram”?
-Não é culpa de Sirius o que ocorreu – falou Dumbledore. – E não estamos em um tribunal para julgar o Sr. Black. – e ele fez uma pausa, com expressão dolorida – Amanhã, Sirius, você irá ao Fudge. Vamos ver se ele morderá a isca.
Um burburinho tomou a sala, cada qual com seus comentários e Ava aproveitou para interromper: - Está decidido, então, que eu e Sirius ficaremos nessa casa ainda – e ela não olhou para Black.
-Meus amigos, que vigiam a casa, ficarão felizes em permanecer por mais tempo aqui. – disse Alastor, irônico. - Está um tempo muito agradável lá fora.
-Estão bem pagos, não? – respondeu ela, irritada - Senhores, temos um pedido a fazer, eu e Sirius - e esperou que todos se silenciassem. - Queremos que Harry integre o grupo. Por favor, se acalmem! – pediu após a agitação das pessoas – Ele... já sabe de tudo. Contamos para ele ontem.
-O quê? – disse Snape – Você realmente fez isso? O que eu disse não a convenceu de nada?
-E ele pediu para participar da Ordem. – continuou Ava, ignorando Snape. - Nós concordamos, mesmo que seja só para estar a par de tudo que acontece. Harry é um dos maiores interessados sobre o assunto Voldemort. Não tem como ele ficar de fora, ele já tem quinze anos. Não digo que participe dos combates, ou do que quer que seja... mas que comece a se preparar. Chegar aos dezessete anos será muito rápido, não tenham dúvidas disso.
-Mas agora é só um garoto, Sheppard! – disse McGonagall desapontada. – Ele merecia não saber disso no momento. Ele tem é que se concentrar nos estudos e...
-Estudos? – Snape ergueu uma sobrancelha – Ele armou um grupo ridículo de treinos, e aqueles estudantes, com Potter de líder, treinam na Sala Precisa. Umbridge ainda não descobriu. Vocês querem falar de estudos ainda?
-Como você sabe disso? – perguntou Minerva, surpresa.
-Legilimência, é claro. Potter está sendo treinado para bloquear essas invasões, e devo dizer que ele é um péssimo aluno. Tem a namoradinha, esse grupo, o quadribol... Tudo inutilidades.
-Algo normal para idade dele, Snape – respondeu Sirius. – Coisas que você nunca teve, não é mesmo?
Ava franziu o cenho – Sirius, você sabia disso tudo?
Snape deu um sorriso – Sim, ele sabe.
-Bom, isso é um assunto a ser tratado com a diretoria de Hogwarts – falou Dumbledore, irônico. – Quero saber se Potter pode ser admitido como ouvinte na Ordem da Fênix.
O casal Weasley se entreolharam, não querendo ser os primeiros a opinar. Tonks logo ergueu a mão em concordância. Lupin, a contragosto, também assentiu. Moody deu um sorriso estranho: - Uma hora ele tinha que saber e começar. Eu voto por sim.
-Por mim... – disse Kingsley – desde que não espalhe as coisas por aí. É algo muito sério e pode comprometer a todos nós.
-Feitiços de segredo tem vários, Kin – disse Moody. – Mesmo que ele quisesse, ficará calado.
-Todos anuláveis por magia – murmurou Shacklebolt para si mesmo.
E todos acabaram concordando, exceto Snape, que deu de ombros: - O mal já está feito.
-Então – disse o diretor – que chamem Harry James Potter a essa reunião.
Foi Sirius quem buscou Harry e, quando o garoto chegou a biblioteca, sentiu-se intimidado pelos olhares postos nele.
-Bom, Harry – disse Dumbledore, sério. – Pertencer a Ordem da Fênix não é motivo de felicidade. Infelizmente, o que nos leva a ter reuniões eventuais são os problemas que Voldemort tem causado e a ameaça que ele representa, algo de seu pleno conhecimento, assim nos informaram. Fique claro para você que, por enquanto, não terá que fazer nada. Nenhuma missão lhe será confiada. Apenas será um ouvinte do que será relatado e, por que não, um aprendiz. Efetuaremos um feitiço de silêncio sobre o que for tratado aqui e, claro, somente com os membros da Ordem poderá comentar. Somente – ele fez uma pausa, observando as feições de Potter, que se mantinha impassível. – Pois bem, acho que aceitou.
-Senhor, quero fazer tudo que está ao meu alcance para derrotar Voldemort. – e Harry engoliu em seco. - Esse é meu maior desejo.
-E deverá se preparar, Harry. Sobretudo com aulas de oclumência. Peço que se dedique mais.
O garoto abaixou a cabeça, hesitante. – Tudo bem. Prometo me dedicar.
-Potter, tem certeza disso tudo? – perguntou Minerva.
-Sim, senhora – respondeu o garoto a encarando. – Não posso ficar sem saber do que acontece, coisas que me dizem respeito. Quero aprender a derrotar Voldemort mas... Sem prejudicar minha madrinha. Eu vou descobrir um jeito – e olhou para Ava: - eu prometo.
Dumbledore o encarou por uns momentos – Você receberá um feitiço de segredo. Por precaução. - e, erguendo sua varinha, lançou uma mágica dolorida no garoto. – Calma, já passará.
-Não foi n-nada – mas ele se sentia tonto. Snape sufocou uma risada.
-Oh, Harry... – disse Molly com a voz embargada.
-A reunião está encerrada – informou o diretor. - E todos sabem o que fazer: procurar o máximo possível de informações sobre Kilpatrick. Sirius: amanhã, no gabinete de Fudge. É isso.
E, um a um, foram se retirando pela rede Floo. McGonagall, antes de se retirar, olhou bem para Potter, a ponto de deixá-lo constrangido: - Sinto muito que as coisas são como são. Acho que é só isso que se pode dizer sobre o momento atual.
Ele assentiu com a cabeça, concordando. “Era só isso que faziam?” Mas Harry queria ação. Ficou imaginando o quanto demoraria um daqueles vampiros chegar perto novamente do Recanto Black, ele sentia que desejava isso. Poder despejar todo seu ódio e frustração em cima de um deles.
Dumbledore o cumprimentou discretamente, como se o analisasse. – Contenha seus ímpetos e tudo dará certo. – E o garoto tomou um susto: ele lia pensamentos? “Oh, legilimência!”
-Não. Está bem óbvio em suas feições – e o diretor, sorrindo, se retirou por último, atravessando a lareira.
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Os passos que ressoavam naquele corredor em Hogwarts não pareciam reais. Tudo estava mais silencioso, próximo ao recesso de fim de ano. Muitos alunos já tinham sido dispensados, indo para suas casas passar as festas. Alguns alunos ainda ficariam, por recuperação ou por não ter para onde ir.
-Sr. Weasley é melhor estudar – disse Ava, enquanto caminhava com Harry e seus amigos.
-Mas eu estudo! – disse Ron, inconsolável. – Mione até me ajudou em alguns trabalhos...
-Ron! – cortou Granger.
-N-não... Ela não fez, só me ajudou. Mas mesmo assim fico para recuperação? – e ele estava desolado – Minha mãe vai me matar!
-Se houver esforço nessa recuperação, você passará e tenho certeza que sua mãe não ficará tão brava assim. – disse Ava sorrindo, condescendente. – Hermione, ajude-o a estudar no Salão Comunal. Quero conversar algo com Harry.
Potter olhava friamente para todos, de mau humor. Fez um muxoxo ao saber que teria que conversar com ela. “Que ótimo.”
-Harry, - tornou Ava, assim que ficaram a sós – sei que está sendo difícil para você. Creio que você apreendeu tudo que foi dito somente hoje e as coisas devem ter ficado pior.
-Imagina, estou ótimo – disse ele, chutando uma parede. – Só... Preciso de um tempo.
-Oh, sim. Tudo bem, querido.
Ele olhava para os lados, visivelmente incomodado. Corujas atravessando o céu nevado o distraíram por uns momentos.
-Ei, gostaria de pedir algo, Ava. De presente. Pode ser?
Ela ergueu as sobrancelhas, espantada. Harry nunca havia pedido nada a ela, mas sorriu: - Claro! O que gostaria?
-Quero que me ensine a lutar, aquilo que você aprendeu quando estava fora. Quero saber de tudo.
Passado o choque inicial, Ava achou razoável o pedido dele. Avaliou que Harry estava ansioso com o momento do embate contra Voldemort e não percebeu a mágoa que estava instalada nele. – Sim... Ensinarei. Sirius também poderá fazer isso – e ela fez uma pausa. – Seus amigos já sabem sobre o que contamos?
Ele meneou a cabeça afirmativamente, olhando para o chão. – Hermione quer ajudar nas buscas na biblioteca.
-Que bom. Falarei com ela, então, mais tarde. Para ver em qual horário ela poderá pesquisar. E... Você arrumará suas coisas e virá pra casa, ou ficará com seus amigos até a véspera de Natal?
-Ficarei aqui, se puder. Acho que Ron precisa de ajuda. – e ele olhou para os lados: - Posso ir?
-Claro! – e Ava estendeu as mãos para abraçá-lo, mas o afilhado já tinha dado as costas e se dirigido para a casa Grifinória. – Tchau, Harry...
Ele ainda se virou rapidamente: - Até mais.
“Onde está meu doce Harry?” – perguntou-se a bruxa, suspirando, vendo o garoto sumir pelos corredores. “Melhor dar um tempo a ele.”
Na saleta de Snape, Ava tomou um chá, enquanto comentava sobre os imortais: - Não entendo como esse Kilpatrick pode se aliar a Voldemort apenas para tomar o poder de MacLean. É óbvio que será destruído quando não for mais útil – e olhou pela janela, observando o manto branco da paisagem.
-Quando se pensa que tem a vida toda pela frente, alguns erros são visto como realmente são: ações, tentativas. – disse Severus enquanto escrevia algo sentado a mesa. – Mas o que me intriga é saber onde está o Sr. MacLean... – e segurou o punho no mesmo momento em que disfarçava uma careta.
-É ele? – ela notou que fazia um tempo que o amigo não comentava do bruxo das trevas.
-Sim. Uma palestra agradável terei hoje à noite, portanto. Não imagina o trabalho que dá recusar, sem realmente recusar, as investidas de Voldemort em relação a você.
-Como assim?
-Ah, Ava... Seqüestrá-la, matar Black, matar Potter. Seria uma prova e tanto para mim, se fizesse alguma dessas coisas... Ou todas.
Ela engoliu em seco – Ele propõe isso? E como recusa?
-Primeiro: você é poderosa demais para um seqüestro. Eu seria morto e você voltaria sã e salva. Matar seus queridos? Também eu seria morto e uma Sheppard enfurecida mataria todos os comensais dele. Bom, acho que isso o convenceu um pouco. Mas está ficando cada vez mais difícil.
Ava sorriu para ele. – Obrigada. Sei que sua tarefa não é a mais fácil.
-Não, mas sou o único capaz de exercê-la.
Ela rolou os olhos e mudou de assunto: - Sirius já falou com Fudge. Parece que mordeu a isca.
-Sim? Surpreendente – e mantinha a expressão impassível.
-Segundo Sirius, o ministro Fudge acolheu as notícias com certo desdém, terminando por rir e batendo nas suas costas, dizendo: “Sr. Black, deixe tudo nas mãos desse Ministério. Temos uma equipe de altíssimo nível” etc. “Estamos preparados, mas agradecemos pela oferta. Não me esquecerei disso, pode apostar!”, essas coisas – e ela sorriu. – Ele até perguntou sobre nosso casório, quando seria, até ofereceu um juiz de paz.
Snape suspirou: - Fudge cobrando o casamento? Deve estar ávido por distrair a sociedade com amenidades; as bodas de Black e Sheppard seriam um excelente e fútil assunto, que perduraria por alguns meses nos jornais e nas mentes... E sim, ele acreditou no seu namorado. Vamos ficar atentos aos próximos passos do Sr. Ministro e nos aliados secretos de Voldemort dentro do ministério.
-Noivo, Severus – corrigiu ela. - Se há pessoas no Ministério a favor de Voldemort, talvez não haja esperança – e ela olhou para fora da janela novamente. -Bom... Tenho um convite a fazer. Haverá uma ceia de Natal no Recanto Black. Sim, lá. Você está convidado e virá – e ela virou-se para ir embora. –Ah, não se esqueça do meu presente – avisou à porta, sorrindo. – Lembre-se: é Natal!
“Lembremos”, pensou Severus.
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O Natal no Recanto Black foi combatido por todos os amigos do casal Black e Sheppard. Alegações sensatas de perigo iminente foram proferidas, mas Ava quis demonstrar força ao inimigo tendo uma confortável noite de Natal. Sirius, que no primeiro instante foi contra, acabou cedendo. Ele percebia que a noiva agarrava-se a todas manifestações de “família” e “lar” como um símbolo de estabilidade e amor e achou que tirar isso dela agora seria crueldade. “Ou uma tremenda dor de cabeça para mim”, pensou. Pagou, então, uma quantidade dispendiosa para mais bruxos vigias cuidarem da propriedade, formando num total de 18 patrulhando os arredores, todos recomendados por Moody.
Os enfeites de Natal no Recanto limitaram-se a casa e ao jardim próximo, com luzinhas de várias cores que circulavam a habitação, bonequinhos bruxos pendurados que bocejavam, sorriam e alguns até cantavam e guirlandas com folhas que se mexiam.
Ava tentou organizar sozinha a ceia natalina, mas a oferta irrecusável de ajuda de Molly acelerou todo processo. O elfo doméstico Hoge, após o término dos enfeites, ajudou também na cozinha ao lado de Kairi. –Não é muita coisa que estamos preparando? – questionou Sheppard, olhando a quantidade de comida pronta.
-Nunca é demais, Ava! E conheço meus filhos e o seu afilhado: aqueles são magros de ruim! – e riu satisfeita após ver o resultado do trabalho.
O jantar transcorreu calmamente, mas Sirius notava alguma tensão vinda de Arthur e ele compreendia: fora a filha dele que quase fora morta. Ficou pensando se não era muito tolice terem feito essa festividade lá, ou mesmo terem feito qualquer coisa. Suspirou ao ver sua noiva do outro lado da mesa, sorrindo, preocupada em agradar a todos. Seus olhares se cruzaram e ele tratou de ocultar qualquer desagrado com um belo sorriso. Com uma coisa Black se espantou: Snape estava sisudo e calado, respondendo apenas a algumas coisas que lhe era dirigida. Sirius duvidou que o professor tivesse se redimido e procurou acreditar que fosse cansaço ou melancolia. Ou os dois.
Na hora dos presentes os Weasley entregaram primeiro os dos seus filhos: cada qual um belo suéter com a letra “W” escrito. Outra vez. Um sorriso amarelo permeava o rosto de todos. –Hermione, Harry, vocês também terão os de vocês! – e ela segurou a bochecha de Potter: - Nunca me esqueceria de nenhum! – Para o restante Molly entregou belos cachecóis que se transformavam em xale, caso necessitassem – Ideia dos meninos. Não são adoráveis?
Snape, enquanto analisava o seu, deu um meio sorriso que, para Lupin, lembrou um cachorro rosnando.
Ava e Sirius distribuíram seus presentes a todos os Weasley, mais Hermione, Harry, os amigos Remus e Tonks e Severus Snape. Este recebeu o presente com indiferença e a amiga teve que insistir que abrisse: era um lindo sobretudo negro, de tecido caro, que se ajustava magicamente ao corpo do dono. Snape esboçou um sorriso fraco em agradecimento. – Er... Tome, também comprei algo para você.
Ela abriu com entusiasmo um pequeno pacote que continha uma caixinha. – O que será? – perguntou a bruxa retirando o último lacre – Oh! – era um lindo anel com uma pedra negra que cintilava estranhamente. A amiga logo o colocou em seu dedo. –É lindo, Sev! – e ela o abraçou, beijando o rosto do amigo.
Sirius observava um pouco afastado, respirando profundamente. Um movimento com sua varinha, e zás! Snape cairia ao chão, sem respiração, longe de Ava. Ele sorriu maldosamente com essa perspectiva, mas, um segundo depois, estava ao lado da noiva, encarando o desafeto. – Vejo que deu um anelzinho para ela... Hum, uma pedra negra. Quer protegê-la?
-Não ousaria... Ela não está em boas mãos? – e Snape sorriu com escárnio, afastando-se do casal.
-Oh, Ava, que lindo! –disse Tonks ao receber o dela, um lindo vestido prateado para festas. –Também comprei um para você e para o Six, mas não sei onde coloquei! Juro que, assim que achar, mando entregar. O Rê me ajudou a procurar, mas nem assim...
-Tudo bem – a anfitriã ria. – Moony, gostou do seu? – era uma pasta muito bonita de professor, em couro importado, com dezenas de repartições mágicas.
-Adorei, Ava, mas... Quem disse que vou lecionar?
-Ora, devemos ser otimistas. Hoje é um dia que estou otimista, meu amigo – e, diante do sorriso dela, Lupin não teve coragem de contestar.
-Bom, Ava, obrigada por tudo, mas já vamos – disse a auror. – Vou pra casa de mamãe, e Remus também irá. Um jantar em família, hein!
-Fico feliz – e a loira a abraçou com sinceridade. – Vão lá, a sra. Tonks deve estar ansiosa.
Harry estava em um canto com Ron, admirando o próprio presente que ganhara dos padrinhos: um livro muito curioso, sobre as magias mais antigas e poderosas. Nele havia uma seção para testes, o qual o bruxo podia lançar as magias que quisesse como treino, sem prejudicar-se. O ruivo mostrou também o que ganhara: uma linda capa com um brilho discreto e elegante, ajustável ao tamanho do dono. – Nunca tive uma dessas na vida... na verdade, nunca tive uma capa!
-É bem bonita – respondeu o outro, lembrando-se das capas que possuía.
-Agora as garotas babarão por mim – e riu, atraindo a atenção de Hermione. – Ano que vem, me aguarde!
-Bonita capa – disse a amiga se aproximando com olhos intensos.
Ele deu de ombros – É só uma capa, Hermione – e piscou para Potter. –E o que ganhou?
Ela desembrulhou um pacote, mostrando um lindo colar de ágatas – Muito chique, não?
-Minha tia Muriel usava um desses – comentou Ron fazendo careta.
-Ron! – censurou Harry, vendo o olhar indignado da amiga.
-O quê?
Hermione deu-lhes as costas e foi para perto de Ginny, que estava mostrando a todos seu vestido azulado que Ava dera. Os gêmeos exibiam o cheque que Sirius havia dado a eles. – Agora podemos pensar em montar nosso negócio, junto com aquele outro dinheiro e...
-Que dinheiro, George? – perguntou Molly, franzindo o cenho.
-Nada, mamãe – respondeu Fred. – São algumas economias nossas – e deu um cutucão no irmão.
-Acho que todos estão felizes – comentou Sirius no ouvido de Ava.
-Estou achando o Harry estranho... – disse ela em voz baixa, observando o afilhado. – Desde que contamos... Ele está distante de mim. Não sei...
-Eu conversarei com ele mais tarde, querida. Prometo – e beijou-lhe a testa suavemente.
A comemoração estendeu-se até madrugada, sobretudo pelos jovens, que se divertiam com adivinhações mágicas juntos à lareira. Snape já tinha partido, Arthur havia se recolhido e Molly dormia numa poltrona, com um prato de doce ao colo. Sirius comandava as brincadeiras, inventando personagens novos para os enigmas.
Ava, com os olhos cansados, levantou-se: - Querido, já vou dormir. Não, fique aí com eles. Meninos, tem mais pudim lá na mesa de jantar – e sacudiu Molly: - Não quer dormir lá em cima, numa cama? – a Weasley agradeceu com um sorriso sonolento.
Enquanto subiam as escadarias, Molly notou o anel da Sheppard: - Pedra negra... Não lembro o que sei sobre isso, mas me dá calafrios.
Ava sorriu: - Severus quem me deu. Sirius disse que era para proteção. – e deu de ombros. – De qualquer forma é lindo - e do alto da escada a loira divisou um Harry sorridente com seus amigos, numa redoma invisível na qual ela não conseguia mais entrar.
>>.<<
Era o começo de outro ano, e a madrugada descia sobre o Recanto. Os únicos barulhos ouvidos são de passos dos vigias e alguns sussurros desferidos, muxoxos de tédio.
-Espero que esse ano que começa nos seja favorável – disse Ava, enquanto passava uma esponja pelos braços.
Sirius, que estava com ela na banheira, a ajudava passando outra esponja com bastante espuma nas costas dela. - Será como terá que ser. E não pensemos nisso agora... – e ele se encostou melhor nela, passeando uma das mãos pela sua cintura.
-Hum... Isso é só um banho, Sr. Black!
-Com você tão perto? – e ele riu – Só se eu fosse muito idiota.
-Você nunca prestou mesmo.
-Tinha dúvidas ainda? – e ele passou a esponja um pouco abaixo do umbigo dela, observando a reação da noiva. – E adoro quando você estremece.
-Sirius! – e ela corou.
Ele beijou o pescoço dela, simulando uma mordida – Contente-se com essa imitação de vampiro.
Ava virou-se para ele, intrigada: - Não me diga que está com ciúmes dos imortais?
Ele riu e deu uma suave mordida, desta vez no ombro – Sirius Black não tem ciúmes.
Ela rolou os olhos, jogando espuma no rosto dele. – Sim, um poço de autocontrole. Se anjos existirem, estão todos vendo agora esse predicado.
-Hum... Será que eles verão isso aqui? – e puxou Ava para si, beijando-a profundamente. –Podíamos fazer algumas coisas diferentes... Sabe, alegrar a platéia angelical.
Ava o empurrou levemente, franzindo o cenho. – No que está pensando? Sirius, eu sou uma mulher de respeito...
-Eu sei... – e ele fez um muxoxo maroto – Seu respeito está garantido. Estou pensando em algumas coisas... Por Merlim, você precisa ter aulas com o Sr. Sirius Black, Sra. Black!
Ava cruzou os braços, e disse em tom de desafio: - E o que o grande Sr. Sirius Black vai ensinar que a pobre Ava Sheppard não conheceria? Er... E não falo de experiência empírica e sim teórica.
Ele se aproximou do ouvido dela e cochichou por um momento, o bastante para ela colocar a mão na boca, assustada. –Sirius! – e ele soltou uma gargalhada.
Naquele momento ouvem um barulho estranho, como passos apressados.
-Sirius? – e Ava ergueu-se automaticamente, buscando seu roupão de banho.
Ele também ser levantara, segurando sua varinha [2] enquanto se dirigia para o quarto. Inspecionou o local, encaminhando-se para o corredor. Ava correu logo atrás, levando o roupão dele: - Vista-se! – sussurrou ela, e ele se cobriu rapidamente.
Outro barulho de passos e perceberam, nitidamente, que era no andar térreo. Sirius fez sinal para ela manter-se em silêncio e ele olhou ao pé da escada, onde nada havia. – Ava... – sussurrou ele – vá até o quarto de Harry. Entre no sótão e só saia quando eu falar, sim?
-Nada disso! – respondeu na mesma voz miúda – Ficarei com você!
Ele a segurou pelos braços, olhando firmemente para a noiva, mas outro ruído faz os dois se agacharem, olhando para os lados: agora parecia que algo estava perto demais deles.
Ava abriu a palma de uma das mãos, surgindo nela uma adaga afiada de prata. Entregou a Sirius, fazendo com que outra surgisse para si. – São eles que estão aqui?! – indagou quase sem voz.
Ele meneou a cabeça em concordância e empunhou a adaga com firmeza, mantendo sua noiva próxima a ele. –Vamos aparatar para Hogsmeade e lá pediremos...
-Só conseguiremos fora daqui! – Ava sentiu entrar em pânico – Não se consegue aparatar dentro dessa propriedade!
Sirius fez um muxoxo frustrado e, num átimo, a segurou pelo braço e caminharam apressados até o quarto de Harry – Vamos fugir pelo sótão... Vamos! – sua voz quase não saía – Lá tem como escapar, pelo que me recordo...
No quarto de Harry, ele ainda se lembrou de pegar um casaco do afilhado para ela – Vai estar frio lá fora.
-E você? – perguntou a bruxa enquanto enfiava os braços por dentro da roupa.
-Não há tempo! - e ele, num agitar de varinha, abriu o alçapão e encaminhou a noiva pela escadaria estreita. – Rápido, Ava!
Já dentro do sótão, viram o alçapão fechar-se automaticamente, sem intervenção mágica. Ou não. – A casa, Sirius... Novamente.
Outra saída no teto permitiu que ambos escapassem pelo telhado escorregadio. O sopro gelado da noite chocou a bruxa, que imediatamente começou a tremer. A neve acumulada cedeu ao peso dos bruxos, deslizando com força até o chão. – Maldição! – praguejou o bruxo. Ambos caíram no solo suavemente, olhando atentamente para os lados. A escuridão da noite tornava a cautela impossível. – Acho que devemos seguir a direita – determinou ele.
-Sirius, tropecei em algo... – Ava tremia mais ainda de frio, sentindo seus pés endurecidos. Ele logo verificou que era um dos guardas, aparentemente morto, e que estava caído na neve.
-Ava, vamos correr... Consegue?
Ela assentiu com a cabeça e foram correndo em direção a escuridão, e Sirius a puxava pela mão, tentando ganhar velocidade. – Vamos... Rápido.
-S-sirius, meus pés... Não sinto...
E ele se maldizia internamente por não ter pegado nenhum calçado de Harry para ambos, pois ele também sentia seus pés dormentes. – Ava, acho que estamos perto. Concentre-se, meu amor, só mais um pouco!
Ela redobrou a corrida, tentando esquecer a dor nos membros, mas galhos de árvores agora encontravam seu caminho, arranhando sua perna como facas. Seu roupão estava parcialmente destruído e agradeceu aos deuses por vestir aquele casaco. Sirius não aparentava estar com frio, mas Ava suspeitou que ele devesse sofrer mais que ela, visto que estava apenas com o robe de banho.
-Acho que estamos quase lá... – disse ele entusiasmado, quase sem voz, erguendo sua varinha e iluminando fracamente o ambiente – Está vendo o salgueiro? O nosso portão... É só atravessá-lo e...
Mas um ruído interrompeu a comemoração. Outro ruído. E mais outro. Como se fosse de passos rápidos. Logo uma profusão de estalidos encheu o lugar e Sirius segurou no braço de Ava: - Não conseguimos... O que for acontecer, não se entregue!
Ava respirava com força, uma fumaça branca saía de sua boca contra sua vontade. Ela não enxergava de onde, mas sabia que estavam cercados. Uma vontade imensa de dormir a acometeu, como se um feitiço a dominasse. “Loucura...” Seu corpo pedia por uma boa cama, lençóis quentes, água quente, enquanto seus pés adormeciam por completo afundados na neve e nem dor ela sentia mais, nem sequer tremia.
-Ava?
A voz estava longe. Ela olhou e não enxergou. Só neblina, espessa, sombria. Algumas sombras surgiram do nada, eram do tamanho de homens, se mexiam como homens.
-Não ousem atacar-nos! Vamos matá-los sem piedade! – era Sirius? A voz estava estranha, pastosa.
Uma sombra ao seu lado erguera uma varinha, luzes saíram dela, mas as outras sombras continuaram onde estavam. Ava teve a impressão que ouvira risos. Um braço a envolveu pela cintura, enquanto seu corpo quedava levemente em outro corpo. Ela ainda sentiu um coração bater. “Sirius... ajudar Sirius...” Olhou para sua mão, que aparentava ser feita de névoa e tentou se concentrar em magia. “Pre-ci-so me esquentar...” e repetiu esse pensamento diversas vezes, como num mantra.
-Abaixe essa arma, caro bruxo. Somos muitos, como pode ver.
“Esquentar... esquentar...”
A voz, que era melodiosa, continuava: - Ela sairá machucada. Pense nisso e pense rápido.
“Esquentar... agora!”
E então, como se tivesse mergulhado numa banheira de água morna, seu corpo esquentou de maneira muito agradável. Os dedos de seus pés formigaram e, finalmente, ela pode mexê-los, mesmo com certa dor. O formigamento subiu para suas pernas, indo para seu tronco e braços. Uma dor de cabeça latejou em suas têmporas, e ela por fim pode enxergar a sua volta, sob a luz fraca da varinha.
Um grupo significativo de homens encapuzados na escuridão a cercava e a Sirius. Percebeu que nenhum deles portava arma alguma, ou estaria essa muito bem escondida. Logo soube quem falava com seu noivo: era um dos belos imortais, totalmente encapuzado, e parecia o líder do grupo. Seria Kilpatrick? Ou MacLean? Tanto faz... Ambos eram perigosos e inimigos. Naquele momento sentiu Sirius a puxando mais para perto dele e ela podia perceber a tensão nele.
“Use o cérebro, Ava.” – pensou rapidamente.
Num movimento rápido, desvencilhou do bruxo e ergueu sua mão para abaixá-la furiosamente e com força, girando a sua volta. A neve depositada no chão foi lançada para o ar, em direção ao grupo de vampiros, como numa onda. Sirius aproveitou a distração deles e ergueu sua varinha para o alto, conjurando um feitiço: - Lumus solem!
Uma luz intensa iluminou a propriedade, tal como se fosse dia de verão, cegando por um momento a todos, inclusive os bruxos. – Vamos, Ava! – e ele puxou a bruxa, que agora corria a toda velocidade lado a lado com Sirius.
Algo se movera a sua esquerda e, num movimento instintivo, Ava conjurou outra adaga e a lançou com força para o que quer que fosse. Rapidamente fez surgir outra arma em sua mão enquanto dirigia seu olhar a sua possível vítima.
Mais um segundo e outro ruído, desta vez a sua direita: seu noivo avançando contra uma rápida sombra que estava atrás dele. – Sirius...
Algo se encostou em seu braço e, rapidamente, ela desfere um golpe as cegas, tentando acertar um possível rosto. Parou de correr e uma olhada apurada a fez perceber que não havia ninguém próximo a ela, a não ser seu noivo. Virou-se para Sirius e o viu correndo em direção a uma árvore, como se procurasse seu oponente.
-Sirius, eles estão brincando conosco? – gritou raivosa. Ela percebia que, mesmo na luz intensa, eles conseguiam se esconder.
E uma voz agradável ecoou mais uma vez: - Por que faríamos isso?
Ela se virou em direção ao som, e o ambiente continuava vazio, restando apenas os bruxos.
-Vamos até os portões... – disse Sirius a puxando pelo braço – Não temos como vencê-los, só nós dois.
Mas o caminho estava impedido por um belo homem alto, roupas elegantes, de cabelos desalinhados e olhos vermelhos.
-Vim em paz – avisou ele, olhando para outra adaga de prata na mão da bruxa. – Você matou um dos meus homens, Srta. Isso não foi nada gentil.
– E você matou nossos guardas. Gentileza por gentileza – respondeu Ava entredentes.
-Eles não estão mortos, - a voz mudou o um tom desdenhoso – apenas dormindo.
Sirius aproveitou a distração do Imortal e lançou sua pequena espada com força contra o invasor. Este desviou levemente para o lado, deixando que a arma passasse a milímetros de seu braço. – Iremos resolver isso à força? Não terei direito a uma conversa preliminar?
-Onde estão seus cúmplices? – questionou a bruxa.
-Meus aliados estão aqui – respondeu ele, apontando para o lado dos donos da casa.
Sirius virou-se, deparando outra vez com uma quantidade considerável de vampiros, agora sem capuz, muitos visivelmente com sede. Sede de sangue. Ava avaliou mentalmente se conseguiria deter todos. “Ou lutar ou ser prisioneiros.” Mas sabia que não venceria, não com Sirius sem o treinamento adequado. Ficar e morrer? Pensou em Harry: ela tinha que viver.
-O que vocês querem, exatamente? – indagou Sirius, tentando ganhar tempo. – Creio que, se quisessem, já teriam iniciado uma bela luta. Foi Voldemort que mandou vocês aqui?
O imortal pareceu quase feliz com as perguntas dele: - Não, não viemos lutar. Viemos aqui oferecer nossos préstimos.
Ava ergueu a sobrancelha, incrédula: - E por que acha que aceitaríamos, senhor... Kilpatrick?
Ele riu, passando as mãos pelos cabelos. – Não, não. Sou MacLean. Uther MacLean.
Sirius o avaliou rapidamente, tentando adivinhar se essa informação era uma boa notícia ou não.
E o imortal se aproximou deles: – Preciso de sua ajuda ou morreremos. Inclusive vocês.
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Nota da autora:
[1] – mantive os nomes deles no original. Por que? É bem mais bonito! rs
[2] olha, sem pensar besteira, hein.. rsrs
Próximo capítulo: O Senhor da Morte