...pira na barneys
- Dan - sussurou Luna, cutucando o peito do irmão. - Acorda.
Dan atirou o braço nos olhos e puxou os lençóis.
- Cai fora. É sábado - murmurou ele.
- Por favor, acorda - gemeu Luna. Ela se sentou na cama, cutucando-o repetidamente até que ele tirasse o braço para olhar para ela.
- Qual é o problema? Me deixa em paz.
- Não - insistiu Luna. - A gente tem de fazer compras.
- Tá legal - disse Dan. Ele rolou na cama, virando a cabeça para a parede.
- Por favor, Dan. Tenho de arrumar um vestido para a festa de sexta-feira e você tem de me ajudar. O papai me deu o cartão de crédito dele. Ele disse que você pode comprar um smoking também. - Luna deu uma risadinha. - Como se você virasse o tipo de cara esfarrapado que vai precisar de smoking e roupas e essa merda toda.
Dan rolou na cama.
- Eu não vou à festa.
- Cala a boca. Você vai, sim. Você vai e vai encontrar Gina e dançar com ela. Eu apresento você a ela. Ela é totalmente bacana - murmurou Luna toda alegrinha.
- Não - disse Dan, obstinado.
- Bom, você pode pelo menos me ajudar a comprar um vestido. - Luna fez beicinho. - Porque eu vou. E quero ficar legal.
- Papai não pode ir com você? - perguntou Dan.
- Ah, tá. Eu disse que queria ficar legal - zombou Luna. - Você sabe o que o papai me disse? Ele disse: "Vai na Sears, é a loja de departamento do proletariado." Sei lá o que isso quer dizer. Nem mesmo sei onde é que fica a Sears, se é que ainda existe. De qualquer modo, quero ir na Barneys. Não consigo acreditar que nunca fui lá. Aposto que gente como Gina Weasley e Hermione Granger vai lá, tipo, todo dia.
Dan se sentou e bocejou alto. Luna estava toda vestida e pronta para sair, com os cabelos crespos puxados para trás num rabo-de-cavalo. Ela até já estava com o casaco e os sapatos. Ela estava tão bonitinha e anciosa que era meio difícil dizer não.
- Você é um pé no saco! - Dan se levantou e cambaleou para o banheiro.
- Você sabe que me ama - disse Luna atrás dele.
No que dizia respeito a Dan, a Barneys era cheia de babacas, como o cara que abiu a porta para ele, sorrindo da forma mais idiota possível. Mas Janny adorava o lugar e, muito embora nunca tivesse ido ali, parecia saber tudo sobre a loja. Luna sabia que não devia se importar com os anderes inferiores, que eram cheios de roupas de estilistas que ela não podia comprar, e foi direto para o andar de cima. Quando as portas do elavaos se abriram, ela sentiu como se tivesse morrido e chegado ao céu. Tinha tantos vestidos bonitos pendurados nas araras que ela salvou só de olhá-los. Ela queria experimentar todos, mas é claro que não podia.
Quando você é uma 42 fica meio limitada. E definitivamente precisa de ajuda.
- Dan, dá pra pedir àquela mulher para me ajudar a encontrar um desses no meu número? - sussurou Luna, apontando uma caixa de um cintura-império de veludo púrpura com alças de contas. Ela puxou a etiqueta do preço. Seiscentas pratas.
- Meu Deus do céu! - exclamou Dan, vendo o preço por sob o ombro de Luna. - Nem pensar.
- Só estou experimentando para me divertir - insistiu Luna. - Não vou comprar. - Ela ergueu o vestido para si mesma. O corpete mal cobria seus mamilos. Luna suspirou e colocou o vestido de volta na prateleira. - Poderia pedir àquela moça para me ajudar? - repetiu Luna.
- Por que você não pede? - Dan esfregou as mãos na calça de veludo cotelê e se encostou numa prateleira de madeira.
- Por favor?
- Tá legal.
Dan andou a passos largos para uma mulher de aparência abatida com cabelos louros congelados. Parecia que trabalhava em lojas de departamentos a vida toda, só tirando férias em um ano em Atlantic City, Nova Jersey. Dan imaginou-a fumando Virginia Slims como louca numa praia, preocupada com as garotas na loja se virando sem ela.
- Posso ajudá-lo, meu jovem? - perguntou-lhe a mulher. O crachá dizia que seu nome era "Maureen".
Dan sorriu.
- Oi. Pode ajudar minha irmã a encontrar um vestido legal? Ela está bem ali. - Ele apontou para Luna, que estava vendo a etiqueta de preço de um drapeado de seda vermelha com mangas franzinas. Luna tinha tirado o casaco e estava usando uma camiseta branca. Dan não podia negar. Os peitos dela eram realmente imensos.
- Sim, é claro - disse Maureen, andando decidida para Luna.
Dan ficou onde estava, dando uma olhada no salão e sentindo-se totalmente deslocado. Atrás dele, ouviu uma voz conhecida.
- Eu pareço uma freira, mão, eu juro. Está completamente errado.
- Ah, Gina - lamentou outra voz. - Acho que está encantador. E se você desabotoasse um pouco a gola? Assim. Viu? É tão Jackie O.
Dan girou o corpo. Uma mulher alta de meia-idade parecida com Gina estava parada com metade do corpo para dentro da cabine de provas. A cortina estava ligeiramente aberta, e Dan só pôde ver parte do cabelo de Gina, a clavícula, os pés nus, as unhas dos pés pintadas de vermelho-escuro. Suas bochecas arderam e ele correu para o elevador.
- Ei, Dan, aonde é que você vai? - gritou Luna atrás dele. Seus braços já estavam com uma pilha alta de vestidos, e Maureen adejava com eficiência pelas prateleiras enquanto dava a ela todo tipo de conselhos bons sobre sutiãs e as novidades nas roupas íntimas que realçavam as formas. Luna nunca foi tão feliz.
- Vou dar uma olhada nas coisas masculinas - balbuciou Dan, olhando nervoso para o lado do salão onde tinha visto Gina.
- Tudo bem - disse Luna alegremente. - Eu te encontro aqui em quarenta minutos. E se precisar de ajuda, eu ligo pro teu celular.
Dan assentiu e saltou para dentro do elevador assim que a porta se abriu. No departamento masculino, ele trotou para um balcão e borrifou colônia Gucci nas mãos, franzindo o nariz com o forte aroma italiano do perfume masculino. Olhou o intimidador são revestido de madeira, procurando por um banheiro para poder lavar as mãos. Em vez disso, encontrou um manequim todo vestido para a noite e, atrás dele, uma prateleira de smokings. Dan passou os dedos pelo rico tecido dos paletós e olhou as etiquetas. Hugo Boss, Clavin Klein, DKNY, Armani.
Ele se imaginou descendo de uma limo usando um smoking Armani com Gina apoiada em seu braço. Desciam pelo tapete vermelho que levava à festa, a música palpitando em volta deles e as pessoas se virando e dizendo "Oh" em voz baixa. Gina pressionaria sua boca perfeita na orelha de Dan. "Eu te amo", sussuraria ela. Depois Dan a beijaria e pegaria no colo, levando-a de volta para a limo. Foda-se a festa. Eles tinham coisa melhor para fazer.
- Posso ajudá-lo, senhor? - perguntou um vendendor.
Dan se virou abruptamente.
- Não, eu... - Ele hesitou e olhou para o relógio. Luna levaria uma eternidade lá em cima, e por que não ele? Já que estava ali. Ele pegou um smoking Armani e o mostou ao vendendor. - Posso experimentar um desses no meu tamanho?
A colônia deve ter subido à cabeça dele.
Luna e Maureen tinham limpado completamente as prateleiras e Maureen enchera uma sala de provas com dezenas de possibilidades em tamanhos variados. O problema de Luna era que ela vestia tamanho 36, mas seus peitos eram pelo menos tamanho 40. Maureen pensou em um meio termo e pegou tamanho 40, deixando apertado no busto e folgado em todo o resto.
Os primeiros vestidos foram um desastre. Luna quase arrebentou um zíper de um, tentando desprende–lo do sutiã. E o seguinte nem cobria os peitos. O terceiro era completamente obsceno. O quarto coube mais ou menos, mas era laranja brilhante e tinha um franzido ridículo em todo ele, como se alguém tivesse o retalhado com uma faca. Luna enfiou a cabeça pela cortina a procura de Maureen. Na porta ao lado, Gina e a mãe estavam acabando de sair da sala de provas para o caixa.
- Gina! – chamou Luna, sem pensar duas vezes. Gina se virou e Luna se enrubesceu. Não conseguia acreditar que estava falando com Gina Weasley vestindo uma roupa laranja com um franzido idiota.
- Oi Luna – disse Gina, sorrindo exultante para ela. Foi até Luna e a beijou no rosto. Luna prendeu a respiração e agarrou a cortina para se sustentar. Gina Weasley a havia beijado – Caraca, que roupa mais doida. - Gina se inclinou para cochichar no ouvido de Luna – Sorte sua que sua mãe não esteja com você. Tive de comprar o vestido mais feio da loja. – Gina ergueu o vestido. Era longo, preto e totalmente lindo.
Luna não sabia o que dizer. Ela queria ser o tipo de garota que podia se queixar de fazer compras com a mãe. Queria ser o tipo de garota que podia reclamar de um vestido lindo ser feio. Mas ela não era assim.
- Esta tudo bem, querida ? – perguntou Maureen, andando a passos largos e entregando a Luna uma geringonça de sutiã sem alça para experimentar com os vestidos.
Luna pegou o sutiã e olhou para Gina, o rosto ardendo.
- É melhor eu continuar experimentado essas coisas. Te vejo na segunda, Gina.
Ela fechou a cortina toda, mas Maureen abriu–a um pouco.
- Esse parece bom. - sugeriu ela, assentindo com aprovação para o vestido laranja – Fica ótimo em você.
Luna fez uma careta.
- Não tem preto? – perguntou ela
- Mas você É nova de mais para usar preto. – disse Maurenn, franzindo o cenho.
Luna também fez uma carranca e entregou a pilha de vestidos rejeitados a Maurenn, fechando firmemente a cortina na cara dela.
- Obrigada pela ajuda. – Luna puxou o vestido laranja pela cabeça e tirou o sutiã, pegando um vestido de seda–stretch preta que ela mesma tinha escolhido. Sem sutiã , ela o vestiu pela cabeça e sentiu a suavidade da roupa em todo o seu corpo.
Quando olhou para cima, a pequena Luna Lovegood tinha desaparecido da sala de provas. Em seu lugar havia uma deusa do sexo poderosa e devassa.
Enfiada em um par de saltos altos e com um batom Chanel Vamp, era assim que ela ia. Nenhuma garota nunca era nova de mais para usar preto.